Save me
13 Sem ajuda
Notas iniciais
Pov Ally
Ai minha cabeça! Parece que tem um caminhão passando em cima dela!
Abro meus olhos devagar, minha visão fica meio embaçada no início, mas depois de um tempo consigo ver tudo com clareza.
Analiso o lugar em que me encontrava. Na verdade a perguntinha básica é: que lugar é esse em que eu me encontrava?
Era escuro e cheirava a ferrugem, uma sala pouco iluminada, a única luz presente era a do sol que entrava quase que inutilmente pelas frestas de uma persiana imunda.
Só depois de observar o lugar é que me dei conta de que eu estava amarrada em uma cadeira. Ah ótimo! Típico não?
O que eu estava fazendo ali? Seja lá onde fosse esse “ali”.
Forcei minha cabeça a se lembrar de algo, mas tentar se lembrar de alguma coisa com a cabeça doendo horrores não é uma coisa fácil.
Até que flashes fora de foco vieram sem prévio aviso. Lembrei-me de minha mãe pedindo para que eu fosse até a padaria... e depois tudo ficou escuro. Não precisa seu um gênio para adivinhar que isso era coisa de algum dos capangas que perseguia o Austin.
Austin! Onde ele estava? Será que o capturaram? E minha mãe? Ai me Deus!
Tentei inutilmente me soltar daquelas cordas que foram amarradas em nós bem feitos. De nada adiantou, eu estava gastando forças a toa.
Depois de muito tentar me livrar das cordas, me encostei na cadeira e esperei que alguma alma viva aparecesse. Eu não estava com medo, mas sim com raiva! Esses caras já estavam me cansando.
Cerca de cinco minutos depois ouvi passos se aproximando, passos fortes, parecia que o indivíduo estava nervoso ou cansado.
Dentro da escuridão uma silhueta grande começou a dar sinal, se aproximava lentamente e eu forçava meus olhos a enxergar alguma coisa, para saber quem tinha sido a criatura que tinha me sequestrado dessa vez!
Até que finalmente o vi. Um homem alto, forte e que possuía um sorriso sarcástico na face. Usava roupas pretas de couro, havia olheiras profundas debaixo de seus olhos azuis, cabelos pretos como carvão estavam impecavelmente penteados e alguns fios caiam em sua testa.
Fiquei observando a figura, ele somente me analisava cauteloso e quando aquele silêncio tortuoso me incomodou o bastante para me deixar impaciente, decidi falar.
─ Quem é você? – minha voz saiu meio falha, acho que o medo decidiu dar um “oi”.
Ele riu expondo dentes alinhados e andou em passos lentos pela sala.
─ Eu esperava uma reação diferente, não achei que ficaria tão calma. – seu sorrisinho irônico não abandonou seu rosto em momento algum. – Você não é das que gritam?
─ Você não respondeu minha pergunta. – tentei parecer confiante. Sim meu caros falhei com sucesso.
Ele andou até ficar parado na minha frente. O sorriso irônico foi substituído por um amigável, mas obviamente fingido.
─ Sou Ian, fico decepcionado de Austin não ter lhe dito sobre mim. Aquele que, de certo modo, matou seu irmão.
Senti um choque passar por mim, se eu estivesse de pé, com certeza teria caído. Então era ele o causador de tudo?
─ Bom nesse caso muito prazer. Sou um traficante premiado, e o cara que levou nosso loiro predileto para o mundo das drogas e agora que o depressivo está querendo reconstruir sua vidinha, claro que irei impedir.
Senti raiva misturada com surpresa. Por que?! Então ele queria destruir a vida do Austin? Como? Meu queixo caiu...
─ Então você matou o irmão dele e agora quer deixa-lo oficialmente um dependente químico? Para que afinal? O que ele fez pra você? Tem haver com dinheiro...
─ Calada. – falou de um jeito sério e frio. Fechei a boca na mesma hora. – O dinheiro é uma parte pequena da história, temos a questão de, como irei saber que ele não vai se revoltar e chamar a polícia? E claro, vocês não sabem de quase nada. Tenho vários motivos além dos que vocês sabem. Motivos maiores.
Fiquei mais confusa do que já estava. Motivos maiores? Como assim? Eu podia sentir a fumaça saindo da minha cabeça nas tentativas vãs de entender alguma coisa.
─ Motivos maiores? – indaguei na esperança de obter respostas. Ele cruzou os braços e riu.
─ Você acha que eu assaltei a casa dele naquela noite a toa? Ou que a morte do Jason foi algo do momento? Ingênua. Você e seu amiguinho loiro não sabem de muita coisa e só irão saber se eu quiser.
─ Mas...
─ Não me irrite com suas perguntas garotinha. Agora se me der licença, tenho assuntos a tratar. – ele foi se dirigindo até a saída.
─ Então foi por isso que concordou em dar as drogas para o Austin ontem á noite? Quer mesmo acabar com a vida dele? – falei alto o suficiente para que ele ouvisse.
Ian parou e de virou com o cenho franzido e com a cabeça inclinada.
─ Você acha que ele que encomendou as drogas?
Ok, to confusa mais uma vez.
Ian riu alto, sua risada estrondosa me fazia querer tampar os ouvidos.
─Você é mais ingênua do que eu pensava. Eu mandei uma mensagem pra ele enquanto vocês estavam na pizzaria, meio que o ameacei para me encontrar sabe. Depois de uma conversinha entre amigos, joguei as drogas pra ele. Eu sabia que o depressivo não ia conseguir resistir, quando se é viciado, é imensamente difícil vencer a tentação.
A surpresa me invadiu de novo. Então o Austin não pediu as drogas? Ele foi meio que induzido a usa-las?
Me senti uma idiota. Eu julguei Austin sem saber a história verdadeira, é claro que o coitado não iria conseguir resistir... pesquisei sobre isso e descobri que é muito complicado largar o vício...
Ian saiu sem dizer mais nada. Fiquei me culpando internamente por abandonar o Austin no momento em que ele mais precisava de apoio... Sabe-se lá o que o Ian havia dito a ele. Idiota! As lágrimas ameaçaram descer, mas segurei. Isso que da ser sensível demais.
O que iriam fazer comigo? Qual seria meu “destino” naquele lugar?
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Eu estava começando a me sentir fraca. Ian foi embora a menos de dez minutos, mas eu não tomei café da manhã e eu tenho pressão baixa. Mereço!
Eu já estava perdendo as esperanças de conseguir escapar daquele lugar sombrio, quando ouvi passos novamente.
Olhei para os lados alerta, quem seria dessa vez?
Os passos se tornaram mais audíveis, porém eu não via ninguém. O medo apareceu novamente e a insegurança veio junto. Quem estava ali?
Senti alguém atrás de mim, fechei os olhos com força deixando o medo me consumir. Não tinha coragem de olhar para trás.
Mais perto e mais perto, essa pessoa estava bem perto de mim.
Senti mão em meus braços e virei a cabeça bruscamente preparando o grito. Mas uma mão grande e firme tampou minha boca me impedindo.
─ Ally sou eu!
Reconheci a voz de imediato, foquei meu olhar dando de cara com um par de olhos castanho chocolate que pareciam cansados.
─ Austin. – exclamei impressionada. Ele começou a desatar os nós das cordas que me prendiam. – O que ta fazendo aqui?
─ Não é óbvio, eu vim te salvar. – respondeu terminando de soltar as cordas de meus punhos .
Levantei parando de frente a ele. O mesmo me puxou para um abraço necessitado e forte. Senti seu cheiro de perfume forte, mas ao mesmo tempo suave e tranquilizante. Meu corpo se encaixava ao seu e minha cabeça repousava em seu peito.
─ Nunca mais me assuste assim. – sussurrou aliviado.
─ Como me encontrou? – perguntei ainda o abraçando.
─ Analisei as possibilidades. – sua voz rouca mantinha o alívio.
─ Mas... e sua perna?! – o soltei e olhei sua perna que ainda não tinha se recuperado totalmente.
─ Correr de muletas é complicado. – falou dando um sorriso pequeno. Suas muletas estavam largadas em um canto do quarto.
─ Não force sua perna! – o repreendi. Ele riu e deu de ombros.
De repente me lembrei das conversas com Ian, e me lembrei de ter brigado com Austin sem ter conhecimento da situação que ele passou. Eu tinha de me desculpar e contar sobre o que Ian tinha me dito, sobre haver motivos desconhecidos da sua insistência em acabar com sua vida.
─ Austin, eu...
Não pude terminar a frase. Senti dois braços firmes me segurando e uma arma pousada em cima da minha cabeça. Outro homem alto e forte segurou Austin por trás, o impossibilitando de se mover ou se defender.
Austin tentou se soltar, mas sua perna não colaborava e nem sua força. Ele me olhou com os olhos desesperados e repletos de agonia. Eu podia sentir que minha expressão estava idêntica, afinal tinha uma arma pousada na minha cabeça!
─ Austin. – falei com a voz repleta de medo e sentindo as lágrimas rolarem.
Ele tentava se soltar do homem que o segurava, mas o mesmo deu um soco em sua barriga fazendo Austin se aquietar.
─ Ora, ora, ora. Olá Austin, como vai? – Ian entrou sorrindo largamente com as mãos nos bolsos de seus jeans escuros. – Diga-me, qual é a sensação de ver uma garota boa, inocente e que só queria trazer a luz de volta a sua vida, estar prestes a levar um tiro? E ainda por cima, por sua culpa.
─ Solte-a! – Austin gritou mostrando sua fúria e desespero. – Ela não tem nada a ver com isso!
─ Oh Austin como me subestima. – Ian veio para perto de mim e passou as costas da mão em meu rosto. Fechei os olhos de nojo. – Você podia ter deixado a menina ir, e viver a vida sem problemas, mas deu um jeito de envolvê-la nisso.
─ A culpa não é dele! – exclamei. A última coisa que eu queria era ele se sentindo culpado por mais uma coisa.
─ Por que quer fazer isso? – Austin perguntou não tirando os olhos de mim. Olhos agoniados e tristes, e no momento estavam marejados.
─ Pra ver se assim, o senhor enxergue quem tem o controle sobre a situação. – Ian disse sério. – Eu poderia ter dado um jeito antes, mas eu queria que apreciasse o show. É uma pena o mundo perder uma alma tão boa.
─ Não! Ally... por favor deixe-a ir, e eu prometo nunca mais me aproximar dela! – Austin tentava argumentar.
─ Austin não! – eu não queria ele longe! Eu não podia abandona-lo! Onde ele estava com a cabeça?
Ian sorriu tranquilo ficando no meio de nós.
─ Prefiro não arriscar.
Austin arfou e olhou pra mim, seu rosto molhado por lágrimas que desciam sem cessar. Fechou os olhos e abaixou a cabeça.
Ian foi ao seu encontro e pegou no rosto de Austin, forçando-o a olhar pra cima.
─Quero que veja a vida inocente que irá embora por sua culpa. – disse sem piedade.
Eu estava chorando, sentindo as lágrimas caírem no chão. Olhava para Austin que parecia estar sentindo a pior dor do mundo.
Fechei os olhos, escutando o barulho da arma preparada para atirar...
Continua...
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