Sangue de Fênix: A chama da última dinastia
2 Capítulo 1 - O dia da princesa morta
— FORMAÇÃO!
Um estalo em uníssono, os homens juntando uma mão ao corpo e fazendo continência com a outra.
Seus trajes eram negros, capas esvoaçantes, um símbolo rosa escuro de fênix com chamas circulares na gola.
— DAS CINZAS, SERVIMOS, AS CINZAS VOLTAREMOS!
— É um dia nebuloso para nosso império. Como sabem, fazem exatamente dezesseis anos desde o desaparecimento da princesa Mirannae. Hoje seria o vigésimo primeiro aniversário da princesa.
Vinte e um anos... Dia vinte e um de abril, era até irônico ver tal situação.
Kaien sorri de canto, estava no meio deles, mãos enluvadas, inclinando levemente a cabeça
— O momento perfeito para uma emboscada
— Exatamente, a atenção na família imperial deve ser redobrada especialmente hoje — a voz ressoa atrás de Kaien.
Os homens se viram em sincronia, prestando continência.
— BOM DIA, LÍDER KENSHIRA! — dizem em uníssono.
O velho fechou os olhos, erguendo o queixo.
— DESCANSAR!
— OBRIGADO!
O som surdo de botas negras com chamas rosa escuro ressoa por cima das folhagens
— Não vamos decepcionar, pai — garantiu Meiyu.
Ele franziu brevemente a testa, correu os olhos entre a jovem e Kaien
— Eu sei disso, meus filhos são sempre excepcionais, mesmo que... O Haruki não tenha habilidades de samurai como esperado
— Haruki é bom em...
Ela hesitou, baixou o olhar.
Os homens ao redor começam a gargalhar.
Kaien comprimiu os lábios, olhos se estreitando
— Parece que os guardiões estão com muito tempo livre, querem ganhar um treinamento extra antes de irmos para Aureth Prime?
— NÃO SENHOR, POR FAVOR NOS PERDOE, TENENTE KENSHIRA
O pai de Kaien franziu o cenho, bufou, erguendo uma mão no ar.
— Chega Kaien, podem descansar. Não serão punidos... Dessa vez.
— OBRIGADO, LÍDER KENSHIRA
Kaien e Meiyu se entreolharam, ele tensionou o olhar, ela ergueu uma sobrancelha.
Uma águia sobrevoa o céu, as asas cortando o ar, por cima dos telhados imponentes, atravessou uma cascata, rio cristalino, pousou na persiana branca de uma alta janela, tosse potente
— M-Mirannae... — a voz feminina era baixa, carregada de anos como se existir fosse um fardo
— Você tem que se cuidar, mamãe — Respondeu uma voz masculina, gutural e potente.
Uma risadinha engasgada escapar da senhora acamada.
Os olhos da velha mal se abrindo, cabelos encaracolados, grisalhos, vestido preto com margaridas estampadas.
— N-Não tenho intenção de morrer meu filho, não antes de reencontrar minha neta
Ele suspira, o olhar cabisbaixo, dedos pressionados contra a camisa vermelho vivo, o colete de ouro com diamantes cravados.
— M-Mamãe, a Mirannae morreu... Por favor, não se machuque mais
— Ela está viva — A mulher coloca a mão no peito, a voz urgente. — Eu sei que minha neta está viva, Aurelian
— CHEGA MAMÃE! — O grito foi quase visceral, a voz, porém, arrastada.
Com os olhos ardendo, ele pressiona os dedos contra a têmpora.
— A minha mulher enlouqueceu desde o sumiço de Mirannae, você ficar alimentando essas fantasias só agrava o quadro dela...
— Ela sabe. Ela sabe que Mirannae está viva, ela sente. Porque ela é mãe.
A risada de Aurelian sai ríspida, não de asco, de dor.
— Mirannae tinha cinco anos, era cega... Pare de se enganar... Ela se foi
A velha se endireitou, lábios comprimidos.
— Pois, eu já escolhi, ela deve ser sua herdeira. Ela que vai governar quando você morrer
— Mas, mãe ela já... — Ele respira fundo, cansou de tentar explicar, doía sempre que mencionava a princesa — Céus... Tudo bem, mas e no caso de ela não estar viva?
— O império morre conosco, não permitirei que outro herdeiro assuma o trono. A coroa é de Mirannae. Ninguém além de Mirannae.
— Mas eu sou o imperador
— E eu sou sua mãe, a Imperatriz viúva, quem decide o herdeiro é a Imperatriz, esqueceu? Até mesmo escrevi o decreto à punho, quando não estiver mais nessa terra. Você pode até continuar governando— Ela suspira —Mas, se ela estiver morta... Saiba que a família Vaelthor foi extinta
Os corredores permanecem sinuosos fora do quarto, cortinas vermelhas sendo puxadas, a luz do sol emanando.
Cabelos loiros claros, quase dourado pálido, num coque baixo trançado com fios escapando inconscientemente sob olhos azuis acinzentados, como uma noite fora de verão.
A pele clara, quase translúcida sob a luz do sol.
A jovem umedeceu os lábios rosados, juntou os dedos contra o avental branco por cima do vestido preto, as longas mangas cobriam o braço inteiro.
Esticou o pescoço, a gola perdendo levemente a garganta
— Lirien, vamos temos de limpar a cristaleira — Uma voz chamou, grossa, firme, mas ainda assim feminina.
Lirien se virou, inclinando levemente a cabeça
— Sim, mãe?
— Não esqueça, estamos aqui para ser...
— Úteis, não vistos ou ouvidos, eu sei mãe.
A mulher solta apenas um grunhindo em resposta.
Lirien juntou as mãos, passos quase inaudíveis no chão de mogno, olhar firme.
O baile estava próximo e os preparativos, ah, sempre eram deliciosamente irritantes.
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