Save me

8 Aceitando amparo


Notas iniciais
Oieeee voltei! Tudo bem com vocês? Espero que gostem desse capítulo! Boa leitura!

Pov Austin

Acordei com o sol batendo em meu rosto.

Me cobri com a coberta, inutilmente tentei encontrar um motivo para sair da cama, e adivinhem só! Não consegui.

Tomei um banho frio deixando a água gelada aliviar o calor que eu sentia e admito também, medo.

Eu estava devendo dinheiro e não possuo o mesmo, em outras palavras, me ferrei.

Mas isso depende dos meus pais, e o que eu posso dizer? Ah, mãe, pai me deem dinheiro para pagar traficantes pelas drogas que eles me dão, que eu comecei a usar depois da morte do Jason para descontar a culpa e solidão, e se eu não pagar vocês dois morrem.

Me vesti, peguei minha mochila e desci as escadas, mas escutei meus pais falando de mim então resolvi ficar escondido para ouvir.

─ O que vamos fazer?! Ele não fala com a gente. – disse minha mãe tomando um gole de seu cappuccino.

─ Isso é tudo culpa nossa. Se tivéssemos dado a ele mais atenção...

─ O que deveríamos ter feito Mike? Também estávamos passando por um momento difícil.

─ Mas se afastar dele só porquê ele se parece com o Jason?! Não acha que fomos muito egoístas?

A raiva e tristeza voltaram. Então foi por isso que eles se afastaram?! Pelo fato de eu ser parecido com o Jason?! Senti raiva, não acredito que eles fizeram isso!

Apareci na cozinha atraindo os olhares dos dois.

─ Então se afastaram de mim por isso? Que lindo, nunca senti tanto afeto por vocês como estou sentindo agora. – falei com um sorriso sínico.

─ Austin, filho... – começou minha mãe.

─ Agora sou seu filho? Quer saber, eu não sou obrigado a aturar isso. Eu era só um garoto e vocês me abandonaram! ME ESQUEÇERAM!

─ Nós nunca esquecemos você Austin, por favor procure entender... – pedia meu pai.

─ Querem saber, talvez vocês estivessem melhores se eu tivesse morrido no lugar do Jason. – falei segurando o choro.

─ COMO PODE PENSAR UMA COISA DESSAS?! – exclamou minha mãe chorando. – NÓS JAMAIS IRÍAMOS QUERER QUE VOCÊ ESTIVESSE NO LUGAR DELE!

─ Ás vezes eu queria. – falei e sai de casa sem olhar pra trás.

Já iniciei o dia com o pé direito, agora ainda tenho de encontrar aqueles imbecis. Mas agora será diferente, pois agora sei que Ian matou meu irmão.

Cheguei no beco e lá estava os três encostados na parede com seus cigarros na boca.

Meu olhar pairava somente sobre Ian.

─ Ora, ora, ora achamos que você fugiria. – disse Paul pisando no cigarro.

Ele veio até mim em passos largos, agarrou meu pescoço e me prensou contra a parede.

─ VOCÊ MATOU MEU IRMÃO! – gritei me referindo a Ian.

─ Ah por favor depressivo, não vamos ficar falando de coisas de 1800. – falou revirando os olhos.

─ Você é um monstro. Não foi o suficiente mata-lo? Me perseguir faz parte do processo? – sussurrei tentando me soltar do aperto de Paul.

─ O dia que você nos conheceu foi pura coincidência. Culpe a si mesmo, acho que não será difícil para você fazer isso. Agora vamos ao que interessa, cadê o dinheiro? – perguntou Carlos.

─ Eu já disse que agora não tenho! – Paul me pressionou mais forte contra a parede.

─ Você quer ver seus paizinhos mortos também? – neguei. Meu pescoço estava doendo e eu mal conseguia respirar. — Então acho bom nos dar logo o dinheiro.

Quando me dei conta eu estava no chão e os três estavam me socando, eu cobria minha cabeça tentando proteger a mim mesmo.

De repente senti uma dor insuportável em minha perna, me deram um tiro.

Não consegui processar muito bem o que aconteceu, mas os três saíram correndo me deixando sentir aquela dor indescritível.

─ Austin! – ouvi uma voz me chamar.

Vi uma garota vir correndo até mim, quando ela se aproximou pude ver quem realmente era. Allycia.

Ela amarrou algo em minha perna, eu agora só conseguia pensar em duas coisas: a dor e o que ela estava fazendo ali?

Pov Ally

Continuei pressionando a perna dele que continuava se contorcendo de dor.

─ Eu estou aqui e não irei sair do seu lado Austin! – eu tentava passar segurança, mas ele levou um tiro! Como alguém fica calmo com isso!

─ Ta doendo muito! – ai meu Deus.

─ Eu já chamei a ambulância, eles vão dar um jeito! Aguenta firme!

Segurei sua mão e entrelacei nossos dedos. Ele olhou o ato.

Depois de poucos minutos a ambulância chegou, colocaram Austin em uma maca e é claro eu fui com ele até o hospital.

Paramédicos começaram a mexer em sua perna.

─ O que você fez assim que ele levou o tiro? – perguntou um dos médicos que parecia ter menos de 30 anos.

─ Usei meu cinto para estancar o sangue. Ele vai ficar bem?! – perguntei preocupada.

─ Temos de leva-lo para o hospital imediatamente.

Fiquei ao lado de Austin segurando sua mão.

Chegamos no hospital e tiveram que leva-lo até o centro cirúrgico. Ele não queria soltar minha mão, e nem eu queria, mas era preciso.

Podem ter se passado minutos, ou horas não sei tudo que sei é que eu andava de um lado pro outro, BASTANTE preocupada.

Por quê fizeram isso? De que dinheiro eles estavam falando? Mas dessa vez ele não me escapa!

─ Parentes de Austin Moon? – um médico de aparentemente 40 anos apareceu e fui ao seu encontro.

─ Como ele está?

─ Olá eu sou o doutor James – disse apertando minha mão. – Você é namorada dele ou...

─Não, só uma amiga que estava no lugar certo e na hora certa.

─ Muito bem, o ferimento foi feio, mas já removemos a bala e felizmente não haverá sequelas. Sorte dele ter você por perto, ou ele poderia perder o movimento da perna.

─ E quando ele pode sair desse hospital? – perguntei mais aliviada com as notícias.

─ Ainda vamos ter de fazer alguns exames, mas se tudo correr bem ele receberá alta daqui a três ou quatro dias.

─ Eu posso vê-lo?

─ Sim.

Ele me levou até o quarto de Austin.

─ Qualquer coisa pode me chamar. – disse o doutor e se retirou.

Respirei fundo, e entrei, Austin estava olhando para a janela e um enorme curativo estava em sua perna.

─ Oi. – falei tímida.

Seus olhos castanhos encontraram os meus na mesma hora, ele me olhava de um jeito envergonhado e com um meio sorriso sem graça.

Me aproximei e me sentei ao seu lado na cama. Ele parecia desconfortável e em uma tentativa de passar segurança afaguei sua mão.

─ Como se sente? – perguntei cuidadosa.

Ele abaixou a cabeça e deu um pequeno sorriso.

─ Considerando que acabei de levar um tiro, estou bem. – me encarou. – O que você estava fazendo lá?

─ Digamos que seus amigos me deram algumas dicas.

─ Não deveria ter aparecido, poderia ter sofrido as consequências...

─ Como você está sofrendo agora? – o interrompi.

Ele franziu os lábios e voltou a abaixar a cabeça, deu um sorriso nada feliz.

─ Saiba que não me orgulho de nada disso. – sussurrou. Peguei em seu rosto fazendo-o olhar para mim.

─ Preciso de respostas, acho que mereço algumas. – ele suspirou e assentiu.

─ Depois do meu irmão falecer, a culpa me cosumia cada vez mais, e meus pais se afastaram de mim e infelizmente descobri por quê. Meu irmão se parecia muito comigo, meus pais me “abandonaram” por isso. – ele deu uma pausa, respirou fundo e continuou. – Um mês depois, nada mudou, me afastei dos meus amigos eu só queria ficar sozinho com a minha culpa. Um dia, antes das aulas começarem parei em um beco para pensar, e os três apareceram, acho que já sabe de quem estou falando.

“ Eles vieram com suas vozes sarcásticas me perguntar o que eu tinha, e como eu estava meio depressivo afundado na solidão, contei tudo. E foi quando eles me ofereceram as drogas, e eu aceitei. Não consegui parar de usar, aquele veneno me fazia meio que sair da realidade, e quando isso acontecia a dor emocional me deixava temporariamente.

Eles começaram a me cobrar pelas drogas, e eu o idiota acabei dando o maldito dinheiro, já que meus pais viviam me dando. Mas conforme o tempo passou, fui percebendo o tipo de pessoas que eles eram, além de traficantes também eram ladrões e criminosos experientes. Mas não tinha como eu sair dessa, eles me ameaçaram, disseram que iriam parar de me dar as drogas e o pior é que eu estava viciado.

Então eu só me envolvia com eles para pagar e conseguir as drogas, até que eles me pediram para... te sequestrar.

Então tudo piorou, estou devendo e não posso pedir dinheiro aos meus pais, digamos que estamos brigados, e se eu não der logo a porcaria do dinheiro eles matam meus pais. E não posso chamar a polícia, eles já escaparam uma vez e não duvido que conseguiriam de novo. Aí que eles acabam comigo mesmo.”

Eu estava perplexa. Meu Deus ele passou e passa por tanta coisa!

Eu podia ver que seus olhos estavam marejados, e minha única reação foi abraça-lo, e para minha surpresa ele retribuiu.

Deixe-me ver se eu entendi, ele é dependente químico, está praticamente em depressão, tem problemas com os pais, deve dinheiro e ainda por cima é ameaçado.

O apertei mais forte, por mais que o erro tenha sido dele, ninguém deveria sofrer assim.

Nos afastamos, limpei algumas lágrimas que caíam em seu rosto.

─ Austin, você não pode viver assim pro resto da vida. – falei com carinho. – Você precisa de ajuda.

─ Ninguém pode me ajudar Allycia...

─ Só Ally.

─ Tudo bem, Ally o que eu posso fazer? Se eu pedir ajuda tudo vai piorar! – falou triste.

─ Não, não vai piorar, você precisa de A: dar queixa na polícia, B: contar aos seus pais tudo que está acontecendo, e se entender com eles, C: dar um jeito nesse vício, e D: voltar a ter uma vida.

─ Você fala como se tudo fosse tão fácil! – falou irônico.

─ Não, não vai ser fácil. – voltei a entrelaçar minha mão na dele. – Mas eu vou te ajudar. – falei com convicção.

─ E por quê você quer tanto me ajudar? – ele gosta de ser teimoso.

─ Por quê eu gosto de você Austin, me deixe ser sua amiga e te ajudar. – falei com ternura.

Ele pareceu surpreso com o que eu disse, e por um momento acho que pude ver seus olhos se enchendo de esperança.

Austin fez uma coisa que nunca pensei que faria. Me abraçou.

Fez isso como se fosse a última coisa que faria no mundo, e é claro que eu retribui.

─ Você não sabe quanto tempo estive esperando por alguém como você. – disse com a voz rouca.

Fiz carinho em seu cabelo.

Posso dizer que obstáculos, acontecimentos inesperados e dificuldades estão por vir, mas eu não irei desistir dele.

Notas finais
Mereço favoritamentos? E recomendações? Quem decide quando sairá o próximo são vocês, comentando, favoritando e recomendando! Abraços com carinho