Santuário Dos Condenados
13 Capítulo 13 - EU SEI QUEM VOCÊ É...
Notas iniciais

“Não sou um guerreiro justo
como em contos de fadas,
mas um avatar da morte que compartilha contigo
a caça, o fim e o sangue.”
Aiacos! O inimigo que dizimara os seus homens... Ali, no Santuário! A constatação do fato fez Kardia experimentar dois sentimentos, um deles era de euforia. Poderia, finalmente, acabar com a raça do desgraçado que matara seus amigos. O outro era a ira, tão forte e presente que ele sentiu o sangue ferver. Entretanto, apesar destes sentimentos, havia outro, a preocupação com Dégel.
– Como Caronte conseguiu colocá-lo na ala A? – questionou Kardia.
– N-Não s-sei... Mas, Caronte tá... ficando forte demais. — respondeu Flégias, um tanto sonolento.
– O Dégel tá na ala A, tenho que tirá-lo de lá.
– Tá acontecendo algo... Dégel foi ajudar... Ele não vai ficar na ala.
– Como assim?
– É segredo... Nem eu sei o que é.
Kardia franziu o cenho. Dégel era médico e se a ajuda dele era necessária devia ser algo relacionado à saúde de alguém.
– Menos mal, então vai dar tempo de eu acabar com Aiacos.
– Kardia... temos que acabar com Caronte. Com ele fora da jogada... os outros ficam quietos.
– Deixa que dele eu cuido. Agora, fica esperto.
– Eu sei...
Kardia voltou para a maca quando ouviu os passos do enfermeiro e outra voz que identificou de imediato. Era Caronte!
– Como estão estes dois? – perguntou o guarda.
– Estão se recuperando. – respondeu o enfermeiro e Kardia sentiu que ele não simpatizava muito com Caronte.
Flégias fingiu dormir e o grego também. Caronte se aproximou e os olhou, demoradamente. Depois, com um sorriso fingido, se aproximou do enfermeiro e sussurrou-lhe bem perto do ouvido:
– Deixe esses dois novinhos em folha! Faça bem o seu trabalho e talvez eu o visite uma noite dessas.
O enfermeiro elevou uma sobrancelha e também esboçou um sorriso fingido, enquanto pensava: Deus me livre e guarde deste tosco metido a galã!
– Eu sempre dou o meu melhor, bonitão. – respondeu por fim.
– Assim espero. – respondeu Caronte dando uma palmada no enfermeiro e saindo, logo a seguir.
Assim que ele deixou o local, o enfermeiro fez uma careta como se fosse vomitar e voltou-se para os pacientes. Notou que Kardia fingia dormir e sorriu.
– Pode abrir esses olhinhos... O tosco do Caronte se foi.
Kardia abriu um, depois o outro.
– Como sabia que eu estava fingindo?
Um sorriso amplo desenhou-se nos lábios do enfermeiro, enquanto preparava uma seringa com analgésico.
– Você ficaria surpreso em saber tudo o que eu consigo perceber, minha delícia morena...
Flégias também abriu os olhos e mordeu o lábio inferior quando percebeu que a injeção era para si.
– É mesmo preciso? – perguntou o carcereiro com um fio de voz.
– Sim, é. Esse seu ferimento vai doer e precisamos cuidar para que não infeccione. Fique quietinho e aguente.
Assim que o líquido entrou na corrente sanguínea, Flégias adormeceu, novamente, e o enfermeiro se voltou para Kardia.
– Escute bem o que eu vou dizer, está acontecendo algo neste lugar. Algo muito sério e que envolve certas experiências que o diretor promove aqui dentro. Procure não ficar muito visível, entendeu?
Franzindo o cenho, Kardia fitou o rosto do enfermeiro.
– Não ficar visível? Isso é quase impossível na ala B e você sabe.
– Você é novo por aqui, ainda não sabe que a ala em que se encontra é considerada população experimental. Portanto, cuidado. Se começar a ficar muito visível, vai sobrar pra você e seria um desperdício muito grande... Bem, vou tomar um café. – respondeu com um olhar malicioso.
Kardia acolheu aquelas palavras e ficou ainda mais preocupado. Não por si, mas por Dégel.
Flégias gemeu baixo e o enfermeiro deixou-os descansando. A mente de Kardia fervilhava buscando soluções quando uma silhueta insinuou-se na porta de entrada. O grego ficou em silêncio até perceber que era um homem baixo e franzino que se esgueirava por entre as macas e estava indo na direção de Flégias tentando colocar algo no soro pendurado ao lado da cama. Nervoso, o homem deixou cair a seringa e o ato deu tempo ao grego de levantar rápido e confrontá-lo.
– O que você está fazendo? – perguntou Kardia pegando o homem pelo colarinho.
– E-Eu... M-Me solta! – falou o homem.
– Já que está dando uma de médico vamos ver o que este remédio pode fazer!
O homem empalideceu quando Kardia tomou-lhe a seringa da mão e a direcionou para o seu pescoço.
– N-Não! P-Por favor!
– Então fala! Quem te mandou fazer isso?
– N-Não posso. E-Ele vai me matar se souber.
– Você vai morrer de qualquer jeito... Se não pelas mãos do filho da puta que te mandou, vai ser pelas minhas. Então vai abrindo o bico, safado!
Com gotículas de suor brotando na testa, o homem estremeceu.
– Caronte... – sussurrou ele.
– Obrigado. – respondeu Kardia fincando a agulha no pescoço do homem que, horrorizado sentiu o líquido penetrando em seu sangue como um avatar da morte...
Quando o corpo do homem estremeceu em um último estertor, Kardia o colocou sobre a cama em que estava e o cobriu com lençol. Em seguida, deparou-se com o enfermeiro que voltava.
– Tem um cara morto ali. – disse o grego apontando para a cama.
Sem nada dizer, o enfermeiro estreitou os olhos e suspirou.
– Eu tenho uma sina... Tudo tem que acontecer no meu turno!
– Ele veio atrás do Flégias. Caronte quer se livrar do rival. Sei que não posso te pedir isso, mas... preciso tirar o Flégias daqui.
– E vai fazer o quê com ele? Estamos em uma prisão, meu amor!
– Esconde ele em algum lugar. Aqui ele será morto.
– Eu vou levá-lo para um dos dormitórios que está fechado. Mas, não posso mantê-lo lá por muito tempo.
– Deixa comigo, eu espalho um boato depois que mandar um recado ao Caronte. Ele acha que tá com tudo. Vou fazê-lo ver que está muito enganado.
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Quando Dégel retornou à nova enfermaria dominada pelas camas brancas, por um momento absurdo, elas lhe pareceram um conjunto de esquifes surreais. Aliás, todo aquele complexo no subsolo da prisão o era.
Seus olhos se fixaram no homem desfigurado que se movia cheio de aflição embora com os olhos fechados. O som áspero de sua respiração ecoava penosamente em meio a toda a parafernália de aparelhos e tubos que o cercavam.
Ele olhou em torno e se comoveu ao notar o tormento no rosto do homem que, dias antes, cuidava dos pacientes ali.
– Eu... vou morrer, não é mesmo...? – perguntou o enfermeiro.
Dégel tocou-o na mão ressequida.
– Vou ser sincero, não sabemos com o que estamos lidando aqui. Estamos fazendo o possível. Vou examiná-lo, está bem?
O enfermeiro quase sorriu e o simples ato pareceu a Dégel um esgar grotesco.
– O senhor... é bom demais para... esse lugar.
Dégel o examinou minuciosamente, a contaminação era rápida demais. A situação era grave e alarmante. Aquele homem já estava condenado.
– Tente descansar. – disse ele.
– Obrigado, doutor... sei que estou condenado, mas a sua sinceridade... ela me deu um pouco de paz.
Dégel deixou a enfermaria e foi até o laboratório onde Albafica e Asmita o esperavam. Uma compreensão muda se estabeleceu entre eles, enquanto se preparavam para pesquisar sobre aquele vírus terrível.
– Então, o que os senhores já descobriram? – questionou Dégel.
Os dois se voltaram na sua direção com uma expressão grave.
– Esse vírus... Eu e Asmita chegamos à conclusão que é uma arma biológica. Quem o desenvolveu precisava de um grupo para experiências longe da sociedade. Nada melhor que uma prisão fechada em um local como esta ilha.
– Quer dizer que quem o desenvolveu tem a cura, mas está usando esta prisão para testes. Minos sabe disso?
– Não sabemos se ele está envolvido ou se foi enganado. – falou Albafica.
Dégel percebeu um tom de tristeza na voz de Albafica, porém se deteve nas informações e ficou refletindo.
– Ou talvez... eles esperem que achemos a cura para algo que perderam o controle.
– Acho o mais provável. – disse Asmita. – Creio que eles não tinham noção do que tinham em mãos até acontecer a contaminação. É próprio de cientistas que se dedicam a desenvolver artefatos bélicos. Eles agem com arrogância, como se fosses deuses.
– Bem, estamos aqui e a vida de todos depende de nós. Vamos agir. – disse Dégel.
Assim que concluiu sua fala, Dégel ouviu um grito rouco. Sua primeira atitude foi virar-se na direção do som, seu corpo se retesando pronto para agir. Porém, antes que ele se movesse, a mão de Albafica fechou-se ao redor do seu braço.
– É tarde demais, ele acabou de morrer.
– Mas...
– Agora virá a pior parte. – disse Albafica. – Venha e presencie o resultado desta loucura.
Dégel já tinha visto e passado por muitas situações. Mas presenciar aquilo mexeu com todos os conceitos que possuía, até então. O enfermeiro estava com o corpo paralisado em um espasmo que contorcera o seu corpo em uma postura antinatural. A pele exibia a coloração macilenta da morte, os olhos pareciam pequenos orbes avermelhadas e a boca estava aberta exibindo dentes acinzentados. Tudo acontecera rápido demais...
Porém, o mais horrendo eram os instantes que se seguiram... Após deixar de respirar e ter todos os sinais vitais silenciados, o enfermeiro despertou. A voz rouca, baixa e rascante implorava ajuda.
– P-Por f-favor... me a-ajude...
Aquela situação despertou em Dégel a lembrança mais dolorosa de sua vida. O momento em que Sasha implorou para que a deixasse morrer. Albafica percebeu-lhe a palidez.
– Dégel... – disse ele tocando-o no ombro.
– Vamos isolá-lo totalmente. — respondeu o médico retomando o autocontrole. — O outro antes dele?
– Já está em uma cápsula de isolamento.
– Pois bem, vamos fazer o mesmo com este e depois iniciar os testes. Asmita já deve ter retirado pedaços de tecido antes e depois da morte.
– Sim, ele o fez. E eu peguei amostras de sangue antes e depois. Temos muito pouco tempo.
– Então vamos lá. – disse Dégel, enquanto tentava não sucumbir ao horror daquele lugar.
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O guarda acabara de fechar o armário do vestiário quando engasgou e, em seguida, caiu convulsionando. Os outros foram socorrê-lo quando Caronte entrou e mandou se afastarem.
Os olhos do homem reviraram e uma espuma branca escorreu da boca. Foram, apenas, alguns segundos e ele estancou. Caronte tocou-o no pescoço verificando a pulsação. Estava morto!
– Ele morreu? – perguntou um dos guardas.
Caronte olhou com desprezo para o corpo inerte.
– Tirem esse lixo daqui!
Os guardas se olharam entre si, uma tensão se estabeleceu no ar.
– Mas...
– Escutem aqui! Esse escroto usou droga passada pelos detentos! E droga suja! Quantas vezes eu avisei pra não entrar nessa?
A expressão de Caronte era severa e nenhum dos guardas ali tinha coragem de desafiá-lo. Silenciosamente, dois deles pegaram o corpo e o retiraram dali. O carcereiro apertou as chaves em seu bolso e pegou o rádio comunicador.
– Vasculhem as celas! Procurem papelotes com droga e apreendam tudo!
Após a ordem dada, Caronte deixou o pavimento. Chegara o momento de trazer Aiacos para a Ala B e acabar com o domínio de Kardia.
Na ala B, todos esperavam ansiosos, a volta de Kardia. As celas do fundo onde Aldebaran dividia sua cela com Misty e Máscara da Morte com Afrodite estavam silenciosas e cada um fazia algo como ler ou apenas dormir.O som do cassetete roçando nas grades e o dos coturnos no piso frio quebravam o silêncio indicando que algo estava para acontecer.
Misty remexeu-se, sabendo que não era boa coisa. Aldebaran permaneceu tranquilo, embora também percebesse algo no ar.
– Tá ouvindo isso? – sussurrou Misty.
– Sim. – respondeu Aldebaran.
– Algo vai acontecer... – falou o loiro suspirando.
– Não me diga que está com medo.
– Eu sinto cheiro de treta com os guardas. Você não parece preocupado.
Deitado de costas e com as mãos sob a nuca, Aldebaran sorriu.
– Deve ser a revista de sempre. Os guardas devem estar atrás de droga pra consumir.
Misty franziu o cenho e saltou do beliche colocando as mãos na cintura.
– E isso não o preocupa?
– Não. Vem cá! – disse Aldebaran puxando Misty de encontro ao corpo
– Ai, meu Zeus! Eu não estou gostando nada disso!
Aldebaran beijou-o no pescoço e ele quase gemeu.
– E agora? Está gostando?
Misty não pode evitar sorrir.
– Seu demônio...
Os guardas continuavam sua peregrinação pelas celas, retirando delas toda a droga que encontravam. Um deles sentiu-se corar ao passar pela cela de Misty e Aldebaran. Lembrou-se de já ter possuído aquele corpo belo e logo sentiu uma fisgada no baixo ventre.
Os dedos grossos apertaram o dispositivo de destravar a cela, enquanto a ordem era dada.
– Chega de chamego! Se afastem das camas e fiquem com o corpo encostado na parede.
Os dois obedeceram, embora Aldebaran não demonstrasse nenhum constrangimento ou pressa.
Na outra cela, ainda deitado, Máscara da Morte ignorava o nervosismo de Afrodite e, quando viu a porta de sua cela se abrir, permaneceu na mesma posição para a surpresa do guarda.
– Levanta italiano! – disse o guarda batendo com o cassetete na mão.
Máscara da Morte se levantou de um jeito preguiçoso sob o olhar incisivo de Afrodite. Ele parecia muito feliz e relaxado, como se tudo aquilo já tivesse sido previsto. Lá fora, os outros presos começaram a bater nas grades e a gritar em protesto. O italiano encarou os guardas que exibiam máquinas de eletrochoque como advertência.
Tranquilo, Máscara da Morte observou a revista em sua cama e na de Afrodite. Com o cenho franzido, o guarda se aproximou do italiano com a intenção de revistá-lo. O fez afastar as pernas e começou a apalpá-lo.
– Cuidado com as carícias, senão eu me apaixono... – provocou ele.
O guarda bateu com o cassetete nas costelas do italiano, fazendo-o ofegar.
– O que acha desta carícia, heim? – falou o guarda entre dentes.
– Hummm... um pouco violento... mas eu aguento. – continuou a provocar Máscara da Morte.
Quando o guarda preparou-se para desferir mais uma cacetada, Afrodite se aproximou tocando-o no braço. O olhar profundo e incisivo do loiro fez o guarda interromper a ação.
– Que tal me revistar agora... – perguntou ele com um tom sedutor.
De imediato, o guarda deixou Máscara da Morte e moveu as mãos ansiosas pelo corpo de Afrodite, ato que fez Máscara da Morte apertar os dentes e os punhos numa demonstração de um difícil autocontrole.
O guarda aproveitou a chance de se deleitar com o corpo do loiro, mas ao enfrentar o olhar do italiano decidiu não ir muito além.
– Não tem nada aqui! – gritou ele para os companheiros.
Assim que ele saiu, Máscara da Morte encarou Afrodite com uma expressão furiosa.
– Por que fez aquilo? – perguntou ele com um brilho assassino nos olhos.
– Porque você ia acabar sendo machucado ou levado para a solitária. Essa sua mania de bancar o macho ainda vai te matar!
O rosto viril suavizou, os olhos deixaram de fuzilar aquele que amava. Mas, ainda assim, sua voz soou agressiva.
– Não preciso que me proteja. – disse por fim.
– Eu não o protegi, apenas. Eu protegi a nós dois! Essa revista tem a ver com aquela droga que você deu ao outro guarda, não é?
Máscara da Morte franziu o cenho, mas logo sorriu largo.
– Aquele deve estar no inferno a esta hora.
– O que você fez?
– Dei a ele um baque del diavolo!
Afrodite continuou fitando-o e o italiano continuou.
– O baque del diavolo é uma mistura de cocaína com veneno. Assim que é aspirado faz o cara viajar legal e depois... a viagem acaba. Simples!
– Você matou o cara... – murmurou Afrodite.
– Um escroto a menos neste mundo de merda.
O loiro se aproximou do italiano, tocando-o no rosto.
– Você é louco, mas eu te amo...
Máscara da Morte puxou Afrodite de encontro a si, os olhos intensos e agressivos encontraram o azul claro e cristalino do loiro. A mão delicada tocou-lhe a face e o italiano o fitou intensamente antes de fechar os olhos. Em seguida, os lábios carnudos roçaram os de Máscara da Morte, a boca sensual deslizando demoradamente sobre a boca arfante do italiano. O beijo se aprofundou, unindo as línguas e só parou quando ouviram a voz grave de Caronte.
– Podem parar com a revista! Chegou a hora de dar as boas-vindas aos novos colegas de cela!
Em suas celas, Milo, Jabu, Aldebaran e Misty observavam e ouviam sobre a movimentação. Os guardas deixaram as celas sem conseguir apreender todas as mercadorias desejadas. No entanto, a expressão de Caronte era de vitória. Aiacos e seus homens estavam ali e logo, Kardia seria eliminado, assim como os seus companheiros.
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Camus bebia um café recém-tirado da máquina colocada no hall da sede do FBI quando Mu adentrou o local com uma pasta em mãos. O jovem exibindo cabelos numa coloração exótica sorriu ao vê-lo.
– Tudo aqui é muito amplo. Quase me perdi. – disse o jovem perito.
– Desculpe ter pedido para me encontrar aqui, mas estou envolvido em uma operação que me exige dedicação quase exclusiva.
– Tudo bem, eu entendo.
– Por favor, vamos até a minha sala. Gostaria de um café?
– Não, obrigado.
– Por favor, me acompanhe.
Mu seguiu Camus até uma pequena sala muito bem organizada. Os computadores sob a escrivaninha mostravam diferentes telas. As pastas abertas exibiam papéis com gráficos e números, mas mesmo elas pareciam em ordem.
– Sente-se, por favor, e desculpe a bagunça da sala. São muitas informações e dados para dar conta.
O jovem perito quase sorriu. Se tivesse de dar um adjetivo àquela sala, bagunçada não seria apropriado.
– Não se preocupe, já vi piores. Mas, vamos ao que me trouxe aqui. – disse Mu entregando a pasta ao ruivo.
Camus leu o laudo pericial sobre a morte do juiz.
"Examinando o cadáver constataram-se os seguintes fatos:
O corpo não apresentou feridas contundentes, marcas anteriores que confirmassem zonas de contusão e enxugo por ocasião de defesa ou luta. As fraturas recorrentes no crânio, membros superiores e inferiores foram decorrentes da queda sofrida de uma altura correspondente a trinta metros.
Presença de edema macular residual, hemorragia ventricular aneurisma tibial compatíveis com trauma pós-queda.
A análise do conteúdo estomacal revelou alimentos parcialmente digeridos classificados como frutos do mar contendo fortes traços de anis estrelado, pimenta, hortelã e noz moscada.
Foram encontrados traços de bebida alcoólica, identificada como vinho perfazendo uma quantidade compatível com o conteúdo de uma taça de 200 ml."
– Pelo que diz aqui, não há nada que ateste algo anormal com o juiz quando cometeu suicídio. – falou Camus.
– Na verdade, tem sim. Embora não seja do conhecimento geral, o anis estrelado quando colocado em porcentagem alta e associado com bebidas alcoólicas fermentadas é capaz de produzir alucinações e estados alterados de consciência.
– Está dizendo que o juiz foi drogado?
– Ouso afirmar que sim e também que foi algo muito bem orquestrado. Pelas investigações, o juiz era um homem de hábitos regrados e rotinas específicas.
– A mulher que se intitulou amante dele, ela foi chamada para depor, novamente?
– Aí temos mais um detalhe que pode confirmar a hipótese de assassinato. As investigações levaram a um nome falso. A tal amante nunca existiu.
– Ou seja, ela esteve no local do crime, apenas para averiguar se o plano havia dado certo.
– É a conclusão que chegamos. Os investigadores de campo estão averiguando todas as pistas, mas a mulher parece que evaporou.
– Fico-lhe muito grato, Mu. Se um dia precisar da minha ajuda, pode contar comigo. – disse Camus.
Mu sorriu e levantou-se da cadeira. Quando deixava a sala trombou com Aiolia que vinha com uma xícara de café na mão. A bebida quente saltou em sua camisa e o jovem perito deu um salto para trás.
– Puxa! D-Desculpe! – disse Aiolia.
– Tudo bem. – falou Mu com uma expressão dolorida.
– Tudo bem nada! Eu o queimei! Venha comigo. – falou Aiolia puxando o perito pelo braço até o banheiro.
Um tanto afobado, Aiolia pegou papel e, em seguida abriu a torneira. Mu tentava argumentar, mas o leonino seguia, nervosamente, com a sua ação até que o perito elevou a voz suave, porém forte.
– Isso não vai funcionar! Deixe que eu mesmo faço, obrigado. – disse ele da forma mais gentil que conseguiu.
Foi então que Aiolia caiu em si e encarou Mu com o rosto em fogo.
– Hã... Desculpe, eu...
– Não foi nada. Eu trouxe um casaco no carro. – disse Mu com um sorriso simpático.
Aiolia sentiu os pelos da nuca se arrepiar quando fitou aqueles olhos verdes como os seus, mas com uma profundidade que parecia tragá-lo para dentro deles.
– Eu não sei o que dizer... – falou o leonino.
– Foi apenas um acidente, não tem importância.
– Bem, eu sou Aiolia, o desastrado. – disse o agente estendendo a mão.
– E eu sou Mu, a vítima. – respondeu o perito sorrindo, novamente e apertando a mão do agente.
Os dois ficaram um tempo se olhando e rindo, até Camus abrir a porta e chamar Aiolia.
– O dever me chama! Mas... eu gostaria de desfazer essa primeira impressão sobre mim. Que tal um café de verdade, digamos daqui há... uns dez minutos? – disse ele.
– Eu gostaria muito, mas tenho muito trabalho. Quem sabe outro dia? – respondeu o perito se despedindo do leonino.
Aiolia levou a mão aos cabelos acobreados e se percebeu olhando para Mu até que a silhueta dele desaparecesse por completo. Segundos depois se deu conta que não sabia nada sobre Mu, nem mesmo o seu celular.
– O que houve? – perguntou Camus vendo que o leonino estava com uma expressão ausente.
– Nada. – respondeu Aiolia retomando a atenção.
– Bem, vamos lá então. Vi que encontrou o perito. Ele revelou fatos importantes sobre o juiz morto.
– O cara que saiu daqui é um perito criminal?
– Sim, ele...
– Tem o celular dele?
O ruivo franziu o cenho, fazendo Aiolia pigarrear e coçar a cabeça em um gesto nervoso.
– Eu trombei com ele com uma xícara de café na mão e a virei em cima do coitado. Quero, no mínimo, me redimir por tê-lo sujado.
– Esqueça isso e vamos nos focar nestas informações. Tenho certeza que Mu não vai morrer por ter a sua camisa manchada. Ainda mais ele que deve se sujar muito para periciar.
Voltando-se para a pasta deixada por Mu e para as suas anotações, Camus não percebeu o bico involuntário que Aiolia fez ao ter a sua necessidade colocada em segundo lugar.
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As bocas sedentas se encontraram mais uma vez, as línguas buscando uma a outra com ardor, as mãos traduzindo em toques ávidos, o desejo faminto que nenhum deles conseguia mais reprimir. Naquele espaço silencioso, Valentine acabou sentado na pia, entrelaçando as pernas em torno do tronco musculoso de Radamanthys.
Fazia tempo que não conseguiam se encontrar devido ao trabalho de Radamanthys. O juiz tomara o cuidado de continuar atuando a fim de não atrair a atenção sobre si. Sabia que o FBI iria investigar as sentenças e esperava que a morte do único juiz, que se constituía uma pedra no sapato daquela situação, atraísse a atenção, enquanto ele continuava a atuar de forma impecável.
Valentine era louco por Radamanthys e para ele, era preciso aproveitar o máximo de cada segundo, cada toque, cada gemido. Mesmo que o único momento íntimo em meses fosse aquele encontro no banheiro do tribunal.
Soltando um suspiro de prazer ao sentir a língua quente riscar o seu corpo e deter-se em seus mamilos túrgidos, para, em seguida, voltar à sua boca, mordiscando-o e lambendo-o de um jeito que o arrepiava, da cabeça aos pés, Valentine se esqueceu de tudo... Em pleno delírio e com a pressa dos amantes, ele aproximou o quadril do membro intumescido, esfregando-se num convite urgente e explícito.
Antes de cravar os dedos nas costas de Radamanthys,Valentine passeou com as mãos ávidas pelos braços do juiz, sentindo-os tensos. Então levou a boca à pele suada, fazendo da língua um bálsamo, arrancando gemidos e fazendo-o acentuar a pressão das mãos sobre si. Mãos grandes apoderaram-se de suas nádegas, aproximando as partes mais sensíveis dos dois corpos, como se buscassem fundir-se, um no outro.
Enquanto Valentine gemia, Radamanthys afastou-se um pouco e mordeu-o, na curva do pescoço, deixando uma marca, enquanto levava os dedos para dentro dele, preparando-o para a penetração.
– Você é meu, somente meu...! Diz prá mim... – falou o juiz ao ouvido de Valentine, enquanto movia os dedos em seu interior e o fazia arquear o corpo.
– Sou seu... Nunca fui e nunca serei de mais ninguém...! – respondeu Valentine, enquanto o guiava para dentro de si.
Afastando as pernas de Valentine e o segurando junto ao corpo, Radamanthys o penetrou e o puxou para um beijo profundo. No espelho, o reflexo dos corpos unidos e o brilho das peles, era o registro de um prazer alucinante que se estabelecia, veemente, entre eles.
– Rada... — gemeu Valentine ao senti-lo aumentar o ritmo dos quadris, aprofundando-se em seu corpo, apossando-se de tudo que era seu, suas emoções, seus medos, seu amor...
Com os olhos semicerrados, o juiz apreciava as expressões de prazer que o amante demonstrava... o rosto afogueado, os dentes mordiscando o lábio inferior, os ofegos entrecortados, os olhos presos aos seus, refletindo paixão e luxúria...
Erguendo o corpo repetidas vezes, Valentine sentia-se explodindo de desejo com o poder de contato entre eles. Radamanthys o penetrava fundo e com força, o corpo latejando, os olhos dourados escurecendo de tanto ardor, o falo túrgido adentrando a cavidade quente e estreita.
O juiz gemia abafado, tentando controlar os sons que teimavam em sair de sua garganta. Por mais de uma vez, ele cobriu a boca bem desenhada de Valentine com a sua, deixando as línguas se enroscarem, sorvendo da saliva quente, impedindo os gritos de prazer que surgiam de ambos os lados...
Por fim, não mais contendo a explosão que se anunciava, em todas as fibras do seu corpo, Radamanthys agarrou-o com mais força para a estocada final e se desfez dentro de Valentine, ao mesmo tempo em que o jovem ofegava delirante e se derramava em seu tórax. Ambos tremeram e estreitaram o abraço, sentindo os fluidos do corpo, escorrerem quentes, junto ao suor que cobria as peles...
Os dois ficaram abraçados, respirando juntos, os corações batendo em uníssono, os rostos unidos, sentindo o ar quente, exalar, das bocas. As mãos de Radamanthys apertavam Valentine com força. Sentia-se, ao mesmo tempo, saciado e um tanto fora de si. Haviam transado no banheiro do tribunal, em um horário de almoço, como se fossem adolescentes. Mas a verdade era que precisava disso. Precisava do calor e do prazer que Valentine lhe dava.
– Eu te amo Rada... — disse Valentine, rendendo-se, enfim, àquele sentimento atordoante que o preenchia.
– E eu gosto de te comer! – respondeu o juiz oferecendo os lábios para um último beijo.
Valentine escondeu a decepção atrás de um sorriso triste. Atendia as necessidades de Radamanthys acima das suas, amava-o, se submetia a tudo para estar com ele. Seu sonho era ouvi-lo dizer aquelas simples palavras...
– É isso que eu sou pra você? Uma boa foda?
Radamanthys franziu o cenho.
– Nós dois somos muito compatíveis sexualmente. Para que complicar?
O estagiário desvencilhou-se do contato físico e tomou uma toalha nas mãos para limpar-se. Radamanthys notou-lhe a expressão aborrecida e pegou-o pelo braço.
– Deixe-me! Preciso limpar essa sujeira! E aconselho que faça o mesmo, senhor juiz! – falou Valentine.
– Valentine...
O jovem fitou-o com dor e raiva nos olhos.
– Não diga mais nada. Eu não quero ouvir...
O juiz inspirou, depois obedeceu. Observou Valentine limpar-se como se estivesse com uma doença contagiosa e a visão o deixou irritado. Resolveu fazer o mesmo e logo, ambos deixaram o pequeno lavabo contíguo à sala de Radamanthys.
Assim que Valentine deixou a sala, dois homens se apresentaram, não dando espaço para as divagações de Radamanthys.
– Meritíssimo, poderíamos falar com o senhor?
Radamanthys olhou-os, de cima a baixo antes de perguntar:
– Quem são os senhores?
– Eu sou Camus e este é Aiolia. Somos agentes do FBI e gostaríamos de dar uma palavrinha com o senhor. — respondeu o ruivo exibindo seu distintivo.
– Mas é claro. Entrem, por favor.
Assim que os acomodou em sua sala, Radamanthys sentiu seu celular vibrar. Ao olhar, discretamente o visor, viu de quem se tratava.
– Tenho uma chamada importante. Podem me dar um minuto?
– Claro. – disse Camus com um sorriso educado.
Radamanthys estranhou a ligação. Minos nunca o procurava.
– Sim?
– Eu não sei como ele fez, mas agora eu tenho certeza do dedo dele nessa história. E você o está ajudando!– gritou Minos.
– Pode ser mais claro? – falou Radamanthys com o semblante impassível.
– Hades! Foi ele quem encomendou a pesquisa sobre este vírus. Não foi?
– Não posso conversar com você agora.
Ditas as palavras, Radamanthys desligou.
– Muito bem, senhores! Podemos conversar, agora.
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Aiacos adentrou o corredor da Ala B no mesmo instante em que Kardia estava sendo levado de volta à cela. Os dois se encontraram no meio do caminho e o reconhecimento foi imediato.
– Ora, ora... finalmente te encontrei, grego! Gostei das instalações... – disse Aiacos com um sorriso malicioso.
– Pena que não vai ter tempo de aproveitar! – rebateu Kardia.
– Mas que falta de educação...
Antes que Kardia respondesse, Caronte se interpôs entre os dois.
– As mocinhas vão ter muito tempo de fofocar e matar a saudade! Agora andando! Cada um na sua cela!
Os dois foram levados e o clima na ala mudou. Os outros presos observaram Aiacos e seus homens ser acomodados. Os olhares mostravam a súbita mudança no cenário. Duas mortes haviam sido comunicadas, a de um dos guardas e um dos presos que tinha sofrido de um mal súbito na enfermaria. A notícia se espalhara, mas parecia pequena e distante diante daqueles homens que mal chegavam e já pareciam donos do território,
Caronte chegou bem perto de Kardia, antes de fazê-lo entrar na cela.
– Aproveite os seus últimos momentos, grego... – sussurrou ele.
Kardia sorriu.
– Ah, Caronte... eu achava que você era só um escroto. Mas, cheguei à conclusão que você também é muito burro e se cerca de gente mais burra que você!
O carcereiro pareceu não se ofender. Pegou o cassetete, olhando-o em toda a sua extensão.
– Quando Aiacos acabar contigo, eu mesmo vou enfiar esse cassetete no teu rabo muitas e muitas vezes até ele sair pela tua boca imunda!
– Ah... Estou ansioso! – respondeu Kardia, enquanto era empurrado para dentro da cela.
– Mas sabe o que é melhor, grego? Você não vai saber quando e nem como Aiacos vai acabar contigo. Quando der por si, vai estar com a garganta cortada e eu vou pisotear o teu corpo com gosto!
– Nossa! Eu não sabia dessa sua fixação por mim... Deve ser porque eu deixei a minha marca nessa tua bunda branca. Mas, não te excita muito, porque mesmo sendo grego e não judeu, eu não como porco!
Os companheiros de Kardia gargalharam, enquanto o som das celas se fechando cortava o ar frio da noite.
Caronte se retirou e, ao passar pela cela de Aiacos, fitou-o com um brilho de ódio nos olhos miúdos. Os dois se comunicaram de forma silenciosa e tudo se aquietou.
Máscara da Morte, Afrodite, Misty e Aldebaran celebraram a volta de Kardia, enquanto Jabu e Milo refletiam sobre o momento.
Mesmo sabendo que o inimigo precisaria de um tempo para agir, Milo sentia que Aiacos tinha muito mais que um simples apoio de Caronte. O carcereiro tinha planos muito bem arquitetados e o grego temia que o destemor inato de Kardia não fosse um trunfo e sim a sua perdição...
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Minos estava sentado em sua sala com o celular na mão. Havia quebrado a regra que estipulara para si mesmo, jamais procurar Hades ou Radamanthys. Seu irmão o tinha procurado em nome de seu pai e ele havia baixado a guarda. Agora era ele quem precisava da confirmação, embora seu intelecto já tivesse feito todas as associações possíveis e chegado em um veredicto.
Mais uma vez, Hades se intrometia em sua vida, trazendo a destruição dos seus sonhos. Como fora ingênuo! Como se deixara enganar tão facilmente? Albafica tinha razão, havia mais de Hades em si que ousava admitir.
Albafica entrou, sem bater, encontrando-o com o olhar vazio. Sentiu vontade de abraçá-lo e dizer que tudo acabaria bem. No fundo, sabia que Minos não era igual ao pai, embora o acusasse de repetir os mesmo erros.
– Minos! – chamou ele.
O diretor voltou-se na direção da voz e quase sorriu. Porém, a presença de Albafica, ali, não prenunciava boas notícias.
– Fale...
– Já estão todos isolados no subsolo. Vim avisá-lo para que não permita que ninguém mais tenha acesso ao local.
– Ninguém? Isso não se aplica a mim.
– Sim, se aplica. Dégel, Asmita e eu ficaremos lá embaixo até esgotarmos todas as possibilidades. Mas, exigimos que ninguém mais corra riscos, principalmente você.
– Não podem me dar ordens! Quem dirige este lugar sou eu.
– Então faça isso e nos deixe trabalhar.
Minos se aproximou de Albafica, a mão indo em direção da face alva.
– Eu me arrependo de tê-los envolvido nisso. Esse vírus... Ele...
– Eu sei. Ele é uma arma biológica trazida para cá com uma simples finalidade, ter um grupo de pesquisa para ser utilizado. Certamente, quem está por trás disso é o governo.
– Você nunca cansa de me surpreender, Alba. Mas, você está certo em parte.
– Como assim?
– Refleti muito sobre tudo isso, depois que meu irmão me procurou em nome de Hades. Este vírus... Não é apenas uma questão de governo. Eu acredito que Hades tramou tudo isso.
– Mas o que ele ganharia com isso? Seu pai é um gângster, ele...
– Meu pai é muito mais que um gângster, Albafica. Por poder, ele é capaz de se transformar em um verdadeiro demônio.
– Se você estiver certo, então precisamos correr e acabar logo com isso.
– Eu sinto muito. Eu jamais pensei que...
Antes que Minos concluísse a frase, Albafica se aproximou e tocou-lhe os lábios com os seus. Não foi, propriamente, um beijo e sim uma carícia leve e rápida que deixou o diretor ansiando por mais.
– Por favor, cuide-se. Nós vamos fazer o possível para mudar essa situação. Mas, se não conseguirmos, teremos que...
– Destruir o vírus. Eu sei e... concordo. Mesmo achando a cura, teremos que tomar providências para que Hades não tenha acesso a ele.
Albafica sorriu.
– Eu te amo, Minos.
– Eu também te amo, Alba...
Os dois se abraçaram com força, a emoção escrita com sorrisos e lágrimas no rosto de Albafica. Ele fitou Minos no fundo dos olhos, para então, mais uma vez, roçar os lábios nos dele numa carícia afetuosa até se transformar em um beijo longo e profundo.
Quando as bocas se afastaram, Minos olhou-o, intensamente. Não havia palavras que traduzissem aquele amor que sentia desde sempre. Foi preciso ouvir as batidas insistentes para quebrar o clima daquele momento.
–O que foi? – perguntou Minos.
O guarda entrou ofegante.
– Desculpe, senhor! Mas... estamos com problemas na ala B!
– Que tipo de problemas?
– Um motim, senhor!
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