Sangue quente.

40 A verdade.


Notas iniciais
Boa leitura pessoal e por favor, se houver algum errinho de Português no texto, me avisem que eu concerto, pois não tive muito tempo de revisar esse capítulo. Obrigada desde já. ^-^

Sephiron...

Segurei Ian pelo braço e o impedi de correr na direção de nossos visitantes inesperados. Eu estava feliz em ver o Sr. Shadowy novamente depois de tanto tempo, principalmente porque Ian se preocupava com ele e sentia sua falta, mas tinha algo muito errado nessa situação. Porque o Sr. Shadowy estaria com esse sujeito?

Ian me olhou sem entender, mas eu não conseguia tirar os olhos do ser de longos cabelos dourados e feições impecáveis que estava logo atrás do Sr. Shadowy, ele encarava Ian com estrema curiosidade e isso me arrepiava e irritava. Suas roupas lembravam a uma túnica meio transparente de tom azulado e isso lhe dava a aparência de um ser celestial, talvez um anjo, mas eu sabia que de anjo ele não tinha nada.

Encarei o Sr. Shadowy com mais atenção, ele estava muito bem, diferente da última vez em que eu o vi. Seus cabelos negros estavam perfeitamente penteados para trás e com uma aparência sedosa. Suas roupas aristocratas eram charmosas e chiques... Desse jeito, ele nem parecia alguém que estava batalhando em uma guerra sangrenta.

—“Sephiron de Montheran... há quanto tempo?” Sr. Shadowy sorriu para mim quando o encarrei desconfiado.

—“Sim, faz muito tempo mesmo... Desculpe a indelicadeza, mas será que o Senhor pode me explicar o que faz com esse sujeito em minha casa?” Apontei o dedo para o loiro ao lado dele e não pude conter a minha vontade de rosnar.

—“Seph... o que está acontecendo?” Ian me encarrou com uma expressão completamente perdida, ele aparentemente queria correr para os braços do pai mais do que tudo, mas eu não iria me afastar dele até ter certeza de que estava tudo bem. Então segui segurando Ian ao meu lado e lhe expliquei o que estava acontecendo.

—“Esse vampiro ao lado do seu pai é o Presidente, ou melhor... é o atual Imperador desse país.” Falei para Ian indicando o loiro ao lado do Sr. Shadowy, os dois seguiam nos olhando com muita atenção.

—“Pai... isso é verdade? Porque esse cara está do seu lado? Vocês não deveriam ser inimigos?” Ian se aconchegou mais para perto de mim e encarou o sujeito de longos cabelos loiros com desconfiança.

O Sr. Shadowy e o loiro se olharam e trocaram um sorriso cheio de significado.

—“O que você acha Uriel? Devemos contar a verdade pra eles?” Sr. Shadowy perguntou ao loiro ao qual se aproximou para brincar com seus longos cabelos dourados. Ele levou os fios ao rosto para sentir o cheiro, havia certa delicadeza e gentileza no toque, como se os dois tivessem uma grande estima um pelo outro, eles nem pareciam inimigos de guerra. O loiro por sua vez sorriu para ele com uma expressão que você só veria em amantes apaixonados... O que diabos está acontecendo aqui?

—“Por mim tudo bem, afinal nós temos todo o tempo do mundo e acho que eles merecem saber a verdade, não é?” O loiro que agora eu sabia que se chamava na verdade Uriel, respondeu com um sorriso cumplice ao Sr. Shadowy.

Os dois sorriram diabolicamente um para o outro, a criaturinha se ouriçou ao nosso lado, como se ela estivesse se preparando para um possível ataque. Acho que ela também podia sentir o perigo e a tensão no ar.

—“Que verdade? Do que vocês estão falando? O que está acontecendo?” Ian se desesperou e começou a ficar cada vez mais nervoso à medida que as perguntas se acumulavam.

—“Calma...” Pedi ao Ian ao abraça-lo para tentar mantê-lo ao meu lado em segurança, pois parecia que ele queria correr pra cima daqueles dois.

—“Isso mesmo, calma Ian, você não vai querer se estressar à toa... isso pode fazer mal para os bebês.” Disse o tal do Uriel que agora tinha um olhar sádico sobre o ventre de Ian.

—“Bebês?” Ian paralisou ao meu lado e levou as mãos sobre o ventre antes de me lançar um olhar assustado. Todos os pelos do meu corpo se arrepiaram e um frio passou por minha espinha, Ian estava carregando em seu ventre mais filhos meus e nós estávamos aqui de frente para esses seres poderosos e perigosos ao qual eu tinha certeza que não poderia enfrentar para defendê-los.

—“Não sei o que está acontecendo aqui, mas se vocês tem algo pra falar, falem de uma vez.” Leonard estufou o peito e se colocou na nossa frente, bem... na verdade ele se colocou na frente do Ian. Os dois seres poderosos o encararam por um momento, mas logo seus olhos vermelhos sangue voltaram a se fixar em Ian.

—“Calma, tudo ao seu tempo, afinal... essa é uma longa história.” Disse o Sr. Shadowy que seguia acariciando os longos cabelos de Uriel.

—“Estamos ouvido... aconselho que comecem a falar antes que eu perca a paciência.” A criaturinha os fitou atentamente e também se colocou na nossa frente e ao lado de Leonard. Ela parecia confiante e não demonstrava medo diante desses seres assustadores.

—“Ela é perfeita, não é?” O Sr. Shadowy perguntou animado ao Uriel, ambos não conseguiam parar de admirar a criaturinha e eu não sabia se isso era algo bom ou ruim.

—“Sim, você tinha razão em prosseguir com a experiência.” Disse Uriel que apontou com queixo para Ian e depois sorriu cruelmente para ele, Ian se agarrou a mim e tremeu levemente.

—“Experiência?... Tá falando do Ian? É assim que você chama o seu filho agora?” Questionei diretamente ao Sr. Shadowy, sinceramente eu estava começando a ficar com raiva da falta de explicações deles.

—“Acho que é melhor começar a contar toda a verdade, sentem-se, fiquem à vontade.” Disse Uriel que apontou para o sofá com uma falsa hospitalidade e um sorriso fingido. Ninguém moveu um músculo, ficamos todos de pé encarando essas criaturas à nossa frente.

—“Tudo começou há muito, muito, muito, muito tempo atrás mesmo.” Uriel ignorou a nossa teimosia em aceitar sua falsa gentileza e começou a falar enquanto andava de lado para o outro na nossa frente, mexendo em tudo que estava ao alcance de suas mãos.

—“Quando o mundo ainda era primitivo e os mamíferos ainda não haviam herdado esse mundo dos atualmente chamados... dinossauros, mas naquela época, nós os chamávamos de presas.” O Sr. Shadowy falou olhando as unhas impecáveis.

—“Está dizendo que vocês são tão velhos quanto os dinossauros?” Os encarei sem acreditar nisso.

—“Mais antigos do que eles na verdade.” Uriel contou animado enquanto brincava com um vaso antigo que encontrara.

—“...” Eu e Ian nos entreolhamos, um frio subiu pela minha espinha novamente. Com o que nós estávamos lidando? Esses seres são mesmo vampiros? De onde eles surgiram?

—“Da onde surgimos? Bem... essa é uma pergunta que cansamos de nos fazer. Nós até criamos inúmeras teorias sobre o nosso surgimento nesse mundo. Atribuímos isso até mesmo a seres celestiais como Deuses, mas no fim nos cansamos de tentar entender e simplesmente aceitamos o acaso da existência.” Disse Shadowy que provavelmente leu minha mente e captou essa pergunta não dita.

—“Erámos só nós dois desde o início.” Uriel sorriu para Shadowy, esses dois realmente pareciam amantes apaixonados.

—“Sim... o início foi mesmo bom, alternamos entre sermos inimigos jurados e amantes vorazes.” Shadowy sorriu de volta para Uriel e aí estava a minha confirmação, eles tinham um relacionamento amoroso... ou tiveram um em algum momento do passado.

—“Mas viver tanto tempo assim tem um problema.” Uriel largou o meu vaso no ar e o deixo se espatifar em mil pedaços no chão, não me importei com isso.

—“Sim, com o tempo tudo se torna entediante, tudo perde a graça.” Shadowy suspirou com um ar cansando e aborrecido, como se lembrasse de algo que lhe trazia sentimentos ruins.

—“Foi aí que resolvemos brincar de Deus...” Uriel falou com o sorriso mais diabólico que eu já vi alguém dar. Como alguém com um sorriso assim pode dizer que já tomou o papel de Deus?

—“Manipulamos geneticamente e forçamos uma evolução em uma espécie de macaco e foi daí que saiu o primeiro hominídeo. Ficamos contentes com a nossa nova criação, mas não paramos por aí.” Disse Shadowy que esfregavas as mãos de forma entusiasmada, ele obviamente se deleitava com a ideia de bancar Deus e criar coisas.

—“Continuamos forçando a evolução, criando vários tipos de espécimes diferentes, tais como Homo Habilis, Homo Erectus, Homo Neandertal até chegarmos aos Homo sapiens.” Uriel falou todo orgulhoso, ele seguia andando de um lado para o outro, isso estava me deixando nervoso.

—“Vocês criaram os humanos?” Leonard se admirou, bem... na verdade todos estávamos admirados, muitas perguntas sobre a evolução humana foi respondida aqui. Sem falar que agora eu sabia que o pai do Ian não era parente do vampiro original... talvez ele fosse o próprio... Ou talvez ele nem fosse um vampiro mesmo.

—“Sim, nós criamos os humanos... E foi muito divertido finalmente ter outros seres para interagir. Pela primeira vez na nossa existência tínhamos outros seres capazes de pensar e agir como nós. Não precisávamos mais depender um do outro para ter companhia.” Ao dizer isso, Shadowy voltou a acariciar os cabelos de Uriel com carinho.

—“Finalmente nos separamos e fomos... tentar viver normalmente.” Uriel fez um carinho no rosto de Shadowy como se pedisse desculpas por tê-lo deixado no passado.

—“Mas... é claro, com o tempo nos cansamos disso também. Apesar de termos vivido com diferentes humanos e termos presenciado o nascimento de diversas culturas, línguas e civilizações... tudo isso ficou chato e repetitivo com o tempo.” Shadowy quase choramingou ao contar isso, parecia que ele odiava isso de verdade.

—“Foi aí que resolvemos brincar de xadrez, usando os humanos como peças.” Uriel sorriu diabolicamente novamente, francamente eu já tinha percebido que ele era sádico, mas agora meus medos estavam ficando mais profundos.

—“Nós os influenciamos a guerras.” Shadowy contou isso com orgulho, como se ele se orgulhasse disso. Olhei para Ian, ele estava com os olhos cheios de lágrimas, mas acho que ele se recusava a dizer qualquer coisa, pois não queria acreditar que seu pai nem sempre foi um ser bom.

—“Toda grande guerra do passado ao qual você teve acesso em um livro de história... você pode apostar que teve dedo nosso no meio.” Uriel também parecia orgulhoso desse fato, era como se isso fosse uma conquista para os dois... ou até mesmo um programa divertido para casais.

—“Vamos dar um exemplo... a guerra de Troia contra Esparta por exemplo.” Disse Shadowy com um olhar saudosista.

—“Foi divertido convencer a Rainha Helena fugir com Páris e depois envenenar a mente do Rei Menelau para fazê-lo ir de atrás dela e iniciar uma guerra que durou quase 10 anos.” Uriel suspirou com a memória. Shadowy e Uriel sorriram um para outro cumplices.

—“No início a gente só assistia os humanos se matarem. Era divertido ver civilizações inteiras desmoronar da noite para o dia por causa da nossa influência.” Shadowy falou isso com prepotência, seu sorriso cruel fez Ian se agarrar mais forte em mim.

—“Mas depois começamos a tornar isso mais interessante... Apostávamos um contra o outro, tomando lados oposto e por vezes ajudando os humanos nas batalhas, só para tornar as coisas mais interessantes.” Uriel agora sorria abertamente, enquanto rodeava Shadowy lhe fazendo caricias sensuais.

—“Depois de um tempo começamos a participar ativamente das batalhas, nos misturando entre os humanos e tomando identidades diferentes ao longo da história.” Shadowy sorriu quando Uriel alisou seu peito e desfilou sensualmente em sua frente.

—“Por exemplo... eu fui o famoso Conde Drácula... ou o Conde Vlad Trepes, o empalador... como preferir me chamar.” Uriel sorriu com uma expressão doentia, também não era para menos, esse Conde fez fama por empalar as pessoas sem motivo algum e isso confirmava os meus medos mais ainda, ele era um grande sádico mesmo.

—“E eu fui Adolf Hitler em pessoa, matei milhares no Holocausto.” Shadowy mostrou pela primeira vez um sorriso assassino para nós, Ian tremeu diante desse sorriso.

Shadowy então começou a mudar de forma diante de nossos olhos. Ele se transformou no temido homem de bigode que todos odiavam. Era como ver uma imagem antiga do livro de história ganhando vida na minha frente, nesse momento eu estava encarando Adolf Hitler em carne e osso, mas logo Shadowy... se é que é esse seu nome de verdade mesmo, voltou à forma que nós conhecíamos. Aparentemente ele podia mudar sua aparência, talvez ele nem fosse assim de verdade e isso me dava mais medo.

—“Céus...” Ian quase caiu no choro ao meu lado, eu sentia meu corpo começar a tremer violentamente agora.

—“Eu amei ser o Jack, o estripador... Vamos lá, digam qualquer nome importante do passado, pode apostar que se não foi um de nós dois que o interpretou, foi um de nós que o criou.” Uriel se gabou disso como se fosse algo notável.

—“É claro que fomos até mesmo divindades... Mudamos de acordo com as crenças dos humanos, já fomos Deuses nórdicos como Odin, Deuses gregos com Zeus, Deuses egípcios com Rá entre outros... você pode dizer qualquer nome histórico, tanto os benevolentes como os malevolentes... Acredite, foi divertido fingir ser um Deus e fazer os humanos lutarem em nosso nome.” O sorriso de Uriel se ampliou.

—“Foi mesmo muito divertido brincar de tomar papéis importantes na história e batalhar.” Disse Shadowy alisando os cabelos negros pra trás.

—“Como agora, por exemplo, onde eu me tornei o Imperador e ele um mártir... Pode apostar que isso estará nos livros do futuro. Esses nomes que temos agora serão tão lembrados quanto os que vocês lembram agora.” Uriel se abraçou em Shadowy ao dizer isso.

—“Espera... está me dizendo que essa guerra que começou agora... é só mais um teatrinho de vocês?” Eu não podia acreditar nisso... eu não queria acreditar nisso e acho que Ian estava passando pelos mesmo sentimentos que eu, ele agora chorava ao ponto das lágrimas pingarem no chão.

—“Teatrinho? Cale-se garoto, ainda não chegamos na metade da história.” Uriel rosnou pra mim quando eu o interrompi e chamei sua brincadeira de teatrinho.

—“Obviamente nos cansamos da humanidade e resolvemos tentar criar uma nova espécie.” Shadowy ignorou o olhar mortal que Uriel me lançava e seguiu contando a história.

—“Injetamos nosso D.N.A em humanos e acabamos criando uma criatura que foi chamada de Súcubo. Essa criatura não era lá grande coisa, mas foi a primeira criatura além de nós dois a transformar os humanos em presas.” Shadowy contou orgulhoso de sua criação.

—“Os súcubos invadiam os quartos dos homens para transar com eles e roubar sua energia vital, ou seja, eles eram muito atraentes e usavam a arte da sedução para atrair suas vítimas. Pode se dizer que os vampiros atuais herdaram esse traço genético deles.” Uriel parou de me encarar mortalmente e voltou a contar a história deles com um sorriso sádico.

—“Forçamos a evolução nessa criatura, assim como fizemos com os hominídeos no passado.” Prossegui Shadowy.

—“E é claro que criamos diversas criaturas diferentes até chegar nos atuais vampiros.” Uriel procedeu e agora eu estava pasmo, eles realmente não eram vampiros, na verdade... eles criaram os vampiros.

—“Temos que ressaltar que no meio dessas criaturas, tínhamos um que os humanos chamavam de Ghouls, esses gostavam de se alimentar de carne humana e acredito que é dai que os mestiços tiraram o seu apetite por carne.” Shadowy encarou Ian ao contar esse fato.

—“Ah, os mestiços... tá aí algo que eu não esperava.” Uriel suspirou e também encarrou Ian com um olhar estranho, Ian tremeu.

—“Admito que nem eu esperava, mas foi incrível ver as criaturas (Humanos e Vampiros) se tornando criadores. Eu nunca imaginei que eles fossem cruzar e que uma nova raça fosse ser criada sem a nossa interferência.” Shadowy realmente parecia admirado ao admitir isso. E eu me senti mais orgulhoso de Ian, afinal ele pertencia à única espécie que não foi criada por esses seres.

—“Quando vimos a população mestiça crescer, não ficamos muito contentes, eles eram fracos e não tinham muita graça, eles tinham tudo que os humanos e vampiros possuíam, ou seja, eram uma raça inútil e sem importância.” Uriel fez uma careta de nojo.

—“Então acabamos com a espécie... não levem a mal, mas tínhamos a tendência de apagar as coisas mal feitas pelo caminho, tais como fizemos com o homem de neandertal e o súcubo que falamos.” Disse Shadowy dando de ombros como se não estivesse falando do extermínio de uma espécie inteira. Então foi isso que aconteceu com essas espécies? Eles não se extinguiram de forma natural como nas histórias, eles foram exterminados. Bem que o Dr. John havia me falando que os mestiços existiam há muito tempo, mas simplesmente sumiram do mapa.

—“Só as raças perfeitas tinham o direito de continuar.” Disse Shadowy com um ar narcisista.

—“Acabamos criando meio que por acaso uma espécie que os humanos chamavam de lobisomens.” Uriel contou isso sem muito ânimo.

—“Esses nós criamos para serem os inimigos mortais dos vampiros.” Shadowy resmungou irritado.

—“Imagina só... nós nos divertimos por milhares de anos, vendo humanos lutando contra humanos, então imagina o quão divertido seria ver uma guerra entre dois monstros?!” Uriel falou de modo sonhador.

—“Mas foi um completo fracasso. Não foi tudo aquilo que estávamos esperando... os lobisomens foram derrotados facilmente e nós os extinguimos em questão de anos, nem deu para me apegar a espécie.” Shadowy parecia irritado com isso, acho que ele não gosta de fracassos... as coisas que ele criava deviam ser perfeitas, isso explicava o porquê ele interpretou Hitler no passado.

—“Estávamos ficando sem novidades para manter nossa mente ocupada.” Uriel suspirou cansando.

—“Estávamos planejando uma nova guerra quando...” Shadowy contou animado.

—“Os vampiros destronaram os humanos e subiram no poder.” E Uriel terminou a frese por Shadowy.

—“Foi incrível ver isso... Os humanos ficaram por milhares de anos no topo do mundo, se achando os fodões e de repente... BAM... agora eles eram capachos, escravos e bichinhos. Foi aí que percebemos que os humanos já eram uma espécie ultrapassada e que deveriam ser apagados do mapa.” Disse Shadowy com um sorriso cruel, meus pelos estavam de pé novamente, não me diga que a extinção dos humanos foi planejada por eles... Que doentio!

—“Rapidamente nós nos misturamos entre os vampiros e tomamos identidades importantes.” Uriel apontou para si e para Shadowy, indicando suas identidades importes dessa época.

—“Decidimos encenar uma nova guerra, mas dessa vez seriamos os líderes e lutaríamos um contra o outro.” Shadowy voltou a alisar os cabelos de Uriel.

—“Eu seria o Imperador.” Uriel alisou a túnica sedosa.

—“E eu o homem do povo que os levaria a uma revolta.” Shadowy fez uma reverência a nós como um ator agradecendo a plateia.

—“Então... você nunca teve a intenção de fazer isso pela liberdade dos humanos? Pela liberdade do seu filho e neta?” Encarrei Shadowy com raiva, eu me indignei com tudo isso, eu passei tanto tempo acreditando nesse... nesse ser desprezível, eu passei anos louvando ele como um grande vampiro e agora me sinto traído.

—“Bem... eu ainda não acabei a história... Planejamos essa guerra há mais de mil anos atrás e passamos décadas e mais décadas encenando esse papel, preparando o terreno, fazendo os humanos chegaram ao limite da total extinção, criando diferenças de status, injustiças e um monte de outras coisas para criar ódio e revolta entre os vampiros, para então darmos início a essa batalha.” Disse Shadowy todo orgulhoso e uma raiva inflamou no meu peito, então foram eles que fizeram todo esse desiquilíbrio social e injustiça no mundo? Só porque eles estavam entediados? Eu passei fome... eu passei frio... meu pai morreu e milhares sofreram por culpa deles?

—“Mas... como nós pretendíamos nos livrar dos humanos, alguma presa tinha que substitui-los, foi aí que resolvemos deixar os mestiços voltar a nascer, mas os mantivemos ilegais por décadas com a intenção de estuda-los mais um pouco e foi aí que eu pensei...” Shadowy seguiu falando alheio a minha raiva em ebulição.

—“Os vampiros e os humanos cruzaram e criaram uma nova espécie... então, porque eu não tentava fazer o mesmo?” Shadowy se questionou passando os dedos pelos cabelos negros.

—“Até então nós nunca havíamos tentado criar uma nova raça dessa maneira... Ou seja, nunca cruzamos com seres de outras espécies, então... o que será que aconteceria se tentássemos?” Shadowy seguia falando, mas agora Ian chorava pra valer agarrando em mim, o coitado sempre acreditou que foi feito com amor por seus pais, mas agora ele sabe que não passa de uma experiência, o abracei para consola-lo.

—“Sim, tentar cruzar com os humanos era um plano interessante e já estava mais do que na hora de criar uma nova raça que poderia bater de frente com os vampiros... Nós queríamos uma raça que diferente dos fracassados lobisomens, pudesse por fim colocar os vampiros no mesmo lugar que os humanos estavam atualmente, sendo escravos sexuais e banco de sague ambulante.” Uriel esfregou as mãos entusiasmado com a ideia. Admito que seria um castigo merecido para os vampiros tomar o lugar dos humanos, mas isso estava errado, ninguém deveria ser escravo de ninguém... essas injustiças que esses monstros criaram deviam acabar.

—“Nós queríamos o ser perfeito e poderoso.” Agora Shadowy encarava a criaturinha com cobiça, eu rapidamente a puxei para mais perto de nós.

—“Então lá fui eu tentar engravidar uma humana...” Shadowy prosseguiu ignorando os olhares assassinos que eu Ian estávamos jogando pra cima dele por cobiçar a nossa filha.

—“Mas nunca dava certo.” Uriel bufou irritado.

—“Sim, os bebês eram fortes demais para as mães aguentarem até o fim da gestação, geralmente os bebês matavam as mães antes mesmo de terem idade o suficiente para sobreviver nesse mundo.” Shadowy suspirou consternado... Droga, quantas humanas ele matou durante essas tentativas? Não quero nem pensar.

—“Mas eu nunca desisti e fiquei por mais de 30 anos tentando, até que finalmente após muitos testes, eu consegui.” Shadowy encarou Ian ao dizer isso, Ian se agarrou mais forte em mim, mais um pouco e ele quebraria os meus ossos me apertado assim, mas eu não o culpava por estar com medo, eu também estava.

—“Você nasceu, mas era muito fraco por causa dos inúmeros experimentos que fiz em você durante a gestação para que você não matasse a sua mãe e nascesse no tempo certo.” Shadowy lançou ao Ian um olhar fulminante e furioso, dava pra ver que ele odiava o Ian por ser fraco, afinal... Shadowy odeia fracassos.

—“Você era como um mestiço comum... pensei até em te descartar, afinal, como eu já disse... eu não gosto de deixar os seres imperfeitos vagando por aí. Mas por curiosidade, eu decidi seguir te estudando... vai que você me desse a chave de como criar um novo ser poderoso... e você me deu.” Shadowy voltou a encarar a criaturinha, mas dessa vez seu olhar brilhava com orgulho.

—“E eu passei a fazer testes e experiências com os mestiços nos meus laboratórios do governo.” Uriel contou dando de ombros. Eu nem quero imaginar os tipos de testes que esse sádico fazia nos mestiços de seu laboratório.

—“Então... tudo isso foi uma mentira... você nunca me amou?” Ian soluçou em meio à pergunta.

—“Espera... isso tá muito estranho... quando eu fui te visitar na cadeia, você parecia triste ao pensar que seu filho tinha morrido, mas quando eu falei o nome do Ian, você...” Comecei a procurar furos no meio da história de Shadowy, porque eu não queria e não podia acreditar nessa história.

—“Ora... tudo aquilo foi encenação, estávamos dando início a essa batalha que tanto planejamos. Eu tive até que hipnotizar um vampiro qualquer há mais de setecentos anos atrás para fazê-lo acreditar que era meu irmão e o fiz acreditar nisso por todo esse tempo... para que agora ele me entregasse às autoridades ao cobiçar os meus bens. Meu plano era ficar preso e fingir sofrer na cadeia, sabe como é... as pessoas se identificam com alguém que sofreu nas mãos opressoras e conseguiu fugir para guiar o povo à liberdade... mas aí você me apareceu com esse presente.” Shadowy se explicou e apoutou para a criaturinha ao falar do presente. E eu não podia acreditar que até o odiado tio do Ian que acreditávamos ter traído o Sr. Shadowy e entregado Ian ao leilão... era na verdade só mais um inocente que fora manipulado por esse monstro para trazer uma nova guerra a essa mundo.

—“Quando vi na sua mente que Ian estava esperando um bebê forte, eu logo me animei, pois essa era a minha nova chance.” Shadowy sorriu para a criaturinha, ela não se abalou.

—“Mas... mas... você me salvou...” Eu segui procurando provas de que o Shadowy fosse bom de alguma maneira, eu estava mais desesperado do que o Ian para provar a inocência desse monstro.

—“Salvei? Hahahaha... Isso também fazia parte do disfarce, sabe... Defender os fracos e oprimidos e atacar os Condes poderosos era parte do processo de criação desse personagem benevolente e caridoso que criei. Eu estava passando por perto daquela festa quando vi o que estavam fazendo com você e vi ali a oportunidade de atuar.” Shadowy deu de ombros como se isso não significasse nada pra ele. Agora meu mundo estava desmoronando, eu passei anos endeusando ele por ter me salvado aquela noite na festa e até aquilo foi uma mentira... era apenas um teatro.

—“Mas... você me deu um pouco de poder.” Não sei por que eu ainda tentava achar algo de bom nele... talvez fosse porque é difícil acreditar que seu ídolo é uma farsa.

—“Fiz isso para garantir que você defenderia a minha nova experiência enquanto eu brincava de batalha com Uriel.” Shadowy fez carinho no rosto de Uriel ao dizer isso.

—“Como vocês nos encontram?” A criaturinha interrompeu a nossa conversa e perguntou isso séria.

—“Foi fácil... ficamos sabendo de cidades que desaparecera da noite para o dia sem deixar rastros, todas elas nessa redondeza. Como não estávamos mandando muitas tropas pra cá, tirei a conclusão que a nossa nova experiência estava... se divertido um pouco, não é?” Shadowy sorriu para a criaturinha ao questionar isso.

—“Droga... eu os trouxe até aqui então?... Hehehe que idiota eu fui.” A criaturinha falou isso com um sorriso sacana, ela não parecia afetada diante desses seres, mas só agora a minha ficha estava caindo, eles insinuaram que ela destruiu cidades inteiras e ela não se defendeu da acusação, então...

—“Sophia...” Ian também estava passando pelo choque de descobrir algo assim.

—“Do que é que você está falando?” Ian perguntou a Shadowy como se quisesse que ele explicasse melhor a situação, mas eu já sabia que isso não era um engano, afinal eu já vi o que a criaturinha é capaz de fazer, mas eu não me importava com isso, pra mim ela segue sendo a minha filha, independente do que ela faz.

—“Então... vocês estão aqui atrás de mim?... Eu sou o novo brinquedinho de vocês, é isso?” A criaturinha os questionou calmamente, mas meu coração acelerou, eu não ia deixar eles levarem ela nem por cima do meu cadáver.

—“Bem... na verdade, eu vim aqui por você sim, eu tenho planos de te estudar e fazer testes com você, mas...” Disse Shadowy olhando para a criaturinha com curiosidade.

—“Mas EU vim aqui pegar o Ian.” Disse Uriel completando a frase de Shadowy.

—“O quê?” O encarrei com raiva e me coloquei na frente de Ian protetoramente.

—“Isso mesmo, eu vim aqui pegar o meu novo... reprodutor. Conversei com o Shad aqui e ele concordou que eu deveria ter esse papel na criação da nova espécie, afinal ele já criou o reprodutor, então por segurança ele não pode se reproduzir com o Ian, pois os bebês poderiam nascer com algum problema genético. Então se prepare, pois eu planejo ter muitos bebês com você, Ian... eu quero criar muitos seres dessa nova espécie.” Uriel olhou diretamente para Ian que estava ficando mais tremulo a cada palavra dele.

—“Seph...” Ian se agarrou em mim em pânico, como se pedisse desesperadamente socorro, uma de suas mãos protegia o ventre.

—“Ah, não se preocupe meu querido, não farei nada contra esses bebês que você está carregando agora, afinal quanto mais bebês você tiver sem ligação consanguínea comigo, mais reprodutores eu terei no futuro para cruzar e popular a terra com essa espécie.” Uriel sorriu para Ian... Espera!... O QUÊ ELE DISSE?

—“Terei muitos filhotes com você e assim que você não aguentar mais, terei filhotes com seus filhotes.” Uriel agora olhava diretamente para o ventre de Ian, eu queria poder esconder Ian do olhar nojento dele.

—“Vai sonhando... você não vai tocar no Ian e nos meus filhos.” Estufei meu peito e o encarrei com raiva.

—“E quem vai nos impedir?” Shadowy sorriu ao questionar.

—“Sabe vovô... por mais que eu até compactue com suas ideologias, eu não estou muito a fim de ser sua experiência e nem quero me relacionar com esse sujeito aí... então, eu sugiro que vocês deem o fora daqui antes que vocês acabem apanhando de um bebê.” A criaturinha tomou a frente em posição de ataque, ela pretendia enfrentá-los, meu sangue gelou ao imaginar isso.

Notas finais
Shadowy finalmente revelou quem ele é de verdade e falou de suas intenções e planos. E esse tal de Uriel planeja pegar Ian e forçá-lo a se reproduzir com ele. Mas parece que Sebastian pretende enfrentar esses seres poderosos sozinho. Será que ele tem tal capacidade e poder? Será que ele irá conseguir? Ou será que estão todos perdidos nas mãos desses monstros? Não percam no próximo capítulo.