Saudade
1 Oneshot
Notas iniciais
Amo-as, minhas unnies! ♥
Boa leitura!
SAUDADE
Eu não parava de torcer minhas mãos e morder meu lábio inferior enquanto esperava. Estava incrivelmente ansiosa, embora estivesse tentando me manter calma e serena. Agora estava tudo acabando, por que eu estava daquele jeito? Eu devia estar tranquila e feliz, não à beira de um ataque de nervos!
Remexi no meu relógio de pulso que insistia em me causar desconforto – eram quase nove horas da noite. O ônibus estava atrasado em quase duas horas, aquilo não era comum.
- Para com isso porque não está me ajudando em nada – ouvi Sara sussurrar em um riso nervoso. Tinha até me esquecido que ela e Akemi também estavam ali, tão ansiosas quanto eu. Nós tínhamos mantido uma boa conversa por um bom tempo, mas quando a chegada do Kagrra começou a atrasar demais, nós começamos a ficar preocupadas, como três idiotas que somos.
- Gomen ne – falei em tom de desculpa, mas olhando para o relógio de novo por puro impulso.
- Eu acho que vou tomar um ar, dar uma volta, argh!, sei lá! – disse Akemi sacudindo as mãos acima da cabeça e então repousando-as na cintura, sem saber ao certo o que fazer. E então ela decidiu esperar do lado de fora das portas de vidro do prédio.
Nesta hora, luzes suspeitas surgiram no final da rua. Luzes que indicavam um veículo grande se aproximando...
- Finalmente! – vi Sara jogar os braços para cima em um gesto exasperado – Esses filhos da mãe...
Sentindo-me mais tranquila, mas com o coração aos pulos, sorri para a reclamação da minha amiga. Ela havia tirado as palavras da minha boca! Akemi estava dando pulinhos e nos fazendo careta do outro lado da porta.
O ônibus estacionou em frente ao prédio da PS Company e logo nossos meninos desceram. Estavam todos bem cansados da viagem, as caras amassadas de sono, os corpos ainda não muito despertos.
O primeiro a descer foi Izumi, como era de se esperar. Ele cumprimentou Akemi e então adentrou o hall de entrada do prédio, apertando os olhos para a claridade do recinto enquanto caminhava até nós.
- Konbanwa – ele murmurou em uma voz um tanto cansada. Carregava caixas nas duas mãos.
- Okaeri, Izumi-san! – eu o abracei carinhosamente, apertando-o contra o meu peito. Sara fez o mesmo, o olhar ansioso em direção ao ônibus.
Logo atrás de Izumi, viera Shin, discreto e silencioso como sempre. Ele poderia ter passado por mim sem que eu o notasse se quisesse, mas eu já estava prevendo seus movimentos esquivos e o abordei assim que soltei o líder do grupo.
- Shinpei! Okaeri! – ele sorriu para mim e agradeceu com uma reverência sutil. Ele parecia exausto, não quis incomodá-lo e deixei-o seguir seu caminho para casa.
Levou mais algum tempinho para Isshi finalmente descer do ônibus de viagem, usando um par de óculos escuros que em nada combinavam com o horário do dia. Ele acenou para nós duas dentro do prédio e esticou os braços acima da cabeça, alongando-os antes que Akemi pulasse em suas costas. Eu e Sara rimos da expressão de surpresa do loiro, que não pareceu muito incomodado em ser abordado daquela forma pela namorada. Akemi beijou-o apaixonadamente e os dois se dirigiram ao porta-malas do ônibus de mãos dadas, buscando as coisas de Isshi.
E então vieram Nao e Akiya. Eles desceram juntos, meio que conversando entre as risadas sonolentas.
E lá se foi meu coração estômago abaixo. Pelo canto do olho, percebi Sara escondendo o sorriso bobo nas mãos e logo recompondo-se, estampando uma expressão mais séria no rosto.
Os meninos caminharam direto até nós, cada um carregando sua respectiva mochila. Nao abriu os braços para a namorada assim que adentrou o hall bem ilumindo da gravadora, também apertando os olhos por trás dos óculos de grau que usava. Sara riu e adiantou-se na direção do baixista, pendurando-se em seu pescoço em seguida. Nao envolveu-a pela cintura carinhosamente e capturou seus lábios em um beijo terno e caloroso.
- Minha linda... – ele disse em meio aos cachos castanho-dourados – Estava doido para te ter de volta!
Não ouvi a resposta de Sara, mas julgando o sorriso de menino traquinas que surgiu no rosto do baixista deduzi que ela o chamou de “Baka” ou algum equivalente. Eu sorri para a cena.
- Oi, posso ter um pouco de atenção também?
Akiya estava parado bem na minha frente, a maior cara de sono do universo, aquele sorriso bobo no rostinho redondo. Eu sorri como uma adolescente acanhada, como já era de se esperar, mas procurei me conter e me fingi de brava.
- Que demora! O que aconteceu que vocês não chegavam nunca? – eu dei um soquinho no braço de Akiya, mas ele segurou minha mão e me puxou, prendendo-me em seu peito e acabando com as minhas poucas defesas.
- Estava preocupada? – ele disse entre o sério e o debochado.
- Morta de preocupação, baka – minha voz saiu abafada contra sua camiseta. Senti Akiya afagar meus cabelos.
- Houve alguns pequenos contratempos na estrada, só isso. Estou aqui, inteiro, viu? – ele se afastou por um momento e abriu os braços, como se me mostrasse o que acabara de dizer. Me agarrei de novo nele, sorrindo.
- Bobo... Okaeri, koi. Senti saudades suas... – gemi como uma criança desolada.
- Também senti saudade... Muita saudade... – Akiya me apertou ainda mais em seu abraço, me fazendo ofegar com o pouco ar que chegava em meus pulmões.
Eu me afastei para olhá-lo nos olhos e não resisti ao impulso de me pôr na ponta dos pés para tocar de leve os seus lábios macios. Ele suspirou cansado.
- Vamos para casa? Você parece exausto...
- Uhum... Mas eu ainda quero... – ele sorriu com malícia – Encontrar forças para compensar esse tempo todo longe de você.
- BAKA! – eu gritei antes que pudesse me controlar, meio rindo da situação enquanto sentia meu rosto pegando fogo. Akiya riu da minha reação, tomando minha face corada nas mãos e me beijando mais uma vez.
- Vamos conversar melhor em casa, okay? – eu respondi, puxando-o pela mão.
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