Satisfaction
6 Capítulo 5 - Furiosamente Agradecida

Levy acordara próximo às onze horas. Poluchka havia ido lhe acordar, escancarando as cortinas do quarto e avisando que seu banho estava pronto.
Arrastando-se para fora da cama, Levy abriu a porta do banheiro de seu quarto, erguendo a camisola para entrar na banheira e se despiu completamente após estar com os joelhoa afundados na água quente da mesma.Havia acordado estranhamente disposta naquela manhã, tanto que, quando se lembrou que Gajeel a chamara para uma caminhada após o almoço concluiu seu banho com rapidez.
O vestido que se encontrava em cima de sua cama era amarelo alaranjado, havia uma faixa branca em seu busto com um laço branco, lhe cobrindo até os ombros e os braços. Nos pés colocara meias de lã e sapatos vermelhos confortáveis, penteando os cabelos e prendendo sua franja com uma faixa da mesma cor do vestido. Antes que se esquecesse, fizera sua higiene pessoal com um gargarejo de menta e mastigara algumas folhas de eucalipto.
Analisando-se de cima a baixo em seu espelho retangular, sorriu satisfeita e abriu a porta de seu quarto, pronta para descer as escadas, quando fora surpreendida por ninguém menos que Gajeel encostado ao corrimão, de braços cruzados.
— Bom dia, baixinha. — o mesmo sorrira de forma provocativa, sabendo que a garota não esperava encontrá-lo ali.
— P-por que você está aqui? — Levy perguntou quase gaguejando, virando o rosto corado para o lado. Esperava surpreendê-lo, não ser pega de surpresa.
— Sua mãe pediu que eu viesse para quando estivesse pronta para descer. Sua governanta estava ocupada com o almoço após ter vindo te acordar e a sra. McGarden estava mexendo com alguns papeis no gabinete que era de seu pai. — o moreno explicara, dando de ombros. Estava vestido como na noite anterior, com exceção do paletó.
— Entendo, o almoço já está servido? — a McGarden mais nova mudara rapidamente a natureza da conversa, evitando olhar Gajeel nos olhos. Manteve-se corada a conversação toda, aquilo estava embaraçoso.
— Sim, é um dos motivos para eu estar aqui. Apenas pare de me fazer falar demais e vamos antes que a comida esfrie. — o Redfox ralhou, emburrado, e estendeu sua mão esquerda para Levy, que colocara a sua direita sobre a palma da do moreno.
Enquanto desciam os degraus, a mais nova procurou prestar atenção na textura da mão de Gajeel. Pouco ásperas como um todo, calejadas nas pontas dos dedos e emanavam calor e segurança. Perguntou-se mentalmente o que fazia o Redfox ter suas mãos ásperas, afinal, apenas o trabalho de ferreiro surtia este efeito, pensara.
Chegaram à sala de jantar ainda de mãos dadas, o silêncio que prevalecia entre ambos não estava sendo desconfortável, surpreendentemente. Gajeel afastara a cadeira à esquerda da ponta, o mesmo lugar em que Levy sentara na noite passada e no qual se sentava naquele instante, e foi para o de frente a ela, começando a servir-se com os pratos feitos por Poluchka minutos atrás.
Para o almoço tinham peito de peru assado, um cozido de legumes (cenoura, milho e pepino) com batatas e arroz branco. Em Crocus, o peru era feito somente no natal e em datas festivas durante o inverno, porém, peru era uma ave bem valorizada e mais comum em Magnólia do que frango.
— Pode abusar desses legumes aí, mocinha. — enquanto mastigava uma das muitas garfadas que dera, Gajeel dissera como uma mãe que insiste para sua criança ser saudável. Aturdida, Levy terminou de se servir fazendo-lhe uma pergunta com os olhos. — Eles ajudam no controle da sua doença. — dera de ombros, simplesmente.
— Oh sim, e o que me diz deste tubérculo amarelinho, macio e delicioso? — Levy provocava, colocando lentamente um pedaço de batata na boca. Gajeel observava, perdido nos olhos da garota, mas após perceber a provocação voltou à pose turrona de sempre.
— Pois saiba que são prejudiciais à sua saúde, baixinha. — o moreno dissera, rígido, retirando as três batatas cozidas de tamanho médio do prato de Levy e deixando apenas aquela que comia antes.
— S-seu…! — Levy olhava indignada para seu prato, quase vazio depois que o convidado retirara as batatas.
— Antes que queira me insultar, a partir de hoje eu irei te ajudar a controlar sua doença. — começou, encarando-a por breves segundos. — Enquanto dormia, eu e sua mãe tivemos uma conversa, ela não tem objeções e qualquer desobediência sua pode levar ao internamento. — Gajeel anunciara, terminando de comer.
Por um lado, a azulada estava realmente feliz e agradecida por ser o moreno a ajudar a cuidar de si mesma a partir daquele dia, sabia que ele queria mantê-la bem, mas por outro, estava furiosa em ter alguém controlando, agora, sua alimentação.
— Não estava pensando em te insultar, só foi… Inesperado. — Levy suspirou, encarando o próprio prato, agora vazio.
— Se for uma boa garota pode durar mais de dez anos comigo, agora, se quiser sair da linha, como aqueles médicos são loucos, duraria no máximo três anos. — o Redfox dera de ombros, às vezes ele era muito confiante de si.
— Convencido você, não? — Levy sorrira de forma meio torta.
— Talvez, só entenda que não sou o tipo de homem que comete o mesmo erro duas vezes, Levy. — a azulada arrepiou-se ao ouvir seu nome ser proferido por aquela voz a qual se apegara, que mal notou quando o dono da mesma retirava seus pratos da mesa e se dirigia para a cozinha, voltando rapidamente em seguida.
— Isso quer dizer que nunca mais vou poder comer pudim? — a McGarden mais nova perguntara-se em voz alta, quase num lamento.
Ao ver os olhos quase suplicantes e o tom infantil de Levy, Gajeel não pôde deixar de rir.
— Algumas vezes, baixinha, algumas vezes.
—x-
O jardim dos McGarden era extenso para uma casa moderna e se encontrava aos fundos da residência. Possuía corredores de cercas vivas com cerca de um metro e meio, alguns bancos de mármore espalhados em alguns corredores e um coreto do mesmo material ao seu centro.
Gajeel e Levy caminhavam sem rumo por entre os corredores, o sol não estava tão forte e o clima era de um calor agradável misto de uma brisa fria. Durante o caminho ambos jogavam conversa fora, ou melhor, a azulada tagarelava sem parar e vez ou outra o moreno lhe respondia com respostas monossilábicas, já que a garota não lhe dava quase que nenhum espaço para falar.
De certa forma, o fato de ela estar falando bastante e estar empolgada não incomodava o Redfox, quando a conhecera a McGarden estava prestes a se suicidar, e ao que sua mãe dissera, estava voltando ao comportamento de antes.
— Meus pés estão doendo... — Levy reclamara, após os longos sessenta minutos de caminhada. Agradeceu mentalmente por ter passado todo o percurso enganchada no braço direito de Gajeel para lhe sustentar.
— Voltemos, então. — o mesmo sugerira, virando bruscamente e quase fazendo a azulada cair.
— Ei! — após encontrar o equilíbrio novamente, apontou para um banco próximo de mármore e sentaram-se ali.
Assim que se acomodaram um ao lado do outro, Levy tirou seus sapatos e ficou descansando os pés, cobertos pela meia de lã, na grama seca.
— Sobre a sua carta, agora podemos conversar melhor. — Gajeel se pronunciara após alguns minutos, sem olhá-la. As coisas estavam indo tão bem que a McGarden mais nova até esquecera da mesma.
— Existe mesmo algum meio de adiar isso legalmente?
— Legalmente, apenas se houver uma boa justificativa. E por boa justificativa entende-se algo criminal. É aí que eu entro com meus serviços. — o Redfox mantinha a postura relaxada, apoiando os cotovelos nos joelhos, encarando o nada.
— Eu entendo, mas...
— Mas? — arqueou uma sobrancelha e virou-se para Levy.
— Como irei lhe pagar? Estamos quase falidas, a única coisa que pode nos tirar disso tudo é o-
A azulada começara com uma voz chorosa e de cabeça baixa, mas fora interrompida por uma mão do moreno na sua bochecha.
— Não se preocupe com isso.
— Eu não estou sendo egoísta? Pensando somente na minha vontade e deixando minha mãe-
— Levy! — Gajeel segurara o rosto da garota com as duas mãos, o mesmo estava inundado por lágrimas quentes. — Nós dois temos consciência que mesmo que você não se case com o filho dos Cheney, sua mãe não vai ficar desamparada. O que sobrou a vocês é o suficiente para viverem até o fim dos seus dias, mas a sua mãe quer luxo e status, por isso está te usando e você sabe disso. Nunca pense ao contrário.
As palavras duras, porém sinceras de Gajeel trouxeram Levy de volta a realidade. Ela não estava sendo uma má filha, apenas não gostaria de sucumbir à ambição e ganância de sua mãe, e isto era normal, afinal, ela que estaria sendo posta na mesa.
Enquanto as lágrimas secavam, a mais nova colocara as pequenas mãos sobre as do Redfox e fechara os olhos, aninhando seu rosto, de olhos fechados, em suas palmas quentes.
— Obrigada. — ainda de olhos fechados, sorrira sem encará-lo.
Ver o efeito que estava fazendo sobre a baixinha deixava Gajeel um tanto... extasiado. Sentia coisas estranhas quando estava com ela, e sabia muito bem do que se tratavam. Porém, enquanto ela estava prometida a outro — mesmo contra sua vontade — manter-se-ia em seu lugar.
— Bem, já passamos algum tempo aqui e tenho de voltar para minha casa. Passei quase dois dias, improdutivo. — Gajeel dissera, levantando-se, seguido de Levy, que já não entendia mais nada.
O moreno estralara as costas e estava pronto para estender o braço à azulada, quando olhou para trás e viu a mesma de cabeça baixa, com seu ar tristonho novamente.
— O que aconteceu? — perguntou, sem se aproximar.
— Eu fiz… algo errado? — a voz de Levy saiu quase num sussurro.
Aquela pergunta pegara Gajeel com a guarda baixa, atingindo-o de forma certeira no peito. Quem ele queria enganar? Era um homem e a garota uma adolescente, não eram muitos os anos que os separavam, mas não podia tratá-la de formas distintas de modo tão repentino sem machucá-la.
— Levy… — suspirou, enquanto dava os poucos passos para ficar de frente à McGarden. — Olhe para mim. — pediu, numa ordem.
A garota balançara a cabeça negativamente, segurando firmemente a saia do vestido até os nós dos seus dedos ficarem brancos.
— Eu não estou bravo com você, olhe para mim. — mais uma vez Gajeel mandou, ela parecia o testar.
Recebendo mais uma resposta negativa com a cabeça, tomou o rosto de Levy com ambas as mãos, fazendo-a olhá-lo e, num momento de adrenalina, selou seus lábios com os dela.
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