Sangue quente.
37 Três inimigos para o monstro.
Notas iniciais
Monstro...
Estou muito entediado, estou a quase uma hora aqui sentado, esperando aqueles dois pararem de discutir sobre o destino de Leonard.
Por falar em Leonard, ele foi trancafiado no porão e ficará lá até que aqueles dois tomem uma decisão sobre ele. Enquanto isso eu estou aqui, sozinho, sem ter nada pra fazer e sem ter ninguém para torturar... Que tédio.
Merda!... O que a Sophia via de tão interessante nesse mundo? Foi o desejo dela de continuar vivendo nesse mundo que me deu vontade de sair daquele lugar onde eu estava. Mas me arrependo profundamente dessa decisão. Pois ao menos dentro da mente da Sophia, eu tinha que lutar com ela o tempo todo, agora eu não tenho nada pra fazer.
Não tem nada de interessante nesse mundo mesmo... Eu só queria entender o que a Sophia tanto gostava aqui... Bem, eu acho que a Sophia deve ter vivido em um momento mais divertido, afinal, ela estava presente durante toda a fuga do exército.
Hmmm exército... Talvez esse tal de exército possa significar um perigo para mim, não é?... Quer dizer, eles têm armas de destruição em massa... Eles também têm armas que podem ferir vampiros e que talvez possam me machucar também... Então quem sabe eles sejam os inimigos que eu tanto estou procurando?!
Bem, vale a pena tentar... Eu acho que hoje à noite eu vou sair de fininho de novo e vou procurar esse tal de exército pra ver no que isso vai dar.
Na melhor das hipóteses, eu acabo achando algo que pode bater de frente comigo e por consequência arranjo um objetivo de vida. E na pior das hipóteses... eu mato tudo mundo, mas ao menos me divirto no processo... É, eu não tenho nada a perder mesmo.
Finalmente o progenitor e o hospedeiro saíram do quarto onde estavam conversando, eu nem estava mais escutando o que eles estavam dizendo. Toda a conversa ficou muito repetitiva depois de uns quinze minutos.
Eu até torci para que eles brigassem, mas aparentemente nenhum dos dois queria chegar a esse ponto. Eles ficaram dando voltas e voltas tentando fazer o outro entender seu ponto de vista. Mas acho que eles finalmente chegaram a um acordo e de uma forma pacifista... que TÉDIO, eu queria ver o sangue jorrar.
—“Sophia querida... diz pra mim, você está com medo do Leo? Ele fez mais alguma coisa pra você antes disso?” O hospedeiro se ajoelhou na minha frente e me perguntou isso sério.
Parei para pensar por um minuto, se eu queimasse mais a imagem do Leo diante desses dois, eu perderia um escravo e isso não teria graça. Se o Leo seguisse aqui, eu ia poder torturá-lo mais um pouco antes de finalmente destruí-lo.
—“Não Tata, Leo nunca me machucou antes disso.” Respondi inocentemente.
—“Não precisa ter medo criaturinha, se ele fez alguma coisa ruim com você, nos conte, por favor.” Disse o progenitor com uma expressão séria e zangada ao mesmo tempo.
—“Eu juro Papai... ele nunca me machucou antes disso... Nós só estávamos brincando.” Respondi tranquilamente.
—“Viu só Seph?... Por favor, dê ao Leo uma segunda chance, afinal, eu já te dei várias chances, não é mesmo?” O hospedeiro implorou ao progenitor com um olhar triste.
—“Vou buscar o moleque... e então vamos decidir isso de uma vez por todas.” O progenitor saiu da sala resmungando.
O hospedeiro suspirou e veio tentar fazer um carinho em minha cabeça, me desviei dessa coisa chata e melosa. Ele me lançou um olhar estranho, talvez estivesse magoado, mas não liguei.
Meio minuto depois o progenitor voltou para a sala puxando Leo pela gola da blusa. O garoto estava nervoso e tremia muito, mas não chorava mais.
—“Moleque... eu e o Ian conversamos muito ao seu respeito e decidimos te dar uma nova chance, mas...” O progenitor começou a falar enquanto lançava olhares zangados ao Leo, que não parecia muito animado com a notícia de que podia ficar.
—“Mas... por segurança, você está proibido de sair da minha vista ou da vista do Ian.” Disse o progenitor com firmeza.
—“Seph... você está exagerando...” O hospedeiro tentou contestar essa sentença, mas o progenitor não lhe deu tal liberdade, ele seguiu falando sem dar ouvidos às reclamações do hospedeiro.
—“Moleque, a partir de hoje, durante a noite... você dormirá em um quarto separado do da criaturinha e ficará trancado lá até de manhã. E durante o dia você poderá ficar perto dela, mas só sobre supervisionamento de um de nós dois... você entendeu?” O progenitor perguntou sério ao Leo, que aos poucos foi parando de tremer.
A expressão de Leo ao ouvir essa condição para ficar foi aos poucos se transformando. Sua expressão que antes era de pura tristeza e medo, se transformou em alegria e felicidade... ao passo que a minha expressão foi ficando aos poucos carrancuda.
Droga! Como é que eu vou dar uma ordem para ele na frente dos outros sem me entregar? Hunf... Parece que o Leo venceu essa batalha... Hahaha quem diria, eu fui derrotado.
—“OBRIGADO SENHORES.” Leo ficou radiante de felicidade, ele se abraçou as pernas do progenitor e depois nas pernas do hospedeiro. Ambos se olharam sem entender porque o menino estava tão feliz assim.
Leo me lançou um olhar vitorioso e eu lhe devolvi o gesto com um sorriso sinuoso. Até que enfim terei um desafio. Será interessante tentar dar uma ordem a ele sem ser pego. Finalmente tenho algo legal para me manter ocupado durante o dia. E durante a noite eu terei que procurar um exército para testar minhas habilidades.
Parece que agora as coisas ficaram mais interessantes pra mim.
...
Sephiron...
Desde que começamos a ficar de olho naquele garoto, parece que as coisas finalmente se acalmaram. Já faz três semanas que estamos vivendo em completa paz.
A casa está muito mais bonita agora, seu chão brilha lustrosamente, suas cortinas e tapetes não tem mais cheiro de mofo, tudo está funcionando perfeitamente, parece que finalmente temos um lar. Mas o jardim segue selvagem e se recusa a se tornar algo mais civilizado, acho que os anos de liberdade tornaram aquele lugar um ser vivo a parte.
Ian por outro lado anda meio apático e tristonho, fiquei preocupado com essa sua falta de ânimo e acabei passando o dia inteiro tentando conversar com ele, mas ele parecia distraído e distante.
Quando a noite caiu, começamos a nos preparar para ir dormir, não sei por que troquei meus hábitos de sono nessa casa, agora sou um ser diurno, mas isso não importa mais.
Ian foi por a criaturinha na cama, como de costume. Acabamos entrando em uma rotina, o banho ficava por minha conta e a hora de dormir ficava por conta de Ian... O estranho era que esse era o único momento paternal que tínhamos com a criaturinha atualmente, pois durante o dia ela está sempre nos evitando.
Outra nova rotina que eu possuía antes de ir dormir... era ir prender o Leo em seu novo quarto. No início eu pensei que o moleque ia protestar sobre ficar trancado em um quarto a noite toda, mas isso não aconteceu, pelo contrário, ele parecia até aliviado em ser trancado lá, parecia até como se ele estivesse com medo de algum tipo de monstro que podia invadir seu quarto durante a noite.
Depois de cumprir essa minha nova rotina, eu fui para meu quarto e encontrei Ian lá, ele parecia bem mais tristonho agora.
—“Hei... o que foi? Você parece abatido ultimamente... o que aconteceu?” Perguntei preocupado, será que ele está doente? Fui tocar na testa dele, ele parecia normal fisicamente.
Ian aproveitou que minha mão estava no seu rosto e fez um movimento com a cabeça para receber uma caricia.
—“Seph... eu me sinto estranho perto da Sophia.” Disse Ian fungando, lágrimas começaram a brotar em seus olhos.
—“Hei... como assim? Porque está chorando?” Tentei limpar suas lágrimas com meus polegares, mas assim que eu limpava uma, novas surgiam.
—“Você não sente o mesmo? Ela está tão distante... eu mal posso pega-la no colo. Ela nem me deixa toca-la. Fui dar um beijo de boa noite nela e... ela se esquivou de mim.” Ian agora caiu em choro profundo, eu queria consola-lo, mas a verdade era que eu não tinha como fazer isso, por que eu concordava com ele.
—“É verdade, a criaturinha está diferente... Ela está assim desde que chegamos nessa casa... eu me sinto mais distante dela a cada dia.” Abracei Ian e lhe fiz um carinho gentil nas costas.
—“O que está acontecendo? Ela não nos ama mais?... Eu estou com saudades de tê-la em meus braços, estou com saudades de fazer carinho nela... eu quero a minha bebê de volta.” Ian fez um gesto com as mãos como se ninasse um bebê invisível no colo e eu compreendia esse sentimento dele muito bem. Eu também sentia falta disso, um aperto no meu coração me sufocava sempre que eu sentia essa saudade.
—“Eu acho que isso é normal... Quer dizer, quando ela nasceu, nos estávamos fugindo o tempo todo e ela não sabia andar ainda, então era normal ela passar o dia todo no colo de alguém, mas agora... bem, agora não há necessidade de estarmos sempre perto dela... e ela é uma criança bem independente... Isso não significa que ela não nos ame mais, ela só está crescendo... eu acho.” Procurei pela resposta mais lógica, tinha que ser isso, só podia ser isso, não é?
—“Sinto falta dela...” Ian começou a chorar pra valer.
—“Eu sei... eu também sinto.” Isso era verdade, apesar de eu passar o dia todo com a criaturinha ao meu lado na sala, eu não me sentia mais tão ligado a ela... Isso é errado da minha parte, ela é minha filha, eu não deveria sentir esse distanciamento sentimental por ela.
E o único momento que eu tinha com ela, era no banho, mas ela nem ligava muito pra brincar ou conversar comigo durante esse momento... Se eu soubesse que ela ia crescer tão rápido, eu teria aproveitado mais aqueles doces momentos que tivemos.
Abracei Ian e lhe fiz um carinho nas costas, ele estava abalado e muito triste, então lhe dei um beijo casto. Ian seguia chorando, mas mesmo assim retribui meu beijo com ternura.
—“Pelo menos você ainda tem o meu amor.” Disse em seu ouvido e ele arrepiou.
—“Oh... Seph!” Ian se abraçou forte em mim, ele parecia desesperado por carinho.
Nossos lábios se uniram com ternura e carinho e isso era estranho... não havia nada de sexual no ato, mas transpassava tanto desejo e sentimento.
Peguei Ian com carinho no colo e o levei para cama, tomando o maior cuidado ao deposita-lo sobre ela. O clima neste quarto estava tão diferente do habitual, as luzes fracas me aconchegavam de uma forma que quase me dava sono, mas ao mesmo tempo me deixava sedento pelo corpo de Ian. O único som além de nossas respirações eram as serenatas dos grilos lá no jardim.
Era tão estranho perceber que essas luzes e sons não tinham nada a ver conosco, mas ao mesmo tempo fazia parte de tudo que estava acontecendo.
Paramos de nos beijar e nossos olhos se encontraram, os olhos de Ian seguiam cheios de lágrimas e tristezas e acho que os meus refletiam um pouco desses sentimentos.
Sem nunca desviar o olhar um do outro, nós trocamos caricias. Mas essas eram caricias diferentes das que eu estava acostumado a sentir e a dar.
Havia tanto significado por detrás de cada toque... Palavras eram ditas, perguntas eram feitas, respostas eram dadas, sentimentos eram transpassados e ambos erámos consolados, tudo isso sem nunca trocarmos uma única palavra sequer, apenas com toques simples e dóceis.
Meus dedos foram até a barra da camisa de Ian e com um movimento delicado e carinhoso, eu a subi por seu tronco, deixando meus dedos roçarem de leve em sua pele, causando um arrepio nele.
Logo sua camisa estava no chão e Ian estava imóvel a minha frente, aproveitei esse momento para passar a ponta dos meus dedos por toda a extensão de seu peito, seguindo a linha que dividia seu corpo e traçando novas linhas imaginarias.
Ian suspirava a cada nova rota que meus dedos tomavam e novamente não havia nada de sexual no toque, somente carinho.
Foi a vez de Ian retirar a minha camisa, fiquei imóvel e fechei os olhos enquanto sentia ele retribuir cada toque. Os toques dele eram tão doces... eu deveria ficar ansiado com tanta doçura, mas era estranho perceber o quão diferente e novo isso era.
Abracei Ian e o deitei sobre as cobertas cheirosas. Ian se espreguiçou manhosamente por debaixo de mim. Trocamos mais um beijo, tudo isso era tão confortável e calmo, que dava vontade de simplesmente abraça-lo assim para sempre e apenas dormir.
Sai de cima de Ian e me livrei de sua calça e cueca, passando meus dedos pelos músculos firmes de suas pernas até a ponta de seus pés. Depois que a calça e a cueca já estavam jogadas no chão, fazendo companhia para a camisa dele, eu voltei ao seu tronco beijando do calcanhar até a sua virilha.
Chegando ao seu membro eu o beijei, lambi e acariciei com toda a calma e carinho que jamais tive antes ao dar prazer ao Ian e isso aparentemente levou ele a loucura. Ele se agarrou na cabeceira da cama e retorceu as pernas em volta de mim.
Meus dedos traçaram o caminho já muito conhecido, mas dessa vez entraram nele com tanto cuidado, esmero e ternura que Ian suspirou ao em vez de gemer.
O acariciei por dentro e por fora sem presa, sendo completamente diferente do meu usual e eu nem sabia direito o que estava acontecendo com nós dois nesse momento... Onde estava o meu desejo de fode-lo? Onde estava o meu desejo sanguinolento e feroz?
—“Por favor, Seph... entre em mim.” Essas palavras saíram com tanto desejo de Ian que cheguei a congelar por um minuto sem acreditar no que ele me pedia.
Livrei-me da minha calça e cueca e me acomodei entre as pernas de Ian, ele me recebeu de bom grado, suas pernas me circularam automaticamente.
Ajeitei meu membro no lugar certo e entrei com tamanha facilidade que nem pude crer. O corpo de Ian me aceitou sem nenhuma resistência, ele me envolveu com calor e humidade, isso era muito bom.
Ian novamente suspirou ao em vez de gemer e acho que até eu suspirei nesse momento.
Meu primeiro movimento foi calmo e leve, o interior de Ian estranhamente me sugava de volta para dentro dele toda a vez que eu retrocedia...Isso era delicioso.
Nossos corpos se moveram em total sincronia depois disso, a pélvis de Ian vinha de encontro a minha toda a vez que eu ia de encontro à dele.
Subíamos e descíamos juntos com tanta calma, que parecia que estávamos embalando um ao outro em uma canção de ninar suave.
Nossos lábios voltavam a se unir de tempos em tempos, tomando apenas um breve momento para arfar e sentir o cheiro um do outro.
O cheiro que emanava de Ian era tão doce, tão agradável, eu me sentia embriagado com essas sensações.
Acho que é isso que se chama... fazer amor.
Nossa movimentação aos poucos foi ficando mais intensa, mas mesmo assim, eu ainda conseguia fazer esses movimentos de forma delicada. Ian me abraça forte com seus braços e pernas.
O abracei também e me sentei na cama, puxando ele comigo.
—“Mova-se você agora.” Cochichei em seu ouvido e voltei a beijar seus lábios.
Ian se arrumou melhor para conseguir impulsionar pra cima com suas pernas, seus braços seguiam em volta do meu pescoço e agora serviam de apoio para ele.
Ian quicou em cima de mim, me apertando em seu interior e arfando em meu ouvido.
—“Seph... tão profundo...” Ele balbuciou entre uma arfada descontrolada e outra.
—“Eu posso sentir também.” Respondi distribuindo beijos de sua orelha até seu ombro e depois voltando à sua orelha pela mesma trilha. Sempre que eu passava pelo pescoço fino de Ian, eu o sentia se arrepiar e se preparar para o meu ataque em sua veia carótida. Mas eu só passava por ela devagarinho com um doce beijo.
Na minha quinta vez beijando o lugar, Ian choramingou desejoso.
—“Seph... beba de mim... por favor.” Ele implorou com um tom de voz rouco de desejo.
Passei a lamber seu pescoço, atiçando ele mais um pouco e ao mesmo tempo anestesiando o local. Ian seguia subindo e descendo sobre o meu colo, mas ele parecia estar se cansando, então lhe ajudei segurando sua cintura.
Minhas presas agora latejavam implorando pela carne macia de Ian. E toda vez que eu me deixava arranhar de leve a pele dele com elas, Ian suspirava e minhas presas ficavam mais doloridas e vibrantes.
Ian em um movimento sinuoso capturou meus lábios com os seus, sua língua foi direto nas minhas presas, acariciando-as com volúpia e eu gemi em deleite. Deixei minha língua massagear as presas de Ian também, o fato delas serem retrateis e possuírem serrinhas acabou machucando um pouco a minha língua.
O gosto de meu sangue invadiu nossas bocas, a quantidade não era o suficiente para deixar Ian sobre efeito de afrodisíaco, mas era o suficiente para agradar seu lado predador.
Separei nossos lábios a contra gosto e voltei para o pescoço de Ian. Dessa vez penetrei sua pele com calma, fui certeiro e alcancei a veia que desejava.
Ian gemeu e suspirou ao mesmo tempo, o sangue delicioso dele invadiu minha boca, bebi um pequeno gole, saboreando cada gota, cada célula... isso era tão sublime.
O prazer de ter minhas presas dentro dele, sendo mais uma extensão minha dentro dele, o tomando, o fazendo meu... não havia palavras no mundo para descrever tal sensação.
Agora eu entendia aquela história sobre sexo de vampiro, aquele sexo a base de troca de sangue. O prazer que diziam era realmente verdade.
Ian parecia mais feliz com isso do que eu. Acho que ele finalmente realizou esse desejo de ter uma troca de sangue amorosa.
—“Seph... eu te amo...” Ele gemeu meu nome.
Mudei de posição, voltando a deitar Ian sobre as cobertas cheirosas, sem nos separar de forma alguma. Tomei o controle dos movimentos novamente e reivindiquei Ian de todas as formas possíveis.
Eu estava perto de gozar e era como se o corpo de Ian soubesse disso e desejasse isso mais que tudo no mundo. Seu interior voltou a me sugar e seu sangue se tornou mais doce.
Meu corpo tremia de desespero para chegar ao ápice e Ian gemia o meu nome em meu ouvido.
Finalmente senti minha liberação, minhas presas vibraram dentro de Ian como se gozassem junto com meu membro.
Nunca me senti tão satisfeito em gozar, nunca me senti tão completo. Desmoronei sobre o Ian, ele me abraçou, me acolhendo e me aceitando.
Tirei minhas presas de dentro do Ian e lambi seu ferimento em uma tentativa de diminuir sua dor e ajudar a cicatrizar. Enquanto me concretava nessa parte, retirei o restante de mim de dentro de Ian.
Suspiramos juntos, totalmente entregues a esse momento de pura satisfação. O quarto parecia quentinho e aconchegante, o corpo de Ian em meus braços parecia tudo que eu precisava no mundo.
Sai de cima de Ian, mas não o deixei longe de mim por muito tempo, o puxei e aconcheguei em mim de um jeito que pudéssemos ficar confortáveis e abraçados.
Ian deitou sua cabeça em meu peito, suspiramos juntos e aos poucos fomos caindo no sono, enquanto nos acariciávamos.
...
Monstro...
Assim que todos dormiram, saí em minha nova caçada, eu estava à procura do exército, mas qualquer cidade que aparecesse no meu caminho seria alvo dos meus caprichos. Assim como as outras quatro cidades que levei às cinzas durante essas últimas semanas.
Homens, mulheres, crianças, vampiros, mestiços, animais... nada seria poupado.
...Seis horas depois...
Voltei pra casa antes do amanhecer, a raiva queimava em minhas veias de uma forma até dolorosa.
DROGA!... QUE ÓDIO!... Eu destruí uma cidade inteira com mais de cinco mil habitantes e nem suei... Qual é a graça disso se não há um desafio?
Eu também encontrei um comboio do exército, assim como vinha procurando. Eles estavam muito bem armados e me atacaram com tudo que tinham, mas nada surtiu efeito. Eu me senti lutando contra criaturas feitas de algodão. Nada foi capaz sequer de me arranhar... ninguém conseguiu fugir de mim, foi um verdadeiro massacre, mas isso não teve a menor graça pra mim.
Droga... eu fui um idiota por ter matado a Sophia... ela era a única que podia me parar. Agora sem ela... quem vai fazer oposição a mim? Quem vai tornar a destruição difícil e excitante?
Qual é o sentido da minha existência agora?
A raiva estava me dominando, brincar de estragar a vida de Leonard já não tinha mais graça. Por mais que tenha sido um verdadeiro desafio essas últimas semanas tentar dar uma ordem pra ele sem ser pego, isso acabou perdendo a graça quando descobri que posso muito bem dar uma ordem telepaticamente a ele.
Eu já estava pensando em matar logo todo mundo e sair mundo afora.
Mas... e se eu criasse um inimigo pra mim?
Sophia passou um pouco das habilidades de cura dela para o hospedeiro, o progenitor e o Leo... Isso durou pouco, mas durante algumas semanas, esses três tinham uma capacidade de cura acima do normal, se eu tentasse mata-los, eles seriam capasses de se curar e sobreviver... Então... se eu desse meus poderes pra eles... será que pelo menos um deles séria capaz de tentar me matar?
Não... isso não ia dar certo, poderia durar por apenas uma semana e conhecendo o progenitor e o hospedeiro, eles seriam incapazes de me machucar, mesmo que eles soubessem que eu sou um monstro.
Mas eu ainda tenho a possibilidade de transformar o Leonard, ele sim tem o desejo de me matar para proteger os outros.
Séria interessante... acho que devo pensar bem nos pros e nos contra desse plano.
Enquanto eu pensava, finalmente amanheceu. Eu me deitei em minha cama e fingi estar dormindo como sempre e esperei pelo hospedeiro. Fiquei repassando na minha mente toda e qualquer ideia que pudesse me dar um inimigo, qualquer um.
Talvez eu devesse começar matando o hospedeiro na frente do Leo... isso provavelmente o deixaria enfurecido comigo, afinal ele parece mesmo amar o hospedeiro. E talvez até o progenitor se voltasse contra a mim se isso acontecesse. É isso!... Eu vou matar o hospedeiro hoje e na frente daqueles dois.
Mas no exato momento em que eu estava tomando essa decisão, o hospedeiro entrou no quarto sorridente e com ele entrou junto uma nova possibilidade de inimigo.
Pude sentir, havia três novas presenças nesse cômodo... Sim, eu podia sentir com perfeição as mentes desses seres se formando, elas ainda eram primitivas, ainda tinha o único objetivo de se multiplicar, crescer, se transformar e viver. Dentro do hospedeiro, três novos inimigos cresciam.
Que hospedeiro sortudo, ele ia morrer hoje, mas com isso, acho que ele assegurou sua sobrevivência por mais alguns meses.
Três bebês... nossa, eles se superaram dessa vez. Infelizmente para esses três carinhas, eu só preciso de um deles... E eu também quero recriar o que aconteceu comigo e com a Sophia. Quero que eles passem exatamente pelo o mesmo que passamos, tudo para garantir que esse novo bebê, seja igual a mim em questão de nível de poder.
Então terei que refazer todos os passos... A começar pelo ataque que o hospedeiro sofreu e que causou aquela dor... ao qual me aproveitei para destruiu o corpo original da Sophia.
Tenho de fazer algo acertar com força a barriga do hospedeiro... e acho que tenho o bode expiratório perfeito para isso.
O hospedeiro como sempre me vestiu e se ofereceu para me alimentar, ele parecia alheio a essa novidade... Será que ele não sabe que dentro dele há três criaturas como eu? Interessante.
Fomos para sala, lá o meu pobre bode expiatório estava sentando assistindo TV com o progenitor. O hospedeiro foi se sentar ao lado do progenitor, eles trocaram caricias e pude sentir um cheiro diferente no ar.
Oh... que interessante, quando esses dois trocam caricias esse cheiro fica mais forte. Eles não percebem isso? Acho que isso está ligado aos sentimentos dos dois. Acho que esses novos bebês só foram feitos porque eles estão nesse momento sentimental super amoroso.
Isso explica o porquê que até agora o hospedeiro não tinha engravidado de novo. Isso é bem mais complicado de acontecer do que imaginei. Isso depende dos sentimentos deles e não só do contato físico.
Bem, mas isso não importa agora. O que eu realmente quero é pensar em como vou recriar tudo que aconteceu comigo e com a Sophia dentro do hospedeiro.
Olhei para Leonard e forcei a minha mente a mandar uma fala para a mente dele.
—“Leonard... tenho uma nova ordem pra você.” Sorri quando seus olhos se arregalaram pra mim.
Fale com o autor