Sangue e Diamante
2 Boa Noite!
Notas iniciais
Quando Gajeel abriu o olhos o céu já estava a escurecer, Levy continuava aninhada contra si. Olhou para ela, os cabelos azuis espalhados pelo peito dele, os olhos fechados e a pequena mão pousada no peito dele.Voltou a olhar para o céu... Perguntou-se o que deveria fazer, sabia que não devia aproximar-se dela, não a devia ter abraçado e simplesmente não devia sentir aquele prazer de acordar com ela nos braços... Mas nunca se sentira assim em toda a sua vida, tivera várias mulheres, podia dizer que talvez tivesse gostado de algumas, mas nenhuma o fez sentir daquela maneira. Com Levy a seu lado sentia-se uma pessoa melhor, como se aqueles olhos cor de avelã o pudessem limpar de todos os pecados, "E não são nada poucos!" — pensou. Imaginou como seria a sua vida se não fosse um Dragon Slayer mas rapidamente afastou esse pensamento, não podia imaginar-se sem Metalicana e tudo aquilo que ele representava, precisa da sua magia para proteger os seus amigos...e a ela...iria aos confins do inferno por ela. Queria faze-la feliz, não queria voltar a magoa-la, queria protege-la, queria ama-la...mas não o podia fazer ou podia?
– Em que estas tu a pensar tão concentradamente? — perguntou ela antes de ele ter tempo para concluir os seus pensamentos. Assustado com o despertar dela levantou-se levando-a consigo e retirando o braço de volta dela. Pelo canto do olho podia jurar que a viu fazer beicinho, mas devia estar a imaginar coisas.
– Já esta a anoitecer?? — disse Levy olhando para o céu. — Só espero que não estejam preocupados conosco! Então Gajeel em que estavas a pensar. — perguntou olhando de novo pra ele.
Mas ele não respondeu, olhava para o lado e castigava-se mentalmente pelo que tinha feito. Levy via que ele não estava bem, o rosto estava fechado, recusava-se a olhar pra ela e tinha os braços fortemente cruzados na frente do peito como se estivesse a tentar segurar-se a ele próprio. Sentiu-se triste por ele estar assim, seria culpa dela?, talvez não devesse ter adormecido encostada a ele, talvez ele estivesse chateado com ela, pensou que ele não se importara porque a abraçara, mas ele estava a dormir, talvez ao despertar não tenha gostado de a ter visto tão perto dele, com certeza ele não sentisse por ela o que ela sentiu por ele... A mente dela viajava por mil razões pelas quais ele estava chateado com ela, apertou as mãos no colo e baixou a cabeça, as lágrimas começaram a correr antes que tivesse tempo de as parar.
– Desculpa Gajeel, não queria deixar-te desconfortável — disse abraçando o seu livro — não voltará a acontecer. — e virando as costas afastou-se em direção às arvores.
Ele foi apanhado de surpresa com aquela reacção. O que é que se tinha passado, porque é que ela estava a chorar e porque é que estava a pedir desculpas. Algo lhe dizia que a culpa era sua, tinha-a feito chorar novamente e não tinha a mínima ideia da razão. Correu atrás dela, pegando-lhe no pulso fê-la virar-se para ele.
– Baixinha, porque é que estas a chorar?
– Porque... me aprovei.. tei de ti. — disse entre soluços.
Aquelas palavras soaram estranhamente engraçadas aos ouvidos de Gajeel e antes que pudesse controlar-se soltou uma gargalhada puxando-a para o seu abraço.
– Eu acho que foi mais ao contrario, baixinha. — sussurrou ele.
– Não estás chateado comigo?? — perguntou ela.
– Porque é que havia de estar?
– Estas sempre a afastar-me, talvez não sintas o mesmo que eu.
Gajeel estremeceu, "Ela acabou de dizer que sente algo por mim?", pensou. Afastou-se um pouco para poder olha-la nos olhos mas sem a largar, gostava de a ter nos braços.
– Ainda não me esqueci daquilo que te fiz!!
Levy sabia ao que ele se referia, mas a verdade era que já raramente pensava nisso, ele já lhe tinha provado vezes sem conta que já não era a mesma pessoa.
– Todos cometemos erros... E quantas vezes é que já me salvaste a vida??? Não podes castigar-te eternamente pelos erros que fizeste no passado.
– Isso quer dizer que me perdoas?
– Não... — Gajeel já esperava aquela resposta — Eu já te perdoei à muito tempo atrás, assim como toda a gente na Guild. Quer dizer que esta na hora de te perdoares a ti próprio.
Ele voltou a olha-la nos olhos, sentia-se feliz, mas ao mesmo tempo triste, não queria desaponta-la e principalmente não queria magoa-la.
– Se me disseres o que estas a pensar talvez eu possa ajudar-te. — disse ela como que lendo-lhe os pensamentos. Ele libertou-a do seu abraço mas continuou a segurar-lhe a mão.
– Eu só não quero magoar-te, baixinha.
– Tu falas como se eu fosse uma bonequinha de porcelana sempre pronta a partir — suspirou ela, — posso não ser tão forte como vocês Dragon Slayers, nunca o serei, mas sei tomar conta de mim. Gostava que tivessem um pouco de fé em mim...
Levy disse estas palavras com tristeza, queria mostrar-lhe o que valia, queria ser mais forte, queria que ele a visse como alguém que o podia acompanhar nas suas missões, queria ser uma parte essencial da vida dele. E por mais estranho que pareça Gajeel entendeu isso, sabia o que era querer ser reconhecido pelo seu valor e não por aquilo que o exterior mostrava dele.
– Tens razão baixinha! Tenho de ter mais fé em ti... Amanha vou começar a treinar-te.
Levy olhou-o confusa, não esperava que ele cede-se tão facilmente... Em Tenroujima tinha-a tratado como se ela fosse frágil demais para se tornar uma Maga de classe S, mas ali estavam eles 7 anos depois, poucas semanas depois de terem regressado... ele estava finalmente a reconhece-la. Sorriu-lhe.
Por alguns segundos ficaram a olhar um para o outro, finalmente Levy estendeu os braços e agarrou Gajeel pela cintura encostando a cabeça ao peito dele, o topo da cabeça dela ficava a alguns centímetros do queixo dele.
–Baixinha devíamos voltar, devem estar preocupados contigo!!!
–Não...ainda não...vamos ficar só mais um bocadinho.
Gajeel não a largou e ela aceitou isso como concordância, ficaram ali abraçados debaixo da lua durante alguns minutos até que ele afastou o corpo ligeiramente do dela.
–Temos mesmo de ir, baixinha! — Gajeel pegou-lhe na mão e começaram a encaminhar-se para casa.
–Sempre imaginei que as tuas mãos fossem ásperas e frias como o metal! — disse ela pegando-lhe na mão enquanto caminhavam e observando-lhe a palma. Ele olhou para ela com uma sobrancelha erguida.
–Querias tanto assim que te tocasse??? — troçou ele. Ela corou.
–Não era isso que eu queria dizer... Esquece! Gosto que sejas suave... — comentou sorrindo.
O resto do caminho foi preenchido por conversas dos mais variados temas, eventualmente chegaram a Fairy Hills, Levy virou-se para Gajeel e sorriu-lhe.
–Amanha começamos a treinar... — disse ele cruzando os braços e olhando para ela com ar severo.
–O..O..KAY! — gaguejou ela. "Ele estava a falar a serio?" — pensou.
–E vais-te esforçar!
–Sim?!
–Ótimo! Boa Noite Baixinha!
–Boa Noite Gajeel!
Ele virou-se e começou a afastar-se, ela deu dois passos em frente e puxou-lhe o pulso fazendo-o virar-se para ela com um olhar interrogativo, Levy sorriu, deu um saltinho e depositou-lhe um beijo na bochecha, virou-lhe as costas e entrou, seguindo para o seu quarto, sentia-se nas nuvens, estava tão despassarada que tropeçou na mesinha da entrada fazendo-a tombar e provocando um estrondo, imediatamente três cabeças espreitaram de dentro da sala comum, Erza, Cana e Juvia. Tentou esconder o sorriso mas era impossível.
–Levy por onde andaste até esta hora, estávamos a ficar preocupadas! — interrogou Erza.
–E porque é que estas com esse sorriso parvo na cara? — perguntou Cana. — Não foste beber sem mim pois não??
–Não, eu estou bem!! Apeteceu-me passear até mais tarde. — disse tentando passar por elas o mais rápido possível, não lhes queria contar nada, queria guardar aquele momento só pra si... — Estou cansada, vou dormir.
–Juvia acha isto muito estranho, Levy.chan nunca se atrasa!!!
Levy entrou no quarto, fechou a porta e riu. Podia ser estupido sentir-se tão feliz por causa de algo tão simples, mas sabia que tinha sido um passo muito grande. Sentia-se feliz. Sentia-se apaixonada.Olhou para a foto que tinha na sua mesinha de cabeceira onde se viam duas meninas de cabelo azul e olhos cor de avelã e quase jurou que a irmã lhe piscara o olho.
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