Sangue nas Mãos, Zumbis na Terra
22 Largados ao desespero
Notas iniciais
Maya- Quem gritou?! — procurava com o olhar o som.
Toshio- Dave, calma cara! — tentava acalmar o ex- bombeiro.
Dave- Me soltem!!! Quero a minha mulher, e quero agora!! — gritava impaciente.
- Isso é impossível. — permanecia frio, sua voz saía sem sentimentos. — Alguns membros, gostam de mulheres mais formosas, precisamos satisfazer nossas vontades também.
O grupo se entreolhou com nojo, suas expressões eram de total desprezo ao homem de meia-idade. O mesmo fechou as celas do cárcere, e saiu cavalgando novamente.
Maya- Eles querem a-abusar... Dos nossos companheiros?! — seus olhos estavam fixos em um ponto do chão.
Leon- A Azami não sabe lidar com essas coisas! — preocupava-se.
Dave- Eu... Eu só quero minha esposa! — pôs-se a chorar, entre as lágrimas derramadas havia soluços e fungadas.
Riko- Precisamos reverter essa situação. — disse objetiva.
-X-
O homem de antes, voltou para o celeiro onde deixou seu animal e seguiu para a casa de Brülhart. Ele sorria, esperando chegar sua vez, com as adoráveis moças. Pois era isso que queriam, apenas usá-las como objetos sexuais.
O grupo de restauradores de obra antigas, era composto por três homens de idade um pouco mais avançada, e todos pervertidamente loucos por mulheres.
Depois de todo o ocorrido com a vacina GNM, o grupo de trabalhadores ficaram presos a essa cidade fantasma, onde obedecem a August Brülhart.
Sr. Jones, ou simplesmente Jones era o policial dali. Ex-capitão da Polícia Federal, acabou se vendo preso a esse lugar depois de não conseguir uma transferência de área de patrulha.
Levaram o grupo como reféns, exceto as mulheres, que seriam usadas.
Jones- Nosako? — chegou batendo a poeira das calças. — Prepararam elas?
Nosako- Tem uma que não se comporta... — apontou para Beth. — E outra, que me olha estranho! — era Azami de quem falou. Ambas estendidas no chão.
Wally e Gabe estavam numa cela com grades, em suas bocas haviam amarras e eles estavam ali para ver tudo.
Akio- Se o velho visse isso, estaríamos perdidos! — todos os restauradores eram de idade avançada, tinham olhares mortos e sem vida. — Nunca nos deixaria se divertir um pouco... — suas mãos corriam pelo corpo da esposa do bombeiro, que se remexia com repulsa por ser tocada por alguém assim.
Jones- Tem um bombeiro lá nos cárseres. Quando uma delas gritou, ele chamou por Beth. — desabotoava sua camisa.
Nosako- Sorte, que somos em três. Se os desgraçados do nosso antigo grupo ainda estivessem vivos, iriam acusar isso como "pecado". — seu cinto era afrouxado conforme falava.
Akio- Qual delas primeiro?! — um sorriso porco se formava em seus lábios.
-X-
A outra parte da equipe, continuara presa, mantendo o foco em sair dali.
No momento, tentavam usar a força bruta para quebrar as celas. Era ferro, mas suas grades não eram grossas, facilitando serem extorquidas.
Dave fazia papel de desesperado, uma vez que ouvira sua mulher gritando. Os homens, e até Maya e Riko contavam e corriam em direção a cela forçando suas barras com o ombro.
Tanto forçaram, que umas duas barras se entortou por serem velhas e enferrujadas, tendo espaço suficiente para uma pessoa pequena passar por lá, esse era Rin.
Maya- Escuta aqui, seu pivete! — falava sério. — Você vai procurar a chave por aqui, e voltar. E voltar! Entendeu?!
Riko- Deixa o garoto! Ele vai conseguir com certeza!
Leon- Eu sei que cada um tem sua opinião, mas antes de discutirmos isso, teremos que sair daqui! — colocava ordem na situação.
O menino assentiu todas as informações, e seguiu passando entre as barras entortadas. Andou um pouco pelo porão sujo, ignorando seu medo interno, afinal, ainda era uma criança.As luzes eram baixas e algumas lâmpadas piscavam, ou simplesmente estavam apagadas escurecendo trechos do corredor.
Logo depois de subir um lance de escada, chegou em uma sala. Havia uma escrivaninha supostamente antiga, assim como toda decoração do local, e sobre ela, um molho de chaves refletia o brilho da luz. Não hesitou em apanhá-lo. Refez todo seu caminho percorrido, voltando aos cárceres bem.
Dave- Ele voltou Maya! — aliviou-se.
Maya- Meu garotinho!! — afagou o cabelo negro do irmão de dentro da cela.
Toshio- Certo, tem saída aqui Rin?
Rin- Hum... — pensou abrindo o cárcere. — Saindo daqui, tem um corredor, que nos leva à uma sala velha. Depois disso, não vi ainda!
Leon- Está ótimo! — atravessava a porta agora aberta da sala.
Correram apressados pelo corredor pouco iluminado, cada passada aumentava seus batimentos cardíacos, e acendia a esperança de encontrar o resto do pessoal vivos.
Ao chegarem na sala, encontraram uma porta escondida pela cortina. Rin não tivera visto, pois estava coberta por um grosso pano empoeirado. Abriram-na com as chaves, e saíram de volta a rua da cidade.
Maya- Por onde?! — tinha sua espingarda em mãos.
Toshio- Aquela casa, tem luzes acesas! — apontou sua direção.
Corriam arrumando e recarregando seus armamentos, mas foram impedidos por mais um grito.
Dave- É a Beth! — virou-se bruscamente para o lado contrário.
Maya- Acho que o grito veio de lá! — pôs-se a correr novamente.
Leon- Mas e se... — não pode terminar sua pronunciação, e foi empurrado por Toshio.
Seguiam uma nova rota, procuravam frenéticos um sinal de habitação em qualquer das casas.
Viram uma varanda com portões abertos. Claro que verificariam. A moradia teve sua porta arrombada, mas nenhum sinal de Beth ou os outros por lá.
Enquanto corriam na rua, encontraram um cavalo com rédeas e cela, preso a uma cerca. Mais uma vez arrombaram. Dessa vez, seus barulhos fizeram efeito.
-X-
Akio- Alguém está lá em cima!! — esbravejou saindo de cima de Beth.
Nosako- Merda! Ainda não chegou minha vez!! — levou um murro no braço por falar alto.
Jones- Seu inútil, fala baixo! — cochichou.
Gabe e Wally assistiam tudo calados e horrorizados. Ao ouvirem os sons de passos pesando sobre o assoalho, resmungaram e fizeram o possível para que seus gemidos fossem ouvidos.
Nosako- Seus putos, calem a boca! — seu tom saia em um baixo temível.
Continuaram. Agora batiam seus pés contra o chão de madeira, fazendo mais barulho para chamar atenção.
Jones- Deixa eles comigo. — resgatou uma faca de dentro de seu uniforme. Sobre essa sala, estavam o restante da equipe.
Maya- Lá embaixo! Ouviram? — procurava algo com o olhar.
Toshio- Eu ouvi! Será que estão presos?
Dave- Beth!!! — gritou chamando a esposa.
Rin- Achei uma porta! — falou vindo da cozinha.
O menino de tapa olho mostrou o caminho até a porta. Ao chegarem, viram ser uma escada direcionada para baixo, não hesitaram em descê-la.
Era terrível. Como algo assim poderia ter ocorrido embaixo de seus narizes?
Beth estava largada no chão, completamente nua. Seu olhar tinha a falta de esperança, e por seus olhos escorriam intermináveis lágrimas dolorosas. Psico era vestida por apenas seu short desfiado e sua camisa cortada do Nirvana. Em seu busto e suas coxas, haviam marcas vermelhas como se tivessem sido apertados ou sugados. O que mais lhe intrigavam, era o porque a mesma não reagira, já que não estava presa a nenhum tipo de amarras.
Três homens com pouca roupa, estavam reunidos no fundo da sala, atrás de uma cela. Escondiam algo em uma roda, e gemidos desesperados vinham de lá.
Maya- Seus desgraçados!! — mirou a espingarda na cabeça de um, e apertou o gatilho sem esperar menos.
O tiro acertou Akio, que caiu com o crânio estourado no chão. Finalmente os homens se deram conta com quem estavam lidando, Jones se virou com a faca ensanguentada em mãos.
Os três haviam os torturado com cortes superficiais. O olhar de Nosako era demoníaco, e queimava em ódio.
Nosako- Vocês ma-mataram e-ele? — sussurrou nervoso.
Toshio- Vamos te matar também se não calar essa sua boca suja! — uma flecha era apontada pra sua cabeça.
Jones largou a faca em seu pé, mostrando rendimento. Leon foi até eles, onde liberou Gabe e Wally, e limpou seus ferimentos.
Maya continou apontando para os dois.
Dave- Querida... Calma, vai ficar tudo bem! — a cobria com sua blusa, e a abraçava chorando junto.
Azami continuara imóvel. Não se mexera desde que chegaram para salvá-las. Algo a acertou profundamente.
Gabe- Ela está bem? — se aproximou do irmão.
Dave- Não para de chorar... — comentou baixo. — Você viu tudo, não é? — sentiu o mais novo balançar a cabeça positivamente. — Você sempre cuida melhor dela que eu, o que aconteceu? — alterou o tom de voz.
Gabe- Estava amarrado! Não tinha o que fazer. — se mantinha firme.
Dave- A culpa... É sua! Devia ter feito algo!! — exaltou-se, já havia passado de seus limites.
Gabe- Como?! Nem você que é o marido conseguiu ajudar ela! — igualou sua voz.
Dave- Ainda sim, culpa é sua!! — encarava furiosamente Gabe.
Maya- Fiquem quietos! A culpa não é de ninguém! Se for pra ser de alguém, é desses... — havia se descuidado prestando atenção na discussão dos irmãos, e esqueceu de olhar os restauradores. — Cadê eles? — indagou assustada.
Por um momento, o desespero tomou conta de seus olhares assustados de novo. Durou pouco, já que os homens surgiram esfaqueando Dave. Beth estava em seu colo, pode sentir o pulmão do marido sendo perfurado em segundos. Sua boca escorria sangue e mais uma vez a mulher se pôs a berrar, soluçando e chorando em vão, perdendo Dave a cada instante em seus próprios braços.
Depois que os dois restauradores reapareceram, foram aniquilados, levaram desde flechadas á tiros por toda a extensão do corpo.
Beth- Eu quero ele de volta!! Meu... Marido! — Gabe a segurava forte, a afastando do corpo morto do marido.
-X-
Muitas coisas aconteceram em poucos minutos de uma noite. O grupo estava arrasado. Uma mulher brutalmente violentada, um grande homem morto em vão. E o que mais lhes incomodavam, era o fato de terem matado vivos, num mundo em que isso está em extinção.
Riko- Beth... Você está bem? Precisa que eu te ajude em algo? — era gentil.
Beth- Você pode trazer meu marido de volta? — perguntou grossa.
Riko- Não... — como resposta teve um olhar frio da mulher.
Azami parecia estar traumatizada, suas lembranças mais dolorosas haviam sido trazidas à tona com os toques explícitos que recebera e tudo que assistiu.
Seu amigo médico estava realmente preocupado, nunca a vira num estado tão crítico, mesmo sabendo que fora apenas um grande choque reviver tudo o que mais queria esquecer.
Leon- Arruma aquele sofá, Wally. — carregava psico, sendo incapaz de preparar um local para deitar a moça.
Wally- Deixa comigo. — puxou um sofá da mesma casa que estavam.
Leon a colocou ali, deitando-a com a cabeça em seu colo. Seus olhos escuros permaneciam abertos, parecendo estar em algum tipo de hipnose ou transe. O amigo acariciou seu cabelo castanho, e tirou sua franja do rosto, mostrando toda sua face porcelana.
Maya- Ela vai ficar bem? — sentou-se no braço do sofá.
Leon- Claro que vai. — disse esperançoso. — É apenas uma fase ruim, por onde teve que passar...
-X-
Riko- Não deveríamos "terminar" de matar Dave e os outros caras por segurança? — falava baixo para que Beth não escutasse da sala.
Wally- Verdade, vai que ele... — parou propositalmente, deixando a dúvida no ar.
Toshio- Isso não funciona mais.
Leon- Como assim? — questionou. — Lembra daquela velha na fábrica? Tivemos que matá-la pra não virar... — acabara de voltar e já entrara no assunto.
Maya- Que eu saiba, o vírus só é transmitido pela vacina!
Toshio- Se acalmem, porra! — somente ele estava nervoso. — Eu li coisinhas extras no laboratório, e além disso, não se esqueçam que sou filho de Van Takasha...
Riko- Dr. Takasha? Tipo, o criador da vacina? — assustou-se.
Wally- Caralho!
Maya- É! Agora calem a boca, e deixem ele continuar...
Toshio- Obrigado. — continuou. — Primeiramente, o vírus era transmitido somente via vacina ou mordidas. Todavia, os componentes da vacina eram inúmeras doenças e venenos que matavam uma pessoa em horas. Muitas dessas doenças eram transmitidas pelo ar, e como sofriam mutações por estarem justamente em corpos mortos eram passadas infectadas, ficavam presas em nossos corpos só esperando morrermos para se ativarem.
Leon- Você quer dizer que, depois do V8 o vírus não pode mais ser transmitido, por ser um chip mais moderno, e com isso novas atualizações o impedem?
Maya- Acho que, ele não transmite mais doenças, assim se morrermos não viramos zumbis.
Riko- Resumindo, sendo mordido ou arranhado, partículas do chip ainda serão transportadas para nosso sangue. E a Azami foi louca por sair da floresta sem proteção, correndo risco de ser infectada? — sua pergunta fez todos pensarem ao mesmo tempo, mas chegaram a uma mesma solução.
Sim. Ninguém estaria salvo de verdade como pensavam, só não voltariam a vida, caso morressem.
Gabe se castigava em um canto, tinha dúvidas em mente, seria ele o verdadeiro culpado pelo estrupo de Beth ou até mesmo pela morte prematura do irmão mais velho?
To be continued.
Notas finais
Bem, no capítulo passado eu não tinha explicado uma coisa sobre o "como virar zumbi" daqui... E uma leitora me cobrou isso, (achei super legal da parte dela u.ú), por isso, esse finalzinho meio mole foi só teórico e tals.
Comentem o que acharam, okay? Dúvidas, por favor me comuniquem também, e ideias são sempre bem vindas o/
E pra fazer a vontade de outra leitora, perceberam o quanto a Maya agiu mais??! u____u
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