Notas iniciais
Boa noite, pessoas!! E feliz 2017!! Como estão?? Bem, apesar de não receber nenhum feed back no capítulo passado, vim trazer mais um capítulo de Sapatinhos de Cristal, espero que vocês gostem!! Boa leitura!!

A porta foi aberta lentamente com direito a um rangido de filme de terror, mas não assustou nenhum dos três que estavam ali na mesma posição há dez minutos.

— Posso voltar outra hora, Itachi-san. – uma voz feminina e muito suave soou.

— Não, fique. Sei que está ansiosa para revê-la. – e pôs-se de pé, após soltar com certa incerteza os pulsos da Haruno.

O som de passos apressados preencheu o ambiente, mesmo sendo abafado pelo tapete felpudo esticado por quase todo o chão, o que despertou a atenção de Sakura.

— Pode me soltar, Karin. Eu prometo não me machucar mais. – disse, tentando se desvencilhar do abraço da amiga.

— Você nem precisa prometer isso, até porque não deve mais fazer. – falou séria, encarando as marcas de unha na pele clara, e aos poucos desfez o abraço, acomodando-se de forma mais confortável no sofá.

— Exigente como sempre. Ou devo dizer mandona. – a voz feminina de antes soou novamente sendo seguida por um riso.

Não sabia o motivo, mas Sakura havia adorado o tom suave da voz e no intuito de descobrir a quem pertencia, levantou o olhar se deparando com uma jovem mulher de altura mediana e aparência delicada.

— Finalmente nos encontramos de novo, rainha Sakura. – falou animada, sorrindo docemente. A reverência foi feita com respeito.

— Você não me chamou de majestade. – comentou surpresa, e pela primeira vez a ideia de ser uma rainha não soou tão absurda.

— Pensei que não se importaria, mas se preferir posso chama-la assim. – disse como se estivesse pedindo desculpas.

— Muito pelo contrário, eu gostei bastante de ser chamada de rainha Sakura. Não me acostumei com esse título ainda, mas é melhor que majestade.

— Não faz nem seis horas que você descobriu que é uma rainha e já está metida por ser chamada de ‘ rainha Sakura’. – alfinetou Karin, afinando a voz na última parte.

— É por isso que ela se machuca, você inferniza até os fios de cabelo dela.

— Porque ela tem que andar na linha, ninguém mandou ela se tornar rainha. – falou irritada e cruzou os braços.

— ‘Andar na linha’? – pronunciou-se Itachi.

— É uma expressão, um modo de dizer e que significa agir corretamente sem cometer nenhum deslize. Na situação de Karin é manter a postura. – explicou Sakura, começando a achar graça dos desentendimentos do moreno. – Você falou que palavrão está proibido, mas expressões da Terra podem? – voltou-se para a amiga ruiva. – Que injusto. – e desferiu um leve tapa no braço de Karin.

— Ei! – censurou, recebendo mais um tapa. – Você pode ser a rainha e minha protegida, mas isso não vai me impedir de bater em você, se me der um tapa de novo. – ameaçou.

— O juramento dos guardiões a impedirá, pode estapeá-la o quanto quiser, Sakura. – comentou a outra mulher, sentando-se no braço do sofá ao lado dela.

— Vou me lembrar disso quando quiser descontar o meu estresse. Mas não sente num lugar tão desconfortável como esse, tem espaço para mais uma. – abriu espaço para que a mulher pudesse sentar no estofado.

— Mais um empurrão e, quem sentará no braço do sofá serei eu. – resmungou a ruiva, também indo para o lado e dando espaço para as duas mulheres.

— Não reclama Karin, você que estava sendo espaçosa, tinha tudo isso para si e resolveu encostar-se a mim.

— Caso não lembre, eu estava te acalmando quando me encostei a você. Mas deixe para lá, porque até entendo que você precisa de espaço no sofá, tanto quanto Hinata e eu juntas com essa enorme bunda cheia de estrias. – provocou.

— Calma aí, Karin, não precisa falar desse jeito também né. Além do mais, minha bunda não tem estrias.

— Pois deveria ter pelo tanto de fast-food e porcarias que você come. Aliás, aqui não há Mcdonald, Subway, refrigerante e muito menos Doritos para você se entupir.

— Não tem sinal de celular e agora isso? Como fica meu snapchat, facebook, instagram e twitter? E aonde eu vou comer?

— Sinto muito em dizer isso, mas não existe mais, e você pode comer peixinhos grelhados e frutas, é muito mais saudável. – falou e sorriu maldosa ao ver a expressão desolada da amiga.

— Não fique assim, Sakura. Você pode pedir algo especial na cozinha sempre que tiver vontade. – consolou Hinata, sentindo certa pena, mesmo não entendendo nada do que diziam.

— Pelo menos tem sorvete e biscoito? – perguntou esperançosa.

— Claro querida. É só fazer suco do sabor que você quer, colocar leite e levar lá fora. – a ruiva disse sarcástica. – E os biscoitos têm sempre em potes na cozinha.

— Eu taquei pedra no seu túmulo na minha vida passada, só pode ser isso. – lamentou e encostou-se à Hyuuga, ainda com a expressão de desolação.

— Não, na sua vida passada, você foi uma rainha gentil e compreensiva, totalmente o oposto da pessoa mimada e birrenta que é.

— Hinata, me ajuda. Olha como ela é má comigo. – e abraçou o braço da dama de companhia.

— Karin diz isso, mas no fundo se importa muito com você e nunca faria mal ou a machucaria. Ignore-a quando começar com esse falatório. – aconselhou enquanto acariciava uma das mãos da rainha.

— Pois você não deve me ignorar, porque eu passei duzentos e nove anos viajando dimensão por dimensão, procurando a sua alma que reencarnaria em qualquer bebê barulhento a qualquer hora.

— E os outros cem anos? – indagou Itachi, contendo a vontade de rir da cena que assistia.

— Foi a Hinata quem procurou.

— E claro, acabou encontrando.

— Porque você me afastou da missão.

— E devo lembra-la que foi afastada, porque foi pega roubando um bebê na Dimensão Sigma?

— Ela se parecia muito com a Sakura e você me perdoou pelo erro. Além do mais, eu me voluntariei para protegê-la quando a Hina encontrou na Dimensão Ômega.

— Nós sabemos disso, Karin, e agradecemos muito por você ter feito esse ato de lealdade.

— Pelo menos a Hina reconhece o meu trabalho nesses últimos vinte e um anos.

— Como você estava cumprindo uma missão, se nós crescemos juntas? Até onde eu me lembro, nos conhecemos no jardim de infância. – disse confusa.

— Não manipulamos a sua memória com magia, se é isso que está pensando. Karin foi à Terra no mesmo ano em que você nasceu e ficou observando-a de longe.

— Quando você começou ir à escola, eu me transformei em uma criança da sua idade e me aproximei de você. Vou confessar uma coisa, passar pela puberdade uma segunda vez foi uma experiência horrível. – falou, fazendo uma careta desgostosa, o que causou risos entre os presentes. – Não recomendo a ninguém. – e cruzou os braços, lançando um olhar mortal à Hinata e Itachi.

Batidas sutis na porta interromperam o momento. Logo após a permissão do moreno, uma empregada apareceu no campo de visão de Sakura segurando uma bandeja. O chá fumegante foi servido para os três em silêncio, mas a reverência em respeito foi feita pela mulher ao se retirar do cômodo com um pequeno sorriso.

— Depois de trezentos e trinta anos, Midori finalmente sorri. – comentou Hinata, entregando uma das xícaras à Sakura.

— Foi algo que quase imperceptível, mas ela sorriu. – a ruiva concordou.

— Aquela empregada foi a última pessoa que viu o meu irmão antes de ser amaldiçoado, desde o incidente ela ficou em um estado de tristeza. O sorriso de agora pouco foi o primeiro indício de felicidade depois de três séculos. – explicou Itachi, vendo o cenho feminino franzido que logo relaxou.

A Haruno assentiu com a cabeça enquanto assoprava o líquido na xícara que segurava com as duas mãos. Não sabia o motivo, mas no inverno, aquela parte do corpo permanecia gelada e, por isso, sempre procurava segurar canecas quentes para aquecer as mãos. Após outro soprou, tomou o primeiro gole do chá, sentindo o corpo se aquecer mais rápido do que com a lareira.

Um silêncio instalou-se no cômodo, e os presentes ali resolveram levar as xícaras às bocas, apreciando o gosto suave do chá.

— Vocês não deviam ser velhos?

— Como? – indagou Itachi, quase se engasgando.

— Velhos. Pois, de acordo com vocês, se passou trezentos e poucos anos desde que eu morri, e se estavam vivos naquela época, não deviam estar mortos? Vocês reencarnaram? – dúvida brilhava nos olhos de Sakura.

— É a segunda vez que você nos mata hoje. – repreendeu risonha. — Apenas você reencarnou, nós estamos vivos desde aquela época. – respondeu Karin.

— Como isso é possível? — perguntou surpresa enquanto assistia os três trocarem rápidos olhares.

— É uma consequência. – por fim, o moreno respondeu em um tom de lamentação. – Você soube que é rainha e o que aconteceu com seu rei, agora vamos contar o que houve com o seu reino. – e suspirou pesadamente, não sabia dizer até aquele momento qual era a história mais dolorosa, a do rei ou do reino.

De repente, o clima entre eles pesou sobre os ombros, fazendo com que a Haruno passasse os olhos pelas três pessoas que a rodeavam, mas enquanto fazia isso, novamente lembranças da coleção de contos surgiram em sua mente. E, por mais que soasse insano, um dos contos se encaixava perfeitamente no contexto em que se encontrava.

— Agora, o Reino do Fogo sabe o real significado do inverno e o vive até os dias de hoje. – pensou em voz alta, dizendo a última frase que encerrava a história lida há alguns dias em sua livraria.

— Isso mesmo, rainha Sakura, mas como sabe?

— Pode parecer estranho, mas eu li sobre a história deste reino em um livro. – explicou.

— O livro não fala o motivo de estarmos assim. – contrapôs Karin.

— Só tive a impressão de que isso poderia ter alguma relação. – deu de ombros.

— De certa forma, tem relação sim, mas a questão de estarmos vivos a mais de um século continua sendo uma consequência. – Itachi tornou a dizer.

— Então explique isso direito. – pediu impaciente.

— Aqui na nossa dimensão, os reinos da Terra, do Relâmpago, da Água, do Vento e do Fogo equilibram-na, cada um representa um elemento essencial para vida: alimento, luz, água, oxigênio e calor respectivamente, e a força vital de cada reino concentra-se em seu rei. – fez uma pausa para respirar. — Quando Sasuke se transformou, acabou desequilibrando a dimensão inteira, ou seja, o Reino do Fogo, que não conhece o inverno, o vive rigorosamente e seus habitantes não envelhecem.

— Alguns acreditam que as pessoas também foram amaldiçoadas, porque quando nós alcançamos os trinta anos de vida paramos de envelhecer. – completou Hinata. – E essa suposição ganha mais força, pois o rei se transformou aos trinta.

— Caramba! – foi a única palavras que conseguiu formular. Sua mente trabalhava na potência máxima para processar todas as informações que eram lhe passada, mesmo que ainda parecesse inacreditável. – Vocês me contaram que eu morri e depois de muitos anos reencarnei... – comentou.

— Sim. – concordou Itachi, arqueando as sobrancelhas em um sinal para que ela prosseguisse.

— Mas como isso aconteceu?

— Você quer saber a sua morte ou a reencarnação? – respondeu Karin com outra pergunta.

— A primeira.

— Bom sobre esse acontecimento não nós temos muito conhecimento. O que sabemos é que você morreu para impedir que os sapatos de cristal fossem roubados. – Hinata contou. – Nunca encontramos o responsável, consequentemente não descobrimos o motivo do roubo.

— Até agora. – acrescentou o moreno com seriedade estampada no rosto.

— Desculpe. – e a Hyuuga franziu o cenho em desentendimento.

— É apenas uma suspeita, mas a Akatsuki pode estar envolvida. – Karin assistiu os olhos da outra se arregalarem. – A nossa volta repentina foi por causa de Konan e Yahiko, que nos atacaram, eles falaram que precisam da Sakura viva, quer dizer que sabem de algo relacionado aos sapatos de cristal. Um deles pode ser até o responsável pela morte da Sakura.

— É claro que são apenas suspeitas. – reforçou Itachi. – Mas já mandei o Shikamru investigar. – e voltou-se para Sakura. -Agora vamos explicar para você. Há mais ou menos três décadas, um grupo de exilados vem chamando a atenção. Eles roubam, matam e chegaram a dizer que tomariam o poder da dimensão Tau. São procurados em todos os reinos, suas cabeças estão valendo muito.

— A meta da Akatsuki de tomar todo o poder começou pelo Reino do Fogo. – disse Hinata.

Sakura somente assentiu com a cabeça, sabendo o motivo de este reino ser o primeiro alvo. Afinal, a oportunidade de tomar o poder era mais fácil pela sua situação atual.

— O rei não sai do castelo congelado, os camponeses e alguns nobres migraram para os reinos vizinhos, e o Reino do Fogo está coberto de neve. – o moreno enumerou os principais pontos que fez o Reino Fogo ser o alvo mais frágil. – Os habitantes que restaram são na maioria os nobres que possuíam a confiança total do meu irmão, o exército, os servos do castelo e as pessoas da cidade. Todos estão abrigados nesta casa. – fez uma pausa para terminar de sorver o chá. – Durante os últimos trezentos anos vivemos aqui, pesquisando e planejando uma forma de trazer o Reino do Fogo de volta, chegamos a nos considerar um grupo de restauração. Porém, não encontrávamos nada, não conseguíamos fazer nada e para piorar, Sasuke havia perdido a vontade de viver, proibindo qualquer um de se aproximar do castelo. Após cinquenta anos de sua morte, era raro às vezes que víamos ele vagando pelos arredores do castelo, até que ele parou.

— Nossas buscas não nos levavam a lugar algum, as pessoas ficavam cada dia mais desmotivadas a continuar, o rei se isolou completamente dentro do castelo enquanto os boatos do grupo de exilados se propagavam. – continuou a ruiva. — Quando soubemos que nós seríamos o primeiro alvo, eu acho que posso dizer que foi como a explosão da bomba de Hiroshima. – lembrar-se das expressões desoladas e amedrontadas das pessoas trazia uma sensação de imponência. – Depois eu explico. – disse se referindo à comparação.

— A esperança só apareceu quando encontrei vossa majestade há vinte e um anos na Terra. As pessoas se animaram, de alguma forma elas acreditam que sua reencarnação é o recomeço do Reino do Fogo. – Hinata terminou de contar, terminando o seu chá.

Sakura apertou a sua xícara entre as mãos e engoliu em seco. Os relatos estavam cheios de sentimentos, tirando um pouco a incredulidade do mundo em que se meteu. Como ela seria o recomeço se nada daquela dimensão fazia parte da sua realidade? Ser rainha e sentir as esperanças de dezenas de pessoas, que viveram mais de um século inseguras, sendo depositadas em si era assustador.

— Itachi-san tem certeza que a Akatsuki pode ser responsável pela morta da rainha Sakura? – os três pares de olhos se desviaram para a dama de companhia, o que fez com que as bochechas corassem.

— Como disse antes, são apenas suspeitas. Se for provado que a Akatsuki foi a responsável, a única explicação para que o tempo se coincida é que alguém do Reino do Fogo está por trás disso, não se esqueça de que as pessoas que nasceram aqui carregam a consequência. – respondeu. — Todos os habitantes do Reino do Fogo pararam no tempo, os que tinham mais de trinta anos permaneceram assim e os que ainda não haviam alcançado, envelheceram até lá e pararam ali.

Alguém bate na porta e os quatros desviam a atenção para o pedaço de madeira em movimento.

— Desculpe interromper, mas Izumi-san chama pelo senhor e pela Karin-san. – um rapaz, trajando um conjunto azul marinho, avisou após se colocar para dentro do cômodo e por as mãos para trás.

— Diga a ela que já estamos indo. Obrigado Takeshi.

O rapaz assentiu levemente com a cabeça para em seguida passar os olhos pelos quatro rostos. A surpresa foi instantânea, mas acompanhada de um pequeno sorriso. Então fez uma reverência, saudando a rainha.

— Com licença. – e se retirou do cômodo.

— Como vou me acostumar com este tratamento? – pensou em voz alta, um pouco sem graça.

— Não sei, mas é bom que seja logo. – a ruiva disse. – Agora descanse. Itachi e eu voltamos logo enquanto isso a Hina te faz companhia.

— Não me trate como uma criança! – protestou e fez bico.

— Então não faça essa cara. – contrapôs, bagunçando os fios cor de rosa do todo da cabeça.

— Karin! – e se livrou da mão da amiga com um fraco tapa. Ainda com um bico nos lábios, Sakura virou a cabeça em direção da janela. – Podemos ir lá fora? – perguntou ao visualizar crianças correndo para aproveitar os últimos raios solares.

— Não acho uma boa ideia. Está frio e você tem que estar em segurança.

— Mas as crianças...

— Elas toleram o inverno mais que você por causa do chakra e as mães delas estão cuidando. É o momento de elas relaxarem.

A Haruno apenas lançou um olhar pidão ao moreno.

— Sakura precisa de um tempo para entender a situação que apresentamos a ela. O jardim pode ser um ambiente mais tranquilo, acompanhe-a para o dos fundos, Hinata, lá é mais reservado.

— Itachi! – censurou Karin.

— Temos que dar espaço a ela. Além do mais, estará segura, Hinata é bem treinada e a barreira de proteção foi fortalecida.

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Fechou os olhos, sentindo alguns feixes de luz solar atingir seu rosto, aquecendo-o. Apreciar aquele tipo de sensação não passaria pela sua mente nem no aniversário se estivesse na Terra, pois assistia o ciclo da estrela por entre os altos prédios da cidade de Nova Iorque.

Puxou o máximo de ar que conseguiu. O pouco tempo em que estava ali com uma capa protegendo-a do frio, foi o suficiente para acalmar seu coração e organizar sua mente. O silêncio, muitas vezes interrompido pelos sons da natureza, a relaxava, chegou a cogitar a ideia de se jogar na neve.

Já aceitava com mais certeza que estava em outra dimensão, apesar de parecer surreal. Havia pulado para dentro de um livro após ser atacada por papeis, despencado de uma altura mortal, descoberto que era a reencarnação da rainha de um livro de contos e que o seu rei e reino encontravam-se numa situação crítica. A vontade de ajudar aquelas pessoas cresceu em seu peito, porém ela não sabia o que poderia fazer.

— Você faz a mesma expressão da antiga Sakura quando está apreensiva. – comentou a dama de companhia, sentada ao seu lado.

A Haruno freou a vontade de retrucar com sarcasmo. Se fosse Karin, não se contentaria, mas Hinata possuía um ar afável em volta de si, que fazia Sakura usar toda a educação que recebera.

— É uma questão de tempo para você se acostumar, rainha Sakura. Prometo-te que ninguém lhe pressionará. – falou com as mãos dela entre as suas.

Um sorriso foi a resposta, ato que causou uma surpresa momentânea na Hyuuga. Todas as diferenças entre a antiga e a atual Sakura sumiram ao assistir ela lhe dedicando um sorriso. O rosto da atual era arredondando de queixo fino e os olhos puxados enquanto que a antiga possuía o rosto fino e os olhos um pouco maiores que os seus, mas estes detalhes desapareciam, pois era a mesma forma de sorrir: com muito sentimento.

— Me chame só de Sakura. – pediu. – Eu tinha falado que ‘rainha Sakura’ era melhor que ‘majestade’, mas ainda me sinto desconfortável.

A boca de Hinata se abriu num perfeito O.

— Você pode me ver como uma rainha e pensar que por isso me deve o melhor tipo tratamento possível, mas não se esqueça de que sou igual você e todos os outros.

— Você sem dúvidas é a nossa rainha! – exclamou emocionada. – Ela também não se sentia muito bem quando a chamavam de ‘majestade’ e a tratavam como se estivesse em um patamar a mais.

— Eu queria que só fizessem isso quando for necessário mesmo.

— Você pode pedir para chamarem-na apenas de Sakura, mas a reverência sempre acontecerá. É a nossa demonstração de respeito e admiração.

— Isso vocês podem demonstrar sendo meus amigos de verdade.

— Se Sasuke-sama ouvir isso, acho que ele riria por horas.

— Hinata, você seria minha amiga?

— É claro. Em sua antiga vida, eu era a dama de companhia mais fora do padrão de toda a dimensão. Voltar a ser como antes é o desejo de todos.

— Obrigada. – e a abraçou. Por um instante uma sensação calorosa tomou conta de seu peito.

Apesar da fisionomia da atual Sakura, Hinata tinha a absoluta certeza de que internamente era a mesma. A mesma alma e o mesmo coração bondoso, só a personalidade um pouco diferente pelo ambiente em que cresceu.

Um tremor interrompeu o momento e as garotas desfizeram o abraço.

Mais outro tremor, agora mais forte, as fizeram levantar. E somente isso, pois logo um estrondo invadiu a audição de ambas.

A barreira protetora reduziu-se a um pó brilhante que cintilava no ar, adultos saiam da casa armados com espadas, machados e lanças, todos reluziam mostrando o quanto estavam afiados.

— Hinata tire a Sakura daqui. – a voz de Itachi ordenou. – A Akatsuki está lá na frente, aproveite que nenhum deles a viu ainda. Agora! – falou nervoso. – Você sabe para aonde deve leva-la.

— Entendido. Vamos. – e pegou uma das mãos da rainha.

— Mas, e a Karin?

— Preocupe-se em se manter segura. Logo encontraremos com vocês. – o moreno disse, afagando o topo da cabeça cor de rosa.

Hinata soltou a mão que segurava e abaixou-se de costas para Sakura.

— Venha.

— Hinata, eu sou pesada.

Um estrondo violento aconteceu.

— Não temos tempo para isso, só suba. Está tudo bem, eu aguento.

O barulho agudo de laminas se chocando já podia ser ouvido. Itachi apertou levemente o ombro da rosada, incentivando-a a subir.

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Conteve o impulso de apertar os braços e impedir que a mais nova amiga respire, por causa de uma rajada de vento frio que as atingiu.

— As pessoas do reino se machucarão por minha causa.

— Não posso negar isso.

— Elas já estão frágeis emocionalmente falando, por que não me entregam a Akatsuki? Assim ninguém sairá mais machucado.

— Você acaba de ferir o nosso orgulho. – disse após puxar mais um bocado de ar para si.

— Eu vi uma pessoa do reino sendo morta antes de subir. Não quero ficar com a consciência pesada, eles não precisam se sacrificar por mim.

— Não diga uma coisa dessas, rainha Sakura. – alfinetou-a. – Eles se sacrificam por você, porque é o dever de todos protege-la, assim como proteger o rei e o reino. Se fizerem isso, morrerão com honra e descansarão sabendo que serviram ao reino com dignidade.

— Além do mais, eles preferem lutar a ser dominados pela Akatsuki. – completou Karin, que havia alcançando-as há poucos minutos. – Então não faça pouco caso da bravura deles.

A Haruno apenas encolheu-se e a Hyuuga puxou o ar novamente.

— Quer trocar? Eu posso carrega-la, Hina.

— Ou eu mesma posso correr.

— Não me faça rir, Sakura. – esbravejou Karin. – E Hina, você não pode ficar cansada.

— Tem razão. – a Hyuuga cedeu depois de inspirar profundamente.

Pararam de correr e Sakura desceu das costas de Hinata em um pequeno salto.

A ruiva abaixou-se como a dama de companhia fez minutos atrás. Com o cenho franzindo em desagrado, pois a Haruno poderia acompanha-las na corrida, aproximou-se da amiga.

Um bater de asas foi ouvido pelas três. Hinata teve tempo apenas de virar-se e deparar-se com uma espécie de pássaro branco aproximar-se com as pernas prontas para agarrar algo.

O canto da ave soou, pondo as duas mulheres em guarda.

— Vejam como a minha arte é um estouro. – uma voz masculina alcançou os três pares de ouvidos.

Bolas do tamanho de bolas de gude foram arremessadas, ainda em queda, elas começaram a estourar, librando uma fumaça branca.

— Rainha desmemoriada capturada com sucesso. – comemorou o rapaz sobre a cabeça do estranho pássaro enquanto que a ave voltava a subir, batendo as asas.

— Deidara volte aqui! – gritou Karin, arremessando um punhal na direção do pássaro ao mesmo tempo em que Hinata saltava, no intuito de pegar o pé ou o tornozelo de Sakura.

— Depois que eu leva-la ao chefe. – contrapôs, atirando mais algumas pequenas bolas explosivas.

A Haruno gritou em desespero. Suas pernas balançavam a uma altura considerável do chão, que a cada batida de asas do estranho pássaro, via-se mais distante da Hyuuga e os membros superiores doíam pelo forte agarre da ave.

— Sakura! – exclamaram aflitas.

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No mínimo estava a seis metros do chão, e toda vez que olhava para baixo sentia uma vertigem, o vento gelado atingindo seu rosto e corpo não era o suficiente. Pelo menos seu sequestrador fez o pássaro branco segura-la na horizontal.

— Faça essa coisa pousar, eu quero descer!

— Vossa majestade não está em posição para exigir.

— Então faça a gentileza de pousar e me soltar!

— Nem para pedir. – e riu em escárnio. – Como tive a sorte de conseguir repta-la, majestade. Posso me tornar vice-líder.

— Como se eu quisesse ouvir seus almejos. Solte-me agora, seu terrorista de araque! – gritou a última parte a plenos pulmões ao mesmo tempo em que se chacoalhava bruscamente como conseguia.

— Se continuar a gritar, eu vou mesmo solta-la, majestade. O chefe que espere mais trezentos anos para você reencarnar.

— Eu não tenho nada a oferecer a sua organização!

— Não seja modesta. Todos estão cientes de que a rainha do Reino do Fogo é a única que sabe aonde escondeu um dos sapatos de cristal.

— Não sei se você sofre de perda de memória recente, mas eu não me lembro de nada da minha vida passada.

— Chamando as pessoas de burras, que falta de educação majestade. – foi sarcástico. – Por favor, não me inclua, porque eu estou farto de ouvir isso.

— Pelo amor da divindade que vocês cultuam, solte-me! – exclamou irritada, balançando com mais força os pedaços das pernas, livres do agarre do pássaro.

— Assim você ofende os nossos deuses. – cantarolou, divertindo-se com a situação.

— À merda com isso. Foda-se! Coloca esse projeto de pássaro no chão agora! – e num impulso desferiu um soco com a mão direita no corpo da ave. Deidara perdeu o equilíbrio e caiu sentando sobre o dorso branco.

No instante seguinte do impacto, uma rachadura expandiu-se para todos os lados do pássaro.

— Sua insolente maldita, o que você fez com a minha arte?!

— Eu não sei, não quero e tenho raiva de quem sabe! – respondeu e desferiu mais um soco, porém atingiu a perna do pássaro.

Mesmo com a rachadura crescendo, chegando a alcançar o pescoço da ave, ela somente chiou pelo golpe em sua perna, que por reflexo soltou o corpo que carregava.

— Bem feito rainha desmemoriada. Morrerá, porque você não serve para nada! Nem mesmo para lembrar-se do esconderijo do próprio sapato. – riu maldosamente e elevou as palmas das mãos, onde bocas mascavam algo.

A fumaça branca começou a ser liberada pelas cavidades feitas pelo soco da Haruno, mas antes do pássaro explodir pelas bocas nas mãos de Deidara uma massa branca foi sendo expelida e moldando-se num falcão.

— Levarei uma surra quando eles descobrirem o que aconteceu.

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Tentava adivinhar qual região do corpo atingiria o solo primeiro. Desde que não sentia mais o agarre firme do estranho pássaro, seus olhos estavam fechados e as mãos envolvendo o pingente de coração, a lembrança mais forte de seus pais.

Qual foi a última fala do terrorista de araque mesmo? Que ela era uma inútil, resumidamente. O que é verdade, pois a única coisa que fez desde que foi jogada naquele novo mundo foi se apavorar, esperando que Karin, Itachi ou Hinata a protegesse.

Provavelmente ninguém gostaria de ter uma rainha como ela, sem algo de admirável a oferecer, somente trazendo mais problemas aos seus supostos súditos.

Sentiu as costas se chocando contra algo macio e em seguida o impacto se espalhou por todo o corpo. Em uma chance muita pequena, ela conseguiu cair para dentro de um buraco no teto de uma casa. Passou o olhar nos cantos que seus olhos alcançavam, percebeu que caiu na frente de um grande armário azulado com uma das portas escancarada.

Ela não sabia o que mais doía, o impacto pela queda e a mão direita pelos socos ou as verdades ditas pela terrorista de araque, mas que deveria voltar para a zona de conforto na Terra, isso tinha certeza.

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Os olhos verdes estavam quase que completamente fechados quando uma brilhante luz os incomodou.

A corrente de prata que suspendia o pingente de coração levantou-se como se possuísse vida própria e em um lampejo de consciência, Sakura se deu conta de que sua única joia cintilava exageradamente.

***

— Sasuke-kun? – chamou pela amado sonolenta. – O que está fazendo ai no escuro? Já está tarde, não foi você quem insistiu para dormimos? – disse, aproximando-se do corpo masculino. – Esconder o meu presente de casamente no armário de sapatos já não há mais graça.

O barulho de metal ecoou pelo quarto, livrando a rainha do sono restante.

— Tem certeza vossa majestade? – a voz grave soou zombeteiro.

Um relâmpago iluminou o cômodo, revelando um homem totalmente diferente de seu amado rei.

— Quem é você? Como entrou aqui?

— Não se exalte rainha Sakura. Só vim pega-lo emprestados. – e levantou o braço esquerdo, mostrando o único par dos sapatos de cristal.

— Se não me engano, eles não podem ser emprestados. Devolva-os! – rosnou e avançou em direção ao ladrão.

— Que egoísmo majestade. Pensei que tivesse um coração bondoso. — e desferiu um chute, no intuito de acertar as costelas direitas da rainha.

Dando um passo para o lado, Sakura segurou o golpe e torceu o pé em várias direções, arrancando grunhidos de dor masculinos. Soltou a perna para em seguida investir sobre o homem, tentando alcançar seus preciosos sapatos. Por sorte, conseguiu agarrar o par, porém foi obrigada a desviar da outra mão que vinha capturar seu cabelo, puxando apenas um.

Os olhos verdes se arregalaram no segundo seguinte, um gosto metálico invadiu o seu paladar e ouviu um riso de escárnio.

— Nunca dê as costas ao seu inimigo, rainha maldita! – disse próximo ao ouvido feminino enquanto retirava de forma abrupta o florete do corpo dela. – Agora me devolva o sapato.

— Terá que me matar primeiro. – desafiou e desabou no chão com o calçado entre os braços.

— Com maior prazer. – e sorriu malicioso.

Ergueu-a pelos cabelos, deixando-a de joelhos. O soco atingiu o estomago no segundo seguinte, levando o corpo ao chão novamente.

Sakura respirou fundo e cuspiu sangue quando sentiu a lamina atravessar a carne novamente, agora na região abaixo do seio.

— Venha pegar. – e abriu os braços, mostrando uma pequena bola de luz no lugar do sapato que logo se apagou e ela começou a respirar pesadamente.

— Vadia! – enfureceu-se. Pressionou o florete para frente, perfurando mais ainda e retirou-o em um só movimento.

O grito de dor não foi contido pela rainha.

— Tenho o resto da minha vida para procurar pelo outro par, já a sua acaba aqui. Além de ser uma vadia é burra, ao invés de usar o chakra para se proteger, o gastou escondendo o sapato. Você sabe que uma hora eu vou encontra-lo, é questão de tempo. – falou ansioso enquanto se afastava do corpo ensanguentado, o rei estava se aproximando. – Não se esqueça de que você amaldiçoou o próprio reino.

Notas finais
Espero vocês nos reviews!! Beijos!! ;)