Say Something
11 Going to Mexico
Notas iniciais
Algumas horas antes
Dylan estava deitado em sua cama esperando alguma coisa que fosse suficientemente boa para fazê-lo se levantar. Estava quase adormecendo de novo quando seu celular tocou.
Caminhou lentamente até o telefone que estava na sala:
– Dylan!
– Dylan, é hoje. Vamos resolver isso hoje.
– Michel? Do que está falando?
– Mate a Ziva.
– Eu não vou fazer isso, esse não era o acordo. Eu tinha que mandar as mensagens e assustar algumas pessoas e você soltaria minha mãe.
– Ou você faz isso ou eu faço. Mas deixarei claro que se eu matar a Ziva sua mãe vai morrer também. Estarei te esperando no local de sempre. Se não aparecer eu interpretarei como eu quiser a sua escolha.
Dylan iria xinga-lo, mas ele já havia deligado o telefone. Dylan sentou-se no sofá passando as mãos na cabeça sem saber o que fazer. Até que teve uma ideia, não muito boa, mas era uma ideia. Ligou para Ziva e pediu para ela não ir ao local do encontro dele com o Michel, mas ele sabia muito bem que ela iria.
Agora
Dylan já havia desistido do seu plano, mas quando viu Michel parado atrás de Ziva ele soube o que deveria fazer. Puxar o gatilho foi a parte mais difícil pra ele. Quando Ziva caiu ele correu ao lado dela e sussurrou em seu ouvido:
“Confie em mim, vai ficar tudo bem. Faz parte do meu grande plano.”
Dylan sentiu Ziva sorrir, então ele entendeu aquilo como um voto de confiança. Correu do local antes de ser pego por Gibbs, ele precisava fazer mais uma coisa antes de ser preso.
Dylan conseguiu despistar McGee e Gibbs entrou em seu carro e ficou dirigindo pela cidade inteira, sabia que não podia voltar pra casa. Depois de duas horas, vendo que um alerta não havia sido transmitido contra ele, pelo menos não ainda, Dylan foi até o Hospital da Marinha, lugar que tinha certeza que Ziva estaria. Chegou na recepção:
– Oi, eu queria ver a paciente Ziva David.
– Desculpa, senhor, mas temos ordem de não deixar ninguém entrar nesse quarto.
– Por favor, ela é minha irmã. Eu vim do México só pra vê-la.
– Tudo bem, mas apenas cinco minutos.
– Isso é o suficiente.
Dylan passou pelos seguranças do hospital escondendo o rosto. Provavelmente Gibbs já teria avisado para ninguém o deixar entrar. Se esquivando de todos os seguranças Dylan acabou se esbarrando em um médico:
– Desculpe-me, doutor. – Dylan olhou nos olhos do médico e se assustou. – Michel?
– Eu vim ver se você fez seu trabalho direito.
Michel saiu e deixou Dylan entrar no quarto de Ziva. O rapaz parou na porta e ficou observando a irmã deitada na cama. Ele sabia que ela ia sobreviver, ele não atirou para mata-la, mas Michel não podia saber:
– Hey, como está? – Dylan perguntou passando a mão nos cabelo da morena. – Meu Deus, que pergunta mais estúpida. Zi, precisamos resolver isso logo. – Dylan disse abrindo a mão e revelando uma seringa. Olhou para a porta e viu um dos seguranças olhando diretamente para ele e fazendo alguma ligação. Dylan pegou o braço de Ziva e tirou da veia dela a agulha que transmitia o soro e injetou a injeção que ele havia trago. – Vai ficar tudo bem, em dois dias vai fazer efeito, eu sei disso. – Dylan deu um beijo na testa de Ziva. – Eu te amo.
Quando Dylan se levantou deu de cara com Tony e Gibbs:
– Dylan Hassan, você está preso pela tentativa de assassinato de uma ex-agente federal. Vire-se agora. – Gibbs disse algemando Dylan.
Em pouco segundos foi possível ouvir o barulho irritante do aparelho que media os batimentos de Ziva. Em poucos segundos aquela sala já estava cheia de médico:
– Os batimentos estão caindo rápidos demais. Precisamos fazer algo. – um dos doutores pegou o Disfilibrador e pressionou contra o peito de Ziva. – Precisamos que saiam daqui senhores.
Gibbs saiu com Dylan, mas Tony continuou lá dentro vendo os médicos perderem a sua amada. Em alguns segundos o barulho irritante parou e se tornou constante fazendo os médicos se olharem com pesar. Do corredor Dylan pode ouvir aquele barulho agudo e olhou de canto de olho para o “médico” que estava parado quase ao lado do quarto da sua irmã, ele sabia que era Michel, mas não podia fazer nada, não até ele soltar a sua mãe.
Quando Dylan estava saindo do hospital, olhou mais uma vez para Michel e viu ele sorrir e sussurrar “O nosso trato acabou.” . Depois o viu ligando para alguém e conseguiu entender apenas duas palavras “Solte ela”. Então Dylan seguiu seu caminho, sem mais preocupações.
Gibbs levou Dylan direto para a sala de interrogatórios do NCIS, Dylan ficou lá olhando para Gibbs enquanto Gibbs parecia esperar por alguma coisa. Dylan entendeu o que era quando viu DiNozzo entrar na sala:
– Você sabe a gravidade da sua situação? – Gibbs perguntou olhando fixamente para Dylan.
– Sim, eu sei.
– Por que fez aquilo? Ziva está morta agora. – Gibbs disse se exaltando um pouco.
– Nada é o que parece, senhor.
Gibbs riu baixo e balançou a cabeça:
– Michel vai soltar a sua mãe agora? Será que ela vai ficar orgulhosa em saber que você matou uma pessoa? Ela ficará orgulhosa em saber que você matou a sua IRMÃ?
– Nada é o que parece. – Dylan se inclinou sobre a mesa e direcionou o seu olhar para Tony. – Você já foi ao México? Meu Deus, você não foi, não é? Por que você ainda está aqui, DiNozzo?
Tony olhou para Gibbs, que mesmo sem entender nada acenou com a cabeça mandando Tony ir.
Enquanto Tony estava saindo da base do NCIS, ele viu a ambulância levando o corpo de Ziva para o Ducky e antes dele sair, Tony correu para falar com o legista:
– Hey, Ducky!
– Olá, agente DiNozzo. Eu sinto muito mais uma vez.
– Obrigado. Eu posso te pedir um favor.
– Claro que sim.
– Não faça a autopsia na Ziva até eu voltar, por favor.
– Tudo bem. Eu consigo segurar por três dias.
– Ótimo, eu só precisava de dois dias mesmo.
Tony voltou para o seu carro e dirigiu até o México. Era uma viagem longa e exaustiva. Mas Tony queria voltar logo para D.C. então tentava descansar o menos possível, era difícil, afinal eram 37 horas de viagem e de carro ainda. Mas Tony conseguiu chegar em segurança.
Eram duas da tarde e o sol castigava no México. Tony foi até uma praça e perguntou por Maria Dolores, nas terceira vez, ele encontrou alguém que conhecia a mulher. Tony levou uns trinta minutos até achar a pensão onde a tal senhora. Tocou a campainha e esperou, mas nada de alguém atender, então apertou mais duas vezes, prolongando o toque na segunda vez:
– Sólo un minuto.
– Ótimo, agora vou ter que adivinhar o que ela está falando.
A mulher abriu a porta e Tony pode ver o olhar cansado e o cheiro de vomito que ela exalava. Tony olhou discretamente para dentro da casa e viu dezenas de crianças correndo alí:
–¿Puedo ayudarle
– Me ajudar? Foi isso que a senhora disse? – A mulher riu a confirmou. – Me desculpa, meu espanhol está meu enferrujado. Me chamo Anthony. Eu sou amigo da Ziva...
– Por Dios, finalmente vino! Entre. – Tony entrou e viu a mulher caminhar até a escada e a escutou gritar. – CALEB, AQUÍ ABAJO.
Em alguns minutos, Tony pode ver um menino pequeno, de no máximo dois anos, descendo as escadas com certa dificuldade. O garoto veio e ficou atrás de Maria, mas Tony conseguiu enxergar os seu cabelo castanho que escorria pelos seus pequenos olhos verdes e por um momento, Tony sentiu seu coração parar:
– Vinieron para buscarte muchacho.
– Não. Mamãe. – o garoto não havia olhado diretamente para Tony em nenhum momento.
– Este hombre le llevará a su madre.
– Desculpa, eu não estou entendendo. – Tony atrapalhou o diálogo dos dois. Mas em vez da senhora responder, o garotinho caminhou até Tony a segurou na perna dele.
– Mamãe? Quero mamãe.
Tony não conseguiu dizer mais nada, só ficou alí parado na sala de estar esperando Maria trazer o menino de banho tomado em com as malas dele. O garoto ainda tinha um pouco de receio de Tony, mas não excitou em entrar no carro dele.
Tony dirigiu até a cidade mais próxima, estava escurecendo e o garoto precisava comer. Foram até um hotel e lá no quarto, Tony pediu por uma pizza. O local ficou em silêncio, até a campainha soar, denunciando que a pizza já havia chegado. Tony pagou o entregador e foi cortar a pizza:
– Você conhece a minha mamãe? – o garoto perguntou sentando no tapete que havia no quarto.
– Eu não sei, acho que sim. – Tony disse se sentando ao lado do garoto e entregou um prato com pizza pra ele. – Como você se chama? – Tony já sabia, mas queria puxar assunto.
– Caleb. E você? – Caleb perguntou com a boca toda cheia de comida.
– Anthony. Ou melhor Tony. – Caleb instantaneamente largou o prato de pizza no chão e ficou em pé olhando para Tony.
– Agente Muito Especial DiNozzo?
– É, isso mesmo. Por quê?
– Você é o meu papai. A mamãe me disse isso.
E o maldito silêncio voltou, mas voltou para Tony poder refletir as palavras do menino. Tony não disse mais nada por toda a noite. Colocou o garoto na cama e dormiu ao lado dele. Na verdade apenas se deitou, ele não se permitiu dormir naquela noite.
Na manhã seguinte Tony levantou e acordou Caleb bem cedo e já seguirão em direção a D.C. Fizeram mais uma parada no meio da madrugada para dormir um pouco. Então voltaram para a estrada.
Tony nem passou em casa, foi direto para o NCIS. Quando entrou na sala de agente já foi surpreendido por McGee e Abby:
– Tony, quem é ele? – Abby perguntou passando as mãos no cabelo do garoto. Caleb se encolheu atrás de Tony. – Hey, não precisa ter medo.
– Abby, eu explico depois. Agora eu tenho que ir falar com o Ducky. – Tony se abaixou até a altura de Caleb. – Hey, rapazinho, você pode ficar aqui em cima com a tia Abby por um tempinho?
– Eu quero a mamãe.
– Calma, garoto. Eu já voltou, eu prometo.
Caleb entregou o dedinho para Tony que demorou alguns segundos para entender o que o menino queria:
– Julou de dedinho. Agola já era.
– Tudo bem. Eu já volto.
Tony entrou no elevador e chegou quando Ducky ainda estava limpando os aparelhos da autopsia para começar a examinar Ziva:
– Anthony, bem na hora. Eu sei que isso é difícil, mas devemos começar logo.
– Tudo bem. – Tony disse abaixando a cabeça.
– Eu vou te dar um minuto com ela.
– Obrigado. – Tony esperou Ducky sair e acariciou o rosto de Ziva. – Estamos nessa de novo. Eu não acredito. Quando você ia me contar que temos um filho? Mais que droga. Por que você não ficou aqui na base como eu havia pedido? Agora você estaria aqui comigo. Como eu vou contar pro Caleb que a mãe dele não vai mais voltar? – Tony deitou a sua cabeça sobre o colo de Ziva e começou a chorar.
– Tony, não podemos mais adiar. – Tony se afastou e ficou analisando Ducky fazer o seu trabalho. – Vamos lá, minha querida. – Ducky pegou o bisturi e Tony fechou os olhos, mas logo os abriu novamente quando escutou um barulho e uma respiração completamente pesada.
– Ziva?!
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