Save You
1 Unique
Notas iniciais
Nunca na minha vida eu tinha odiado tanto um machucado — ainda mais um que não me pertencia. Quando Takuro caiu dos meus braços e vi de relance aquele monstro azul se aproximando, nada mais me veio à cabeça senão salvá-lo.
Foi o que fiz.
Com todo o impulso que pude fazer com meu corpo (nem tão atlético), girei nos calcanhares e corri de volta para o ruivo, que parecia assustado e surpreso.
— Hiroshi? Você... Voltou!
Assenti rapidamente. Não havia tempo para uma conversa longa, o bicho azul estava perto demais. Carreguei Takuro em meus braços e corri para longe. Depois de ser perseguido, consegui despistá-lo, entrando com o rapaz no armário.
Ficamos um tempo em silêncio, pois o som da porta se fechando demorou a vir. Calados, acendemos uma lanterna. Era uma situação vergonhosa, já que nossas pernas se enlaçavam e o espaço era tão pequeno.
— E-ele se foi? — Os sussurros do ruivo soaram.
— Acho que não. — Olhei seu tornozelo machucado e cocei a nuca. Aquilo poderia deixá-lo em perigo novamente, e isso era algo fora de questão para mim.
Eu precisava protegê-lo.
Retirei meu cachecol calmamente e envolvi seu pé, imobilizando-o com um nó. Talvez não fosse a melhor forma de ajudar, mas era o que teríamos por ora.
— Não se preocupe, Takuro, vou fazer o que puder para sairmos daqui vivos. Mika e Takeshi não morreram em vão. Prometo que você sairá bem daqui!
Mesmo que aquelas palavras fossem sinceras, eu não sabia como nos tirar daquela casa estranha. Nem sabia se iríamos sobreviver pelos próximos dez minutos! Mas salvar Takuro com certeza era uma prioridade.
Takuro era tudo para mim naquele momento.
— Hiroshi... Você é realmente incrível. Sei que vamos sair daqui. — Sua mão tocou a minha, causando um choque de temperaturas. — Juntos.
O calor dele me deixava estranho. Virei rapidamente a lanterna para a porta do armário, para evitar que o ruivo me visse ruborizado daquele jeito. De qualquer modo, qualquer coisa mais que poderia acontecer, não aconteceria.
O “Ao Oni” abriu a porta lentamente. Automaticamente pensei que tudo iria acabar. Nem um segundo da minha promessa, e nossas vidas já estávamos em risco outra vez.
Não, precisava salvá-lo.
Num movimento rápido e até inesperado, segurei com força a mão do garoto e pulei de dentro do móvel, deixando até mesmo o monstro surpreso. Com Takuro aninhado ao meu peito, fui correndo para um dos quartos e deitei-o na cama, nos vendo “livres” do ser azul.
Gotas de suor escorriam pela minha testa e assim que meus olhos encontraram os de Takuro, soube que fiz algo impossível.
— VOCÊ NOS SALVOU! — Exclamou, sorridente. Então, acertou um soco no meu braço e pareceu bravo de repente. — SEU MALUCO, VOCÊ IA SE MATAR!
E mesmo naquela situação, coloquei-me a rir da mudança de humor repentina. É, realmente foi um risco a correr. Bufei, abrindo os três primeiros botões daquele uniforme apertado.
— Uh, que cansaço. Correr daquele monstro esquisito é horrível!
Quando voltei a observar meu amigo, notei seu rosto completamente tingido de vermelho, como se fosse um tomate. Pisquei, confuso e só depois de ver uma parte da minha pele exposta, entendi aquela reação.
— Ahn... Eu... — Balbuciou, desviando os olhos. — Acho que deveríamos pensar numa forma de sair daqui.
Fiz que sim com a cabeça, ainda me sentindo estranho.
Pensamos muito. Demos várias e várias ideias, mas todas sempre tinham um defeito. Aquele bicho sempre nos acharia. Sair dali era um sonho distante, que se tornava um pesadelo tempestuoso.
— Não adianta, Hiro. É inútil.
Suspirei e analisei cada detalhe daquele rosto. Takuro era o que me restava.
— Takuro... — Acariciei sua pele calorosa, me aproximando mais do que deveria. Não me importava o monstro azul, eu só queria ele comigo.
Segurei seu queixo e afastei seu tornozelo torcido, ficando ajoelhado entre suas pernas. Ele permanecia calado, mas seus olhos me diziam muita coisa.
Colei nossos lábios sem mais delongas e senti seu gosto com cautela. Suas mãos seguraram meu pescoço e ele parecia querer aprofundar mais aquele toque. Sorri em meio aquele beijo desajeitado e fomos criando um ritmo juntos.
Fui tirando sua gravata frouxa e abrindo sua camisa branca, que estava molhada graças à chuva que enfrentamos e nos fez parar na mansão maldita cujo não sabíamos como sair. O ruivo também se manifestava, abrindo os botões do meu uniforme.
— Hiroshi... Eu quero você.
Assenti, colocando uma das mechas do seu cabelo para trás da orelha. Retirei meus óculos, já arranhados e embaçados e os coloquei sobre uma das mesas daquele lugar estranho.
Toquei sua pele e o beijei outra vez, o sentindo trazer-me para mais perto. Enlouquecemos com os toques um do outro, sentimos coisas que talvez nunca mais fôssemos sentir.
E, por algum motivo, aquela criatura azul que tudo assistia nem se mexia. Parecia bastante com Mika, provavelmente seria ela em sua nova forma. Deu meia volta e só voltamos á vê-la minutos depois, voltando para aquele lugar onde todos os outros Ao Onis estavam.
A saída? Não estava mais bloqueada.
Nem eu nem Takuro sabemos o que aconteceu naquele dia, mas uma coisa é certa: saímos da casa sem fazer mais nada.
De qualquer forma... Takeshi e Mika nunca foram esquecidos. Eu e o ruivo adotamos duas lindas crianças e em homenagem aos nossos amigos, demos seus nomes. Aquela besta azul nunca mais nos perseguiria.
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