Save me
6 Demonstração de carinho
Notas iniciais
Pov Ally
Nesse momento, eu estou MUITO preocupada com Austin. Ele está gemendo de dor, e suas expressões estão me assustando.
Como ele tem um carro, consegui convencê-lo, depois de muito esforço, a me deixar dirigir assim chegaríamos mais rápido.
Esse é o momento em que dou graças a Deus por ter passado no teste de direção, a única coisa que me falta é um carro.
Ele parecia sofrer tanto, que eu pisei com fé no acelerador, ele arregalou os olhos e se agarrou no banco.
─ Está querendo nos matar?! – perguntou assustado.
─ Não, quero tratar essas contusões rápido, e se não melhorar te levar a um médico.
─ Nem morto irei a um médico! – exclamou com convicção.
─ Ô seu animal. – quando estou preocupada, perco a paciência. – Você não tratou essas contusões, por isso que está doendo tanto e se não melhorar depois dos cuidados, pode ser hemorragia. Então fica quieto. – ele revirou os olhos e se calou.
Chegamos em casa, ele foi entrando se apoiando em mim, já que os músculos da perna estavam rígidos. Ou ele brigou com um lutador profissional ou foi atropelado por um caminhão.
Ele se sentou no sofá e suspirou tentado relaxar. Me sentei ao seu lado, ele e encarou sem expressão.
─ Primeiro, para que eu possa dar um jeito nesses machucados, preciso saber qual foi a causa deles. Então confirme minha teoria, bateram em você não foi? – perguntei com medo da resposta.
Ele respirou fundo e assentiu com uma expressão triste. Eu tive vontade de chorar, sabendo que enquanto eu fugia ele era espancado. Isso é horrível.
─ Eu sinto muito. – falei sincera.
─ Não sinta, eu meio que mereci isso por ser um idiota. – falou encarando o sofá.
─ Não diga isso... enfim eu vou pegar gelo, analgésicos, coisas necessárias para limpar os cortes e você vai ficar quieto. E repousar por um tempo, ou seja, nada de esforços.
─ Escute, eu sei que está doendo, mas pra que tudo isso? – ele falava com dor. Eu quero parar de papo mole e dar um jeito nisso.
─ As contusões geralmente, benignas cicatrizam espontaneamente. No entanto, a violência do trauma pode comprometer os tecidos adjacentes.
─ Como sabe de tudo isso? Sua mãe é veterinária não enfermeira.
─ Digamos que ela já fez curso técnico de enfermagem. Eu já volto.
Fui pegar todo o necessário para cuidar de Austin, e estou com um pouco de medo quando eu vir o estrago que fizeram com ele.
Voltei para a sala, ele tocava a área das costelas e tricava os dentes.
─ Então... você vai ter que tirar a camisa. – falei sem jeito.
Ele ficou cerca de um minuto pensando, parecia estar decidindo se queria que eu visse sua situação. De vagar ele ficou em pé, e tirou sua camisa.
Cobri minha boca com as mãos. ELE ESTÁ COMPLETAMENTE MACHUCADO! Eu deveria ter ficado lá e deixar que me estuprassem.
Ele abaixou a cabeça e fechou os olhos e deu um pequeno sorriso. Um sorriso nada feliz, e tenho a impressão que vi uma lágrima escorrer. Ele se sentou de novo.
Decidi tratar dos cortes primeiro, peguei alguns algodões e o remédio e me aproximei lentamente. O olhei pedindo permissão, e o mesmo assentiu.
Com a maior e extrema delicadeza, limpei os cortes, ele observava tudo que eu fazia e de vez em quando deixava escapar um “ai”.
Finalizei colocando os curativos, agora vamos para as contusões que na minha opinião estão piores que os cortes.
Coloquei a bolsa de gelo levemente sobre os hematomas, mas mesmo que eu tentasse ser cuidadosa, dava pra ver que ele estava com dor.
Passei um gel para desinchar e o obriguei a tomar um analgésico para a dor, ele obedeceu com a cara feia.
Cuidei de seu rosto, e ele me observava enquanto eu executava os cuidados, admito que fiquei sem graça.
─ Você se machucou em mais algum lugar? – perguntei séria.
Ele negou com a cabeça, mas eu acho, não, eu tenho certeza que ele estava mentindo.
─ Tudo bem, se não que me falar não vou obrigar, mas... – coloquei todas as coisas que usei dentro da caixa e entreguei a ele. – Leve com você para tratar.
Ele assentiu, colocou a camisa e se levantou.
─ Aonde vai? – perguntei.
─ Vou embora. – falou óbvio.
─ Olhe, eu preciso que me responda. Por quê anda com esses caras? Por quê obedece eles? Se afastou de seus amigos e está sempre tão na defensiva e triste. Seus amigos me contaram o que aconteceu com seu irmão, e que se sente culpado. Eu sinto muito, e sei que tem o direito de ficar triste, mas desistiu de viver pela culpa? E agora anda com aqueles homens?
Pov Austin
Allycia cuidou de meus ferimentos com presteza e foi muito cuidadosa. Eu me senti bem pelo cuidado, parecia que ela realmente se importava com o meu bem-estar. Mas com toda certeza ela queria retribuir por eu tê-la salvado ontem, afinal, por quê ela se importaria?
Até que ela me fez perguntas que eu não podia responder, citou meus amigos e por mais falta que eu sinta deles, já me afundei demais, estou no meio de drogas e de erros que eu não posso consertar. É tarde demais.
Ela perguntou se eu desisti da vida pela culpa, em parte sim, e também pelos meus pais terem me tirado de suas vidas e eu não quero que amigo nenhum venha me dizer que a culpa não é minha e me dar conselhos e lições de moral que não irão ajudar em nada.
─ Desculpe, mas não posso te responder isso. – respondi.
─ Por quê está sempre na defensiva? Só estou querendo te ajudar.
─ Eu não quero sua ajuda. – falei frio.
─ E se eu quiser ajudar mesmo assim?!
Eu ia responder até que sinto meu celular vibrar no bolso. Olho a tela e quase jogo o celular no chão por ver quem era. Ian.
─ Alô. – falei grosso.
─ Depressivo, e aí se recuperou da surra? – falou com uma voz impiedosa.
─ O quê você quer?
─ O dinheiro das drogas que te demos mês passado. Cadê?
─ Eu... não posso pagar agora...
─ Além de ser um incompetente que não segura uma garota no quarto ainda por cima não tem o dinheiro?! Eu já disse que se não der logo a droga da grana, serei obrigado a prender seus pais! – ameaçou.
─ Não se aproxime deles! – falei com medo. Apesar de eles terem se afastado, eu os amo.
─ E quem vai me impedir? Você foi tão incompetente a ponto de ser o responsável pela morte do seu irmão, tá na cara que não é capaz de proteger ninguém. – aquelas palavras me atingiam como facas, e as lágrimas queriam dar sinal.
─ Isso não é verdade. – falei sentindo as lágrimas descerem.
─ E pode dizer “adeus” para as drogas, e sabemos que você não vai conseguir ficar sem. – o pior, é que eu estava dependendo dessas porcarias.
─ Não posso dar dinheiro nenhum agora. – falei.
─ Quer apanhar de novo? Ou quer que eu faça isso na sua mãe ou seu pai? Posso ser pior, pois se eu matei seu irmão, posso dar um jeito no resto. – e desligou.
O celular caiu da minha mão, e eu arregalei os olhos. Ele matou meu irmão? ELE MATOU MEU IRMÃO!
─ Austin? – Allycia me chamava, mas eu ignorava. Ian matou o Jason! Eu estava perante o assassino esse tempo todo! – Austin o que houve? – ela ficou em frente a mim.
─ Ele matou meu irmão. – sussurrei chorando.
─ Como? – ela perguntou confusa. Mas eu não estava em condições de responder nada agora.
Caí de joelhos no chão e a tristeza me consumia. Eu sou um drogado, que usa dinheiro para pagar criminosos, praticamente não tenho pais, estou sendo ameaçado pelo assassino do meu irmão e eu estou devendo para o mesmo.
EU QUERO MORRER! ALGUÉM ME MATE! EU NÃO AGUENTO MAIS!
Chorei e solucei muito ignorando as perguntas de Allycia.
─ Austin? Fala comigo, o que foi? – ela estava agachada na minha frente e perguntava preocupada.
─ Eu não quero mais, faz parar, por favor,faz essa dor parar. – eu chorava e lamentava. Acho que estava praticamente em estado de choque. – Isso dói muito.
Ela arregalou os olhos.
─Vem. – ela pegou meu braço me fazendo levantar e eu obedecia. Eu não me importava com nada.
Ela me levou para o sofá e se sentou comigo, eu só chorava e soluçava. Meu choro era tão desesperado que eu acho que nunca chorei assim.
─ Austin, Austin olha pra mim! – ela pegou meu rosto entre suas mãos. Olhei para ela. – Eu não sei qual o problema, ou o que aconteceu com você. Eu já passei por muitas situações realmente difíceis e problemas gigantescos, e uma coisa que aprendi, é que se não controlarmos a dor ela irá nos consumir acabando com a gente. – eu escutava, porém não cessava o choro. – Agora pode ser difícil e complicado, mas não vai durar para sempre, vai passar. – e me abraçou.
Ela me envolveu em seus braços calorosos e fez carinho em meu cabelo sussurrando “ Está tudo bem, vai passar” sem parar.
Fiquei sem reação no começo, mas não me lembro qual foi a última vez que recebi um abraço, e a sensação era muito boa, então retribuí.
Sem saber direito o que estava fazendo, a envolvi e com meus braços e apoiei minha cabeça em seu ombro. Aquela demonstração de carinho, me fez tão bem de um jeito inexplicável.
─ Vai ficar tudo bem. – ela falou.
Sentindo sua mão acariciando meus cabelos, seus braços calorosos em volta de mim, pela primeira vez em muito tempo, estava me sentindo melhor.
Fui respirando fundo, e me acalmando, sua voz doce me acalmava aliviando minha dor.
─ Deita aqui. – ela disse dando tapinhas em seu colo.
Me deitei, e ela fazia carinho em meu cabelo e ás vezes passava a mão em meu rosto, aquilo era tão bom e relaxante.
Ali com seu apoio, fui me acalmando e senti uma sonolência me invadir.
─ Espera um pouco. – ela falou se levantando.
Voltou rapidamente com um cobertor.
─ Pode parecer bobo, mas esse cobertor é muito macio e sempre me acalmava. – falou sorrindo.
Ela colocou o cobertor sobre mim e se deitou ao meu lado, ela me abraçou e eu me aconcheguei, eu não faria isso em outra situação, mas eu necessitava disso.
Ela voltou a acariciar meu cabelo, e pude sentir paz, algo que faz muito tempo que não sinto.
Fale com o autor