Sapatinhos de Cristal
5 Capítulo V
Notas iniciais
O suor escorria por todo o corpo de Karin e Hinata, mesmo com a temperatura do intenso inverno, a respiração arfante evidenciava o cansaço pela corrida que havia feito de volta ao quartel general. No entanto, a expressão de derrota destacava-se, desviando a atenção para os rostos femininos.
O confronto entre os seguidores da Akatsuki e a restauração ainda acontecia sem trégua à vista, o som de lâminas se chocando cortava o ar, e para o ambiente ficar mais violento, exclamações e xingamentos eram proferidas.
Algumas pessoas já estavam estiradas no chão, inconscientes ou sem vida, outras estavam sentadas sem nenhuma postura, respirando pesadamente e sangrando.
— O que a reencarnação da rainha serviria a vocês? Até os filhos dos antigos servos do castelo saberiam se portar melhor que a humana. – a voz de Yahiko alcançou os ouvidos das duas mulheres recém-chegadas.
Após uma rápida troca de olhares, apressaram os passos em direção à frente da casa.
— Não importa. Basta ela aprender tudo novamente. – Itachi contrapôs.
— Para ela voltar a ser o que era? Por favor, conte uma piada melhor. – Yahiko lançou um olhar de desprezo ao Uchiha ao mesmo tempo em que sorria em zombaria. – O Reino do Fogo está condenando, acha mesmo que a Sakura de agora pode fazer algo de útil? Não me diga que cogitou na possibilidade que ela salvaria o reino. – despejou maldoso.
— Dizem que a esperança é a última que morre. – o homem ao lado de Yahiko e com uma espécie de boneco atrás de si comentou, também no tom maldoso.
— Itachi! – Karin interrompeu, colocando-se ao lado direito do moreno enquanto que Hinata pôs-se a esquerda, ambas com expressões aflitas.
— Conseguiram escondê-la? – o moreno questionou.
— Desculpe-nos Itachi-san... – a dama de companhia abaixou a fronte.
— Mas Deidara foi rápido e a capturou. – completou o homem que carregava o boneco.
Os olhos negros de Itachi arregalaram-se. Em contrapartida, os de Yahiko brilharam em pura malícia.
— O plano dele foi mais eficiente que o seu, Sasori. – a voz de Konan soou.
— Calada! Sem o meu plano, o dele nunca teria dado certo.
A mulher cruzou os braços e desviou o olhar, fixando nas três pessoas a sua frente.
— Não se preocupem, mata-la é a última coisa que faremos. – garantiu com um sorriso de escárnio nos lábios tingidos de violeta.
— Encostar as mãos sujas de vocês também é a última coisa que farão! – contrapôs a ruiva fechando as mãos em punho. – Afinal, o que querem dela?
— Isso não lhe interessa! – Kona respondeu, fazendo questão de mover os lábios devagar ao falar para provocar a outra mais ainda.
— O que não me interessa é se o seu rostinho ficará deformado ou não quando eu esfrega-lo naqueles cacos de vidro! – e disparou em direção da mulher.
— Karin! – exclamou o moreno na tentativa de para-la.
— Sua ameaça não nos assusta, guardiã. – proferiu Yahiko.
No momento seguinte, um barulho de madeira sendo batida continuamente soou e o boneco, que estava nas costas de Sasori, surgiu com uma lâmina em riste direcionada à Karin. Sem pensar duas vezes, saltara para trás para desviar do ataque e consequentemente acabara recuando.
— Mas como estou de bom humor... – prosseguiu, sorrindo em deboche. – Vou dizer que queremos a reencarnação da rainha para encontrarmos o par disso aqui. – e mostrou o simples sapato de cristal.
A surpresa tomou conta dos rostos de todos da restauração.
— Vá enganar a mulher que lhe pariu, atração de imãs! – a guardiã esbravejou. Até onde se recordava o único par dos sapatos de cristal não era uma simples sapatilhas com saltos totalmente transparentes, e sim calçados com pequenos diamantes em forma de laço colados na lateral e no começo dos saltos, pérolas de vários tamanhos pregadas por todo ele e com desenhos semelhantes aos da renda. Era, literalmente, uma joia para os pés.
— Bem observado Karin. – cinismo escorria pelas palavras de Yahiko. – Porém eu lhe garanto que esse é um dos sapatos. O restante você pode descobrir pesquisando na biblioteca da Restauração Konoha. – disse o nome que o grupo de Itachi dera ao movimento.
— Mas, por que vocês estão atrás deles? – pronunciou-se Hinata. – São apenas sapatos.
— Doce engano, dama de companhia. Se tudo ao nosso redor emana chakra, não seria estranho se eles fizessem o mesmo, não? – com o mesmo sorriso zombeteiro de antes, começou a andar em direção ao Uchiha.
A capa negra com nuvens vermelhas que Yahiko vestia balançou-se, acompanhando o movimento do braço direito deste, e num movimento rápido, uma espada foi sacada e apontada para Itachi.
Rapidamente, Karin e Hinata colocaram-se em guarda: a primeira agarrou o pulso masculino enquanto que a Hyuuga encostara uma faca, que reluziu apesar dos raios solares estarem francos, na garganta do inimigo.
Um círculo dos adultos de Konoha se formou ao redor da possível morte em cadeia. A tensão instalou-se no ambiente, onde olhares ameaçadores eram trocados.
— Garotas. – advertiu Itachi, passando os olhos até os limites de seu campo de visão. O punhal de papel de Konan flutuava e estava posto no rumo da cabeça de Hinata e o boneco de Sasori empunhava arco e flecha, mirando a parte metálica desta última em Karin. – Juntar os sapatos faz parte do plano de dominar a Dimensão Tau da Akatsuki? – questionou sério, ignorando a espada apontada para o seu coração.
— Essa é a base do nosso plano. Vamos remodelar o cristal do sapato e armazenar as cinco naturezas de chakras nele. Será como o bastão do rei.
— Tudo isso para adquirir poder? – Itachi assistiu-o assentir com a cabeça. – Sua ambição me enoja! – e cinco bolas de fogo foram expelidas por ele.
A primeira atingiu o punhal de papel de Konan, a próxima voou em direção do estranho boneco e as três restantes acertaram Yahiko, que mesmo sentindo a combustão, empurrou a espada, perfurando a coxa esquerda do Uchiha.
— Nós da Akatsuki desejamos uma dimensão onde todos possam viver sem a rejeição, e para que isso aconteça é preciso poder. – disse num tom cansado e tomou distância para em seguida dar as costas a Restauração Konoha. – Fique advertido, Uchiha Itachi, se interferirem, nós não hesitaremos em começar uma guerra. – lançou um último olhar ao líder inimigo e desapareceu em uma nuvem de fumaça junto com os seus companheiros.
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Os raios solares adentraram o quarto pelo grande buraco no teto, alguns atingiram o rosto adormecido de Sakura, que franziu o cenho pelo súbito incômodo. Os flashes dos acontecimentos do dia anterior invadiram sua mente no segundo seguinte, ao mesmo tempo em que o frio lhe subiu a espinha.
Levantou-se em um pulo. Não fazia a menor ideia de onde estava, por isso passou os olhos ao seu redor, procurando por algo que lhe desse alguma pista de sua localização. O seu coração aumentou o ritmo das batidas, e seus olhos se arregalaram em um misto de surpresa e pavor, ao perceber que todo o cômodo era coberto por uma camada azulada, que reluzia pelos raios solares incididos ali.
O verdadeiro susto a atingiu quando Sakura se aproximou da silhueta do que seria uma penteadeira e visualizou a camada azulada irregular no local onde escovas de cabelo e potes de produtos de beleza e perfumaria deveriam estar.
Aquele quarto estava congelado e, ela tinha que sair dali o mais rápido possível para tentar encontrar Karin, Hinata ou Itachi.
Desviou o olhar para a abertura por onde adentrou e cogitou a ideia de fazer o inverso, mas a altura era muito para seus pulos alcançarem. Suspirou, teria de encarar o corredor que era mostrado pela única porta aberta. Engoliu em seco e puxou o capuz da capa bege para cobrir a cabeça, desejando que eventos como os do dia anterior não acontecesse, e deu os primeiros passos em direção à saída do cômodo, com uma expressão temerosa. Contudo, esta se contorceu em incredulidade, quando Sakura parou no meio do corredor.
Tudo estava envolvida por uma camada azulada, que vez ou outra, reluzia.
— Para qual direção? – murmurou duvidosa, virando o rosto de um lado para o outro.
O seu lado esquerdo a levava ao final do corredor, onde havia uma enorme entrada, provavelmente era fechada por porta dupla. Já o direito lhe dava acesso a uma escadaria há alguns metros de distância, mas também a continuação daquele corredor.
Uma rajada de vento gelado atingiu seu corpo, arrepiando-a. O som de passos pesados e lentos alcançaram suas orelhas, seguido de um grunhido. Algo estava vindo em sua direção, e Sakura não havia decidido qual lado seguir.
O som dos passos ficou mais alto, deixando-a em um estado de alerta. O temor que sentia, multiplicou-se a ponto de ela conseguir ouvir o eco das batidas de seu coração acelerado.
Outra rajada de vento gelado foi o estopim para disparar em direção à entrada no final do corredor sem pensar duas vezes. Quando parou dentro do espaçoso cômodo que se revelou para ela, Sakura soltou o ar que não sabia que havia prendido, iniciando uma respiração arfante.
Passou os olhos pelo local rapidamente, a procura de um esconderijo, porém tudo estava congelado, como era de se esperar. Os passos atrás de si soaram estridentes e, seus olhos se arregalaram por este motivo e por se deparar com uma mulher deitada sobre a enorme cama bem na sua frente.
O único local que não estava envolvido por uma camada de gelo.
— Parada! Afasta-se dela! – uma voz sombria soou pelo quarto.
Sakura cessou a respiração. Por mais estranho que parecesse, ela conseguiu sentir a presença da pessoa atrás de si. Era pesada, enegrecida. O que a deixou apavorada.
— É proibida a entrada no castelo. – os olhos vermelhos com as três tomoes fixaram nas costas a sua frente. – Perguntarei apenas uma vez... – falou em uma ameaça contida. – Quem é você? O que o trouxe até o meu castelo?
Fez-se um momento de silêncio.
Sakura apertou os olhos com força, na tentativa de conter o pânico que lhe subia pela garganta. Queria responder ao questionamento, mas também queria fugir dali.
Provavelmente, seu desejo de minutos atrás não fora atendido pelos deuses da Dimensão Tau.
Uma rajada de vento gelado adentrou as janelas abertas daquele enorme quarto, acertando, principalmente, a Haruno, e o capuz que cobria sua cabeça foi jogado para trás, revelando o cabelo rosa para a pessoa atrás de si.
Os olhos vermelhos se arregalaram levemente, desacreditados, pois passou a sentir um calor familiar irradiando dela.
— Sakura? – silabou em um fio de voz.
Atendendo ao chamado, ela virou sobre os calcanhares após contar até três.
Nunca estaria preparada para visualizar a figura alta, de pele acinzentada, cabelo num tom azul desbotado, encarando-a fixamente com um olhar gélido.
— Eu... – a Haruno moveu somente os lábios. – Não quis invadir... Foi sem querer. – murmurou com a atenção fixada no chão.
O som de três passos pesados alcançou sua audição, fazendo-a levantar a cabeça e afastar-se, até que todo seu dorso encostou-se à fina camada transparente que protegia a cama.
Uma descarga elétrica foi sentida por Sakura.
E então, os olhos verdes se cruzaram com os vermelhos no instante seguinte.
Todos os músculos do corpo feminino se contraíram, e ela tentou até dar mais alguns passos, em um ato instintivo, porém, somente leves descargas elétricas atravessaram seu corpo.
Apertou as pálpebras uma contra a outra com força ao sentir mais uma rajada de vento gelado atinge-la.
— Sakura. – a voz masculina soou pesarosa, para em seguida esticar o braço esquerdo em direção ao rosto de queixo fino.
Ela parou de movimentar o peito, impedindo a respiração, quando sentiu dedos gelados acariciando a bochecha direita e abriu os olhos, sobressaltada, encarando a figura amaldiçoada parada a sua frente.
— Não me machuque. – balbuciou ao sentir a grande mão passar pelo seu pescoço, nuca e subir para o cabelo rosa, onde os dedos gelados se enroscaram.
— É você, pequena? – perguntou com o rosto a centímetros do dela.
Os olhares se cruzaram novamente e, mesmo que a visão da Haruno estivesse embaçada por conta das lágrimas, ela conseguiu assistir a expressão masculina amolecer e os olhos vermelhos com três tomoe brilharam num lampejo de esperança.
— Eu não quis invadir. – tornou a balbuciar. – Não me machuque. — pediu aflita.
— Não vou. – e desfez o restante do espeço entre eles ao passar o braço direito ao redor do corpo tremulo.
O calor mais que familiar dela o aqueceu, o fazendo perceber que sentira muita falta da calmaria que ela transmitia. Ao mesmo tempo em que a essência de sua rainha ficava mais evidente naquela cópia.
— Eu esperei por você todo esse tempo. – murmurou e apertou-a mais contra si, inalando o cheiro dos fios róseos. – Finalmente voltou. – comemorou em puro deleite.
As palavras carregadas de contentamento paralisaram Sakura. O medo de ser atacada e morta se dissolvia em seu corpo, dando lugar a uma sensação inquietante. Mas ao mesmo tempo caloroso e familiar, chegando a causar o conhecido frio na barriga. Era a primeira vez que se encontrava com ele, mas a impressão de que já o conhecia, tomava conta de si.
Naquele momento, Sakura soube que ele não lhe faria mal nenhum. Muito pelo contrário, somente tentava suavizar a solidão que o acompanhava desde sua morte.
— Minha pequena. – suspirou aliviado ao encostar a testa na dela, de olhos fechados.
Observando os traços faciais masculinos, ela quis responder ao chamado, mas desistiu antes de abrir a boca por se dar conta de que lágrimas escorriam pelos cantos de seus olhos silenciosamente. Era surreal a sensação calorosa que lhe consumia, mas também era intensa. E sem pensar duas vezes levou ambas as mãos em direção ao tórax masculino, espalmando-as ali.
Os olhos vermelhos se abriram em respostas, fixando-os nos verdes brilhantes. O cenho franziu em confusão ao acompanhar algumas lágrimas descerem pelas bochechas coradas da Haruno.
No entanto, a preocupação tomou conta de si ao ouvir um gemido doloroso escapando dos lábios femininos enquanto que visualizava uma careta de dor nas feições dela.
O ar lhe faltava em seus pulmões. A sensação que todos seus órgãos eram comprimidos a fez soltar mais uma exclamação dolorosa. O que estava acontecendo consigo? Num último esforço agarrou o tecido da túnica preta que ele vestia e pediu por ajudar através do olhar.
Novamente, a sensação que seus órgãos eram comprimidos a atingiu, sendo seguida por uma vertigem que desfocou sua atenção dos olhos vermelhos preocupados.
Sem pensar duas vezes, apertou-a contra si novamente, percebendo que a temperatura corporal dela já estava alta. Ouviu mais um gemido doloroso antes de sentir o corpo feminino amolecer.
— Sinto muito. – pediu, observando-a cair na inconsciência.
Pegou-a no colo, após passar o braço esquerdo por trás dos joelhos da Haruno. O cenho feminino continuava franzido pela dor, mas ele não podia fazer nada para poder aliviar, afinal a conexão estava sendo refeita.
Encostou a bochecha direito na cabeça cheia de fios róseos, lamentando por não conseguir sentir aquela agonia em seu lugar e por estar na hora de devolvê-la.
Pois, apesar de ela ter voltado, eles não poderiam ficar juntos.
Nunca mais...
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O quartel-general da Restauração Konoha encontrava-se agitado desde a retirada dos membros da Akatsuki. Os soldados mortos e os feridos foram os primeiros a receber atenção da organização: uma despedida rápida, mas digna pela bravura e coragem em proteger a rainha aos que perderam a vida e um atendimento eficiente aos que sobreviveram.
O segundo andar ficara iluminado a madrugada inteira por uma luz esverdeada emanada pelos especialistas em cura, que estavam cuidando dos feridos.
Em seguida, um grupo de soldados ficara encarregado de moldar uma barreira de proteção de nível máximo. Enquanto que, o grupo da inteligência estava ocupando a enorme biblioteca do quartel-general em busca de relatos e propriedades do único par de sapatos de cristal da Dimensão Tau. Informações do Vale dos Cristais também eram consideradas importantes.
Um suspiro pesaroso foi solto pelo líder da Restauração Konoha, o cansaço era evidente em sua feição facial. A morte de dez homens no combate do dia anterior afetara todas as estruturas da organização, que já se encontrava fragilizada pelo rapto da recém-chegada rainha. Não completou nem vinte e quatro horas desde que Sakura havia retornado e já a tinha perdido.
Itachi soltou o longo cabelo preto e o bagunçou, num claro sinal de nervosismo.
A porta da sala de descanso, onde se encontrava, foi aberta.
— Finalmente elas dormiram. – a voz de Karin preencheu o ambiente. – Havia me esquecido de que as mamães poderiam ser dramáticas.
— Não fale isso. Elas só queriam proteger os filhos. – contrapôs Hinata, adentrando a sala após a guardiã fazer o mesmo.
Ambas se acomodaram no sofá a frente de Itachi.
— Aquelas crianças precisaram de proteção até o anoitecer. Depois disso era só descansar por revezamento, como todos nós fomos ensinados!
— Você tem que ter em mente que a ala da maternidade é o local mais zeloso do nosso QG. – disse Hinata.
— É tão zeloso, que chega a ser perca de tempo. Se, pelo menos, elas usassem a razão somente por essa noite, já teríamos ido à procura da Sakura!
A Hyuuga abaixou a cabeça, não havia como contra argumentar aquela sentença.
— Eu falei que não era seguro deixa-la ir para fora do QG, mas você ou Itachi escutaram-me?
— Certo Karin. Devíamos tê-la mantido aqui dentro, como você havia dito. – falou Itachi massageando as têmporas.
— Agora é tarde para dizer isso, pois neste exato momento Sakura pode estar sofrendo torturas, ou até mesmo morta. – exaltou-se. Porém, a culpa de ter falhado na proteção da Haruno pesou nos ombros dos três.
— A Akatsuki não fará nada contra ela. Eles precisam da localização do outro sapato, e com ela sem nenhuma lembrança da vida passada, só resta aguardar que se lembre.
— Hinata, eles já tiraram a vida de inúmeras pessoas inocente, como pode imaginar que vão esperar que a Sakura recorde de algo, sendo que isso pode não acontecer?
— Estou tentando ser otimista, para não pensar no pior, Karin! – exclamou a dama de companhia, com o rosto vermelho.
— Então pare com isso ou guarde somente para si, pois não está ajudando.
— Você também não está ajudando ao descontar sua raiva em nós. – Itachi interveio. -Trabalhamos todos juntos, Karin. – respirou fundo. — Se Sakura foi raptada, significa que todos falhamos. Então guarde sua raiva até o momento em que invadirmos o esconderijo da Akatsuki, pois você poderá desconta-la em cada membro deste grupo. Por ora, pense em uma forma de encontrar sua protegida.
A guardiã encolheu os ombros, envergonhada. As repreensões de Itachi eram proferidas em uma voz calma, mas o que as tornavam temerosas era o olhar frio lançado no final.
— Perdão. – e lançou um olhar arrependido à Hyuuga. Esta apenas assentiu, aceitando o pedido.
— Muito bem, comecem a analisar este mapa. – o Uchiha pendeu o corpo para frente, tocando em uma superfície prateada, que era uma espécie de bandeja depositada sobre a mesa de centro.
Logo linhas, cores e formas geométricas começaram a flutuar acima da superfície, tomando a forma de uma paisagem tridimensional coberta por neve.
— Este é o último mapeamento que fizemos, da região sul do reino, a mesma direção que o Yahiko e seus companheiros seguiram ontem. Tentem encontrar algo que pode vir a ser um esconderijo. – levantou-se.
— Temos que fazer o mesmo com as outras regiões?
— Fique tranquila, Hinata. Suigetsu e eu passamos as últimas três horas analisando as outras regiões. – mexeu o pescoço em movimentos circulares. – Deixamos marcados locais suspeitos. Daqui duas horas partirão grupos até estes pontos para investigar.
Leves batidas na porta chamaram a atenção dos três, que logo sorriram em um cumprimento a empregada Midori.
— Trouxe chá e biscoitos como tinha pedido, Itachi-san.
— Obrigado. – agradeceu, recebendo a bandeja. – Pode ir descansar, sei que não dorme desde ontem.
Midori curvou-se levemente em agradecimento e retirou-se da sala, fechando a porta.
— A expressão tristonha retorna ao rosto dela. – comentou Hinata.
O Uchiha se limitou a pegar a xícara de chá que serviu para si.
— Se encontrarmos o esconderijo da Akatsuki e o invadirmos, estaremos iniciando uma guerra. – Hinata tornou a falar, enquanto deslizava o indicador sobre a imagem tridimensional.
— Fale algo que nós não sabemos Hina. – foi sarcástica.
— Não comece Karin. – e lançou um olhar bravo.
— O conflito é inevitável, cedo ou tarde ele eclodirá. – disse Itachi, após sorver todo o conteúdo da xícara de porcelana. – O resgate de Sakura também pode ou não ser o motivo do mesmo. Temos de estar preparados.
As duas mulheres soltaram o ar de forma pesarosa.
— Mas não temos condições, Itachi. Todos estão abalados por causa de ontem, pensar em conflitos é a última coisa que nós queremos.
— Se, ao menos, Sasuke-sama estivesse junto conosco. – lamentou-se Hinata.
— Infelizmente não podemos esperar algo vir a partir do meu irmão. Por isso convoquei uma reunião de emergência com os outros reis, só espero que possamos contar com seus respectivos apoios. – e voltou a servir-se do chá.
Ali estava mais uma preocupação de Itachi. A relação do Reino do Fogo com os outros quatro reinos havia reduziu-se apenas às inclusões nos acordos firmados, sem, de fato, a participação. Ou seja, o acordo de apoio mútuo entre os cinco reinos, para manter a paz e a prosperidade da Dimensão Tau, tinha grandes chances de não ser aplicado no Reino do Fogo, pois o mesmo permanecia inativo há trezentos e trinta anos da aliança.
Contudo, Itachi se recusava a perder as esperanças. Se, ao menos, um dos reinos se dispor a cooperar com a Restauração Konoha, seus esforços terão valido muito a pena.
— Estou esperançosa que todos os representantes compareçam à reunião, Itachi-san. – Hinata falou com um sorriso doce nos lábios. – Afinal, a Akatsuki é de interesse de toda a dimensão.
— Agradeço pelo seu otimismo.
Interrompendo o diálogo, a porta foi aberta bruscamente.
— Itachi-san! – exclamou Takeshi, o mesmo rapaz do dia anterior. A expressão assombrada tomava conta de seu rosto. – Ele apareceu!
— Ei, que escândalo é esse? – indagou Karin, sobressaltada.
— Desculpe, mas ele está aqui! – elevou a voz.
Os três levantaram-se rapidamente e aproximaram-se dele.
— Primeiro, acalme-se. – a dama de companhia pediu, para em seguida toca-lo no braço. – Depois nos dia quem está aqui. – disse docemente, mas pronta para ouvir que novamente seriam atacados.
Takeshi respirou profundamente, mas uma palidez incomum apareceu em seu rosto deixando Karin e Itachi em guarda também.
— Itachi-san, seu irmão está lá fora! – disparou num fôlego só. – O rei Sasuke!
Como se fosse ensaiado, a movimentação na casa intensificou-se: passos apressados por todos os andares e murmúrios ficaram altos; os guardas lá fora se aglomeravam num ponto em que as janelas da sala onde os três estavam não mostravam, mas as expressões desacreditadas e a mudança súbita ao ritmo do quartel-general eram perceptíveis.
A presença enegrecida foi sentida pelos três no instante seguinte e, isso foi o sinal para fazer o Uchiha disparar para fora da enorme casa em estilo vitoriano.
— Vamos Hinata! – e pôs-se a correr na mesma direção que Itachi tomara.
Não acreditava que seu irmão caçula havia saído do castelo por vontade própria depois de anos. A presença enegrecida, por ter sofrido a transformação em um monstro imortal, não ocultava os piques do chakra que Sasuke possuía. Porém, só depois de encara-lo conseguiria acredita.
Atravessou o hall do quartel-general, esbarrando nas pessoas agitadas pela repentina aparição do rei. Ele nem se preocupava em desculpar-se, pelo contrário, apertava os passos ainda mais e praticamente pulou da porta dupla da entrada ao gramado, seguindo ao aglomerado de guardas, que com sua chegada, foi dando-lhe passagem.
— Sasuke! – exclamou desacreditado ao visualiza-lo coberto por uma capa preta, sem o capuz.
O cabelo num azul desbotado balançava pelo vento, o que acabava cobrindo partes da expressão séria dele, vez ou outra.
— Itachi-san, nós já pedimos que vossa majestade adentra-se a barreira, mas Sasuke-sama recusa-se. – informou o rapaz que estava do seu lado esquerdo.
— É você mesmo, Sasuke? – indagou, ignorando o jovem guarda.
— Sim, sou eu.
— Por que permanece ai fora? Venha, entre. – e a barreira de proteção oscilou, num convite mudo.
O Uchiha do lado de fora deu apenas quatro passos, aproximando-se o suficiente para que seus braços, caso fossem esticados, ultrapassassem para dentro.
— Prefiro ficar aqui. Além do mais, não pretendo demorar, não quero tomar o tempo de vocês mais que o necessário. – falou e mexeu os braços, a capa acompanhou o movimento.
— Vossa Majestada pode ficar o tempo que quiser, jamais estará nos atrapalhando. Por favor, entre! – uma voz feminina soou entre a multidão, o que causou uma onda de anuência para com as palavras ditas.
— Não me chame dessa forma. – pediu receoso. – Vim apenas para trazê-la de volta. – e afastou a capa, revenlando a Haruno inconsciente em seus braços.
— Onde a encontrou? Você lutou contra a Akatsuki? Estão feridos? – a voz de Itachi subiu conforme disparava as indagações.
— Não, encontrei-a vagando pelo castelo. – passou o corpo feminino a uma mulher vestida com o conjunto azul marinho, um pouco a contragosto.
— Leve-a para dentro, Karin e Hinata acompanhem-na. – ordenou, analisando o corpo desacordado de Sakura.
— Ela restabeleceu a conexão, o corpo e o chakra da dimensão estão sincronizados, é por isso que está com febre. Vocês precisam baixa-la e aliviar a pressão que a energia está exercendo sobre os órgãos dela. – explicou Sasuke, observando o topo da cabeça rosada se distanciando.
A guardiã deu as costas aos dois Uchihas, após ouvir as orientações e disparou para dentro, sendo acompanhada da Hyuuga.
— Como soube que ela retornou?
— Eu não soube, apenas senti a fraca presença dela no castelo. Onde a encontraram?
— Dimensão Ômega. Karin está com ela desde que era um bebê.
— Quer dizer que ela é uma humana? – indagou atônito.
— Não, quer dizer que ela reencarnou na Dimensão Ômega e cresceu lá. – respondeu, sentindo a tensão se esvair aos poucos do corpo. – Por alguma razão desconhecida, ou coincidência mesmo, as características mais marcantes da Sakua permaneceram.
— E, o que pretende trazendo a reencarnação dela para cá? Ela deve não se lembrar de nada da vida passada.
— Esse retorno estava fora dos planos, mas aconteceu, porque a Akatasuki tentou rapta-la. – lançou um olhar sério ao irmão caçula. – Na verdade, o retorno só foi adiantado, então, presumo que você saiba o motivo de ela estar aqui, e não é somente para garantir a sua segurança.
Um suspiro pesaroso foi solto por Sasuke.
— Pensei que já havia desistido, depois de todos esses anos sem nenhum progresso, Itachi. Você sabe que fui condenado para sempre, e por consequência, o Reino do Fogo não voltará a ser era como antes.
— Não diga isso. Ainda há esperança, mais agora que Sakura retornou. Todos estão considerando esse retorno como um sinal de que estamos prestes a descobrir como reverter a maldição.
Um riso, seco e anasalado, foi solto em descrença.
— Não deviam acreditar e, muito menos, insistir. Muito pelo contrário, deveriam desistir e seguir um novo caminho.
— Papai e mamãe, do paraíso, mandariam um castigo se eu desistisse de você, Sasuke. Além do mais, que espécie de irmão mais velho eu estaria sendo se parasse de procurar uma salvação para você ou, o abanasse para seguir em frente, como você acabou de dizer? – sorriu-lhe amavelmente. – Ninguém quer desistir, porque ainda há esperança.
— Tsc! Façam como quiser então. – resmungou desconcertado e virou sobre os calcanhares enquanto tirava a capa preta.
Ações que fizeram Itachi rir.
— Outra coincidência da reencarnação da Sakura, o nome dela também é Sakura.
— Adeus Itachi! – contrapôs, lançando um último olhar ao irmão.
As asas em forma de garras se abriram num piscar de olhos.
— Sasuke espere! – pediu.
— Não se preocupe, eu estou bem. – disse com um pequeno sorriso de canto e seus pés alcançaram a altura da cabeça do irmão.
Uma rajada de vento violenta atingiu os membros da Restauração Konoha.
— Impossível não me preocupar. – murmurou e abriu os olhos, para em seguida, fixa-los no lugar onde Sasuke estava antes de desaparecer.
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O sorriso de canto, um tanto quanto presunçoso, apareceu nos finos lábios de Sasuke sem que o próprio percebesse.
Desde que retornara do encontro inesperado, mas ao mesmo tempo esperado, com o irmão mais velho, ele permanecia na sala do trono congelado, sentado e com o olhar fixo no cintilar da camada de gelo, que reluzia com a incidência dos raios solares. Era o sinal de que o sol atingira o ápice do seu ciclo repetitivo.
Suas mãos formigavam, pois ainda sentia o corpo feminino que havia segurado; o cheiro suave dos exóticos fios róseos ainda o estava inebriando; e a sensação de conforto, que tomou seu corpo quando a abraçou, aquecia intensamente seu peito.
Estava sentindo-se vivo por apenas se recordar do breve momento que passou com a reencarnação de sua amada rainha. Apesar de algumas diferenças na fisionomia, como o formato do rosto e dos olhos e o corpo mais pesado do que antes, no fundo Sasuke tinha a consciência de que era a mesma essência, afinal, a alma da rainha Sakura reencarnara naquele corpo.
Porém, como todos seus momentos de felicidade tinham uma duração muito curta, aquele também acabou, ao mover o pescoço e, seu rosto ser atingido por alguns feixes de luz.
Ele não era mais a mesma pessoa há muito tempo. Literalmente, seu coração estava congelado e o seu ser condenado a viver a eternidade, naquela forma de pele acinzentada, cabelos azulados, olhos vermelhos com três tomoe e com asas. Como dizia a maldição de sapatinhos de cristal, um monstro imortal. Por isso, ele não possuía o direito de se alegrar pelo retorno da alma da rainha, e muito menos, cogitar na possibilidade de que com a vinda dela, a maneira de reverter a maldição seria encontrada.
Há três séculos estão a procura, não será agora que acharão. — falou em pensamento e a feição facial endureceu.
Levantou-se num solavanco e, as asas se abriram no segundo seguinte, indo em direção ao quarto real, com os pés a poucos centímetros do chão congelado.
Pousou no batente da porta, com o fragmento da Haruno parada de costas, diante da cama.
— Não se mova! – alertou, dando alguns passos para o centro do enorme quarto. – Como entrou e quem é você? – exigiu com os olhos fixos na capa verde musgo, que era balançada pelo vento.
Um riso seco foi solto.
— Ande logo e responda! Está em meu castelo.
Os pés, cobertos por uma bota branca, giraram, mostrando a fronte do invasor. A cabeça estava encapuzada, revelando apenas os olhos amarelados e um sorriso perverso.
— Não seja rude, Vossa Majestade, pois lhe vim fazer uma visita. – a voz soava em uma mescla de aguda e grave, como se duas pessoas estivessem falando ao mesmo tempo.
— O tempo de me visitar foi-se há muito tempo, deveria saber disso. Agora a entrada no castelo é proibida. – um som estridente ecoou pelo cômodo, para em seguida, um acúmulo brilhoso surgisse em volta da mão esquerda de Sasuke.
— Mas majestade... – encenou uma súplica, mas o sorriso perverso retornou a expressão ocultada junto a um olhar afiado, recheado de malícia. – Garanto que o motivo da visita é de seu interesse. — e apontou para a cama. – Afinal, todo o assunto, cujo nome Sakura está, é de extremo interesse de vossa majestade.
— O quê? – Sasuke franziu o cenho em confusão.
— Somente ouça!
O vento agitava a seda branca que cobria a enorme cama, a única coisa que não estava congelada, sobre ela, o corpo esguio vestindo um vestido vermelho cor de sangue descansava em seu sono eterno. O cabelo longo e da cor rosa estava trançado para o lado esquerdo, com pequenas flores brancas entre os fios.
Mais flores, de variados tipos e de cores suaves, envolviam o corpo feminino, não deixando nenhum espaço no macio colchão. O dossel da cama e sua cabeceira cintilavam pela fina camada violeta de gelo, deixando o local, onde o corpo da Rainha Sakura descansava, admirável, porém frio.
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