Saudade

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Boa leitura ^^

Saudades! Sim... Talvez... e porque não? ... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê? ... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nós não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca

Em frente a grande janela de vidro, com cortinas cor de sangue, sentava-se numa cadeira de madeira Lilian, os longos cabelos negros como as profundezas misteriosas do oceano preso em uma trança, que chegava até os seus pés, a pele parecia cada vez mais pálida chegando quase a um tom doente, as bochechas perderam o rubor da juventude, os olhos azuis escuros que se assemelhava estranhamento com a cor do céu após o pôr do sol, os quais antes eram brilhantes e vivazes, encantando quem os visse, agora estavam opacos e sem vida, impregnados de uma melancolia tão grande que nem o melhor poeta poderia descrever, olheiras negras em baixo dos mesmos denunciava as noites em claro, o longo vestido de cetim negro pesava em seu corpo curvando seus ombros finos e magros, os ossos destacavam-se sobre a pele, lagrimas persistentes cobriam-lhe a face, e os lábios carnudos e vermelhos tremiam, um pequeno lampião aceso deixado em uma mesa perto de si, era a única iluminação do quarto onde se encontrava, ao lodo dele estava mais dois objetos, uma rosa de pétalas rubras, que agora estava murcha, quase morta, e o outro era uma delicada adaga, de punho metálico e lamina negra, era pequena e leve, perfeita para o porte de uma mulher, lá fora a chuva caia pesadamente sobre o chão produzindo um barulho alto e seco, a lua cheia prateada e brilhante estava parcialmente coberta pelos montes que cercavam as redondezas, uma hora ou outra passava um animal correndo a procura de abrigo, as roseiras plantadas em seu jardim pareciam chorar, efeito causado pela agua que caia do céu as molhando, olhar essa cena lembraram-na dele, tentara a todo custo bloquear a imagem que formava em sua mente, isso na verdade tornara-se um exercício constante, mas como todas as vezes falhara, ainda lembrava perfeitamente cada detalhe por menor que fosse, dele, os cabelos dourados como se capturado dos raios de sol, os olhos verdes como as folhas na primavera, de como ele abria um enorme sorriso todas as manhas ao lhe dar bom dia, fazendo suas sobrancelhas arquearem e destacarem a fina cicatriz que continha, de como iam ao jardim e sentavam-se na grama úmida sem se importa em sujar as roupas, ela encostava em seu peito e os braços longos dele rodeavam sua fina cintura, logo depois ele contava fantasiosas histórias tiradas de sua imaginação fértil, e que a deixava extremamente encantada, sonhando sobre suas doces palavras, mas com essas felizes lembranças, também vieram tristes, como o dia em que o seu amado fora convocado para defender seu país, de como o anseio de perde-lo tomou conta de seu corpo, acompanhado de uma terrível sensação que não pudera explicar, o que alguns diziam pelas suas costas serem premonições de uma futura viúva, dos dias que passara olhando pela janela, como fazia exatamente agora, mas dessa vez era diferente, agora não tinha mais esperança dele voltar, não depois de receber aquela carta, suas mão cálidas e delicadas envolveram a adaga, mas por um erro de cálculo acabou por segura-la pela lamina, assim fazendo um corte grande na palma de sua mão, manchando a pele pálida de uma cor forte de vermelho, e espalhando uma dor aguda pelo seu corpo, mas a mulher não pareceu se importar, ou pelo menos não demonstrou nenhuma reação, por um momento o reflexo prateado bateu em seus olhos, e seu coração por esses segundos bateu forte, pois parecera ter visto espelhado naquele punhal uma cor verde, como os olhos do seu perdido amor. Virou a ponta afiada para si, e em um impulso rápido e fatal, cravou-a em seu peito, sua garganta se fechou e a visão escureceu, tão rápido quanto apunhalara o próprio coração, um gosto metálico invadiu sua boca, e uma imagem envolveu sua mente, não parecia ser real, era mais como uma daquelas peças que assistia com ele, cheia de fantasia e beleza, mas uma parte dela sentia que aquilo era real, estava deitada na grama molhada, observando as nuvem brancas e fofas, do seu lado, Darien, seu falecido amado, mas de morto ele nada tinha, os cabelos loiros estavam mais brilhantes que nunca, e os olhos verdes carregavam um fulgor que só ele podia, os lábio finos e vermelhos sorriam, de forma tão perfeita, quanto uma obra de arte feita por um renomado pintor, ela soltou seu cabelo, deixando as mexas escuras espalharem-se pelo gramado, e retribuiu o sorriso, como não fazia á dias, suas mãos de forma automática se entrelaçaram, como se dissessem mudos, agora estaremos juntos pra sempre.

Fim.

Notas finais
Então é isso, espero que tenho gostado. Comentem, quero saber o que acharam.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!