Sangue quente.

4 Mais torturas?


Notas iniciais
Obrigada a todos que estão favoritando, acompanhando e comentando, isso é muito importante pra mim e me inspira a continua! Boa leitura e até o próximo capítulo!

Ian...

Corri para a porta, mas quando cheguei nela ele já estava lá bloqueando o meu caminho, consegui me desviar de seus braços e corri de novo para o outro lado, procurando outro modo de fugir, mas o quarto não tinha janelas, pois era um quarto de um vampiro, eles dormem de dia e preferem quartos sem janelas para evitar que a luz do sol os incomode, nos mestiços não temos esse problema, podemos ser diurnos ou noturnos.

Havia outra porta no quarto, mas esta levava ao banheiro, se eu entrasse ali corria o risco de ficar encurralado, então ignorei a porta e continuei correndo pelo quarto com toda a velocidade que meu corpo permitia.

Ele parecia estar se divertindo com essa caçada, desgraçado, ele nem estava usando toda a velocidade que podia, mas já era o suficiente para me derrotar e me humilhar.

Eu continuei a correr dele no quarto o driblando e tentando encontrar uma forma de passar por ele ou atacá-lo e rendê-lo de vez, mas eu não estava encontrando uma brecha para por meu plano em pratica e ele era muito esperto.

Ele realmente estava se divertido muito com essa brincadeira, ele sorria como um homem jovem feliz, ele até parecia um ser normal desse jeito, quando sorria sem preocupações e se divertia, se eu não estivesse com tanto medo dele, estaria achando o jeito dele até engraçado.

–“Você até que é rápido! Não muito, mas é o suficiente pra gente brincar de pega-pega!” Ele gargalhou, não uma gargalhada sádica, mas uma gargalhada contente, eu não conseguia entender esse vampiro.

Eu continuei a correr dele, mas meu tempo estava acabando, só posso manter essa velocidade por uns quinze minutos, depois disso meu corpo se cansa, esquenta e entra em estresse, diferente dele que poderia manter essa velocidade por um tempo indeterminado.

Tentei uma última vez a porta, mas dessa vez ele conseguiu me pegar e agora minhas forças haviam me abandonado, meu corpo inteiro gritava por descanso e alívio do estresse, que me deixei ser segurado por ele enquanto desmoronava de cansaço, eu precisava de água urgente ou ia superaquecer meu corpo e poderia entrar em choque.

–“Água... arf arf... água...” Pedi arfando tanto que achei que ia explodir meus pulmões, nunca fiquei assim na minha vida inteira e sinceramente não tenho certeza dos danos que isso pode me causar a longo prazo.

...

Sephiron...

Assim que o segurei, seu corpo ficou mole, ele arfava e respirava com muita dificuldade, isso só podia significar que usar sua força e velocidade por muito tempo causava algum tipo de dano em seu corpo.

Ele me pediu água desesperado, então ele precisa desse líquido como os humanos precisão, nunca entendi porque eles gostão tanto daquilo, para nós vampiros esse líquido não tem sabor, cheiro e utilidade alguma exceto para lavar e limpar, então não nós culpem por não dar o devido tratamento a ela, não nos importamos se ela esta acabando ou não.

O levei para minha cama e o atirei sobre os lençóis, ele estava tão mal que não aproveitou a oportunidade de me atacar ou correr de novo, sentei ao seu lado e o observei por um momento, era muito interessante ver ele nesse estado, parecia um peixe fora d’água tentando respirar, chegava a ser cômico, queria aproveitar para torturá-lo mais assim, mas algo me dizia que ele ia morrer se ficasse muito tempo assim.

Fui ao banheiro e peguei um copo que uso pra enxagua a boca, enchi de água e voltei para o quarto, então me veio a ideia de maltrata-lo um pouquinho com isso.

Mostrei a água para ele, seus olhos fixaram o copo como se esse fosse seu alvo, o seu objetivo de vida, ele tentou se arrastar em direção ao copo na minha mão, mas estava muito mal e eu ergui e afastei o copo dele.

–“Qual o seu nome? Você tem um?” Perguntei isso, mas geralmente os escravos humanos não tem nome e são os seus donos que lhes dão algum. Eu, no entanto nunca perdi meu tempo dando nome para um deles sequer, porque eu faria isso? São apenas animais irracionais, não é como se eles fosse aprender seus nomes ou coisa parecida, eu achava isso idiotice, mas algo me dizia que esse mestiço tinha um nome.

–“... arf... Ian...” Ele falou enquanto sofria depois de um tempo em silêncio me encarando sem entender.

Levei o copo aos lábios dele e virei um pouco do líquido em sua boca, ele bebeu erguendo a cabeça em direção ao copo, deixei ele tomar um pequeno gole e afastei o copo dele de novo, ele gemeu pela primeira vez desde que comecei a tortura-lo e devo dizer que era um som delicioso, raramente encontrava um escravo que tinha um gemido tão sonoro e bom.

–“De hoje em diante você vai me chamar de Mestre Sephiron! Entendeu?” Perguntei mostrando o copo pra ele.

Seus olhos não deixavam de seguir o copo, mas ele parou para me encarar com raiva.

–“Jamais vou te chamar disso!” Ele falou com determinação.

Virei um pouco da água no tapete do quarto e ele lambeu os lábios, ele estava sedento e tudo só piorava ao ver a água ser esbanjada, aposto que ele lamberia o tapete de tanta sede agora.

–“Me peça com jeitinho e eu te dou o restante da água!” Ordenei.

Ele me fuzilou com os olhos, mas quando viu que eu ia virar o restante da água, sua mão agiu por reflexo e ele agarrou a minha.

A mão dele estava febril e húmida e o aperto dele na minha me fez sentir algo estranho, meus outros escravos não tiveram permissão para me tocar, e nunca ninguém me tocou assim tão despreocupadamente.

–“Água... por favor... Mest...” Ele quase falou mestre que eu vi, quase gargalhei, isso estava muito divertido, ele parecia estar lutando com o orgulho próprio agora.

–“Água... Sephiron!” Ele falou meu nome... e de um jeito que parecia estar me dando uma ordem, mas novamente ele fez algo que ninguém nunca fez comigo antes, ele falou meu nome de forma rude e grosseira e sem o tratamento adequado, porque isso me deixa tão excitado? Duvido que se qualquer um dos meus empregados ou até “amigos” falasse assim comigo eu ia ficar nesse estado, aposto que eu mandaria arrancar a pele do desgraçado a chicotadas, mas porque esse mestiço sujo podia?

Não sei exatamente o que aconteceu comigo, ao em vez de castigá-lo eu o recompensei lhe dando água.

Ele se agarrou a minha mão que carregava o copo, talvez para me impedir de afastar o copo de novo, ou talvez só porque estava desesperado e estava se agarrando com tudo a sua fonte de vida.

Achei isso intrigante, me senti estranho de novo, estava dando a ele algo que ele precisava e por algum motivo isso fazia eu me sentir... estranhamente bem!

Assim que ele terminou de beber tudo que tinha no copo ele continuou agarrado a minha mão tentando sugar mais água, ri disso, admito que isso seja cativante e provocante.

Até que ele tem seu charme... larguei o copo de qualquer jeito no chão e ele se quebrou, então subi em cima dele me aconchegando entre suas pernas, ele ainda se recuperava da corrida estressante, por isso não reagiu com muitas forças.

Suas mãos tentavam empurrar meu peito para longe dele, mas ele não ia ter muito sucesso nisso, eu ia fode-lo de qualquer forma, ele não tinha a menor chance contra mim.

Afastei mais suas pernas e posicionei o meu pênis em seu ânus, sem muita preocupação me afundei nele, ele estremeceu e esperneou quando doeu, suas unhas das mãos arranharam meu peito, mas isso era bom, ele me encarou com um claro desejo de arrancar as minhas tripas, retrocedi dentro dele e ele fechou os olhos de dor, voltei a me afundar nele e quando percebi ele já havia me mordido, suas presas cravaram em meu ombro e se fixaram na minha carne, podia sentir que na base de suas presas havia serrinhas, acho que serviam para dilacerar a carne, mas se tinha essa função ele não estava usando, ele apenas cravou as presas em mim e tomou um gole de meu sangue, isso doía, então meti nele forte e duro, a cada gole que ele dava de meu sangue eu aumentava a força da investida, sendo bem mais bruto.

No sexto gole eu já estava fodendo tão forte e duro que o corpo dele subia alguns centímetros na cama, mais um pouco ele ia bater a cabeça na cabeceira da cama, era obvio que ele estava sentido dor, mas não gemeu.

Ele parou de morder e me encarou, seus lábios estavam cheios de sague e ele parecia mais corado, fiquei curioso para ver como eram as presas dele, as de um vampiro são lisas da ponta até a base e elas são longas e grosas na base, mas afinam na ponta e são muito, mas muito afiadas mesmo, podemos atravessar aço com uma mordida.

Enfiei meus dedos em sua boca e repuxei o lábio superior para cima, como o leiloeiro havia dito as presas dele eram retráteis como a garra de um gato, elas não crescem como as presas de um vampiro, elas tem um tamanho único, mas como ele pode esticá-las para fora da gengiva, isso faz parecer que elas crescem, interessante, isso parece mimetismo que a espécie faz para nos imitar.

Como eu havia reparado quando ele me mordeu, a base de suas presas possuíam serrinhas minúsculas como a de um tubarão, e seus dentes molares eram ainda mais assustadores, com certeza esses dentes foram feitos para arrancar um bom pedaço de carne, então cheguei a conclusão de que ele é carnívoro.

Fiquei muito interessado pela física do corpo dele, sempre me interessei por ciências e biologia, já li todos os livros que possuía sobre essas matérias.

Eu continuava a meter nele e por algum motivo que não sei o qual, ele não mordeu meus dedos que estavam em sua boca, mesmo que eu estivesse lhe dando a chance de arrancar fora meu indicador, médio e anelar que estavam todos dentro de sua boca, bastava uma única mordida com a força que sei que ele possuía e adeus dedos.

Observei sua expressão, ele não estava reagindo e parecia esta gemendo de levinho, demorei um pouco para perceber que ele empurrava sua pélvis de encontro a minha, espera, ele esta gostando disso? Uau... ele esta ficando bem duro e eu estou metendo com violência, tanta violência que ele até esta sangrando um pouco.

Acabei me distraindo com as reações dele, nunca nenhum escravo meu curtiu foder comigo, eles nunca foram receptivos e nunca ficavam excitados desse jeito.

Devo dizer que isso é bom... parece que ele esta me sugando pra dentro dele, então essas é a sensação de transar com alguém que quer isso... espera... ele quer isso? O que esta acontecendo?

...

Ian...

Droga... merda... eu quero morrer! Não acredito no que esta me acontecendo, eu estou gemendo de forma constrangedora embaixo desse idiota.

Eu não devia ter bebido o sangue dele, agora sei por que o governo não esta com medo dos mestiços virarem a mesa e se tornarem os predadores dos vampiros... é porque com apenas alguns goles do sangue deles já é o suficiente para nós tirar de ação, aparentemente o sangue deles é afrodisíaco para nós... merda, sinto minhas veias queimarem, sinto o meu corpo arder de desejo.

Eu odeio esse ser que esta em cima de mim, mas meu corpo quer se entregar para ele de uma forma humilhante e constrangedora... droga, há uma mistura de dor e prazer, eu não quero sentir isso, eu não quero... mas não consigo resistir, não consigo lutar.

Antes que eu me desse conta, já havia abraçado ele e cravado minhas unhas em suas costas, o arranhei para fazê-lo sentir um pouco da minha dor também, mas ele pareceu gostas disso, ele jogou a cabeça para trás e gemeu alto, suas investidas reduziram a força e ele começou a me foder em uma velocidade que me levava a loucura, ele estava cutucando um ponto dentro de mim que me fazia querer gritar por mais.

O arranhei com força de novo e ele enterrou a cabeça entre o meu ombro e o meu pescoço, pensei que ele fosse me morde, mas ao em vez disso ele me lambeu e me chupou naquele lugar, o arrepio que subiu por minha espinha me fez estremecer e aperta-lo dentro de mim, ele gemeu alto, ele parecia estar curtindo isso... imaginei que ele só fosse curtir violência e sexo bruto, mas por algum motivo ele estava enlouquecido com o que estava acontecendo.

Sua cabeça desceu e sua boca alcançou meu mamilo esquerdo, ele deu um chupão forte e mordiscou ele, DROGA! Porque isso é tão bom? Eu devo estar gostando porque estou sobre efeito desse sangue afrodisíaco dele, caso contrário, eu estaria odiando tanto a ponto de querer matá-lo por fazer essas coisas constrangedoras.

Eu não sabia dizer quantas horas se passaram, mas eu já havia gozado umas três vezes e não conseguia saciar o meu corpo, acho que vou morrer... isso não para! E para piorar, por ele ser um vampiro, ele pode manter um ato sexual por um longo tempo, MERDA! Eu com certeza vou morrer assim.

...

Sephiron...

Ah... eu não consigo parar, geralmente não me mantenho em um ato sexual por muito tempo, pois se faço isso acabo matando de exaustão meu escravo humano, mas acho que com esse mestiço não tem problema.

Ele gozou umas três vezes e agora estou tentando faze-lo chegar ao clímax pela quarta vez, porque gostei da sensação de quando ele goza, seu interior vibra de uma maneira incrível e ele me aperta com tanta força que parece que vai me partir em dois, isso é muito bom... quem diria que um dia eu faria sexo tentando dar prazer ao meu escravo, eu sempre pensava no meu prazer e somente no meu prazer, para mim, quanto mais duro e rude eu era, mais eu me sentia bem e saciava a minha vontade sádica, mas com esse mestiço as coisas estavam sendo diferentes... quanto mais eu dava prazer a ele, mais eu ficava excitado, ele estava gemendo de uma maneira que nunca ouvi ninguém gemer, era um som grave e rouco que saia do fundo de sua garganta, diferente de um gemido de dor que em geral era esganiçado e agudo.

Fiz um pequeno teste e empurrei fundo dentro dele e depois fiquei parado pressionando o lugar que eu estava alcançando, seu corpo deu uma estremecida e seus pelos se arrepiaram, AHAM, achei seu ponto de prazer, devo estar massageando sua próstata.

Ele me arranhava as costas com força e isso me fazia sentir um formigamento estranho e de alguma forma delicioso, muitas das sensações que eu estava tendo eram novas pra mim e acho que por esse motivo elas eram tão boas, eu sentia uma mistura de dor e prazer intenso.

Há essa altura, eu já havia decorado os pontos sensíveis dele, eu sabia o que fazer para alcançar o lugar dentro dele que o fazia gemer forte e se contorcer embaixo de mim, eu sabia onde chupar e morder para fazê-lo me apertar mais forte e eu estava realmente gostando de fazer essas coisas, elas eram trabalhosas e cansativas, nunca me cansei tanto fazendo sexo, acho que era pelo fato de eu simplesmente espancar e logo após me enfiar dentro de meu escravo sem muita importância, num simples vai e vem forte e cruel, ah, se eu soubesse que podia vir a gostar disso já teria experimentado antes.

Não me entenda mal, eu não mudei da noite para o dia, ainda quero torturar e massacrar esse mestiço de formas dolorosas e sádicas a um nível sangrento e cruel, mas acabo de descobri que posso ter prazer com algo mais leve e estou disposto a repetir isso no futuro.

Ele estava chegando perto de gozar de novo, eu já reconhecia os sinais de quando ele ia chegar a isso, me enfiei fundo nele para sentir aquela sensação ao qual estava me viciando, ele entrelaçou as pernas em volta da minha cintura e abraçou o meu pescoço, se agarrando em mim como se precisasse de mim, isso era quente, me dava uma sensação entranha no estomago, não era sede, na verdade pela primeira vez na vida eu não sentia sede, só prazer.

Ele gozou e ao fazer isso ele apertou o abraço em volta do meu pescoço, nossos rostos ficaram próximos e eu podia sentir a respiração dele contra o meu rosto, sua boca estava entreaberta e antes que eu pudesse me controlar, já estava fazendo algo que sempre considerei idiota e sem graça, meus lábios cobriram os dele e ele de alguma forma retribuiu o que eu estava fazendo, não sei se estava fazendo isso certo, eu nunca beijei ninguém e nunca entendi porque tinha gente que fazia isso, mas quando a língua dele invadiu a minha boca e chamou a minha língua pra dançar, foi ai que eu entendi qual era a graça disso, podia explorar a boca dele inteira com a minha língua e o gosto do meu sangue ainda estava na boca dele, a língua dele instigou minhas presas de uma forma que as fez crescer mesmo eu estando sem vontade de morder algo ou beber, era estranho sentir elas se alongando sem nenhuma necessidade e a sensação da língua macia e quente dele massageando-as me fez ver estrelas de deleite e satisfação.

Acabei gozando também e essa foi mesmo a primeira vez que gozei sem controlar, geralmente eu me libero quando quero, então levei um choque e estremeci quando isso aconteceu de surpresa pra mim, isso era MUITO MELHOR assim!

Desabei exausto sobre ele, nossa... esse mestiço esta me fazendo experimentar muitas coisas pela primeira vez e isso parece surreal, pois eu tenho quinhentos e trinta e quatro anos, era de se esperar que alguém com essa idade já tivesse feito de tudo, mas aparentemente não... e isso me dava uma sensação de alegria, já fazia mais de duzentos anos que eu estava tão entediado e sem esperanças de fazer algo novo e sem precedentes, que agora me sentia nas alturas.

–“Por... favor... chega! Não quero... mais, por favor!” O mestiço falou sem folego embaixo de mim, sua voz estava fraca e quase falhando, olhei para ele e ele parecia estar quase desmaiando, mas ainda conseguia me olhar com ódio.

–“Esta me olhando assim por quê? Pelo o que pude ver, você estava gostando muito disso há uns segundos atrás!” Mexi com ele, só para irritá-lo mais.

–“Não tenho culpa se... seu sangue é afrodisíaco para minha espécie...” Ele respondeu tentando fazer a cara mais repugnada que conseguia nesse estado.

Ah! O que ele disse fazia muito sentido, foi depois que ele me mordeu e bebeu meu sangue que ele começou a se entregar e reagir a mim, isso era muito interessante, inúmeras possibilidades se abriam diante de mim agora.

Retirei-me de dentro dele e o liberei, ele estava muito fraco para se mover, então não havia mais perigo de uma nova tentativa de fuga ou de ataque.

Vesti meu roupão de seda vermelha e chamei o meu empregado pelo aparelho em cima da mesinha de cabeceira, não demorou muito para um de meus servos aparecer e bater de leve na porta, permiti a sua entrada e um vampiro de cabelos castanhos ondulados entrou vestindo um smoking e luvas brancas.

–“Mestre Sephiron!” Ele fez uma reverencia.

–“Leve o meu novo escravo aos seus aposentos, o deixe confortável, alimente e de bastante água para ele, quero ele novinho em folha amanhã... quer dizer hoje a noite de novo!” Instrui o meu criado que já foi em direção a Ian para pega-lo, Ian me lançou um olhar assustado e ao mesmo tempo furioso, estava na cara que ele esperava mais tempo de descanso depois disso, mas não, ele não terá descanso em minhas mãos.

...

Ian...

Fui arrastado de qualquer forma por esse vampiro de cabelos castanhos, eu não estava conseguindo me mover direito, meu corpo estava estranho, nunca abusei tanto de minha habilidade de cura e agora pagava o preço, estava com dores musculares fortíssimas, queria simplesmente dormir pra sempre agora.

O vampiro que me levava se irritou com minha letargia e me deu um beliscão forte, ah, que maravilha parece que vou ser maltratado até pelos criados de Sephiron.

Quando tropecei e cair sem forças para levantar ele me arrastou pelos cabelos até o subterrâneo, ele abriu uma porta que lembrava a um calabouço e me atirou dentro da peça, e não parecia um calabouço, ERA um calabouço, quando Sephiron disse a esse vampiro para me levar aos meus aposentos e me deixar confortável, eu estava até esperando um quarto de hospede comum, pequeno e talvez com apenas uma cama desconfortável, mas o que ganhei era com certeza o fim.

O lugar não tinha janelas o que deixava o cheiro de mofo e a umidade ainda pior, o lugar era bem pequeno, não havia cama, no seu lugar tinha um pedaço de madeira dura em cima de quatro pedras em cada extremidade para deixar a tábua longe do chão, aquilo parecia muito desconfortável, mas agradeci por ao menos ter aquilo para me afastar do chão.

O chão era a coisa mais nojenta que já vi na vida, era gosmento e grudento o cheiro de podre me dizia que aquilo era uma mistura de sangue urina e fezes dos escravos anteriores de Sephiron, havia um balde enferrujado num canto, mas o conteúdo me dava náuseas, acho que aquilo devia ser o banheiro, mas nunca foi limpo ou esvaziado.

E para piorar tudo, não havia luzes, assim que a porta foi fechada eu fiquei quase em uma escuridão total, se não fosse um pouco de luz que entrava por debaixo da porta, agora eu estaria tendo um ataque de pânico no escuro.

Deitei-me na minha cama/tábua, sentindo muito frio, não havia cobertas pra me esquentar e eu ainda estava nu, me encolhi e me deixei finalmente chorar pela primeira vez desde que fui separado de minha família.

Aquele lugar era horrível, cheirava mal e me dava uma vontade de simplesmente morrer, acho que isso seria melhor do que passar dia após dia trancado nesse lugar e depois sendo espancado e violentado por aquele monstro.

Algo escorreu de dentro de mim, MERDA, eu não tinha nem a possibilidade de me limpar e me banhar, eu queria tanto tomar um banho e me senti desinfetado dos fluidos desse monstro.

Tentei dormi, mas reparei ser impossível naquela tábua dura, não tinha nada para usar de travesseiro, meu pescoço protestava, minhas costas doíam.

Não havia como eu saber quantas horas se passou, não havia janela para eu ver o sol ou a lua, eu nem tinha como saber quanto tempo faltava para aquele monstro me tocar de novo e tudo que eu podia fazer era rezar para o tempo parar, pois meu corpo ainda não havia se recuperado.

Se eu estivesse com minha força total eu poderia tentar arrebentar as dobradiças da porta e fugir, mas eu não podia mais nem com o meu próprio peso.

Alguém se aproximava, podia ouvir os passos, comecei a rezar para que não fosse para me levar de volta ao quarto de Sephiron, mas para a minha sorte a portinhola no pé da porta se abriu e alguém empurrou uma bandeja com comida e água pra dentro, me animei com isso e quase corri para a bandeja, mas minha alegria durou pouco.

A água no copo parecia água que eles haviam usado pra limpar o chão ou alguma coisa encardida com muito sabão, pelo o que eu podia ver com a pouca luz que entrava no ambiente, ela tinha espuma e estava com uma cor quase negra.

A comida parecia lavagem de porco, na verdade, eu desconfiava que quem tinha preparado isso, havia simplesmente pegado lama do jardim e misturado com restos do lixo ou sei lá, não havia nenhum tipo de carne nessa comida, DROGA, eu realmente vou morrer, quase ri desse pensamento, sem comer carne irei definhar e morrer em algumas semanas, vai ser uma morte lenta e dolorosa, mas pelo menos estarei livre disso tudo logo.

Mesmo estando morto de fome e sede, abandonei a bandeja e voltei para a tábua, fiquei imaginando como um humano podia sobreviver a esse tratamento por tanto tempo, senti pena dos que ficaram ali antes de mim, mesmo sem conhecê-los eu já me sentia solidário e triste por eles, acabei chorando mais um pouco, antes de meu corpo finalmente se entregar ao cansaço e então acabei caindo em um sono profundo.

Notas finais
Sephiron experimentou algumas coisas pela primeira vez e gostou, será que isso será o suficiente para ele parar de tortura Ian? E pobre Ian, jogado em um calabouço nojento, será que ele vai sobreviver a isso por muito tempo? Não percam no próximo capítulo!