Sangue quente.
50 O fim da aventura?
Notas iniciais

Sebastian...
Dezoito anos vampíricos depois...
Hoje é o aniversário dos trigêmeos, eu nem posso acreditar, finalmente eles se tornaram adultos... quer dizer, mais ou menos, né? Eles seguem sendo os bebês da casa quando se trata de serem mimados pelos nossos pais.
A Izabel que o diga, ela ainda é tratada como se fosse de porcelana, tudo porque ela é uma mestiça simples e por isso todo mundo a consideram frágil. Bem, na verdade nem todo mundo, Sophia a trata normalmente... mas isso é porque a Sophia tem uma rixa com ela.
Lembro-me da época em que a Sophia encarnou em tentar se livrar da Izabel. Teve uma vez que ela tentou enviar a bebê de seis meses pelo correio, o endereço do destinatário dizia... Para o outro lado do mundo.
Sophia já tentou enterra-la viva na areia da praia e também atira-la do telhado, por sorte a Izabel sempre me teve por perto para salva-la no último minuto.
No entanto Izabel nunca ficou magoada com a Sophia por esses atentados contra a sua vida, nem mesmo quando ela já tinha idade para entender as intenções maléficas da Sophia. Na verdade, Izabel adorava essas briguinhas entre elas. Acho que era porque Izabel odiava ser tratada como a bebezinha da casa e o fato da Sophia a colocar em enrascadas desse tipo, sempre a deixava animada para se provar capaz de se virar sozinha.
Bem... No fundo eu nunca fiquei tão preocupado com o ódio da Sophia por ela também, quer dizer, ela armava aquelas coisas pra cima da Izabel, mas sempre dava margem para que ela conseguisse se salvar de alguma forma... Eu nunca senti uma real intenção de matar vindo da Sophia. Acho que Sophia no fundo só queria testar e por a prova as capacidades da irmã... acho que ela fazia isso para ensinar a Izabel a se defender sozinha.
No fundo eu sei que elas se gostam, apesar das brigas e dos atentados... E também do terrível ciúme que apunhalava a Sophia, tudo porque ela queria ser a única princesinha da casa.
Seph até tentou acabar com essa implicância da Sophia, coroando-a como a rainha da casa, assim ela não ficaria em cima da pobre da Izabel que nem se importava com esse título de princesinha mesmo.
As coisas funcionaram por um tempo, mas mesmo assim Sophia não suportou ver a pequena e doce mestiça que não possuía poder algum ganhar toda a atenção pra si o tempo todo.
Eu entendo mais o menos o motivo da Sophia ter ciúmes, ela queria um pouco mais de atenção só pra si, ela teve pouco tempo a sós com nossos pais. Mas Izabel acabou roubando todo esse tempo quando chegou.
Não nego que Izabel recebeu tratamento especial, principalmente por causa de sua saúde frágil, durante a gestação ela só sobreviveu por causa dos irmãos e depois do parto as coisa não foram mais fáceis, cuidar dela se tornou prioridade.
Até mesmo Caspian e James Pedro receberam pouca atenção de nossos pais por causa dela, principalmente porque os dois começaram a andar e a falar com apenas dois messes e a Izabel ainda nem se firmava sozinha nessa época... Tive um pouco de pena de Caspian, ele precisava de Ian... foi por isso que me aproximei mais ainda dele, ele precisava de alguém.
Mas quer saber? Nem Caspian e nem James Pedro ficaram irritados com a pouca atenção que receberam por causa dela. Eles amavam a Izabel tanto quanto os nossos pais... e quer saber o que mais? Izabel merecia mesmo todo esse carinho, ela era uma ótima irmã caçula, afinal apesar de ela ter crescido sendo mimada, ela não agia como essas meninas irritantes que são sempre o centro da atenção dos familiares, ela era doce e meiga.
E o dia que algum menino se engraçar com ela, eu juro que eu mesmo vou dar cabo desse ser nojento. Tá admito... eu também a mimei, não pude resistir, pois ela foi um bebê inocente por muito tempo e eu acho que ela ainda é um.
Ian passou correndo por mim carregando enfeites antiquados de festa de aniversário. Como balões e faixas extremamente infantis e vergonhosas.
Eu morria de vergonha de cada festa de aniversário que fui obrigado a suportar ao longo da minha vida nessa casa. Atualmente tenho dezenove anos e o Ian ainda assim me faz passar por festa com temas infantis... maldito, porque eu não o matei quando tive a chance mesmo?
Seph logo veio de atrás do Ian para ajuda-lo a dependurar a decoração antes dos convidados chegarem.
Suspirei cansando, eu já não aguenta mais viver nessa casa... Me pergunto porque ainda estou aqui... Meu trabalho tecnicamente acabou, meus irmãos cresceram, estou livre... posso ir embora, mas porque não consigo?
Olhei em volta, apreciando cada pedaço dessa casa onde me forcei a ficar por tanto tempo, meus olhos acabaram parando em minha gêmea.
Sophia como sempre estava ansiosa aguardando a chegada de Ren, ele tinha sido convidado para o aniversário dos trigêmeos.
Ela andava de um lado para o outro na frente da porta, aposto que ela planejava se jogar nos braços de Ren assim que ele passasse pelo batente da porta... Pobre Ren, ele sempre é massacrado pelo amor intenso da Sophia.
Todos acham eles super fofos juntos, mas Seph e Ian nem imaginam as coisas que esses dois fazem escondidos por aí. Sophia e Ren namoram desde os quinze anos... mas é claro que escondidos, pois se Seph descobrisse... bem, Ren perderia as bolas com certeza.
Na verdade eu estou louco pra ver a reação do Seph quando Sophia contar seu segredinho obscuro que vem escondendo de todos há mais de duas semanas... quer dizer, ela pensa que está conseguindo esconder, mas quase todos já sabem com exceção de nossos pais, do pai do Ren e do Leonard que não possuem uma visão especial que os permita enxergar através das coisas.
Pobre Ren... espero que ele consiga correr rápido, pois aposto que Seph vai transforma-lo em um tapete quando descobrir que ele engravidou sua filha querida.
Droga, como eu fui deixar isso se arrastar por tanto tempo? Eu planejava ir embora assim que os trigêmeos crescessem um pouco, mas agora uma nova geração está a caminho e eu ainda não tomei meu rumo.
A pequena Izabel passou correndo descalça por mim, tropeçou no tapete e caiu de quatro no chão, quase me levando junto.
—“Toma cuidado sua sonsa!” Resmunguei irritado e lhe lancei um olhar enfurecido, ela me fez um beicinho, mas logo sorriu, se levantou e saiu saltitando por aí como se nada tivesse acontecido. Ela estava acostumada com o meu olhar duro, isso não a afetava mais.
Atualmente Izabel não tinha nenhum problema de saúde, ela agora era um verdadeiro espirito livre da natureza. Ela vivia descalça correndo por aí, escalando árvores, nadando em riachos, brincando com os animais selvagens... Tudo isso para o desespero dos nossos pais que achavam que ela ia cair de uma árvore e se despedaçar em caquinhos há qualquer momento.
Eu a invejava, para Izabel não havia tempo ruim, ela estava feliz com tudo o tempo todo.
Uma batida na porta me distraiu, Ren entrou e como o esperado, Sophia se jogou em cima dele e o esmagou em um abraço de urso... Francamente, até parece que eles não se viram escondidos ontem à noite.
Logo atrás de Ren, entrou Kiel e Grifh, muitos já desconfiavam, mas as coisas só foram se confirmar depois que Ren completou dezoito anos, Kiel e Grifh estavam juntos e eram um casal feliz, apesar de Kiel ainda guardar com carinho no coração o mestiço que o fez se tornar o que é hoje.
—“Kiel... que bom que veio! Olá Grifh...” Seph abraçou Kiel e Grifh logo em seguida.
Seph nutria uma grande amizade por Kiel, ele até foi vice de Kiel por dois anos, mas renunciou depois que Ian passou mal ao ficar sozinho em casa com tantas crianças. Sem falar que Seph também não se sentia bem com essas viagens todos os dias para a Capital, era questão de tempo até que um dos dois tombasse de cansaço. Depois disso Seph se tornou conselheiro de Kiel, ele o ajudava de casa, mantendo contato sempre que podia.
Seph também voltou a ser um investidor, só que dessa vez ele não guardava todo o lucro para si, ele doava metade para a instituição de Kiel, onde os mestiços viviam livres.
A fazenda de Kiel cresceu muito nos últimos anos e se tornou um verdadeiro santuário para os mestiços que agora sabiam falar e tomar as decisões por si só. Hoje em dia os bancos de sangue são abastecidos pelos mestiços da fazenda de Kiel, mas é claro, somente aqueles que concordam em doar uma pequena quantidade de sangue por mês é que fazem parte disso, se o mestiço não quiser, ele não é obrigado.
No entanto setenta por cento do dinheiro que mantem a fazenda de Kiel atualmente vem da venda do sangue, então a grande maioria dos mestiços doa sem reclamar.
E com esse sangue no banco sendo muito bem administrado por Grifh, a fome está quase erradicada entre os vampiros pobres. E quase não há mais vampiros obesos entre a nobreza. Kiel tem aprovação máxima do povo... para o ódio e desespero dos Ex-Condes que não concordam em como o governo de Kiel está se estendo.
Kiel tentou abolir a escravidão, mas é claro que isso ainda existe, mesmo que escondido, assim como as rinhas que agora são ilegais e rendem uma longa prisão para os vampiros envolvidos.
Muitos Vampiros que eram Condes se negaram a abrir mão do título, chegando até a atacar Kiel. Eu já perdi as contas de quantas vezes Kiel sofreu um atentado contra sua vida, mas até hoje ele teve sorte, espero que ele continue tendo essa sorte pra sempre... Pois as leis que ele criou ainda são frágeis e a memória de um tempo de fartura ainda é forte entre os Condes, se Kiel cair, é provável que tudo regrida e volte a ser como era.
—“Como estão as coisas na fazenda?” Ian chegou perguntando enquanto abraçava Kiel e Grifh.
—“Estão uma loucura... descobrimos que temos quinze mestiços e onze mestiças em gestação. Esse ano vai ser fogo... Vamos ter que abrir um berçário.” Grifh suspirou cansado, mas contente ao mesmo tempo.
—“Nossa! Tudo isso?” Ian se arrepiou e James Pedro saiu de fininho da sala com um sorriso de orelha a orelha.
Ele passou por mim com o maior sorriso bobo que eu já vi estampando em seu rosto, ele estava até cantarolando.
—“Meu parabéns...” Resmunguei pra ele.
—“Obrigado, não é todo dia que alguém faz dezoito anos, né?” Ele Sorriu mais ainda.
—“Não foi por isso que te parabenizei.” Bufei pra ele.
—“...” Ele me olhou de forma inocente, mas eu sabia que ele já tinha sacado onde eu queria chegar.
—“Os bebês que vão chegar na fazenda de Kiel... são seus, não? Vinte e seis bebês... caramba, você se superou, por acaso você está criando um exército próprio pra me derrotar, Irmãozinho?” Sorri perigosamente pra ele, mostrando meus dentes afiados como um aviso.
—“Eu não sei da onde você tirou essa ideia absurda, imagina, eu... pai de vinte e seis bebês, ora vamos! E além do mais todos sabem que eu não preciso de um exército pra te dar uma surra, Irmãozão.” Ele me sorriu de volta, mostrando seus dentes na forma de combate, ele era bem mais alto e ameaçador que eu.
Nos encaramos por um momento, medido a força um do outro, prontos para dar o bote caso o outro piscasse. A tensão vibrava entre nós dois, mais um pouco e cairíamos em uma luta intensa.
—“Huhuhu... Tá bom, tá bom, você venceu dessa vez, mas só porque é meu aniversário e não quero estragar a decoração que o Tata fez com tanto carinho, mas amanhã eu vou finalmente quebrar essa sua cara convencida.” James Pedro saiu rindo alegremente.
Bufei pra ele, nós dois tínhamos esse tipo de tradição desde que ele aprendeu a andar, já que a Sophia não gostava de brincar de lutinha, James Pedro e eu acabamos nos tornando inimigos de brincadeira, todo dia rolava um combate entre nós, com vale tudo pelo poder.
Eu sempre ganhava, não pela força é claro, afinal ele é bem mais forte do que eu, mas eu tinha mais experiência e inteligência do que ele. No entanto tenho que admitir que atualmente ele está ficando mais poderoso e esperto, mais um pouco e ele vai me destronar.
E falando sério, acredito que ele seja mesmo o pai desses vinte e seis bebês que estão pra chegar lá na fazenda do Kiel.
James Pedro sempre foi o garotão da casa, mesmo quando bebê ele já se mostrava ser o garanhão da família. Ele faz sucesso com as mulheres e com os homens também, seu jeitão largado, forte e cheio de si o torna irresistível, não me admira ter tantos mestiços querendo engravidar dele.
E eu sabia que ele dava umas fugidinhas aqui de casa e ia até a fazenda de Kiel sempre que podia, mas eu não sabia que era pra bancar o galinha por lá. E é bom o Kiel tomar cuidado, pois com certeza novos mestiços aparecerão grávidos por lá... Se dependesse do James Pedro todo mundo aqui já estaria carregando um filho dele... Esse maldito!
Capitei uma sombra pequena com a minha visão periférica, mas eu nem precisava olhar pra trás para saber quem era.
—“Que foi agora Caspian?” Suspirei cansando quando o trigêmeo mais velho grudou nas minhas costas... Como sempre fazia quando queria ficar perto de mim, o que acontecia sempre.
—“Nada...” Ele falou de cabeça baixa enquanto remexia um livro de capa surrada nas mãos.
—“Fala sério... o que você quer me mostrar dessa vez?” Suspirei novamente e me virei para encara-lo, eu já estava acostumado com esse jeitinho dele, ele sempre chegava assim em mim, sempre sorrateiro e quieto, mas bastava eu dar atenção a ele, que logo ele se animava.
Caspian se tornou o meu irmão favorito, ele tinha uma personalidade mais calma e por isso eu me dava bem com ele. Ele vivia lendo um livro ou assistindo documentários... Isso quando não estava grudado no Ian ou em mim. Acho que o trauma que ele sofreu ainda no ventre de Ian o tornou muito ligado a ele... E acho que por eu ter passado por tanta coisa ruim quanto ele nas mãos de Uriel, que ele me via como alguém que podia entendê-lo.
Caspian abriu uma página no livro e me mostrou algumas fotografias de vulcões.
—“Legal né? Queria ver um de perto...” Ele me olhou em expectativa quando disse isso. Ele sempre dividia comigo o seus interesses, não sei por quê.
—“Pfff... pensei que você fosse mais esperto que isso, não dá pra chegar perto de magma, mesmo sendo o que somos.” Bufei pra ele.
—“Eu sei...” Ele baixou a cabeça com uma expressão amuada.
—“... Mas realmente é uma coisa legal... também gostaria de ver de perto.” Falei para anima-lo. Passei quase a minha vida toda tentando manter Caspian longe de uma depressão... sabe se lá o que poderia acontecer com ele graças ao ocorrido no passado.
Caspian sorriu pra mim e voltou para o seu canto para ler mais do livro.
Caspian é o mais inteligente aqui... aposto que se ele quisesse, ele poderia curar todas as doenças do mundo e resolver todos os problemas, quem sabe até responder todas as questões que nos assolam... Talvez ele tenha a resposta para curar os mestiços sem presas... mas eu não sei porque ele não toma uma iniciativa e faz algo para melhorar o mundo.
Talvez ele saiba de algo que eu não sei... talvez ele saiba que não deve interferir no mundo... Quem sabe ele tenha medo de se tornar o novo Shadowy... talvez ele tenha medo de começar a trabalhar para ajudar e curar as pessoas e sem querer acabar com o mesmo complexo de Deus do Shadowy e do Uriel, eu não sei... mas se for isso, eu o entendo... Também tenho medo de me tornar algo como eles.
Por mais que eu queria ler a mente dele, eu não consigo, tudo é criptografado dentro daquela caixinha que é a mente dele... talvez ele esteja me protegendo de algo com isso.
Suspirei consternado e voltei a olhar em volta, como o guardião silencioso que me tornei durante esses anos. Todos estavam na sala, rindo e conversando, mas eu me mantive afastado, próximo à sacada, eu não me sentia parte dessa família.
De repente Leonard surgiu ao meu lado, ele estava bem mais alto do que eu... Droga! Eu queria ter passado dele em altura. Seus cabelos seguiam compridos e atados com um rabo de cavalo. Suas orelhas tinham argolas douradas que se perdiam entre os fios também dourados dos seus cabelos, seus olhos vermelhos que como sempre estavam me fitando com arrogância... Nossa como eu odeio esse cara, ele agora tem uns vinte e três anos e se acha por isso.
—“E aí baixinho? Como estão as coisas aí embaixo?” Leonard como sempre debochou da minha altura.
—“Vai catar coquinho já que você os alcança bem, sua taquara.” Resmunguei de volta.
—“Uuuuh... tá brabinho, mas que novidade, não é?” Leonard me deu um cutucão com o cotovelo.
—“Para...” O empurrei de volta.
—“Que careta é essa, hein?” Ele apontou o dedo na minha cara, quase cutucando o meu nariz, por milímetros eu não arranquei esse dedo em uma mordida.
—“Que careta?” Rebati irritado, não sei por que, mas nossas brigas foram ficando mais feias à medida que fomos crescendo.
—“Essa aí” Ele chegou mais perto, quase como se fosse me beijar, me afastei e olhei em volta pra ver se não tinha ninguém nos olhando, por sorte todos estavam socializando nessa festa caída.
—“É a minha cara de sempre.” Olhei com raiva pra ele, droga, ele sabe que não deve fazer essas coisas estranhas na frente dos outros.
—“Sei...” Leonard deu seu famoso sorriso malandro e se encostou na parede com os braços cruzados, seus olhos me analisaram mais atentamente.
—“...” Mantive minha expressão séria.
—“...” Ele estreitou os olhos pra mim... O que ele está tramando?
—“O que você quer?” Questionei irritado.
—“Quer saber?... Me encontre hoje às quatro horas da madrugada na praia, eu tenho uma coisa pra mostrar pra você.” Ele disse isso baixinho e saiu bagunçando os meus cabelos.
—“O quê é?” Questionei curioso e tentei ajeitar meus cabelos de novo.
—“Você vera... enquanto isso, que tal aproveitarmos essa festa?” Ele me lançou um sorriso estranho, ele com certeza estava armando alguma.
—“Está bem...” Suspirei cansado e segui Leonard até o circulo de conversa no centro da sala.
Me reuni aos demais e como sempre me senti pressionado a tentar achar um lugar no meio daquelas pessoas, mas eu não conseguia, meu lugar não era ali. No entanto como era aniversário dos meus irmãos mais novos, eu me esforcei ao máximo.
Às três horas da madrugada a festa acabou... Kiel, Grifh e Ren foram embora, Seph e Ian foram pra cama, para ter mais uma daquelas noites quentes de amor... como sempre. Esses dois estavam presos em uma eterna lua de mel, não era possível uma coisa dessas.
Sophia ficou no quarto andando de um lado para o outro, ela tinha muito em que pensar agora que seria mãe.
James Pedro foi para o quarto... brincar com a sua mão e seu pinto... ele só faz isso quando está aqui em casa... Quando é que os hormônios desse garoto vão sair da puberdade?
Caspian foi para a biblioteca ler até dormir... Quando é que esse menino vai viver um pouco? Ele tem que sair da frente da televisão e dos livros e procurar alguém que o atraia.
Izabel foi brincar no jardim... espero que ela continue assim por um bom tempo, nada de namoradinhos pra ela.
E Leonard sumiu... então fiquei na duvida se deveria mesmo ir me encontrar com ele na praia... O que ele poderia querer comigo naquele lugar deserto há essa hora? Acho que ele está armando uma armadilha pra mim... ele vive mexendo comigo, me enchendo o saco... talvez eu deva dar um bolo nele.
No entanto a curiosidade foi mais forte, quando dei por mim, eu já estava pisando na areia fofa da praia.
Mas nem sinal de Leonard... eu sabia, o desgraçado me fez vir até aqui só pra me zoar, acho que ele queria ver se eu era curioso a esse ponto.
Afff... Idiota!
De repente senti a presença dele nas minhas costas, quando me virei sua mão cobriu a minha boca.
—“Shhhh... fica quieto, estamos longe de casa, mas os trigêmeos tem uma audição infalível, você sabe.” Ele cochichou enquanto fazia sinal de silêncio pra mim.
—“O que você quer?” Dei um tapa na mão dele e me afastei um pouco.
—“Quero só te mostrar uma coisa que eu aposto que você vai gostar.” O sorriso bobo dele me dizia que eu não ia gostar mesmo.
—“E onde está?” Olhei em volta, mas não havia nada de inusitado naquele lugar.
—“Vira de costas... e feche os olhos.” Ele me pediu sério.
—“Nem a pau...” Dei mais um passo atrás, eu não vou cair nessa armadilha de novo, ele vai colocar um bicho nas minhas costas e sair correndo... ou algo do tipo.
—“Vamos, eu só quero te levar até o lugar onde está a surpresa.” Ele piscou de forma malandra, me virou de costas pra ele e tapou os meus olhos.
—“Para com isso... você sabe que eu posso ver através dos seus dedos se eu quiser, não sabe?” Resmunguei quando ele começou a me fazer andar.
—“Deixa de ser chato e entra na onda, vamos... você vai gostar.” Ele rebateu com um risinho idiota... O que ele pretende? Que armadilha é essa? Ele vai me empurrar de um penhasco? Não... estamos no nível do mar... então ele vai me atirar na água, só pode ser isso.
—“Leo... se isso for mais uma de suas pegadinhas, eu juro que arranco as suas tripas.” Ameacei ficando tenso.
—“Eu juro que não é uma pegadinha!” Ele falou sério, mas eu duvido muito disso, mesmo assim o deixei me levar para onde queria.
—“Pronto... pode olhar.” Ele destapou os meus olhos depois de um tempo de caminhada sobre a areia fofa.
Na minha frente tinha um pequeno barquinho a remo.
—“...” Olhei pra ele como se perguntasse... é essa a sua surpresa? Não me impressionei seu idiota.
—“Essa não é a surpresa... Esse bote é o meio de transporte que vai nos levar até a surpresa.” Ele disse isso e apontou para o mar, onde um veleiro novinho em folha e de tamanho médio flutuava nas águas calmas e escuras.
—“Bonito... e o que eu tenho com isso?” Segui olhando pra ele como se isso não me interessasse.
—“Sabe Seby...” Leonard se aproximou de mim de modo sensual.
—“Não me chame de Seby!” Eu odeio quando ele me chama assim e eu não estou gostando nem um pouco do modo como ele está flertando comigo.
—“Sabe... eu sei que você não está feliz naquela casa, você se forçou a ficar lá por todo esse tempo pelo Ian e pelos trigêmeos... Mas eu sei que você quer ser livre... então...” Ele apontou com a cabeça o barco.
—“Então está me mandando embora com um barco? É isso? Eu não sei mexer naquela coisa...” Por um minuto me senti traído, ele estava me mandando embora? Ele estava me expulsando? Por quê?
—“Eu sei que você não sabe navegar... e é por isso que eu vou com você.” Ele se aproximou mais, colando seu corpo no meu e sorrindo de forma tarada... meu cérebro parou completamente.
—“...” Fiquei totalmente perdido com isso, o que está acontecendo?
—“...” Leonard se aproveitou do silêncio para tentar me beijar.
—“Espera... O QUÊ?” Finalmente meu cérebro voltou a funcionar, empurrei Leonard de perto de mim e o encarei incrédulo.
—“Shhh... Não faz barulho.” Ele ficou nervoso e olhou em direção da nossa casa, os trigêmeos eram intrometidos e poderiam aparecer aqui há qualquer momento.
—“Mas... mas... e aquela história de família? Eu pensei que você estivesse feliz rodeado de gente que te adora daquele jeito... eu pensei que...” Eu estava mesmo boiando com essa história, Leonard amava demais os nossos pais e era o irmão mais velho mais orgulhoso e feliz da face da terra... O que deu nele de repente?
—“Eu estou feliz lá, muito feliz mesmo.” Leonard sorriu fraquinho, acho que lembrando os bons momentos que passamos todos juntos, ele brincava de cavalinho e aceitava até brincar de boneca com as meninas sem nunca reclamar, ele sempre estava sorrindo, eu sabia que ele era extremamente feliz naquela casa.
—“Mas estão porque disso tudo?” Questionei olhando-o com atenção.
—“Porque você não está feliz... você quer conhecer o mundo.” Leonard respondeu com uma expressão meio triste, espera! Ele está sacrificando o final feliz dele para me dar o que eu quero?
—“Leonard, isso não faz o menor sentido pra mim... E eu volto a insistir... E aquela história de família? Pensei que isso fosse tudo pra você... se você vier comigo, aí é você quem estará infeliz.” Rebati desesperado, eu não podia acreditar nisso, o que ele pensa que está fazendo? Eu estava começando a ficar com o coração apertado ao pensar no sacrifício que ele estava fazendo por mim.
—“E quem disse que eu não posso ter uma família... com você, hein?” O sorriso dele aumentou de tamanho.
—“...” Fiquei sem entender o que ele quis dizer com isso por um minuto, Leonard ficou quieto me encarando, deixando o meu cérebro somar um mais um.
—“O-o q-quê?” O encarei com raiva, sabe aquele aperto no coração que eu falei antes? Pois é, ele sumiu, agora quero esganar esse filho da puta.
—“Isso mesmo que você está pensando... Sabe, chega um momento na vida de um homem... que viver com os pais e com os irmãos não serve mais. Eu quero ter a minha própria família agora, quero viajar e conhecer o mundo com você, mas quem disse que eu não posso ter o que quero também?... Pelo o que eu sei... você é igual ao Ian... você pode... ou melhor, nós podemos fazer uma família juntos.” Leonard voltou a se aproximar e a colar nossos corpos juntos.
—“Nem... por... cima... do... meu... cadáver.” Falei devagar pra ele entender direito a minha resposta.
—“Sério mesmo? Vai me dizer que você nunca... desejou estar comigo?” Leonard ergueu uma sobrancelha pra mim, fazendo sua famosa cara pervertida.
—“Nunca!” Tentei empurrar ele pra longe, mas ele grudou mesmo em mim, me abraçando com força.
—“Nem quando eu te abraçava quando você estava tendo um pesadelo?” Ele questionou no meu ouvido.
—“I-isso n-nunca a-aconteceu!” Droga! Que merda, meu passado me condena.
—“Sério? Mas e quanto ao nosso beijo no seu aniversário... lembra?” O sorriso de Leo aumentou mais ainda.
—“Você está delirando... e-eu não lembro disso.” Tá... eu admito, eu lembro, mas eu só aceitei beijar ele por curiosidade, pois a Sophia já tinha namorado e eu fiquei imaginando como seria ter alguém pra fazer essas coisas também, mas Leonard jurou que aquilo ia ser enterrado assim que acabasse e nós nunca mais íamos falar sobre isso.
—“Sei...” Leonard me apertou mais forte e aproximou seu rosto lentamente do meu.
Os lábios dele colaram nos meus e por mais que eu tivesse forças para mata-lo dez mil vezes, eu não conseguia achar essa força para afasta-lo.
—“Então o que me diz disso?” Ele perguntou com um sorriso zombeteiro depois de me beijar.
—“Isso o quê? Não aconteceu nada.” Rebati de cara fechada.
—“Pode negar pra sempre, pois eu também posso fazer isso pra sempre... E tenha certeza de que eu não vou desistir, não enquanto eu tiver certeza de que você também me quer.” Ele voltou a me beijar.
—“Pare com isso...” Virei o rosto e relutei para sair dos braços dele.
—“Vamos Sebastian... vamos nos mandar daqui... Eu deixei uma carta de despedida em nosso nome, prometendo voltar em alguns meses para visitar... vamos, eu sei que você quer.” Ele cochichou isso no meu ouvido enquanto deixava selinhos no meu pescoço.
Um arrepio subiu pelo corpo e perdi minhas forças.
Eu realmente quero isso? Bem, essa é minha chance de me mandar daquela casa, mas eu realmente quero ir com o Leonard? Eu quero mesmo ter com ele esse tipo de relacionamento?
Isso parece errado, mas tá certo que nunca fomos irmãos de verdade e desde que ele me salvou daquele laboratório, eu sei que ele gosta de verdade de mim... mas porque isso? Eu sempre fui malvado com ele... eu quase o destruí.
—“Você é maluco...” Resmunguei pra ele quando ele começou a me dar mordidinhas.
—“Eu sei...” Ele falou sem nunca me largar.
—“Eu jamais vou te dar uma família, sabe disso, não sabe?” Deixei isso claro, afinal a regra é clara, eu só engravido se EU quiser e eu não quero mesmo. Além do mais... se eu vou ter que ficar com esse cara, então EU serei o ativo!
—“É o que veremos.” Ele falou todo convencido.
—“...” Droga... não sei o que fazer, eu quero ir, mas acho que tenho medo das consequências, Leonard vai ficar infeliz em algum determinado momento quando descobrir que eu falo sério, eu realmente nunca terei um filho com ele.
—“Vamos?” Leonard insistiu, me abraçando mais forte.
—“...” Respirei fundo, tentando tomar coragem.
—“Vamos” Respondi depois de um tempo.
Leonard me beijou, mas esse beijo foi diferente de todos os outros, era intenso e cheio de desejos, dava um frio na barriga.
Ele me arrastou até o barco, subi nele ainda sentido esse friozinho na barriga, ele se ocupou dos remos... Droga, espero não estar fazendo a coisa errada.
Quando desembarcamos do bote e subimos no veleiro, Leonard não me deixou nem apreciar a beleza do barco, ele me agarrou e tentou me beijar de novo.
—“Para com isso e bota essa banheira pra navegar, eu não quero que alguém ache aquela carta agora e venha aqui tentar nos impedir, não quero ter que me despedi de ninguém e nem ter que explicar o nosso caso.” O empurrei pra longe de mim e o encarei irritado.
—“Tudo bem... tem razão.” Ele suspirou e foi ajeitar as velas e a ancora para navegar.
Sentei na proa para desfrutar da beleza do mar e da lua sumindo aos poucos no horizonte. O vento gelado e salgado bateu no meu rosto e me deu uma sensação estranha... Era um sentimento de leveza, mas ao mesmo tempo de aperto no peito.
Demorei a entender que a sensação de leveza era na verdade a minha tão desejada liberdade me recebendo, me abraçando. Finalmente eu estava livre, mas o sentimento de aperto no peito também foi aumentando aos poucos... esse aperto era... um pouco de tristeza e saudade misturado.
Então é isso... eu posso partir e ser livre como sempre desejei, mas como castigo, como preço pela minha liberdade, eu sentirei saudades da minha família, eu terei que conviver com esse aperto no peito... que droga! Será que nunca me sentirei cem por cento feliz com algo?
Olhei pra trás, ainda dava pra ver a minha casa daqui, mas a terra estava se distanciando, logo sumiria no horizonte também.
Eu não queria dizer adeus a eles, mas agora estava arrependido de não ter dito que no fundo... Bem lá no fundo eu amei estar com eles por todo esse tempo, mesmo que eu não tenha deixado eles se aproximarem tanto de mim, mesmo que eu tenha sempre sido só uma presença nos cantos da casa, protegendo-os e observando-os à distância, mesmo que eu não tenha sido marcante pra eles, pra mim eles foram uma presença muito mais intensa na minha vida.
—“Hey! Você está chorando?” Leonard se aproximou de mim após jogar a ancora no mar, agora estávamos em mar aberto, no meio do imenso e esmagador nada.
—“Não! Você está vendo coisas!” Virei e limpei o rosto rápido... odeio o fato de agora ter sentimentos... preferia quando eu só queria matar todo mundo, era menos vergonhoso.
—“Não precisa ter vergonha, eu também já estou com saudade... mas nós ainda estamos juntos, não é?” Ele me abraçou novamente... ah, qual é? Agora ele vai ficar sempre me tocando desse jeito? Saí seu grude!
—“Não fale essas coisas melosas... se você quer que eu continue te aturando por muito tempo no meio desse nada, então cale a boca.” Dei um puxão de orelha nele.
—“He he he... Ah, Seby... você é mesmo durão, hein!” Ele me pegou no colo, como se eu ainda fosse um bebê... Puta merda, ele tá exagerando, ele tá querendo que eu o mate? É isso?
—“Para com isso...” Esperneei um pouco.
—“Vamos para o nosso novo quarto... agora temos uma única cama, não vamos precisar de mentiras toscas pra pular pra cama um do outro.” Leonard sorriu de forma sem vergonha.
—“Cala a boca! Ou eu vou voltar nadando pra terra... você sabe que eu posso.” Segui esperneando, mas ele não me largava de jeito nenhum... que raiva!
Leonard apenas riu e me carregou pelas escadas até a parte interna do barco, no andar a baixo do deck principal. Lá tínhamos uma cozinha... não sei pra quê... não comemos comida humana... apesar de eu poder... se quiser.
Tínhamos também um banheiro com um chuveiro minúsculo e uma banheira média... Tá bom... é aceitável, apesar de eu preferir algo mais espaçoso.
O quarto tinha uma cama de casal grande que quase ocupava o quarto todo. Como não tinha muito espaço no quarto para uma cômoda, a parede na cabeceira da cama tinha um monte de prateleiras onde ficavam as roupas.
A decoração era simples e com temas marinhos como conchas e estrelas, com tons pasteis de areia e madeira envelhecida, mas até que era aconchegante... É, eu acho que eu estava esperando demais de barquinho simples desses.
—“Como conseguiu esse barco?” Questionei quando Leonard me largou em cima da cama.
—“Arranjei um trabalho mais ou menos e juntei dinheiro por uns anos, aí pechinchei e consegui comprar.” Ele me explicou quando começou a tirar a camisa, não liguei pra isso, ele vivia sem camisa no verão mesmo. Mas a explicação dele finalmente me respondeu uma antiga questão, eu sempre quis saber onde ele se metia quando sumia lá de casa... então ele estava trabalhando.
—“Porque não pediu um barco de presente pros nossos pais quando o seu aniversário chegou?” O encarei sem entender, mas congelei ao perceber que ele estava tirando o restante da roupa... é agora que eu corro? Ou é agora que eu devoro ele?
—“Eu sei que se eu tivesse pedido um barco de presente pro Sephiron, ele teria me dado um cruzeiro gigante, mas como eu planejava fugir com o filho dele usando o barco... bem, achei que seria muito descaramento da minha parte pedir isso de presente pra ele, sabe... Ele ia ficar com um sentimento de culpa... ou coisa do tipo. Além do mais o Sephiron prometeu uma vez que ia me deixar virgem pra sempre, ele ia fazer de tudo para atrapalhar as minhas chances de trepar, tudo porque atrapalhei ele o Ian uma vez” Leonard sorriu e engatinhou pra cima da cama, agora completamente nu.
—“Entendi... HEI! O que você pensa que está fazendo?” Arregalei os olhos quando ele se livrou da minha calça e da minha cueca de uma única vez e foi abrindo minhas pernas.
—“Sexo oras... o que mais seria?” Ele deu de ombros tranquilamente e lambeu os dedos antes de leva-los a um ponto sensível do meu corpo.
—“... E-eu sei... mas quem disse que você podia? E tem mais... EU serei o ativo!” Tentei inverter as posições, mas ele me empurrou de volta e se debruçou sobre a minha cintura.
—“Shhh... fique quieto e aprecie.” Leonard me lançou um olhar intenso ante de abocanhar uma parte de mim jamais tocada... nem eu mesmo me toquei ali.
—“Nã... ah, Leo... hmm...” Tapei minha boca para evitar que esses sons estranhos escapassem, mas era impossível deixar de gemer quando ele estava me sugando desse jeito.
—“Viu? Está tudo bem... se solte, se entregue a mim...” Leonard sorriu safadamente e assoprou minhas partes antes de voltar a suga-las.
—“Isso é tão errado... somos irmãos...” Tapei o rosto enquanto o dedo dele tentava entrar em mim.
—“Nunca fomos... já fomos inimigos e amigos, mas nunca me senti seu irmão de verdade, não como eu me sentia com a Sophia e os trigêmeos.” Ele respondeu sério e manteve o semblante firme quando seu dedo cruzou uma barreira que eu jamais achei que seria quebrada.
—“...” Merda, merda, merda... tem um dedo dele dentro de mim? Não, não, não, nem a pau... isso não está acontecendo... isso é tão vergonhoso... merda!
—“Uoou... seu corpo se adapta rápido hein...” Leonard se admirou quando seu segundo dedo entrou com facilidade, mais do que isso, meu corpo realmente evoluiu para permitir tal toque ali embaixo... maldito corpo capaz de se adaptar às novidades... maldito corpo que está desejando isso... só porque eu fui feito pra poder fazer isso.
—“Cala a boca... e saí daí!” Tentei empurrar eles com meus pés em seus ombros, mas estava sem forçar. Maldição... maldito corpo que não colabora comigo.
Eu não esperava que ele realmente fosse sair, mas ele retirou os dedos e engatinhou por cima de mim até seu nariz ficar a centímetros do meu.
—“Sebastian... eu gosto de você, eu não sei por que, mas eu não consigo achar uma resposta coerente dentro de mim quando paro pra pensar... Eu me lembro da época em que você me feriu e me humilhou e eu sei que deveria te odiar, ou nutrir ressentimentos por aquilo, mas sempre que tento achar algum sentimento negativo, eu só me sinto mais e mais perdido nesse desejo de estar com você.” Leonard começou a falar sério, meu coração realmente parou quando ouvi essas palavras saírem dos lábios dele dessa forma tão intensa.
—“...” O encarei sem sabe o que dizer, então ele prosseguiu.
—“Quando eu te encontrei sobre aquela maca no laboratório do Uriel... eu senti tanta raiva, foi uma raiva maior do que aquela que senti por você quando me forçou a fazer coisas ruins sobre o efeito do pacto de sangue... Naquela época você me perguntou por que eu era capaz de derramar lágrimas por você mesmo depois de tudo o que você me fez... Na época eu não consegui responder, eu era jovem demais para entender essas coisas, mas agora eu sei...” Os olhos dele estavam fixados nos meus, eu quase podia ver sua alma... isso tudo só estava me deixando mais abalando ainda com suas palavras.
—“Seby... eu gosto de você, até mesmo do seu jeito malvado e antissocial, eu quero estar com você, mas eu não vou te forçar a nada, se você não quer estar comigo, se seus sentimentos por mim são outros, então me fale agora que eu paro o que estou fazendo e sigo ao seu lado apenas e somente como um irmão mais velho que só quer ver o seu bem-estar.” Essas palavras dele esmagaram o meu coração, eu não quero ele só como um irmão... agora eu sei.
—“Ah, mas que merda!” Segurei o rosto dele e o beijei com tudo, dessa vez sem me segurar, sem receio ou duvidas. Deixei as inseguranças de lado e me entreguei a ele.
—“Seby?” Ele arregalou os olhos quando rolei na cama com ele e fiquei por cima, amontado nele.
—“Cala a boca.” Resmunguei irritando enquanto retirava a minha camisa negra.
Leonard me olhou por completo quando fiquei nu sobre ele, pude ver que suas mãos queriam desesperadamente tocar o meu peito, ri do olhar bobo dele, como eu posso estar com alguém como ele? Ele é completamente diferente de mim, ele é meu oposto, ele é bobo e inocente demais... Meu oposto... não é isso que estou procurando desde o início? Droga, ele estava na minha frente o tempo todo.
Segurei seu membro embaixo de mim e me ajeitei melhor sobre ele.
—“Seby... espera, eu não te preparei o suficiente...” Sebastian tentou me parar, mas me sentei sobre ele e me deixei ser penetrado.
—“Não preciso dessas coisas, meu corpo se adapta, lembra?” Sorriu malandramente quando senti ele se acomodar por completo dentro de mim, não havia dor nem nada do tipo, meu corpo se alargou e se lubrificou sozinho.
Apoiei minhas mãos no peito dele e mantendo uma expressão séria me movi, pude apreciar as caretas que ele fazia embaixo de mim, desse modo parecia que era eu quem estava penetrando ele.
Ri maldosamente das arfadas desesperadas dele, se eu ia ser o passivo, então ao menos eu ia manter um pouco de dignidade e ficar por cima dele, sem gemer e sem fazer caretas ridículas como ele.
Eu estava me sentido o dominante por estar no comando dos movimentos e por mais que as sensações que eu estava sentido me levassem à loucura, eu jamais admitiria isso.
Mas de repente as mãos de Leonard agarram as minhas nádegas com força, quando dei por mim, eu já estava deitado de barriga pra cima com Leonard acomodado entre as minhas pernas, o sorriso vitorioso e metido dele dizia claramente... Eu que mando aqui.
—“Sai de cima...” Tentei rolar de novo, mas ele segurou as minhas mãos nas laterais da minha cabeça e me manteve parado. Ele se moveu, erguendo mais o meu quadril, me deixando em uma posição muito vergonhosa.
—“Maldito... vou te matar...” Rosnei pra ele e tentei novamente mudar de posição, eu era mais forte que ele então tecnicamente seria fácil reverter a situação, eu disse tecnicamente, pois ele tinha o controle sobre mim com o pacto de sangue.
—“Fique quietinho...” A foz dele soou firme como uma ordem, meu corpo paralisou... maldito.
Leonard se aproveitou que eu não podia me mover e colocou uma das minhas pernas sobre seu ombro, ele então mordeu a minha coxa enquanto seguia se movimentando, me preenchendo por completo.
—“Merda...” Gemi quando ele mordeu outra vez a minha perna sobre seu ombro, agora duas marcas de mordida vertiam sangue. Leonard lambeu os lábios, mantendo sempre um olhar firme e duro sobre mim, mantendo uma pose dominante... Maldito, ele estava tentando me dominar, me domar.
Relutei contra as algemas mentais que me prendiam a ordem dele, esse maldito não vai me dominar, nunca!
—“Gemi pra mim Seby, gemi como um gatinho, vamos...” Ele falou manhosamente e mordeu novamente a minha perna enquanto se movia, chegando cada vez mais perto de um ponto delicado dentro de mim... ah, por favor, que ele não encontre esse ponto, por favor.
—“Vou te matar tanto quando eu puder me mexer de novo... aah” Merda, ele achou o ponto e o pior é que eu nem posso tapar a minha boca para abafar o gemido.
—“Acho que isso foi um gemido... será que fiz algo certo?” Ele riu e me mordeu novamente... mas que desgraçado, isso doí!
—“Você... argh... está abusando da... arf... sorte...” Lhe lancei um olhar assassino, ele apenas riu e bebeu meu sangue que vertia da perna ao qual ele estava fazendo questão de encher de marcas de mordidas.
—“Hmmm... que saboroso... tudo em você é delicioso Seby.” Ele gemeu em delírio ao engolir meu sangue.
—“...” Relutei sem chance alguma, meu corpo estava rendido, quem diria que na hora do sexo o Leonard fosse ser tão... dominante... merda! Cadê o lado inocente e bobo dele? Isso não devia estar acontecendo.
A mão livre de Leonard desceu pela minha perna até a minha virilha.
—“Não! Não me toque aí!” Pedi quando ele começou a me masturbar, eu não ia aguentar isso por muito tempo, ele estava me levando à loucura me privando de defesa, me marcando e me tomando desse jeito... Droga! Será que tenho fetiches com essa parada de ser dominado?
Gemi miseravelmente, quando ele voltou a me cutucar naquele ponto sensível e depois disso ele percebeu que ali era o lugar certo e não parou de me atacar.
Meu corpo todo tremia agora, perdido entre um desejo de revidar e uma sensação de prazer sem igual.
—“Está proibido de gozar.” Ele ordenou e meu corpo obedeceu... maldição, ele vai me torturar agora? Onde ele aprendeu essas coisas? Escutando o Seph e o Ian nos seus momentos sádicos?
Parecia que meu corpo ia sucumbir perante tantas sensações, agora uma leve dorzinha me dominava, já que eu não podia gozar.
—“Leo... pare...” Pedi como uma ordem, mas ele não a acatou.
—“Tá na hora de te ensinar a ter bons modos Sebastian, já que seus pais nunca conseguiram fazer você ser um bom menino.” Ele me olhou de forma dura... Puta merda, ele parecia mesmo malvado assim.
—“Seu desgraçado...” Rosnei pra ele e como castigo a mão dele apertou com força o meu membro.
—“Shh... não, não... nada de xingamentos, não me faça usar a sua boca também.” O olhar dele se fixou com desejo nos meus lábios.
—“CARALHO... LEONARD, ONDE VOCÊ APREDEU A FAZER ESSAS COISAS? VOCÊ É UM SÁDICO TAMBÉM?” Olhei pra ele sem acreditar, a expressão dele... eu nunca imaginei que veria tal expressão em seu rosto, era uma mistura de prazer, sadismo e pura diversão maléfica.
—“Sempre quis fazer isso com você...” Ele voltou a morder com força a minha perna, eu queria afastar aquela perna da boca dele, mas meu corpo não obedecia.
—“Ah, droga! Para com isso seu miserável...” Gemi incomodado, meu corpo inteiro tremia de desejo, dor, prazer e ansiedade por fugir.
—“Peça... Diga, por favor, Leonard me deixe gozar, peça, vamos, mas peça como um menino educado.” Leonard me pediu para implorar como um idiota, mas eu nunca faria algo tão vergonhoso assim, jamais!
—“Puta que pariu... nem a pau!” O encarei com raiva, se ele pensa que vai me domar na cama, ele está muito enganado.
—“Então vou continuar com isso até de manhã...” Ele riu e se afundou em mim com força.
—“...” Tranquei a respiração... eu conseguiria aguentar isso até de manhã? Acho que não... mas não vou desistir.
—“Você que sabe...” Ele deu de ombros e voltou a me morder enquanto me masturbava e me cutucava naquele ponto, tudo isso com meu corpo gritando por alívio, eu queria goza... parecia que meu interior ia explodir por causa da pressão que se acumulava em meu membro.
Como eu fui cair nessa armadilha? Sempre achei que Leonard fosse um santinho, sempre achei que eu poderia fazer exatamente isso com ele... quem diria que ele ia virar o jogo dessa forma?
Mordi meu lábio e tentei aguentar o desespero que me corroía, não deveria faltar muito para amanhecer, não é? Eu tinha que ser forte e aguentar isso, me render não estava no meu dicionário, essa palavra não existia pra mim.
Acho que me mantive firme por quase uma hora, Leonard parecia preste a perder o controle e gozar também, mas ele estava sendo forte... Droga, porque vampiros podem controlar o momento de gozar? Mas quer saber? Acho que ele está sofrendo com esse desejo tanto quanto eu... agora é questão de quem é mais fraco.
Aposto que ele vai desisti antes... aposto.
Droga! Porque não amanhece? Eu vou morrer... minhas bolas estão me matando... vou morrer... será que tem como morrer assim? De prazer? Espero que não, porque meu corpo está tão estressado quanto daquela vez em que estive em uma luta de vida ou morte com o Shadowy e o Uriel ao mesmo tempo.
—“P-para... por favor, me deixa gozar Leo... por favor...” Me rendi, me sentido completamente humilhado, mas no momento tudo que eu queria era desmaiar e dormir por uma semana.
—“Puf... arf... Uff... bom... garoto...” Leonard baixou minha perna massacrada de mordidas, algumas já cicatrizavam e então ele deitou sobre mim, tomando os meus lábios.
—“Já pode se mexer e gozar...” Ele disse entre um beijo e outro.
Meu corpo aliviou e voltou a poder se mexer, cravei minhas unhas com força nas costas dele, isso era uma pequena vingança pelas mordidas dolorosa.
Finalmente gozamos juntos, gemendo e arfando tão alto que acho que as pessoas no litoral podiam nos ouvi. Nunca me senti tão bem... essa privação tornou esse momento mais intenso, minha vontade de matar o Leonard sumiu junto com a minha chegada ao nirvana.
Quando dei por mim, já era de manhã e Leonard dormia exausto ao meu lado... eu poderia me vingar dele agora, mas estou moído, meu corpo está um bagaço.
Levantei-me da cama sentido meu corpo inteiro protestar, me arrastei até o chuveiro e fiquei embaixo da água um momento para relaxar, aos poucos a água morna aliviou o meu cansaço.
Deixei Leonard sozinho na cama e fui para o deck principal, queria senti o vento salgado do mar de novo.
Uma sombra minúscula pairava acima de mim, dependurada no mastro.
—“Há quanto tempo você está aí?” Perguntei sem olhar para o garoto agarrado no mastro.
—“Desde o momento em que você e o Leo estavam fazendo aquelas coisas depravadas... quem diria, vocês dois juntos... não posso dizer que nunca desconfiei, mas ainda assim foi um choque.” A voz do garoto soava divertida e cansada ao mesmo tempo, também pudera, ele deve ter vindo voando até aqui.
—“O que você quer Caspian?” Suspirei finalmente ao olhar pra cima, na direção do meu querido irmãozinho.
—“Me levem com vocês... por favor.” Ele pulou lá de cima e me abraçou forte, haviam tanto desespero nesse pedido dele que me surpreendi, ele nunca quis algo tanto assim, principalmente sendo algo que o afastaria de Ian.
—“O quê? Por quê?” Quis saber.
—“Porque eu quero conhecer o mundo com você... Não é justo me deixar preso naquela casa com apenas livros e filmes, eu quero ver aquelas coisas ao vivo, eu quero tocar e sentir o cheiro, eu quero viver... eu quero ficar perto de você.” Ele falou isso com um olhar sonhador e inocente.
—“Porque você quer ficar perto de mim?” Ergui uma sobrancelha pra ele.
—“Eu te adoro irmão...” Ele voltou a me abraçar, ele era menor do que, sua cabeça dava no meu queixo, desse jeito ele ainda parecia uma criança.
—“Mas e o Ian?” O lembrei desse detalhe.
—“Um pedacinho de mim sempre vai estar com ele...” Caspian baixou a cabeça ao dizer isso.
—“Literalmente” Falei sério, afinal dez por cento das células de Caspian estão no corpo de Ian, constituindo o braço esquerdo dele.
—“Sim, o lado bom disso é que eu sempre vou saber o que ele está sentido, sempre saberei se eles estão em perigo ou coisa do tipo.” Caspian sorriu aliviado, admito que também me senti mais aliviado com isso, se um dia Caspian me alertasse de algo errado com Ian, eu poderia voltar correndo, eu poderia seguir sendo o protetor daquela família.
—“Você avisou aos outros que viria conosco? Imagina a preocupação deles com você.” O encarei irritado com as mãos na cintura, como um verdadeiro irmão mais velho dando uma bronca no caçula.
—“Assinei a carta de vocês, mas acho que agora papai vai ficar pensando que o Leonard nos raptou para montar um harém.” Caspian deu um risinho ao falar isso.
—“O que exatamente o Leonard escreveu na carta?” Me arrepiei só de imaginar.
—“Algo do tipo... Fugimos para nos casar, voltamos em alguns meses, assinado Leonard e Sebastian... logo abaixo coloquei meu nome também.” Caspian sorriu de forma inocente, como se isso não fosse preocupante.
—“Puta merda! Eu vou matar o Leo!” Não acredito que ele escreveu uma merda dessas, eu pensei que ele tinha escrito algo como... Vamos viajar e conhecer o mundo, não se preocupem, voltamos logo.
—“...” Caspian me olhou em expectativa, esperando a minha resposta.
—“Você quer mesmo isso?” O olhei sério.
—“Por favor... Eu sempre te mostrei aquelas fotografias de lugares incríveis na esperança de você me levar lá.” Ele juntou as mãos na sua frente como se fosse rezar... Finalmente entendi porque ele vivia me mostrando aquelas imagens então, era porque ele queria muito fugir comigo, ele sabia que eu queria partir.
—“Tá bem... mas não se meta em problemas... Não quero que você me traga confusões.” Dei um cascudo na testa dele... Droga, espero não me arrepender de deixa-lo vir junto.
—“Você sabe que eu nunca me meto em problemas, você está falando do James Pedro, ele que é o cara que sempre arranja confusão.” Caspian revirou os olhos pra mim.
—“É verdade.” Sorri de volta pra ele... Que bom que dos três, foi ele quem veio, eu gosto dele.
—“Então... quando o bebê de vocês nascer, eu vou poder ser a babá? Sabe, eu tenho que pagar pelos anos que você e o Leonard cuidaram de mim” Caspian falou isso sério, alisando a minha barriga como se eu já estivesse nesse estado.
—“... CALA A BOCA... NÃO VAMOS TER UM BEBÊ!” Gritei irritado e pude ouvir Leonard rindo do quarto, ele estava nos ouvido, aquele babaca... droga!
Caspian me deu um sorriso pequeno e eu revirei os olhos, não acredito, eu queria fugir disso, mas acabo de me atolar até o pescoço com esses dois.
Fazer o quê, né? Ao menos eu posso senti um fiozinho de emoção que me diz que logo eu terei minha própria aventura, acompanhado das pessoas que mais gosto, não posso reclamar... pois sei que eu vou gostar.
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Enquanto isso na casa...
Sephiron...
—“Não posso acreditar nisso... eu disse, eu avisei... eu cansei de falar que a gente tinha que ficar de olho naquele fedelho... Eu sabia que ele era um malandro sem vergonha, aqueles brincos eram a prova... eu falei que a gente devia ter castrado ele.” Resmunguei andando de um lado pro outro com a carta em mãos, não acredito que o Leonard, aquele garoto que eu aceitei em meu coração como filho legítimo me traiu dessa forma e roubou dois dos meus filhos... MEUS FILHOS HOMENS AINDA POR CIMA... bem, acho que eu o odiaria mais se ele tocasse nas meninas.
Ian chorava e sorria ao mesmo tempo no cantinho... droga, porque ele não está gritando de raiva como eu?
—“HAHAHA... EU SABIA, EU SABIA QUE ESSES DOIS IAM FICAR JUNTOS HAHAHA...” Sophia estava quase rolando no chão de tanto rir.
—“Mas eu nunca imaginei que o santinho do Caspian toparia fazer parte de um romance a três... quem diria, hein? Mas fico feliz que meu irmãozinho tenha seguido o seu sonho ao em vez de ficar o dia todo amuado em casa com a cara nos livros.” Disse James Pedro que possuía um sorriso sincero em seus lábios.
—“Onde quer que eles estejam... desde que eles estejam felizes, eu também estou. E eles prometeram na carta que logo voltariam, não é? Então não devemos ficar tristes, devemos esperar a volta deles com ansiedade.” Izabel suspirou feliz e saiu saltitando pela casa.
—“Não digam besteiras... eu vou ir atrás desses três, vou castrar o Leonard e trancar o Sebastian e o Caspian em uma torre bem alta e sem portas... Onde já se viu... meus dois filhos fugindo com um pirata...” Quase arranquei meus cabelos de exasperação, eu realmente ia sair em uma caçada atrás deles, eu realmente ia castrar o Leonard... aquele maldito.
—“Calma Seph... calma... eles estão bem.” Ian me segurou e me impediu de sair correndo porta a fora.
—“Ian... me larga...” Me debati contra ele.
—“Seph... isso me fez perceber uma coisa... Nossos bebês cresceram e logo nosso ninho estará completamente vazio... isso me deixa triste, mas ao mesmo tempo feliz.” Ian sorriu pra mim, mas ao mesmo tempo lágrimas escorreram de seu rosto.
—“Como assim? Você pirou?” O encarei sem entender, como ele poderia ter tais sentimentos sem nexos ao mesmo tempo?
—“Você não vê Seph? Logo ficaremos sozinhos, só nós dois de novo... então...” O sorriso de Ian cresceu um pouco.
—“Tá querendo ter mais filhos?” Me entusiasmei com a ideia.
—“DRÁCULA QUE ME LIVRE... TE CASTRO MIL VEZES ANTES DE TER OUTRO BEBÊ... AQUILO DÓI SABIA? TENTE PASSAR PELO PARTO UMA VEZ PRA VOCÊ VER O QUE É BOM PRA TOSSE!” Ian rosnou enfurecidamente pra mim e tentou me esganar por causa da pergunta.
—“Então o que você quer dizer com isso?” Eu segui sem entender onde ele queria chegar.
—“Logo estaremos sozinhos... então poderemos ter a nossa própria aventura.” Ele sorriu e me abraçou.
—“Mais uma?” Sério, fugir do exército estando grávido e lutar com dois monstros não foi aventura o suficiente pra ele?
—“Eu topo tudo ao seu lado, topo mais quantas aventuras você quiser.” Ian sorriu e me abraçou, o peso no meu peito aliviou um pouco.
Beijei Ian com paixão, ele estava certo.
Esse não era o fim... Era o começo...
Fim.
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