Sangue de lobo

6 Revelações complicadas


Notas iniciais
obrigado por estar lendo minha fic. neste capitulo eu usarei dois pontos de vista diferentes: o de Grace e o de Nicholas ambos em terceira pessoa. leia as notas finais. passei para primeira pessoa devido aos pedidos de alguém

Saí da sede com a mochila nas costas e fui andando até a casa de meu tio. Ao chegar Caleb já estava me esperando na varanda, reparei de longe que havia olheiras nos olhos de meu primo, quase imperceptíveis, mas para alguém que o conhece dês de que nasceu seria fácil identificar qualquer mudança de aparência. Bi e balancei a cabeça perdido em meus pensamentos

— Bom dia Caleb, ta preparado para o primeiro dia de aula na nova escola?

— Nem me lembre, mudamos tanto de escola ultimamente que nem sei mais se vão nos aceitar se sairmos dessa

— É, acho que devíamos parar de matar tanta aula... — Falei com um sorriso no rosto — Vamos então

Peguei as chaves com Caleb e fui para o banco do motorista, enquanto ele foi relutante para o do carona

— Por qual motivo meu pai só você dirigir o carro? — Ele fez questão de enfatizar as palavras “meu pai”

— Por que sou mais velho, eu tenho dezessete e você dezesseis— Ri de modo provocativo enquanto falava

— Ha, ha! São só quatro meses de diferença!

— Mas ainda sou mais velho

Dei partida no carro e tomei rumo à escola onde agora ambos estudávamos.

***

Já havia tomado banho e tomado um café da manhã digno de um ser humano já que da ultima vez tudo o que comera foi uma maçã e a fome me incomodou até a hora do intervalo. Dessa vez para evitar a correria e o atraso simplesmente penteei levemente o cabelo e o amarrei em um rabo de cavalo penteando com mais cuidado apenas a franja para que ficasse alinhada sobre a testa e não um ninho de passarinhos como quando eu acordava. Saí de casa e rumei á escola. Chegando lá a primeira coisa que fiz foi pegar o celular e enviar uma mensagem para meu amigo Willian que não via dês de sexta feira, o que era totalmente fora do normal levando em conta que ele visitava minha casa quase todos os dias:

“Will, você veio á escola hoje? Por que você faltou ontem? Você sumiu! Arrumou uma namorada e esqueceu a pobre aqui? Responde logo!”

A resposta não demorou a chegar. Ela dizia:

“Desculpe, estive ocupado, me encontre no refeitório durante o intervalo, tenho várias novidades.”

Dei de ombros, entrei na escola e olhei de relance o maldito miata preto que passava pelos portões da escola. Nicholas devia ter uma boa explicação para me afastar daquele jeito. “Eu vou falar com ele antes da aula de história, sim é o que vou fazer” pensei determinada e me dirigi até a sala. Fiz questão de guardar o lugar a seu lado para Nicholas e quando ele passou pela porta o chamei a atenção com a mão, então reparei que havia alguém lhe seguindo. Era alto e com o físico semelhante ao de Nicholas porem o rosto era um pouco mais suave e amigável. Tinha cabelos pretos e espetados e olhos que de tão azuis chegavam a ser prateados. Nicholas vendo que eu o encarava logo lançou um sorriso amigável e empurrou-o em minha direção.

— Caleb, esta é Grace e Grace este é o meu primo Caleb. Não se preocupe— Trocou o sorriso amigável por um mais misterioso e provocativo— Ele também não morde, quer dizer, não sem ser provocado...

— Ham... Ola — Falou o jovem estendendo a mão enquanto dava uma cotovelada em Nick com o outro braço

—Bem, ola para você também— fiz força para sorrir, apertei sua mão e um silencio perturbador se instalou entre nós dois, ambos não sabíamos o que dizer

Corei levemente, o que poderia dizer? Era a segunda vez que me forçavam a conhecer alguém assim na pressão dês de quando minha mãe entrou na sala e escolheu uma menina aleatoriamente para ser minha amiga. Foi à maior vergonha que senti aos onze anos. Mas voltando ao presente foi Nick que teve que quebrar o silencio puxando uma cadeira e colocando ao seu lado de modo que ficasse sentado entre nós dois.

— Vem Caleb, você vai sentar ou vai ficar aí plantado segurando a mão da Grace?— Então percebi que ainda estávamos apertando as mãos e larguei rapidamente em movimentos bruscos e desajeitados assim como ele.

— Desculpe — Falamos ambos em perfeita sincronia

O professor entrou na sala e eu agradeci em voz baixa, Caleb parecia ser legal, mas na hora senti tanta vergonha que nem sabia o que dizer. Passei a aula inteira olhando de relance para Nicholas e pensando em como ele poderia estar tão... Normal depois do ocorrido em minha casa. Quando finalmente deu a hora do intervalo o professor nos liberou. Ainda me sentia incrédula com a nota do trabalho que recebi, havia muito tempo que não recebia a nota dez em meu boletim, mas tinha que ser justo o trabalho que fez com Nicholas?

Dirigi-me ao refeitório em passo acelerado, queria saber o que Will tinha de novo para me contar. Nós dois havíamos crescido quase na mesma casa já que os meus pais estavam sempre ocupados e eu passava a maioria dos dias da semana em sua casa. Cheguei ao refeitório e me sentei á mesa junto a Will, Judy e Max, então me dirigi a Will e saquei à pergunta que me cutucava a cabeça fazia um dia.

— Will! Onde você esteve o final de semana todo? — Perguntei enfatizando a ultima parte— Não recebeu minhas mensagens?

— sim, recebi todas as 23...

— Então? — perguntei lentamente deixando a pergunta bem clara

— Eu estava na casa da minha avó, sabe o sinal de lá é péssimo, é um sítio o que mais se pode esperar?

— E por que não avisou que iria viajar?

— Ta bom, você me pegou, eu me esqueci de avisar...

— Vocês são uma comédia— Pronunciou Max em tom divertido— Por que não assumem logo o namoro?

— Que isso! Ele é quase meu irmão! —Rugi enquanto Will ganhava cor em suas bochechas alvas— E você e Judy? Por que não assumem vocês?

— Ah, agente iria te contar, assumimos, somos namorados

Era a minha vez de corar enquanto Judy desviava os olhos do celular e desferia um tapa no rosto de Max ao saber que ele havia contado em voz alta. O som do tapa ecoou pelo refeitório e algumas pessoas pereceram notar mas depois viraram o rosto e continuaram com suas conversas.

— Não era para contar ainda!— Cochichou Judy enquanto Max passava a mão na bochecha com um sorriso malicioso estampado no rosto

— Não era para contar o que? — Perguntou Nick que acabara de chegar junto ao primo

— Nada!— Falou Judy rápido demais para parecer normal

Nicholas apenas assentiu com a cabeça, mas todos sabiam que ele não acreditou no que Judy disse. Lembrei-me da conversa que teria com Nick que não podia adiar mais. agarrei-lhe o braço e me virei para Caleb que me olhava confuso.

— Posso tomar seu primo um minutinho?— Perguntei em uma mistura bizarra de simpatia e nervosismo

Após Caleb assentir nervoso com a cabeça puxei Nick para fora do refeitório e o prenso contra a parede do corredor onde teríamos um pouco de privacidade. Olhei em seus olhos dourados e resistindo a atração que me causavam reuni forças para perguntar:

— Vai falando, onde você se meteu ontem? E porque saiu daquele jeito?

— Não foi nada, eu tinha um compromisso, só isso

— Sei, mas o que você quis dizer com longe demais? Estava se referindo a mim?

— Não é que eu estava atrasado e...

— O que você tinha de fazer de tão importante para me largar no vácuo?

— Sim, de extrema importância

— Ok, mas o que justifica esse seu comportamento estranho?

— Que comportamento?

— Não aspira andar com os populares, fica me olhando desse jeito estranho parecendo que vai me comer como se eu fosse um sanduíche de frango...

— Calma, lembra-se que eu não mordo?— Falou com um sorriso malicioso se formando no rosto

— E ainda tem essa maldita frase! Você é um adolescente bem estranho! Se bem que nem parece adolescente, parece que tem vinte e sei lá quantos anos!

— Está imaginando coisas— Disse com o sorriso que Grace tanto odeia no rosto

— É talvez eu esteja! Afinal, eu sou louca! Eu me encontro todas as tardes com o chapeleiro maluco, o camundongo e a lebre para tomar chá!

— Não foi isso que eu quis dizer... — Sussurrou impaciente

— Calma! Eu ainda não acabei! Eu passei dez anos em Narnia! Mas quando eu saí ainda era uma adolescente revoltada! E você, quantos anos passou lá quando entrou no guarda-roupa? Se bem que já tem muita gente saindo dele, você não esta não é?

— Essa conversa esta pra lá de estranha... — Nick corou

— Me deixa acabar! Eu gosto de correr pelada toda noite no central-park, e sabe como eu chego lá? Com o pozinho de “pirlim pimpim” que a sininho me deu! Ah, e ela também toma chá comigo e o chapeleiro e...

Só parei de falar quando para minha surpresa meus lábios foram selados pelo dedo indicador de Nick. Ele me olhou nos olhos e corou. Eu admirava aqueles olhos dourados, eles pareciam olhar-me além dos olhos, além da pele. Senti-me nua diante dele, como se me observasse diretamente na alma. Perdi-me em seus olhos, não existia mais tempo nem espaço, somente nós dois. Nós nos aproximamos mais e mais. Sentia sua respiração no rosto, os pelos de meu corpo se arrepiarem. Logo faltavam apenas alguns centímetros entre nós dois, quando sem explicação nem aviso prévio Nick me empurrou com uma mão e saiu pelo lado. “dessa vez não!” pensei, o segurei pelo braço e o prensei novamente contra a parede, dessa vez com mais força.

— Por que sempre faz isso?

— Isso o que?— Perguntou olhando para o lado, Grace bufou e encarou-lhe novamente

— Sempre tenta me beijar e depois se afasta! Fala logo! Você já tem namorada não é?

— Não!

— Então é o por qual motivo?

— Se eu pudesse contar eu já teria contado, é complicado, e vai por mim, isso já é informação demais!

— Você é drogado? Traficante? Ou quem sabe... Ladrão?

— Nenhum dos três!

— Então está em uma gangue?

— Mais ou menos...

— Praticam vandalismo?— Perguntei alarmada e surpresa pela resposta

— Não!

— Quer saber! Esquece! Se não quer contar eu entendo...

— Isso é um alívio— Disse relaxando

— Mas entenda que não vou mais falar com você até me contar o motivo dessas suas reações estranhas!— o larguei e fui correndo para o refeitório, foi aí que vi o alívio de Nick acabar e ele bater com o pé no chão

***

No caminho para a casa de Caleb, fui pensando na conversa que tive com Grace no corredor da escola. Olhei para meu primo que ficou o tempo inteiro calado e então sorri sabendo logo de inicio por que estava agindo daquele jeito, o mesmo ao perceber que estava sendo observado corou levemente enquanto perguntava o que estava olhando, mas simplesmente ignorei a pergunta e continuei dirigindo. Como não havia percebido até agora?

Estacionei o carro na garagem e entrei na casa ainda sorrindo por causa das perguntas que Caleb fazia insistentemente. Subi as escadas com o meu primo para o quarto do mesmo que passou pela porta fechando-a atrás de si. Farejei o ar e com um leve sorriso no rosto vi minha suspeita ser confirmada

— Fala logo Nick! Por que esta com esse sorriso bobo no rosto dês de que saímos da escola?— Sentei-me na cama vendo a reação de meu primo que continuava em pé de braços cruzados sobre o peito e com as sobrancelhas pressionadas

Caleb estava tamborilando nervosamente os dedos no braço. Eu adorava ver ele daquele jeito, nervoso e impaciente. Então dei o sorriso malicioso que tanto irritava o primo e disse:

— Estava me lembrando da sua reação quando lhe apresentei a Grace...

— O que está querendo dizer com isso? Não estou interessado nela!

— Eu sei... Esse chupão que está escondido por baixo da bandana fala por si só

Caleb olhou para o espelho e puxou a bandana para baixo vendo a pele lisa e sem marcas. Então percebeu que havia caído na armadilha. Eu, enquanto isso me divertia vendo o rosto de meu amigo corar e se contorcer de nervosismo.

— Quem é a sortuda da vez?

— Ok, você me pegou! Eu a conheci na praça faz uns dez dias, não é nada sério!

— Aquela embalagem de camisinha ali discorda... — Disse apontando o dedo para um canto do quarto

Caleb olhou alarmado para o quarto. E novamente não viu nada. Olhou incrédulo para mim que já lhe enganara pela segunda vez no mesmo dia, eu gargalhava e inclinava o pescoço para trás colocando uma mão sobre os olhos. Caleb não agüentou e soltou um leve riso da situação.

— Ah Caleb! Você não toma jeito nunca!— consegui proferir entre risos— se o seu pai descobrir ele faz um tapete com seu couro!

— É eu sei. Eu vou tomar um banho, por que não vai para a sede e me espera lá? Angel poderia nos ajudar com o trabalho de biologia— Falou enquanto tirava a camiseta

Assenti com a cabeça, peguei a mochila e passei pela porta. Estava descendo as escadas quando ele abre uma fresta na porta e grita do quarto:

— Ah, eu vi você e a Grace no corredor quase se beijando! Vai lobão!— Caleb gargalhou vendo que eu estava com o rosto vermelho. Então levei o dedo indicador aos lábios lembrando-lhe que os pais estavam em casa, mas não podia negar que essa foi merecida

No caminho para a sede vi Grace passar com um amigo. Pelas conversas que tive com Max e Judy só podia ser o tal de Will. Sentiu algo estranho me percorrer o corpo, certo nervosismo. Será que eu estava com ciúmes? Ignorei e voltei a andar em direção a sede, no caminho me lembrei da proposta que Judy fizera a todo o grupo na hora da saída, todos haviam combinado de se encontrar em uma pizzaria não muito longe da escola ás oito horas, “Pode ser divertido” pensei confiante. Vi também um homem que me parecia familiar. Usava um terno preto aberto e a camisa era azul escuro, ele tinha os olhos de um azul índigo, a pele era pálida como porcelana e tinha o cabelo castanho escuro com uma franja. O observei, o homem parecia me encarar, mas então parou e entrou em uma loja. “Deve ter me confundido com alguém, eu acho”.

Notas finais
então o que achou do capítulo? viram o motivo do nervosismo de Caleb? e quem seria o cara de terno encarando nick? seria o homem do crucifixo? seria vampiro, lobisomem, humano ou o que? quero ver alguém acertar! eu duvido! wah ah ah ah ah (gargalhada do mal com raios no fundo e efeitos especiais de fumaça pra ficar chique) Eu estive com poucas ideias ultimamente, agradeço a usuária Maira Beatriz por me dar estas ideias maravilhosas para o s próximos capítulos. ela tbm está escrevendo ótimas fics, quem quiser uma boa leitura fica a dica!