Say How I Feel
1 Unico
Notas iniciais
Sherlock encontrava-se sozinho no apartamento da Baker Street 221b, John havia saido para fazer compras, e se demoraria alguns minutos. Quem o visse deitado no sofá da sala, acharia que aquele estava tranquilo, porém estariam enganados. Ninguém imaginava a bagunça que sua menta estava, Sherlock estava atordoado com os próprios pensamentos, com os próprios sentimentos, sentimentos que ele pensava que não tinha. Fazia dias que se sentia assim. Havia uma névoa em sua mente, era tudo confuso em sua cabeça. Mas o que mais o intrigava não era a bagunça em sua mente, mas sim como tudo mudava com a presença de John. Tudo ficava mais claro, tudo ficava em seu lugar, ficava mais fácil de pensar, na verdade era tudo mais facil quando John estava por perto. Era incrível, era preciso John estar por perto para a mente de Sherlock clarear, a única coisa que não ficava totalmente clara eram seus sentimentos, na verdade eles ficavam bem mais confusos na presença de John, mas Sherlock não ligava pra isso, ele nunca ligou muito pra sentimentos. Não ligava até que ele começou a não conseguir mais controlá-los. Era ótimo estar perto de John, preferia a companhia de John a qualquer outra pessoa no mundo, mas seus sentimentos não ajudavam. Quando estava perto dele sentia o sangue bombear mais rápido em suas veias, a aceleração de seu coração aumentar, por muitas vezes suava e sua respiração ficava ofegante. Agradecia por várias vezes por John não prestar atenção nesses detalhes. Apesar da longa amizade, Sherlock tinha medo de como John reagiria caso descobrisse que este nutria sentimentos por ele. Começou a ficar impaciente com a demora de John, ele andava de um lado pro outro na sala. Ele não estava aguentando o quanto sua mente estava atordoada. Resolveu deitar novamente e colar alguns adesivos de nicotina em seus braços. Não resolveu muito, mas foi até que eficiente até John voltar. O suspirou aliviado de Sherlock ao ver John atravessar a porta do apartamento, foi ouvido e ignorado pelo mesmo. John deixou as compras e foi se acomodar em sua poltrona. John se pois a observar Sherlock, que estava deitado de barriga para cima com os olhos fechados. John percebeu que Sherlock tinha a expressão cansada de quem não dormia a dias. Sabia que Sherlock estava entediado pois não havia nenhum caso novo para ele se dedicar, mas nunca Sherlock havia ficado desse jeito. A preocupação de John com ele começou a falar mais alto.
–Sherlock?
–Sim?- respondeu ele sem abrir os olhos.
–Está acontecendo alguma coisa com você? Você anda meio estranho nesses últimos dias.- Sherlock encarou John por vários minutos, pensou se devia falar pra ele o que vinha acontecendo nesses últimos dias. O fato era que Sherlock estava confuso, sobre tudo, tudo aquilo que ligava ele a John. Sempre via John como um amigo, seu fiel e único companheiro, havia passados muitas coisas ao seu lado. Mas isso tinha mudado, olhava John com outros olhos, de forma sentimental, queria John o tempo toda ao seu lado, queria olhar aqueles olhos de perto, impregnar seu nariz com o suave aroma que emanava dele, queria lhe tocar o rosto, queria lhe beijar os lábios, o queria em seu braços, não queria, ele precisava disso. A cada dia que passava se sentia mais assim, essa vontade de ter John o mais perto possível.
– Eu estou ótimo John, ótimo.- essa frase saiu de forma grosseria da boca de Sherlock, mas sem intenção.
–Tudo bem Sherlock, se não quiser dizer, não diga, mas não venha descontar em mim com grosseria.
–Me desculpe, mas não estou sendo grosseiro, John.
–A claro, você é Sherlock Holmes o gentil.
–Não, mas apenas estou dizendo que não fui grosseiro, eu estou ótimo, John, estou apenas confuso com algumas coisas, nada que seja importante pra você.
–Você, confuso? Isso se tornou importante pra mim a partir de agora.
–Francamente, John, ficar confuso com algo é muito comum.
–Não para Sherlock Holmes, você se diz todo racional, nunca fica confuso, e convenhamos que o comum não se adequada a você.
–Certo, o comum não se adequada a mim, mas estar em um estado de confusão é comum a todos, até mesmo pra mim, que não sou tão comum assim.
–Não, Sherlock, você não é nada comum.
–Ok, John, não sou comum, agora chega de falar sobre mim, porque já está ficando chato.
–Eu juro que tento te entender mas não consigo, somos amigos a anos, e não consigo ter uma conversa sensata com você, como dois amigos, estou aqui demostrando preocupação, coisa que todo amigo faz, você simplesmente me chuta, porra Sherlock.
–Seu nivel de preocupação as vezes me assusta John, eu disse que estou bem, não tem com o que se preocupar, e eu sei me cuidar. Não precisa ficar com essa cara de pena, eu estou bem.
–Olha Sherlock, eu me preocupo, porque você é meu melhor amigo, moramos juntos, eu estaria mentindo se eu dissesse que não me preocupo, eu sei o que você acha sobre sentimentos, mas você poderia pelo menos tentar ficar agradecido ou ser menos grosso. Mas percebi que não tem como ter uma conversa com você, então, vou pro meu quarto.
E John se levantou de sua poltrona, e foi em direção a seu quarto, batendo a porta. Sherlock ficou encarando a poltrona aonde o outro estava sentando, se perguntando como podia ser tão idiota. Ele sempre estragava tudo Sabia que John se irritava fácil, e o quão ele ficava ofendido quando não ligava pra suas preocupações, e quanto sua amizade era importante pra ele, tanto que inúmeras vezes, John nunca havia hesitado em deixar tudo de lado, pra ir quando este precisava. Quantas vezes ele o havia defendido, e também salvado sua vida. Sherlock as vezes se perguntava se não era melhor John seguir sua vida, morar com outra pessoa, pois sabia o quão temperamental ele era, e o quão John se irritava com isso. O problema é que ele se perguntava, mas já não conseguia imaginar sua vida sem John Watson. Todos os crimes que haviam solucionado, todos os apuros que passaram junto, tudo, Sherlcok não podia viver sem isso, não podia viver sem John. Mas ele sabia que teria que falar pra John, sobre isso, caso não quisesse ver este indo embora pra nunca mais voltar. Nesse instante, Sherlock se levantou, não podia mais esperar, usou como incentivo o que John havia lhe falado, toda preocupação que tinha demostrado sobre ele. Já não aguentava mais ter seus sentimentos atordoados, muitos menos aguentava viver com a dúvida se esse sentimento por acaso é recíproco. Ele parou na porta do quarto de John, mas não o tinha coragem de bater nem de entrar. Ensaiou por alguns minutos o que falaria, mas sempre se perdia, ficou pensando, ate começar tocar uma música dentro do quarto e John, e acabou chamando sua atenção. A música era lenta, tinha algumas batidas, nada muito pesado, era suave e certa forma, e trazia certa calma, mas Sherlock parou de prestar atenção na melodia quando a letra começou. Ficou um pouco espantando como a música dizia coisas que ele estava sentindo, e como ela o fazia pensar em John.
We'll do it all everything, on our own. We'll don't need anything, or anyone.
Ele abriu a porta do quarto, mesmo hesitante, entrou. O quarto estava apenas iluminado pela luz que vinha pela fresta da porta do banheiro. Ele ficou encarando a cama de John, pensando se algum dia eles poderia dividi-la, se algum dia acordaria nela, com John ao seu lado. Despertou dos seus devaneios, quando John apareceu na porta e o encarou assustado. Sherlock ficou desconcertado, e teve que se conter para não sair correndo daquele quarto.
–Sherlock, o que foi? O que você está fazendo aqui?
–É que... eu queria lhe pedir desculpas. Você sabe que não sei lidar muito bem com isso, nunca tive alguém tão dedicado a se preocupar comigo, e realmente agradeço sua preocupação, mesmo achando ela desnecessária. Fico honrado por ser chamado de seu amigo.
John ficou boquiaberto, não imaginava tal atitude vinda de Sherlock, muito menos tais palavras saindo da sua boca. A felicidade que lhe invadiu, por saber que Sherlock ligava, e também se importava com ele, foi tão grande, que algo dentro dele se despertou. Despertou um sentimento, muito forte, que foi quase como um tapa na cara. Ele sabia que esse sentimento sempre existiu, mas preferiu reprimi-lo, esquece-lo, pois imaginava que jamais Sherlock sentiria o mesmo, e que revelando o que sentia, poderia perder sua amizade. Mas ele agora havia despertado, mas forte impossivel, e sabia que desta vez, não poderia deixa-lo de lado. Ele ficou envolvido pela música, pelo Sherlock dentro de seu quarto.
I don't quite know how to say how I feel. Those three words are said too much. They're not enough.
Ele ousou chegar mais perto de Sherlock, ficando bem a sua frente, permitindo que eles acabassem respirando o mesmo ar. Sherlock não recuou, até ficou satisfeito com a atitude de John. Eles se encararam por um tempo. Se olhavam nos olhos. Não era necessário dizer nada, seus olhares diziam tudo, todas as palavras que queriam dizer, todo o sentimento que queria expressar, tudo estava sendo dito, ao apenas se encararem. Sherlock se aproximou um pouco mais, fazendo seus corpos se tocarem, causando um choque entre eles. Sherlock levou a mão até o rosto de John, este recebeu a carícia, fechando os olhos, se deixando apenas sentir o toque suave de sua mão. Ele podia sentir o cheiro de John, e vice-versa. Sherlock sabia o quanto o cheiro de John era bom, mas não sabia o quanto era melhor de tão de perto. John colocou suas mão na cintura de Sherlock, quebrando todo ou qualquer espaço que tinha entre eles.
If I lay herre, If I just lay here, Would you lie with me, and just forget the world. All that I am, all that I ever was, Is here in your perfect eyes.
A música foi envolvendo os dois, foi tomando conta de suas atitudes, até que Sherlock finalmente avançou, e beijos os lábios de John.
Um turbilhão de sentimentos se despertarem neles, com esse beijo. Era a prova que eles precisava pra dizer que estava apaixonado um pelo outro, pra dizer tudo que precisava ser dito, tudo que precisava ser recompensado, veio tudo com aquele beijo. Eles se envolveram num abraço que transmitia toda paixão que tinha ali, tudo que havia sido reprimido, havia sido quebrado no meio daquele abraço. Eles continuaram se beijando durante um bom tempo, até que eles precisaram tomar folego. O desejo era imenso. Isso se arrastou pela noite toda. De manhã, o quarto cheirava a paixão e desejo, e os dois deitados abraçados naquela cama, eram os culpados por isso. Mas eles não estavam ligando. Pela primeira vez, dormiram em paz, nos braços de quem ele mais amavam. John e Sherlock, eles se amavam, e agora nem eles próprios podia negar isso.
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