Saving people, hunting things, the family business
28 Encontro com a Morte
Notas iniciais
*Dean*
Eles me deixaram esperando por muito tempo. Eu me sentia enclausurado, preso, derrotado. Eu imaginei centenas de milhões de outros jeitos de morrer ou de querer morrer. Nenhum deles incluía estar preso num lugar desconhecido, controlado por Lúcifer, e com o receio de perder uma garota que eu pensei que não seria nada pra mim, porém que me surpreendeu.
Clarisse era outro ponto. No começo eu a via certamente como uma mulher bonita, e ela realmente é. Mas sempre que eu conheço uma mulher bonita ela é burra, irritante ou um demônio. Clarisse é completamente o contrário. Ela é mais inteligente do que pensa. Talvez ela pense assim pois se sente ofuscada pela irmã. Obviamente, Rose é maravilhosa. Ela é bonita, inteligente e corajosa. Mas ela não tem coração. Ela não tem humanidade. Ela é mais fria do que gelo. Ela é uma máquina, praticamente. Clarisse é como uma luz, ela sempre está sorrindo, e anima o dia de qualquer um. E eu aprendi a amar isso nela, o jeito que ela se importa com as pessoas. Talvez ela não seja capaz de matar demônios ou pessoas, ou talvez ela nunca vá até o Inferno em busca de alguém, mas ela é capaz de fazer milhões de outras coisas impossíveis por aqueles que ela ama. Seu enorme coração, no final, compensa toda a falta de coração de Rose.
— Venha. – Um demônio chamou da porta. Eu não havia escutado de primeira, pois estava completamente imerso em meus pensamentos. – Rápido!
Foi a primeira vez que eu saí daquele quarto miserável. Foi ótimo poder ver como era minha prisão, ao mesmo tempo em que eu estava muito curioso pra saber onde eu estava, eu também queria escapar dali o mais rápido possível.
Mas as coisas não iriam dar certo. Tudo estava cercado por demônios e grades, me deixando sem escapatória. Eu tinha esperanças que me levassem para Clarisse, mas ainda assim, a possibilidade de ir em direção à morte ainda me assombrava.
Eu tentava falar com os demônios, mas nenhum deles me respondia. Eles, ao máximo, me mandavam calar a boca. Mas, finalmente, algo aconteceu que eles não esperavam. As janelas estouraram, espalhando cacos por todos os lados. Como eles eram demônios, não se machucavam com o vidro rasgando a pele, mas eu ainda era humano, e precisava desviar de tudo isso. As portas, em seguida, foram arrancadas, juntamente com as grades. Avistei, ao final do corredor, a figura de Morte andando entre corpos. Ele matava cada demônio que passasse por ele, apenas com o olhar, ou a mente, ou seja lá como ele fazia isso.
Ele matou os três demônios que estavam ao meu redor, e avançou em minha direção. Se eu pensei em algum momento que ele iria me atacar, eu estava completamente enganado.
— O que você está fazendo aqui? – Eu perguntei.
— Digamos que minha ajuda foi solicitada. – Ele disse, calmamente. De um modo que a situação não exigia.
— Por quem? – Eu quis saber, afinal, conseguiu mandar Morte para me buscar.
— Além de Rosemarie Berkenhout e Sam Winchester, Castiel e Crowley também vieram recorrer à mim, em nome do Céu e do Inferno.
— Crowley? – Eu me surpreendi, talvez até duvidei. Nós caminhávamos entre corpos e corpos de demônios até onde Morte nos levava.
— Pelo visto, o Rei do Inferno não gostou de ter demônios contra ele. Além disso, a filha dele queria a irmã de volta.
— Mas Crowley não liga para os filhos. Eu vi isso. Ele deixou que destruíssemos o filho dele.
— O problema, senhor Winchester, é que Crowley tem orgulho da coragem de Rosemarie. E além disso, ela foi um passado que o trouxe, de certa forma, boas lembranças.
— E onde estão Rose e Sam? Por que eles não estão aqui?
— Eu os ocupei. Eles tinham que fazer alguma coisa enquanto eu vinha aqui, senão me atrapalhariam. Eles pensam que foram os únicos que pediram minha ajuda. – Ele riu friamente. – Guardei Lúcifer para o final.
— Quer dizer que ele ainda está vivo? – Morte assentiu.
— É para seu próprio gosto. De poder vê-lo morrendo. – Eu tive vontade de agradecer, mas optei por ficar em silêncio.
Ao final do corredor, havia uma cela. Diferente da minha, essa cela abria visão para tudo em volta. As grades estavam jogadas no chão, e Clarisse estava desmaiada por cima de cacos de vidro. Eu pude ver que atrás dela havia uma grande janela, e quando a explosão aconteceu, todo aquele vidro a atingiu.
Eu saí correndo em sua direção. Assim que a vi, eu tive vontade de arrancar cada pedaço de Morte. Clarisse estava completamente ensanguentada, coberta por cacos de vidros. Me ajoelhei ao seu lado e a segurei em meus braços, tentando acordá-la. Pelo visto, ela tinha um pouco de consciência. Ao fundo, ouvi os dedos de Morte estalarem, e logo em seguida não havia mais sangue e nem cacos de vidro.
— Dean... – Clarisse começou a resmungar, assim que abriu os olhos. Quando me viu, um sorriso começou a se formar em seus lábios, e eu retribuí. Ajudei ela a se levantar, e assim que ela estava em pé, seguimos Morte.
— Agora, chegou a parte divertida. Mas antes, não seria tão legal sem seus irmãos, não é mesmo? – Ele deu um sorriso torto, e estalou os dedos.
*Rose*
Eu e Sam conversávamos no quarto do hotel, e no segundo seguinte, estávamos em uma praia. Eu olhei, confusa, para Sam, e percebi que ele também estava confuso. Olhamos em volta, e a cerca de um quilômetro estava algo que parecia um castelo.
— Acho que só temos uma alternativa. – Eu olhei de Sam para o castelo.
— Vamos. – Ele começou a caminhar em direção ao castelo, e eu fui logo em seguida ao seu lado.
Assim que me dei conta de que estava sem nada, comecei a apalpar todo o meu corpo, em busca de uma arma. Mas eu havia tirado tudo quando chegamos no hotel, e estava sem nada.
— Toma. – Sam estendeu uma arma pra mim. Eu olhei para a arma, confusa. – Estava na minha jaqueta. Pode ficar.
— Mas é sua... Eu não posso pegar... – Ele estendeu a arma mais ainda, e me interrompeu.
— Rose, eu sei como estar armada é importante pra você. – Eu peguei a arma, hesitante. – Você me protege se vierem para cima?
— É claro. – Eu sorri, e ele riu. Em seguida, senti seus dedos entrelaçando os meus. Se fosse uma outra época, eu nunca deixaria isso acontecer. Mas tudo o que consegui fazer naquele momento foi apertar sua mão, sentindo todo o calor que apenas sua mão trazia invadindo o meu corpo.
Andamos mais alguns metros até conseguirmos avistar duas silhuetas paradas atrás do portão do castelo. Assim que vi a luz refletindo o brilho dourado dos cabelos de Clarisse saí correndo em sua direção, e Sam veio logo atrás de mim ao perceber quem eram.
Porém assim que nos aproximávamos do castelo gritos e gestos vindos de Clarisse e de Dean nos pararam. Na verdade apenas diminuímos o passo, ao ponto de conseguirmos entender o que estava acontecendo a tempo.
— Parem! – Uma voz diferente sobressaiu-se. Morte. Foi quando ele falou que Sam e eu definitivamente paramos. Estávamos muito próximos, mais um passo e passaríamos pela porta. – Esse castelo foi selado com magia de sangue. Lúcifer usou sangue de Sam, Dean e de Clarisse para que nenhum deles possam passar por essa barreira mais de uma vez.
— Ótimo. – Eu cruzei meus braços. – Desfaça isso. – Assim que eu disse isso, Morte soltou um riso debochado.
— Eu não posso fazer isso. Apenas Lúcifer pode. E antes que diga mais alguma coisa, aqui está. – Ele estalou os dedos, e Lúcifer, preso, materializou-se à minha frente, mas ainda assim dentro do castelo. Assim que eu o vi, peguei a arma e saí em direção à ele, mas Sam me segurou antes que eu pudesse fazer algo.
— Me solta! – Eu me debatia em vão em seus braços. – Ele não conseguiu meu sangue! Vou acabar com a raça desse desgraçado agora...
— Rose, acalme-se. Você sabe que isso não é prudente. – Aos poucos fui me acalmando.
— Por que fez isso? – Eu gritava para ele. – Quebre essa barreira, ou senão...
— Senão o que? – Ele riu, mas logo esse riso se transformou em uma cara séria. – Eu vou soltar vocês. Consegui meu objetivo com isso.
— Que objetivo, do que você está falando? – Perguntou Dean, com uma cara preocupada.
— Miguel não pegou nenhum de vocês, pegou? – Ele deu um meio sorriso.
Quer dizer que Lúcifer nos ajudou? Por que não acabou conosco? Ele estava do nosso lado?
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