Sangue de Fênix: A chama da última dinastia
4 Capítulo 3 - Salão penoso
O lustre prendia o teto, os diamantes das paredes e do teto, contrastando com as safiras do lustre.
O chão de bronze imenso, cortinas vinho cobriam as enormes janelas.
O crepúsculo da noite era quente, mesas brancas nas laterais.
Uma bandeja de prata com vários copos de cristal com detalhes de rosa reluzindo o azul vívido do salão — como um cinturão de armadura — sendo erguida por um dos criados.
Kaien permanece com os braços para trás, virando a cabeça à cada dez minutos.
— Vai acabar quebrando o pescoço desse jeito — comentou Meiyu.
Ele revira os olhos
— Tenho que estar sempre atento, aspirante à oficial Kenshira
— Não precisa mover a cabeça como uma coruja, tenente Kenshira
Os dois trocam um olhar, ela franze a testa e ele coloca a mão na cintura, as risadas baixas ressoam quase ao mesmo tempo.
Um grasno corta o ar.
Meiyu sobressalta, fez menção à brandir a espada, os dedos se arregaçado próximos ao cinto magenta.
Kaien estreitou os olhos, levantou uma mão
— Espera
Era um ganso, UM GANSO.
Kaien contraiu a mandíbula.
— Quem trás um ganso para um salão de bailes?
— Alguém que não tem tempo de esperar o prato principal?
As penas dançam no ar, os pés dos cavalheiros perto da mesa viram um labirinto para o animal.
Gritos estridentes ressoam de homens altíssimos.
Algumas mulheres começaram a saltar tão rapidamente que se fizessem mais esforço poderiam até mesmo voar.
— ALGUÉM SEGURE ESSA GALINHA
— É UM GANSO — Corrigiu uma voz rouca, risonha.
Cabelos ruivos, na altura dos ombros, brilhantes, semi presos por uma fita dourada, olhos verdes como o orvalho, lábios carnudos avermelhados, o uniforme vermelho terroso, broche dourado de sol, meio sorriso fácil.
Diligentemente, em punhos fechados contra o peito, Kaien e Meiyu prestaram reverência
— Saudações ao pequeno sol do império, príncipe Eryndor
Ele ri.
— Para quê tantas formalidades? Já nos conhecemos há uma cota de tempo, quase um século
— Não ousaria, vossa alteza — respondeu Kaien, firme.
Meiyu juntou as mãos, estreitou os olhos, Eryndor sorri de canto
— Simpática como sempre, Meimei
— Me chame de Meimei novamente e eu esqueço que estou aqui como aspirante à oficial — alertou ela, subiu levemente os olhos que estavam naquele tom avermelhado como lava de vulcão.
Eryndor colocou a mão no peito, fingindo ofensa, fechou os olhos com força.
— A ordem da fênix sempre é tão mordaz?
— A intenção é essa.
Um grasno estridente ressoa ao longe, uma pena voa caindo em cima da boca do príncipe.
Os olhos de Eryndor se revirando para fitar a pena.
Parecia um olhar de peixe morto.
Meiyu comprimiu os lábios, conteve o riso.
— Acho que virei fã daquele ganso
Um dos criados cambaleou.
O ganso longe demais para que pudesse alcançar.
Ele agarrou os próprios joelhos, arfou.
O clima na cozinha não estava menos caótico.
— ONDE RAIOS ESTÁ O GANSO? — A voz de Rosaura faz os talheres tremerem.
Nirellys fechou os olhos com força, jogou as mãos no ar.
— Quem sabe decidiu dar uma voadinha antes de virar guisado?
— JÁ NÃO BASTA A SOPA DE COGUMELOS COM OS INGREDIENTES SUGERIDOS POR LIRIEN! AGORA PERDEMOS O GANSO!
Lirien juntou as mãos, puxou o ar pelas narinas.
— Vou ver a situação no salão
— NÃO! — O grito da mãe de Lirien foi potente.
A jovem inclinou a cabeça.
— O que houve mãe?
— Você não vai até o salão de baile
— Por que não?
— Porque... Porque não, Lirien Vaelith
— Pois eu queria entender porquê não também, ela deve ir sim — afirmou Rosaura.
— M-Mas...
Nirellys ri
— Não é como se fossem sequestrar a Liri, relaxa senhora Vaelith
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