Notas iniciais
Boa noite, gente!! Como vocês estão?? Deixe-me saudar a todos que estão acompanhando a fic!! =P Vou deixar mais um capítulo para vocês o aproveitarem!! Qualquer dúvida com relação ao universo da fic, podem me perguntar... Boa leitura, até lá em baixo!! Enjoy! ô/

— Está bem, vovó. Estarei aí no domingo. – desviou o olhar para os dois adolescentes que olhavam a prateleira de ficção científica. – Sim, levarei um pudim. Não, não precisa fazer a minha comida favorita. – voltou os olhos para a tela do computador. – Não se preocupe vovó. Eu estou bem, a Karin tem me ajudando. – rabiscou, aleatoriamente, um pedaço de papel enquanto revirava os olhos pelo discurso de zelo que a adorada idosa fazia. – Também amo a senhora, até domingo, tchau! – encerrou a ligação no instante em que os adolescentes se colocaram em frente ao balcão.

Largou o celular sobre a mesa e sorriu em cumprimento aos dois jovens.

—Vejo que leram os livros da vez passada em menos de uma semana. – comentou, passando o código de barras. – Estão querendo me alcançar?

Os dois jovens riram pelo nariz em resposta.

— Então podem comprar mais do que quatro livros. Eu leio um por dia. – disse risonha.

— Quer dizer que a senhorita leu todos os livros daqui? – perguntou um dos adolescentes, meio tímido.

— Sou a dona dessa livraria, né. – deu de ombros. – E por ter me chamado de senhorita, eu cobrarei sessenta e quatro dólares. – sorriu simpática, entregando a sacola amarela com os livros dentro.

A alegria apareceu nos rostos dos dois adolescentes.

— Voltem sempre. – elevou a voz a uma oitava enquanto os assistia sair do estabelecimento, após uma rápida despedida.

Fixou o olhar na vitrine, olhando o lado de fora, sem sombras de dúvida sua livraria estava em uma ótima localidade, nem muito no movimentado centro, mas também nem nos confins da cidade.

Uma sensação de dever comprido tomou conta do corpo de Sakura Haruno, uma mulher de vinte e um anos e dona da livraria-café. Não ir à faculdade, optando por começar o próprio negócio, uma ação hereditária, foi uma das melhores decisões que tomou nos últimos cinco anos. Além de conquistar a independência financeira, conquistou a autonomia e liberdade que sempre desejou, pois viver debaixo das asas de Chisato Haruno, sua querida vovó e mãe de criação, até os vinte e um não a agradava nenhum pouco.

Após a constatação, a mulher sorriu e resolveu voltar ao seu trabalho de desempacotar os novos livros, que havia chegado naquela manhã e que os largou na hora que seu celular tocou. Porém, sua atenção foi presa em duas figuras andando em frente à livraria, ambos eram altos e vestiam sobretudos escuros. Provavelmente foi fruto de sua imaginação, mas em uma fração de segundos, teve a impressão que lhe lançaram um olhar e sorriso em deboche.

Balançando a cabeça de um lado para o outro, a mulher tratou de esquecer o que viu e andou em direção às caixas, ainda fechadas. Teria muito trabalho pela frente.

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Já se passava das duas horas da tarde, quando Sakura terminou de desempacotar e registrar os novos livros. Daria uma pousa para o almoço e, assim que a amiga explosiva, Karin, chegasse para ajudar, organizaria os livros em suas devidas prateleiras.

O que não demorou em acontecer, pois, no momento que levou o último pedaço do sanduíche de fast-food à boca, a porta abriu, fazendo com que o sino tocasse.

— Você deveria parar de comer essas coisas, elas irão te matar. – foi saudada, e ainda visualizou uma expressão desgostosa no rosto da amiga.

— Diz isso, mas é louca para dar uma mordida. – e sugou o refrigerante pelo canudo.

— E entupir minhas veias? Não, obrigada. Sou muito feliz com os meus tofus. – contrapôs, encarando as pilhas de livros sobre o tapete, onde as crianças se sentaram no dia anterior. – Você pediu quantos esse mês?

— As cinco caixas de sempre, mas vieram duas de brinde, porque no mês passado eles se esqueceram de manda-las. – disse desanimada e andou, rastejando os pés, em direção ao sofá. – Só falta colocar nas prateleiras. – e se jogou no estofado fofo do móvel.

— Sua preguiça pós-almoço é algo de se admirar. – comentou com uma pequena pilha nos braços.

— E eu amo seu sarcasmo.

Karin, apesar do temperamento explosivo e humor único, era considerada sua melhor amiga. Não se recordava exatamente quando ela começou a fazer parte de sua vida, pois todos os momentos de sua infância e adolescência, Karin estava lá, a defendendo das crianças que lhe chamavam maldosamente de testa de marquise, a apoiando quando perdeu os pais, a consolando da primeira paixão, e agora, a ajudando na livraria.

No dia em que contou o seu plano em abrir o próprio negócio, em que queria mesclar uma livraria com um café, a amiga aprovou e apoiou a ideia, já pesquisando os possíveis fornecedores de livros e tutorias de desenho com chantilly pela internet. O estabelecimento foi Karin quem encontrou, era uma espécie de casa de dois andares, e não demorou para que o primeiro fosse transformando em uma livraria com estantes do chão ao teto acoplados nas paredes e uma cozinha para o preparo do café. Por isso e mais um pouco, agradecia pela amizade da amiga de cabelo vermelho.

— Como está indo o trabalho de garçonete?

— Tirando as cantadas idiotas do Ben e o cheiro de fritura que gruda no meu cabelo, estou gostando, ajuda a pagar o meu curso.

— Como se você precisasse de dinheiro. – comentou e um frio subiu a espinha.

Instintivamente, desviou o olhar para a vitrine da loja e se surpreendeu com as duas figuras altas e com sobretudos andando a passos calmos pela calçada. Não poderia dizer que foi uma invenção de sua mente pela segunda vez, porque ela viu, de fato, o momento em que os sorrisos apareceram.

Parou de respirar.

— Sakura? – foi despertada pelo chamado da amiga.

— O quê?

— Estou pedindo mais uma pilha de livros, você me ouviu?

— Desculpe. – pediu, já se levantando e soltando o ar pesarosamente.

Trouxe a pilha considerável para os braços, e dando uma checada, olhou a vitrine. Um suspiro de alivio escapou de seus lábios ao visualizar apenas carros passando pela rua.

Aproximou-se de Karin, que estava em frente à prateleira de biografias, e estendeu-lhe os livros. Esta, por sua vez, pegou o primeiro da pilha e o colocou em um dos espaços vazios sem olhá-la.

— O que foi Sakura? — questionou ao reparar no rosto pálido da Haruno, ao pegar o segundo. – Parece que viu um fantasma.

— Sinto que serei assaltada. – falou em tom baixo com a cabeça abaixada levemente.

— O que a faz pensar isso?

— Tem duas pessoas rondando a loja. Hoje pela manhã eles passaram e tive a impressão de que elas olharam para mim, agora pouco, apareceram de novo e as vi sorrirem. – explicou assustada e num impulso, levou a mão direita ao pingente de coração, apertando-o.

— Como eles eram? – mostrou-se preocupada.

— Não deu para ver os rostos, mas eram altos e vestiam sobretudos.

Karin freou a vontade de suspirar, e tentou de manter-se calma.

— Você pode ter se confundido e essas duas pessoas viram algo de interessante na vitrine.

— Não foi o que os olhares delas diziam. – contrapôs, a possibilidade de ser vitima de um assalto nunca lhe passou pela cabeça.

— Relaxa Sakura quando fecharmos, ativamos a sistema de segurança. Nada vai acontecer. – garantiu com um sorriso e apertou os ombros da amiga para reforçar. – Se quiser, eu durmo aqui com você.

— E o seu trabalho?

— Falo que estou gripada. Agora vai buscar mais livros, temos que terminar isso aqui. – impediu que abrisse a boca para contestar dando tapinhas nas costas da Haruno.

— Obrigada. – murmurou.

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O sol já deixava os seus últimos raios, quando o sino soou por todo o ambiente e cenhos foram franzidos, faltava apenas cinco minutos para encerraram o expediente.

As duas mulheres trocaram olhares, decidindo por eles quem atenderia os clientes e Sakura acabou ganhando. O que a fez sorrir em comemoração enquanto lavava as xícaras que foram usadas por um grupo de geek.

O restante da tarde foi produtivo, com a ajuda de Karin conseguiu pôr todos os livros em deus devidos lugares antes de o relógio cuco soar, avisando que eram quatro horas. Como se o cheiro de livros novos e estantes arrumadas atraíssem a clientela, o “Magic Letters” ficou movimentado e só quando o horário de fechar se aproximou que Sakura e Karin puderam respirar normalmente, até que os inconvenientes clientes interromperam o momento de paz.

E não foi apenas por ter entrado na livraria faltando minutos para fechar.

O barulho de coisas caindo pelo chão se mesclou com os de vidros se quebrando, assustando a dona da livraria. Largando a última xícara no escorredor, correu em direção dos barulhos com o coração disparado.

— Karin! – exclamou ao encontra-la deitada no chão, rodeada de livros e cacos de vidro.

Viu-a tossir e sangue respigar na blusa. Aquilo a apavorou.

— De perto ela é mais parecida ainda. – uma voz feminina e nunca ouvida antes, soou. – Mas tem certeza que é ela?

— A guardiã dela está aí, precisa de mais certeza que essa? – respondeu a outra voz, que pertencia a um homem.

Sakura franziu o cenho em confusão ao ouvir o curto diálogo, porém a surpresa tomou conta de sua expressão facial no instante em que se deparou com os sobretudos escuros.

— Oh! Olá, vossa alteza. — os olhos castanhos do homem brilharam em diversão. – Ou devo dizer vossa majestade. – e sorriu zombeteiro enquanto fazia uma reverência.

— Yahiko, ela não tem lembranças disso. Só está bancando o idiota. – falou a mulher e começou a andar.

— Fique longe dela! – e a mão de Karin segurou um dos tornozelos da mulher de estranhos cabelos azuis.

Um grunhido de dor soou como um grito nos ouvidos de Sakura, que assistiu de olhos arregalados o homem saltar sobre o braço que impedia a parceira de andar.

— Karin. – silabou, encarando o rosto da amiga contorcido dolorosamente.

— Não fique aí parada, se mexa Sakura, corra! – gritou a ruiva desesperada. – Se ainda não percebeu, essas pessoas são perigosas.

— Mas eu não posso deixar você. – murmurou.

— Ora, vossa majestade não se lembra de nada, mas age com muita bondade. – Yahiko comentou sarcástico ao mesmo tempo em que aplicava mais pressão sobre o braço feminino, que cedeu.

Em um piscar de olhos, a mulher de cabelo azul apareceu em sua frente, encarando-a fixamente com um olhar gélido.

— Vamos acabar logo com isso. – falou e as pernas de Sakura bambearam.

A queda foi dolorosa, mas não teve tempo de sentir dor alguma, pois se afastou como conseguiu da mulher.

— Eu falei para você correr!

— Faltou graça na queda, vossa majestade.

Sua tentativa em se afastar também foi frustrada ao encostar as costas na estante, e se desesperou. A mulher encurtava o espaço entre elas e isso fez com que seu coração disparasse, ecoando até mesmo em seus ouvidos.

— Lembre-se em não mata-la, Konan, o chefe ficará irado e precisamos dela com vida. – avisou o homem, ainda sobre o braço de Karin.

— Encoste um dedo nela, sua bruxa, e você estará condenada. – rugiu com todas as suas forças.

— Calada, guardiã inútil! – e chutou com a ponta do pé o abdômen de Karin, fazendo-a cuspir sangue. — Você sabe que está viva, porque preferimos assim, né. Então fecha a boca, ou eu quebro os seus dois braços.

— Terá que pegar o outro braço primeiro. – disse entre arfadas e com uma puxada de ar mais forte, tomou impulso e girou o corpo, chutando o primeiro joelho que apareceu no campo de visão.

O golpe acertou em cheio a articulação esquerda, causando uma perda de equilíbrio no enorme homem, e isso era tudo que Karin precisava para lhe passar uma rasteira, roubando o equilíbrio restante. Sem esperar o corpo masculino cair e sentindo uma dormência no braço direito, se preparou para chutar o abdômen com o calcanhar.

No entanto o grito de negação a impediu e a bola de energia a surpreendeu. Assistiu o corpo, tanto de Yahiko quanto de Konan voar para o lado oposto da livraria, chocando-se contra a estante e cair inconsciente. Para ela, a energia que tomou conta do ambiente era familiar e fortalecedor.

Um soluço foi captado pela sua audição e se deu conta de onde minou a energia tão familiar, num solavanco se pôs de pé e correu até Sakura com o braço pisoteado latejando.

— Ei. – a chamou suavemente e a viu abrir a boca trêmula. Abaixou-se ao lado dela.

— Eu... Eu vi papeis... Papeis voando como se fossem... Pássaros. – gaguejou por conta dos soluços. – Karin, eu vi. E... Eles enrolaram as minhas pernas. – contou entre soluços. Uma expressão de terror lhe estampava a face.

— Calma Sakura. Já passou. Calma. – e a puxou para um abraço.

Karin teve que admitir para si mesma que se deparar com a amiga chorando aterrorizada foi desconcertante. E isso se transformou em preocupação quando sentiu os braços a apertarem fortemente, retribuindo o abraço.

— Temos que sair daqui. – sussurrou no ouvido dela. Não sabia por quanto tempo Konan e Yahiko ficariam desacordados, mas torcia para que fosse o suficiente para ela poder pensar em um plano de fuga e despistá-los.

E como um clique, o tal plano formou-se em sua mente ao mesmo tempo em que constatava que a Terra não era mais um lugar segura para as duas.

— Vamos sair daqui. – declarou, rasgando o envoltório de papel que prendia toda a extensão dos membros inferiores da Haruno.

— Nem pensar, nós devemos chamar a polícia. – disse Sakura em um fio de voz.

— E dizer o que? Que a livraria foi invadida por duas pessoas que têm poderes? Que uma até envolveu papel nas suas pernas sem usar as mãos? Eles vão achar que é trote. – contrapôs e terminou de rasgar a espécie de cauda.

— Mas...

— Olha só Sakura, eu falei para você fugir, mas nem me deu ouvidos. Então agora você vai me ouvir. – se levantou e a ajudou a fazer mesmo. – Vamos sair daqui antes que eles acordem. – falou séria e a viu tremer.

Virou sobre os calcanhares e passou os olhos pelas enormes estantes com rapidez até localizar o que queria, voltou-se para a amiga com as expressões suavizadas.

— Confia em mim. – pediu em um tom mais ameno enquanto pegava a mão direita dela com a sua esquerda.

Karin não esperou uma resposta, voltou a atenção para a estante de antes e começou a correr, puxando a amiga junto.

Sem entender absolutamente nada dos acontecimentos de minutos atrás, Sakura acompanhou os passos da ruiva em silêncio, quando ela estivesse mais calma, pediria uma explicação. Estava tão concentrado em correr e não pensar que duas pessoas se encontravam inconscientes no chão de seu estabelecimento que Sakura não percebeu Karin pegando um livro da estante de contos infanto-juvenis.

Subiram as escadas em espiral do fundo da livraria, que dava para o segundo andar, a casa, de fato, da Haruno. Seguiram diretamente ao único quarto ocupado.

Causando um forte estalo ao abrir a porta, Karin entrou indo ao armário e deixando Sakura no batente, tirou dois cobertores de microfibras de dentro dele.

— Para aonde vamos? – a Haruno questionou meio receosa ao ver que a amiga não pegou nenhuma muda de roupa.

— Para um lugar seguro. – respondeu, terminando de passar a zíper da mochila, onde colocou os cobertores.

— Seja mais específica, por favor. – e se aproximou.

A ruiva soltou um suspiro e levou uma mecha de cabelo para trás da orelha, na tentativa de manter a calma.

— Apenas confie em mim, Sakura.

— Eu confio, mas não podemos ir para casa da minha vó? Ela não vai se importar, e lá é seguro. – fez seu último apelo. – Amanhã, aqueles dois estarão bem e só teremos que arrumar a livraria.

Um pequeno sorriso moldou os lábios de Karin enquanto trazia as mãos de Sakura para o meio delas, envolvida nas suas.

— Acontece que aqui não é mais seguro e quando digo, aqui, me refiro à Terra. – confusão tomou conto da expressão da outra. – Chegou a hora de voltar, Sakura.

— Voltar? Do que você está falando? Karin, eu não estou entendendo mais nada! – poderia se comprar a um cego perdido em meio a um tiroteio.

— Eu prometo que explico tudo quando chegarmos ao lugar seguro, só tenha paciência. – falou e apertou as mãos delas em forma de conforto.

Pegou o livro, que repousava sobre a cama e o folheou até chegar às últimas páginas, o depositou de pé encostado à parede.

— O que pretende fazer? – perguntou ao visualizar a ilustração de um lugar coberto de neve.

— Ir para o lugar seguro. – respondeu enigmática enquanto tomava distância do livro aberto com a mochila nas costas.

— E como pretende fazer isso? Eu tenho que ir também?

— Não faça perguntas idiotas, Sakura, é claro que você tem que ir. Aliás, é obrigada, nada mais que o seu dever.

A Haruno cogitou a ideia que acabaria com marcas de expressões por estar franzindo o cenho a cada minuto, em sinal de confusão.

— Vamos do jeito mais rápido que existe. Você precisa apenas pular no livro.

Incredulidade brilhou nos olhos verdes de Sakura.

— Só pode ser brincadeira. Karin, andou se drogando? Tomou vodca com energético e ecstasy de novo? – indagou abismada. Primeiro pedaços de papeis voam e envolvem suas pernas, depois ouve que o planeta Terra não é seguro e logo em seguida é intimada a pular num livro.

Ou ela estava sonhando ou enlouquecendo.

— Eu disse que explico tudo quando chegarmos. Não temos muito tempo. Você precisa pular, eu vou fazer a mesma coisa.

— Recuso-me!

— Sakura, confia em mim!

— Não. – gritou nervosa. – Você está me pedindo uma coisa absurda, eu não vou pular. – finas lágrimas escorreram pelas laterais de seu rosto. – Recuso-me.

— Sakura, por favor. – implorou também nervosa.

Passos vieram do andar de baixo.

— Não. Você está se ouvindo bem? Karin, você está me dizendo para pular em um livro de contos. – disse abismada. – Olha para você, está com braço machucado e a blusa manchada de sangue. Eu tenho certeza que bateu a cabeça e está delirando. Vamos a um hospital, por favor.

Passos vieram das escadas.

— Escute aqui, garota! – a ruiva estourou. — Eu estou tentando proteger você, se ainda não percebeu. Aquelas pessoas estão loucas para pega-la, e se isso acontecer o meu líder me mata. Então, ou você me ajuda a mantê-la viva ou eu te bato, a minha mãe esquerda pode não ser boa como a direita, mas eu garanto que deixo, no mínimo, um olho roxo nesse seu rosto perfeito. – ameaçou já fora de si, com o estresse em níveis estratosféricos.

— Desculpe. – a Haruno murmurou de cabeça baixa e ombros encolhidos.

Passos vieram do corredor.

— Pulamos no 3. — avisou, pegando na mão da amiga enquanto a via concordar com a cabeça. – Um. – ambas respiraram fundo. –Dois. – pegaram impulso. – Três. – e se atiraram contra o livro ao mesmo tempo em que a porta se abria em um chute. – Logo estará em casa, majestade. – declarou elevando a voz a uma oitava e sentindo um alívio acalmar o coração.

— Do você me chamou? – indagou com os olhos fechados fortemente pela ofuscante luz que as engolia.

Yahiko e Konan se apressaram para pegar um pé ou tornozelo, no intuito de impedi-las de fugir, mas a forte luz que emanava do livro incomodava os olhos dos dois. E foi com suspiros em derrota que assistiram ao livro se fechar, após sugar as duas mulheres, e desaparecer.

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Tinha a sensação deliciosa de estar envolvida por um cobertor, mas esta se foi assim que um gélido vento entrou em contanto com o seu rosto, acabando com o sentimento de aconchego que lhe arrebatou.

No entanto, Sakura não teve tempo para sentir o ar frio bater em sua pele, pois a situação em que se encontrava a fez se esquecer de tudo e se concentrar apenas em como não morrer.

Estava em queda-livre. Ela não sabia se o tele transporte falhou, pois as mandou para o meio do céu, ou se era normal de aquilo acontecer. Preferiu ficar com a primeira opção.

— Abra os olhos Sakura e admire a brancura desse lugar!

Hesitante, a Haruno abriu um dos olhos e se deparou com uma imensidão branca abaixo de si. Encantada com a imagem diante de si abriu o outro olho e apreciou a neve, que se estendia até o horizonte em diversas formas, algumas formavam montes, onde só conseguia ver os cumes, já outros formavam áreas planas que despertava a vontade de deitar ali e fazer anjo de neve nela.

Foi tirada de seu momento de apreciação por um puxão brusco.

— Ainda estou protegendo você. – a voz da amiga soou e em seguida sentiu os braços da mesma a rodearem.

O impacto contra o chão, mesmo estando coberto por uma grossa camada branca, balançou todo o seu corpo. Entretanto Karin deveria tê-lo sentido mais do que ela, pois bateu as costas no chão e recebeu todo seu peso.

— Você está bem? – perguntou preocupada. – Karin! – exclamou afoita.

— Ficarei bem quando você sair de cima de mim. – disse prontamente.

— Mas você está bem? Não se machucou? – continuou a perguntar, livrando a amiga de suportar seu peso.

— Bem melhor. – e respirou profundamente.

— Karin! – repreendeu Sakura preocupada.

— Você falou tantas vezes o meu nome que por um minuto ele perdeu o sentindo para mim. Mas fique tranquila, eu estou bem, está tudo no lugar. – garantiu com um sorriso no rosto. – É muito bom estar em casa. – pensou em voz alta, respirando fundo novamente.

Irritada pelo comentário sarcástico da amiga, Sakura pegou um bocado de neve com as mãos e a soltou no rosto da ruiva. Exclamações em surpresa foram soltas enquanto se sentava em uma velocidade surpreendente, tirando meio afobada a neve de seu rosto.

— Sua louca. – esbravejou.

— Como você está inteira após cair em queda-livre uma grande altura? – quis saber.

— Eu também não sei. O que importa é que estou viva. – falou como se seu feito fosse algo trivial.

— Karin, você deveria estar morta depois dessa queda e eu também.

— Ei, não nos mate. – falou, estalando o pescoço. – Concordo que humanos morreriam depois de cair seiscentos metros, mas infelizmente aqui as coisas funcionam de forma diferente. Além do mais, a neve amorteceu a queda e estou me sentindo ótima desde que chegamos.

— E onde seria aqui exatamente?

— O lugar seguro que eu falei. – respondeu com um sorriso e se levantou para se esticar, apesar de estar inteira, não significava que não havia sentindo o impacto doloroso no corpo.

— Você me trouxe ao Polo Norte?

— Não viaja Sakura, se nem eu aguento o frio daquele continente, como eu levaria você lá? Acho que você não entendeu quando eu disse que a Terra não é mais segura. — fez um momento de silêncio. – Mas tudo bem, eu vou tirar todas as suas dúvidas, mesmo que para isso tenha que explicar duas vezes a mesma coisa. – e fingiu uma tosse. –Só deixe-me apresenta-la, ou melhor, dizer uma coisa que aguardo desde o seu nascimento.

Antes de baixar a fronte em uma reverência respeitosa e ao mesmo tempo saudosa, a ruiva fixou seus olhos na expressão de pura confusão da amiga e sorriu em alegria.

— Bem-vinda de volta ao Reino do Fogo, vossa majestade.

Notas finais
Um aviso: Sapatinhos de Cristal é uma mistura de fantasia com alguns elementos do universo de Naruto... No próximo capítulo vocês entenderão melhor, eu garanto... ^^ Espero que tenham curtido o capítulo... Aguardando comentários!! Beijos!! :D