Saviors of Aernas

2 Floresta do Desafio


Notas iniciais
Não se incomode com o título pouco criativo. Pretendo seguir cada missão da Grand Chase, fazendo adaptações para tornar tudo mais interessante.

Alguns meses depois da invasão de monstros aos reinos de Vermecia, as Rainhas Anyumena Din Kanavan e Ennaruvui Serdin decretaram a paz. Os dois reinos sofriam por cinco anos em uma guerra de atrito entre os magos de Serdin contra os cavaleiros reais de Canaban.

Quem deu origem a esta guerra foi Karina Erudon, membro da Guarda Real que se corrompeu e lançou um feitiço contra a Rainha de Canaban, que a fez incitar a guerra e enfraquecer as defesas contra os monstros que assolam todos os continentes do mundo de Ernas, desde os tempos conhecidos.

Após a fuga da feiticeira, a primeira equipe enviada para capturá-la desapareceu através um poderoso feitiço sombrio, e seguindo os passos da rainha de Canaban, a rainha de Serdin iniciou o recrutamento de uma equipe que seguiria as pistas para encontrar a feiticeira.

O número de recrutas é mais baixo que o esperado, majestade. A proposta de fazer uma equipe de serdinianos e canabanenses é ousada, nem todos estão dispostos a trabalhar ao lado da nação que guerreamos tantos anos.

É necessário que haja um grupo, não importa o número. Mesmo se não forem capazes de derrotar Cazeaje no momento, as deusas lhes darão forças pra seguir.

Louvadas sejam.

Enaruvui, a rainha de Serdin, estava de pé à frente de seu trono. Seus longos cabelos cor de esmeralda caíam em duas mechas à frente de seu manto azul e volumosamente atrás, sob um véu roseado que caía de seu ornamento de rainha. Ela fechou os olhos brevemente, em preocupação.

Mantenha tudo conforme o planejado. Não podemos desprezar os que vieram até nós com a vontade em seus corações.

Sim, majestade. O teste não é rigoroso, mas escoherei a dedo cada um dos integrantes. Espero levantar a moral dos soldados com uma equipe bem sucedida, e se eles encontrarem Cazeaje, poderemos atacar com força total.

Confio em você, comandante.

A mulher de cabelos loiros curvou-se brevemente em reverência antes de sair.

...

Ahhh... que teste ridículo. Pegar uma maçã? Qualquer um consegue pegar uma maçã.

Elesis seguia seu caminho por uma floresta. A Floresta do Ent. Ao seu lado, um bom amigo de infância.

Não é tão simples assim, Elesis. É uma das maçãs do Ent. Você sabe o que é um Ent, não sabe?

Acha que eu sou o quê? Estúpida? Ent é simplesmente um pedaço enorme de árvore falante.

As árvores podem te ouvir, sabia?... O Ent não vai gostar disso.

Não estou nem aí, Arthur. Vou pegar a maçã doente e ir embora.

Do... ente...?

Arthur começou a rir e Elesis olhou pra ele com um sorriso de convencida.

O jovem, loiro e de pele levemente morena é um conhecido de Elesis desde criança. Ele sempre apoiou a ruiva em sua jornada para ser uma Cavaleira Vermelha, e agora foi convidado por ela para ir nesta caçada a Cazeaje.

Seguindo pelo caminho encontraram alguns grupos de goblins e gosmas, que pareciam acuados, mas certamente atacariam ao se aproximarem.

Eles tem pedras. E são muitos.

E nós temos espadas. Ai deles se não nos deixarem passar!

Mas ao invés de vir um ataque frontal, os goblins armaram uma emboscada. Eles estavam nas árvores, e fizeram chover pedras sobre a dupla.

Aaah!!!— Arthur cobriu sua cabeça. Elesis fez o mesmo, mas ao invés de incômodo, ela sentia raiva.

RRRRAAAH!!!— gritou ela, enquanto pisava no chão fortemente.

O berro fez alguns goblins cairem das árvores, e os que estavam na frente dela recuaram alguns passos, mas logo voltaram a atirar pedras. Arthur aproveitou a pequena deixa pra se recompor e dar boas espadadas nos que estavam à sua frente, para poderem seguir.

Elesis continuou com o rosto emburrado por alguns instantes, mas sorriu como se nada tivesse acontecido quando Arthur olhou pra ela.

Aceleraram o passo até um bosque, onde um tronco bem largo se destacava diante da paisagem. Em seu topo, galhos e folhas em abundância, mas também pequenos monstros cogumelos e pássaros.

É o Ent.— sussurrou o loiro.

E já temos nossa maçã!— falou a ruiva, despreocupada. Ela deixou sua espada de lado, ao chão perto de Arthur. Ele inevitavelmente ficou com medo do despertar da planta, e segurou a espada dela, pronta para jogar pra ela caso fosse necessário.

Elesis focou-se em uma das maçãs. Era bem maior que as que costumava ver, e parecia suculenta também. Mas pouco antes de seguir ao tronco para escalar, uma flecha acertou o talo da mesma, fazendo-a cair, e uma figura vestida em cores verdes apareceu velozmente pra pegar a maçã antes mesmo dela cair no chão.

Elesis ficou impressionada. Primeiro pela leveza que aquele ser tinha, e segundo pelo fato de ser uma elfa. O cachecol de cor parda estava envolvido em seu pescoço e cobria até o nariz, e as distintas orelhas apareciam dentre os cabelos lisos e louros. Mas a ruiva não ficou parada, logo quis tirar satisfação.

Ei, eu ia pegar essa maçã! Eu vi primeiro!— e avançou para cima da desconhecida, que recuou graciosamente em um salto simples.

Não. Eu vi primeiro.— e apontou ao próprio olho com o indicador. Ela era uma elfa, afinal.

Quando Elesis correu pra cima dela de novo, a arqueira saltou até um galho alto de outra árvore e deu as costas, fugindo dali.

Elesis...— Arthur chamou a atenção da ruiva, apontando para o Ent. A gigante árvore estava se erguendo do chão, revelando seus braços e pernas. A primeira pisada fez um barulho de pedras e espantou os pássaros que estavam pousados em sua cabeça, e os monstros ao redor se esconderam.

Elesis olhou o breve espetáculo. Era a primeira vez que via um Ent se mover, mas esboçou um sorriso confiante.

Cuide das minhas coisas.— disse ela. Arthur estava com as pernas bambas, pois sabia que ataques simples de espada não seriam tão efetivos contra aquela madeira resistente. – Foi até interessante isso acontecer, a missão estava fácil demais.

Wraaaaah! Quem rouba.. minhas.. maçãs! Maçãs.. da Floresta.. do.. Ent!!

Olha, foi uma elfa que roubou de mim, mas eu também quero uma maçã, ok? Fica quietinho aí que eu preciso te escalar.

O Ent olhou para Elesis, e logo em seguida para Arthur. O jovem balançou a cabeça, negando que quisesse alguma maçã.

Ladrões.. não são.. permitidos!

Os dois viram o Ent erguer suas mãos para quebrar alguns galhos e arremessar em cima da ruiva. Com alguns passos rápidos, ela pôde se esquivar deles, mas o próximo movimento do Ent foi colocar as duas mãos no chão.

Elesis sentiu o leve movimento no solo, mas foi tarde – vinhas saíram do chão e prenderam as pernas dela.

Ai, droga!

Elesis! Sua espada!— Arthur deu uns passos adiante para jogar a arma para sua colega, mas ela não olhou para ele. Ficou parada no lugar e tensionou as pernas contra as raízes, esperando a árvore ambulante se aproximar.

O Ent deu um soco, mas teve sua mão aparada pelas mãos nuas da espadachim.

Ehehehe... sabia. É muito fraco!...

Ela dizia isso, mas seus dentes estavam cerrados. Estava exercendo uma força descomunal. Cedeu o soco canhoto para a direita, e depois girou o braço de madeira em um círculo grande, fazendo-o se retorcer e o Ent perder o equilíbrio para o mesmo sentido.

Soltando o ar em um grito, puxou o braço do Ent novamente para ele cair bem diante dela, e vários galhos do topo da cabeça dele se quebraram, fazendo-o urrar.

Arthur ainda estava boquiaberto com o golpe aplcado pela ruiva. Ela era mais forte do que ele esperava. – Por que não usou algum ataque nele? Uma espadada sua e ele se partiria ao meio!

Ela sorriu, e viu ao lado que uma maçã tinha caído quando o Ent tombou. – Já te falei que não gosto de lutas fáceis, não é?— Notou que ainda segurava ainda dois dedos do Ent, e jogou-os para o lado antes de pegar a fruta.

E além disso, tenho que deixar ele vivo pra outros participantes também tentarem pegar a maçã.— falou ela pegando a sua espada das mãos de Arthur.

E os dois iam embora enquanto o Ent se levantava. Uma figura apareceu em cena logo depois, depois de testemunhar tudo. Ela colocou as duas mãos pra trás, inclinando-se levemente pra frente.

Senhor Ent. Eu não gostaria de machucar você, então poderia por favor dar-me uma de suas maçãs?

A árvore, cujo rosto estava no tronco, olhou para a menina que era ainda mais baixa que Elesis, respondendo incomodado com sua lenta voz rouca e grave – Minhas maçãs... minha floresta, invadida...

Eu peço pra devolverem depois da missão, pode ser?

Não! Minha...! última maçã!

Bom, não posso dizer que não tentei.— Ela abriu um sorriso largo, e de maneira confiante gritou – Bola de fogo!!!

...

Em uma tenda não muito longe dali, a comandante das tropas de Serdin aguardava o retorno dos que enviou para a missão inicial. Ela acompanhava imagens do Ent em uma bola de cristal, manuseada por uma maga de Serdin.

Tinha que ser minha pupila Arme pra fazer essas magias. Mas também estou impressionada com a ruiva. Então ela realmente é uma Sieghart?

Sim, mas pediu que mantivéssemos segredo. As notícias que correm indicavam que ela é a líder dos Cavaleiros Vermelhos de Canaban. Minha suspeita era de que ela devia estar com suas tropas lá.

Uma canabanense, então. Hmm... Isso forma um time com três nacionalidades. Bastante icônico, excelente para missões diplomáticas.

Vamos precisar disso se quisermos cruzar continentes. Mas o que me preocupa é, por mais que essas meninas sejam extremamente talentosas, três é um número pequeno. Se elas se depararem com um grupo grande de monstros será uma batalha difícil. Elas precisam de um treinamento intensivo.

Que tal a Torre de Gelo, Lothos?

E foram interrompidas com a chegada, em passos calmos, da elfa. Ela carregava a grande maçã com as duas mãos.

Bom trabalho, Lire.

Vocês irão devolver a maçã ao Ent, não vão? Se não forem, recomendo plantarem suas sementes nesta floresta. O Ent está muito solitário.— disse ela enquanto entregava a maçã para a comandante Lothos.

Vamos enviar as sementes para serem plantadas na floresta.

Suculenta...— a maga chegou a comentar mas — ... ah. Sim, excelente desempenho, não esperaria menos de uma elfa de Eryuell.

Lire abaixou os olhos levemente, mas por baixo de seu cachecol tinha um leve sorriso. Ela se achegou ao canto da tenda, e alguns minutos depois chegavam mais duas pessoas.

Elesis e seu amigo Arthur chegaram ao local sem muita pressa, batendo papo, mas quando perceberam que a comandante olhava diretamente pra eles, tomaram a postura ereta de soldados. – Comandante.— disseram juntos e bateram continência.

Elesis. Você está imunda. Não acredito que encontrou dificuldade na batalha contra o Ent.— repreendeu a mais velha.

Eu apenas dei uma chance pro Ent, não faz mal se divertir um pouco, não é?

Em uma situação real, isso poderia lhe custar a vida. Seja mais prudente da próxima vez.

Elesis bufou. – Sim, senhora.

Arthur Larryschmidt.— olhou para ele - Já que não contribuiu no combate e não se esforçou para pegar uma maçã... sinto muito, mas, está dispensado.

Arthur sorriu, e esfregou a nuca com a mão esquerda – Eu entendo... e agradeço pela oportunidade. Devo continuar como um simples ferreiro.

Um ferreiro, é?— Lothos voltou o olhar para ele. – Mostre-me seu trabalho, caso se destaque poderá produzir especialmente para essa força tarefa.

Arthur ficou com os olhos brilhando – Sim, senhora!

A maçã.— Lothos estendeu a mão para pegar a maçã que Elesis segurava rente à cintura.

A cavaleira, por sua vez, hesitou por meio segundo, mas estendeu enfim a maçã. No meio do caminho, sentiu o olhar penetrante da elfa que estava à sua direita. Lire intercalava o olhar entre a maçã e os olhos da ruiva, sem mover nenhum outro músculo.

Lothos notou brevemente a tensão, e pensou ser pelo fato de que as duas brigaram pela primeira maçã, mas ao virar a fruta que a ruiva entregou, notou ali uma mordida.

... O que significa isso?

Já estava assim quando eu peguei ela.— Elesis deu um meio sorriso, com as sobrancelhas franzidas.

Lothos olhou também para Arthur, que continuou parado, suando no lugar. Decidiu simplesmente bufar e ignorar esse fato.

E vá lavar suas mãos, você está sangrando, Elesis.

Hã?... Ah, já deve ter sarado. Aquela madeira me arranhou.— falou, fazendo pouco caso enquanto olhava para as mãos.

E logo mais uma pessoa chegava na tenda. E isso fez com que Lire arregalasse os olhos em direção à maçã que ela segurava.

ELENA!!!— ela correu em direção à maga diante da bola de cristal.

Oi, Arme!... Ai Ai! Ai! Espera, você está cheia de fuli-!! nanhahann...

A maga Elena mudou rapidamente sua expressão de alegria pra choro enquanto abraçava sua aluna de cabelos violeta por cima da mesa. A maga estava cheia de fuligem por ter vasculhado os galhos e folhas queimados do Ent pela maçã.

Depois que soltou sua professora, Arme ajustou seu vestido e estendeu em direção à Lothos o que conseguiu. Ela estava quase preta, de tão queimada.

Você não matou o Ent, né???— Lire perguntou preocupada.

Ah!! Nã... não! Ele está bem. Tinha um córrego bem perto dali, eu pude até regá-lo com minha magia.— ergueu os ombros.

Lothos e Elena sabiam bem o que Arme tinha ateado fogo no Ent até ele se inclinar pra que ela pegasse a maçã, o que custou a integridade da fruta. A maga fez uma bolha enorme de água cair em cima das chamas para se apagarem.

Lire colocou uma mão na testa, balançando com a cabeça. Arme, no entanto, não teve problema em se aproximar dela, curiosa.

Ei, ei, você é uma elfa de verdade? Essas orelhas são reais, não são? Oh! Seus olhos... São diferentes!

Senhorita Arme.

A maga ficou reta como uma tábua à voz ríspida da comandante, e se virou pra ela.

Você fez como foi lhe mandado. Pegou a maçã do Ent. No entanto, com amplas magias à sua disposição acredito que havia um meio mais simples de obtê-la.

S-sim, senhora.— respondeu com um pouco menos de animação.

A comandante enfim se levantou de sua cadeira.

O próximo teste de vocês será amanhã, na segunda hora. Encontro vocês três na base da Torre de Gelo. Sugiro que conheçam-se melhor, pois a partir de hoje trabalharão em equipe. Dispensadas.

Arme ficou empolgada, e deu um gritinho animado. Teria a honra de trabalhar ao lado de uma elfa, que virou o rosto para a direita. Já Elesis não estava animada para trabalhar com sequer das duas.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Acharam que o jovem Arthur roubou muito a cena? Ele é um amigo de infância da Elesis, e em outros capítulos aprofundarei a história das outras duas protagonistas.