Satisfaction
20 Capítulo 17 - Visita a negócios
Notas iniciais

Após poucas horas desde a “invasão” de Gajeel aos aposentos de Levy, ambos estavam nus, suados e cansados, deitados sobre a cama – com cobertas, agora, amassadas – da mesma.
— Eu te amo. — Levy dissera em seu tom doce, apoiando-se no peito do moreno para melhor olhá-lo. Num primeiro momento, pegara-o de surpresa por suas palavras.
— Eu também, baixinha. — Gajeel lhe respondera com uma expressão terna, diferente da que ele mantinha usualmente, acariciando o rosto da garota com uma das mãos, enquanto a outra repousava nas costas da mesma.
— Não queria que tivesse de ir embora. — a McGarden disse, manhosa, deitando sobre o braço do Redfox enquanto o mesmo a envolvia num abraço.
— Não queria ter de ir, mas preciso. — ao dizê-lo, dera um beijo na testa da mais nova. — Amanhã ficarei com você o dia todo, qual o problema em me largar agora?
— Não ficaremos, você sabe… — Levy corara, abaixando o olhar. — Desta forma.
— Se nada der certo, até sua cerimônia, nunca mais ficaremos. — Gajeel refletira, com o olhar perdido numa parede do cômodo.
— Não diga isso, se nada der certo, eu direi não perante todos naquele altar. — a azulada ficara emburrada em reprovação ao comentário do moreno, que rira e afagara-lhe os fios azuis suados e bagunçados.
— Fico extremamente lisonjeado em ser o motivo do “não” definitivo de Levy McGarden, mas sua mãe nunca mais lhe daria descanso, apenas deixe-se levar e confie em mim. Acredite, Rogue também não quer dizer sim.
O comentário do Redfox intrigara a McGarden, e, consequentemente, fizera-o contar a pequena sobre a conversa que tivera com o primogênito dos Cheney enquanto a mesma estava desacordada. De tudo o que o moreno lhe contara, a frase “eu também tenho alguém importante” ficou pairando em sua mente. Possuía grandes suspeitas de quem poderia ser, mas esperaria o personagem em si entrar em cena, o que, talvez, não fosse demorar tanto, com seu casamento tão próximo.
A despedida do casal fora um tanto demorada, ambos não queriam separar-se, mas os problemas seriam grandes e duradouros demais por apenas algumas horas a mais juntos. Por fim, Gajeel voltara pelo lugar que viera e Levy trancara sua janela, indo logo em seguida para o banheiro tomar um novo banho, mesmo que a água de seu banho anterior estivesse já fria.
Devidamente limpa, seca e vestida, a azulada deitou-se embaixo das cobertas e procurou aproveitar ao máximo sua – um tanto curta – noite de sono.
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Pela manhã, Lucy acordara e, após fazer sua higiene matinal e trocar-se, decidiu ir pessoalmente acordar a amiga. Sabe-se Deus como a garota estaria após a visita de Gajeel, se fosse para alguém encontrá-la nua numa cama que fosse a loira e não uma criada, ou pior, a própria Elevínia.
Atravessando os poucos corredores que distanciavam seu quarto da garota, pôde encontrar o Redfox conversando com outro homem. Pareciam amigos de longa data, e, quando prestou mais atenção, pôde ver que se tratava do duque Dragneel, com quem dançara na tarde passada. Decidiu passar reto pelos homens, obrigando seu coração a parar de bater tão rápido diante da presença do rosado.
Finalmente chegando à porta do quarto da azulada, entrara sem bater à porta, encontrando a mesma já acordada e vestida, arrumando a própria cama.
— L-levy?! — a Heartphilia não pôde deixar de mostrar a surpresa.
— Oh, bom dia, Lucy. — a McGarden sorrira de forma amável, acabando de colocar a colcha branca de bordados sobre as cobertas agora esticadas.
— E-eu pensei que ainda estaria dormindo, por isso quis vir acordá-la. — Lucy corou um pouco pelo seu embaraço, esperava encontrar a amiga numa forma diferente da qual a mesma estava.
— Ah sim, bem, acabei acordando mais cedo e já pedi para uma criada preparar um banho para mim. — percebendo que Levy não tinha consciência de que a loira viera lhe procurar pela madrugada, decidira contar sobre sua visita, que fora interrompida pela do moreno.
— Oh céus, então você ouviu alguma coisa. — afundando-se numa das cadeiras do cômodo, a azulada cobrira o rosto com ambas as mãos, ruborizada.
— N-não, Levy! Eu só ouvi vocês falando algo, estavam sussurrando, se estivessem… Você sabe. — fora a vez da loira ruborizar. — Eu teria dito, mas não, não pude ouvir nada.
— Menos mal… Eu estou ficando louca.
— Diria apenas que está apaixonada. — a Heartphilia rira, sentando-se na beirada da cama.
— E como estou. — Levy rira, já havia tirado as mãos de seu rosto. — Gajeel me disse que conversou com Rogue ontem, enquanto eu estava desmaiada.
— Sério? Achei que eles estavam prestes a duelar por sua causa! — Lucy se espantara, inclinando mais o tronco em direção a amiga em sinal de interesse.
— Bem, Rogue e eu nunca tivemos sentimentos românticos em relação um ao outro, mesmo que tenhamos sido amigos de infância. E… Bem, pelo que Gajeel dissera, ele também tem alguém do qual não quer abrir mão. Trocando em miúdos, Rogue também tem uma amante. — a McGarden afirmara, ainda pensando nas teorias de quem seria.
— Rogue e uma garota? Somente uma? Achei que o rapaz fosse um boêmio daqueles, lembro-me de meu pai reclamar de uma briga que houve após uma festa num bordel ao lado de casa, Rogue Cheney estava envolvido.
— E ele era, viveu quatro anos em Crocus, inicialmente para cursar Direito, mas abandonou a faculdade no segundo ano e desde então usou a mesada que o sr. Reywards lhe mandava para festar.
— Está insinuando que nestes quatro anos ele deve ter se afeiçoado a alguém?
— Provavelmente, é a única resposta que encontro a tal afirmação. E quero descobrir quem é a garota mais para deixar minha consciência tranquila do que para outra coisa.
— Bem, de qualquer forma acho melhor sairmos para o café da manhã, algo me diz que teremos compromissos… — a loira cruzara os braços, pensativa.
— Certo, certo, mas depois você irá me contar sobre o homem com o qual estava dançando toda feliz ontem, Lucy Heartphilia. — Levy provocara a amiga, puxando-a pela mão para fora de seu aposento.
Ambas as garotas seguiram pela residência Cheney até chegar à sala de jantar, a qual sempre era usada para as três refeições do dia. A mesa estava posta para oito pessoas, causando estranhamento nas duas, afinal, com Gajeel, eles eram ao todo sete. Assumindo seus respectivos lugares – damas ao lado esquerdo e cavalheiros ao lado esquerdo, com exceção dos anfitriões, que ocupavam a ponta da mesa, foi-se então constatado de que o oitavo lugar pertencia ao duque Dragneel.
Coincidentemente, o homem de cabelos rosados e cachecol branco encontrava-se em frente a filha do Conde Heartphilia, dirigindo um olhar familiar e curioso a seu respeito enquanto sentava-se. Rogue sentou-se em frente a mãe e, por fim, Gajeel em frente a Levy. Dois empregados terminavam de colocar as comidas a mesa e logo os hóspedes e o convidado começaram a servir-se.
— Creio que Elevínia e Levy ainda não conhecem o duque Dragneel, querido. — Jenna pronunciara-se enquanto passava geleia de amora numa torrada, do outro lado da mesa.
— Oh, sim, que falta de decoro da minha parte. Este é Natsu Dragneel, herdeiro do falecido duque Igneel, ele estava presente no almoço de noivado ontem. — Reywards apresentara o rapaz.
— Confesso que gostaria de minha visita ser por motivos pessoais, mas infelizmente estou aqui a trabalho. — a voz do homem chamado Natsu era jovial e leve.
— Trabalho? — Levy perguntara um tanto perplexa, enquanto comia a maçã que Gajeel cortara em pedaços para si. Aquilo já havia se tornado um hábito e gostava de tal gesto por parte do moreno.
— Como o noivado de vocês já foi oficialmente anunciado, e a cerimônia será daqui, aproximadamente, três semanas e meia, precisamos providenciar seus trajes, não? — o Dragneel perguntara solicitamente, provavelmente ainda não sabendo da história por trás de toda aquela farsa.
— Oh, sim… — desanimada, a azulada assentira, procurando esconder seu atordoamento em ter tais coisas preparadas assim, tão de repente.
— Não sabia que Natsu havia virado casamenteiro. — Rogue zombou, levando um chute por baixo da mesa de sua mãe.
— Na verdade o sr. Dragneel herdou, junto com o título do pai, a alfaiataria de sua também falecida mãe. — Reywards explicara brevemente.
— Quer dizer que a Alfaiataria Roseneel é sua?! — fora a vez de Lucy pronunciar-se, estupefata.
— Sim… Por que? — o rosado estranhara a reação da loira a sua frente.
— Todos os meus vestidos foram confeccionados na filial de Crocus. Inclusive este que estou usando. — os olhos castanhos da Heartphilia brilhavam, mal acreditava que conheceria, um dia, o duque Dragneel. Na tarde passada ambos eram anônimos um ao outro.
— Reconheci o que estava usando na tarde passada, realmente, é um modelo que valoriza bem suas curvas. — a garota corara a sua frente com o elogio, arrancando pequenos risos de si. — Para ser sincero, a responsável pelos croquis de todas as roupas que disponibilizo e feitas por encomenda é Lisanna Strauss, minha prima em terceiro grau.
Voltando aos dias em que passara na casa de Gajeel, Levy lembrara-se de uma de suas conversas com Mirajane. A albina contara que tinha dois irmãos mais novos, a mais nova, no entanto, trabalhava como costureira e alfaiate para um duque, porém a mesma não havia especificado. O moreno havia lhe contado como encontrara a Strauss mais velha e assim a acolhera em sua casa, mas, se tinha um parente rico, por que ela não recorreu a ele? Deixando suas teorias para mais tarde, a McGarden voltara a prestar atenção na conversa.
— Após o almoço partiremos para a alfaiataria, pressuponho que sra. Elevínia e Gajeel queiram nos acompanhar. — Natsu bateu uma única palma, finalizando sua pequena refeição.
— Oh, claro, adoraria acompanhar a confecção do vestido de noiva de minha filha. É um momento único para uma mãe. — a mulher dissera, emocionada. Realmente, era um momento único usar a única filha para nadar em dinheiro, Lucy pensara, revirando os olhos. Sempre gostara da McGarden mais velha, mas nos últimos tempos a mesma estava ultrapassando os limites.
— Se me permite, como amiga e madrinha, gostaria de ir.
— Oh, é mesmo, esquecemos de informar-lhe sobre o traje da madrinha que Levy escolhera, sr. Dragneel. — Jenna acrescentara, enquanto tomava seu chá extremamente adoçado.
— Sem problemas, com certeza há espaço na carruagem para uma dama tão formosa. — Natsu comentara com um ar galanteador. Mais uma vez Lucy havia corado, porém havia ficado feliz em ser elogiada pela segunda vez pelo duque. Lembrando-se da tarde anterior, ambos conversavam sobre trivialidades que não davam margem para galanteios, ou, ao menos, nada que ela tenha percebido.
Ao concluírem a primeira refeição do dia, aos poucos todos começavam a retirar-se do cômodo, ficando apenas Gajeel e o rosado, que já haviam levantado de seus lugares.
— Guarde os elogios para mais tarde, todos já entendemos que gostou da Heartphilia. — o moreno comentara com certa irritação, o amigo parecia um bobo sempre que encontrava uma mulher de boa aparência e sorriso encantador.
— Sabe do meu gosto por apreciar e elogiar moças bonitas, mas ela… Ah, Gajeel, essa garota… — o Dragneel suspirara, com um ar apaixonado.
— Vocês mal trocaram quatro frases! — o Redfox indignara-se.
— Na verdade, meu caro Gajeel, dançamos a tarde toda por aquele jardim. — ao dizer tal frase, Natsu puxara o amigo para dançarem no local, encenando a posição em que a loira e o rapaz estavam. — Ela estava radiante, não pude conter o ímpeto de chamá-la para cruzar seus passos com os meus.
— Entendo, mas o fato de terem dançado não significa que tenham se conhecido. — terminando a frase, Gajeel obrigara-se a rodar e voltar para Natsu. Apesar de achar algo degradante, havia-se acostumado.
— Eu confesso, ainda não sei o nome dela, mas para aqueles que conhecem o amor, nomes não são necessários. — Natsu parara a dança com o amigo, parecia que sua cabeça encontrava-se nas nuvens.
— Eis uma bomba, ela é a filha do Conde Heartphilia, Lucy.
— C-como?! — aquilo realmente caíra como uma bomba sobre a cabeça do jovem duque.
— Exatamente isso que você ouviu, será mais difícil do que pensara. — o Redfox provocara, dando uma piscada para o amigo, que ainda estava atônito.
— Céus, essa mulher acabou se tornando um desafio maior do que eu esperava. — o rosado dissera, alheio à provocação anterior do moreno. — Mas não vejo problema algum nisso! Eu irei conquistá-la, Lucy Heartphilia, e irei torná-la minha esposa!
— Isso, fale mais alto para todos ouvirem. — Gajeel revirara os olhos, puxando Natsu pelo braço para fora do cômodo. — Quero mostrar-lhe a pequena biblioteca da casa, precisa se distrair antes que parta para cima da garota e acabe assustando-a com seus galanteios.
— Diz isso porque nenhuma garota ainda aproximou-se deste seu coração de ferro, meu amigo!
— É também sobre isso que quero conversar com você, apenas espero que contenha-se e não conte para ninguém sobre isso.
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Lucy e Levy encontravam-se sentadas sob uma árvore no jardim dos fundos, comendo algumas frutas que sobraram do café da manhã. A azulada procurara ser sucinta sobre a noite passada na qual o moreno invadira seu quarto, mas fora o suficiente para fazer a loira alegrar-se e excitar-se por mais detalhes.
— Já contei ate demais, não fuja do tema que diz respeito a você e o duque, Lucy.
— Ah, Levy… Eu confesso que ontem tive uma certa afeição por ele enquanto dançávamos, mas agora que soube que ele é um dos responsáveis pelas minhas roupas preferidas, estou nas nuvens. — a Heartphilia confessara, jogando-se sobre a grama.
— Mas, meu Deus, Lucy! Mal conhece o rapaz e já está apaixonada?
— Grande moral você tem para dizer isto, srta. McGarden. — Lucy provocara, fazendo a garota corar.
— Pelo menos eu e o Gajeel convivemos por mais de uma semana, e já havíamos nos conhecido do Phantom Lord, não faz nem vinte e quatro horas que você e o duque Dragneel se conhecem! Aliás, vocês sequer sabiam o nome um do outro. — a McGarden contestara.
— Ah, Levy… Para aqueles que conhecem o amor, nomes não são necessários. — a loira suspirara, com os olhos brilhando. — Aliás, hoje tive conhecimento de seu nome.
— Você e todos. — a amiga rira, sendo empurrada pelo joelho da outra.
— De qualquer forma, confesso que estou interessada no duque Dragneel, mas não pelo fato de ele ser um duque. Meu pai é um conde, mesmo que ele fosse um plebeu qualquer eu teria gostado dele.
— Sei que isso não importa, você nunca se aproximou das pessoas por interesse. Apenas espero que contenha-se e não saia aos beijos com ele antes de uma semana. — a azulada provocara, agora ambas estavam rindo.
— Como se fosse eu a ter comportamento leviano por aqui. — Lucy rebatera, levantando-se com a ajuda de Levy. — Creio que, apesar de tudo, iremos nos divertir na alfaiataria.
— Sabe como detesto tirar medidas e provar roupas, mas você estará comigo para fazer comentários desagradáveis sobre tudo. — a pequena suspirara, sorrindo nostálgica para a Heartphilia.
— Sempre, afinal, sabe como detesto ver sua cara fechada enquanto prova roupas que a própria princesa de Crocus invejaria! — a loira rira.
— Bem, creio que já podemos ir para entro, provavelmente servirão o almoço dentro de uma hora.
— Ótima ideia, quero que você me ajude a escolher uma roupa adequada a ocasião! — Lucy animara-se, arrastando a amiga pelo braço residência a dentro.
— Mas Lucy, não faz nem uma hora que você está com este vestido!
— Não é o bastante, preciso de algo melhor e você que vai me ajudar a escolher!
Dito isto, as duas amigas trancaram-se no quarto da loira e lá ficaram por longos cinquenta minutos escolhendo um dentre os cem vestidos da nobre.
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