Save Yourself.

4 Café, passeios e lágrimas.


Notas iniciais
a idiota aqui some por meses sem dar explicação e depois reclama da falta de reviews né? kk
enfim, eu tava sem internet por esse tempo, então não me culpem. agora eu achei uma rede wifi sem senha perto da minha casa e vou atualizar minhas fics com a internet dos vizinhos aksdjakjkjda então, tá aí o cap. :3

Gerard acordara no outro dia sentindo-se sufocado. Fazia um dia um tanto quente, mesmo não sendo mais verão, e ele suava frio.

Sentou-se da cama rapidamente, passando a mão pelos olhos e tentando focar a visão no quarto. Olhou para o braço esquerdo e suspirou em desgosto ao ver os curativos antigos já estavam se soltando, e que não havia necessidade alguma de fazer curativos novos, pois não havia um único corte novo.

Ele levantou da cama lentamente, bocejando. E sabia que aquele seria um dia tão longo e desagradável quanto os outros.

Gerard olhou para o despertador na mesa-de-cabeceira, e surpreendeu-se ao ver que não passava das nove horas. Sabendo que seria um desperdício de tempo tentar dormir de novo, ele bocejou novamente e terminou de trocar suas roupas. Não viu necessidade alguma de usar casaco, mas não podia dispensar uma camiseta de manga longa, pois não queria gente olhando torto para os seus braços.

Ele dirigiu-se à janela e abriu as cortinas, sentindo a luz do sol irritar seus olhos, e saiu do quarto, dirigindo-se à cozinha.

Porém, teve uma surpresa no corredor que dava para a escada.

Ele vinha distraído, sem prestar atenção ao seu caminho, quando bateu em algo e quase caiu. Era algo decididamente menor que ele, porém era forte, pois nem balançou com a colisão.

Gerard olhou para frente e deu de cara com Frank.

Ele era tão acostumado a ficar sozinho durante a manhã nos dias de semana – o pai estava sempre trabalhando ou viajando; a mãe sempre saía para fazer alguma coisa no centro da cidade; e Michael fazia um curso de francês que durava até o meio dia – que nem ao menos lembrava que dessa vez havia mais alguém na casa com ele.

E isso o fez sentir uma pontinha de esperança, o que não sentia há muito tempo. Ele percebeu que não passaria a manhã toda andando de um lado para o outro da casa e tentando pensar em algo para passar o tédio.

– Bom dia. – Disse Frank, sorrindo. – E aí, dormiu bem?

Gerard via que ele sorria e não pode não sorrir junto.

Frank já estava completamente vestido e parecia que já estava acordado há algum tempo, e segurava uma xícara de café na mão direita.

– Espero que não se importe, – Disse ele, rapidamente, como se achasse que Gerard desaprovaria sua atitude – tomei a liberdade de passar algum café na sua cozinha. – E riu de leve.

– Que bom que você o fez, – Disse Gerard, dirigindo-se lentamente para a escada – pois ainda estou morrendo de sono.

Os dois sorriram e desceram as escadas em silêncio.

Frank sentou-se em uma cadeira da cozinha, a mesma que Gerard sempre sentava, pois podia ver o jardim lá fora, enquanto o outro preparava uma xícara de café e sentava-se próximo a ele.

– Aonde foram todos? – Ele perguntou, mesmo já sabendo a resposta, mas querendo iniciar uma conversa.

– Bom, meu pai e o seu estão viajando. – Frank disse, e sorriu para a expressão falsamente aborrecida do outro – E minha mãe disse que ela e Donna estavam indo ao supermercado. Seu irmão já aproveitou e pediu carona para um curso ou algo assim, eles saíram há menos de meia hora.

Gerard suspirou longamente e bebeu um gole do café.

– Agora eles só vêm depois do meio dia, tenho certeza. – Comentou, soltando a xícara na mesa.

Um silêncio agradável se fez presente, e tudo que dava para ouvir era o barulho das xícaras batendo de leve na mesa os pássaros cantando no lado de fora da casa.

– Gerard... – Começou Frank, bebendo mais um gole do seu café e levantando os olhos para o outro, que fez o mesmo. – Por que você faz isso?

Gerard sentiu seu estômago dar algumas voltas e seu coração falhar uma batida.

– Isso o que? – Perguntou, gaguejando e sentindo o rosto queimar.

– Isso tudo. – Respondeu o rosto, bebendo mais um gole do café e fazendo uma cara de quem está procurando as palavras certas. – Você sabe... Por que você se corta?

– São muitos os motivos... – Disse Gerard muito rapidamente, tentando encerrar a conversa. – E eu não sei explicá-los, na verdade.

Gerard bebeu o último gole de café e deixou suas mãos sobre a mesa, escondendo parcialmente o rosto nelas.

Frank também bebeu o último gole do café e pousou a xícara na mesa, suspirando.

– Eu entendo.

Ele levantou da cadeira e levou a xícara até a pia da cozinha, e depois se dirigiu à enorme janela.

– Mas então... O dia está lindo, não? – Perguntou, sorrindo.

Gerard levantou os olhos e tirou as mãos do rosto, olhando para o outro. Ele não entendia aonde Frank queria chegar com aquela pergunta, mas assentiu com a cabeça.

– Nós poderíamos você sabe, dar uma volta...

Gerard levantou-se também, e fez exatamente o mesmo trajeto de Frank até a janela, ficando ao lado do outro.

Apesar do tempo um pouco mais quente que o normal, o céu estava nublado e as folhas continuavam a cair lá fora.

– Pode ser. – Respondeu, sorrindo um pouco forçado. – Vou lá em cima vestir um casaco.

Gerard subiu as escadas rapidamente e logo estava de volta à sala, vestindo um casaco preto e fino, e segurando algumas chaves.

Frank sorriu abrindo a porta da casa e saindo lentamente, à espera de Gerard, que logo também saiu e chaveou a porta.

Gerard não saía da casa há séculos. Não à pé, não realmente prestando atenção às coisas. Ele saía apenas de carro com os pais, e geralmente era para ser levado à força a algum médico idiota.

Ele percebeu que muitas das casas dos vizinhos não se encontravam mais das mesmas cores das quais ele se lembrava, e ele também não reconhecera algumas das crianças pequenas que corriam pelos gramados das outras casas.

– Aqui é tão calmo. – Disse Frank, olhando a sua volta e sorrindo. – É tão diferente do bairro em que eu moro, lá tem muita gente barulhenta e cheia de frescura. – E riu. – Acho que eu iria gostar mais de morar aqui como você... Sabe, você pode sair pela rua quando quiser e pode prestar atenção no céu ou nas pessoas, sem ninguém te irritar ouvindo música country no volume máximo.

E os dois riram baixo.

Nos minutos que se seguiram, o silêncio se fez presente, só sendo quebrado por alguns comentários vindos de Frank sobre como o dia estava lindo e como ele gostara do lugar.

Algum tempo depois, os dois se encontravam em frente a uma enorme padaria pintada de rosa com muitas mesinhas no lado de fora. Gerard sentou-se em uma delas, enquanto Frank entrou para comprar algo.

Logo, ele saiu sorrindo da padaria, carregando uma sacola que, pelo que Gerard pode perceber, encontrava-se cheia de bolinhos e duas latas de Coca-Cola.

Frank sentou-se de frente para Gerard, e entregou uma lata de refrigerante e alguns dos bolos. Eles comeram enquanto conversavam sobre suas bandas favoritas.

– Frank... – Disse Gerard, lentamente, enquanto o outro jogava a lata de refrigerante em uma lixeira próxima. – Lembra o que você me perguntou enquanto estávamos em casa?

Frank de repente pareceu mais sério, mas interessado, e assentiu.

– Então... Acho que estou pronto para falar agora. – E deu um grande suspiro, ao ver o sorriso amigável no rosto de Frank. – Tudo começou quando eu estava na sétima série. E, bom, você sabe, todos nós estávamos entrando na adolescência e todos tínhamos aquela vontade estúpida de nos tornarmos adultos logo. E foi aí que os garotos da minha sala acharam que, para se parecerem com adultos e conseguir respeito na escola, eles precisavam bater em todo o mundo e esse tipo de coisa...

Ele parou e olhou para Frank, que ainda ouvia tudo atentamente. Deu outro longo suspiro e continuou.

– No começo, eu até participei disso. Eu andava com eles e chamava os garotos mais novos de “nerds de merda” e prometia bater neles na saída. Eu enchia o saco das garotas da minha sala e as mais velhas, tentando fazê-las se interessarem por mim só porque eu brigava com os outros garotos. Mas, quando a oitava série começou, eu meio que cansei disso, mas percebi que os meus antigos amigos ainda achavam muita graça em tudo isso.

Mais uma pausa para tentar recordar alguns fatos e para analisar a expressão no rosto de Frank, e Gerard continuou:

– Então eu comecei a participar menos. Passava o meu intervalo na cantina, ouvindo música e comendo meu lanche. Às veze eu conversava com alguns alunos mais novos ou algumas das garotas, porque eles pareciam me entender mais. Mas, ainda na metade da oitava série, os garotos começaram a perceber que eu não era mais um deles, e que, na verdade, eu estava me tornando um dos garotos que eles odiavam e prometiam bater.

Gerard deu outra pausa aqui, pois Frank pareceu abrir a boca para dizer algo, mas fechou logo em seguida.

– Então... Eles começaram a me provocar. A maioria deles sabia que eu costumava brigar antes, e que eu era bom nisso, mas não pareceram se importar. Até porque eles eram uns dez, e eu era um. Eles começaram apenas criticando o fato de eu falar pouco e passar a maior parte do tempo sozinho, ouvindo música e lendo. Depois, eles começaram a criticar o jeito que eu me vestia, o fato do meu cabelo ser mais comprido que os deles e tudo relacionado à minha aparência. Depois começaram a me dar tapinhas no rosto ou levar o pé para eu cair quando eu passava no corredor...

Frank tinha uma expressão de quem não pode esperar para te abraçar, e isso fez com que Gerard apenas suspirasse novamente e tornasse a falar, tentando conter alguma lágrima ou outra que ameaçava sair dos seus olhos.

– E, quando eu percebi, já estava apanhando quase todos os dias... E eu não sabia o que fazer. Tinha medo de falar para os meus pais ou professores e que eles me considerassem um fraco idiota. Então eu comecei a beber e fumar. Muitas vezes fui bêbado para a escola, pois me parecia bem mais fácil ignorar as outras pessoas quando eu estava daquele jeito. E, algum tempo depois, comecei a não comer e, às vezes, vomitava. Eu sei que é estranho um garoto fazendo esse tipo de coisa, mas eu fazia. Porque, no fundo mesmo, eu ainda queria ser aceito por eles todos. Eu queria ser... normal.

E lá veio mais uma pausa. Mas, dessa vez, para limpar uma lágrima que escorrera do seu rosto enquanto ele falava.

– Quando o ensino médio começou, foi pior ainda. Eu não tive coragem de pedir aos meus pais para mudar de escola e continuei estudando com os mesmos idiotas, e continuei bebendo e fumando e todo o resto. Mas então eu comecei a me cortar também. Mas enquanto, na metade do ano passado, quando eu estava no segundo ano, comecei a ter ataques de pânico. Imagino que seja pelo excesso de álcool e nicotina que eu ingeria. E, quando eu comecei a ter essas coisas, fui obrigado a abandonar minha antiga vida, pois eu comecei a ter medo de tudo. Tudo mesmo. No começo deste ano, eu até tentei ir para a escola, mas não consegui. Não consigo mais botar meus pés naquele lugar.

– Foi aí que você começou a se trancar em casa o dia todo? – Perguntou Frank, falando pela primeira vez desde que Gerard começara.

– Sim. Meus pais perceberam que eu não saía do quarto e me levaram a muitos médicos. Cardiologistas e outras coisas, eles achavam que eu tinha algum problema no coração, por isso tinha esses ataques. Mas, no fundo, eu sabia que estava tudo na minha mente. E quando fui ao psiquiatra pela primeira vez, ele confirmou o que eu pensava. E aí eu comecei a tomar remédios estúpidos todos os dias, já faz um ano.

– Então o motivo de você estar quase morrendo assim é um bando de garotos idiotas que batiam em você?

Mas Gerard não respondeu.

– Eu já fiz isso. – Murmurou Frank, olhando distraidamente para a mesa. – Já me cortei.

Gerard, novamente, não disse nada, apenas olhou-o, esperando que ele continuasse.

– Meus pais brigavam muito quando eu era mais novo, e eu achava que era culpa minha. Eu tinha uns dez ou onze anos, então só tenho uma cicatriz ou outra. Parei logo em seguida, porque meus pais descobriram e fingiram que não iriam brigar mais.

E ninguém mais disse nada. Gerard sentiu o rosto molhar mais um pouco com as lágrimas e levantou-se, convidando Frank para ir embora.

Os dos saíram da padaria e voltaram para a casa de Gerard, encontrando o carro de Donna já parado na frente da casa, mas ninguém na cozinha nem na sala. Subiram para o segundo andar ouvindo vozes preocupadas, então Linda viu Frank e gritou:

– Achei isso no seu quarto. – E apontou para algo no bolso da mochila. – Espero que tenha uma explicação.

Gerard sentiu seu coração bater mais forte e o estômago revirar ao ver o que era.

Notas finais
se alguém aqui também ler Maybe Memories, quero dizer que vou tentar atualizar lá até o final da semana :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.