Sangue de lobo
1 Prólogo
Ainda era noite quando acordei como faço todos os dias, andei sonolento, com os olhos ainda se ajustando a claridade, abri a porta de meu quarto e fui até o banheiro, não tenho tempo para banhar, tenho que sair antes que todos acordem então, lavo o rosto para tirar o sono e encaro a figura diante do espelho, olhos castanhos claros e cabelos escuros emaranhados, meu rosto já não está mais cheio de hematomas, mas ainda há olheiras embaixo dos olhos. “droga” penso ”esta maldita barba já está crescendo novamente, maldito sangue ruim” rio de mim mesmo, mas não há tempo, farei isto a noite tenho que sair antes que o resto do bando acorde e o inferno comece.
Fui correndo passando pelas portas que pareciam simples borrões, abri as portas da entrada e respirei o frio ar noturno, talvez Caleb tivesse razão, seguir vampiros sozinho a noite não gera bons resultados. Ao menos já estou perto de descobrir onde é a toca dos desgraçados, e assim que eu os achar eu vou me livrar da droga de tarefa que meu pai me deu. Eu tranco as portas e sigo pela rua levando minha cópia da chave. O cheiro das padarias e restaurantes preparando suas receitas paira forte no ar, tomo meu rumo em direção a praça onde me sento em um banco e inclino a cabeça para traz tentando relembrar os acontecimentos na noite que a pouco acabara.
Apenas flashes passam por minha cabeça, eu andando na rua escura de madrugada, um homem estranho saindo de um beco , eu segui o sujeito e então me armaram uma maldita emboscada, a dor pulsa em minha cabeça, lembro-me de fugir para longe da sede e o resto, bem, nem se quer faço ideia. Estou sentado no banco, ainda tenho sono então me espreguiço, quando do nada sinto uma pontada no flanco direito então me lembro dos ocorridos, aqueles cacos de vidro se espalhando em todas as direções enquanto eu voava pela janela, mas quem será que me jogou pela janela para começo de conversa? Dou de ombros e me levanto do banco, então vou andando em direção ao mercado, afinal preciso de algo para comer, não posso sair no parque caçando esquilos, tem pouca carne e são difíceis de pegar, mas antes preciso do carro de meu tio, não vou andar a pé com este tempo fechando.
Meu tio é um dos poucos que não moram na sede, então sigo para sua casa. Do lado de fora encontro Caleb que tinha acabado de acordar.
— hei Nick! Onde você esteve a noite toda? Achei que fosse passar aqui em casa— ele me pergunta com olhos pressionados e a expressão séria
— eu não sei direito, acordei com uma dor de cabeça dos infernos, ah seu pai esta? Preciso do carro dele, depois eu abasteço a gasolina que eu usar
— pega as chaves em cima da mesa, sabe que ele quase não usa o carro, ah, não se esqueça do compromisso, hoje a noite!
— valeu Cal, eu vou todas as noites, como posso esquecer?
Peguei as chaves e fui para o mercado, no caminho começou a serenar e depois a chover de verdade, desci do carro no mercado e fui para a seção de enlatados ver se achava alguma coisa que não fosse atum, não suporto atum. Então vejo uma menina de cabelos ruivos esperando na porta, será se estava esperando algo ou alguém?
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