Sarah's Umbrella
15 Sarah's Baby.
Notas iniciais
Sarah
As paredes cinza da delegacia eram sufocantes. Os corredores eram minúsculos e eu me sentia em uma espécie de buraco. Kendall estava ao meu lado, abraçando-me de lado e, notando meu súbito gesto corporal, ele apertou-me mais contra seu peito.
Carlos estava atrás de nós e parecia desolado. Tinha um copo de café puro na mão por conta dos três dias no hospital com Kendall, onde ele não dormiu. Havia olheiras debaixo de seus olhos e cada centímetro de unha de seus dedos haviam sido roídos, mas ele não parecia se importar. De repente, seu celular tocou e seu rosto se iluminou. Um pouco. Era Vanessa.
–- Não acredito que ele está falando com ela aqui e agora.
–- Kendall. – Comecei. – Foi ela quem ligou. Deve ser importante.
–- Mesmo assim... Não suporto nem ele falando, imagina ele falando COM ela. E pensar que tudo isso aconteceu por causa dele...
–- Kendall! – Puxei-o e ele parou. – Carlos não é culpado! Quer dizer, talvez seja, mas não totalmente. Skyler também tem culpa nisso. Afinal, quem luta contra bandidos?
–- Agora, você está do lado dele? Desde quando está do lado dele, hein? Desde quando ficou tão “amiguinha” dele? Afinal... O que aconteceu nesses três dias, enquanto eu estava desacordado?
Não acreditava no que ele falava. Eu não tive nada com Carlos. Ele era um cara legal, bom de conversar. Dividimos segredos porque confiamos um no outro e sabemos que nunca contaremos á mais ninguém. É bom ter pessoas assim.
Olhei para Kendall e me distanciei dele, enquanto ele continuava a caminhar mais á frente. Carlos me alcançou e me lançou um sorriso amigável, á qual eu correspondi.
–- Tudo bem com você? – Perguntei e ele deu de ombros.
–- Já estive em situações piores.
–- Sua noiva acabou de ser morta porque te viu beijando outra garota.
–- É, eu não estive. – Ele respondeu e seus ombros caíram. Á essa hora, estávamos sentados do lado de fora do escritório. Kendall entrou para conversar com o delegado e eu e ele estávamos sozinhos. Olhei para seu rosto triste e abatido e fiz a primeira coisa que me veio á cabeça. Deitei minha cabeça em seu ombro e juntei nossas mãos.
–- Vai ficar tudo bem.
–- Como sabe disso?
–- Eu não sei. Apenas confie.
–- Confiar?
–- É. Confiar.
Ele olhou para minha mão na sua e apertou. Sorri e continuei com minha cabeça em seu ombro.
–- Promete que vai ficar bem?
–- Prometo.
–- Okay? – Falei, relembrando-me de um pequeno trecho de um livro que li recentemente.
–- Okay. – Ele respondeu e sorriu.
Kendall saiu e olhou para nós dois, naquela linda posição. Larguei de Carlos no mesmo instante e ele começou á olhar para o copo de café. O loiro apenas balançou a cabeça e começou á andar em direção á saída.
–- Aonde pensa que vai? – Perguntei e ele me ignorou. – Ei, eu tô falando com você! – Falei, girando-o para ficar de frente á mim.
–- Não sei. E, mesmo se soubesse, não te diria.
–- Seu idiota, você acabou de sair de um coma! De três dias! Você vai morrer, sabia?
–- Quem liga? Você tem o Carlos agora, não? – Ele revidou, arqueando a sobrancelha e saiu. Minha vontade era de ter jogado o vaso mais próximo na cabeça dele, mas lembrei que estava em uma delegacia e me comportei.
Voltei, devagar, para o escritório e notei que Carlos já não estava mais sentado no banco. Outra figura ali estava, já fumando.
–- Sarah.
–- Dustin. – Cumprimentei-o e sentei-me ao seu lado. Ficou um silêncio desagradável até que não me contive. – Okay, eu preciso saber. O que diabos está fazendo nos Estados Unidos? E em uma delegacia? Você detesta delegacias!
–- Detesto mesmo.
–- Então...
–- Sarah, eu sou um detetive.
–- Detetive?
–- Sim. Um detetive da FBI.
–- Nunca pensei que poderia relacionar FBI e você em uma mesma situação, sem um cartel de drogas no meio.
–- Me desculpa não ter te falado antes, mas eu não podia estragar meu disfarce. Eu fui incumbido de uma missão e preciso cumpri-la.
–- Missão? Que missão?
–- De encontrar e prender James Blake II.
–- James? Você está atrás do James? Ah meu deus, todos esses anos... E eu achando que você era amigo e sócio dele...
–- Eu fui e ainda sou. Claro, de mentirinha. – Ele respondeu, lançando-me seu típico sorriso de canto de boca e puxando um trago do cigarro. – Esses anos todos estive atrás de pistas concretas que pudessem levar o FBI e a Interpol a prender o Blake. Mas, é quase impossível. Ele é muito bom no que faz. Limpa a cena do crime de um modo que nem nossos melhores policiais forenses poderiam fazer. Sempre quando chego, não há mais nada. É frustrante. 10 anos é muito frustrante.
–- Tá, então... Por que está acompanhando eu e os meninos em um interrogatório em vez de estar atrás de James?
–- Eu sei que vocês são inocentes, okay? E posso chamar alguém para defender vocês em um piscar de olhos. Mas, preciso da sua ajuda.
–- O QUÊ?! – Levantei-me de súbito. – Não! Ajudar?! Em quê?
–- Olha, querendo ou não, James sempre te escutou. Sempre. E sempre beijou o chão que pisava. Ou seja, ele te idolatra. E eu preciso usar essa obsessão á meu favor, entende? – Ele falou e levantou-se. – Por favor, Sarah. Confia em mim.
–- Confiar?
–- É. Confiar.
Flashes da minha última e recente conversa com Carlos passaram em minha mente e eu hesitei, até que apertei sua mão e respirei fundo.
–- Tudo bem. Diga-me o que fazer.
James
O leve som de jazz ecoava nos amplificadores do meu MP3 Player enquanto eu deliciava-me com um jantar preparado por Cameron. Falando em minha esposa, ela começou á descer as escadas nesse mesmo instante. Usava um vestido preto longo, tomara que caia e com uma grande abertura nas costas.
–- Já vou indo, amor.
–- Mamãe vai estar lá? – Falei, enquanto levava o salmão á minha boca.
–- Sim. O jantar será até á meia noite e, pelo que sua mãe falou, haverá um pequeno coquetel na casa de Hillary. Você sabe, reunião de mulheres...
–- É claro. Não se preocupe. Acho que vou apenas ligar para Paul e saber como estão os papéis do novo contrato e depois vou dormir.
–- Tudo bem. Boa noite. – Ela falou, inclinando-se para me beijar, até que eu a puxei e a fiz sentar em minhas pernas. Ela arfou e soltou um leve gemido quando nossas intimidades se tocaram. Afinal, eu estava usando apenas um leve calção e ela estava sem calcinha.
Prostituta uma vez, prostituta para sempre.
–- Que tal continuarmos isso quando voltar...?
–- Mas, eu... – Ela nem teve tempo de continuar porque eu deitei seu corpo na mesa com tanta força, que sua cabeça fez um estalo horrível no vidro.
–- Eu acho bom você estar aqui até meia noite, ouviu cadela?
–- Sim, James. – Ela falou, entredentes, porque eu apertava suas bochechas com tanta força que o sangue subiu toda pra cabeça. Literalmente.
–- E se eu sentir cheiro de outro macho em você... Bom, você sabe o que aconteceu da última vez...
–- Eu apenas o abracei e...
Apertei ainda mais as bochechas.
–- Entendeu?
–- Entendi.
–- Ótimo. – Falei e soltei-a de meu aperto. – Divirta-se na festa.
Ela saiu, ainda arrumando o cabelo e o vestido e eu ri.
–- Vadia.
*
–- Então, está tudo certo para a próxima semana?
–- Sim, chefe. Está.
–- Ótimo. Encontro vocês daqui á uma semana.
–- Tudo bem. Tchau.
Desliguei o telefone e fui em direção á direção do copo de uísque quando a campainha tocou. Eu já estava vestido coerentemente. Calça jeans escuras, camisa preta de botões e mocassins. Abri a porta e...
–- Foi aqui que pediram uma prostituta com mussarela?
–- Sarah?
–- Olá, James. – Ela falou, tirando a mão dos bolsos e tirando o pirulito da boca. – Posso entrar?
Dei espaço e ela entrou, dando uma risadinha.
–- Uau! Não me lembro dessa casa ser tão grande assim quando vinha. Ah, deve ser porque eu ficava mais no quarto do que admirando a casa inteira.
–- O que veio fazer aqui, Sarah?
–- Ué, você mesmo disse que um dia eu iria me arrepender! Bom... Eu me arrependi. – Eça falou, ainda com o pirulito na boca e sentando-se no sofá.
–- Como assim, se arrependeu?
–- Vejamos... Eu descobri que Kendall é um enorme mané e que ele não é nada comparado á você. Sério, o garoto parece um daqueles boiolinhas cheios de mimimi... Não suporto gente assim. Então, percebi que eu não queria um relacionamento com um cara que quase come o melhor amigo com os olhos. Eu preciso de um homem de verdade.
–- E esse homem seria eu?
–- Não estou vendo mais nenhum homem nesse recinto.
–- E o que te faz pensar que te quero de volta?
–- Eu sabia que ia falar algo assim... – Ela levantou-se do sofá e ficou na minha frente. – Por isso, me precavi e decidi usar isso. – Ela abriu o casaco e vi que usava uma lingerie branca, com cinta liga e espartilho. Ela jogou o casaco no chão e bagunçou os cabelos. Depois, pegou o chicote que estava do lado direito da roupa e começou a bater em mim. – O que me diz agora, Blake?
–- Quantas rodadas?
–- Quantas você quiser.
*
Ofegante, desci de cima dela e deitei-me na cama. Sarah virou-se e deitou também. Seu corpo suado brilhava com a luz fraca do abajur, juntamente com o meu sêmen espalhado em sua barriga e seios.
Ela suspirou e olhou pra mim.
–- Você voltou ainda melhor, James.
–- Tive aulas práticas, baby.
–- Eu também tive, se quer saber. – Ela falou, piscando o olho e espreguiçando-se, já levantando da cama.
–- Ei, volta pra cama...
–- Calma, tigrão. Vou pegar um brinquedo que trouxe.
–- Brinquedo?
–- Sim. E vai te animar tanto. – Ela falou, indo até o casaco e tirando de lá um walkie talkie.
–- O que é isso, Sarah?
–- Nosso brinquedo. – Ela respondeu e apertou o botão. – Pode subir.
–- Subir? Quem está subindo?
–- Os policiais, dã! – Ela falou, vestindo a lingerie de novo.
–- Você me enganou, sua vagabunda! Você trapaceou!
–- Você é que foi um idiota por acreditar que eu realmente estava atrás de você e que eu não estava grampeada. Afinal, quem fala sobre os planos do cartel de drogas que possui fazendo sexo? Ah, é. Você.
De repente, Dustin apareceu e eu sorri.
–- Dustin, cara, ainda bem que chegou.
–- Sério? Então... James Blake, você está preso por tráfico de drogas, abuso de menores, trabalho infantil e muitos outros...
–- O que pensa que está fazendo?
–- Te prendendo. Esqueci-me de te falar, sou um agente do FBI. Vamos, levem ele! – Dustin falou para dois policiais na porta.
–- Espera, eu...
–- Tchau, James!
–- Você ainda vai me pagar, Sarah!
Sarah
–- Preciso ir agora.
–- Okay. Ei, Carlos ligou pra você. – Dustin falou, dando-me meu telefone.
–- Que horas? – Perguntei, tirando o telefone de suas mãos e terminando de amarrar o cadarço da bota. – Isso foi meia noite. Já são 5 da manhã.
–- Ei, era você que estava transando, não eu.
Revirei os olhos e liguei para o latino, que, com dois toques, atendeu.
–- Alô?
–- Carlos, sou eu, Sarah. O que houve?
–- Kendall aconteceu.
–- Como assim?
–- Bom, depois que você saiu, eu fui até a casa da Vanessa e trouxe ela pro apartamento. Meia noite, ele chegou, bêbado, e querendo arranjar confusão com nós dois. Aí, nós fomos para o hotel dela e acho que ele ficou dormindo lá.
–- Eu juro que quando encontrar ele vou dar uma paulada na cabeça dele.
–- Dá duas. Uma por mim, ok?
Eu ri com isso.
–- Tudo bem. Eu vou ver ele lá. Obrigada por ter me ligado.
–- De nada. Hm, Vannie está me chamando, então...
–- Ah, claro! Tudo bem. Tchau.
–- Tchau.
Pus o telefone no bolso e desci, correndo, as escadas. Dustin estava conversando com alguns homens de terno que eu supus ser da agência, por isso, nem me importei em dizer adeus. Cheguei do lado de fora e o motorista da van que me trouxe disse que poderia me levar até em casa. Eu o agradeci e fomos para a casa de Kendall.
Chegando lá, bati mil vezes na porta e nada dele atender. Decidi pegar a chave reserva na recepção e, como o recepcionista já me conhece, deu-me sem pedir explicações. Abri a porta e encontrei garrafas vazias de bebidas muito fortes espalhadas no chão.
–- Kendall? – Chamei em voz alta e fechei a porta. – Kendall? – Chamei mais uma vez, e fui até seu quarto. Ele estava esparramado na cama, todas as suas roupas jogadas em cantos do quarto e uma pequena garrafa de cerveja em sua mão, que pendia do lado esquerdo da cama. Fui até o banheiro e procurei a aspirina, logo depois, fui até a cozinha pegar um copo d’água e preparar uma bolsa de gelo. Voltei á seu quarto e comecei a cutucá-lo.
–- Ei... Kendall... Acorda...
–- Hã... O quê...
–- Anda, toma essas pílulas. – Falei, lhe dando os comprimidos. Ele aceitou, sem reclamar, e ingeriu, bebendo, depois, o copo d’água que havia lhe dado também. – Vamos, levanta.
–- Hm... Ai, minha cabeça... – Ele murmurou, sentando-se ereto na cama e massageando as têmporas. Entreguei-lhe a bolsa de gelo e ele aceitou. – O que você está fazendo aqui?
–- Bom, ao que parece, eu sou muito idiota e te amo demais, ou seja, me preocupo em saber como está.
–- Carlos te contou que eu estava aqui?
–- Sim. E antes que fale qualquer coisa, eu quero te dizer uma coisa.
–- O quê?
–- Isso. — Falei e me sentei em sua cintura, beijando-o. Ele derrubou a bolsa de gelo e me empurrou para ficar debaixo dele, voltando á me beijar depois. Sua língua pediu passagem em minha boca e eu concedi, envolvendo minhas duas pernas em sua cintura e arranhando suas costas. Ele se remexia, friccionando seu membro contra a minha entrada coberta. Eu gemia, sentindo o volume em sua cueca aumentar.
Separei-nos e o fiz olhar em meus olhos, ainda ofegante.
–- Nunca mais duvide do meu amor por você.
–- Me desculpa.
–- Você é o homem da minha vida.
–- Eu sei.
–- Eu não te trocaria por ninguém.
–- Eu também não.
–- Eu te amo.
–- Eu também te amo. – Ele sussurrou, voltando á me beijar.
Continuamos a sessão de beijos até que me lembrei de algo e parei.
–- O que houve?
–- Eu preciso te dizer algo.
–- O quê?
–- Minha história.
Logan
–- Logan, cadê meu suco?
–- Com licença, mas eu estou tentando ajeitar um berço aqui.
–- Vou ter que fazer sozinha, então. E um sanduíche.
–- Você não para de comer, Hayden.
–- Deve ser porque eu estou grávida? E de um filho seu, o que piora a situação.
–- Gulosa.
–- Gordo.
–- Somos o par perfeito, né?
–- O pior é que é. – Ela falou, sorrindo e vindo até mim para depositar um beijo em minha bochecha.
Voltei á parafusar o maldito berço quando escutei vidro quebrando e um grito.
–- Hayden!
–- Logan... Logan...
–- O que aconteceu?
–- O bebê... O bebê...
–- O que está acontecendo?
–- Ele vai nascer... A bolsa... Estourou...
–- Sério? – Perguntei e ela assentiu. – Agora?
–- Não, foi semana passada. Claro que foi agora, né Logan?
–- Ok, o que eu faço agora?
–- Pega uma bolsa na poltrona do quarto do bebê. Ela já está toda arrumada.
–- Peraí, você sabia que ele ia nascer?
–- O doutor disse que ele deveria nascer á qualquer momento desde nossa última visita, que foi á dois dias, lembra?
–- Ah, é. E depois?
–- Depois, chama um táxi e liga pra Sarah encontrar a gente no hospital.
–- Tudo bem. Você precisa de alguma coisa?
–- Só de que ande mais rápido, por que... AI... Isso dói demais!
*
Chegamos ao hospital e ela foi posta em uma cadeira de rodas. Sarah ligou e disse que chegava em cinco minutos, junto com Kendall.
–- Vai ficar tudo bem, ok?
–- Espero que sim. Estou nervosa.
–- Como acha que estou? É meu primeiro filho. Pelo menos, que eu sei. – Hayden me lançou um olhar mortal. – Brincadeira.
–- Péssima hora.
–- Ok, então você pode ser sarcástica e eu não posso brincar? Isso é injusto.
De repente, o doutor apareceu e disse para Hayden se trocar. Ela perguntou se ainda daria para fazer o parto normal e ele disse que teria que saber na hora.
–- Já disse que odeio essa sua ideia de parto normal?
–- Me desculpe se meus instintos hippie voltaram e disseram para eu ter essa criança normalmente.
Revirei os olhos e os enfermeiros a levaram até a maca e, depois, conduziram-na para a sala de cirurgias.
–- Me desculpe, mas o senhor não vai poder entrar. – Uma enfermeira me disse.
–- O quê? Eu sou marido dela.
–- Ordens do hospital. Sinto muito.
–- Não, eu vou ver minha esposa sim! Hayden!
–- Senhor, acho melhor se sentar antes que eu chame os seguranças. – Ela ameaçou e fechou a porta. Soquei a parede mais próxima e sentei-me, quando lá vem Sarah puxando o Kendall com ela. Coitado do garoto.
–- Até que enfim!
–- Querido, é nove horas e você sabe como é o trânsito daqui.
–- Desculpa. Oi, Kendall.
–- Oi, Logan.
–- O que houve com ele?
–- Ressaca. E das grandes.
–- Pior do que aquela de Vegas em 2010?
–- Muito pior.
–- Cara, sinto muito por você. – Falei pra ele, que sorriu fraco.
–- Ei, eu vou pegar café. Algum de vocês querem? – Acenamos com a cabeça e ele foi rumo á cantina.
–- Como ele ainda não morreu?
–- Também estou me perguntando isso. Como está a Hayden?
–- Está na sala de cirurgias. Ao que parece, o próprio marido e pai da criança não pode entrar.
–- Sinto muito.
–- Sem problema. – Falei e ouvi um grito. Hayden. – Ok, agora tem um problema.
–- Calma, Logan, é só o parto.
–- Aquilo era um grito de tortura. Eu sei!
–- Como sabe?
–- Você não faz ideia do que eu passei na prisão em Tijuana...
Houve outro grito e eu me levantei.
–- Lembra... O parto...
–- Se ele der mais um grito desse, eu não me chamo Logan Dominic Winston se eu não for lá. – Falei e me sentei.
Ficarmos cerca de duas horas esperando o parto terminar. Houve mais alguns gritos e eu quase espanquei um enfermeiro que saiu e não quis me dizer nada, mas depois ouvimos um choro de bebê e tudo mudou.
–- Minha filha nasceu.
Hayden
A última coisa de que me lembro...
Eu gritando...
O doutor dizendo que o cordão umbilical estava em volta do pescoço...
Meu bebê.
Meu bebê estava morrendo.
Mais gritos, suor e lágrimas...
Depois... A paz...
Acordei com uma canção de ninar sendo cantada, baixinho, perto de mim. Eu ouvi um pequeno “yey” e uma voz dizendo “shiu, sua mãe está dormindo”.
Abri meus olhos e vi Logan com nossa filha em seus braços, a ninando. Ele estava sorrindo como um bobo e fazendo caretas para ela. Lágrimas vieram aos meus olhos, mas depois foram substituídas por um sorriso, até que ele pareceu notar que estava acordada e riu.
–- Hey.
–- Hey.
–- Dormiu bem?
–- Já dormi em lugares piores. – Falei e nós rimos.
–- Ela acabou de ser deixada aqui e acho que está com fome.
–- Ande, me dê ela aqui. – Falei, estendendo meus braços e ele me entregou ela. – Nossa. Ela é linda.
A pequena menina em meus braços ainda não tinha cabelo, nem estava com os olhos abertos, mas era a pessoa mais linda do meu universo agora. Logan vinha em segundo.
–- Ela é igual á mãe.
–- Você nem sabe.
–- Bom, ela tem o seu nariz.
–- Mas tem as suas covinhas. – Revidei e die língua. – Ela é tão preciosa.
–- Princesa.
–- O que disse?
–- Ela. É nossa princesa agora.
–- Sim, ela é. Nossa princesa. – Falei e passei meu dedos de leve em sua bochecha. Suas mãozinhas encontraram meus dedos e os apertaram e eu sorri. – Mamãe nunca vai te abandonar, meu amor. Nem seu pai.
–- Mas é claro que não. – Ele falou e dei um selinho nele. – Já decidiu o nome?
–- Ainda não. São tantos.
–- É verdade. Você percebeu que ela parece uma cerejinha?
–- Como assim?
–- Ela tá toda vermelha e, provavelmente, terá seu cabelo ruivo. Ela parece uma cereja.
–- Ei, você tem razão. Cereja. É isso!
–- Isso o quê? – Ele me perguntou, visivelmente confuso.
–- Cherry! O nome dela será Cherry!
–- Quer nomear nossa filha como uma fruta?
–- Ei, eu gosto de cerejas. Você gosta de cerejas. Elas são doces, delicadas e fofas. Nossa filha vai ser assim.
–- E ainda vão bem com sundaes.
–- Você e as suas gordices... – Revirei os olhos e ele me deu um beijo na bochecha.
–- Tudo bem, o nome dela será Cherry.
–- Cherry Annabel Winston. Ou só Cher.
–- Eu gusto de Cher.
–- Ótimo. O apelido dela será Cher. – Nessa hora, o bebê fez um sonzinho e eu ri. – Você gostou do seu nome?
–- Acho que sim. Ela tá assentindo. – E o pior é que estava. Sua cabeça se mexia, vagarosamente, de cima pra baixo numa tentativa de agarrar meus dedos ainda mais.
–- Acho melhor chamarmos a Sarah. – Falei e ele assentiu.
–- Sim. Acho que ela deve conhecer nossa pequena família, daqui por diante.
(...)
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