Santa Castarina - as férias que mudaram o meu jeit
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Eu não me lembro de como começou.”
Até antes das férias, eu era hétero.
Mas como eu cheguei até esse ponto?
=
O dia estava ensolarado, radiante, e isso me irritava. O aeroporto estava cheio de pessoas, indo e voltando, apressados, e isso também era chato. Então, resumindo, eu estava irritado.
Mas só um pouco irritado. Isso porque eu iria viajar com o meu melhor amigo. E ainda melhor, eu estava indo sem os meus pais. Quero dizer, os pais do meu amigo estavam indo também, mas era muito bom viajar sem a minha irmã.
Eu estava sentado em um banco azul, esperando a família do Thales fazer sei lá o que com ele. Enquanto eles não apareciam, eu estava lendo Percy Jakson e o Ladrão de Raios, que era um livro de uma coleção que eu havia ganhado de Natal. Não que eu gostasse de ler, é claro.
— Bu! — gritou Thales. Eu finalmente tinha conseguido me concentrar no livro e por causa da música muita alta em meus ouvidos, eu não tinha visto ele chegar, o que me resultar em um baita susto.
— Thales!
— Rá, cara – riu ele, apontando para mim – você tinha que ver a sua cara – disse, voltando a rir.
— Rá, rá, rá; muito engraçado.
— E foi mesmo.
Revirei os olhos, mas não falei nada, porque quem estava pagando a passagem do avião era ele.
— Ei Thales, — ele olhou para mim – segura o meu livro, que eu vou no banheiro.
— Ah não cara, você teve esse tempo todo para ir no banheiro e só agora que está quase tudo pronto que você decide ir?
— É – falei enquanto arrumava a blusa que estava em minha cintura e corria para a direita.
Depois de ir no banheiro, parei para beber agua. Quando terminei, me virei para trás, como todo ser humano, só que algum gênio teve a brilhante ideia de ficar atrás de mim.
— Ai! – gritou a pessoa com uma voz fina. Levantei a minha cabeça e “Ai Meu Deus, não podia ser”.
— Yankous?
— Arthur! – ela gritou antes de se jogar em meus braços.
— O que você está fazendo aqui? – perguntei depois que ela se desgrudou de mim.
— Eu vim beber agua, ue! – ela disse como se fosse obivio. Tinha que ser ela mesmo.
— Não, eu tô perguntando porque você está no aeroporto.
— Ata – falou, parecendo entender – É que eu vou viajar com a minha família.
— Para onde?
— Santa Castarina.
— Nossa, que conhecidência – falei sem animo algum – eu também estou indo para lá.
— Que legal!
— É. Só que eu vou com o Thales.
Maria assentiu e nos voltamos para a sala de embarque juntos. Thales, quando nos viu, veio correndo.
— Ei cara, a gente tá atrasado. – disse ele. Depois Thales viu Yankous do meu lado. – Ah, oi Yankous – falou acenando para ela.
— Oi Thales.
— O que você tá fazendo aqui?
— Eu também vou para Santa Castarina.
— Ata. – disse o loiro, que depois olhou para mim – vamos cara?
— Ei, esperem – disse Yankous derrepente – que tal eu ir com vocês?
— Como assim cara? – Thales perguntou com sua cara de “que?”.
— No avião, eu podia ir com vocês.
— Anh, acho que não. – falou Thales. Eu dei de ombros.
— Tanto faz, não sou eu que tô pagando mesmo.
— Tudo bem, eu vou ver com meus pais.
Depois da Yankous implorar muito para os pais dela, eles finalmente cederam.
— Ai, nossa, isso vai ser tão legal!
— Não é? – falei, fingindo ser educado, enquanto olhava para o meu amigo grandão. Ele, no momento que os pais da Yankous cederam, fechou a cara, como se estivesse irritado, sei lá com o que. Era só a Yankous, de qualquer maneira.
— O que você vai fazer lá, Arthur?
— Ir na praia, provavelmente.
— Ah, eu também vou! – disse me abraçando. Thales fechou mais a cara e se virou para observar a janela. Por que ele tinha ficado assim?
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