Sanguinem Rosis

5 In The Middle Of The Night


Diário de Mina Mackenzie — 15 de Julho

A manhã desse dia começou triste para mim; sr. Lincoln foi encontrado hoje cedo, no mesmo banco em que havia se sentado para conversar comigo, com o pescoço quebrado. Ele provavelmente caiu para trás, como disse um médico, devido a algum susto, pois havia uma expressão de terror em seu rosto. Pobre homem! Talvez ele tenha realmente visto a morte com seus próprios olhos... Esse pensamento me fazia estremecer.

Ontem a noite Lissa dormiu profundamente, sem acordar nenhuma vez, o que me deixou feliz. Por outro lado, eu, apesar de cansada por conta da festa de Jonathan, não conseguira pregar os olhos por um bom tempo. Em minha mente, as cenas de meu encontro com o homem misterioso — Claudiu Dragomir, segundo ele se apresentara — ficaram se repetindo como um filme. Seus olhos verdes me encarando com malícia e... triunfo? Admiração? Eu não conseguia saber. O sorriso que ele dera para mim era um sorriso de alguém que sabe de algo que você não sabe, e eu não gostei disso.

Porém, o que mais me incomodava era o fato de que eu sabia, sabia que já havia visto este homem antes! Mas não conseguia me lembrar onde. Era a típica situação de reencontrar um conhecido mais nenhum dos dois se lembrar um do outro. O seu toque, mesmo que apenas em minha mão, fora o suficiente para me dar a sensação de que ele já havia me tocado antes...

Acho que talvez possa estar enganada e isso tudo não passe de uma confusão em minha mente, afinal, eu tinha um ponto fraco por homens bonitos e Claudiu Dragomir era realmente muito atraente. Eu não teria me esquecido do rosto dele.

Mudando de foco narrativo — pois acho melhor não pensar muito em Claudiu Dragomir — uma mulher foi encontrada morta hoje em sua casa sem nenhuma causa aparente. Os médicos disseram que a causa da morte foi perda excessiva de sangue. Essas súbitas mortes que vem ocorrendo tem me deixado muito inquieta. Penso se não seria melhor deixar Oxford e voltar para Londres. Não! Não posso deixar Lissa sozinha aqui, afinal, sei que nesse momento ela não deixaria o noivo.

Falando em Lissa, ela parou de falar ao telefone e agora está me chamando. Preciso ir.

Mais tarde — Lissa telefonou para a mãe para contar sobre o pedido que Arthur fizera. Sra. Warner ficou emocionada e radiante; disse que assim que pudesse viria até Oxford ou então pediu que fossemos para Londres, pois queria comemorar conosco. Lissa pediu para que a mãe se acalmasse, afinal, pretendia se casar somente em janeiro e queria uma celebração simples, por isso, nada de ansiedade!

O engraçado foi que apesar de minha querida amiga ruiva ter dito "nada de ansiedade", nesta tarde ela me arrastou até uma botique para que eu experimentasse vários vestidos, pois queria decidir que vestidos suas madrinhas usariam. E eu seria uma delas.

Experimentei pelo menos uns 100 vestidos, ou pelo menos foi o que me pareceu. O que eu mais gostei foi um vestido azul escuro com detalhes prateados. Realmente, muito bonito.

Não compramos vestidos, mas já estava escurecendo. Resolvemos ir ao restaurante ali perto, o que costumávamos ir sempre quando comíamos fora.

Resumindo — pois estou cansada e meus olhos estão se fechando — nossa noite foi divertida, e chegamos em casa tarde. Foi muito bom termos uma noite de amigas novamente. Assim que chegamos, Lissa se deitou. Agora dorme profundamente. Irei dormir também.

Mais tarde, às três e trinta da noite — Estou escrevendo aqui pois estou inquieta e nem um pouco cansada. Como já disse, estava cansada e fui dormir. Não sei muito bem quanto tempo passou, mas sei que acordei com uma sensação de vazio em meu estômago e procurei por Lissa na escuridão. Nada. Corri até o interruptor e acendi a luz, podendo ver com clareza que ela não estava em sua cama e nem no quarto. Sentindo um arrepio percorrer meu corpo, vesti qualquer roupa que vi e peguei um chale comprido que estava na primeira gaveta que abri e sai correndo de casa. Ela havia achado a chave do quarto e saído do quarto, em seguida saído pela porta e sabe se lá para onde.

Não sei ao certo por que, mas segui o caminho para o Radcliffe Square; não me importava o como estava, mas corria e corria cada vez mais, querendo achar Lissa o mais rápido possível. Minha sorte, era que as ruas estavam vazias, mas o lado ruim era que estavam escuras. Quando cheguei perto de Radcliffe, pude ver o banco em que eu costumava me sentar e onde sr. Lincoln havia encontrado a morte. Uma estranha névoa cobriu a lua cheia, que iluminava meu caminho, mas ainda assim pude ver uma pessoa de camisola branca e cabelos vermelhos que parecia se inclinar para trás. Lissa

Dei alguns passos para frente, aliviada, mas então um vento frio soprou e eu estremeci; a névoa liberou o brilho da lua por alguns instantes, mas foi o suficiente para que eu visse uma figura escura inclinada sobre Lissa. Nesse momento não me preocupei com mais nada no mundo, nem mesmo se estaria me pondo em perigo; disparei de meu lugar em uma velocidade que nunca imaginei ser possível. "Lissa!", eu gritava o nome de minha amiga, e trovões começaram a ser ouvidos ao longe. "Lissa!"

Enquanto eu corria, a figura inclinada sobre minha amiga se ergueu, e, embora não pudesse ver claramente seu rosto, seus olhos eram brilhantes e sua pele tão branca que parecia perolar na luz da lua. Não hesitei; continuei gritando. O vento frio me estimulava a continuar correndo.

Quando cheguei ao banco, a névoa havia desaparecido e não havia ninguém ali, apenas minha amiga sonambula que estava dormindo inquietamente, com os olhos se mexendo por trás das pálpebras fechadas. Não parei para questionar minha sanidade mental, precisava cuidar de Lissa primeiro. Enrolei o chale nela, com medo que se resfriasse com o vento frio da noite, e tentei prender, duas vezes até conseguir, o alfinete do chale. Creio que a espetei, pois ela gemia e levava a mão ao pescoço.

Segurei seus ombros e tentei a acordar, chamando-a suavemente, mas ela não reagia. "Lissa!", precisei gritar e a balançar mais forte para que acordasse. Pareceu tranquila ao me ver, mas quando percebeu que não estávamos em casa, pareceu perturbada. Não deixe que falasse, apenas calcei minhas botas em seus pés e a apoiei com meu braço. Ela estava confusa.

Felizmente, não encontramos com ninguém enquanto fazíamos nosso caminho de volta para casa. O chão machucava meus pés, e Lissa insistiu para que eu pegasse minhas botas de volta, o que eu neguei. Ela não discutiu, o que achei estranho, mas ela estava tão fraca! Decidi que conversaríamos na manhã seguinte.

Quando chegamos ao apartamento, a ajudei a lavar os pés e o rosto e a se deitar novamente. Antes de pegar no sono, Lissa me fez prometer que não contaria a sua mãe. Hesitei, mas acabei prometendo. Tenho medo de me arrepender disso depois.

Agora eu estou vendo minha amiga dormir; a coitadinha não se meche, embora seus olhos estejam agitados. Posso ver duas pequenas marcas em seu pescoço, realmente eu havia a espetado. Espero que não demore a sarar.

Não consigo dormir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.