Save Me
6 Fight
Como aquele filho da puta teve coragem de ligar para Victoria e dizer que eu saí chorando daquela festa? Aquele viado dos infernos me paga.
- Droga! Droga! Droga! – eu gritei, jogando o celular encima da cama, quando olhei pela varanda, notei Harry sorrindo para mim, cínico, abri as portas de vidro com força. – Escuta aqui, seu viadinho de merda! Quem você acha que é, para depois de me beijar, ligar para minha mãe e ainda avisar que eu saí chorando da boate?
- Você saiu chorando? – ele perguntou, parecendo mesmo preocupado.
- Isso não interessa, você me paga mesmo assim! – eu gritei praticamente, só então vi Harry descer os olhos pelo meu corpo, então, lembrei que eu estava com uma blusa preta de renda e uma calcinha e um sutiã. Cobri meu corpo com as mãos e ele riu, pude ver uma ereção. – Seu pervertido!
- Pelo menos não sou eu que fico desfilando de roupas íntimas por aí. – ele disse, cruzando os braços.
- Não, você desfila nu. – eu disse, pondo as mãos na cintura, ele sorriu, não esperava isso dele, pelo menos um olhar de vergonha, sei lá.
- Eu não me envergonho disso. Eu sei que as meninas gostam. – ele disse, levantando uma sobrancelha como quem dizia “Você também”. O meu celular começou a tocar e então eu entrei no quarto, procurando por entre travesseiros e lençóis o celular.
- Alô?
- Aria? Graças a Deus! – disse Victoria, sendo dramática. – Eu estou precisando de você aqui, os meninos vão fazer um photoshoot hoje ao por do sol, e eu preciso que você separe alguma roupa para eles. Você pode avisar para eles?
- Ahm.. Tudo bem.
- Ótimo, estejam aqui ao meio dia. – ela disse e desligou, sem esperar resposta. Olhei no relógio e vi que eram dez horas, e mandei uma mensagem para Zayn.
“ Você e os bundões se arrumem, temos que ir na gravadora ao meio dia, xx”
Como já tinha tomado banho, fui só trocar de roupa e fiz uma maquiagem e um coque mal feito. Já eram onze horas, quando eu peguei as chaves do meu carro e fui caminhando até a garagem, quando lembrei da noite passada, quer dizer, dessa madrugada, quando larguei meu carro enfrente ao bar. Ai Deus, que sorte que eu tenho hein? Saí correndo no meio da rua e bati na porta da casa dos meninos desesperada.
- Briel! – gritou Tom, assim que abriu a porta, ele ia me abraçar mas eu coloquei minha mão na frente, ainda ofegante.
- O abraço fica para depois, Tom, tenho problemas maiores agora. – eu disse, falando bem mais rápido que o normal.
- O que houve? – ouvi Roy perguntar, virei meu rosto para ele e vi que ele estava sem camisa e suado. Uau. Olhei em seus olhos e me senti em câmera lenta por uns cinco segundos. Sacudi a cabeça e tentei fingir que não estava olhando para o abdômen dele.
- Victoria quer que eu vá para a gravadora e eu preciso ir de carro, vocês precisam me ajudar a chegar até o bar para eu pegar meu carro! – eu disse desesperada. Eles se entreolharam e assentiram, Tom saiu e abriu o carro deles, me convidando a entrar no banco do carona, Roy voltou correndo dois minutos depois, com uma camiseta qualquer.
- Você é uma cabeçuda mesmo, larga o carro no meio da rua e nem sabe aonde. – Tom disse, rindo sozinho, encarei ele, arqueando minhas sobrancelhas e depois ri junto com ele, Roy começou a rir também. – E por que você chama a sua mãe de Victoria?
- Vamos só dizer que não temos uma relação muito boa...
- Bem-vinda ao clube. – Roy disse, pressionando os lábios e fazendo uma careta triste. Ele era bem bonito, os dois na verdade. Assim que chegamos ali, eles desceram do carro e me acompanharam até o meu. – Vê se da próxima vez lembra onde você larga o seu carro, valeu?
- Ok. – eu disse, rindo sem graça. Pensar não era muito comigo. Eles voltaram para casa e eu fui para o estúdio, cheguei lá 12:10 e Victoria começou com seus surtos.
- Aria! Aonde você estava menina? Primeiro você some ontem a noite e agora chega atrasada? O que aconteceu? – ela perguntou. Que droga! Ela nunca gostou de mim e agora quer bancar a mamãe preocupada? Olhei ao redor e sentei em uma poltrona de couro ao lado de Niall, só estávamos eu, ela e os meninos na sala.
- Eu saí ontem da festa e passei em casa para trocar de roupa, aí eu fui em um bar com uns... amigos. – eu disse, segurando o riso lembrando de ontem a noite. Que estranho, meu único amigo era Ian e de repente eu já tenho mais dois novos amigos. – Depois, como eu estava bêbada eu dormi na casa deles, não queria perturbar vocês.
- Você podia ao menos ter mandado uma mensagem Aria! – ela gritou.
- Qual é, Victoria? Vamos parando com o teatro! – eu disse, para a surpresa dela e dos meninos, eu a respondia mas nunca levantava a voz. – Você e Jules nunca gostaram de mim. Vocês nunca me amaram. Sempre me trataram como uma nada, uma merda, uma insignificante. E por causa do tratamento de vocês, eu comecei a me sentir como se fosse uma. Por que você acha então, que até ontem, meu único amigo era meu ex-professor de artes? Eu sei que você e Jules sentem pena de mim, “Oh, tadinha da Aria, ela não tem culpa de ser uma aberração!”. Mas eu estou cansada de vocês dois. Cansada! Se quiseram me amar, tarde de mais! – eu disse, me levantando e pegando minha bolsa, ela segurou meu braço e me olhou chorando.
- Aria, eu não sabia que se sentia assim, eu sinto muito...
- Não Victoria, você não sente. Mas tudo bem, eu desculpo você, mas espero que você saiba que tudo o que eu passei todos esses anos eu jamais vou esquecer. Nunca vou esquecer que todo o amor que eu recebi veio dos meus irmãos e de uma pessoa que nem da mesma família era. – eu disse balançando a cabeça negativamente. – Você não tem que sentir nada, eu sinto muito por ser sua filha.
Ela se virou de costas e se abraçou, talvez eu tivesse exagerado, mas foda-se! Era o que eu sentia e eu sei que ela realmente nunca ligou para mim. A verdade dói não dói? Todos ainda quietos e eu respirei fundo.
- Meninos, venham, eu vou escolher algumas roupas para vocês. – eu disse e eles levantaram e me seguiram para fora da sala.
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