Sangue quente.
17 Disfarce.
Notas iniciais
Sephiron...
O que íamos fazer agora? Olhei para Ian em meus braços, mesmo sendo carregado, ele parecia mal, estava suado e os cabelos grudavam nas têmporas, ele me lançou um olhar como se implorasse por um milagre pra mim!
—“y si usamos un disfraz?” Pedro deu a ideia de usarmos um disfarce e eu quase bati na minha testa por ser um burro e não pensar nisso.
—“Boa ideia Pedro!” James sorriu orgulhoso para ele.
—“Gracias!” Ele sorriu de volta pra James.
—“Eu posso ir na frente e encontrar uma loja de roupas e perucas pra vocês! E talvez um pouco de maquiagem para a pele de Ian!” James se ofereceu se enchendo de esperança.
—“Quando chegarmos próximo à cidade, eu me escondo na floresta com esses dois e você pode ir comprar essas coisas sim, vai dar certo! Não tem ninguém te procurando... provavelmente!” Falei isso, mas ainda assim fiquei nervoso com a possibilidade dele ser um alvo do governo também!
Seguimos em frente e acabamos andando o dia todo, Pedro a essa altura mancava muito, tanto que James exigiu que parássemos de andar para ele descasar um pouco! Eu já ia reclamar que isso ia nos atrasar muito, quando Pedro tirou os calçados e examinou os pés em carne viva, ele parecia estar sofrendo com os pés machucados, mas não choramingou e nem reclamou durante o dia todo, esse humano subiu um pouco no meu conceito, ele pelo visto não tinha frescuras!
—“Pedro... porque não me falou que estava se machucando assim?” James se abaixou diante de Pedro que estava sentado em um troco caído e examinou seus pés, o garoto só deu de ombros.
—“Pedro, me escuta, você é importante! Pare de pensar que é apenas um escravo e comece a me falar quando algo estiver errado com você!” James estava dando um sermão no garoto, me afastei um pouco e lhes dei privacidade, queria um tempo a sós com o Ian também.
—“Como está se sentindo Ian?” Perguntei largando ele um pouco, o coloquei sentado em outro troco ali perto.
—“Estou com medo... e se esse plano de disfarce não der certo? E se formos pegos? O que eles vão fazer comigo e com nosso bebê? O que eles vão fazer com você?” Ian começou há lacrimejar um pouco mais a cada pergunta.
—“Não vão nos pegar Ian, eu prometo!” Olhei direto nos olhos dele e falei com convicção.
Ian piscou e as lágrimas rolaram, as sequei com beijos e ele se abraçou em mim.
Sentei-me ao lado de Ian no tronco e descansamos! Quem diria que eu, um vampiro cheio da grana com uma vida boa e próspera iria acabar assim, sendo caçado pelo governo por causa de um mestiço? Seria bem mais fácil pra mim, se eu tivesse entregado Ian para os caras do exercito que invadiram a minha casa e tivesse seguido vivendo e gozando de minha boa vida, mas não! Eu tinha que me apaixonar por esse mestiço! Eu tinha que me importar com ele e ficar com arrepios toda vez que imaginava Ian sendo pego pelo governo! DROGA, onde eu fui me meter?
Descansamos por horas, até que anoiteceu completamente, dessa vez eu e James dividimos as bolsas e enquanto eu levava no colo Ian, ele levava Pedro que adormeceu em seus braços.
Andamos e andamos, olhei em meu relógio de pulso, eram três da manhã, mais um pouco e o sol ia nascer de novo, foi ai que encontramos uma cidade de tamanho médio!
James pegou uma quantia razoável de dinheiro e largou as bolsas que levava no chão, ele então se despediu de Pedro lhe dando um beijo na testa e acenou com a cabeça pra mim e pra Ian.
Ele então foi para a cidade, Ian se agarrou em mim e ficou tenso, a criaturinha mexeu.
—“Ele vai ficar bem, Ian!” Tentei lhe acalmar, mas eu mesmo estava nervoso.
Passamos meia hora de pura angustia, mas James voltou cheio de sacolas, para o alívio de todos.
—“Notou algo de estranho na cidade?” Perguntei tenso.
—“Fora todos estarem falando de se organizarem para a rebelião, nada de mais!” James falou olhando para cidade.
Larguei Ian em pé no chão, ele cambaleou um pouco, mas conseguiu se firmar sozinho!
James atirou uma sacola pra mim, dentro havia roupas mundanas e uma peruca loira! Ah que maravilha!
A sacola de Ian tinha vestidos e uma peruca castanha comprida, Ian ergueu uma sobrancelha para James.
—“Não dá mais pra esconder a sua barriga Ian! É melhor você se disfarçar de mulher grávida, você pode dizer que está viajando com o marido para visitar a família em uma cidade qualquer!” James respondeu dando de ombro e Ian suspirou consternado.
Eu e Ian nos disfarçamos completamente, eu fiquei parecendo um vampiro comum, com calças jeans e camiseta xadrez ridícula, mas o pior era a droga da peruca que coçava demais! Ian colocou um longo vestido com peitos falsos que o deixavam mais grávido do que nunca! O vestido fazia volume na barriga e graças a isso parecia que ele estava com uns sete meses, sei lá! A peruca ficou boa nele, ela tinha franja que tapava a sua testa e escondia suas sobrancelhas desiguais, com a ajuda de Pedro, ele usou a maquiagem para cobrir sua parte albina e deixou sua pele com um tom uniforme, James soube escolher uma maquiagem da cor certa! Para completar ele colocou um óculos de sol, para esconder seus olhos de cores diferentes! Poderia parecer estranho ver alguém de óculos escuro de noite, mas tem vampiros que usam óculos o tempo todo, pois os olhos são sensíveis, então ninguém iria desconfiar disso!
Agora James e Pedro quase rolavam no chão rindo de nós, mas ambos também trocaram de roupas também, colocando calças Jeans e camisetas comuns, assim James não parecia mais um mordomo e Pedro parecia... não ser um escravo humano... ooh droga! Ele é humano, eles vão perceber e o que vão pensar de vampiros pobres andando por ai com um humano?
—“E quanto a ele? Uma roupa diferente não vai esconder o fato dele ser humano!” Perguntei sério para James que me sorriu tranquilo.
—“Já pensei nisso! Sigam-me!” Disse James pegando a maioria das bolsas, peguei as restantes e segui James com Pedro e Ian em meu encalço.
Nós ficamos na margem da floresta contornando a cidade, cinco minutos depois, paramos em um barranco e James me apontou uma casa, ela possuía apenas um andar e tinha uma cerca alta no quintal que dava para floresta.
—“Demorei pra voltar porque estava procurando algo assim! Esta casa está pra alugar, a dona mora em frente, do outro lado da rua, vai ser fácil! Se você conseguir alugá-la, abra a porta dos fundos que quando eu tiver certeza de que não tem ninguém olhando, eu corro pra dentro com Pedro!” James me olhou tranquilo, ele tinha fé nesse plano.
—“Bom plano! Vamos Ian!” Peguei uma boa quantia de grana e a minha bolsa com roupas para não levantar suspeitas, então peguei Ian pela mão e desci o barranco ajudando ele.
Entramos na cidade com facilidade e começamos a andar pela rua em direção à casa da dona, mas algo estava muito estranho, estava tudo tão quieto... tão vazio, cadê os moradores dessa cidade? São quatro da manhã, os vampiros são noturnos, então esse horário ainda é bom para se andar por ai!
Estava andando com Ian tranquilo pela rua quando uma voz atrás de nós gritou.
—“Hey, vocês ai, parados!” Me virei para olhar e paralisei, era um policial com uma escopeta nas mãos! Ele se aproximava de nós rapidamente, lancei um olhar pra Ian que dizia fica frio e ele se encolheu contra mim assustado.
—“Boa noite senhor policial, qual o problema?” Perguntei calmo para não lentar suspeitas.
—“O que estão fazendo fora de casa a esse horário? Não ficaram sabendo do toque de recolher que o governo designou? Isso é para o bem de todos!” O policial falou isso como um robô, talvez ele tenha decorado essas falas para repetir pra todos que se negavam a obedecer esse toque de recolher!
—“Oh, eu não sabia desse toque de recolher, eu estava viajando e acabei de chegar com a minha esposa, estamos procurando um lugar pra ficar!” Falei indicando com a cabeça Ian que se escondia atrás de mim assustado.
—“Aah, estavam viajando? Você vem da onde?” Ele me indagou.
—“Viemos da capital, depois que aquele assassino matou o vice-presidente em praça pública e iniciou uma revolta, eu tive que me mandar daquela cidade, como você pode ver, minha adorada esposa está grávida e quero evitar que ela sofra no meio dessa loucura!” Falei tão naturalmente que o policial baixou a arma e sorriu pra mim e Ian.
—“É o primeiro filho de você?” Ele perguntou e lançou um sorriso ao Ian.
—“Sim, estamos muito preocupados com o futuro dele agora!” Respondi puxando Ian para o meu lado e alisei a barriga dele como um pai amoroso e preocupado.
—“Eu entendo perfeitamente! Tenho três filhos e minha esposa espera o quarto! Está de quantos meses minha senhora?” O policial sorriu amigavelmente para Ian e eu só conseguia pensar QUATRO FILHOS? POBRE HOMEM, SE MATA CARA!
-“Cinco meses!” Ian respondeu fazendo uma foz fininha para parecer voz de mulher, admito que ficou fofo!
—“Cinco meses? Já sente o bebê? Posso sentir? Minha esposa está de oito, logo nasce! Estão preocupados com o parto?” O policial encheu a gente de perguntas e sem consentimento de Ian foi alisando a barriga dele, tive que controlar meus ciúmes, quem disse que ele pode alisar o meu Ian e a minha criaturinha?
—“Ohh... tá mexendo!” O policial sorriu afastando as mãos da barriga de Ian que ainda parecia desnorteado com todas as perguntas do policial.
—“Estamos muito preocupados com o parto sim!” Respondi, mas a verdade era que eu ainda não tinha pensando nessa parte, com a criaturinha vai nascer? Sem o Dr. John pro perto para fazer uma cesariana o que vai acontecer? Ian é capaz de fazer isso naturalmente?
—“Bem, eu vou fingir que não vi vocês, vou deixar passar, mas tomem cuidado, nem todos os policiais que estão fazendo varreduras pela cidade perguntam primeiro e atiram depois! Tenham uma boa noite!” Ele fez uma reverência e seguiu seu caminho.
Suspirei aliviado, passamos por uma provação e tanto, mas pelo visto o disfarce estava funcionando, Ian se apoiou em mim e encostou a cabeça em meu ombro.
—“Seph... estou tão estressado, cansado, dolorido e faminto que não sei como ainda estou de pé, estou com medo!” Ele soluçou e eu podia sentir que ele estava preste a cair no berreiro.
—“Aguente firme, vamos alugar a casa, ai você vai poder descansar!” Prometi pra ele passando uma mão em suas costas, seus músculos estavam rígidos, ele realmente estava mal!
Seguimos para a casa da suposta dona, do outro lado da rua estava a casa que pretendíamos alugar, ela era simplesinha e tinha uma placa escrita Aluga-se! Tratar na casa da frente! E lá estávamos nós, bati na porta e alguns minutos depois uma Vampira alta com uma expressão entediada abriu a porta, ela parecia irritada.
—“Olha, já disse mil vezes hoje, não estou a fim de participar do movimento de protesto nem nada! Caiam fora!” Ela tentou fechar a porta na nossa cara, mas eu segurei a porta.
—“Desculpe incomoda-la senhora, mas viemos pela placa de aluga-se!” Apontei a placa em minhas costas e ela abriu a porta para nos estudar melhor.
—“Estão querendo alugar a casa? Por quanto tempo?” Ela nós lançou um olhar analítico.
—“Por um dia...” Não pude terminar de falar, ela me interrompeu.
—“Minha casa não é hotel! O mínimo de tempo que alugo é uma semana!” Ela me lançou um olhar zangando.
—“Então ficaremos uma semana, vou pagar em dinheiro e adiantado!” Falei mostrando o dinheiro pra ela e rapidamente ela pareceu mais interessada, ela levou a mão a um potinho de chaves ao lado da porta e pegou um chaveiro com várias chaves!
—“Vamos lá!” Ela saiu de casa, passou por nós e foi atravessando a rua, eu e Ian a seguimos, ela abriu a porta da frente e entramos! A casa era pequena e abarrotada por dentro, tinha uma sala com um sofá rasgado e uma televisão bem pequena, dois quartos com camas de casal e um banheiro com um chuveiro simples, não havia cozinha, afinal vampiros pobres não tem o porquê ter cozinha em casa, já que quem precisa comer o que sai da cozinha são os humanos, que são caros de se ter!
—“Se quando eu voltar, a casa estiver desarrumada ou com algo quebrado ou faltando, vocês vão pagar! Estão me entendendo?” Ele perguntou nos olhando com atenção.
—“Perfeitamente!” Respondi.
—“Você não pretende parir aqui, não é?” Ela lançou um olha furioso para Ian que negou com a cabeça.
—“Ótimo, não quero choradeira de um pestinha recém-nascido, não quero sujeira de parto na minha cama!” Ela olhou para Ian como se ele fosse uma praga!
—“Dinheiro!... São oitocentos sois por uma semana!” Ela me estendeu a mão e eu a paguei, assim que depositei o dinheiro em sua mão, ela entregou a chave e foi embora sem nos dizer mais nada e bateu a porta ao sair.
—“Quanta simpatia!” Falei indo abrir a porta dos fundos para James e Pedro.
Ian se largou no sofá e para minha surpresa, desabou em um choro desesperado e histérico! Ele devia estar mesmo no limite do estresse.
O peguei no colo e me sentei no sofá aninhando ele, eu o acaricie em uma fraca tentativa de acalma-lo! Nesse momento, James e Pedro já haviam chegado com o restante das coisas.
—“O que há de errado com o Ian?” James se aproximou de nós assustado.
—“Ele está cansado!” Respondi esfregando as costas dele, isso parecia ajuda-lo a aliviar a dor nos músculos tensos.
—“Porque você não o ajuda a tomar um banho morninho e o leva pra cama? Aqui Ian, eu comprei comida humana pra você e o Pedro! Eu tive que andar muito na cidade para achar um lugar que vendia comida humana! Afinal essa cidade é pequena, não existe muitos donos de escravos por aqui!” James abriu uma sacola e retirou uma embalagem de isopor fechada e me entregou uma e depois deu outra para Pedro.
Pedro abriu o dele, dentro da embalem de isopor havia divisórias separando a comida, havia arroz, legumes, um ovo frito e um filé a milanesa.
Pedro comeu o dele com a mão mesmo, ele parecia muito faminto, Ian parou de chorar um pouquinho e tentou se sentar pra pegar a embalagem.
O ajudei a se sentar em meu colo e apoiei suas costas com uma mão, ele também comeu a sua comida com a mão.
Depois que ele comeu, eu o levei para o banho, ele não reagiu em momento algum, ele me deixou despi-lo e me deixou coloca-lo em baixo do chuveiro para esfrega-lo, a única coisa que ele fazia era chorar, não reclamei, acho que ele precisa desabafar do grande susto levou naquela maldita fuga!
O sequei e o vesti com uma camiseta de algodão bem larga e um short, não havia necessidade de disfarce no momento, mas ia deixar tudo à mão por precaução! Levei Ian para a sala no colo e James estava assistido o noticiário com Pedro sentado ao seu lado.
No noticiário passava imagens de rebeliões, protestos e ataques do povo contra estátuas em homenagem a alguém do governo! O noticiário estava os chamando de criminosos e terroristas, alegando que eles não tinham motivos para se levantar contra o governo! Os repórteres ressaltavam que eles eram apenas depredadores do patrimônio público! É claro que o noticiário tinha que passar os fatos distorcidos, eles pertenciam ao governo!
A noticia mudou para falar do pai de Ian que estava foragido, a reportagem dizia que ele era um assassino perigoso e que a população deveria tomar cuidado e não abrigá-lo de forma alguma! Para assustar ainda mais o povo, a gravação do Sr. Shadowy matando os vampiros em cima do palco ficava repetindo em câmera lenta, era possível ver as tais assas que James falou agora, na legenda que passava correndo na tela dizia que o Sr. Shadowy era uma criatura desconhecida e que ninguém deveria se aproximar dele.
Logo após a reportagem mudou e uma foto minha e de Ian surgiu na tela, eu estava sendo acusado de crimes que nunca cometi e eles alegavam que Ian era perigoso por conter um vírus mortal, a reportagem dizia para quem quer que nos visse que não tentasse reagir e que chamasse as autoridades imediatamente! Eles eram espertos! Se dissessem que Ian era apenas um bandido e anunciassem uma recompensa por ele, os vampiros iam caçar ele como nunca e poderiam matá-lo no processo! Mas se dissessem que Ian tinha uma doença perigosa e infecciosa, as pessoas manteriam distância e chamariam alguém treinado pra lidar com isso.
Ian tremia em meus braços enquanto olhava toda aquela loucura na TV.
—“Calma Ian, tudo isso não passa de mentiras! Nós dois estamos bem, seu pai tá bem e uma revolução está se iniciando para que o futuro seja melhor! Para que a criaturinha possa crescer livre, diferente de você!” Conforme Ian ia me escutando, ele ia parando de tremer.
Ian se aconchegou em mim e choramingou, o levei para um dos quartos e o coloquei na cama, eu ia voltar pra sala para assistir mais o noticiário, mas Ian se agarrou em mim e não me deixou sair do lado dele, acabei desistindo de ir pra sala e deitei na cama com ele... NOSSA, eu não tinha reparado no quanto meus músculos também estavam doloridos até me deitar e relaxar, que dor chata, se Ian está sentido isso, eu não o culpo por estar assim tão manhoso!
Abracei-o e fiz um carinho em suas costas até ele dormir, não demorou muito e eu adormeci também!
Quando acordei já era a noite seguinte, eu estava me sentido um pouco mais revigorado, Ian também acordou e se espreguiçou ao meu lado.
—“Tudo bem?” Perguntei o analisando.
—“Acho que melhorei um pouco! Nossa, eu nunca imaginei que fosse desejar voltar pro seu quarto e ser torturado ao em vez de estar aqui fora conhecendo lugares novos!” Ian resmungou e eu ri.
—“Se quiser um pouco de tortura pode falar, eu não preciso do meu aparato lá do quarto pra fazer uma boa tortura!” Falei me aproximando dele.
—“Não Seph, não quero fazer isso agora! Ainda não estou no meu melhor!” Ele me fez beicinho.
—“É melhor você me recompensar por isso mais tarde!” Lancei pra ele um olhar zangado.
Ian concordou e passou as mãos pela barriga.
—“Você acha que ele está bem? Quer dizer, passamos por maus bocados e eu me estressei muito, acho que isso pode fazer muito mal pra ele!” Ian ficou fazendo uma caricia na própria barriga.
—“Não sei, infelizmente não podemos chamar nenhum médico pra te examinar!” Suspirei cansado.
Uma batida na porta nós tirou de nossos devaneios.
—“Entra!” Disse me sentando na cama, James abriu a porta com uma expressão preocupada.
—“O que foi agora?” Perguntei assustado.
—“Sai para compra mais comida humana pra eles e encontrei várias pessoas disposta a conversar na rua!” Ele largou uma sacola com comida para Ian sobre a cama.
—“E o que isso tem demais? Alguém te reconheceu?” Me exasperei.
—“Não! Não, ninguém me reconheceu, é só que... as pessoas estão comentando coisas terríveis!” James parecia desconfortável.
—“O que estão dizendo?” Me levantei e Ian se sentou na cama pegando a sacola de comida.
—“Estão dizendo que o governo ordenou que matassem todos que ousassem se levantar contra eles! Algumas das pessoas que encontrei me disseram que fugirão da capital porque o exercito esta fazendo rondas pela cidade, matando civis inocentes, nem as crianças estão escapando dessa! Na capital já não dizem mais revolução, ele dizem guerra!” James estremeceu.
—“Alguma coisa do tipo está passando na TV?” Perguntei pensando em ir liga-la um pouco.
—“A mídia está omitido todos os ataques do exercito e reprisando os movimentos do povo os chamando de terroristas! A empresa está distorcendo os acontecimentos!” James suspirou.
—“Bom, isso era esperado!” Falei passando as mãos pelos cabelos.
James também suspirou e trocamos olhares, o que faríamos agora?
Passamos aquela noite toda bolando um plano de fuga segura até minha casa de campo, James havia conseguido um mapa e juntos examinamos as melhores rotas, praticamente decoramos o mapa, se acabássemos nos separando, ele saberia para onde ir!
Ian e Pedro passaram aquela noite inteira juntos, tentando conversar, Ian não entedia direito o espanhol, mas estava entusiasmado em ouvir as histórias do tempo de liberdade de Pedro.
Dormimos durante o dia... ou melhor, eu tentei dormir, mas era difícil com os gemidos de Pedro e James do quarto ao lado, Ian tentava segurar o riso e eu tentava segurar minha vontade de esganar aqueles dois! Era uma pena que Ian ainda estava cansado, se não eu ia mostra pro James como se faz alguém gemes com vontade!
Na noite seguinte o bicho pegou, os protestos começaram nessa cidade! Podíamos ouvir os gritos de revolta no centro da cidade e isso que estávamos bem longe de lá, em uma das extremidades da cidade!
Era emocionante ouvir os barulhos da multidão, parecia que meu coração retumbava junto, Ian e Pedro pareciam assustados e James havia saído pra comprar mais comida.
James voltou quinze minutos depois que saiu com uma sacola de comida nas mãos, mas o mais chocante é que ele estava coberto de sangue e com uma expressão de pavor sem igual.
—“JAMES!” Pedro correu para os braços dele e começou a examina-lo, mas ele parecia bem, o sangue não era dele!
—“Estou bem! Estou bem!” Ele respirava fundo e tremia muito.
—“O que houve?” Perguntei.
—“A policia recebeu ordens de abrir fogo contra os manifestantes, eles estavam atirando pra matar, eles estavam usando balas de irídio e platina! Foi uma carnificina!” James tremia violentamente agora.
Ian correu pros meus braços tremendo, parece que a guerra chegou nessa cidade também, era questão de tempo até o governo mandar uma parte do exercito pra cá! Tínhamos que sair dessa cidade e logo!
—“Amanhã compre um carro de passeio simples James, vamos nós mandar dessa cidade e logo!” Falei sério e James concordou com a cabeça.
Fomos dormir cedo aquele dia, iriamos viajar por horas, então tínhamos que estar descansados.
James saiu pra comprar o carro e um estoque de comida não perecível para Ian e Pedro! Pedro fez as malas e eu ajudei Ian a se disfarçar de mulher novamente, se íamos seguir viagem pela estrada, tínhamos que estar bem disfarçados! James demorou a voltar, mas quando chegou com um carro pequeno e negro, nós guardamos as malas nos porta-malas e partimos sem dar explicações a dona da casa, larguei a chave em qualquer lugar mesmo.
James dirigia com Pedro ao seu lado no banco da frente! Eu e Ian íamos atrás, ele segurou minha mão nervoso.
Conseguimos sair da cidade sem problemas, não havia barreira na saída verificando os carros, mas bem quando estávamos um pouco mais longe da cidade, pudemos ver os tanques e caminhões do exercito invadido a pequena cidade! Foi por muito pouco, mas conseguimos escapar!
Viajamos de carro sem parar por quase quatorze horas, Ian e o humano já começavam a choramingar de dor, aparentemente eles não conseguem ficar muito tempo sentado sem esticar as pernas ou ter de ir urinar!
Paramos na beirada da rodovia, no acostamento e descemos, James e seu humano foram caminhar um pouco pelo mato de mãos dadas e eu fiquei com Ian que se encostou na traseira do carro alisando a barriga e fazendo uma careta de dor.
—“O que houve Ian?” Me aproximei dele e olhei direto em seus olhos.
—“Não sei se vou aguentar essa viagem, ficar muito tempo no carro me enjoa e faz minhas costas doerem, andar machuca os meus pés que estão ficando inchados e me dói os quadris!” Ian gemeu massageando a lombar.
—“Vamos encontrar um meio termo pra você, vamos fazer muitas pausas pra você esticar as pernas e você pode deitar um pouco no carro, talvez você melhore!” Disse o abraçando.
—“Você tá tão protetor e carinhoso comigo ultimamente, quem é você e o que fizeram com o Seph verdadeiro?” Ian riu e eu ri junto.
—“Ah, não me leve a mal, o Seph malvado ainda está aqui dentro louquinho pra te maltratar um pouco, mas eu vejo que você está mal de verdade no momento, por isso estou sendo paciencioso, mas depois quando você estiver bom... você vai ter que me pagar com juros, é sério, você não vai sentar por uma semana de tão assado que você vai estar!” Ri com as ideias que se formavam em minha mente e Ian resmungou algo como maldito sádico!
Estávamos abraçados na beira da estrada quando uma fileira de carros, caminhões e tanques do exercito começaram a passar por nós em alta velocidade, gelei vendo a imensa fila de carros e a incrível quantidade de soldados, Ian se abraçou em mim.
De repente um Jeep com quatro soldados parou ao nosso lado.
—“Estão com algum problema?” Um dos soldados perguntou saltando do Jeep com um sorriso cruel, uma sensação ruim tomou conta de mim, mas agi naturalmente.
—“Estamos ótimos, obrigado por perguntar! Só paramos para a minha esposa descansar um pouco!” Falei tentando manter a calma quando os outros três soldados do Jeep desceram rindo também, a todo momento mais e mais o comboio do exercito passava.
—“Entendo... estão indo pra onde?” O primeiro soldado se aproximou coçando o queixo sem nunca tirar os olhos de Ian.
—“Hmm... para a próxima cidade em frente, os pais de minha esposa moram lá!” Falei abraçando forte o Ian, os olhares daqueles homens em cima dele estavam me deixando nervoso e a todo o momento eu rezava para o James e o Pedro não voltar, pois eles iam estragar nosso disfarce e Pedro estaria morto cercado de tantos vampiros que não ligam para os humanos.
—“Cadê seus documentos?” O primeiro soldado perguntou e eu quase fiz uma carreta de fodeu!
—“Acho que estão no porta-luvas do carro!” Respondi tentando pensar em algo rápido.
—“Pegue então, eu quero ver!” Disse o primeiro soldado... fodeu tanto! E agora o que eu faço?
—“Claro... eu já volto, vem querida!” Puxei Ian comigo.
—“Não, ela fica!” O soldado devorava Ian com os olhos e eu sentia que alguma coisa muito ruim viria dai!
—“A gente vai resolver essa questão dos documentos, mas deixa-a ir sentar um pouco no banco do carro, ela está grávida e cansada, por favor!” Pedi me colocando na frente de Ian que já tremia sentido o perigo também!
Antes que eu pudesse me dar conta do que estava acontecendo o soldado bateu com o apoio da arma dele em minha cabeça, cai de joelhos sentindo o sangue escorrer de minha testa.
—“Pega ela!” Disse o primeiro soldado e os outros três cercaram Ian.
—“Não, não... me solta... SEPH, SEPH SOCORRO!” Ian tentou se desvencilhar dos homens que tentavam deitá-lo no chão.
—“Segurem os braços e pernas dela!” O primeiro soldado ordenou aos outros enquanto abria a braguilha da calça, os outros homens deitaram Ian no acostamento duro da estrada... MERDA, eles pretendia estupra ele? Droga, eles logo iriam descobrir que Ian na verdade é homem e então estaríamos ferrados!
—“PAREM DEIXEM ELA EM PAZ, ELA ESTÁ GRAVIDA!” Me levantei e ataquei o primeiro soldado, pulei em cima dele e caímos no chão, comecei a socar a cara dele com força! Eu podia sentir os ossos de minha mão quebrando com tamanha violência com que eu o espancava, mas um dos outros três soldados veio ajudá-lo, levei uma coronhada na cabeça e fiquei tonto, minha visão ficou turva e então levei um chute no estômago do primeiro soldado, cai de costas no chão duro ao lado de Ian, que continuava a lutar desesperado contra os outros dois soldados.
O soldado que me deu a coronhada colocou a arma contra a minha testa.
—“São balas de irídio e platina, mova-se e eu atiro!” O soldado falou rindo enquanto o primeiro soldado já se levantava do chão com seu rosto machucado se regenerando, ele sorriu cruelmente para mim.
—“Imbecil! Você devia ter nos deixado brincar com sua esposa, seria só nós quatro, mas agora vou chamar o resto dos meus companheiros! Como você vai se sentir ao ver sua esposa sendo estuprada por um batalhão inteiro?” Ele sorriu mais cruelmente enquanto retirava seu membro rígido da calça e se dirigia a Ian.
—“SEPH... SEPH SOCORRO!” Ian gritou por ajuda... e agora? O que eu faço? Como eu vou fazer pra salvar o Ian de um exercito inteiro?
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