Sangue quente.
25 Descobertas chocantes.
Notas iniciais
Sephiron...
Andamos por um tempo sem descanso. James estava muito preocupado com Pedro, que estava com uma febre alta, sua respiração também se mostrava entrecortada e rasa. Não falei em nenhum momento de nosso trajeto, porque temia que minha língua afiada dissesse algo que tornaria o sofrimento de James mais acentuado. Mas eu não podia calar meus pensamentos, no fundo eu acho que todos pensavam assim também, todos estavam esperando o humano morrer. De quinze em quinze minutos eu dava uma rápida olhada em Pedro, esperando presenciar o seu último suspiro, era mais que obvio que ele estava sofrendo, mas ele não desistia de lutar, se não fosse por esse fato, eu com certeza já teria dado um fim no sofrimento dele.
Pedro gemeu fraquinho e sua respiração ruidosa silenciou, todos pararam e olharam pra ele, mas logo o humano tossiu o que estava trancando suas vias aéreas e voltou a respirar de modo sofrido, esse simples ato de encher e esvaziar os seus pulmões de ar parecia doloroso e cansativo demais pra ele.
James tinha uma expressão muito abatida, eu não queria vê-lo assim, na verdade eu não sei lidar com essas coisas. Nunca perdi nada precioso para mim, e nem sei como me sentiria se caso eu perdesse.
Quando pensei nisso rapidamente olhei para Ian e a criaturinha, se um deles... o que eu sentiria se um deles... não! Eu não quero pensar nisso e também não quero estar presente quando o humano morrer, não quero ver a dor de James, eu gostaria de me afastar e seguir meu caminho sozinho por um tempo, mas eu não podia fazer isso. James ia precisar de mim e logo.
Ian devia estar tão preocupado com Pedro, que nem reclamou de cansaço ou dor, ele seguiu andando sempre e se esforçou para manter o ritmo constante, mas agora eu tinha certeza que ele estava no limite de seu corpo.
A criaturinha dormiu o caminho todo, acho que ela gostou do balanço da caminhada de Ian. Isso era bom, acho que ela ainda é pequena demais para lidar com todo esse drama, principalmente se levar em conta que ela tem inteligência o suficiente para entender e captar o que acontece ao seu redor.
Andamos até amanhecer e então paramos para descansar, a próxima cidade estava a três horas de vigem, isso se seguíssemos nessa velocidade. Mas resolvemos parar um pouco para Ian descasar e para tentar alimentar e medicar Pedro.
Largamos nossas coisas no chão e James foi se sentar em cima de uma mochila com Pedro nos braços, ele não queria soltar o humano pálido por nada no mundo, os olhos de James não deixaram a face de Pedro nem por um segundo enquanto sua mão fazia leves caricias nos cabelos rebeldes do garoto.
—“Eu vou preparar uma sopa enlatada pra ele... Seph, segura a Sophia.” Disse Ian me estendendo a criaturinha, que havia acordado após perceber que Ian parou de andar.
Estiquei os braços para pega-la, mas ela rosnou pra mim e se segurou em Ian.
—“Sophia... o que foi? Você não quer ir com o papai?” Ian perguntou curioso com esse comportamento dela, desde que ela nasceu, ela era um grude comigo, isso era novidade até pra mim, me senti um pouco chateado por ela não me querer e até zangado com ela.
Ela fez que não com a cabeça e me lançou um olhar tristonho e assustado.
—“Ainda está brava porque eu te causei dor ao retirar os espinhos?” Perguntei pra ela tentando entender o que havia de errado e ela fez um beicinho pra mim, antes de tentar me empurrar pra longe dela com as mãozinhas.
—“Oh Sophia, papai não fez por mal, né Seph? Ele estava querendo te ajudar, você estava com dodói. Vai com o papai, vai!” Ian tentou me passar ela de novo.
Novamente ela rosnou e se agarrou no Ian, ela estava mesmo chateada comigo, eu teria me zangado muito com o comportamento dela, se não fosse o fato de eu compreender que ela estava com medo de mim agora, eu fui responsável por uma de suas primeiras experiências com a dor e francamente eu não gostava disso, e o estranho é que eu sempre gostei de infringir dor aos outros.
—“Vamos Sophia... eu tenho que fazer uma sopinha pro Pedro, ele tá dodói agora, você quer que ele fique mais doente depois de tudo que ele fez pra te salvar do fogo?” Ian perguntou fazendo beicinho pra ela.
A criaturinha olhou para Pedro, ele estava com uma aparência muito feia mesmo, até ela pareceu perceber que as coisas não estavam bem com ele, ela fez carinha triste pra ele, não sei o quanto a mente dela entende a situação, será que ela já tem noção de mortalidade? Acho que não. Como ela poderia? Não tem como se aprender sobre a vida e a morte sem que alguém te conte ou que você presencie.
—“Você quer que o Pedro fique mais doente, Sophia?” Ian perguntou novamente.
Ela balançou a cabeça negativamente e sua carinha de triste se acentuou, pequenas lágrimas surgiram no canto de seus olhos.
—“Então vai com o papai, vai!” Ian novamente tentou me passar ela, dessa vez ela rosnou alto pra mim e até bufou como um gato acuado.
—“Agora deixa de bancar a mimada criaturinha e vem comigo.” Estendi os braços pra ela.
Ela empurrou minha mão e bufou de novo.
Ela estava mesmo muito chateada comigo, levaria um tempinho para eu conseguir fazer as pazes com ela e reconquistar a sua confiança. James nem estava se metendo em nossos problemas, ele estava mais preocupado em fazer um carinho em Pedro.
—“Tudo bem criaturinha, não quer vir comigo, não vem! Fica ai vendo o Ian cozinhar, eu vou aproveitar e dar um passeio... quem sabe ver uns animais selvagens e um monte de coisas mais interessantes.” Tentei usar uma psicologia reversa com ela, virei-me de costas pra ela e fui andando para longe.
Ouve um minuto de silêncio, mas quando eu já estava a uns dez passos de distância, ela soltou um gritinho de bebê para me chamar, como se dissesse hey, volte aqui, eu mudei de ideia, mas eu fingi não ouvi e segui andando a ignorando. Isso era uma pequena vingança por ela ter me renegado.
Ela voltou a soltar gritinhos e grunhidos me chamando, dava pra sentir um certo desespero nela agora, mas nem olhei pra trás.
—“Papa” Ela falou e eu travei no lugar, ela me chamou... e me chamou de papa? Virei para olha-la, ela estava com as mãozinhas estendidas na minha direção, abrindo e fechando elas como se quisesse me segurar, por um minuto eu achei que tinha sonhando, mas ela voltou a me chamar de papa com uma vozinha muito fininha. Ian estava boquiaberto a olhando.
—“PUTA MERDA, ELA FALOU!” Fiquei pasmo olhando para aquela miniatura de monstrinho... se ela já era capaz disso com os poucos dias de vida, o que ela estará fazendo em um mês?
—“Seph... olha os palavrões na frente dela.” Ian me lançou um olhar furioso e tentou tapar os ouvidos dela, mas não pude deixar de notar que ele estava pasmo com ela também, James deixou de olhar Pedro a muito custo, para olhar a criaturinha pasmo.
—“Ela é realmente muito esperta... vocês vão ter que rever alguns conceitos de como criá-la, acho que ficar tratando ela como um bebê que não entende de nada pode atrasa-la em seu desenvolvimento!” James se pronunciou pela primeira vez desde que paramos.
—“Acho que você tem razão!” Concordei com James e voltei para pegar a criaturinha que agora esperneava para chegar a mim o quanto antes. A segurei na posição deitada, pois apesar dela estar se desenvolvendo rápido mentalmente, ela ainda está presa as barreiras locomotoras de um recém nascido. Sua coluna ainda não era firme o suficiente para suportar o peso de sua cabeça na posição sentada, acho que se não fosse por isso, ela já saberia até andar de tão esperta que é.
—“Minha filha linda... orgulho do papai. Agora eu já nem sei o que esperar de você, se bobear na semana que vem você já vai saber dançar balé!” Ian deu beijo no topo de sua cabeça, ele com certeza estava muito feliz com esse momento, dava pra ver que ele queria saltitar e fazer uma festa, mas respeitou a dor de Pedro, ele se manteve sereno e guardou a comemoração para um outro dia.
Ian foi acender uma fogueira para preparar comida e eu tive de sair para explorar as redondezas com a criaturinha que queria que eu me movesse e logo, ela estava impaciente comigo.
Andei devagar no meio da floresta e reparei que os olhos dela não paravam nem por um minuto, ela estava explorando tudo com sua visão, suas pupilas dilatavam e contraiam a todo o momento.
A estudei com atenção, eu estava pasmo com ela, até mesmo bebês vampiros que são mais avançados que bebês humanos levam uns seis meses para aprender a falar, imagina ela que nem vampira completa é... Ela nem duas semanas de vida tem ainda. Não sei se me orgulho ou começo a ter medo do que criei, ela definitivamente é uma nova espécie e isso levanta muitas perguntas... o que ela será capaz de fazer? Qual será a alimentação dela? A velocidade de sua corrida? A extensão de sua força?... Eu tinha que ficar esperto agora, eu podia estar criando um pequeno monstrinho, mas por hora não irei me preocupar com isso.
—“Então criaturinha... ainda está brava comigo?” Perguntei com um sorriso e ela deixou de explorar para me encarar de cara amarrada.
—“Está? Hmmm... então acho que vou te devolver por Ian e...” Me virei para voltar até Ian.
—“Nauum!” Sorri vitorioso quando ela se agarrou em minha camiseta desesperada para continuar passeando comigo e a ouvi dizer esse não. A linguagem dela ainda era falha e errada, mas eu ia dar uma folga pra ela, afinal essa era a primeira vez que ela falava, sua língua ainda devia ser difícil de se controlar.
Parei de ir na direção de Ian e voltei a explorar a floresta com ela, mas eu sentia que ela ainda estava chateada comigo, eu tinha que resolver isso.
—“Falando sério agora criaturinha... eu não quis te machucar... você sabe que eu tive que fazer aquilo para te livrar daquelas coisas que estavam te machucando, não sabe?” Perguntei lhe lançando um olhar indagativo.
Ela me olhou com atenção antes de concordar com a cabeça e se aconchegar em mim, acho que ela estava aceitando o meu pedido de desculpas não dito.
—“Mas não conta pro Ian que eu estou sendo legal com você... se não, eu como o seu pé!” Peguei o pé dela e dei uma mordidinha de leve fazendo cosquinhas. Ela soltou um gritinho fino antes de cair na gargalhada e se debater em meus braços.
Segui andando com ela pela floresta até achar um campo cheio de flores silvestres, havia muitas cores lá, amarelo, vermelho, violeta, branco. A criaturinha foi à loucura, essa era a primeira vez que ela via tantas cores e tantas flores.
Quando entrei no campo florido, meu movimento acabou assustando algumas borboletas que levantaram voou e nos cercaram. Primeiro a criaturinha se assustou e quase começou a chorar, mas quando viu que eu estava calmo com a situação e percebeu que não havia perigo, ela sorriu e bateu palmas, no entanto essa alegria dela durou pouco, logo o movimento das borboletas causaram o despertar do extinto caçador dela.
Ela começou a querer pegar as borboletas com suas mãos, mas não estava conseguido pegar nenhuma e isso a deixou frustrada e furiosa, ela se virou pra mim e me deu um chute forte. Ah droga! Ela puxou o meu temperamento, quando eu não consigo fazer algo que eu quero, eu acabo querendo bater em algo para descontar a minha raiva.
—“Você tem muita sorte de ser fofinha quando está zangada, porque se não, eu devolveria esse chute com um bom castigo!” Olhei zangado para ela e ela primeiro imitou a minha cara zangada, mas depois deu um sorrisinho pra mim, francamente não tem como se zangar de verdade com ela.
Ela se distraiu com as borboletas novamente e começou a tentar pega-las de novo, a levei até o centro do campo florido e me deitei na relva alta com ela. Olhei para o imenso céu azul enquanto ela ainda se debatia ao meu lado tentando caçar uma borboleta.
Deixei de olhar o céu para observa-la caçar do seu jeitinho atrapalhado, não pude deixar de me encantar com cada pedacinho dela. E pensar que eu quase mandei aquele médico mata-la. Acho que aquele teria sido o meu maior erro nessa vida. E depois dela, quantos outros eu mataria? Ainda não sei se Ian pode tomar algum anticoncepcional e se isso funciona nele... que vida nós teríamos tido se as coisas tivessem sido diferentes? Se a revolução não tivesse começado e eu seguisse tratando Ian como escravo? Eu estaria me sentido tão bem quanto me sinto agora?
A criaturinha choramingou triste quando não conseguiu pegar nenhuma borboleta.
—“Você está fazendo errado criaturinha... o básico da caça é não fazer movimentos brusco, você não pode assustar a presa e trazer a atenção dela pra si. Assim, deixa o papai te ensinar, fique quietinha, não mexa um musculo!” Falei ficando imóvel ao lado dela, ela me imitou e ficou paradinha.
As borboletas agitadas logo começaram a pousar nas flores e folhas ao nosso redor, não demorou muito para alguma pousarem em nós também. A criaturinha ficou encantada com uma borboleta azul que pousou em sua mão, ela moveu a mão bem devagarinho até perto do rosto e soltou um risinho de bebê ao ver o bicho andando em seus dedinhos.
A borboleta ficou na mão dela por um tempo, mas logo tentou levantar voou, foi nessa hora que criaturinha tentou segura-la entre suas duas mãozinhas. Em um movimento rápido ela acabou fechando as suas mãos em volta da borboleta, amassando a e posteriormente a matando, mas acho que isso não foi por mal, ela não tinha essa intenção, acho que ela só não queria que o inseto fosse embora.
Ela abriu as mãozinhas e olhou a bela borboleta com as asas quebradas em suas mãos e me olhou curiosa, como se me perguntasse o que aconteceu, acho que ela realmente não tinha noção de mortalidade.
—“Ela morreu criaturinha.” Respondi simplesmente tirando o bicho das mãos dela. Mas pelo visto ela não entendeu isso direito.
—“Significa que ela vai dormir pra sempre... ela não existe mais, se foi!” Tentei explicar melhor, ela parou quieta por um minuto, como se estivesse se concentrando para pensar e então caiu no berreiro, acho que finalmente ela entendeu ou talvez tenha chegado a uma ideia próxima da realidade.
—“Oh... shhh, não chore querida, existem muitas iguais a ela no mundo, eu posso achar outra pra você, que tal? Olha lá, tem outra azul bem ali, viu só? Não se preocupe, o mundo está cheio delas!” Fiz um esforço para acalma-la, mas o choro dela se acentuou quando disse isso.
—“Hey, o que foi? Pronto, pronto!” A segurei nos braços e me sentei para nina-la um pouco.
Ela foi se acalmando devagar, até que parou de chorar, mas depois disso foi difícil convence-la a sorri, mesmo fazendo cosquinhas nela, percebi que estraguei nosso momento a sós e decidi que era hora de voltarmos.
Quando voltamos ao grupo, Ian já havia comido e James estava tratando das feridas de Pedro como podia.
A criaturinha imediatamente quis ir pros braços de Ian.
—“Hey... o que foi Sophia? Porque essa carinha triste? Sephiron o que você fez com ela?” Ian me lançou um olhar agressivo, aposto que queria me bater.
—“Nada de mais, eu não a machuquei se é isso que você quer saber.” Me zanguei com o modo desconfiado que o Ian me olhava, parecia que ele não confiava em mim e na minha capacidade de proteger a nossa cria.
—“O Sephiron te machucou bebê?” Ian perguntou para a criaturinha e ela fez que não com a cabeça, mas sua expressão continuava tristonha.
—“Acho bom! Seph... se você ousar machuca-la, eu vou arrancar as suas tripas por seu traseiro e te farei comê-las, está me entendendo?” Ele me olhou com um fogo intenso no olhar.
—“Como ousa me ameaçar desse jeito?” Dei um passo à frente, meus dedos deram uma coçada para dar uma surra nele, ele tinha sorte de me excitar mais do que me irritar, se não, eu poderia simplesmente torcer o pescoço dele com facilidade.
—“Por favor, você dois podem parar com isso? Eu quero chegar à cidade e logo, Pedro precisa de um médico.” James falou cansado e ambos deixamos de nos encarar zangados, para olhar Pedro, que francamente parecia um moribundo agora.
A criaturinha olhou para Pedro e ameaçou a começar a chorar de novo, eu sei que ela estava associando a borboleta ao Pedro agora.
Ian voltou a me olhar desconfiado, mas nada disse quando retomamos nossa caminhada. Chegamos à cidade ao meio dia. James entrou na cidade com Pedro para leva-lo a um médico como fez anteriormente. Eu, Ian e a criaturinha esperamos escondidos na floresta próximo a entrada da cidade.
A criaturinha estava dormindo nos braços de Ian.
—“Vai me dize o que aconteceu com ela? Porque ela ficou abatida desse jeito? Você por acaso a castigou por ter se negado a aceitar seu colo àquela hora?” Ian ainda me olhava com desconfiança, ele a abraçava protetoramente, tentei não me zangar com ele, afinal ele só estava tentando proteger a cria.
Contei pra ele o ocorrido, expliquei que ela entendeu o que era a morte e que provavelmente ela estava percebendo agora o que nós já estávamos esperando, a perda de Pedro.
—“Oh... entendo!” Ian suspirou.
—“Entende? Cadê meu pedido de desculpas?” Perguntei fazendo uma careta irritada para ele.
—“Que pedido de desculpas o que? Você deve ter traumatizado ela, aposto que você não soube explicar isso de forma adequada para a idade dela.” Ian me lançou um olhar zangado.
—“Mas é ai que está o problema, exatamente como o meu pai disse. A gente tem que repensar a forma que vamos ensiná-la. Ficar tratando ela como um bebê pode atrasar seu desenvolvimento, mas o problema é que a gente não sabe nada da capacidade dela. Até que ponto ela já é capas de entender? Como devemos explicar as coisas pra ela? Estamos fazendo algo errado? Não tem como a gente saber, não existe parâmetros!” Olhei para ela preocupado.
—“Tem razão... desculpa ter te ameaçado.” Ian suspirou novamente, se acalmando.
—“Não tem problema... eu já falei que você fica sexy quando está protegendo nossa cria de mim?” O abracei espremendo a criaturinha entre nós e fiz uma expressão safada pra ele.
—“Não, mas é bom saber!” Ian flertou de volta se esfregando em mim.
—“Está flertando comigo?” Perguntei com um sorriso tarado, queria arrancar as roupas dele e fode-lo no chão duro da floresta agora mesmo.
—“Talvez!” Ian fez uma expressão de desentendido, mas sua perna se enfiou no meio das minhas.
—“Despois não reclame se eu te comer por horas seguidas... você está me atiçando aqui.” Levei minhas mãos até o traseiro de Ian e apertei suas nádegas.
—“Talvez eu queira isso!” Ian respondeu esfregando a perna dele entre as minhas.
—“Uooou... o que deu em você? Desde quando está com esse fogo todo?” Apertei mais suas nádegas.
—“Desde que a Sophia nasceu... sei lá, venho me sentindo com um estranho desejo de transar e de possuir algo... se você não se cuidar eu vou te sodomizar logo, logo.” Ian sorriu pra mim.
—“Vou ter que começar a dormir com um olho aberto então... odiaria acordar amarrado na cama de novo.” Dei uma piscada pra ele e ambos rimos, logo nossos risos cessaram e um beijo quente começou. Acho que agora eu tenho a resposta para a minha pergunta de agora a pouco. Eu estaria tão feliz na minha vidinha de dono de escravos? Não! Eu nunca seria tão feliz naquela vida, quanto estou agora. Mesmo no meio do mato, sem luxo algum, isso aqui ainda é melhor que a mesmice entediante da minha vida naquela mansão, rodeado por monstros que já me feriram e poderiam me ferir de novo.
Ian e eu ficamos esperando James e Pedro fazendo uma troca de caricias quentes, tive que me segurar para não foder o Ian, ele estava com a bebê nos braços, eu queria deixar James cuidando dela para poder provar ao Ian quem vai ser sodomizado.
James demorou muito, mas depois de duas horas, ele finalmente retornou com Pedro que agora quase parecia uma múmia de tão enfaixando que estava e ele também cheirava a remédios... era meio enjoativo.
—“Como ele está?” Perguntei meio sem jeito.
—“Está lutando bravamente pra viver... o médico queria sacrifica-lo, mas insisti até ele dar um bom tratamento a ele!” James respondeu fazendo uma careta para o pensamento de sacrifica-lo.
—“E agora o que faremos?” Ian perguntou me olhando em expectativa.
—“Eu acho que podemos ficar na cidade, achei uma casa para alugar aqui perto, como naquela vez em que fugimos pela primeira vez. Não há exercito na cidade e as coisas parecem pacificas. Se vocês concordarem, eu posso ir tentar alugar a casa para que tenhamos um descanso dessa loucura.” James deu a ideia e se ofereceu para a tarefa, afinal todos sabiam que ele era o único do grupo que não era alvo de alguma coisa, e por isso podia ir fazer a tarefa com tranquilidade, mas também dava pra ver que ele não queria deixar o Pedro pra trás agora.
—“Porque não? Acho que dormir sobre um teto com uma cama vai ser melhor do que dormir em um colchão inflável em uma barraca no meio da floresta, além do mais isso pode acabar fazendo bem para a recuperação de Pedro, eu topo!” Respondi tentando passar animação para os outros.
—“Finalmente um descanso decente!” Ian chegou a suspirar.
James passou Pedro pra os meus braços e foi tentar alugar a casa. Pedro acordou e me deu uma olhada, ao perceber que estava nos meus braços e não nos de James, ele ficou vermelho e encabulado, eu ri da cara dele. Não pude deixar de comparar ele com Ian, ele era bem mais leve e mais magro que Ian, sem falar que ele era menor que Ian, mais quente e mais frágil também.
James retornou com boas notícias, então começamos a bolar um plano de como chegaríamos a casa sem sermos visto por nenhum vizinho bisbilhoteiro. Chegamos ao acordo que fazer isso durante o dia seria mais seguro, já que os vampiros dormem nesse horário, seria mais difícil ter um acordado nos espiando da janela.
A casa alugada era próxima ao lugar que estávamos, isso era bom porque poderíamos sair da cidade com facilidade como da última vez.
James foi na frente carregando Pedro, Ian logo atrás com a criaturinha e eu fui o último e cuidei da nossa retaguarda, como o previsto, não havia ninguém acordado e conseguimos nos esquivar pela cidade até a casa.
Sinceramente essa casa era bem melhor que a outra que alugamos daquela vez. Ela só tinha um andar, mas possuía uma sala com uma TV de tela plana grande e sofás confortáveis, tinha dois banheiros com banheiras e três quartos, mas não tinha cozinha como a primeira, ela era de tamanho médio, mas tinha o seu luxo e era limpa. Possuía apenas uma janela na sala, isso para um vampiro é um luxo, pois significa que menos sol vai entrar na casa durante o momento de seu sono para incomoda-lo, e para nós, isso era ótimo, pois assim diminuía as chances de alguém nos espiar.
James e Pedro se adonaram de um quarto, eu, Ian e a criaturinha pegamos o maior para nós. A criaturinha foi à loucura com tanta novidade, ela deu gritinhos e bateu palmas contente.
—“Shh... criaturinha, você não pode fazer barulho, ou os vampiros malvados vão te ouvir. Você tem que ficar quietinha, tá entendendo?” Falei sério para ela, eu sabia que ela entendia os perigos perfeitamente.
Ela ficou mais calma e manteve o volume de sua voz baixo, ela era mesmo uma menina inteligente e avançada.
Ian deu o primeiro banho de banheira nela, nunca a vi tão animada com um banho antes. Ela cismou na torneira e se agarrou nela, quando descobriu que bastava girar o manípulo da torneira e a água saia como mágica, pronto... ela não quis mais sair do banho.
Depois que todos estavam de banho tomado, a criaturinha pegou no sono, a deixamos na cama com dois travesseiros, um de cada lado dela, para impedir que ela rolasse e caísse da cama e fomos para sala assistir TV, fazia tempo que não tínhamos contato com o mundo.
Ligamos a TV e James se juntou a nós, na TV passava o jornal que anunciava uma terrível notícia, não havia mais governo e sim um império, o até então presidente se autoproclamou imperador de todo o país e agora ele estava criando leis absurdas.
Descobrimos também que a raça humana estava dando seus últimos suspiros, existiam atualmente em cativeiro, apensa vinte exemplares dessa espécie e os cientistas não achavam manheiras de impedir a total extinção da espécie. O pior era que o tal imperador havia decretado que todos que ainda possuíssem um humano como escravo, deveriam entregá-los aos cientistas para serem cobaias das vãs tentativas de repovoamento da espécie, e quem se negasse a entregar seu humano, ou fosse visto com um, seria preso imediatamente.
—“Vinte humanos vivos em cativeiro... você acha que existe mais lá fora, como Pedro era antes de ser capturado?” Perguntou Ian.
—“Se existe é bom eles ficarem escondidos, não quero nem pesar no que pode acontecer com eles se forem pegos!” Respondi me sentindo um pouco enjoado ao imaginar as experiências que deviam estar ocorrendo com os humanos... acho que eu estava me sentindo assim, pois finalmente eu conseguia ver os humanos como algo além de animais prontos para o abate, eu conhecia Pedro... eu agora o via como um ser vivo, mais que isso, como um familiar... como um ente querido.
—“É uma época difícil para ser humano!” Ian suspirou tristemente.
—“Essa notícia é pior ainda do que vocês estão pensando!” James levou as mãos à cabeça, sua expressão se tornou desesperada.
—“O que? Por quê?” Perguntei sem entender o medo dele.
—“Não poderei levar o Pedro a um médico novamente... se eu for pego com ele, eu serei preso e sabe-se lá o que faram com ele nesse estado... o pior é que eu tinha que levá-lo de novo ao médico para fazer mais nebulização.” James estava em pânico agora.
—“Calma... nós vamos pensar em algo.” Tentei acalma-lo, mas no momento estava começando a pensar em como conseguiríamos comida humana agora... se ter um humanos era algo praticamente ilegal... então comprar comida humana te entregaria.
Na TV ainda passava notícias sobre os esforços para fazer esses vinte humanos se reproduzirem o mais rápido possível, um cientista estava tentando forçar as fêmeas a ter um número exorbitante de bebês por gestação, eles queriam forçá-las a ter sêxtuplos por gestação.
—“Que horror!” Ian desviou o rosto da tela.
Na reportagem mostrou o cativeiro dos vinte humanos, me surpreendi ao reconhecer uns doze, eles eram os humanos de Mia... então é ai que eles foram parar, droga! Fiquei feliz que Ian não estava olhando a TV, ele ficaria abalado se visse isso, mas dei uma rápida olhada em James, parecia que ele ia vomitar... se isso fosse possível.
A reportagem mudou para uma repórter que pedia para a população vampírica não temer, não havia risco algum de se passar fome com a falta de seres humanos, já que os mestiços estavam sendo usados como nova fonte de extração de sangue.
A cena na TV mudou para outra repórter que ia mostrar como estava a situação do banco de sangue, ela conversou com um pesquisador de jaleco branco que a levou a uma sala gigantesca. Meu queixo caiu nesse momento, o lugar era cheio de mestiços presos a cruzes brancas, havia inúmeros tubos cravados em suas veias dos braços, sugando seu sangue constantemente e outros tantos tubos enfiados em suas gargantas, uretra e reto, acho que esses tubos serviam para alimentar e se livrar de suas necessidades. Ian voltou a olhar para tela, mas quase levou as mãos ao rosto para tapar seus olhos.
—“Aqui temos mais de cinco mil mestiços produzindo sangue diariamente sem descanso, isso gera uma quantidade imensa de sangue, ninguém passará fome.” Explicou o vampiro no jaleco branco a repórter.
—“O senhor pode nos mostrar todo o processo? Há boatos de que o governo, atualmente império, vem envenenando o sangue para enfraquecer o povo e impedir que o povo façam revoltas.” A repórter falou calmamente e com um sorriso profissional ao pesquisador.
—“Ah, isso não passa de boatos criados pelos terroristas para criar pânico na população, ainda bem que o maior responsável por esses boatos foi preso e executado semana passada, ele era uma vergonha para a nossa instituição, o Dr. John possuía até uma criação ilegal de mestiços em sua casa, reproduzir essa espécie sem consentimento do império é um crime com direito a pena de morte, que foi o caso.” Explicou o pesquisador.
Senti um gelo passar por meu corpo... o Dr. John, aquele médico que salvou a criaturinha no ventre de Ian, está morto? Não posso acreditar nisso... eu sabia que ele era corajoso e ia fazer a merda de tentar enfrentar o governo durante a revolução, mas eu não acreditava que ele fosse ser pego tão facilmente, ele parecia ser esperto. Olhei para James, ele estava verde com a notícia, Ian não chegou a conhecer o Dr. John, mas sabia o que ele havia feito para ajuda-lo naquele momento em que estava abortando os gêmeos... ele também parecia muito chocado com a notícia.
—“Eu afirmo que essa história de sangue contaminado para enfraquecer a população não passa de boatos, e hoje eu irei mostrar a vocês todo o processo.” Disse o pesquisador na TV.
O vampiro foi até uma parte onde só havia bebês recém-nascidos, todos eram examinados por cientistas.
—“Uma fêmea pode ter um bebê por vez, às vezes nascem gêmeos, mas é raro, no entanto após três dias do parto, elas já são capazes de gerar novamente, temos muitas fêmeas reprodutoras aqui, não corremos o mesmo risco que corremos com os humanos que necessitam de um intervalo de pelos menos seis meses entre cada gestação para não se fatigar. Assim que os bebês nascem, eles já são separados das mães para sessar a produção de leite delas e torna-las próprias a reprodução novamente.” Explicou o pesquisador à repórter enquanto atrás deles os bebês mestiços eram tratados como lixo, assim que os cientistas examinava o bebê ainda sujo de sangue do parto, eles eram jogados de qualquer jeito em um canto. Os pobres bebês ficavam amontoados berrando por suas mães.
Ian se abraçou em mim horrorizado, pude sentir seu corpo tremer, não sei dizer se de medo ou de raiva do que estava vendo. Eu imaginei a criaturinha no meio daqueles bebês... uma sensação muito ruim tomou conta de mim, não sei que sentimento era esse, mas fazia a minha garganta entalar e um desejo de arrancar a cabeça daqueles monstros na TV se intensificava.
—“Os bebês são selecionados, as fêmeas são separadas dos machos. Os macho já podem passar a doar sangue e são alimentados com esses tubos em suas gargantas.” O pesquisador... não, o pesquisador não, o MONSTRO na TV mostrou um dos bebês que se debatia em uma cama pequena, havia tubos em suas boca o que impedia ele de berrar como tentava desesperadamente fazer, por todo o seu corpo havia mangueiras fininhas enfiadas com agulhas em suas veias, sugando o seu sangue, um vampiro em um jaleco machado de sangue estava tentando amarrar suas pernas e braços para faze-lo parar de se debater enquanto outro tentava terminar de enfiar tubos nele.
—“Eles senguem doando sangue até a fase adulta, depois disso os mais dóceis são vendidos no mercado de escravos, os mais fortes vão para a rinha, já as fêmeas doam sangue até atingir a idade adulta, depois disso, elas passam a ser reprodutoras e senguem sendo isso até acabar com suas forças, então são sacrificada e...” O monstro já ia mostrar algo em uma outra sala.
—“Desliga essa merda!” Pediu Ian que estava ficando verde.
Mudei de canal rapidamente e me deparei com três canais diferentes de rinhas entre outros de maus tratos com mestiço. Resolvi desligar de vez a TV então.
—“Que mundo horroroso é esse em que vivemos?” James se sentou no sofá enojando.
Abracei Ian mais forte, ele era um mestiço... se ele não tivesse tido a sorte de nascer filho do Sr. Shadowy, ele poderia ter sido um daqueles bebês se debatendo de medo e dor enquanto seu sangue era cruelmente drenado.
—“A calma com que eles fazem aquilo... nem parece que estão lidando com um ser vivo!” Ian se encolheu para mais perto de mim.
—“Isso não é muito diferente do que os humanos faziam com os gados, porcos, ovelhas, entre outros animais nos criadouros e abatedouros... acho que isso é a mesma coisa, eles não vem os mestiços e humanos como seres vivos... mas sim como fonte de dinheiro e alimento.” Falei isso estremecendo ao perceber que erámos todos iguais e que talvez isso nunca mudasse.
—“Mas isso não é justificativa para...” Ian começou a se exaltar, ele já ia erguer o tom de sua voz, mas tapei seus lábios com os dedos.
—“Eu sei... só quis dizer que... esse tipo de coisa sempre aconteceu, sempre teve gente como eles que não se abalam com as imagens fortes e sempre existiu gente como nós, que fica enojando e repensa seu estilo de vida.” Falei calmante.
—“Está repensando seu estilo de vida?” Ian ergueu uma sobrancelha pra mim.
—“Está brincando Ian? Desde que te comprei eu mudei muito meu estilo de vida... ao começar por não ver mais você e Pedro como animais ao qual posso sacrificar quando me cansar de brincar.” Falei isso estremecendo com a ideia, afinal isso era verdade, antes de Ian, eu não ligava em torturar, enlouquecer e matar qualquer ser abaixo do nível de um vampiro, mas depois que comprei Ian, eu mudei ao poucos... não sei exatamente como e quando isso aconteceu, mas eu mudei... e de verdade.
—“E aqui está meu filho de volta... senti saudades Seph, me prometa que não vai deixar aquele monstro sem coração e alma voltar a te comandar.” James sorriu pra mim.
—“Ah... não posso prometer isso, pois ele vai estar sempre presente... na cama!” Sorri para Ian e ele revirou os olhos para mim.
—“Mas... nunca mais vou me deixar virar as costas para a minha família... mesmo que eu passe por coisas ruins de novo.” Olhei culpado para James.
—“Irei proteger vocês... nunca ninguém tocara na Sophia ou em qualquer um de vocês.” Prometi cheio de convicção.
—“Você finalmente disse Sophia!” Ian sorriu.
—“Não se acostume... eu odeio esse nome... da próxima vez eu escolho o nome de nossa prole... quero um menino e logo, para chamá-lo de Caspian.” Falei esse nome com gosto.
—“Credo Sepf... esse nome é ridículo, parece que ele tem caspa ou coisa do tipo.” Ian fez uma careta.
—“Não quero nem saber... se você pode dar o nome para minha filha de Sophia eu posso dar o nome de Caspian para nosso menino.” Rebati determinado, vou lutar com unhas e dentes por esse nome.
—“Bom saber que já estão planejando mais, devo pegar a Sophia do quarto de vocês para deixa-los iniciar as tentativas de... bem, fecundação?” James sorriu com a brincadeira.
—“Ah, por favor, estou há tanto tempo na seca que meus testículos vão explodir a qualquer momento.” Lancei um olhar safado ao Ian.
—“Você está brincando né?” Ian riu pra mim, levando tudo na brincadeira.
—“Nunca falei tão sério.” Ao dizer isso eu peguei Ian e o joguei por sobre meu ombro, o segurei pelas pernas e dei um tapa em sua bunda.
—“AIII... Seph!” Ian reclamou nas minhas costas.
—“Some com a criaturinha 1 por pelo menos umas duas horas.” Ordenei a James que com um sorriso foi buscar a criaturinha no nosso quarto.
—“Criaturinha 1?” Ian perguntou encucado.
—“Como acha que vou chamar o segundo? Será criaturinha 2.” Falei dando uma outra palmada na bunda de Ian.
James saiu do meu quarto com a criaturinha nos braços, ele foi para o quarto dele, provavelmente para ficar com Pedro e eu corri para o quarto com Ian.
O joguei na cama de qualquer jeito.
—“Isso é mesmo sério? Você que me engravidar de novo?” Ian me olhou chocado e até um pouco assustado e divertido ao mesmo tempo.
—“Não necessariamente... só estou a fim de te pegar desde aquele momento em que você ameaçou a arrancar minhas tripas pela bunda para me fazer comê-las... prepare-se, para ser sodomizado.” Pulei para cima dele e o abracei forte, ele riu e tentou resistir fracamente, fiquei feliz em saber que por agora, eu consegui afastar as lembranças ruins do noticiário de nossas cabeças, plano 1 concluído... agora vamos ao plano 2... foder até o anoitecer.
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