Save Me

1 First Step


Era uma manhã fria como sempre em Birmingham, eu, mesmo conta minha vontade, estava tacando as minhas coisas com força em minha mala. Tinha evitado ao máximo fazer isso. Eu não queria me mudar, por mais que fosse para outra cidade e não outro país. Não que eu tivesse muitos amigos e tal, se o zelador da minha escola e o meu professor de artes contassem... As únicas peças de roupa agora eram as que eu iria vestir. Me troquei e passei a mão pela minha tatuagem, ri lembrando de como Victoria e Jules surtaram quando descobriram disso. Victoria e Jules seriam os meus pais, é. Poderíamos só dizer que não nos damos muito bem. Desde que meus irmãos mais novos sempre foram perfeitos e eu sempre fui essa aberração, o que quer dizer sempre. Meu irmão, Cameron, de 15 anos (dois anos mais novo que eu) bateu na porta.

- Ari, você já acabou de arrumar suas malas? – ele perguntou, colocando só a cabeça para dentro do quarto.

- Já, você desce com elas? – eu perguntei e ele fez uma careta, resmungando alguma coisa e revirando os olhos, logo em seguida descendo com tudo. Assim que desci as escadas vi minha irmã mais nova de 12 anos, Ariane, toda animada falando sobre Londres para Victoria, que sorria como se realmente estivesse prestando atenção no assunto. Cameron foi para o carro e com a ajuda de Jules colocou tudo na mala.

- Ari, você acredita que vamos morar na mesma cidade que o One Direction? – ela disse toda animada, não me levem a mal, eu não sou uma hater nem nada. Para falar a verdade, nunca se quer ouvi uma das músicas dessa banda, mas eu gostava mais de Rock ou PopRock. Sorri para ela o mais doce que consegui e ela começou a pular por aí. Cam tinha mais do meu jeito rock, com suas roupas constantemente pretas e as vezes vermelhas ou brancas, mas ainda assim nossos pais o amavam muito mais do que sequer já me amaram. E sim, meu nome é Aria e o da minha irmã é Ariane, quanta criatividade.

- Meninos, vamos todos para o carro, se quiserem chegar a Londres. – disse Jules todos feliz, todos bateram palmas e soltaram gritinhos animados, eu fiquei parada olhando a cena “família feliz/comercial de margarina” enquanto revirava os olhos e entrava no carro. No caminho todo, eu fui escutando música e dormindo. Assim que chegamos paramos em frente a uma casa bonita. Todos, até eu, desceram animados e carregaram suas coisas para dentro, os quartos já estava mobiliados e com os nomes pregos as portas com letras de madeira preta, fui até o quarto com a porta branca e letras pretas escritas “Aria” e abri. O meu quarto era do jeito que eu tinha dito a Jules que eu o queria. Sorri feliz, o que não acontecia muitas vezes. Fui até minha varanda e olhei ao redor, havia uma casa bonita ao lado e um quarto que ficava em frente ao meu, interessante.

- Ari, vem aqui ver a cozinha! – gritou Victoria lá de baixo, saí da varanda e fechei as portas de vidro e desci correndo, era uma casa bonita afinal. Victoria fez algo para comermos e nós almoçamos juntos, ficamos planejando o que fazer durante o dia e esse tipo de coisa. Jules recebeu uma ligação de alguns amigos que o haviam chamado para uma festa junto com Victoria e os dois saíram, me deixando com Cam e Ane.

- Ane, vamos jogar vídeo game? – Cam perguntou para Ariane, bem animado. Acho que, agora, até eu estava feliz com essa mudança.

- Vamos! – ela disse e os dois subiram animados para o quarto dele. Ri sozinha e me levantei, indo até meu quarto, fui até a varanda e me apoiei lá olhando para as estrelas, peguei meu iphone no bolso e olhei as horas, ainda estava cedo. Coloquei as mãos no bolso da calça e tirei meu maço a procura de um cigarro, peguei o isqueiro e ascendi.

- Mas que coisa feia hein? – ouvi uma voz rouca e sexy dizer, olhei para frente e vi um menino bonito, de olhos verdes brilhantes e cabelo encaracolado.

- O que você tem com isso? – disse eu, um pouco grosseira, agora sei porque não tenho amigos. Ele riu sozinho e me deu o sorriso mais bonito que alguém já havia me dado a vida inteira.

- Eu sou o Harry.

- Legal. – eu disse levantando as sobrancelhas em uma espécie de careta, por mais que agora eu estivesse sozinha e quisesse um amigo, preferia ficar sozinha, já estava acostumada, e assim, eu tinha certeza de que não me machucaria. Ele riu novamente. Parece que nada que eu faça espanta esse garoto.

- Qual seu nome?

- Isso te interessa por que? – eu disse, amassando meu cigarro no cinzeiro ao meu lado, quando ouvi alguém entrando no meu quarto.

- Ari, será que você podia... – disse Ariane, ótimo! Agora o estranho, que tinha nome, já sabia meu apelido, que beleza. Mas a cara de boba com que ela estava agora era hilária, ela se aproximou de mim e sorriu para Harry, que sorriu de volta. – Você é Harry Styles? Da One Direction?

- Sou eu sim. – ele disse, sorrindo para ela. A não! Só podia ser brincadeira, eu já tinha que ouvir ela cantando as músicas deles o tempo inteiro, agora eles vão ser nossos vizinhos?! – Qual o seu nome e o da sua irmã?

- Eu me chamo Ariane, e minha irmã é Aria! – ela disse animada, se eu não estivesse muito calma, teria soltado um berro enorme mandando ela sair daqui agora. Como assim ela chega e fala meu nome pro Harry? Quer dizer, pra esse garoto? E quem ele acha que é perguntando meu nome para minha irmã mais nova?

- Ane, acho que o Cam acabou de te chamar. – eu disse, sorrindo amarelo para ela, que tinha seus olhos brilhando.

- O que? Mas eu não...

- Ele chamou sim, agora tchau, vaza! – eu disse a empurrando da varanda e fechando as portas de vidro. Ela acenou para Harry e saiu do quarto.

- Então, seu nome é Aria?

- É. Meu nome é Aria, acho que todos já entendemos isso, não? – eu disse, com raiva, sentando em um dos pufes que tinham ali, pegando meu caderno de desenho e folheando.

- O que está fazendo Ari? – ele perguntou sorrindo

- Ah garoto, qual é a sua? Vai ficar me perturbando? Tchau! – eu disse, me levantando e pegando minhas coisas, entrando no meu quarto e jogando tudo em uma mesa. O vi acenar da varanda de seu quarto, dei o dedo do meio para ele e fechei as cortinas das portas de vidro. Não sei como, mas ele conseguia me irritar profundamente.