Say: I Love You

2 I — Friendship


Notas iniciais
Olá~ o/ Voltei com o primeiro capítulo. u_u Bem, eu queria conversar sobre algumas coisas antes de vocês lerem. Fiquei meio chateada com o fato de que uma pessoa comentou apenas, enquanto setenta e três (sim, choquem) leram. Isso é mesmo muito chato. Lógico, teve alguns favoritos e tudo mais, mas ainda assim foram poucos. Enfim. Queria agradecer aos que comentaram/favoritaram. Sério, vocês fazem de mim uma escritora melhor

Friendship

— Então, como vai, minha cara amiga?

O céu estava claro. Sem sinal algum de nuvens que pudessem cobrir o sol, que no momento, estava brilhando glorioso. Não de jeito que torrasse os miolos, pelo contrário; era um sol gostoso de fim de tarde. Aquele momento era o momento em que Lucy Heartphilia se deitava em seu sofá, esticava as pernas sobre a mesinha de centro, ligava a televisão e ficava por horas assistindo o que a programação lhe oferecia. Afinal, ela não pagava tanto assim por tv à cabo para ficar simplesmente vegetando e tendo um horário determinado pra esse tipo de coisa. Tch, que filhinho de papai faz esse tipo de coisa...

Mas a questão não era essa.

A questão é que ela estava vendo a sua melhor amiga e companheira de quarto praticamente desfilando na frente da televisão, tentando exibir a merda de uma espada enorme que ela tinha comprado em sabe-se lá onde.

Lucy bufou.

— Erza, se você quer se exibir, eu não ligo — ela começou, contendo a irritação. — Mas, pelo amor de Deus, saia da frente da televisão! Você sabe que é meu ritual sagrado das segundas, terças, quartas... Enfim!

Erza Scarlet era a sua melhor amiga. Tinham se conhecido na quinta série numa situação meio anormal. Como a loira já era uma fanática por séries televisivas, via todo tipo de coisa — até mesmo coisas sobre guerra, muito sangue e coisa do tipo. (É, mesmo criança, já era apta para violência) Conversava com todos os colegas sobre isso, ainda que eles não dessem a mínima. Bem, um dia Erza a escutou e começou a falar como uma tagarela sem limites. O bom disso? Ela tinha uma amiga. A consequência?

Bem...

Ela era Erza Scarlet.

A ruiva balançou os cabelos e a espada falsa ao mesmo tempo, como se quisesse fazer com que a atenção fosse voltada à ela.

— Fale a verdade, Lucy. Você prefere ver esses canais bobos que passam... — voltou o olhar para a tela e fez uma careta em seguida, franzindo a testa. — “O incrível mundo de Gumball”? Que diabos é isso? Caralho, me diga que você não está vendo Cartoon Network.

A loira inflou as bochechas, num claro sinal de irritação, mas absolutamente sem vergonha alguma.

Cruzou os braços em frente ao peito com certa dificuldade por estar deitada.

— Erza, deixe-me em paz, que droga — ela resmungou em resposta à possível provocação da amiga, cuja lhe fitava com um olhar bastante julgador. — Merda. Pare de me olhar assim. — não parou — O-k. — a loira levantou-se e ajeitou a postura no sofá, arrumando a coluna. Olhou sem muito interesse para a espada nas mãos da ruiva que parecia mais animada. Arqueou uma sobrancelha. — Bela espada. Só pra mim soou meio malicioso? Enfim. Bela espada — repetiu, dando de ombros, voltando a deitar-se. — Realmente parece de verdade.

— Hein? Do que está falando? É óbvio que é de verdade.

Lucy levou o olhar mais incrédulo que pôde a ela. Depois o suavizou.

— Eu deveria esperar isso vindo de você.

— Que diabos.

Erza desabou ao lado da amiga. Bem — ela desabou por cima de suas pernas, fazendo a loira quase gritar de dor e jurar ter escutado as pernas terem feito um barulho grande, como um estalo.

Apesar de todas as diferenças que existiam entre elas, ainda assim, era quase impossível uma viver sem a outra. Desde que elas perceberam que tinham muito menos em comum do que imaginavam — exato, menos —, o destino fez com que, de alguma forma, Lucy e Erza acabassem ficando juntas. Afinal, não é sempre que você pede por independência mas não tem dinheiro o bastante para sustentar-se sozinha num apartamento como aquele. Então, Erza salvou o seu dia oferecendo “humildemente” o seu apartamento para que dividissem — é claro, se a loira estivesse disposta a fazer/comprar/dividir as despesas todas com bolo de morango. O-k, talvez fosse um exagero, mas não era mentira ao todo. Que fosse.

O fato é que depois das duas começarem a criar um laço forte de amizade, Lucy conheceu Levy McGarden e Juvia Loxar e tornou-se amiga delas. Certo, certo, não foi bem assim que aconteceu, já que Levy tinha quase um complexo por ser sempre chamada de baixinha por seu namorado (que namorado era aquele, céus...), e Juvia era uma completa fanática por Gray Fullbuster. Até aí, nada muito estranho. Para a loira, claro. No entanto, com o passar do tempo, foi virando amiga do garoto stripper (ele tinha uma mania incrível de tirar as roupas e nem perceber) e de Gajeel Redfox. O resultado? Lucy perguntou quem era “pintora de rodapé” e virou a melhor amiga de Gray. Foi odiada pelas duas de início. Mas, águas passadas.

Muita coisa havia acontecido para que ela enfim se tornasse amiga de um pequeno grupinho anormal composto por sete pessoas completamente malucas. Menos eu, é claro, pensou a loira.

— Estou com fome agora — balbuciou a ruiva, admirando a lâmina da espada com certo brilho nos olhos. Seja como for, ela não parecia estar sentindo qualquer coisa além de admiração, quanto mais fome.

— Isso é só uma peça da sua imaginação. Se você pensar “eu não estou com fome” por bastante tempo, na certa, a fome vai passar.

A ruiva bufou, jogando a espada no chão enquanto a loira encolheu as pernas como se tivesse sentindo um espasmo nelas. Se aquela lâmina sequer tocasse em si, ela perderia esse membro num raio de cinquenta centímetros. Ela não tinha noção alguma de centímetros, pensou na primeira coisa que lhe veio na mente caso Erza lhe perguntasse sobre isso.

— Droga, Lucy. Esse não foi um combinado. Juro por Deus que qualquer dia desses você acorda no corredor do prédio sem saber o que aconteceu. — disse a ruiva, suspirando logo após. Não chamou a atenção da loira que continuou fitando a televisão como uma alienada. Tentou falar sobre algo que chamasse a atenção e que lhe era uma curiosidade também. — Aliás, que papo foi esse de que você foi cuidar do Natsu na enfermaria? — arqueou a sobrancelha e sorriu maliciosa. — Do jeito que você é, não duvido que tenha prendido a enfermeira Aries no banheiro.

Talvez fosse melhor Erza não ter dito aquilo.

Sentiu um chute nas costelas em cheio, uma provável reação súbita e inconsciente da loira. Caiu de cara no chão. Ou quase isso. Mas tal adjetivo na reação não a impedia de socar a loira até fazê-la jurar nunca mais cometer aquele grandioso erro.

— Q-que diabos, Erza! — ela gritou, claramente envergonhada. — Que saco, eu odeio isso. A Aries me disse que era pra cuidar dele porque tinha assuntos importantes com o professor Loki. Só isso. Sua pervertida. — resmungou, ajudando a ruiva com olhar fulminante a se levantar. — Qual é, não me culpe. A consequência de ter me assustado com esse tipo de assunto foi um chute na cara.

— Nas costelas, correção — gemeu de dor. — Mas, pra que ficar tão envergonhada? Todo mundo já sabe que você gosta dele, então...

— Todo mundo já sabe, mas não é preciso que todo mundo fale! — respondeu em exaspero. — Eu me declarei pra ele num domingo, e na segunda a escola toda já sabia disso. Não sei como.

— Garotos contam coisas a outros garotos. E esses garotos não perdem ao impulso de contar a suas namoradas e o resto do planeta.

— Está me dizendo que Natsu contou para o Gray e o Gajeel, e eles espalharam?

Erza olhou-a séria.

— Sim.

A loira suspirou, dando de ombros. Voltou a jogar-se no sofá, preguiçosamente, sendo acompanhada pela ruiva.

Aquilo estava um tédio completo. Depois que Erza abordou o assunto que tinha as palavras-chave “Natsu”, “rejeição”, “fofoca”, era quase certo de que Lucy ficasse num estado pós-depressivo pelo resto do dia.

— Videogame?

— Videogame.

Ou não.

–x-

Natsu odiava tanto os amigos que tinha, que era capaz de vender seus órgãos num leilão online — porque um de verdade era mais arriscado.

Não, ele estava realmente pensando em vender os órgãos de seus amigos no leilão. Sério. Principalmente suas vaginas. Aquele bando de bichas.

— Qual é. Caralho. Vocês vão me fazer ir sozinho nessa festa, mesmo? — questionou o garoto de cabelos róseos, claramente irritado. Aqueles dois não aceitavam de jeito nenhum apenas a hipótese de ir para uma tal festa que ia acontecer. Na casa dos Strauss, ou como era conhecida, das “duas irmãs gostosas”. — Essa festa acontece só uma vez por ano.

Gajeel bufou de onde estava — jogado desleixadamente sobre um sofá no canto do cômodo. Estavam no quarto de Gray, onde tinham planejado jogar videogame e assistir séries sangrentas até que desmaiassem de tanto sono, mas, pelo visto, foi uma simples armadilha que o rosado havia feito para que ambos fossem para uma festa repleta de álcool, garotas que não usavam calcinhas e usavam vestidos curtíssimos, jogos de luzes e um DJ aparentemente drogado que só tocava músicas com batida e sem vocal. Sempre.

— Eu tenho uma namorada, Salamander. E gosto de ter uma. — respondeu o garoto cheio de piercings. Era verdade, ele amava a baixinha que tinha. Apenas não falava isso em voz alta.

— E eu vou ter que ajudar Juvia numa matéria aí. Não acho que ela me disse qual, só disse que estava com dificuldades e que só eu poderia resolver o problema dela. De qualquer forma, não posso furar — deu de ombros.

Natsu bufou.

— Qual matéria, a “Encalhada”? Porra, qual é. Essa festa vai ser muito legal. — argumentou o rosado. Ele gostava muito de Juvia, mas que ela atrapalhava muito quando era para ele sair pra algum lugar e precisar arrastar alguém com ele, era um problema. Vulgo Gray.

— Por que você não vai sozinho, fogueirinha?

— Porque será? Lisanna vai estar lá!

— Não me diga! Ela é a dona da casa, seu babaca!

— Eu sei, imbecil! Estou falando que eu já fiquei com ela. Sei lá, vai parecer estranho eu ir lá sozinho. E se ela me aborda no meio da festa? Com certeza não terei escapatória. E vou ter que transar com ela mais uma vez. Isso é problemático! Não que ela seja ruim na cama, mas-

— Cala a boca, meu Deus! Eu não quero saber das qualidades da Lisanna na cama — Gray rolou os olhos, batendo na própria testa. — Aliás, que cara de pau. Você já ficou com ela, rejeitou a menina, e agora ainda vai na festa dela? Não que isso seja muito problemático, mas com certeza teria um patamar maior se ela estivesse escutando isso.

— Que no caso, ela não está.

O moreno bufou, voltando o olhar para Gajeel, como se pedisse algum tipo de ajuda. Mas os olhares de ambos se conectaram e eles sabiam o que isso representava.

“Natsu é uma mula.”

— O-k, Natsu — Gray rendeu-se, levantando as mãos. Natsu alargou um sorriso no mesmo instante, expondo os caninos mais afiados que o normal. — Gajeel vai com você pra festa.

— QUE DIABOS, RASPADINHA!? — gritou em protesto o garoto. — POR QUE VOCÊ NÃO VAI COM ELE?

— PORQUE JÁ TENHO COMPROMISSO, DROGA!

— FODA-SE, EU TENHO UMA NAMORADA!

Gray calou-se.

— Isso doeu profundamente, cara.

— Foi pra doer mesmo. Agora deixa de cuzisse, vai com o Natsu pra festa.

— Vamos decidir isso no jokenpô! — propôs Gray, com um sorriso desafiador no rosto. — A melhor de três.

Três minutos depois.

— Perdeu de lavada.

— Vai tomar no cu! — exclamou o moreno, resmungando todos os palavrões possíveis da face da terra. Mexeu nos cabelos, irritado, olhando para aquele cara o qual ainda tinha a coragem imensa de chamar de melhor amigo, mesmo depois de todas as furadas cujas se metia só por causa daquela bichinha de cabelo rosa. — Vou desmarcar com a Juvia. Mas, sério, se ela me afogar começando a chorar, eu juro que eu vou dizer que é culpa de vocês.

Natsu levantou a mão num sinal de quem prometia algo.

— Juro que vou fazer valer a pena. Se você não beijar uma garota bonita naquela festa, posso levar um soco na cara.

— Amigo, isso é meio impossível, visto que sou quem sou. — gabou-se ele, levando um soco. — Mas, e as garotas? Vão pra essa festa?

O rosado olhou o amigo com deboche.

— As garotas não vão pra essa festa, Gray. Se liga. Você acha que garotas como a Erza, por exemplo, vão pra essa festa? Óbvio que não. — comentou com uma risada no final. — Até porque não acho que a Lisanna convidaria a Erza. Ela destruiria a festa em três minutos.

— Não estamos falando da “Erza”, Natsu — Gray disse, o sorriso repleto de malícia. — Estamos falando de “as garotas”. Mais especificamente, “a Lucy”.

Aquilo foi o bastante.

— Que porra?! Por que o assunto virou a Luce, de repente? — o rosto dele ficou vermelho. Que droga. Ele já tinha mil vezes que não gostava de Lucy daquela forma, mas só porque ela se declarou, tudo virou nisso. Como se ele gostasse de Lucy... — Eu não gosto dela. Qual é, vejo ela como um homem.

Gray abriu a boca, completamente estupefato.

— Caralho! Você é muito babaca, Jesus — maneou a cabeça negativamente, não acreditando em como o amigo podia ser tão idiota àquele ponto. — A Lucy é... Bonita. Digo isso porque é politicamente incorreto chamar uma amiga de “gostosa”.

Gajeel, até então calado, pronunciou-se:

— Concordo. Não que eu esteja achando ela melhor que a Levy ou coisa do tipo, mas, Salamander, você é mesmo um idiota — ele disse, mastigando um salgadinho aberto á três horas atrás. — E a Bunny-girl não é tão chata quanto as outras garotas que costumo ver. Porra. Que burro.

— É a mesma coisa que vocês tentarem namorar com a Erza, pelo amor de Deus! — defendeu-se Natsu, com o rosto ficando menos vermelho, mas a vergonha não diminuíra nem um pouco. Droga, ele odiava quando o foco se tornava ele e Lucy. Não tinha nada além de amizade entre eles, sobre o que eles deveriam falar, então?

Ambos se olharam e estremeceram apenas com a ideia de namorar com a ruiva. Preferiram calar a boca diante aquele assunto.

O rosado não entendia porque eles sempre continuavam com essa bobagem de falar em como ele gostava de Lucy ou relembrá-lo de que ela gostava dele. Ele sentia vontade de afirmar em voz alta, gritada, “eu já sei disso”. Se bem que algumas vezes o fazia, mas não adiantava, porque tinha amigos retardados que continuavam fazendo aquelas caras maliciosas de quem consegue ler através de você. O-k, eles conseguiam, na verdade, mas nisso eles erravam. Ele não gostava de Lucy. Ela era só... A sua amiga. A sua “melhor amiga” a quem ele contava seus segredos que envolviam garotas, fugas de garotas que eram “chave de cadeia”, e até mesmo os segredos que Gray lhe contava e não pedia para contar para ninguém. (Ele torcia para que a loira não seguisse o exemplo dele) Mas, nunca, nunca, pensou em Lucy Heartphilia de maneira amorosa.

Isso é, até o dia em que as coisas começaram a mudar drasticamente e Natsu viu-se perdidamente apaixonado.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim (apesar dos meus capítulos conterem drogas), e deixem seus comentários a respeito do capítulo; se gostaram, não gostaram, acharam que faltaram alguma coisa ou acharam algum erro ortográfico. Enfim. Até a próxima e que os bons ventos o tragam novamente até aqui no próximo capítulo~ ajhsdjkahs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.