Saturno

1 Capítulo 1


Notas iniciais
AAAAAA, vou deixar vocês lerem e dps comento. Caso não saibam, aqui é a Naty.

26 — janeiro — 2093

Era um dia comum na Austrália, o país mais puro de todo o planeta Terra. Após a guerra que arrasou o Oriente Médio e a América do Norte, a África — que era dependente dos Estados Unidos -, caiu em decadência depois do aumento da temperatura global e a queda do país dominante, por isso a Europa, América do Sul e Oceania passaram a ser os continentes mais habitados e de preferência em todo planeta.

Tudo começou em 2046, quando os Estados Unidos jogou uma bomba inesperada no Oriente Médio, matando milhares de pessoas, em resposta à agressão, os países árabes tentaram revidar, enviando um míssil para os Estados Unidos e uma bomba no centro continental Americano. Estima-se que naquele dia, 6 milhões de pessoas tenham morrido, mas com o passar dos dias o número de mortos por intoxicação crescia, de repente a América do Norte e o Oriente Médio viraram desertos. Boa parte da Ásia caíu em desvalorização e precisou de diversos programas para melhorar as condições de vida populacionais.

Os anos foram passando e os cientistas perceberam que mesmo tendo sobrevivido pelo menos 3 bilhões de pessoas no mundo, o planeta tinha sofrido fortes poluições que seriam irreparáveis, justamente por isso o estudo sobre o Espaço passou a ser mais valorizado, levando em conta que seria a única salvação para a humanidade. Descobertas científicas foram sendo feitas ano após ano e no final, o mundo passou a ser mais importante que a economia.

A Austrália foi eleita o país mais puro do mundo, com programas de restauração ambiental, o país dispunha de tantas árvores que ultrapassava o número de habitantes. A NASA, programa espacial mais importante, passou a sediar Sidney, desta forma o país também contava com muitos estudiosos.

A jovem Thalia Penelope Grace caminhava na noite estranhamente fria de janeiro, ela conseguiu morar na Austrália depois de pelo menos 2 anos na lista de espera, hoje ela participava do programa espacial da NASA como uma pilota, trabalhando como cientista na maior parte do tempo e dominando Física como especialidade. Thalia se orgulhava de quem era, principalmente porquê tinha apenas 27 anos de idade.

A noite os trens quase não passavam na capital, para economizar energia e poluir menos o ambiente, por isso Thalia ia a pé até o de Observação, que ficava um pouco afastada da central espacial. O lugar já estava fechado fazia pelo menos 2 horas, mas hoje era um dia astronômico especial, por isso a garota abriria tudo com sua propria chave.

O laboratório era bem grande, ela não tinha muito costume de ir lá sempre. Trabalhando na NASA, as pesquisas são bem flexíveis, cada um trabalha com o que acredita e tenta provar a sua teoria, nessas pesquisas sempre descobria-se algo novo, então sendo ou não uma ideia ultrapassada haviam novas descobertas que originariam outras pesquisas.

Acredite se quiser, mas pessoas ainda trabalham na NASA tentando provar que a terra é plana.

Fazia pelo menos um mês que não ia no laboratório, mas não notou nenhuma diferença. Thalia passou reto pela recepção vazia, no "Novo Mundo" — como chamavam a nova organização mundial — não haviam muitos roubos, por isso não tinham câmeras no prédio todo, aquilo não era mais uma necessidade. Abriu a porta para o observatório em si e entrou na sala.

Foi direto para o telescópio, pegando um caderno e lápis que estava ali do lado, pronta para anotar o que precisasse.

— Oi? —Uma voz masculina, vinda do fundo da sala, pronunciou, assustando a menina.

— Desculpe, te assustei. —Das sombras saiu uma pessoa cuja nunca tinha visto.[

O menino tinha cabelos curtos, penteados de modo perfeito, os olhos eram tão escuros quanto o cabelo, e demonstravam cansaço, a pele era um pouco amorenada, mas dava para perceber o quanto ele estava pálido.

— Ah, desculpa eu, você estava limpando ou algo assim? —Perguntou Thalia.

O menino sorriu ironicamente.

— Estou aqui pelo mesmo que você, senhorita, pesquisas e mais pesquisas. —Ele veio se aproximando até sentar na cadeira ao lado da menina.

— Está hora? —Questionou ela, olhando para o relógio de parede.

— É, eu passo boa parte da minha noite aqui com as minhas pesquisas. —Lançou para Thalia um olhar curioso.— Se você não está aqui pelas pesquisas, está aqui pelo quê?

A menina demorou mais que o necessário, perdida em seus olhos.

— Bom, hoje é o último dia para ver Saturno nesta posição, alinhado com a Terra e apontando seus restos de anéis para Jupiter. —Explicou o fenômeno.

Em 2037, o governo tinha adotado medidas que jogava o lixo no Espaço, em consequência disso, os anéis de Saturno tinham perdido uma camada e transformou-se em uma grande linha no Espaço, que jogava asteroides para todo lado.

— Ah, mais uma fã de Saturno. —Disse como se estivesse cansado do planeta.

— Venha cá, vou te mostrar. —Chamou o menino com um gesto.

O menino não pensou muito se ía ou não, apenas foi. A menina pegou uma mão gentilmente e colocou no telescópio.

— O planeta pode ser visto apenas com um binóculo hoje, mas está muito mais bonito no telescópio. —Movimenta a mira do telescópio. — Aqui são as constelações, ali está Saturno, e esses brilhos que fazem uma linha, são a última camada de anéis, estão parecendo estrelas.

Os dois ficaram em silêncio por algum momento, apenas para observar. O menino à Saturno, e Thalia ao menino.

— É bonito, como você soube? —Perguntou curioso.

— Eu fiz os calculos, isso apareceu durante um mês, mas apenas hoje pudemos ver a linha, e ficou muito mais claro no céu. —Rabiscou novos cálculos no caderno. — Esse fenômeno provavelmente só vai acontecer novamente daqui 50 anos, mesmo se eu tiver aqui, queria garantir ter visto.

O menino saiu de perto dela e passou a observá-la, analisando-a em silêncio.

— Bom, eu estou fazendo pesquisas sobre como chegar até Saturno, é um planeta misterioso, estou estudando sobre suas Luas, a maioria das quais já temos informações tem elementos para a sobrevivência humana. —Argumentou o menino. — Os anéis são sua defesa, mas o que ele tanto protege?

O menino perguntou mais para si do que para ela.

— Não sabemos.

— Minha equipe está trabalhando em um projeto para irmos até lá, Cassidy já criou um tecido especial para não sermos esmagados pela gravidade do planeta, Ray os propulsores especiais para a aterrissagem, Violet está criando um projeto de foguete que não seja esmagado, precisamos dos cálculos. —Olhou para ela como num pedido. — E a autorização.

A menina olhou-o desconfiada.

— Bom, eu até posso te ajudar, mas...

— Ah, eu adoraria, tenho pesquisado dia e noite sobre Saturno, precisamos descobrir o que ele guarda, e podemos fazer mais pesquisas e experimentos nas Luas. —Ele se mostrou mais animado e um sorriso o acompanhou enquanto ele falava, Thalia achou aquilo adorável. — À propósito, meu nome é Nico.

A menina achou que aquele nome combinava muito com ele.

— Bom, eu tenho as minhas pesquisas, mas acho que posso te ajudar. —A menina sorriu. — Mas você deve prometer uma coisa.

Nico fez uma careta.

— O que?

— Você tem que ir pra sua casa dormir hoje, e viver um pouco mais. —Respondeu a morena.

Nico observou a menina, sem saber seu nome, o cabelo era preto e enrolado indo até um pouco abaixo do ombro, os olhos eram bem azuis e os lábios estavam bem vermelhos. Ela parecia muito uma adolescente.

— Acho que temos um trato... —Perguntou pelo seu nome, sem falar nada.

— Thalia. —Revelou.

A menina pegou o braço de Nico e tocou em seu pulso, iniciando o chip do menino, um dispositivo eletrônico que tinha muitas funções, de um simples celular e relógio à algo que cuida de você por você mesmo. Encostou o braço no dele e pegou em sua mão, o menino a olhou confuso, não sabia o que ela estava fazendo.

De repente em seu chip aparece um holograma com o contato da menina, que ligava os dois chips, nele aparecia o nome inteiro dela e até onde ela morava. Rapidamente a menina se soltou dele.

— Preciso das suas pesquisas para estudar antes dos cálculos. —Explicou a Grace.

— Ok, vou te mandar pelo chip, tudo bem por você? —Ela apenas assentiu.

O menino tocou seu pulso por alguns segundos e ela recebeu todo o conteúdo.

— Muito obrigada Thalia, podemos nos ver aqui amanhã? —Sugeriu o moreno.

— Sim, depois do almoço? —Ele assentiu e deu um sorriso grato para ela.

— Agora vai para casa. —Ele riu, acenando e saindo do prédio.

"Uma garota daquelas bixo."

Thalia só foi para casa quando viu que o menino realmente tinha ido, então fechou tudo e foi para sua casa.

—------

A Grace chegou em casa em 15 minutos à passos rápidos, criminosos eram raros nessa nova sociedade. A desigualdade social tinha diminuído drasticamente, por isso boa parte da população estava contente com a sociedade na qual viviam.

Sua casa era mal decorada, cinza para todo lado, sem objetos coloridos demais, tudo devido a mudança recente. Pegou o computador para ler as pesquisas do novo conhecido, olhou para o seu contato no chip em seu pulso, e com um clique direcionou todos os arquivos ao computador.

— Ok. —Murmurou a menina olhando para a tela 3D do computador.

Leu toda a pesquisa e achou interessante o portifólio que o garoto tinha organizado, tinha muita informação, e com aqueles arquivos todos, ela realmente acreditava que uma missão até Saturno era realmente necessária.

Estudou as posições dos astros e dos anéis de Saturno, visando pelo menos cinco anos de posições diferentes. Quando a menina percebeu já tinham se passado 8 horas estudando, e não tinha dormido.

— Agora eu entendi porque Nico não dormia a dias.

Digitou o nome nos contatos e ligou para o menino, já eram 11 horas da manhã.

— Alô? —Comprimentou a menina.

— Alô, Thalia, como vai? —Perguntou o menino.

— Com as pernas sempre, você sabe, poluem menos. —Nico bufou do outro lado da linha.

— Engraçadinha, a que devo a honra de sua ligação?

— Bom, queria cancelar nosso "encontro" de hoje. —Explicou.

— Era um encontro então? —A voz dele saiu maliciosa, o que fez ela imaginar a expressão que ele estaria fazendo.

— Você entendeu, Nicholas.

— Nem tinha te convidado pra sair e já levei um fora. —Suspirou com falsa frustração. — O que te levou a cancelar, Thalia?

— Bom, seu portfólio está muito interessante e acabei não dormindo e...

— Você não quer que eu te veja com olheiras. —Assumiu ele, brincando.

— Não, eu to cansada mesmo, e nem começei os cálculos ainda. —Respondeu indignada.

— Pô Thalia, acho que você deveria dormir. —Continuou. — Quer ajuda com alguma coisa?

Por um momento Thalia pensou que ele estivesse muito interessado em vê-la, mas logo se lembrou de como aquela tese era importante para ele.

— Não acho necessário, vou chamar uma amiga de equipe minha, tenho certeza que ela irá se interessar. —Pensou em Annabeth e torceu para que ela estivesse disponível naquela sexta.

— Mais um fora. —Disse Nico divertido, o que fez a menina bufar.

— Vai se ferrar, tenho que desligar, a gente pode se ver amanhã de tarde. —Sugeriu olhando para a agenda no próprio chip.

— Tudo bem por mim, umas 18 horas, ok? —A menina respondeu que sim. — Até mais então, Grace, boa sorte.

— Até.

Desligou a ligação pelo chip, e no mesmo momento ligou para Annabeth.

— Alô?

— Olá Thalia, o que devo a ti, querida? — A amiga loira perguntou através da linha.

— Precisava da sua ajuda com alguns calculos de uma pesquisa, só uma revisada. —Respondeu a morena.

— Ah Thalia, hoje é sábado, segunda nós vemos isso, ok? —Thalia imaginava a amiga revirando os olhos.

— Annie, você é a dedicada aqui, e a pesquisa não é a nossa, é de um amigo. —Explicou a garota pacientemente.

— Ah, um garoto, uhm? —A voz da loira soou maliciosa.

— Annabeth. —Repreendeu Thalia com a voz. — Você está soando como a Silena.

— De onde o conheceu? Ele é bonito? —Questionou Annabeth, ignorando o que a outra dissera.

— O conheci ontem no observatório de noite, ele é bonito, mais alguma pergunta? —Murmurou a amiga.

— Uhmmmm. —Annabeth riu da amiga. — Você está se sentindo sexualmente atraída por ele?

— Talvez, Annabeth, talvez. —Continuou. — Bom, você já perdeu seu tempo falando comigo, não quer perder mais tempo ainda vendo a pesquisa dele e os meus calculos, pra ver se batem?

— Thalia, eu queria aproveitar meu sábado e você deveria fazer o mesmo. —Suspirou a loira. — Vou dar uma olhada apenas nos cálculos ok? Segunda eu reviso.

— Ta bom, obrigado Annie. —Respondeu contragosto.

— Espera, antes de ir, a pesquisa é sobre o que mesmo?

Thalia engoliu em seco imaginando o quanto a menina a xingaria quando soubesse.

— Saturno, anéis de saturno, luas de saturno, e a vida em saturno.

Escutou a loira rir alto do outro lado.

— Sério?

— Sim, Annabeth.

— Thalia, para que perder tempo com isso estando em 2093? Não vale a pena, é ultrapassado, não funciona. —Criticou a amiga.

— Eu sei, mas quis dar uma chance a pesquisa dele, e está muito boa.

— Só não confunda as coisas como fez com Luke, aquela pesquisa de merda que ele fazia e você apoiava, foi até em uma manifestação com ele. —Sem que Annie pudesse ver, Thalia fazia uma careta do outro lado da linha, admitindo o fato.

— Realmente, mas com Nico é diferente, eu não o conheço para estar apaixonada. —Sua voz quase soou como uma pergunta.

— Você acredita em amor à primeira vista Thalia. —Julgou a outra.

— Não cegamente. —Thalia bufou. — Obrigada por sua não ajuda, vou te mandar a pesquisa e jogar na sua cara.

— Tá, tenha um bom dia. —Respondeu e desliga.

Thalia murmurou palavrões tentando esquecer a inútil conversa com a amiga. A morena levantou da cadeira e foi tomar café e depois tirar um cochilo, já que estudou a pesquisa a noite toda, merecia um bom sono. Quando acordou já era 10 horas da noite e não havia feito nada.

Ela geralmente usava os sábados para correr ou ir a lugares com amigos, mas não tinha sido chamada para lugar algum. Então resolveu voltar a fazer os cálculos, e só terminou às 3 da manhã do outro dia.

No outro dia, ela acordara 14 horas da tarde, com alguém batendo em sua porta. Abriu a porta, esquecendo de ver quem era e ainda de pijama.

— Ok, devo admitir que a pesquisa estava muito boa, mas mantenho minha opinião sobre a inutilidade deste assunto. —A cabeleira loira dizia, antes mesmo de comprimentar.

— Annie, o lema da NASA atual é de que nenhuma pesquisa é inútil. —Lembrou Thalia, indo até a cozinha e pegando café.

— Você acordou agora?

— Uhm, sim. —Confessou a amiga.

— Fez os cálculos de madrugada? —A outra apenas assentiu. — Você ao menos dormiu ontem?

— Dormi, Annabeth. —Respondeu ríspida. — Você está parecendo minha mãe.

— Tá, tá. —Continuou Annie. — Bom, me permiti ver sua agenda no Drive...

— Como? —Interrompeu, atordoada.

— Ué, nossas contas são vinculadas. —Deu de ombros. — E vi que você tem um encontro com o tal do Nico ás 18 horas hoje, correto?

— É, em teoria sim. —Continuou explicando. — É sobre os calculos e acho que vou cancelar.

Thalia sentou no sofá ao lado da amiga, com seus biscoitos e café na mão.

— Que? Não. —A loira praticamente gritou, assustando a morena e a fazendo derrubar tudo o que tinha na mão.

— Puta que me pariu.

— Thalia, por que vai cancelar? Eu vi a foto dele nos seus contatos e ele é gato demais, você precisa de uma diversão, né? —Annabeth tentava incentivar a amiga. — Você mesma disse que não é um encontro, só vai ser um encontro se você quiser que seja.

A morena que antes limpava o sofá, passou a encarar a amiga, pensando.

— Você tem razão. —Annabeth já se preparava para a resposta, então Thalia imitou a amiga. — Mas foi o que você mesma disse, ele é gato, então eu vou querer que aquilo seja um encontro.

Annabeth bufou alto.

— Você está parecendo uma velha, não quer sair, não quer encontrar ninguém, desse jeito você vai afastar todo mundo, Lia. —Ela suspirou. — Eu me importava tanto com o trabalho, que afastei todos os meus amigos e até parentes, e eu só os recuperei quando me permiti viver do jeito que melhor podia.

A loira continuou:

— Não deixe o trabalho fazer isso com você, você não precisa viver para isso. —Annie tinha ficado chateada, e queria que a amiga refletisse sobre isso, então pegou sua bolsa do sofá e se preparou para ir.

— Espera. —Thalia pediu, esperando a amiga a olhar. — Preciso da sua ajuda para escolher a roupa.

Annabeth abriu um sorriso grande e correu para abraçar a amiga.

— Você tá fedendo. —As duas riram e foram começar os preparativos do encontro.

****

Quando já eram 17 horas, Nico mandou uma mensagem no chip da menina, perguntando onde iriam se encontrar, e decidiram marcar em uma cafeteria, próxima a ambas as casas.

— Menina, você tá tão bonita. —A amiga disse com orgulho.

— Uhm, brigada?

— Brigada sim, otária. —Thalia se surpreendeu com o linguajar da outra, muita convivência com o namorado. — Vou jantar com Percy hoje, ele me disse que seria algo especial, será que ele vai me pedir em casamento?

Thalia observou o sorriso contente da amiga, e invejou por alguns instantes o brilho que os olhos acinzentados adquiriam quando falava do namorado.

— Bom, o que quer que seja, estou muito feliz por ti Annie, vocês são meu goalzão. —Revelou para a amiga.

— Talvez Nico seja seu Percy.

— Eca Annabeth. —Fez cara de nojo.

— Ok, tenho que ir, boa sorte bebê, bom encontro. —Provocou a loira, dando um beijo na testa da amiga e indo até a porta.

Depois que a amiga se foi, Thalia se arrependeu mortalmente por ter se arrumado tão cedo e ter de ficar esperando 20 longos minutos até poder ir até a cafeteria sem chegar muito antes do horário.

A menina ajeitou algumas coisas na casa e foi direto para a cafeteria que haviam marcado, chegou pelo menos 5 minutos mais cedo, e o garoto já estava lá.

Quando o viu, se aproximou e tocou seu ombro para que pudesse vê-la.

— Olá. —Disse, um pouco envergonhada.

— Hey, está bonita. —Elogiou a menina, piscando sem vergonha alguma. — Eu pedi o café, quer algo?

— Ah, adoraria um suco de laranja. —Pediu a garota.

Nico chamou o garçon para pedir.

— Você tem dormido e vivido como eu te aconselhei? —Perguntou Thalia, puxando assunto,

— Você sabe né, tem sido difícil, nesse 1 dia que passou, eu refleti muito, e fiquei ansioso. —Sorriu. — Só não sei se era pra ver você ou pra ter mais da pesquisa.

Thalia revirou os olhos do flerte do garoto, mas por dentro borboletas pareciam pular por seu corpo inteiro, e ela sabia bem o que essa sensação significava.

— Bom, sobre sua pesquisa, eu fiz os calculos que você precisava, até alguns outros datando anos e meses, mas não arranjei ninguém para revisar. —Relatou, soando decepcionada.

— Por favor, você fez mais do que precisava, nem precisava ter feito tantos cálculos se não era sua pesquisa. —Olhou-a intensamente, admirando a menina sem pudor, mas deixando completamente de pensar na sua aparência, mas passando a gostar do interior que começava e queria conhecer.

Jurou que viu a menina ficar vermelha, mas preferiu não pressioná-la.

— Bom, eu realmente adorei sua tese, ficou convincente e está muito bem colocada. —Elogiou ela, sorrindo sincera.

— Muito obrigada, são muitos e muitos minutos gastos. —Continuava a sorrir. — Você acredita em Saturno e seu potencial?

— Nunca acreditei, sempre achei uma tese muito ultrapassada. —Confessou a menina. — Mas eu gostei tanto do seu trabalho, que começo a achar que Saturno é uma boa cogitação

— Você não está dizendo isso só porque eu sou bonito, né? —Brincou com ela, recebendo um tapa mais forte do que medido na mão.

— Aí, desculpa. —O menino fez um bico. — Você mereceu, seu convencido.

O suco chegou e com ele o silêncio.

— Mas não, não estou dizendo isso porque você é bonito, afinal eu sou bonita também. —Declarou.

— Devo concordar. —Sorriu sincero recebendo o mesmo em troca.

Thalia se levantou e por um segundo Nico se desesperou, teria dito algo errado? Logo a menina arrastou sua cadeira para ficar ao lado dele, tocando no chip em seu pulso até que o holograma de todos os seus cálculos aparecesse.

— Bom, passei um bom tempo trabalhando neles, dormi pouco graças a você. —Continuou ela. — Como disse, sua tese está muito boa mesmo, e Saturno pode ser uma boa opção.

Thalia começou a explicar os cálculos, e o moreno ao lado fazia o possível para prestar atenção naquilo e não no cheiro de morango que os cabelos dela exalavam ou na proximidade que os dois estavam.

— [...]... Entendeu? . —Encarou a expressão perdida do garoto com impaciencia.

— Olha, eu tenho dificuldade com cálculos. —Se defendeu, bebericando um pouco do café já resfriado. — Além disso, nossa proximidade acaba com a minha sanidade.

Thalia revirou os olhos novamente, repetindo um novo tapa.

— Você é muito bajulador. —Disse fazendo um bico, e cruzando os braços.

— Só com você. —Ela fechou a cara. — Ok, ok, parei.

Ficaram um minuto em um silêncio completamente constrangedor, onde Nico se xingava mentalmente pensando ter forçado a barra, e Thalia sem saber o que dizer ao certo.

— Desde quando você se interessa por Saturno? —Perguntou a menina.

— Bom, meu pai pesquisava bastante sobre isso, eu meio que desenvolvi isso enquanto o via estudar, mas em seus 5 anos de estudo ele parou por pressão da NASA, acabou arquivando a tese e queimando depois de uns anos. —Thalia mordeu os lábios atenta à história.

— Ah sim, o que ele faz hoje? —Tomou um gole do suco, observando a expressão do outro amargurar.

— Não sei, ele não quis que eu acreditasse no mesmo que ele, me expulsou de casa, nunca mais o procurei. —Riu irônico. — É engraçado pensar que mesmo ele tendo feito isso, eu ainda o considero o homem mais inteligente que já conheci, e continuo sua tese.

A morena tocou sua mão, com o intuito de confortá-lo e sorriu, só não esperava sentir um forte choque ao toca-lo.

— É uma boa tese. —Sorriu novamente.

— Bom, sobre você agora, uhm? —A menina deu de ombros. — Qual a sua tese?

— Eu lidero as pesquisas sobre uma galáxia identica a nossa. —Sorriu orgulhosa, lembrando de quanto trabalho ela teria na segunda feira.

— Olha só, e como andam as pesquisas?

— 80% concluídas, já enviamos 4 drones e um satélite para lá. —Continuou dizendo. — Tenho medo de ir pra lá sabe? Mas o chefe está incentivando muito com esses projetos de inscrição.

— É muito arriscado, acredito. —Nico opinou, vendo a Thalia torcer o nariz em resposta.

— É, mas estamos quase prontos, acredito que em mais 5 anos, podemos ter a oportunidade de viajar até lá. —Explicou seu ponto de vista. — Vou te mandar minha tese, você vai ver como eu também posso ser convincente.

Ele sorriu.

— Eu não duvidaria disso, Grace.

Os dois passaram duas horas cheias conversando, descobriram muito um sobre o outro e marcaram de estudar mais sobre Saturno todos os dias depois das 18 horas.

*****

Sexta-feira (5º dia de estudo) — 20 horas.

— Eu não aguento mais Thalia, a gente não encontra nada concreto à dias. —Reclamou Nico, cruzando os braços, observando a menina grifar coisas em novos livros.

— Vai valer a pena, não vai? —Disse malhumorada, sem encara-lo.

Nico fitou-a por longos instantes, a menina tinha os cabelos presos em um coque alto acima da cabeça, uma gargantilha preta e vestia um moletom e shorts. A menina tentava equilibrar um lápis em cima da boca, frustrando-se toda vez que caí e fazendo o amigo rir toda vez.

— Cansei também, quanto tempo você demorou para descobrir tudo isso mesmo? —Perguntou com um tom de preocupação à ele.

— 4 anos.

A Grace tombou a cabeça na mesa imediatamente, num sinal de fadiga.

— Eu fiz uma coisa ontem e... —Começara a falar olhando bem nos olhos do garoto que acabou interrompendo-a.

— Podemos tomar um suco? Rapidinho, to sentindo minha bunda ficar quadrada nessa cadeira. —Pediu com um olhar de cachorrinho que caíra do caminhão, fazendo a mais nova apenas sorrir e levantar.

— Vamos logo. —Puxou o garoto pela mão.

O menino não teve pudor ao entrelaçar os dedos de ambos, agindo com mais naturalidade do que nos seus sonhos. Os dois se dirigiram a cafeteira no meio do "campus" e pediram dois sucos de laranja.

— Olha... —A menina fora interrompida novamente.

— Sabe, fora o observatório, este é meu lugar favorito daqui. —Comentou Nico, observando a garota enquanto tomava o suco.

— Ah sim, o meu é só o observatório mesmo, não venho muito aqui. —Deu de ombros tomando o suco.

O chefe de ambos, Quiron, entrou na fila para pedir um lanche.

— Olá, Grace, Di Angelo. —Comprimentou os dois, dando um meio sorriso cansado. — Thalia me contou que estavam trabalhando juntos, agora eu entendi.

Fez uma expressão sugestiva para os dedos entrelaçados na mesa, fazendo ambos corarem.

— Ela disse, uhm? —Perguntou Nico, olhando para a garota.

— Sim, ainda vou ler sua tese jovem, prometo, só tenho estado muito ocupado, são muitas pesquisas para lidar. —O homem garantiu, fazendo seu pedido.

— Ela te mandou minha tese, é?

— Ah, era uma surpresa, Thalia? —Perguntou o mais velho.

— Não, eu ia dizer agorinha, mas Nico estava tão animado que não me deixou terminar. —Soou como uma reclamação.

Nico fez uma careta para a Grace e suspiro.

— Bem, espero que esteja bom. —O garoto observou Thalia ficar um pouco sem graça.

— Tenham um bom resto de dia, casal. —Quiron se retirou da lanchonete com seu pedido em mãos.

— Tem algo para me contar? —Perguntou ironico.

— Bom, sei que a decisão era sua, mas você mesmo tinha dito que não iria enviar tão cedo, e já estava tudo pronto então eu mandei. —Confessou olhando fixamente para os sapatos.

Nico até cogitou ficar bravo, mas sabia que a menina não fizera nada para chateá-lo.

— ´É, então valeu, agora é só torcer.

Thalia segurou as mãos do Di Angelo, fazendo-o olhá-la.

— Desculpa, é sério. —Suspirou arrependida. — Eu deveria ter falado com você antes e...

O moreno tocou seu queixo, até que ela o encarasse.

— Tá tudo bem, Lia, de verdade, obrigado ok? —O menino estava um pouco chateado, mas não quis descontar nela de maneira alguma.

— Estava pensando, vou deixar de estudar Saturno contigo. —Contou a morena. — Preciso estudar mais nossa nova galáxia e acho que você pode lidar bem sozinho com Saturno, certo?

Ele assentiu.

— Desculpa de novo. —Se esforçou um pouco para beijar a testa do outro. — Vou pra casa, certo?

Os dois se despediram, pagaram cada um a sua conta e foram cada um para o seu lado. Nico foi embora para casa sem saber direito porque estava tão para baixo.

*****

Uma semana depois, sexta-feira, 14 horas.

Nico ainda não tinha tido sua hora de almoço, estava revendo detalhes sobre as tecnologias novas e pensando qual nova pesquisa ele começaria a partir de agora. Mesmo depois de uma semana Quíron ainda não tinha lido sua tese. Quanto a Nico e Thalia, os dois se viram pouco esta semana, ambos estavam muito ocupados com seus trabalhos, principalmente Thalia. Era quase duas da tarde quando Nico decidiu que ligaria para Thalia, sugerindo um almoço.

— Alo?

— Oi Nico, boa tarde. —Soou do outro lado da linha.

— Como você tá? —Perguntou o Di Angelo.

— Bem, tenho estado ocupada, mas acho que vou tirar o dia para mim hoje. —Respondeu e logo continuou. — E você?

— Ah, estou com fome, foi até por isso que te liguei, te fazer um convite para almoço. —Sugeriu Nico, andando de um lado para o outro.

— Você está com sorte então, ia sair agora mesmo. —A garota respondeu, enquanto guardava seus papéis no armário. — Vamos aonde?

— Então, acabei de ser influenciado por ti, vou tirar o dia também, o que você acha de um almoço caseiro na minha casa hoje? —Propôs ele.

— Espero que você seja um bom cozinheiro, nos vemos em alguns minutos, uhm?

— Ok, estou indo ai te buscar.

Nico foi em passos largos até o laboratório em que a menina fazia as pesquisas junto da equipe, ele já conhecia a maioria, era um grupo de 20 pessoas e o trabalho deles estava ficando cada vez melhor. O Di Angelo abriu a porta relutante e procurou Thalia com o olhar, ela guardava algumas coisas no armário enquanto conversava com um moço de cabelos loiros e olhos azuis. Quando o viu, Thalia disse algo ao garoto que a acompanhava, este o abraçou e fez uma careta para Nico.

— Quem era?

— Não te interessa. —Nico fez cara de ofendido. — É meu irmão Jason.

O garoto franziu o cenho.

— Caramba, vocês não são muito parecidos.

— É, só os olhos, e mesmo assim são em tons diferentes.

— Vamos? Temos uma caminhada de 15 minutos até em casa. —Informou, fazendo Thalia bufar.

— Por que tão longe?

— Vamos logo preguiçinha, se não só iremos almoçar amanhã. —A garota revirou os olhos, mas seguiu o menino.

— Como foi a semana? —Ela perguntou durante o trajeto.

— Ah, um pouco pesada, hoje faz 6 anos que eu saí de casa. —Dizia com rancor no olhar.

A garota apertou seu ombro em sinal de compreensão.

— 6 anos, já está no tempo de perdoa-lo, não? —Fez uma expressão sugestiva para o menino.

— Perdoar não é o mesmo que esquecer, Lia. —Respondeu já impaciente.

— Bom, você já disse que o perdoou para ele?

— Não, nem vou.

— Você não parece muito em paz com esse assunto, o perdão traz paz Nico, ficar bravo dá mais trabalho do que não se importar. —Nenhum dos dois disse mais nada, e o trajeto foi desconfortavel e silenciosamente perturbador.

Thalia sabia que estava pressionando Nico à fazer algo extremamente difícil, mas era necessário. Antes de ir para a Austrália, Thalia conversou com sua mãe e se libertou de um peso ao perdoá-la e também pedir perdão. Em uma conversa com os amigos de Nico, ela descobriu que naquele mesmo ano que fora expulso de casa, sua mãe tinha morrido e o pai estava em seu pior ano de depressão desde que parou de estudar.

Era fácil julgar e perguntar "Que tipo de pai expulsaria um filho de casa apenas porque o mesmo queria seguir seus passos?", mas era igualmente fácil se colocar no lugar dele, ele não queria que o filho fracassasse como ele, nem mesmo que ele conseguisse, ele se sentiria mal pelo filho ou por ele mesmo nas duas opções.

Nico ia pensando enquanto andava até sua casa, quando fora expulso, obrigado a ir morar sozinho na rua e passar várias dificuldades até chegar onde está, ele exclui todas as memórias boas que tinha do pai e com o pai, e quando essas memorias invadiam sua mente contra sua vontade, como naquele momento, ele só conseguia sentir saudades daquele homem. Mas e se aquele homem não fosse mais o mesmo? Afinal, mudara tanto da ultima vez que o vira.

Quando chegou em casa, Nico foi direto para cozinha, sendo deixado sozinho. A Grace ficou na sala, mexendo em seu chip.

— Thalia? Pode vir me ajudar? —Gritou do primeiro cômodo.

— Oi.

— Do que você gosta?

— Pode ser macarrão. —Deu de ombros, se sentando na pequena mesa de jantar.

— Ok.

— Precisa de ajuda?

— Ah, você poderia cortar a cebola e a salsinha?

— Ok.

— Como foi sua semana? Acabei não perguntando rs. —Brincou um pouco sem graça.

— Foi tudo bem, estamos progredindo, quando tiver a missão, não sei se vou ser escalada.

— Entendo. —Ele sabia como a fila era grande.

— Eu tenho medo de morrer no espaço. —Confessor Thalia.

— Normal, todos deveriam.

— Se você fosse numa missão hoje e não tivesse visto seu pai, você iria se arrepender? —Perguntou descaradamente, encarando-o como forma de desafio.

— Provavelmente sim, mas...

— Qual a diferença que isso tem com o hoje ou o agora? —Ela suspirou. — Você sabe que pode morrer a qualquer instante por qualquer coisa né?

Di Angelo não a respondeu, apenas continuando o macarrão.

— Como vai enfrentar Saturno se não pode enfrentar uma coisa muito menor que isso, um medo, medo da rejeição, eu conheço esse sentimento Nico, vivi em meio a brigas com a minha mãe, e eu e meu irmão fomos morar com o meu pai rico e deixamos ela na pior. —Uma lágrima rolou pela sua face, mas ela sorriu. — Eu não me perdoo por isso, eu nunca vi o lado dela das coisas, poderia ter ajudado, mas já passou, eu consegui me desculpar antes Nico.

Ela soltou um soluço, e o moreno segurou seu rosto com delicadeza, limpando as lagrimas.

— Antes de vir para cá, eu pedi perdão assim como dei para ela, 5 dias depois ela morreu Nico. —Ela sorriu de maneira contagiante, limpando as lagrimas por si só e segurando suas mãos. — Eu não quero que você perca isso Nico, essa paz, essa leveza que dá.

— Não quero desvalorizar tudo o que eu passei.

— Tudo o que você passou moldou você, mas não é você, é uma parte sua guardada que nunca será perdida, mas aliviada.

Dessa vez Nico sorriu, um sorriso verdadeiro e segurou o rosto da Grace dando um selinho rápido.

— Eu adoro quando você fala assim. —Ela sorriu envergonhada, parecendo um tomate.

— Você já tomou uma decisão? —Olhou-o esperançosa.

Tocou sua cintura, colocando o rosto entre o pescoço da garota, observando-a cortar as coisas.

— Podemos ir lá amanhã, uhm? —Thalia fez uma careta. — Juro que não estou procrastinando isso, só queria passar o dia com você, ok?

— Como eu poderia reclamar disso?.

******

Outro dia, sabado, 16 horas.

Nico e Thalia haviam combinado de ir ver o pai do Di Angelo ás 16 horas, o menino havia contatado a irmã Bianca, — que o ajudara bastante na vida -, mas ela disse que seria melhor que o mais novo fizesse uma surpresa. Nico tinha pedido de joelhos que Thalia fosse junto com ele, e ela apenas aceitou, se sentindo lisonjeada por ter sido sua escolha. Thalia fora andando até a casa do garoto, já que a casa do pai dele ficava longe de sua casa e perto da de Nico.

— Oi bebê, espera ai, não me troquei ainda. —Abriu a porta só de calça moletom e de cabelos molhados, sorrindo galante para a amiga.

— Eu deveria dizer que você está muito bonito? —Perguntou, fazendo o outro gargalhar.

— Provavelmente. —Piscou para a garota. — Thalia Grace também flerta pessoal.

Ela revirou os olhos como de costume.

— Vamos logo, o trem passa daqui 5 minutos, Nicholas.

— Tá bom, tá. —Subiu correndo para o quarto e voltou em 2 minutos já pronto.

Os dois saíram e pegaram o trem, que demorou mais que o usual e estava muito mais cheio também.

— A gente deveria ter ido ontem mesmo. —Nico disse arrependido.

— Pois é, isso que dá procrastinar. —O menino mostrou a língua em sinal de birra.

Ficaram 8 pontos no trem, o que tinha demorado 30 minutos. Foi difícil encontrar a casa do Di Angelo maior, — que Thalia descobriu se chamar Hades -, já que era uma casa diferente da qual Nico tinha vivido. Ao chegarem lá, o próprio Hades abriu.

O homem grisalho e alto cerrou um pouco os olhos e analisou o garoto da cabeça aos pés.

— Bom, eu sabia que algo de diferente estava por acontecer, Bianca estava mais estranha que o normal. —O mais velho riu sozinho. — Entrem crianças.

Ambos entraram e o senhor fechou a porta.

— Sentem, vou pegar um café, a garota acabou de sair. —Se referiu a Bianca.

Thalia observou-o preocupada enquanto o garoto observava a nova casa do pai e da irmã mais velha, ela apertou sua mão e lhe deu um sorriso de coragem.

— Vocês gostam de café com açucar ou sem?

— Dois com, por favor. —Thalia responde pelos dois.

— Ok, não seja tímido filho. —Thalia lhe olhou repreendendo, fazendo o senhor se corrigir. — Nico.

— Estou com medo de abrir a boca, e você me julgar.

— Acontece muito, mas na situação que estamos, não tenho condições para julga-lo. — Admitiu Hades.

O senhor trouxe biscoitos e os cafés em uma bandeja, se servindo de um também, e sentando na poltrona.

— Bom, acho que te devo desculpas. —O senhor começou dizendo. — Não sei o que te trouxe aqui, mas acho que é uma boa oportunidade para me desculpar.

Ele continuou:

— Foi um período difícil Nico, já tinha perdido a cabeça por causa do trabalho, então sua mãe se foi e eu me vi sozinho tendo que criar de vocês dois.

— Por que escolheu Saturno e não a mim? —Nico perguntou, com lagrimas nos olhos, tentando segurar a raiva e angústia que o continha.

— Eu não escolhi nenhum, Nico, deixei ambos de vocês irem. —O senhor quis tocar o filho, porém se conteve. — Me perdoe, não tenho desculpas para o que fiz, deveria ter te procurado, me acalmado e ir de buscar, mas deixei você ir pelo orgulho, perdão.

— Eu vim para isso mesmo. —Disse Nico, se levantando. — Não achei que fossemos direto ao ponto, mas queria te perdoar, dizer que está tudo bem e passado é passado, isso me moldou para ser quem eu sou, e eu gosto do Nicholas de hoje.

Nico se aproximou ao ponto de tocar a mão do pai, mas este se levantou e abraçou o filho, que se acanhou de começo, mas se entregou ao momento.

Thalia? Bom, ela estava apenas orgulhosa dos dois.

O dia foi passando e os três conversaram bastante, Nico conheceu muito mais sobre seu pai e este pôde ver como Nico estava crescido e amadurecido. No final, acabaram dando mais trabalho ao velho e jantando lá mesmo. Comeram legumes e carboidratos, eles não comiam carne nesta sociedade, Nico e o pai ficaram para lavar a louça e Thalia, como a visita, ficou no sofá esperando.

O senhor deu um olhar em direção a menina no outro cômodo.

— É sua namorada? Bianca não me falou nada disso.

— Bianca não sabe nada sobre ela, e não, ela não é. —Respondeu lavando os pratos.

— Bom, deveria ser, se você gostasse dela é claro. —O senhor enxugou mais um prato. — Quer dizer, vi o olhar preocupado que ela te dava toda vez que eu fazia alguma pergunta que pudesse de incomodar, conheço aquele olhar.

O Di Angelo mais novo virou-se com a esponja na mão, vendo-a sorrir para algo no chip, e acabou derrubando espuma no seu sapato.

— Droga. —Reclamou.

— É só água, menino. —Disse o mais velho num tom de aviso.

— Eu não sei se a mereço. —Deu de ombros voltando ao assunto passado.

— Uma frase clichê de um livro extremamente velho (1996-2093) diz que aceitamos o amor que achamos merecer. —Ele suspirou como se lembrasse da sensação de amar. — Ela é quem tem que dizer que você merece ou não.

— Vamos parar de falar sobre isso, por favor?

O senhor apenas riu e confirmou.

— É estranho ver meu filhinho apaixonado. —Disse, fazendo o outro revirar os olhos.

Acabaram de lavar e guardar a louça e foram até a sala.

— Vou esperar mais visitas então, ok? —Disse Hades, abrindo os braços para o filho, este que lhe deu um abraço desajeitado, mas sorriu e puxou o braço da garota.

— Foi um prazer conhece-lo, senhor Di Angelo. —Ela sorriu, indo até a porta com ele.

— O prazer foi meu querida. —Continuou. — Traga-a mais aqui.

O senhor piscou e Nico revirou os olhos novamente.

— Tchau.

Eram quase 0 horas, e nenhum dos dois tinha medo de ir pra casa. Pararam na casa de Thalia.

— Tá tarde, eu devia dormir aqui, não acha? —Piscou o garoto.

Ela franziu o cenho sorrindo.

— Nos teus sonhos. —Ela sorriu. — Você deveria dormir na sua casa.

— É, você quem sabe, soltou um muxoxo.

A menina puxou o queixo do menino e lhe deu um selinho demorado, que foi se tornando mais intenso ao ponto de ser aprofundado. Ela segurava em sua nuca e braço, enquanto ele segurava seu rosto e a cintura. Os dois compartilhavam de uma conexão intensa, mas nunca tinham provado algo desse gênero.

Thalia separou-se dele, e encostou suas testas.

— Boa noite. —Lhe deu um selinho mais rápido e fechou a porta.

Ele não reclamaria disso.

*****

Segunda-feira, 8 da manhã

Quiron convocou todos da equipe de Nico, inclusive Thalia, para uma reunião de urgência naquela manhã, todos prepararam seus projetos rapidamente para mostrar ao chefe, e sua perguntas. Todos chegaram no horário proposto e esperavam o homem mais velho atende-los.

— O que será que ele achou? —Perguntava uma amiga loira platinada de Nico, Thalia ainda não sabia seu nome.

— Não tenho ideia, pode ser bom ou ruim. —Respondeu Nico. — Mas prefiro ser otimista.

— E se ele disser não? —O amigo perguntou.

Nico observou-o cautelosamente.

— Então teremos que seguir outros caminhos. —Tentou parecer calmo.

— E...

— Pode entrar pessoal, que bom que todos vieram. —Quíron comprimentou cada um. — Bom vim aqui falar das pesquisas com vocês.

A sala ficou quieta.

— Fiquem tranquilos. —A voz soava calma, mas o olhar dizia outra coisa. — Gostei muito do texto de cada um de vocês, está muito bom, queria que Ray e Cassidy explicassem um pouco sobre essas inovações que criaram.

— Bom, para ir até Saturno sem sermos esmagados precisaríamos de um tecido de roupa especial, feito em duas camadas, a primeira seria de cobre puro, e a segunda feito de plástico usando a nanotecnologia. —Explicou certinho cada uma das necessidades que o traje supriria.

— Vocês já fizeram um experimento? —Negaram. — Já construíram um protótipo?

Todos negaram novamente.

— E você Ray?

— Para ir até Saturno, precisaríamos de propulsores rápidos e precisos, mas que não tiraria a leveza do projeto de foguete que criamos. —Explicou toda a sua composição e como seria feita. — Já o foguete, ainda não temos tanta certeza, mas o modelo deveria ser como um asteroide.

O chefe fez uma careta,

— E os cálculos Thalia, como chegaríamos lá?

— A primeira opção seria em alta velocidade, eles teriam 2,01 segundos para ultrapassar tudo, com sorte temos o mapeamento do anel, porém nunca se sabe quando pode se locomover. —A menina mostrou os cálculos no holograma. — Eu não sabia sobre o modelo ser parecido com a composição do anel, então não me preparei, mas nessa opção a mais chance de entrar, porém muito mais fácil para se perder.

Quíron então olhou Nicholas.

— Qual a maior dificuldade da missão?

— A saída, seria muito mais difícil, essas opções que temos para entrar, não podemos usar para sair. —Admitiu.

O chefe tomou um gole de água.

— Eu li com carinho tudo o que me mandaram, pensei em toda a sua história Nico, mas não precisei disso para me convencer, está ótimo. —Fechou a expressão. — Mas não estamos prontos, não temos materiais, nem conhecimento, nem potencia, nada que nos ajude a chegar lá, Saturno é um planeta perdido, não temos como chegar lá nas devidas circunstâncias, talvez daqui uns 30 anos já seja possível.

O homem suspirou e voltou a falar:

— Vamos arquivar a sua pesquisa.

Nico ficou bravo, nervoso, puto. Ele trabalhou longos anos em todas as descobertas para serem ignoradas. Ele saiu da sala, não disse mais nada.

— Nico?. —Thalia o chamou.

— Não quero falar, Grace. —Disse andando em passos rápidos sem rumo.

Ela puxou seu braço, fazendo-o parar e alcançando ele.

— Você tem que se acalmar. —Suspirou. — Ele apenas disse a verdade.

— A verdade doí então. —Chegou a conclusão sentando em um banquinho próximo aos dois. — Eu sou um fracasso.

Ela sentou ao seu lado.

— Não, você não é —Repreendeu-o. — Não estamos prontos para Saturno.

O Di Angelo deitou em seu colo, olhando para a mesma de baixo.

— Por que doí tanto?

— Porque foi algo pelo qual você lutou, e por ser algo no que acredita. —Respondeu, fazendo carinho em seus cabelos.

Os dois se encaravam e sabiam que sentiam a mesma coisa.

— Cara, eu nem te conheço a tanto tempo, mas você me faz tão bem. —Revelou o garoto, voltando a sentar.

— Você também me faz bem.

— Acho que talvez eu te ame.

— Eu também acho que talvez de amo, Di Angelo.

Os dois se encararam por alguns longos instantes,

— Não vai me beijar? —Ela bufou. — Acabamos de nos declarar um pro outro, siga roteiros.

— Não gosto.

— Ai, você é tão... —Ele beijou-a, calando-a de uma vez por todas, quer dizer, por minutos.

****

Quíron errou dizendo que daqui 30 anos talvez eles fossem para Saturno, foram exatos 36 anos de muito preparo, Thalia e Nico estavam assistindo televisão quando noticiaram a ida dos astronautas Thomas e Rebecca, os dois poderiam estar chateados, mas não estavam, sentiam orgulho da NASA em que trabalharam, a aposentadoria caía bem nos dois. O casal não podia reclamar, viveram aventuras juntos e separados, aproveitaram o suficiente a vida para se sentirem completos apenas com a presença um do outro.

Thalia fora sucedida em sua missão em outra galáxia, ela foi no grupo de primeiras pessoas a viajarem fora da Via Láctea e voltar para casa. Nico não ficou para traz, ele estudou o planeta anão Plutão e fez uma viagem até lá, com essa viagem, encontram-se coisas importantíssimas para a nova ciência que se formou.

Os dois não quiseram ter filhos, mas adotaram dois garotinhos, Edward e Leo, eles já estavam grandes o suficiente para tomarem suas decisões.

O pai de Nico, morreu 1 ano após o encontro dos dois, e Bianca finalmente encontrou alguém, um tal de Leo também.

Nico e Thalia proporcionaram um ao outro dias de alegria e amor, e foi assim até morrerem.



Notas finais
Olá, essa ideia me custou muito, eu tinha pensado em fazer algo um pouco mais engraçado, mas acabei resolvendo escrever desta maneira mesmo. 1º- Sei que está bem grande, mas a fanfic foi escrita assim, para não ter pausas e achei que preservaria sua essência se eu deixasse assim. 2º- Na sua listinha você tinha colocado uma musica que eu gosto muito que é Saturn, eu logo pensei em me inspirar nela, procurei interpretações da musica no site "songmeaning", onde cada um escreve o que entendeu, e todas as ideias que eu tive baseadas nessas interpretações acabavam de modo triste, e eu não queria te decepcionar. 3º- Me inspirei em um livro chamado "Entre as estrelas" da Katie Khan, ainda não terminei de ler o livro, mas é muito criativo e eu peguei muita ideia de lá. 4º- Quando eu terminei de escrever, vi que essa história se encaixaria muito mais em Leyna, como me era opção, mas resolvi deixar desse jeito mesmo. Espero que você tenha gostado amor, era para ser bem curtinha mesmo e simplificar o máximo que conseguisse e esse foi meu melhor, espero mesmo que tenha aproveitado, foi feita com muito carinho. Até mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.