Satisfaction
18 Capítulo 16 - Segundo hóspede, segundas intenções

Era fim de tarde quando Levy acordara de seu pequeno coma. O extrato de pâncreas havia ajudado a controlar seu nível de açúcar no sangue, removendo todo o mal estar que sentia horas atrás. Ao lado da cama na qual a azulada se encontrava, estava Gajeel, sentado numa confortável cadeira dourada de almofadas vermelhas, debruçado sobre o colchão e – aparentemente – dormindo.
Procurando não se esforçar muito, a garota inclinara-se para o moreno, com a intenção de acordá-lo, balançando-o pelo ombro esquerdo. Os cabelos bagunçados do homem cobriam seu rosto e parcialmente seus braços.
— Gajeel… – sussurrara no ouvido do mesmo, recebendo um resmungo como resposta. Sorriu e beijou-lhe o topo da cabeça, afagando sua nuca. – Pode acordar, Gajeel. Eu estou bem.
Não esperando que o Redfox acordasse tão cedo, surpreendeu-se quando o moreno levantou de supetão e envolvera seu tronco num abraço, jogando-se sobre a McGarden na cama.
— Bem-vinda de volta, baixinha. — dissera, claramente aliviado, afagando os cabelos azuis.
— Seja lá o que você tenha feito, obrigada. — já afastando-se um pouco do abraço de Gajeel, Levy agradecera, acariciando seu rosto com ambas as mãos.
— Apenas injetei um veneninho em você, gihi.
— Eu sei que não foi, pare. — a garota rira, dando um tapinha no ombro do moreno.
— De qualquer forma, acho que tenho uma forma melhor de você me agradecer. — o Redfox dissera num tom sugestivo.
— G-gajeel! A-aqui não podemos…! — a McGarden colocara as mãos no peito do homem, como se fosse impedi-lo, apesar de saber que sua força não era párea a ele.
— Que pervertida, Levy… Estava falando apenas de um beijo, mas, se você quiser, podemos ir um pouco além, o que acha? — Gajeel provocara, lambendo uma orelha da azulada e apertando seus seios por cima do vestido, fazendo-a soltar alguns gemidos involuntários.
— Por favor, Gajeel… Podem nos descobrir… — Levy o repreendera entre suspiros e gemidos, quase esquecera do poder que as mãos do moreno tinham sobre si nestes últimos dias.
— Não vão vir aqui até eu te levar para fora… Apenas deixe-se levar, há tanto tempo não temos uma oportunidade… — o Redfox mal tinha controle sobre as próprias ações, perdia-se – com os olhos fechados – sentindo com seus lábios a pele de sua baixinha, calma e intensamente.
Extasiada pelos toques de Gajeel, a garota deixara sua cabeça esvaziar-se, perdendo a sanidade conforme a temperatura de seu corpo subia e obrigava-se a conter os gemidos. Sem aviso prévio, o moreno colocara uma mão por dentro da saia de seu vestido, acariciando suas coxas e apertando sua zona interna.
— Não seja tão mau comigo… Só um pouquinho… — Levy pedira numa voz manhosa, enquanto agarrava-se ao pescoço do Redfox.
— Não era você que estava com medo de sermos pegos, my lady? — o mesmo murmurara contra seu pescoço. Àquela altura as mãos de Gajeel já estavam por dentro de suas calçolas, apertando seus glúteos e arrancando suspiros pesados.
— A esta altura… Já não me importa muito, francamente… — procurando abafar os gemidos e disfarçar os suspiros, a garota puxara o moreno para um beijo apaixonado, correspondido com fervor e desejo.
As roupas estavam começando a serem amassadas pelas mãos do casal, os cabelos a se bagunçarem, as respirações a ficarem ofegantes e os lábios a ficarem inchados. Provavelmente acabariam por fazer suas particularidades amorosas ali mesmo, quando Gajeel se deteve ao ouvir passos do lado externo do aposento.
— Arrume-se e procure tomar uma água antes de sairmos, já faz algumas horas desde que você está aqui e podem estranhar o fato de eu lhe acompanhar. — o mesmo disse, com grande esforço apartando-se da azulada, que estava num estado perigosamente excitante.
— Certo… — ainda em transe, Levy assentiu.
Com sorte, puderam achar duas escovas de cabelo em ambas gavetas dos criados-mudos do quarto de Rogue, mal notando que uma pequena jarra d’água encontrava-se ao seu lado, tendo um copo de cristal a sua disposição. Após recuperarem o fôlego, pararem de suar e voltarem às suas formas apresentáveis, primeiro o Redfox saiu do cômodo, seguido pela pequena McGarden.
— Já estava retornando. — o casal encontrou-se com Rogue no caminho de volta ao jardim. – Oh, então você já acordou, Levy. — o Cheney demonstrou surpresa, e até mesmo alívio, ao dirigir seu olhar para a garota, que apenas se encolhera atrás de Gajeel.
— Não precisa ter medo, está tudo bem. Precisamos manter as aparências, afinal. — o moreno confortara a azulada, afagando discretamente seus ombros e entregando-a para enganchar no braço de Rogue. Ambos os homens não estavam muito confortáveis com tal situação, mas, como Gajeel dissera, precisavam manter as aparências.
O jardim dos fundos continuava com a decoração impecável, os convidados conversavam alegremente ao redor da mesa, enquanto outros dançavam ao som dos três músicos ali presentes. Eram músicas típicas do outono, porém monótonas – como toda coisa nobre, Levy pensara. A mesa ainda estava servida com os melhores brioches, frutas e doces que os Cheney podiam oferecer, o que fez a garota olhar com certa incerteza para os alimentos. Quase tudo que estava ali não poderia comer em demasia, e estava faminta.
Levy e Rogue sentaram-se, lado a lado, em seus lugares reservados e, ao lado dela, estava Gajeel, escolhendo o que a mesma poderia comer sem que passasse mal durante a noite. Duas maçãs – as quais uma ele já estava cortando em pequenos pedaços, um brioche com direito a manteiga – nada de geleia e um pedaço de pudim. Ao ver a sobremesa a sua frente a azulada sorrira, sabia que o Redfox havia cedido por ser seu doce preferido.
Como anfitriões, o suposto “casal” de noivos conversava e interagia com os convidados ainda na mesa, ninguém se atrevera a chamar a McGarden para uma dança após seu episódio de coma anterior. Seguindo as instruções sussurradas por Gajeel, Levy mastigava com calma e várias vezes cada pedaço de cada alimento que ingeria, para certificar-se de ficar satisfeita sem comer muito – o que fora um trabalho de Hércules, já que seu estômago doía pela fome.
Lembrara-se de Lucy, e logo avistara a amiga dançando com um rapaz de cabelos rosados, usando um cachecol branco e casaco preto – como a maioria dos homens do local, calças brancas e botas pretas. Os dois formariam um belo casal caso fossem amantes, a azulada pensara, divertindo-se ao ver a Heartphilia sorrir e flutuar pelas folhas secas com leveza, guiada com maestria pelo rapaz. Quem seria ele? Um estrangeiro, talvez?
O pôr do sol já havia alcançado seu ápice, e agora os Cheney, junto das McGarden – e da companhia silenciosa do Redfox, despediam-se dos convidados. Alguns alegavam terem se divertido muito, outros desejavam felicidades ao “casal” e, a maioria, melhoras para a noiva.
— Sr. Redfox. — a voz de Reywards surgiu assim que os últimos convidados retiraram-se em sua carruagem da propriedade.
— Sim?
— Como tutor de minha futura nora, e, depois de hoje, vi que sem o senhor não saberíamos o que fazer, gostaria de pedir, humildemente, que se hospedasse em nossa casa até o casamento. Minha esposa e eu não gostaríamos de deixar Elevínia preocupada constantemente com o estado da filha quando já tem alguém encarregado de ajudá-la.
Aquelas palavras eram exatamente o que Gajeel gostaria de ouvir. Ajeitou sua cartola na cabeça com uma mão e permitiu-se sorrir de forma um tanto petulante, fazia parte de seu charme.
— Eu bem vejo o quão minha presença chega a ser até necessária, sr. Cheney, mas tenho um felino em casa para alimentar e pertences dos quais preciso. Infelizmente creio que terei de declinar, ao menos por hoje, o seu convite.
— Não se preocupe com isto, mandarei um cocheiro e um criado à sua residência buscarem o que o senhor desejar. Apenas estamos preocupados com a situação da srta. Levy, não temos ninguém com problemas de alimentação na família então sinto muito se não soubemos lidar. — o patriarca contestou, em sua última frase inclinando-se brevemente para a azulada, em forma de desculpas.
— Se o senhor diz que providenciará tudo… Creio que não há mal em aceitar o convite hoje mesmo, não? — o moreno abrira um largo sorriso, completamente triunfante por dentro.
—x-
Desde que aceitara a proposta de hospedar-se na residência dos Cheney até o “casamento” de Levy e Rogue, Gajeel já sentia-se vitorioso. Fora instalado igualmente no andar de baixo, porém do outro lado de onde o quarto de sua baixinha ficava. Aquilo não era um empecilho, de qualquer forma, ficara claro no jantar que as intenções de Rogue não eram maldosas.
Obrigando os anfitriões a aceitarem que sua futura nora não poderia seguir a – segundo o Redfox – maldita tradição de repetir o prato, o homem enchera o prato da garota de salada e carne, deixando apenas uma batata cozida pequena no mesmo, causando “revolta” na jovem. As pequenas discussões descontraídas faziam parte da encenação, precisavam fazer que todos acreditassem que sua relação era meramente profissional e impessoal. Naquele recinto, os únicos cientes da verdade eram a herdeira Heartphilia e o primogênito Cheney.
A filha mais nova da família baronesa, Wendy, encontrava-se no sítio da avó, numa região bem longínqua a Crocus – capital do reino de Fiore. A explicação que Jenna, a mãe, dera, fora que – como toda boa criança, deveria manter-se saudável e exercitar-se, coisa que não poderia fazer numa cidade tal como Magnólia e que tampouco deveria respirar o ar poluído da metrópole. Por outro lado, Levy não deixou de pensar que afastaram a menina da própria casa para poderem arquitetar todo este circo sem perguntas.
O jantar acabara, e os criados se puseram, de prontidão, a deixar as banheiras dos quartos dos moradores e dos hóspedes da casa cheias de água quente, tarefa que levara cerca de quinze minutos, tempo que os presentes levaram na mesa conversando trivialidades até descansarem da última refeição que seria servida naquele dia.
Lucy decidira tomar seu banho, colocar sua camisola e seu robe cor-de-rosa e ir prontamente ao quarto de Levy conversar com a amiga sobre como fora o momento em que acordara, se estava sentindo-se melhor, como que foi com Gajeel, etc. A loira não preocupou-se em fazer suas tarefas apressadamente, até chutou ter levado quase duas horas para fazê-las, e, assim que estava pronta, pôs suas pantufas e dirigia-se, pelo longo corredor, ao quarto da azulada.
Vira no relógio de pêndulo pelo qual passara que já se tratava de quase uma da manhã. O tempo passara tão rápido e não percebera, pensou. Estava prestes a bater à porta, quando ouvira sussurros nervosos vindos do interior do cômodo, fazendo a Heartphilia, instintivamente, colar seu ouvido à madeira.
— Você realmente é um louco, quer mesmo que sejamos pegos! — a voz da McGarden pôde ser ouvida por primeiro.
— Gihi, quem espiona os hóspedes de madrugada para desconfiarem? Eu sei que gostou de eu ter aparecido. — a voz do Redfox fora a segunda.
Sem precisar ouvir mais, com um sorriso travesso no rosto, Lucy pôs-se a voltar ao seu quarto. No dia seguinte teria tempo o suficiente para conversar com a amiga sobre os ocorridos da tarde.
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