Notas iniciais
Oláa humanos. Primeiro, desculpem um pouco a demora pelo capítulo. Essas férias não foram fáceis e foi preciso que eu ficasse doente para terminar de escrever o capítulo. Viajei e fiquei sem computador... ih. Espero que gostem! p.s.: acredito que a narrativa tenha amadurecido um pouco e desculpa o drama todo, mas acabei de ler um livro perfeito e tãooo dramático. Acho que me apeguei ao drama da personagem, foi mal!

Quando acordei no dia seguinte, quase me esqueci que não estava realmente fora de casa. A cama de Olívio acolheu-me e parecia que eu podia ficar por ali durantes anos...

Entretanto, eu não poderia. Não era a minha casa e eu perderia ainda mais um pouco da dignidade que me restava.

Não sei se fui a primeira a acordar, mas sempre tive esse negócio de acordar e continuar deitada na cama, pensando e pensando. Repassei todos os momentos da noite anterior e repassei novamente.

Meu pai me atingindo de forma espontânea despedaçou meu coração em tantas partes — mais do que ele já havia feito — e eu não poderia nem abaixar-me parar contar os cacos. Não sobrava dignidade para isso, e talvez fosse orgulho meu, mas eu não estava perto de perdoá-lo.

E não poderia sair por assim, também, me abrindo como fiz com Olívio... Eu estava começando a perder totalmente o controle perto dele e ele parecia perceber isso.

E eu não gostava.

Eu não gostava.

Porque pela primeira vez eu não estava no comando sobre tudo...

Não.

Eu estava ficando maluca...

E isso era tudo culpa do maldito Olívio.

A porta batendo-se no andar debaixo deixou-me em alerta. Eu tinha que levantar. Nem sabia o que os pais de Olívio achariam por ele ter trago uma garota, completamente desconhecida, para dentro da própria casa... Eu poderia roubá-los ou algo do tipo. Ainda mais depois de tudo o que eu havia feito com Olívio.

Mas parecia que ele não lembrava dos feitiços que eu havia lhe proferido, só porque ele havia me beijado. Olívio parecia depositar uma confiança em mim, que nem eu mesma tinha.

Antes de dormir, peguei-me pensando se a situação fosse o contrário. Olívio tivesse fugido de casa. É claro que eu teria perguntado como ele estaria, mas nem em milhões de anos, o teria convidado para dormir em minha casa.

Definitivamente não. E isso me estilhaça por dentro. Por saber que não consigo ser tão boa com as pessoas.

Antes de sair do quarto, peguei Sansa em minha bolsa. Sentei-me à cama e ocupei-me em relatar o ocorrido, não poupando detalhes e sentimentos. Após vários parágrafos de uma garota confusa, fechei-a e arrumei a cama de Olívio, com minha bolsa nas costas, as roupas trocadas e o cabelo ajeitado.

Eu estava pronta para partir.

E eu iria partir.

Se não fosse, é claro, o irmão de Olívio sentado na cadeira da cozinha, me observando cautelosamente, enquanto bebericava alguma coisa em uma xícara.

— Quem é você? E o que está fazendo aqui?

O irmão de Olívio parecia um cópia sua, com a diferença que Olívio possuía um porte atlético e o seu irmão era um pouco gordo.

— Sou uma... — o que eu era de Olívio, exatamente? — conhecida de Olívio. Ele me deixou dormir aqui. Eu não peguei nada — ele me olhou desconfiado. — É sério — afirmei.

E então reparei que Olívio não estava mais no sofá. Ele não estava ali quando desci as escadas. Ele já deveria ter saído e ido fazer... o que quer que seja que ele tinha que fazer.

— Tudo bem — o irmão de Olívio disse por fim, me liberando para ir embora.

— Estou indo agora, ok? Diga para Olívio que disse “obrigada por tudo!”.

E então eu girei a maçaneta, puxei a porta e sai. Não sabendo que essa atitude fosse pesar um pouco mais à frente. E o quão os pequenos momentos fazem diferença, o quão importantes são os detalhes. E eu passei por todos eles, destruindo-os.

Pisoteando-os.

Caminhar nunca tinha parecido tão difícil. Ainda mais porque eu voltaria para casa, aonde tinha fugido. Meu pai essa hora deveria estar a minha procura.

Ou não.

De qualquer forma, ele não parecia se preocupar. Talvez estivesse no trabalho já, sem sequer ter notado que sua filha havia fugido de casa. E eu apostava tanto na segunda opção.

Passo à passo, acabei por chegar na rua de casa. Parei em frente à casa, sem nenhum policial, nem ninguém de importante. Só eu e a casa. Era claro que meu pai não procuraria por mim. E ainda acabei por ser tola ao ter uma fagulha de esperança no peito.

Porque acontecia que eu o amava. Amava-o com a mesma intensidade que havia amado minha mãe. Mas a lista de decepções que ele havia me entregado, a lista de tantas vezes que ele havia pisoteado em cima de mim era grande. E a lista crescia cada vez mais.

E um dia eu não aguentaria mais. Um dia eu romperia. Um dia eu explodiria e fugiria de vez. Mesmo o amando.

Era um pouco claro que a porta não estaria aberta, e como uma família quase normal, nós deixávamos um chave reserva escondida pelo jardim. Peguei-a e abri a porta. O fato de eu ser uma bruxa anulava poder abrir a porta com um feitiço, já que nós não podíamos usar feitiços fora de Hogwarts.

Respirei fundo, fechando a porta atrás de mim. Nossa sala possuía dois sofás de couro e uma mesa de vidro — quadrada e pequena — no meio. O que eu não esperava é que Scott estivesse ali, com os pés apoiados na mesa de vidro e assistindo à televisão.

— Com licença? — chamei-o, fazendo desviar o olhar da TV e virar-se para me encarar.

Seus pés foram retirados de cima da mesa quase que imediatamente e juro que vi suas bochechas tomando um tom avermelhado. Scott sentou-se ereto no sofá.

— Só tem você aqui? — questionei, dando passos em sua direção e contornando, sentando-me no sofá ao lado.

Scott passou a mãos por seus cabelos escuros, ele aparentava estar nervoso e isso parecia não combinar com ele. Ele sorriu em minha direção, novamente, com aquele tipo de sorriso que te faz desmaiar. Suspirei.

— Sim — ele falou por fim. — Só eu e você, agora. Seu pai pediu para que eu ficasse e tivesse uma conversa com você.

Assenti.

— Que tipo de conversa?

Scott respirou fundo, desligando a televisão. Seus joelhos moveram-se para minha direção, fazendo-nos ficar cara a cara. E que linda era a dele.

— Você já sabe o que nossos pais pretendem fazer, não sabe? — O tom de sua voz pareceu cauteloso, como se ele estivesse escolhendo quais palavras utilizar. Talvez alguém tivesse lhe dito que não era tão fácil lidar comigo.

Concordei.

— Para que nos casemos, não é?

— Sim — confirmou. — Para unirmos as famílias...

Meu corpo se retraiu, será que Scott realmente acreditava que eu me casaria com ele para unirmos nossas famílias? Eu estava quase retirando o meu sobrenome de meu próprio nome, não veria o porquê se afiliar à outra família para fortifica-lo. Era fora do normal e até mesmo, surreal para mim.

— Espero que você saiba que não vou me casar com você.

Scott não se deu sequer o trabalho de ficar surpreso. Suas sobrancelhas continuaram no lugar, ao contrário do que pensaria. Ele sabia que era bonito, e talvez, devesse, por um instante, estar pensando por qual seria o motivo de eu tê-lo recusado.

— Não que seja algo contra você — adiantei-me a dizê-lo. — Você é até... — eu não sei mais o que eu estava fazendo — bonito, por assim dizer. Não me leve à mal.

Um sorriso de orelha a orelha tingiu o rosto de Scott.

— Então você me acha bonito?

E eu poderia morrer.

Uma queimação em minhas bochechas tomaram conta.

— Bom — eu escolhi as palavras com cuidado. — Não se é de jogar fora — eu sorri, nervosa.

— Você é muito bonita também, Emma.

Eu poderia morrer de novo.

— Obrigada — disse. — Mas será que podemos voltar para o assunto que você realmente queria falar?

Scott assentiu.

— Sim, sim. Bom, espero que saiba que você não é a única contra esse casamento. Entretanto, nunca tive muita escolhas sobre a minha vida. Então, casar-me com você seria um privilégio, mesmo não desejando, Emma. — Seus olhos pareceram me analisar. — E queria deixar isso bem claro para você.

— Então você também é contra... — pensei alto, até demais. — Então é só dizermos para eles, assim cancelarão, não?

Scott balançou a cabeça, em negação.

— Acredito que não. Nossos pais já sabem que somos contras. Mas isso parece ser irrelevante para eles. Então, estou aqui, propondo-lhe um acordo.

— Acordo? Que tipo?

Scott esfregou as mãos e encarou-me com um sorriso de canto.

— Estarmos casados somente no papel. Não precisamos necessariamente nos amarmos.

— Até porque não nos amamos — completei rapidamente.

— Sim, Emma. Dessa forma, você fica com quem você quiser, e eu, também. Passarela livre. O que acha?

Respirei fundo, procurando as palavras certas.

— Eu não sei como começar isso, Scott. Primeiro, eu não vou me casar com você. Meu pai, ou quem quer que seja, não pode me obrigar a isso. Prefiro que ele me jogue na rua à deixar que ele controle com quem vou me casar, com quem vou deitar-me à cama. E bom, a sua proposta é bem... deselegante, por assim dizer. Poderíamos não nos amar mas eu não deixaria de ser corna, assim como você, não acha? E esse é um título que não serei capaz de carregar, independentemente de quem seja.

Scott ficou sem palavras durante mais alguns segundo, mas eles pareceram uma eternidade.

— Bom, se essa é sua palavra final, não acho que poderei convencê-la, não é mesmo? — ele sorriu. — Acho que vou indo agora, Emma. Mesmo com todo esse transtorno, espero que sejamos amigos em Hogwarts.

— Obrigada por compreender.

Ele se levantou e pegou seu casaco ao seu lado, abriu a porta e se foi.

Notas finais
Espero que tenham gostado! p.s.: acredito que a narrativa tenha amadurecido um pouco e desculpa o drama todo, mas acabei de ler um livro perfeito e tãooo dramático. Acho que me apeguei ao drama da personagem, foi mal!