Sangue quente.
14 A visita.
Notas iniciais
Sephiron...
Hoje é o dia que vou ir visitar o pai de Ian! Não posso negar que estou um pouco amedrontado, nunca se sabe o que pode acontecer com você quando entra na cede do governo, ou melhor, nos calabouços do governo! Se eles tiverem algo contra mim, é bem capaz de eu não sair mais de lá!
Mas eu não tenho escolha! Já arrisquei muito para conseguir essa visita e eu ainda devo muito ao pai de Ian, mais do que isso, eu devo isso ao Ian! E infelizmente ele nunca saberá o que aconteceu com seu pai!
Ian estava deitado na cama com as pernas pra cima, lendo um livro qualquer! Ele estava um pouco chateado comigo por ter proibido James de tocar nele, agora James passava mais tempo no quarto dele com o meu novo encravo humano! James parecia bem mais feliz ultimamente por algum motivo oculto!
E agora sempre que James visitava o Ian para cuidar dele, ele tomava o cuidado de ficar a um espaço de três passos dele.
Isso me deixava mais tranquilo, mas magoava Ian! Acho que está na hora de eu animar um pouco Ian e sei exatamente o que devo usar!
Fui ao banheiro e peguei o meu creme de chocolate que havia comprado exatamente para testa aquela informação da pesquisa do médico.
Médico que por sinal, eu deveria chamar novamente para examinar Ian e ver como as coisas então se desenrolando! É bom saber se Ian está bem e se a criaturinha é normal! Desde a semana passada, Ian não sentiu mais sede pelo sangue do novo escravo, não sei se isso é normal, acho que realmente devo chamar o médico e perguntar para ele de quanto em quanto tempo Ian deve beber!
Voltei para o quarto com o creme, sentei nos pés da cama e retirei a camisa, abri o potinho e comecei a passar o creme no meu ombro primeiro, fiz isso de maneira inocente, como se não esperasse nenhuma reação adversa de Ian.
De repente ouvi o livro que estava nas mãos de Ian ser fechado.
—“Que cheiro bom!... O que é isso, Seph?” Ian perguntou engatinhando até o meu lado.
—“Nada de mais, só chocolate, já ouviu falar?” Perguntei na inocência.
Ian não respondeu, ele se aproximou mais de meu ombro e cheirou o lugar sujo com o creme marrom, fiquei imóvel esperando seu próximo passo.
Ian logo lambeu o meu ombro com vontade até limpar completamente o creme de minha pele, a sensação da língua dele em meu corpo me fez ter um arrepio gostoso pela espinha, logo me enchi de ideias!
—“Você gostou?” Perguntei passando o creme no peito de forma calma e sem preocupações.
—“Tem um cheiro tão doce... e o gosto é tão... não consigo explicar!” Ian disse isso com um olhar meio hipnotizando pelos lugares sujos de chocolate, ele então atacou o meu peito e lamber tudo novamente.
Tomado pelo desejo me deitei na cama e fiz uma trilha de chocolate do meu peito ao meu umbigo, enquanto ele se ocupava em limpar essa trilha com a língua, eu rapidamente me desfiz da calça, Ian nem parecia ter notado o que estava acontecendo, ele realmente parecia em transe com o chocolate, tudo que perecia importar e existir pra ele era o chocolate.
Passei o chocolate em meu membro e esperei pra ver o que acontecia, até hoje eu não tinha tentando fazer Ian me pagar um boquete como fazia com meus antigos escravos, eu não era idiota, os dentes de Ian foram feitos para cortar carne, uma única mordida e adeus amiguinho ali de baixo, mas claro que por eu ser um vampiro, isso não seria o fim do mundo pra mim! Eu poderia fazer um novo membro surgir com facilidade, mas mesmo assim a dor de todo o processo de perda e reconstituição seria terrível!
Ian foi descendo e então finalmente chegou ao meu membro, todos os pelos do meu corpo ficaram de pé, não só porque isso era gostoso, mas também pela noção de perigo que corria, eu podia sentir as serrinha dos dentes dele.
Uouuu! Isso era muito bom! Ele está me lambendo com vontade mesmo! Ahhhn... acho que não vou aguentar por muito tempo!
Sempre que Ian estava quase limpando todo o chocolate eu dava um jeito de passar mais, Ian se empenhava e não desperdiçar nenhum pouquinho do creme, o que me fazia sentir todo tipo de sensação em meu membro.
Eu estava chegando perto de gozar, eu sentia aquela sensação maravilhosa que somente Ian conseguiu me proporcionar até hoje!
Passei uma grande quantidade de chocolate em meu membro e deixei que Ian fizesse o que quisesse, tampei o pote e relaxei na cama com os braços atrás da cabeça! Ian se agarrou ao meu membro e lambeu o chocolate com desejo! E então finalmente cheguei ao clímax na boca de Ian, ele pareceu não ligar e seguiu limpando o restante do chocolate em mim, acho que eu devo uma ao Dr. John, isso foi uma das melhores coisas que já fiz!
Ian finalmente lambeu a última gota de chocolate e finalmente pareceu sair do transe, ele olhou em volta perdido antes de sorrir animado pra mim, ele do nada começou a rir e se abraçou em mim, se esfregando como um gato, é claro que me aproveitei disso, são raros os momentos em que Ian é receptivo.
Ele parecia animado e eufórico em se aconchegar em mim e me fazer caricias, acho que é a tal da endorfina ao qual o médico disse que o chocolate o faz liberar!
Do nada Ian parou de se esfregar em mim e olhou em volta todo bobo, ele começou a tentar pegar algo sobre as cobertas ao meu lado.
—“Ian... o que você está fazendo?” Perguntei segurando o riso.
—“Seph, tem uns bichos estranhos andando em cima da cama! Eu quero pegar um!” Disse ele dando um bote em algo invisível pra mim, quase cai na gargalhada! O Dr. John havia escrito sobre isso na pesquisa dele, ele escreveu que achava que o chocolate agia como erva do gato para os mestiços! Agora eu via o que ele quis dizer com isso, é normal quando você dá erva de gato pro seu animalzinho, que ele comece a caçar coisas invisíveis por ai e que fique todo agitado!
Fiquei entretido por alguns minutos vendo Ian caçar em cima da cama algo que só ele via, ele parecia muito feliz com essa brincadeira, ele quase nunca tinha nada de interessante pra fazer e também nunca exercitava o seu lado caçador, eu tinha pena dele por isso, mas é ele que quer ter essa criaturinha! Se não fosse por essa coisinha dentro dele, a gente poderia estar lá fora no meu jardim caçando!
—“Seph... não fica ai rindo feito um idiota, me ajuda a pegar um!” Ian me lançou um olhar irritado.
—“Você quer que eu pegue um bichinho escorregadio é?” Perguntei me aproximando dele com um sorriso sacana.
—“É... Me ajuda vai!” Ele pediu engatinhando sobre a cama.
—“Pronto! Peguei um!” Disse segurando Ian o fazendo sentar em meu colo, de costas pra mim!
—“Não, eu não! Seph, os bichinhos vão fugir! Me solta!” Ele se rebateu em meu colo, mas eu entrelacei as mãos em volta dele, graças a isso minhas mãos ficaram sobre a barriga dele.
—“Hey criaturinha, como estão as coisas ai dentro?” Apertei de leve a barriga de Ian em minhas mãos.
Ian parou de se debater e se recostou em mim, apoiando a cabeça em meu ombro e colocando as mãos sobre as minhas.
A criaturinha se mexeu como se soubesse que eu estava falando com ele, Ian fez beicinho pra mim.
—“Ele só mexe quando você fala com ele! Ele nunca se mexe quando sou eu que converso! Isso é injusto!” Ian reclamou chateado.
—“Ele sabe que eu sou o melhor, o mais foda e incrível daqui de casa! Não é mesmo criaturinha?” Como se ele me confirmasse a questão ele chutou forte.
Ian ficou mais zangando com isso!
—“Vocês já estão de complô contra mim! Ele nem nasceu e já é igualzinho a você!” Ian mostrou a língua pra mim.
—“Nós vamos infernizar a vida do Ian, não vamos criaturinha? Um chute pra não e dois pra sim!” Falei isso para irritar Ian, eu nem estava batendo papo de verdade com a criaturinha, mas qual foi a minha surpresa ao receber dois chutes perfeitos.
Ian quase soprou fogo pelas ventas de tão irritado.
—“Pois bem, espero que Seph saiba trocar suas fraudas, pois eu não vou! Se é assim que você vai me tratar, espero que se de muito bem com o seu querido pai!” Ian cruzou os braços e ficou emburrado.
A criaturinha deu vários chutes, como se esperneasse e dissesse um nãaaooo!
Caramba... não é possível ele nós entender... é? Nem bebês vampiros fazem isso! Estou começando a ficar com um pouco de medo do que está dentro de Ian, ele já está demonstrando grande inteligência com apenas cinco meses.
—“Criaturinha... você gosta do Ian? Um chute pra não e dois pra sim!” Falei como um teste.
Senti dois chutes sobre as minhas mãos... CARAMBA! Não, eu devo estar imaginando coisas, isso deve ser só coincidência! É como dizer para um cachorro abanar a cauda duas vezes se ele está feliz e isso acabar acontecendo por um acaso!
Ian sorriu e voltou a por as mãos sobre as minhas.
—“Eu também gosto de você!” Disse Ian com um sorriso bobo, ele ainda devia estar sobre efeito do chocolate, por isso essas bobagens que estávamos fazendo o afetavam dessa forma!
—“Hey Ian, não fique achando que isso é sério! Isso é só uma brincadeira que por um acaso deu certo, não tem como ele ter aprendido a contar até dois dentro de sua barriga sem ninguém ter lhe ensinado!” Falei isso mais para mim mesmo, precisava de alguma prova concreta de que não estava ficando louco!
—“Ah, mas é tão divertido acreditar que ele pode nós entender e responder!” Ian parecia eufórico com isso.
—“Já eu acho isso assustador!” Tirei minhas mãos da barriga de Ian.
Olhei no relógio, estava quase na hora de eu ir visitar o pai de Ian, de repente me bateu um medo! E se eu não voltasse? E se o governo fizesse uma arapuca pra mim?
Voltei a abraçar-me em Ian e escondi meu rosto em seu pescoço, aproveitei para sentir o cheiro dele, se essa é a última vez que vou sentir o cheiro dele, então tenho que memorizar isso!
A criaturinha chutou mais forte, por um minuto fiquei com medo de não conhecê-lo, mas logo afastei esse pensamento, eu nem quero conhecer essa coisa mesmo!
—“Ian, eu preciso ir tomar um banho, tenho que sair para resolver uns negócios!” Disse soltando ele e me levantando da cama.
—“Tá bem!” Disse Ian simplesmente antes de se deitar na cama e voltar a por os pés pra cima.
Após banhar-me e vestir-me, sai do banheiro e me deparei com Ian adormecido sobre a cama, com o livro sobre o rosto dele, me aproximei para retirar o livro da cara dele.
Dei-lhe um beijo casto nos lábios, essa podia ser a última vez que beijaria esses lábios! Virei-me para sair, mas antes passei os dedos sobre a barriga de Ian... bem, pelo menos estaria deixando o meu legado para trás!
Quando abri a porta do quarto me toquei dos meus pensamentos, eu não estava deixando o meu legado pra trás, eu estava deixando Ian sozinho com a criaturinha em um mundo cruel para alguém como eles... Eu tenho que voltar!
Fui procurar por James, ele não estava em seu lugar de costume, após procurar por alguns segundos, eu o encontrei em seu quarto sentado na beirada da cama brincando com um cacho do cabelo do novo escravo que dormia tranquilamente, travei observando a cena!
O novo escravo estava bem diferente de quando o vi pela primeira vez, ele estava com os cabelos cacheados bem sedosos, sua pele cor de mel tinha um aspecto saldável e aveludado, ele parecia estar bem alimentado e isso que eu havia deixado esse humano com James há apenas uma semana!
—“James?” Chamei erguendo uma sobrancelha para ele.
James pulou da cama se afastando do garoto dorminhoco.
—“Sim, mestre Seph?” Ele fez uma reverência nervoso.
Ia comentar sobre o que ele estava fazendo com o escravo, mas resolvi ignorar isso por hora, eu tinha coisas mais importantes para fazer no momento!
—“James, estou indo visitar o pai de Ian! Se eu não voltar... pegue Ian e o escravo e fuja pra minha casa de campo! Acho que ninguém vai encontrá-los lá! Deve ser um lugar seguro para Ian viver com a criaturinha!” Falei tranquilo antes de me virar para partir.
—“Espera filho!” Ele me segurou pelo braço antes de eu me afastar.
—“Estou com medo!... Por favor, não vá! Larga tudo e vamos pra essa casa de campo de uma vez!” James tremia.
—“Eu devo uma a ele!” Foi tudo que disse antes de me desvencilhar dele e seguir meu caminho.
Entrei no carro quase tendo um ataque de nervos, mas por fora eu parecia confiante e corajoso!
Quando o carro estacionou na frente do grande e antigo prédio do governo que mais parece um castelo moderno, eu desci e respirei fundo! A cede do governo tinha uma faixada toda de pedra branca, com estátuas de vampiros importantes do governo em mármore, os portões e as portas eram de ouro maciço, eu nunca entrei lá dentro, mas ouvi histórias de que havia fontes de sangue no átrio.
Deparei-me com um vampiro servo usando terno negro com um crachá na lapela, o crachá dizia Issac Nortan, esse era o nome do tal acompanhante que me guiaria até os calabouços como o Conde Leon me disse!
—“Senhor Sephiron de Montheran?” Ele se aproximou e me perguntou isso com uma voz esganiçada e irritante, ele era baixinho e parecia jovem, aposto que era um estagiário.
—“Sim!” Respondi.
—“Siga-me, por favor!” Disse o vampiro à minha frente sem muito rodeio!
O segui analisando tudo ao meu redor, não havia ninguém suspeito por perto, mas não era a hora de relaxar, se eles fossem me pegar, me pegariam lá dentro!
Segui o vampiro servo que me levou para longe da entrada principal da cede, indo para lateral do prédio, acabamos descendo umas escadas que levavam ao subsolo, o lugar era frio e úmido, o cheiro de morte, sangue e mofo me veio às narinas.
Seguimos por um corredor estreito e gélido de pedra negra, o lugar só era iluminado por tochas acesas nas paredes e isso dava ao lugar uma aparência mais macabra! Passamos por uma porta grossa de madeira maciça vigiada por dois guardas muito bem armados, nesse momento eu posso dizer que meu cu fechou! Comecei a cuidar minha retaguarda e a sensação de que a qualquer momento alguém ia pular em cima de mim e me prender começou a crescer em meu peito!
O corredor se alongou e agora havia varias portas grossas de madeira por onde passávamos, cada porta era uma cela e dentro de cada cela havia um vampiro que gemia ou resmungava, um calafrio subia em minha coluna.
—“Você terá quinze minutos apenas! Não se preocupe com a possibilidade dele te atacar ou revidar, ele teve as presas removidas e está sendo contido com algemas de platina e irídio, por esse motivo ele está bem fraco, não lhe causará problemas! Divirta-se!” Disse o vampiro parando na frente de uma das portas e começando a procurar a chave.
Novamente agradeci por não poder vomitar! Era terrível saber que haviam arrancado as presas dele e estavam lhe prendendo com esses metais!
Esses metais, platina e irídio misturados são para nós vampiros, como a prata para os lobisomens, esses metais são os únicos que podem machucar um vampiro pra valer!
O Vampiro servo abriu a porta e se afastou para me dar passagem, assim que entrei a porta foi fechada e trancada, o escuro tomou conta do local, por um minuto pensei que esse seria o meu fim, eu pensei que havia caído direitinho na arapuca, mas então minha vista se acostumou com o escuro e pude ver a figura à minha frente!
Ele não parecia mais o ser magnifico que conheci, ele estava sentando no canto da cela olhando para o nada, suas roupas velhas e esfarrapadas, ele estava completamente sujo e com os cabeços negros emaranhando! E com certeza ele não bebia sangue há meses, mas mesmo assim ele ainda tinha uma aura assustadora!
—“Faça o que veio fazer de uma vez!” Disse ele com uma voz sem emoção, ele parecia desolado, como se tivesse perdido a vontade de viver.
Escutei os passos do meu acompanhante se afastando, isso era bom, assim ele não nos escutaria!
—“Senhor Shadowy, acho que o Senhor não deve se lembrar de mim, eu...” Fui interrompido por uma fraca risada dele.
—“Você me chamou de Senhor? Hahaha, sabe há quanto tempo não me chamam assim?” Ele riu, mas foi um riso sem emoção, ele parecia uma concha vazia!
—“O Senhor, não deve se lembrar de mim, não é? Porque lembraria? Foi há muito tempo e deve ter sido insignificante pra você!” Falei passando as mãos no cabelo, ele me deu uma leve olhada, seus olhos vermelhos pareciam desfocados, mas acho que ele estava me vendo perfeitamente.
—“Foi há exatos trezentos e vinte cinco anos, três meses, vinte dias, quarenta e dois minutos e trinta segundos atrás! Você era um garoto jovem, um tolo inocente que caiu em uma armadilha!” Disse ele sem demonstrar grande interesse.
—“O Senhor lembra!” Fiquei impressionado com a precisão da memória dele, nem eu sabia há quanto tempo aquilo aconteceu e olha que esse evento me marcou profundamente!
—“Como não lembraria? Você estava criando um alvoroço na alta sociedade! Você era um garoto de rua que não tinha nem onde cair morto, mas usando sua inteligência e carisma, você construiu um império do nada! Você estava crescendo rápido e do jeito que estava indo, logo se tornaria o vampiro mais jovem da história a conseguir um título de Conde e talvez hoje você estaria acima desse título, você talvez seria um Duque hoje em dia, mesmo não tendo sangue nobre! E é claro que isso estava incomodando muito os Condes filhinhos de papais que herdaram suas fortunas e títulos!” Ele falava sobre isso com calma, mas eu estava começando a ficar mal, não gostava de lembrar disso!
—“O Senhor acha que eu séria um Duque hoje em dia se não tivesse desistido de tudo? Gentileza da sua parte!” Respondi meio sem jeito.
—“Você foi muito idiota em aceitar um convite para uma festa de gala na casa do Conde Aaron, você deveria saber muito bem que os outros Condes te odiavam! Estava na cara que aquilo não ia acabar bem! Teve sorte de eu aparecer e salvar esse seu pescoço magrelo” Ele me lançou um olhar intrigado.
—“Que culpa eu tinha de ser ignorante para esses detalhes de ódio e inveja contra mim? Como eles podia ter inveja de mim quando eu invejava eles?” Como eu poderia saber que eles iam fazer aquelas coisas comigo? Eu estava entusiasmado achando que finalmente havia sido reconhecido e aceito na alta sociedade, ai descobri que a festa era na verdade uma brincadeira, uma armadilha cruel pra mim!
—“Ah, você não era ignorante, só muito inocente mesmo! Infelizmente posso ver que sua inocência morreu naquela noite!” Ele suspirou como se lamentasse, já eu não lamento nada! É bom que aquele eu tenha morrido naquela noite, ele era idiota, bobinho e bonzinho, acreditava nos outros e por isso era fácil de se enganar e usar! O eu de hoje é bem melhor, eu agora sou um sádico, um filho da puta e com certeza existem muitos outros substantivos negativos que me definem e me fazem ser forte e cruel, agora ninguém mexe mais comigo!
—“Eu mudei naquela noite! Não sou mais o que eu era!” Dei de ombros, eu realmente não me importava com isso.
—“Uma pena, você me parecia um bom garoto! Tinha a mente mais brilhante que eu já conheci e graças a isso chegou tão longe sem pisar em ninguém para subir no poder! Você usou apenas sua inteligência e não tentou enriquecer ilegalmente! Você era uma criatura rara!” Novamente ele suspirou com um ar de tristeza.
—“Nunca te agradeci por me salvar... eu acho que eles iam me matar de verdade naquela noite!” Estremeci ao me lembrar da terrível dor de ter uma estaca cravada em meu peito tão perto de meu coração!
—“É... eles iam mesmo te matar! Aparentemente te humilhar em público, te espancar e te estuprar não eram o suficiente...” Ele ia continuar a falar sobre o que me aconteceu, mas parou ao me ver tapar os ouvidos e fechar os olhos.
—“Já chega! Não quero falar disso! Não quero me lembrar disso!” Falei rapidamente querendo mudar de assunto e ir direto ao que interessa!
—“Vejo que ficou com muitos traumas!” Ele me analisou dos pés a cabeça.
—“Escute garoto, se veio aqui para pagar suas dívidas de alguma forma e tentar me ajudar!... Desista! Eu não quero a sua ajuda! Você não precisa me agradecer... está livre da sua dívida, dê o fora daqui!” Ele fez um sinal com a cabeça para a porta.
—“Ian!” Falei e aguardei para ver a reação dele.
—“O que você disse?” Ele me olhou com atenção, seus olhos antes desfocados, agora tinham um brilho intenso e assustador!
—“Eu comprei há uns meses atrás um mestiço chamado Ian, ele é meio albino e...” Não consegui terminar de falar, pois em um milésimo de segundo ele estava me prensando contra a parede! Eu nem vi ele se mexe, eu nem cheguei a piscar, foi quase como se ele tivesse se teletransportado, eu nem ouvi o som do atrito do ar contra os movimentos dele! Como um vampiro faminto, algemado com metais danosos e sem presas poderia estar tão poderoso?
Ele me olhou direto nos olhos, de repente os olhos dele adquiriram uma luz verde forte, eu não sabia o que era isso, nunca vi um vampiro fazer algo assim! Minha cabeça latejou de um jeito terrível como se meu cérebro estivesse virando sopa!
Eu estava preste a gritar de dor quando ele me soltou e finalmente minha cabeça parou de doer! Ele começou a gargalhar em minha frente.
—“Ian está vivo! Hahahahaha!” Ele gargalhou feito louco!
E então do nada ele se aproximou de mim novamente, me empurrando contra a parede, senti um frio passar por minha espinha, me sentia encurralado por um monstro!
—“Isso é por você ter comprado o meu filho e o usado como escravo sexual!” Ele cochichou isso em meu ouvido e então me deu chute bem nas bolas, seu joelho acertou em cheio lá e a dor me fez arfar e cair de joelhos no chão.
—“Isso é por ter levado o meu filho para uma rinha!” Ele agora me chutou no estômago! Eu nem tinha chance de defesa, ele era muito rápido e forte!
—“Isso é pelo meu netinho que morreu!” Ele deu uma forte joelhada em meu nariz, senti a cartilagem quebra e o sangue escorrer.
—“E isso... é por todo o resto!” Ele me pegou pelos cabelos e me fez levantar, quando o fiz ele arregaçou a gola de minha camisa e me mordeu! Senti as presas dele afundarem em meu pescoço... ESPERA! Não tinham retirado as presas dele? Será que ele é capaz de regenerar as presas? Mas como?
Por um minuto achei que ele ia beber meu sangue até secar, mas ao em vez disso senti que algo líquido me invadia e me queimava! O que foi que ele me injetou? Veneno? Vampiros podem fazer isso?
Me debati e tentei me soltar dele, mas não tinha chances alguma! Assim que ele terminou de me injetar aquilo, ele me soltou.
—“O que você fez comigo?” Levei a mão ao lugar que ele tinha mordido, estava latejando, eu me sentia febril e doente!
—“Não se preocupe, não é veneno! Eu só te dei algo para te ajudar com o futuro que se aproxima! É claro... isso se você sobreviver ao que eu te fiz!” Disse ele voltando a se sentar em seu canto com um sorriso cruel.
—“O QUE? COMO ASSIM? O QUE VOCÊ ME FEZ?” Eu entrei em pânico, como ele podia me dizer algo assim e se manter calmo.
—“Ssshhhh, Fique quieto, o governo tem muitos ouvidos por ai!” Disse ele me lançando um olhar zangado.
—“Mas... o que você me fez?” Não conseguia relaxar com isso, o meu ombro do lado da mordido latejava de uma forma terrível!
—“Você vai precisar ser forte para cuidar deles no futuro!” Disse ele com um sorriso fraco.
—“O que há no futuro? O que você me fez? Como você sabe sobre tudo isso que aconteceu... sobre a rinha e o aborto?” Perguntei tudo isso quase de uma vez.
—“As suas primeiras perguntas serão respondidas no seu devido tempo! Agora... como eu sei tudo que você fez com Ian e meus netos? Eu li sua mente!” Ele riu pra mim de um jeito assustador! Estremeci de medo, com certeza eu não estava lidando com o conhecido, será que ele é mesmo um vampiro? Ou será que ele é algo além da imaginação?
—“Hahaha ainda posso ler sua mente sabia?” Dei um pulo quando essa frase retumbou em minha cabeça, ele não moveu os lábios... será que ele falou direto na minha cabeça? Como ele faz isso? Nunca vi ninguém fazer isso!
—“Não tenho tempo de responder todas as suas perguntas! Tudo que posso lhe dizer é que sou parente do vampiro original! Ou seja, eu sou mais velho do que a civilização humana mais antiga! Tenho habilidades e capacidades à cima de qualquer vampiro moderno que você conheça! Mas isso não vem ao caso agora!” Ele falou novamente em minha mente! Droga, isso é assustador, sem falar que faz minha cabeça latejar de dor!
—Sinto muito pela dor de cabeça, mas isso é necessário, não posso arriscar que alguém do lado de fora nos escute conversando agora!” Ele lançou um olhar para a porta e eu confirmei com a cabeça.
—“Seus quinze minutos comigo estão acabando! Então serei rápido! Pelo que vi em sua mente, minha execução está marcada para daqui uma semana, estou correto?... Pense e não fale!” Ele me alertou quando ia abrir a boca para responder a pergunta dele.
—“Sim você está correto, pelo que li no jornal será uma execução em praça publica! Mas porque você não foge? Se quiser pode beber um pouco de meu sangue! Você é poderoso o suficiente para quebrar essas algemas, acho até que esses metais não tem efeito sobre o senhor, se fosse comigo eu estaria morto em uma semana! Aposto que o senhor pode destruir esse lugar... por que não faz isso?” Perguntei em pensamentos.
—“Eu não queria fugir no início, eu pensei que minha esposa e filho estavam mortos, mas agora vejo que ainda tenho o meu filho! Eu poderia fugir facilmente desse lugar, mas no momento eu não posso! Primeiro porque você seria a minha última visita e isso automaticamente te incriminaria! O que levaria o governo até o meu filho! Segundo... eu não quero fugir, eu quero que o governo faça exatamente isso! Eu quero que eles me executem em praça publica!” Ele sorriu pra mim.
—“Mas porque você quer fazer isso? Droga! Não que viver para ver a criaturinha nascer?” Me exasperei na pergunta mental.
—“É pela criaturinha que estou fazendo isso, pretendo criar um mundo melhor para ele, um lugar onde ele possa crescer livre, diferente de Ian que passou a infância inteira preso dentro de casa e escondido como um refugiado! Eu tenho um plano! E eu quero que no dia da minha execução, você ligue a televisão e assista tudo... longe de Ian é claro! Irei dar início a revolução!” O sorriso dele aumentou.
—“Você pretende se sacrificar como um mártir pelo bem de Ian e da criaturinha?” Eu estava chocado com isso!
—“Aguarde e verá! Mas prepare-se, uma grande guerra se iniciará! Cuide bem de Ian e da criaturinha! Hahaha... gostei desse apelido que você deu ao meu neto! Acho que Ian está em boas mãos no fim das contas! Você será um bom pai!” Ele sorriu pra mim antes de voltar a sua pose de fraco e triste no canto da cela, eu já ia rebater essas besteiras que ele havia dito de ser um bom pai e tal, mas bem na hora a porta em minhas costas se abriu e para a minha sorte o meu nariz já estava concertado e no lugar como se nada tivesse acontecido, assim como o meu pescoço mordido, tudo graças a minha recuperação de vampiro é claro! Desse jeito o vampiro servo não notou nada de estranho em mim!
—“Seu tempo acabou!” Disse o meu acompanhante! Dei uma rápida olhada no Senhor Shadowy, ele estava atuando bem, gostaria de ter mais tempo com ele e de tentar fazê-lo mudar de ideia sobre se sacrificar, mas acho que não teria muito o que fazer!
Sai da cela sem olhar para trás e a porta foi trancada, depois disso segui o vampiro servo pelo corredor de volta ao estacionamento onde deixei meu carro, não pude deixar de suspirar de alívio quando pisei fora dos terrenos do governo, aparentemente eu era mesmo um peixe pequeno, o governo não tinha nada contra mim!
Entrei no carro e meu chofer deu a partida, tudo que eu queria no momento era tomar um banho para me limpar da imundice daquela cela e me deitar na minha cama confortável! Todo o meu corpo está dolorido, estou me sentido zonzo, nunca senti essas coisas, a sensação de mal estar é terrível! DROGA! O que o pai de Ian fez comigo? Ele havia dito que me deu algo para o futuro... mas isso se eu sobrevivesse... DROGA!
Droga... eu só quero descansar um pouco!
...
Ian...
Passei a tarde lendo sozinho no quarto, James me visitava de cinco em cinco minutos, ele estava revezando os cuidados comigo e com o Pedro! Por sinal, Pedro é muito legal, ele já veio me visitar algumas vezes com o James escondido de Seph é claro! Pedro sabe falar como os escravos que meu pai tinha e isso me faz matar as saudades de ter contato com humanos, mas infelizmente eu não entendo muito bem o que ele fala!
James no momento estava evitando tirar Pedro do quarto dele, pois alguns empregados estão começando a desconfiar do porque James trazia um escravo pro quarto de Seph sem que o mesmo estivesse no quarto! O que era uma pena, pois eu estava amando ter um novo amigo! Pedro era alguém que poderia me entender nessa história de escravidão e que poderia me dar apoio!
Estava divagando sobre a vida quando Seph entrou cambaleando pela porta! Ele arfava e apertava o peito com as mãos, parecia que ele estava tendo um enfarte, ele suava tanto que sua camiseta estava grudada ao corpo!
Ele fechou a porta e deu dois passos em minha direção.
—“Ian” Foi tudo o que ele falou antes de desabar no chão!
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