Save Snape
2 Bilhete
Notas iniciais
Como Lanna esperava, nenhum aluno apareceu no primeiro dia, e nem no segundo, nem nas duas semanas seguintes.
Quando Minerva perguntava, ela dizia que tudo ia bem, que já havia visto vários alunos, depois se deu conta do quão estúpida estava sendo por mentir.
Ninguém, com exceção dos professores conversava com ela, ela fazia as refeições ou em seu quarto, ou na cozinha com os pequenos elfos.
E tinha Snape, que a fuzilava com os olhos desde que ela falara com ele na sala de Minerva. Aqueles olhares a fizeram lembrar do tempo em que ela estudava em Hogwarts e ele começou a dar suas aulas de Poções. Por 4 anos ela teve que ser vítima daquele olhar, que mesmo que tivesse feito tudo em sua mais perfeita forma, ainda levava bronca, ou era criticada por um detalhe mínimo, às vezes inexistente. Mas ela não ficava chateada, afinal ele era assim com todos, então...
Talvez devesse dizer a verdade, que nenhuma criança nunca a procurou, então assim poderia fazer a tia ver que sua presença ali não valia de nada, que só estava perdendo tempo.
Mas foi então que aconteceu;
A loira estava voltando do Corujal, tinha acabado de mandar uma carta extensa a Bobby, cobrando explicações detalhadas de tudo que havia perdido em seu tempo fora, pediu que não escondesse nada e que mandasse uma resposta o mais rápido possível.
Estava indo de volta para sua sala quando viu uma movimentação estranha no pátio externo.
Havia cerca de uns quinze garotos numa rodinha desajeitada, eles estavam se contendo para não gritar tão alto, afinal era horário de aula e eles não deveriam estar ali.
Lanna foi se aproximando e viu que se tratava de uma briga entre um carinha bochechudo que tinha a sobrancelha com um corte, suas vestes eram da Sonserina e um cabeludinho magrelo que tinha o nariz sangrando era um Grifinório, obviamente começaram aos socos para só depois sacar as varinhas.
— O que está acontecendo, porque eles brigam?
Um garoto, parecendo ser do quarto ano disse, sem nem reparar nela;
— Augustus chamou o Mário de sangue ruim, então o Mário tacou uma pedra na cara do Augustus, que socou ele na cara. Agora eles estão nessa. Fizemos uma aposta, quer entrar?
Aí sim, ele olhou para ela e seu riso sumiu do rosto.
— Você é aquela conselheira, sobrinha da Minerva.
— Prazer, Lanna. Agora vamos acabar com tudo isso e voltar para a aula.
— Você não pode nos dar ordens, não é uma professora.
A loira sorriu desafiadoramente.
— Minerva me deu os mesmos privilégios dos professores. Ficaria muito feliz em lista-los pra você, mais tarde, na detenção.
E mais uma vez o sorriso do garoto morreu e Lanna invadiu a roda.
— Ok, garotos, o show acabou, e a menos que vocês queiram que isso que aconteceu chegue nos ouvidos da Minerva, sugiro que voltem para suas aulas agora.
Todos responderam um sonoro “Sim, senhora” e já estavam indo.
Todos tinham um certo medo da Velha McGonagall.
— Menos Mário e Augustus.
Para Mário, ela só indicou que ficasse ao seu lado, para Augustus ela olhou bem nos olhos.
— Eu não gosto de meninos metidos a valentões, principalmente aqueles que usam o termo “sangue ruim”. Para que fique claro, se eu souber que você, ou qualquer um da sua turminha voltou a importunar outro aluno, eu vou dar uma pequena amostra do que nós, aurores, fazemos com quem nos tira do sério, e as regras da escola não vão ser um empecilho para mim.
Então o garoto correu, e Lanna soltou uma gargalhada.
Mário a olhava assustado.
— O que?
— Você não faria mesmo isso, faria?
— Não! Na verdade eu não tenha o poder nem de os mandar para a sala, não posso fazer nada com eles tecnicamente.
— Então porque fez?
— Porque eles não sabem que eu não posso e você precisava de ajuda – ela respondeu como se fosse a coisa mais óbvio de todas.
— Foi legal da sua parte fazer isso...
Ela sorriu.
— Você foi muito corajoso e fez certo, apesar da regra da escola. Nunca deixe ninguém te ofender, não acredite no que dizem sobre “se calar é a forma mais madura de encarar uma provocação”, não! Você tem que se defender, caso contrário eles nunca irão sair do seu pé.
— Obrigado de novo.
— Agora vamos, precisa voltar para a aula.
— Ah não! – ele exclamou alto.
— O que houve?
— Eu nem cheguei na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, eles me arrastaram antes de eu consegui entrar na sala. Ah não! Snape vai me matar!
Ela sorriu.
— Não esquenta não, tenho um único poder como conselheira, posso escrever um bilhete para Snape dizendo que você estava comigo o tempo todo.
— Você faria isso? – seus olhos brilharam de alívio.
— Claro! Por que não?
— Você é demais!
Então os dois foram para a sala da loira, e ela lhe deu um lenço para limpar o sangue do nariz, por sorte não estava quebrado.
— O que está achando do seu primeiro ano até agora? – ela perguntou enquanto se sentava.
— Bem legal! Apesar daqueles garotos me importunarem às vezes, fiz bastante amigos e eles estão me ajudando a me habituar com toda essa coisa sobre magia. Até um tempo atrás eu não fazia ideia de que isso era possível. As aulas são bem intrigantes as vezes.
— Relaxa, vai se sair bem, e fico feliz que tenha feito amigos. Amigos são importantes.
— Eu sei que sim, espero fazer mais, as pessoas da Grifinória parecem ser muito legais.
— Eu também fui da Grifinória no meu tempo, mas experimente ser amigo das pessoas de outras casas também, pode descobrir amizades até maiores do que as pessoas da sua própria casa.
Mário enrugou a testa em descrença.
— Até os sonserinos?
— Claro que sim. Sei que parece difícil, mas tenta.
— Mas são sonserinos – exclamou, como se aquilo fosse algo horrível.
Lanna balançou a cabeça em desagrado.
— Olhe só o que está fazendo.
— O que? – confuso, olhando pra si mesmo.
A loira se curvou um pouco sobre a mesa, para poder olhá-lo mais de perto.
— Até poucos minutos atrás você estava achando super injusto ser titulado como sangue ruim, agora você está julgando pessoas só por elas serem da Sonserina.
O garoto não conseguiu dizer nada perante isso, suas bochechas ficaram rosadas, e Lanna não parou.
— Houve um homem a não muito tempo atrás, que arriscou tudo o que tinha, sua própria vida, para salvar uma única pessoa e consequentemente o resto do nosso mundo das mãos de alguém muito perigoso.
— Dumbledore, não é?
Ela soltou um pequeno sorriso, lembrando do velho diretor, havia tanto que ele precisava aprender.
— Ele também teve um papel muito importante, mas não. Foi Severo Snape, um sonserino.
A boca do garoto se abriu em um perfeito O, depois disse, indignado:
— Mas ele é horrível!
— Ele teve motivos para ser duro com a vida. Eu o conheci quando ele era mais novo. Ele estava no último ano quando eu comecei aqui em Hogwarts. Eu vi o que um grupo de grifinórios fazia com ele. Exatamente o que aquele garoto da Sonserina e os amiguinhos dele fizeram a você e ainda muito pior, e olhe que eu apenas vi as coisas daquele ano, e pelo que eu sei, acontecia desde do primeiro deles, e nunca ninguém fez nada.
Os olhinhos dele estavam sedentos por informações.
— E o que aconteceu depois?
— Ele prometeu proteger o filho da pessoa que mais o fez sofrer, e ele cumpriu sua promessa. Ele salvou meu amigo Harry, e ele é o homem mais honrado que eu já vi. Mesmo sendo um sonserino e mesmo sendo incrivelmente ranzinza.
O garoto novamente não soube o que dizer, olhando para suas próprias vestes, um pouco sujas por causa da briga.
— Apesar da escola ser dividida por casas isso não significa que você precisa viver dividido também, Mário.
O garoto assentiu, terminando de limpar suas vestes.
— Pode me contar mais coisas sobre o que aconteceu nesse mundo? – ele parecia realmente interessado.
Lanna olhou o relógio pequeno que ficava em sua parede, detestava relógios.
— Vai ter que ficar para uma próxima, a aula do Snape já vai acabar e você precisa ir para a aula seguinte enquanto eu falo com ele sobre a sua ausência. Por ora, preste bem atenção nas aulas do professor Binns, sei que é a aula mais entediante de todas, mas você precisa saber de tudo do nosso mundo agora que faz parte dele.
Ele pareceu realmente decepcionado, Lanna se levantou para o acompanhar até a porta.
— E eu posso voltar para conversarmos? Você foi bem legal comigo hoje, com a coisa toda com o Augustus...
— Volte sempre que quiser, Mário. Você me parece ser um carinha bem bacana, mas escute, mesmo tendo dito aquilo lá no pátio não quer dizer que eu quero te ver brigando com o tal Augustus, ou qualquer outra pessoa, ouviu?
Mário sorriu.
— Sim, senhora.
— Pode me chamar de Lanna – sorriu pra ele.
— Tchau, Lanna.
(...)
O coração de Lanna estava aquecido depois da conversa que teve com Mário. Sentiu falta daquela sensação, a de saber que conseguiu pelo menos um tiquinho, ajudar uma pessoa.
Ela estava feliz da vida que foi pulando para a sala de Snape ao lado da sua, sem nem se dar conta que ele ainda estava no meio de sua aula.
— Snaepinho! Snaepinho! Preciso falar com você! – entrou cantarolando e saltitando na sala do professor.
Quando se deu ao trabalho de olhar ao redor, foi que viu muitos pares de olhos a olhando com sorrisinhos ou tentando miseravelmente segurar o riso, enquanto olhavam a cara que Snape fazia.
E por falar em Snape, ele olhava para ela quase que completamente roxo, mas Lanna não soube dizer se era de vergonha ou pura raiva.
A loira abriu um grande sorriso sem graça olhando para o professor, que não desviava a atenção dela, mas mesmo assim disse com sua voz fria habitual, para o resto da sala;
— Quero um relatório detalhado sobre no mínimo cinco Azarações, para amanhã. Dispensados!
Só se ouviu os gemidos de frustração dos alunos enquanto eles saiam da sala.
Ai sim Snape pôde dar seu piti.
— O que pensa que está fazendo entrando em minha sala dessa forma, interrompendo minha aula, e ainda por cima me chamando de Snaepinho?! Quem acha que eu sou, Srtª. Lancaster? Seu amiguinho? Seu colega? Não! Eu não sou, na realidade eu fui o primeiro a não querer a Srtª aqui em Hogwarts. Como vice-diretor eu disse mais de mil vezes a sua tia que você não teria competência nem para ficar sentada ouvindo uma porção de fedelhos reclamarem de suas vidinhas sem sentido. A Srtª está aqui, única e exclusivamente porque Minerva não a quer no mundo dos trouxas. A Srtª não acrescenta em nada em nossa escola, se não fosse Minerva inventar esse cargo insano você não iria estar aqui me importunando nesse momento com a sua presença extremamente insignificante.
Fora tudo jogado de uma vez só que o coração da loira deu um solavanco e o corpo de Lanna foi para trás, sendo invisivelmente atingido.
Então ela decidiu que aquilo não merecia uma resposta, contrariando o que havia acabado de dizer a Mário, ela deixou Snape a tratar daquela forma daquela vez, só jogando o bilhete no ar com a explicação da ausência de Mário e saindo da sala do moreno, batendo sua porta com toda violência que estava sentindo dentro de seu coração.
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