Satisfaction
10 Capítulo 9 - "Bons Costumes"

A mais nova checara se o Redfox ainda dormia. Vendo que sim – e que, inclusive, o mesmo tinha um travesseiro sobre sua cabeça, caminhou a passos rápidos em direção ao guarda-roupa do moreno, afinal, ouvira Mirajane dizer que colocara suas roupas em uma gaveta vaga e utilizara alguns cabides.
Depois de abrir as seis gavetas e encontrar diversas peças de roupa – exceto as suas, Levy se arriscou a procurar na cômoda em frente a lateral esquerda da cama. Seu corpo já estava seco, então estava tendo certa dificuldade em manter a toalha presa ao seu corpo.
Na terceira gaveta a McGarden já estava se desiludindo, quando, na última gaveta, encontrara suas roupas de baixo, camisolas e meias, impecavelmente dobrados. A Strauss realmente era uma ótima governanta.
Por baixo da toalha ao redor de si, vestira suas calçolas, se desfazendo por um momento do tecido para vestir uma blusa de alças – apesar de estar em outra casa como hóspede, julgava desnecessário colocar um espartilho àquela hora da noite. Seu coração batia forte, mesmo de costas para Gajeel sentia que o mesmo a estava olhando. Procurando evitar a confirmação de sua sensação, baixou a cabeça e iria em direção ao guarda-roupa novamente, se braços fortes não a tivessem puxado.
—x-
Ele estava ficando louco.
Além de louco, estava ficando irresponsável, abusado, invasivo, pedófilo – afinal, quantos anos aquela garota tinha? – e uma sorte de outros adjetivos que o próprio Redfox se aplicava. Aonde estava com a cabeça ao encarar, sem pudor algum, sua hóspede vestindo suas roupas de baixo, e logo em seguida jogá-la em sua cama e colocar-se por cima da mesma?
Gajeel Redfox já fizera muitas coisas com – não muitas – mulheres, mas atacar uma se vestindo, quando não tinham sequer se beijado, era novidade. Mas bem, para tudo existia uma primeira vez.
Levy mantinha os olhos levemente arregalados pela surpresa, o rosto corado, o peito subindo e descendo. Os cabelos úmidos espalhavam-se no travesseiro e em seu rosto, suas mãos encontravam-se acima de sua cabeça, tendo os pulsos segurados pelo moreno. Mal ele desconfiava de que mexia com a azulada da mesma forma que ela mexia consigo, ambos sentiam seu interior queimar com o contato, mesmo feito através de roupas.
Nenhum dos dois sabia o que fariam após se encararem, olho a olho, por tempo indeterminado. De qualquer forma, não tiveram muito tempo para pensar.
— Mas o que vocês estão fazendo?! – uma certa albina escancarara a porta do quarto do patrão, carregando um cesto de palha trançada cheio de camisas e calças dobradas.
A McGarden, que até então tivera reações normais até demais para a abordagem repentina, ficara extremamente vermelha e sentara, encolhendo-se, escondendo o rosto na curvatura do pescoço de Gajeel. O mesmo sentara-se também, colocando os braços de forma protetora ao redor da baixinha. Como se Mirajane oferecesse perigo algum, pensou.
— Precisava assustá-la deste jeito?! – o moreno gritara.
— E eu lá ia adivinhar que vocês estavam fazendo sabe-se Deus o quê?! — Mirajane gritara de volta, deixando cair o cesto ao gesticular, incrédula. Agradeceu aos céus as roupas não terem se espalhado pelo chão quando o cesto caiu, logo pegando-o de volta.
— Não estava acontecendo nada aqui, mas portas existem para serem batidas! – Gajeel dissera, ainda irritado, mas sem gritar. Levy estava muito próxima de si, uma alteração em sua voz podia machucar seus ouvidos.
— Que seja. – a Strauss dera de ombros. – Ajude Levy a se vestir e desçam para o jantar, a mesa está posta e a comida, quente. Preciso guardar estas suas roupas que acabei de passar. – a moça dissera, séria. Momentos depois certificou-se de que somente o patrão a olhava, para lhe dirigir uma piscadela e um sorriso malicioso.
Se a albina não fosse mulher ou não fosse como um membro importante da família para o Redfox, àquela altura estariam rolando no chão trocando chutes e socos – assim como fizera com o primo Fullbuster várias vezes. Por um lado achava que ter a cabeça quente e gostar de resolver boa parte dos problemas com violência era prejudicial, porém, por outro, amava a adrenalina que aquilo lhe proporcionava.
A jovem governanta abriu uma outra porta no cômodo, até então despercebida por Levy. Tratava-se de um pequeno closet, o qual julgou ser para trajes de eventos e festas.
Aproveitando a ausência de Mirajane, Gajeel levantara-se rapidamente, deixando a baixinha um pouco aturdida por ser largada de forma tão brusca. Caminhando até seu guarda-roupa, abriu cada porta das seis até encontrar a qual se encontrava os vestidos de Levy. Batendo os olhos nos mesmos somente pela cor, tirara um de tom arroxeado e jogara para a mesma em sua cama, sem virar-se para olhá-la. Não queria que ela o visse corado, seria vergonhoso para seu orgulho.
Enquanto desabotoava sua camisa, a azulada vestia-se, um pouco confusa com tudo. O Redfox lhe olhara por alguns segundos e percebera seu olhar, amaldiçoando-se novamente por ter agido de forma tão repentina com a garota novamente. A última coisa que queria era fazê-la sentir-se rejeitada, dessa forma ela acabaria por se afastar e tornaria o caminho de volta quase impossível por ter sido magoada uma vez.
— Gajeel? – Levy o chamou, com a voz baixa. Por um momento pareceu ter esquecido sobre o ocorrido de minutos antes.
— Sim? – engoliu a saliva, pendurando a camisa branca usada naquele dia num cabide, pegando um suéter preto e uma camisa limpa.
— Pode abotoar o meu vestido, por favor? — pedira, com a voz um tanto manhosa. Na verdade, o moreno acreditava que não era manha, e sim uma mágoa que estava surgindo e sem motivo.
— C-claro, só um instante. – Gajeel jogara o suéter na cama, colocando a camisa sem abotoá-la e aproximando-se da McGarden.
A garota se encolhera por um momento ao sentir os dedos quentes irem de encontro a sua pele enquanto fechava, minuciosamente, botão por botão.
— O que aconteceu? – a azulada perguntara, sem se virar, adquirindo o rubor nas bochechas novamente. O silêncio do moreno denunciava que entendera ao que se referia.
— Não é “o que aconteceu”. – disse, firmemente, e Levy virou-se rapidamente, encarando-o com lágrimas crescentes e uma expressão de indignação, com uma mão pronta para dar-lhe um tapa na cara. Porém, o Redfox foi mais rápido e segurou seu pulso, enlaçando sua cintura com outro braço, puxando-a contra si enquanto a olhava nos olhos. – É o que deveria ter acontecido.
A McGarden não teve muito tempo para perguntar-se o que Gajeel quisera dizer com aquela frase, pois o mesmo já estava com os lábios sobre os seus, logo pedindo passagem para sua língua, que foi bem recebida pela da azulada. Não era um beijo terno, não era um beijo delicado. Ali continha toda a paixão e luxúria que ambos procuravam conter por conta do maldito decoro e bons costumes da época.
As mãos da baixinha enterravam-se na nuca do moreno, puxando seus cabelos para juntar suas bocas ainda mais, enquanto procurava colar mais seu pequeno corpo ao dele, sendo ajudada pelas suas mãos firmes, que passeavam desde sua nuca até seu quadril, apertando suas nádegas com força e a fazendo soltar gemidos contidos.
Levy se sentia cada vez mais insaciada, descendo seus braços para abraçar Gajeel por dentro de sua camisa, arranhando suas costas e satisfazendo-se com a respiração ofegante e os rosnados baixos proferidos pelo mesmo. Sentira suas costas bater de encontro à parede, permitindo que seus corpos se pressionassem cada vez mais um contra o outro.
Mal lembravam-se de que a Strauss ainda se fazia presente no cômodo, mas, para Gajeel, se ela tivesse bom senso, veria o que estava acontecendo ali e se afastaria, o que, obviamente, não foi o que aconteceu.
— Eu sinceramente não queria interromper este momento tão íntimo de vocês, mas eu não passei as últimas duas horas cozinhando pro Lily. – a McGarden e o Redfox se afastaram, descabelados, ofegantes, pouco suados e com os lábios inchados. Mirajane rira ao ver o estado de ambos. – Vou deixar vocês se recomporem, qualquer coisa, como sei que não vão precisar de mim, estarei em meu quarto.
Dito isso a albina se retirara, saltitante, com um sorriso preenchendo os lábios.
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