Satisfaction
8 Capítulo 7 - Bem-vindo de volta

Mirajane mantinha-se ocupada polindo, com uma pequena flanela, a mobília do hall e da sala de estar, que ocupavam um único e grande cômodo. Seu jovem patrão havia saído de casa de manhã cedo, era sexta-feira e precisava comparecer ao escritório de advocacia, que possuía com um primo, no centro de Magnólia. Tinha de estar lá ao menos três dias por semana, e hoje era um desses dias.
As tardes eram um tanto solitárias para a albina quando Gajeel precisava trabalhar fora de casa. Afinal, quando ele estava em seu gabinete, ela precisava receber, fazer sala e quitutes para os vários homens de negócios que vinham visitá-los, nas curtas estadias de – no máximo – quinze minutos.
A pantera macho, Pantherlily, selecionava aqueles que podiam se exceder em sua visita e os que não, o que fazia a Strauss e o dono da casa ficarem, na maior parte do tempo, sozinhos com o felino, que passava suas tardes apenas dormindo no tapete felpudo da sala.
— Bem que você podia ser mais simpático. — Mirajane murmurou ao passar por Lily, que fingira não ter percebido o comentário.
A governanta estava prestes a começar a polir a escultura de dragão de mármore – a preferida do Redfox, pois era a única lembrança de seu pai desaparecido, Metallicana – quando se espantara ao ouvir o som da campainha.
Dando graças aos céus por não ter se desequilibrado da banqueta em que estava e tombado sobre a estátua, ajeitou sua roupa e os cabelos com as mãos, queria estar apresentável para quem quer que fosse em frente àquela porta.
— Pois não? — a albina perguntou, solícita e com um sorriso genérico, até por seus olhos numa pequena figura de cabelos azuis e olhos castanhos. — Levy?
— Como sabe meu nome? — a garota espantou-se, erguendo um pouco a cabeça e encarando a moça dos olhos cinzentos e cabelos brancos. Aquela deveria ser a governanta que Gajeel se referira na carta que recebera na noite anterior, mas não esperava que a mesma fosse apenas alguns anos mais velhos que si.
— Gajeel me falou sobre você, mas não esperava que viesse hoje. — a Strauss dissera, abrindo um largo sorriso em seguida. Era uma bela mulher. — Vamos, entre! Deixe-me segurar sua maleta.
Dito isso, Mirajane empurrou Levy delicadamente para dentro, fechando a porta atrás de si. O fato de receber uma visita naquela tarde já a deixara animada, mas receber a pretendente de seu patrão, a deixara eufórica.
— Lily! Temos visita, e ela ficará por aqui alguns dias, então venha cheirá-la antes que tenha que te prender! — Mirajane gritara e o grande felino levantou-se de trás de uma estante. Parecia estar irritado por terem-no acordado de sua soneca.
A McGarden se espantara ao ver aquela fera caminhar, tranquilamente, em sua direção e da albina, que aguardava de braços cruzados e não aparentava medo algum. Medrosa como era, tratou de se esconder atrás de Mirajane.
— Gajeel disse que tinha um gato. — a azulada murmurou, mais para si mesma que para a outra ouvi-la.
— Lily não é arisco ou agressivo, na maior parte do tempo realmente parece um gatinho doméstico. — Mira sorriu, agachando-se para acariciar a fuça do felino de pelos negros. – Aproxime-se, Levy. Ele precisa conhecer seu cheiro.
Mesmo um pouco receosa e trêmula, a menina saiu de trás da albina e esperou, pacientemente, a pantera lhe cheirar as mãos e roupa. Lembrou-se de que estava com o vestido amarelo do dia em que ela e Gajeel caminharam pelo jardim de sua casa, agradecendo mentalmente por não ter sido lavado de novo e por conter o cheiro do Redfox no mesmo.
Arrepiou-se quando o felino se afastou, Mirajane observava a tudo calma até demais. Esperando, talvez, uma tentativa de ataque, Levy se surpreendeu ao sentir Lily se enroscando em suas pernas e ronronando, fazendo-a perder o equilíbrio e cair no chão.
— Ah, ele gostou de você! – a Strauss sorrira de orelha a orelha, unindo as mãos. – Fique à vontade, querida, vou buscar alguma coisa para comermos!
—x-
No escritório “Redfox & Fullbuster Associados”, Gajeel tamborilava os dedos em sua mesa de carvalho, repousando a cabeça na mão livre. Àquela hora Levy já devia estar em sua casa, e isso o deixava ansioso até demais.
— Gajeel! – um rapaz de cabelos pretos gritara pela terceira vez, atraindo a atenção do primo.
— Que, o que foi, Gray? — o Redfox saiu de seus pensamentos, voltando à costumeira carranca.
— Estamos com um processo importante e você aí comendo mosca! Sabe o quanto que desgraçado do Gildartz vai nos pagar para-
— Eu sei, eu sei. — o moreno interrompera o chamado Gray. Encarou o relógio na parede atrás de si e viu que estava perto das dezoito horas. — Eu farei hora extra na segunda, mas, por ora, vou para casa.
— Você está estranho desde o baile do Conde Heartphilia. — Gray observara enquanto vestia sua camisa branca novamente. O primo mais novo tinha o péssimo hábito de ficar seminu – ou até mesmo nu – e como era proibido se expor em público, Gajeel não se incomodava que o Fullbuster o fizesse quando estavam a sós no escritório.
— Impressão sua, não tenho nada com a pirralha McGarden. – o Redfox rosnara, ainda de costas para o rapaz, ajeitando seu paletó.
— Mas eu sequer a mencionei, Gajeel. — Gray dera um sorriso vitorioso. Afinal, conseguira arrancar algo do mais velho.
— Ora, seu… – Gajeel pegara o outro pela gola da camisa, levantando um braço e preparando um soco para o mesmo.
— Rapazes, Juvia chegou! – ouviram uma voz jovial feminina se aproximar. O moreno desfizera o soco que havia preparado para o primo, e ao soltá-lo, a esposa do mesmo, Juvia, havia adentrado o cômodo.
— Amor! – o olhar do Fullbuster se iluminou, indo abraçar a esposa, aliviado pela mesma tê-lo livrado de uma briga com o moreno. O medo não era de apanhar, mas quando ambos brigavam, o prejuízo em suas roupas tirava Juvia do sério.
— Calma, Juvia está aqui. – a bela mulher disse, manhosa, acariciando os cabelos arrepiados e pretos do marido. – Ah, boa noite, Gajeel! – cumprimentou o amigo de infância, lhe estendendo uma mão, que foi apertada pelo mesmo.
— Boa noite, Juvs. – a cumprimentou, dando um parco sorriso para a azulada. Vê-la o fez lembrar-se de Levy, sentindo a urgência em voltar para casa logo.
— Juvia está vendo Gajeel preocupado, pode ir para casa. – a esposa do primo sugerira, ainda no abraço de Gray. – Nós fechamos o escritório.
— Gihi, fechar… Sei bem o que vão fazer aqui, só peço para não usarem minha mesa. – Gajeel sorrira malicioso para os dois, fazendo-os corar, e pegou as suas chaves sobre a cadeira vaga ao lado de sua mesa.
Saindo pela porta da frente e vendo que seu cocheiro já o esperava, o Redfox subiu na carruagem e permaneceu ansioso todo o caminho para sua residência.
—x-
Desde aquela hora, Levy e Mirajane conversavam animadamente na sala de estar. A albina procurara manter a visita entretida com a conversa, já que, segundo as instruções de Gajeel, a McGarden não podia comer muito açúcar ou carboidrato, deixando-a, do momento que chegara até o atual, somente com um pão de queijo no estômago.
— Uh, Mira… – a azulada começou, colocando uma mão sobre a barriga. – Já estou com fome. – deu um sorriso torto, odiava ter de fazer os outros servirem-na fora de hora.
— Ah, Levy… Já faz um bom tempo que estamos conversando, vou ver o que você pode comer que não lhe faça tão mal, espere-me aqui. Caso ouça batidas na porta pode atender, é o Gajeel. — dito isso, Mirajane se retirou a passos rápidos para a cozinha.
As únicas refeições que Levy fizera naquele dia foram o café da manhã e o almoço. Poluchka não havia lhe acompanhado, pois tinha ainda muitas obrigações para com a McGarden mais velha, que passaria alguns dias com os Cheney em sua residência de outono, em Gardênia. Tal fato fez a azulada estranhar ter sido deixada a parte desta viagem, já que sua mãe pretendia casá-la com Rogue.
Mirajane, após dez minutos, voltava com uma bandeja de prata com comes e bebes para ambas. Dentre eles, muffins de amora, torradas de pão integral, um potinho com manteiga caseira feita pela sua irmã – Lissana, chá-verde num pequeno bule de porcelana, duas xícaras e alguns pães de queijo. Após colocar todos os pratos sobre a mesinha de centro – que era grande o suficiente para abrigá-los, ouviu-se batidas grotescas na porta.
— Vá atender, Levy. Tenho quase certeza de que é o Gajeel. — a Strauss pedira, voltando rapidamente para a cozinha pegar mais comida. Se era seu patrão atrás daquela porta, com certeza estaria faminto.
Obedecendo a jovem governanta, a McGarden levantou-se do sofá e andou rapidamente até a porta, abrindo-a com certa dificuldade já que era pesada. As suspeitas de Mirajane estavam certas sobre quem havia chegado, fazendo a garota dar um largo sorriso.
— Bem-vindo de volta.
Realmente estava feliz em vê-lo.
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