Sangue, Suor, Lágrimas e Estilhaços

26 O Segredo do Depósito de Armas


Notas iniciais
Após a festa de casamento, Thanos volta à Ahkvata para reaver suas armas e sua armadura

A sala do trono estava vazia quando Thanos entrou lá. O grego havia voltado para pegar a sua armadura, que havia passado um dia inteiro no sol a fim de pegar um brilho pós-polimento. O capitão então foi até o depósito de armas e pegou sua briosa armadura.

(Thanos): Mas que belezura!

Thanos foi ensacando as peças da armadura num saco, com pouco zelo, depois fechou o saco e o colocou nas costas, mas ao fazer o movimento com o corpo para carregar o saco, ele acabou vendo uma estranha escadaria, que parecia algum tipo de passagem secreta. Intrigado com aquilo, Thanos foi descendo as escadas, até chegar numa espécie de masmorra.

(Thanos): Mas que estranho, conheço o depósito de armas como a palma da minha mão e nunca havia visto isso aqui.

O grego foi atravessando um corredor mal-iluminado por umas poucas tochas, até ser surpreendido por uma mão que tentou lhe agarrar, mas acabou batendo numa grade. Segurando uma tocha para ver melhor, Thanos viu um quartzo rosa em estado deplorável, semicareca, como se seu cabelo tivesse sido arrancado a golpes de machadinha. A expressão facial dela parecia ser a de alguém que passara dias a fio chorando de fúria e dor.

(Thanos): Mas o que diabos é você?

(Quartzo rosa, ensandecida): Humano... Ahkvata... MORTE AOS PELES DE CRISTAL!!! HIHIHIHIHIHIHEHEHEHEHEHAHAHAHAHAHA!!!

A quartzo começou a rir de uma forma bizarra, e depois ficou batendo com a cara na grade feito uma louca. Ainda com a tocha em mãos, Thanos foi vendo o resto da masmorra e se deparou com várias gems ou poofadas ou amarradas em condições deploráveis. Enquanto tentava entender o que raios estava acontecendo ali, Thanos começou a ouvir um som de choro feminino, recortado pelos estalos característicos de um chicote. Havia uma sala no final do corredor, mais iluminada, e à medida que ele foi se aproximando da sala, começou a ouvir vozes conhecidas.

— Um trabalho, era só isso que você tinha que fazer! UM TRABALHO: MOSTRAR A BENDITA ESTÁTUA PARA O MEU IRMÃO, NÃO ESTRAGÁ-LA!!!

(Thanos): Sebek?

A outra voz que Thanos ouviu ele não conseguiu reconhecer.

— F-Foi um acidente, eu não queria...

(Sebek): Mentira! É óbvio que você queria! Qualquer um teria feito aquilo direito, menos você, seu traste miserável!

Thanos ficou sem entender nada daquilo, até sentir uma mão segurando seu ombro. O grego tomou um susto, mas ao se virar viu que era apenas uma gem debilitada.

(Gem): T-Thanos, é você?

Thanos não reconheceu a categoria da gem que havia falado com ele, mas viu a inconfundível estrela marcando seu uniforme.

(Thanos): Espere aí, você é uma Crystal Gem! O que raios você faz aqui com as prisioneiras de guerra?

(Gem): Prisioneiras de guerra?

(Thanos): Sim, isso aqui não é uma prisão para as gems de Homeworld capturadas?

Antes da gem responder, com visível nervosismo no olhar, mais alguns estalos de chicote ecoaram pela atmosfera pútrida e pesada daquele lugar.

(Gem, extremamente abalada): I-Isso aqui não é uma prisão, Thanos... isso aqui é o parque de diversões dele!

(Thanos): DELE QUEM???

(Gem): Veja você mesmo atrás daquela porta.

Thanos abriu a famigerada porta. Sebek já havia largado o chicote havia um bom tempo e agora estava detonando a pobre Pérola Negra com as próprias mãos, sendo que a coitada mal conseguia ficar de pé.

(Thanos): Sebek... o que você está fazendo?

Sebek largou a pérola, que caiu no chão, sem sequer conseguir se manter de joelhos.

(Sebek): Isso não te diz respeito, capitão! Retire-se agora dessa masmorra!

(Pérola Negra, estendendo a mão): P-Por favor... não me d-deixe aqui... com ele...

(Thanos): Não se preocupe, meu rei. Já estou de saída, mas não sozinho... SEU FILHO DA PUTA!!!

Thanos avançou com tudo para cima de Sebek, esquivando-se de um soco e agarrando-o pelas pernas, girando-o no ar e o jogando contra uma das paredes, derrubando o rei de Ahkvata no chão. Thanos novamente foi para cima e começou a enchê-lo de socos e pontapés.

(Thanos, enchendo Sebek de porrada): Levanta! Levanta! Levanta, seu filho da puta!

Sebek pegou uma faca e tentou enfiar no grego, mas o capitão agarrou a mão do oponente a tempo, o colocou de pé e o arremessou para fora da sala, jogando-o contra a grade de uma das celas. Sebek ainda se levantou outra vez e acertou um soco no grego, que simplesmente virou o rosto de novo como se não fosse nada, depois acertou um soco bem no meio dos olhos do rei, fazendo-o cair sentado. Thanos vestiu sua armadura e após colocar as manoplas começou a arrancar fora os portões das celas que aprisionavam as gems, que não perderam tempo em fugir para fora daquele inferno. Antes de sair também, Thanos viu o colar de Sebek, que tinha uma pedra de rubi presa num engaste de ouro, tirou a pedra e guardou consigo. Thanos usou o poder de uma das esferas da manopla para arrebentar fora as outras grades das celas. Quando terminou o serviço, carregou a Pérola Negra no colo e foi para fora da masmorra.

Do lado de fora, as gems fugitivas estavam transformando a pacífica noite numa anarquia. As guarnições corriam para lá e para cá tentando detê-las, sem fazer ideia do que estava acontecendo. Thanos colocou a Pérola Negra no chão por alguns momentos.

(Thanos): Me espere aqui, Pérola.

Com um murro, Thanos quebrou o trono em duas partes e chutou uma delas contra a parede, arrebentando o que havia restado do trono. Depois ele se dirigiu a uma estátua do rei e arrebentou os joelhos dela com um soco, fazendo-a desabar no chão. Não satisfeito com tudo isso, Thanos ainda roubou um saco de ouro que estava numa escrivaninha.

— COMO OUSA DEPREDAR MINHA SALA, SEU TRAIDOR???

Justo quando Thanos já ia resgatar a Pérola Negra, Sebek voltou para o segundo assalto, agora com sua armadura de batalha.

(Thanos): Você fez pior com a imagem que eu tinha de você!

Percebendo que ia ter uma luta feia, Pérola Negra se colocou de pé e começou a correr. Thanos chutou a cabeça da estátua na direção de Sebek, que a desintegrou com um disparo do minicanhão de ombro, depois apertou alguns botões no pulso e ficou invisível.

(Thanos): Você ficou invisível... belo movimento! Mas será que você está intangível?

Sebek, ainda invisível, deu um salto um tanto silencioso e tentou cravar as lâminas gêmeas do braço direito no peito de Thanos, mas o grego simplesmente se afastou para o lado e colocou o punho cerrado no caminho do inimigo, que literalmente deu uma cabeçada na mão fechada do grego. Sebek acabou perdendo a invisibilidade e caiu de costas no chão. Thanos deu um chute que arremessou Sebek contra uma parede, mas o monarca bloqueou o chute com as mãos e, controlando a posição do corpo, plantou os pés na parede e se impulsionou na direção do grego, tentando novamente um ataque de lâminas. Thanos se esquivou para o lado e deu um chute de baixo para cima, atingindo Sebek ainda no ar e cancelando seu ataque.

Se colocando de pé rapidamente, Sebek armou novamente o minicanhão e atirou contra Thanos, que pôs a mão esquerda na frente, bloqueando uma explosão. Sebek ainda disparou mais três ou quatro vezes, e o grego teve que se esquivar. Depois ele sacudiu a mão que usou para bloquear o primeiro tiro, com uma expressão de dor.

(Thanos): Ai... belo disparo. Agora é a minha vez.

Thanos segurou a mão direita de Sebek e lhe deu um soco na cabeça, depois deu outro no peito e mais um na barriga. Sebek pegou uma faca de combate e tentou contra-atacar espetando na jugular, mas Thanos socou a mão onde estava a faca, arrebentando a faca e ainda fazendo alguns pedaços da lâmina perfurarem a mão do oponente. O grego começou a metralhar seu monarca com vários socos: na cabeça, na barriga, no peito, no ombro, enfim, em toda a sua extensão frontal.

(Thanos): Ok, agora é sua vez.

Sebek mal conseguia se manter de pé. Os golpes poderosos em sequência haviam trincado várias partes da armadura, bem como comprometeram diversas funções dela, como a função de análise tática.

— Alerta! Alerta! Sistemas operando em 62% de eficiência

— Trava de mira do canhão de plasma comprometida

— Nível de ameaça: Extremo

Sebek armou o canhão de plasma, mas com a trava de mira comprometida, ele não conseguiu efetuar disparo algum. O grego não perdeu tempo e agarrou o canhão, girando o egípcio com tudo e jogando-o contra a parede, que cedeu. Ironicamente, o canhão ainda estava na mão de Thanos.

(Thanos): Já não se fazem mais armaduras como... como recentemente.

Thanos não foi atrás de Sebek, ao invés disso, ele preferiu ir atrás das outras gems que estavam fugindo. Mais e mais soldados da guarnição estavam sendo mobilizados, e as primeiras baixas estavam começando a aparecer. Thanos estalou os dedos e transformou o chão abaixo dos soldados em uma lama que começou a prender as pernas deles. Uma das gems resolveu aproveitar a chance e matar um dos soldados, mas Thanos a agarrou pelos cabelos e lhe deu um chute no traseiro.

(Thanos): É para as madames fugirem da cidade! Nada de gracinhas! Eu fui claro?

Todas as gems concordaram meneando a cabeça e foram para fora da cidade o mais rápido possível! Thanos foi andando normalmente enquanto as outras gems corriam freneticamente. Quando o grego já estava bem perto dos muros e várias gems haviam escapado, a muralha foi fechada. Atrás de Thanos vinha Sebek, montado num cavalo e gritando:

— PRENDAM ESSE HOMEM!!! ELE SOLTOU ESSAS GEMS!!! ELE É UM TRAIDOR!!!

(Soldado): Capitão Thanos, isso é verdade?

(Thanos): De certa forma, é sim... mas isso não faz seu rei ser menos bundão e gala seca.

(Sebek): PEGUEM ESSE ANIMAL AGORA!!!

Os soldados, armados com espadas e lanças gems, foram para cima de Thanos, mas acabaram ficando presos no chão, como se ele fosse areia movediça. O grego tomou a espada de um dos soldados e se dirigiu a Sebek.

(Thanos): Sebek, Sebek, Sebek... eu mesmo fiz essas armas. Conheço os pontos fracos de todas elas.

Para ressaltar sua fala, o grego bateu com o punho da espada em sua palma, o que fez a lâmina trincar e se quebrar em pedacinhos.

(Thanos): Só essa sua armadura, que foi feita por você mesmo. Vai ver por isso ela tem uma qualidade tão medíocre.

(Sebek): AAAAAHHHHHH!!!

Sebek avançou novamente com a lâmina dupla no peitoral de Thanos, porém a lâmina não o perfurou, apesar de atingi-lo em cheio.

(Sebek): Como...?

Num rápido movimento, Thanos arrebentou as lâminas e enfiou uma delas na armadura de Sebek, atravessando facilmente. O rei caiu no chão, alarmando os guardas que estavam presos no chão.

— MEU REI!!!

Thanos foi novamente na direção de Sebek, tirou-lhe o capacete e fez ele beber o conteúdo de um frasco, após tirar a lâmina de seu corpo.

(Thanos): Isso que você está bebendo foi chorado por uma dessas gems que você tanto odeia. É por isso que você vai viver para lutar mais um dia, mas por hora... durma com isso.

O grego partiu o capacete do oponente com as mãos, jogou as metades no chão e se jogou contra os portões da muralha, jogando-as para fora das dobradiças, permitindo a fuga das outras gems. Depois foi embora, sem dizer uma única palavra mais. Sebek se colocou em pé com dificuldades, enquanto alguns oficiais dele se agrupavam para ver como ele estava.

(Centurião) Majestade, eu vi você e Thanos lutando e vim aqui o mais rápido possível com meus homens. O que aconteceu?

(Sebek)) Centurião, convoque TODAS as tropas que puder para ir atrás de Thanos. Ele não pode ter ido longe! Eu quero que tragam ele vivo, mas se for ESTRITAMENTE necessário, vocês têm permissão para mata-lo! Ele tem o poder de uma legião, por isso não pode ficar solto por aí!

(Centurião): Por Júpiter, o que houve com os portões, meu rei?

(Sebek): Isso? Foi o Thanos que derrubou. Agora entende o que eu quis dizer? Todo cuidado é pouco para cuidar dele! Agora vá, e todos os outros acompanhem ele!

(Centurião): Muito bem, vocês me ouviram! Venham comigo!

Um oficial menor estava quase montando para seguir o grupo quando Sebek o agarrou pelo braço.

(Sebek): Você não, soldado. Preciso que reúna os membros restantes do Esquadrão Platina e traga-os à minha presença o mais rápido possível.

(Oficial): Sim, senhor.

Seguindo as ordens do seu rei, o oficial trouxe os membros do Esquadrão Platina até a presença dele. Todos os membros haviam acordado da forma menos gentil possível, com o grito de soldados e de gems fugitivas que eles nem sabiam que existiam. Nenhum deles entendia o que estava acontecendo.

(Sebek, se dirigindo ao Esquadrão Platina): Escutem todos vocês! Thanos depredou a sala do trono, me atacou, destruiu uma parte importante da muralha e agora está fugindo! Eu preciso que vocês capturem-no vivo e tragam para mim! Conto com vocês para que as circunstâncias não me forcem a dar cabo do capitão de vocês.

(Erik): Mas como assim, Majestade? O que aconteceu?

(Sebek): Não há tempo para explicações! Vocês devem ir o mais rápido possível!

(Olaf): E quanto a todas essas gems? De onde elas vieram?

(Sebek): Eram prisioneiras de guerra! Ele libertou todas! A guarnição se encarregará de recaptura-las, a prioridade de vocês é o Thanos! Vão, atrás dele!

Meio a contragosto, os membros do Esquadrão Platina saíram atrás do seu capitão. No caminho, os membros não paravam de discutir sobre o que poderia ter causado aquela loucura no grego. Claro, Thanos era um sujeito incauto, imaturo, beberrão e que às vezes tinha um vocabulário horrível, mas daí para atacar o rei de Ahkvata e sair quebrando meio mundo, além de libertar inimigas declaradas do povo de Ahkvata era um salto gigantesco.

(Gilius): O que raios deu no grego para ele fazer um negócio desses? Ele ficou louco?

(Tyris): Eu juro, que se isso for mais uma das crises de bêbado dele, eu vou arrastar a cara dele no concreto! A Merit não está mais aqui, mas eu que não vou virar babá daquele louco!

(Axel): Não foi surto de bêbado. Quando Thanos bebe, ele bebe até o ponto de não conseguir parar em pé, a menos que alguém o impeça. Não, com certeza ele fez tudo isso aqui sóbrio.

(Samurai): Mas nesse caso então o rei Sebek tem razão: Thanos nos traiu!

Enquanto os membros saíam patrulhando os arredores da cidade, eles iam discutindo sobre o ocorrido e, àquela altura, os vikings não puderam acreditar no que o Samurai havia dito.

(Baleog, revoltado): Não acredito que estou ouvindo essa asneira sair logo da sua boca, ô Xing-Ling! Como pode insinuar uma coisa dessas do capitão?

(Samurai): Escute, eu também não quero chegar a esse tipo de conclusão, mas vocês não acham tudo isso meio... estranho?

(Erik): Se tem uma coisa estranha aqui é o fato de um monte de gems terem aparecido do nada aqui dentro de Ahkvata e nós termos sido os últimos a saberem disso.

(Menob): Eram prisioneiras de guerra, baixinho. O rei já explicou isso. Sabe todas aquelas pedras que o capitão de vocês juntava após uma batalha? Então...

(Olaf): Um momento aí, ô Luke...

(Menob, revirando os olhos): A piada do “anaquim” de novo não...

(Olaf): ...todas as gems que ele capturou ele entregou à Rose Quartz em uma tentativa de convertê-las à Rebelião! Ele nunca deu uma rubizinha sequer ao Sebek! A única gem que a gente via era aquela pérola que só Odin sabe onde ele conseguiu.

(Menob): Então talvez tenha sido outra divisão que trazia aquelas prisioneiras de guerra, ou talvez o próprio Sebek... sei lá! A questão é que aquele manguaceiro deu um vacilo feio libertando aquelas gems. Se elas retornarem para as fileiras de Homeworld, vão trazer as comandantes inimigas para cá! Será um cerco de proporções titânicas!!!

(Samurai): Eu não havia parado para pensar nisso! Realmente, o erro do Thanos está se mostrando cada vez pior!

(Erik): Vocês são uma vergonha mesmo! Nem parece que conhecem o Thanos a tanto tempo quanto eu! Ele jamais nos trairia! Beberrão? Sim. Escandaloso? Com certeza! Mas ele é, de longe a pessoa mais cautelosa que eu conheço! Cada estratégia dele visava a segurança de todos: do exército do Sebek, do Esquadrão, das rebeldes, de toda Ahkvata! Ele mesmo era o que mais se expunha em todas as batalhas!

(Olaf): Além do mais, se ele realmente quisesse nos trair, por que ele nos daria armas hiperpoderosas que poderíamos facilmente usar contra ele?

(Baleog): Thanos não é um traidor! Se ele fosse, teria destruído a cidade inteira antes de terminarmos de vestir as calças! Toda essa fuga, essa libertação de gems... nada disso faz sentido! Thanos não é do tipo que foge de uma luta!

(Tyris): Quer saber? Para mim, já deu de conjecturas! Temos que achar Thanos o mais rápido possível! O único jeito de entender o que raios está acontecendo, é colocando ele e Sebek frente a frente.

Infelizmente, o plano do Esquadrão Platina não deu certo. As divisões de reconhecimento ficaram zanzando por um bom tempo em busca do capitão do Esquadrão Platina, sem sucesso. Algumas horas depois, alguns grupos de reconhecimento haviam retornado para dar o feedback ao rei de Ahkvata, que se mostrava insatisfeito.

(Sebek): Isso não é bom! Temos que achar Thanos de qualquer maneira! Ele sabe demais sobre Ahkvata e sobre a tecnologia gem! É perigoso deixa-lo solto por aí!

(Soldado de Ahkvata): Concordo com Vossa Majestade, mas o que podemos fazer? As tropas já passaram tempo demais procurando-o. Seria mais prudente mobilizar este contingente para reparar os portões da muralha, do contrário ficaremos vulneráveis sem portões e sem guarnição.

Nisso, outro membro dos grupos de busca havia chegado para relatar a situação ao rei. Dessa vez um soldado com trejeitos de árabe.

(Guerreiro Árabe): Vossa Majestade, nós terminamos de recapturar as gems fugitivas. A maioria delas eram rubis e nefritas, mas também haviam uns quartzos rosas, umas jaspes e umas peridotes. Ah, também havia uma safira entre as prisioneiras de guerra.

(Sebek): Uma safira? Isso pode ser um bom sinal! Traga ela até a minha presença imediatamente.

Depois de dar essa ordem ao guerreiro árabe, Sebek transmitiu outra ordem ao primeiro soldado.

(Sebek): Você tem razão, não podemos deixar Ahkvata desprotegida para buscar um único homem! Reúna um grupo e chame todos os soldados de volta, inclusive o Esquadrão Platina, e diga que eu ordenei a todos para ajudar nos reparos da muralha. Enquanto isso, darei ordem aos capatazes e chefes de turma para iniciar os preparativos da reconstrução.

(Soldado de Ahkvata): Sim senhor!

(Sebek): Espera, espera aí! Mudei de ideia: quero o Menob, a Tyris, o Axel e o Gilius aqui comigo. O resto do Esquadrão e das equipes de busca podem ir para os reparos da muralha. Entendido?

(Soldado de Ahkvata): Sim senhor!

(Sebek): Ótimo.

Momentos depois, como Sebek havia solicitado, Menob, Tyris, Axel e Gilius estavam com ele. A safira em questão (https://images-wixmp-ed30a86b8c4ca887773594c2.wixmp.com/intermediary/f/b9b62b91-fba7-49c0-abaf-2e6cffb16e6e/d9nm5dv-ed8067eb-5a78-46c1-b642-5195ba1552d5.jpg/v1/fill/w_937,h_853,q_70,strp/padparadscha_pink_sapphire__oc__by_queendarike_d9nm5dv-pre.jpg) também foi trazida até o rei de Ahkvata de forma pouco amistosa. A coitada foi praticamente atirada aos pés de Sebek, que se abaixou ao nível dela de forma bem intimidadora.

(Sebek): Olá senhorita, acho que não nos conhecemos. Sou o rei de Ahkvata, e estou com um probleminha. Um dos meus soldados mais confiáveis me apunhalou pelas costas e depois fugiu. Preciso dos seus poderes de clarividência para me dizer onde ele está. Pode fazer isso?

(Safira Rosa): V-Vou tentar.

(Menob): Vai tentar nada, ou você faz ou racha!

Menob agarrou a safira e a carregou até uma espécie de cadafalso. Lá era o lugar onde ele executava alguns prisioneiros de guerra diante da população de Ahkvata. Porém, enquanto a maioria dos reis fazia isso para inspirar temor no coração dos súditos, Sebek fazia isso para inspirar seus súditos a não terem pena de qualquer um que tivesse uma pedra preciosa em seu corpo. Naquele cadafalso, além de Sebek, seus aliados mais confiáveis do Esquadrão Platina e da safira prisioneira, também estavam outras prisioneiras de guerra: uma rubi, uma nefrita, uma peridote e um quartzo rosa defeituoso! As outras prisioneiras estavam extremamente temerosas, enquanto Sebek fazia questão de ter a safira por perto dele e se abaixar de forma intimidadora ao nível dela.

(Sebek): Escuta pedrinha, eu não quero machucar você e também não quero que você saia daqui machucada, entendeu?

(Safira Rosa, trêmula): Entendi sim!

(Sebek): Então usa aí seu olho para ver o futuro e me diz: pra onde o grego tá indo?

(Safira Rosa): Que “grego”, humano?

Sebek respondeu à pergunta dando um tapa no rosto dela.

(Axel): Isso é jeito de falar com o rei, caolha?

(Sebek): Aonde o grego tá indo?

(Safira Rosa): Eu não sei!

(Sebek, dando outro tapa): Fala logo se não quiser uma corda no pescoço!

(Safira Rosa): Eu não sei de quem vocês estão falando!

(Sebek): Tyris, põe a caolha de joelhos. Menob, assume o interrogatório!

(Menob): Vamos tentar de novo! Se concentra, vê aí o futuro e me diz: pra onde o grego tá indo?

(Safira Rosa): Que grego?

(Menob, dando um murro): Onde o grego tá indo?

(Safira Rosa): Eu não sei quem é esse grego!

(Menob, dando outro murro): Fala! Fala logo!

(Safira Rosa): EU NÃO SEI!!!

Menob, com suas duas mãos gigantescas, agarrou a cabeça da pequena safira como se quisesse esmaga-la. As outras gems presentes, ainda aprisionadas, começaram a chorar. Até mesmo Gilius, um dos membros presentes do Esquadrão Platina, começou a achar que aquilo estava passando dos limites.

(Gilius): Majestade, acho melhor parar! Uma safira nunca aguentaria tanto sem cuspir qualquer informação que tivesse! Os moradores de Ahkvata vão acabar vendo tudo, e se isso que estamos fazendo acabar chegando aos ouvidos do seu irmão e das Crystal Gems, então...

(Sebek): Não Gilius, o maldito tentou me matar, libertou um monte de gems e colocou a cidade em perigo! Eu não vou parar até esfolar aquele traidor com minhas próprias mãos! Se você quiser parar, pode sair. Se tiver com pena dessas aberrações de cristal, é só leva-las com você, tudo certo?

(Axel): Aí majestade, a caolha não quer entregar o Thanos não...

Os homens do Esquadrão Platina já haviam batido tanto na pobre safira que, mesmo se ela quisesse ver o futuro e dar alguma informação, ela não conseguiria, pois seu olho já estava todo inchado e ela mal conseguia mantê-lo aberto. Sebek, retornando a um estado de estoicismo até meio sinistro, deu uma ordem curta e grossa.

(Sebek): Axel, põe a corrente no pescoço daquele quartzo raquítico ali!

(Safira): O QUÊ? NÃO FAZ ISSO!!! POR FAVOR!!!

(Sebek): ENTÃO FALA LOGO ONDE ESTÁ O THANOS!!!

Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=9RxIv3u3pTo (ouça até 3:05)

O estardalhaço já estava num estado tão grande que vários curiosos haviam sido atraídos para ver a cena. Sebek, ao perceber a presença deles, começou a falar sem nenhuma hesitação.

(Sebek): Vocês viram o que aconteceu? Viram os portões derrubados? Viram as gems fugitivas? Tudo isso foi obra de Thanos, o capitão do Esquadrão Platina! Ele não só fez essas coisas, como também destruiu meu salão real e também tentou me matar!

Aquela última frase fez um monte de burburinhos ecoarem entre a pequena multidão.

Foram ordenados a defender uma cidade

Que seria o baluarte definitivo da humanidade

Um grande exército de mortais em unidade

Pronto para enfrentar divindades

(Sebek): Pelas leis de Ahkvata, Thanos deve ser preso e julgado por seus crimes diante de todo o povo desta cidade! Porém, ele não está aqui! Fugiu como um covarde, e estas gems, que foram libertadas por ele, se recusam a dizer onde ele está!

A habilidade de Sebek de montar um discurso tão convincente nas horas mais críticas fez com que aquele grupo, inicialmente desconfortável com a brutalidade de seu rei, começasse a apoiar incondicionalmente suas atitudes.

— QUEM TRAI O REI, TRAI O POVO!!!

— FORA COM OS TRAIDORES DA HUMANIDADE!!!

— MORTE AOS PELES DE CRISTAL!!!

De refugiados em busca de um lar

A impiedosas máquinas de matar

Os discursos de um rei

Se tornaram sua lei

(Sebek, se dirigindo à safira rosa): O seu destino e o das suas amigas está nas minhas mãos. Eu tenho tanto poder para salvar você como para entrega-la a essa turba furiosa! A escolha, no entanto, depende de sua colaboração! Então diga, use seus poderes clarividentes e diga! Onde está o capitão do Esquadrão Platina?

(Safira rosa, chorando): Eu não sei! Eu não o conheço! Não tem como eu ver o futuro de alguém que eu não...

(Sebek, se colocando de pé): Axel, pendure logo aquele quartzo raquítico

(Safira rosa): NÃO, ISSO NÃO!!! ELAS NÃO TEM CULPA DE NADA!!!

(Sebek): PUXE, AXEL!!!

Axel, com um único puxão, deixou a quartzo rosa defeituosa pendurada pelo pescoço diante da turba ensandecida. O fato dela não precisar respirar nem ter órgãos como traqueia, esôfago e outros músculos que pudessem ser lesionados pela corrente não diminuiu em nada a dor, apenas fez o sofrimento durar mais, até que ela desfez a forma física como uma forma daquilo acabar de vez.

(rubi): Ela está falando a verdade! Nós contaríamos se soubessem! Por favor, nos soltem, nós não fizemos nada!

— Vocês destruíram nossas casas, mataram nossos filhos e nos mantiveram presos em gaiolas! É isso o que você chama de “nada?”

— Vocês não merecem nossa pena! Vocês sequer merecem uma morte rápida!

— Acabe com elas, Majestade! Acabe com todas elas!

Mais uma vez, eles seguem seu rei com o propósito

De combater a opressão

Enquanto maltratam aquelas que são mais fracas!

Oh, contradição!

A multidão clamava cada vez mais para que as prisioneiras fossem estilhaçadas. Por muito tempo haviam sofrido nas mãos das gems que combatiam nas fileiras de Homeworld, agora não iam perder tempo em castiga-las por tudo o que sofreram.

Sebek pegou a rubi pelo braço e a arrastou até bem próximo do final do cadafalso. Logo abaixo dela, estava a multidão ensandecida, urrando pelo estilhaçamento, como um mar revolto pronto para tragar a pequena gem vermelha. Sebek novamente se virou para a safira, que agora chorava e soluçava tão profusamente que mal conseguia articular uma resposta compreensível.

(Sebek): Última chance, aberração! Onde está Thanos? Quantas amigas suas vão ter que morrer para que você diga onde ele está?

(safira rosa, chorando e soluçando profusamente): E-Eu... eu n-não...

(Sebek): Chega, minha paciência chegou ao fim! Peguem esta piolhenta e façam o que quiser com ela!

Ele jurou enfrentar o opressor

E os mais fracos defender

Mas o ódio o transformou

No que jurou combater

Sebek empurrou a rubi do cadafalso, fazendo ela cair nos braços da turba, que a engoliu enquanto palavrões e gritos de dor se misturavam de forma doentia. A forma física da rubi não resistiu a 10 segundos do linchamento ao qual foi submetida.

Gilius amarrou a nefrita a um poste e depois amarrou na barriga dela uma espécie de panela, cheia de ratos. Tyris, usando os poderes flamejantes de sua espada, começou a aquecer a panela, fazendo com que os ratos, desesperados para fugir do calor, começassem a abrir caminho por dentro da forma física da gem.

A peridote também não teve um destino muito melhor: seus braços e suas pernas foram amarrados às celas de quatro cavalos. Os cavaleiros então atiçaram suas montarias para cavalgarem em quatro direções diferentes. Se aquela pena fosse aplicada a um humano, todos ali teriam achado aquele espetáculo grotesco.

Platina, sem piedade

Por quartzo, pérola ou jade!

Pela humanidade!

(Ou é pela sua vingança pessoal?)

Mas a vítima era só uma gem. Uma criatura sem um corpo humano, sem sangue, sem órgãos, membros e, por conseguinte, sem alma nem sentimentos.

Platina, sem piedade

Por quartzo, pérola ou jade!

Pela humanidade!

(Ou é pela sua vingança pessoal?)

Aquelas criaturas ajudaram a oprimir a raça humana, por isso odiá-las era um ato nobre e honroso não apenas da parte de um guerreiro, mas de qualquer cidadão de Ahkvata. Uma atitude cruel? Desumana? Talvez, mas o que eles estavam fazendo era apenas reagir contra o poderio tirano que os oprimia e subjugava.

Existe uma grande diferença entre a violência exercida por um opressor e a reação de um oprimido a essa violência.

...

...

...

Mas se a diferença é tão grande assim, porque muitas vezes o discurso de ambos soa tão parecido?

Ad victoriam

Ex machina

No sibi sed patriae

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Cerca de 22 horas depois...

Ele continuava correndo. Depois de um dia, Thanos continuava fugindo a pé de seus perseguidores. Enquanto corria, ele se indagava: o que o levou a agredir Sebek daquela forma? Certamente não foi o fato de não querer mais ver a Pérola Negra sendo maltratada, pois se fosse isso, ele a teria levado consigo, ao invés de simplesmente ter fugido sozinho. Afinal, quem garante que ela não foi recapturada junto com outras gems? Quem garante que ela não está apanhando o dobro por ter tentado fugir e não ter feito nada enquanto Thanos espancava Sebek? Provavelmente o que levou Thanos a fazer aquela loucura foi ver o que o “nobre” rei de Ahkvata fazia com as gems que ele capturava. Os fins de Sebek eram egoístas e mesquinhos, não ajudavam em nada a causa da humanidade, ele apenas fazia aquilo porque gostava de ver aquelas pedras sofrerem.

Thanos pensa que provavelmente foi isso que o levou a libertar todas aquelas gems, além de surrar tanto o rei de Sebek que ele vai ter que botar rodas no trono, ou melhor, construir outro trono. Bem, mesmo entendendo o que o levou a fazer tudo aquilo, sua conclusão não o agrada. Afinal, ele poderia ter, depois de ter surrado o tirano, ter revelado ao povo de Ahkvata aquele segredo sombrio da cidade, ter mostrado principalmente aos seus amigos do Esquadrão Platina. Até mesmo Crystal Gems estavam sendo aprisionadas lá.

(Thanos, ainda correndo): Não, não seria certo. Mostrar esse segredo de Sebek dessa forma não seria justo. Na verdade, seria até hipócrita, e eu sou muitas coisas, mas não hipócrita. Mas eu ainda me indago: por que eu libertei aquelas gems, afinal de contas? Talvez eu tenha achado que elas mereciam uma segunda chance de tocar a vida. Ou porque lá tinha Crystal Gems misturadas com as gems de Homeworld, e eu queria botá-las novamente em circulação. Mas... a Pérola Negra não era Crystal Gem. Era?

...

Caramba, ela nem se importou com o fato de que eu estava lutando com o Sebek. Ela deu no pé. Não estava nem aí se ele iria arrancar minha cabeça e usá-la como enfeite de lança ou maçã de bengala. Pffffff, mulheres... pelo menos não posso ser chamado de gado. Libertei um monte de outras como ela.

Provavelmente os outros membros do Esquadrão Platina devem estar me caçando agora. Sebek nunca vai contar o que realmente aconteceu. Sabe, quando eu o espetei, eu não queria mata-lo, só queria que ele pensasse a respeito do que ele estava fazendo. Mas... ele só deve estar pensando mesmo nas várias formas de me matar, e deve estar pensando nisso com um tesão do caralho.

Ah, quer saber? Que se dane. Se ele vier tirar uma comigo, acabo com ele. Meus amigos do Esquadrão Platina vão me apoiar quando eu contar o que realmente aconteceu. Mas agora... acho que vou descansar.

Dito isso, Thanos parou de correr e montou um acampamento numa clareira de um pequeno bosque onde ele havia entrado. Ele improvisou uma tenda, acendeu uma fogueira e se deitou para dormir. Ficou se revirando na tenda por vários minutos, até que desistiu e saiu da tenda.

(Thanos): Só tem uma coisa que eu odeio mais do que dormir de luz acesa: é dormir com gente me olhando. Entenderam? Dá para pararem de ficar me espiando?

Silêncio total.

(Thanos): Sério isso? Dá para ver a cara de vocês daqui. Sim, vocês duas mesmas. A peridote e a nefrita.

Uma peridote amarelo-ouro (https://images-wixmp-ed30a86b8c4ca887773594c2.wixmp.com/intermediary/f/7b03f1f6-0848-4adb-b89d-d7a9e63767d4/dayq3yb-37f73d61-ce43-4190-8678-0f3e388e3d2f.png/v1/fill/w_1000,h_799,strp/golden_peridot__crystal_gem_au__by_destinytomoon_dayq3yb-pre.png) e uma nefrita bem alta (https://pm1.narvii.com/6220/1c1662d2df11cdc865693bed2aacdb0fd3e92319_hq.jpg) saíram detrás de uma árvore e foram se aproximando timidamente de Thanos.

(Thanos): Podem vir, eu não mordo.

(peridote dourada): Fez tudo aquilo lá atrás porque não morde, imagina se mordesse.

A nefrita deu uma cotovelada no braço da peridote por conta da fala indiscreta de sua companheira.

(nefrita, cochichando): Eu disse que não era uma boa ideia a gente ter seguido ele.

(peridote dourada): E você queria fazer o quê? Chegar com a Diamante Amarelo e dizer: “Ó nobre girafa amarela, nós ficamos fora de ação por SEIS MESES, sem dar resposta nenhuma. Mas não é porque traímos Vossa Pescocidade e nos aliamos às rebeldes, longe disso! É que um simples humano, com metade da nossa força, chutou nossas bundas e nos aprisionou esse tempo todo! Falando nisso, por que não nos dá duas pérolas para cada uma como presente de “bem-vindas de volta”?

(nefrita): Desculpe, foi um péssimo plano.

(Thanos): Concordo com a dourada, também acho um absurdo a forma como ele tratou vocês. Eu teria cuidado melhor dessas bundas.

(Nefrita): O que ele quis dizer com isso?

(Peridote Dourada): Sei lá, acho que é uma forma dos humanos tristes se sentirem melhor. A propósito, eu sou a Peridote Dourada código P3NN1, faceta épsilon, corte 0912705021.

(Thanos): Hmmmmm... seu nome agora é Penny.

(Peridote): Não, eu sou a Peridote Dou...

(Thanos): Quieta Penny, quero saber o nome da sua amiga.

(Nefrita): Eu sou a Nefrita código N331R4, faceta lambda, corte 8426379174.

(Thanos): Falou Neera, eu sou Thanos. Estou me preparando para puxar um ronco. Mas vocês não gostariam de entrar para tomar uma xícara de café?

(Penny): Defina... “café”?

(Thanos): É uma bebida recomendada tomar quente. Tem um gosto agradável e infelizmente não tenho aqui comigo.

(Neera): Então porque você ofereceu?

(Thanos): ... para ser educado. Mais uma coisa, eu entendi porque vocês não retornaram para as Diamantes. Mas por que vocês me seguiram?

(Neera): Eu só estava seguindo a peridote, digo, a Penny.

(Penny): Não acredito que até você entrou nessa.

(Neera): Que foi? Penny é um nome bonito, Neera também.

(Penny): Que seja. Bom Thanos, eu te segui porque, quando vi você fugindo, notei que, além de não ser um bom plano retornar para nossas Diamantes, também não é uma boa ideia sair andando feito eremita numa região cheia de humanos e Crystal Gems. Então como você é meio que um renegado igual a gente... a gente resolveu te seguir, pois você deve ter um plano, né? Digo, não é como se você tivesse feito todo aquele estrago só porque te deu vontade, né?

(Thanos): Bom, na verdade... foi porque deu vontade mesmo.

(Neera, dando um facepalm): Pela minha Diamante...

(Thanos): Epa, na casa de Odin, não se profere o nome de Loki e seus asseclas! Mas bem, eu tenho um plano sim.

Thanos pegou um graveto e começou a rabiscar, desenhando dois círculos grandes e separados, com um pontinho mais perto de um círculo do que do outro.

(Thanos): Ok, esse pontinho aqui somos nós. Esse círculo grande mais próximo é Ahkvata. E esse círculo grande mais longe é Mênfis, cidade do irmão do rei que aprisionou vocês. Enquanto estivermos entre essas duas regiões, não estaremos seguros. Por isso, nós devemos ir para a Torre do Mar Lunar.

(Neera): Torre do Mar Lunar? Onde fica isso?

(Penny): Por que você não desenhou isso?

(Thanos): É porque fica na Rússia.

(Penny): O que é “Rússia”?

(Thanos): Sei lá, só sei que é longe pra caramba.

(Penny): Longe como?

(Thanos): Vamos supor que essa pequena pedra aqui no chão é a gente. E que a minha barraca é a Torre do Mar Lunar, ok?

(Neera): Parece ser bem pertinho.

Thanos pegou a pedra e, com uma força descomunal, jogou ela para bem longe, deixando as duas gems de queixo caído.

(Thanos): Um pouquinho mais longe que isso.

(Penny): E como raios a gente vai para lá?

(Thanos): Simples, a gente só tem que encontrar um teletransportador.

(Penny): Onde a gente encontra isso?

(Thanos): Sei lá, da última vez que fui na Síria tinha um lá, se bem que... depois daquele incidente com a Topázio Imperial, não é uma boa ideia.

(Neera): Por que mesmo a gente tem que ir para lá?

(Thanos): Seguinte, a Torre do Mar Lunar é a base das Crystal Gems, a líder delas...

(Penny): VOCÊ É LOUCO??? VAI ENTREGAR A GENTE PARA A LÍDER DAS REBELDES??? SE O SEBEK É ASSIM, IMAGINA COMO DEVE SER A COMANDANTE DELE!!!

(Neera, assustada): aposto que ela deve usar um collant preto e um chicote, além de ter prazer em maltratar as guerreiras do exército inimigo.

(Thanos): Em primeiro lugar, eu tô começando a achar que esse seu medo é na verdade um fetiche reprimido. E em segundo lugar, vocês não têm que se preocupar com nada, porque a Rose é muito gente boa... errr, pedra boa, e é minha grande amiga.

(Penny): Sim, mas pelo fato dela ser aliada do Sebek, ela não vai desconfiar de que você é um traidor?

(Neera): Verdade, havia me esquecido desse detalhe!

(Thanos): Ah, mas eu pensei nisso. Por isso que eu trouxe ela.

Thanos tirou de suas coisas a pedra da rubi conhecida como Joanete, velha conhecida de Amennekht.

(Thanos): Essa rubi aqui também é uma Crystal Gem, e ela vai ser essencial para que Rose acredite em nós. Depois disso, ela vai contar tudo pro Ameni, que vai ficar muito brabo com seu irmãozinho Seboso, que com certeza vai levar umas palmadas no bumbum. A minha imagem será limpa e vocês serão livres para fazerem o que quiserem.

(Penny): Espero que esse seu plano dê certo.

(Thanos): Não se preocupe, vai dar certo sim, senão, na melhor das hipóteses, a gente foge para uma floresta nórdica e fica por lá mesmo. Bem, agora vamos dormir, que eu estou morrendo de sono.

(Penny): Defina “dormir”

(Thanos): Capota e fecha os olhos. Só isso.

Penny deu uma cambalhota, caiu de mal jeito e machucou o pescoço.

(Penny, de olhos fechados): Era para ser doloroso assim?

(Thanos): Zzzz...

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Longe dali, na Torre do Mar Lunar, Rose andava de um lado para o outro. Ao contrário do que costumava ser, a torre estava vazia. Ela era a única que estava lá, e isso dava a ela uma sensação de autorreflexão. Uma espécie de solidão que induzia a quartzo a pensar sobre sua vida e sobre seus companheiros mais próximos. Enquanto ela andava, ela parou numa parte da torre que lhes despertava lembranças especiais: o “quarto” de Amennekht.

Este quarto era uma pequena ala onde ficava uma espécie de mesa que o egípcio usava como cama, uma cachoeira interna que servia tanto como parede quanto chuveiro (o que protagonizou sua cota de momentos constrangedores) e algumas prateleiras onde ele guardava objetos pessoais. Inclusive os antigos Manuscritos de Amennekht ainda estavam lá: um conjunto de azulejos soltos da Torre do Mar Lunar que Amennekht catava e, com o auxílio de um pedaço de grafite, escrevia sobre sua experiência lá e também desenhava algumas gems, com maior destaque para Rose. Ela riu consigo quando viu alguns desenhos em que ele retratava algumas gems de forma hostil e intimidadora, como Garnet, Pérola, a rubi Joanete, etc. e em outros desenhos ele as retratava como suas melhores amigas. Havia um onde a Pérola era retratada como uma mulher malvada com cabeça de pássaro, que queria bica-lo enquanto a “Mamãe” a impedia de chegar perto do garotinho. Outro onde a Garnet aparecia como uma sargentona obrigando o moleque a fazer trocentas flexões. Tinha até um onde Bismuto aparecia carregando uma sacola cheia de presentes e levando para ele. Rose riu muito com todos esses desenhos. Após alguns momentos, ela fechou os olhos, como se tentasse mentalizar todos aqueles bons momentos que ela viveu com o garotinho.

Porém, ela interrompeu este momento nostalgia por conta de uma sensação estranha. Ao abrir os olhos, ela notou que a cachoeira havia sumido, e no lugar havia agora uma parede com uma porta grande e larga. Ao abrir essa porta, ela foi parar num cenário totalmente diferente: era uma espécie de bosque em miniatura, confinado numa jaula, cujo céu acima dela era visivelmente noturno. A porta se fechou sozinha por trás de Rose, mas ela nem percebeu, só foi andando tentando entender o que era tudo aquilo. Ao ir andando, encontrou um grupo de humanos sentados em uma roda. Numa posição de destaque estava um egípcio de meia-idade, que ela não reconheceu. Na roda ao redor dele, estavam majoritariamente crianças e adolescentes, incluindo Merit, Sebek, Thanos e seus amigos Damastor, Atreus e Amphitrite.

(Homem): As gems nos subestimam, e isso é o pior erro que elas poderiam cometer. Percebam: poucas tropas passam por perto dos nossos viveiros e toda a manutenção aqui é feita unicamente pela voz misteriosa que ecoa das paredes, repetindo um monólogo. Elas não nos veem mais como uma ameaça, semelhante ao que éramos quando estávamos livres. Nós faremos com que elas se arrependam deste erro!

(Sebek): Mas como faremos isso, tio Menkara?

(Menkara): Com conhecimento. Quero que todos aqui façam sua parte para reunir cada informação que puderem. Sebek, periodicamente novos humanos são jogados aqui. Quero que você e Merit conversem com eles e perguntem o máximo de coisas possível. Thanos, percebi como você é observador, por isso preciso que você observe as gems que passam por aqui e grave CADA PALAVRA que elas falam. Elas podem soltar várias informações interessantes de forma descuidada, então não negligenciem NADA!!! Quando tivermos informações suficientes, começaremos a estudar um plano de ataque.

Dito e feito, após algum tempo, que para Rose passou em questão de um ou dois minutos, os personagens novamente se reuniram para conversar outra coisa. Menkara, o mais velho do grupo, tomou a iniciativa. Ele começou desenhando o contorno de uma gem, desenhando um círculo no ombro dela.

(Menkara): Pelo que sabemos agora, as gems não tem corpos reais. Não importa o tamanho delas ou seus músculos, tudo está confinado em uma pequena pedra localizada em alguma parte de seus corpos. Se destruirmos essa pedra, nós destruímos elas, não importa o tamanho que tenham. Porém, em alguns casos, elas podem se fundir, criando aberrações ainda maiores, mas vocês não devem teme-las. Pois quanto mais gems se fundem, mais pedras há para acertar!

(Merit): Quer dizer que dá para vencer as gems só destruindo pedrinhas?

(Thanos): Não apenas isso, outra coisa que eu descobri é que além delas terem seu maior ponto fraco exposto, elas não são como os seres humanos. Se elas tiverem um braço quebrado, a perna ou algo do tipo, elas “poofam”. Perdem sua forma física em uma nuvem de fumaça, deixando a pedra vulnerável.

(Menkara): A melhor parte é que qualquer coisa pode ser usada para quebrar as pedras delas: pedaços de pau, porretes, outras pedras... qualquer coisa! Se conseguirmos pegar apenas duas ou três, podemos roubar as armas delas e usar contra elas.

(Amphitrite): E outra coisa: as armas que elas usam não são muito diferentes das nossas: elas usam machados, espadas e lanças, com a diferença de que o poder de corte e perfuração delas é muito maior. Se treinarmos as artes da guerra como nossos pais fizeram, poderemos roubar essas armas e usá-las efetivamente.

(Damastor): Mas como faremos esses treinamentos? Cedo ou tarde elas passarão aqui e notarão algo de errado!

(Menkara): Antes de ser um prisioneiro, eu já fui um capitão da guarda real do Faraó. Posso ensiná-los a lutar e a se defender e contra-atacar as gems, mas infelizmente não temos com o que fazer armas.

Subitamente, um pedaço de pau foi jogado no meio do grupo, chamando a atenção até mesmo de Rose. Do meio das sombras surgiu um jovem com traços orientais, possivelmente um japonês, com o cabelo amarrado no tradicional coque samurai.

(Jovem japonês): Nas mãos de um guerreiro samurai, qualquer coisa pode ser uma arma. Eu cuido das armas.

(Thanos): E você é quem?

(Jovem japonês): sou Shigeaki, da casa real de Yamato.

(Thanos): Shi-Shi... Shingekin? Que nome mais gay.

(Damastor): Sai, sai, gay ô! Sai, sai, gay ô!

(Jovem japonês, franzindo a testa): Não Shingekin, Shigeaki!

(Thanos): Beleza, Jack.

(Sebek): Uma patrulha vem vindo aí! Apaguem a fogueira e se recolham.

Sebek chutou um punhado de terra sobre a fogueira. Quando ela se apagou, tudo escureceu tão repentinamente que Rose não conseguia ver um palmo diante dos olhos. Ao tentar enxergar algo em meio à escuridão, ela acabou direcionando seu olhar para um destacamento de quartzos rosas comandados por uma citrina, que estavam agrupados em frente a um portão, com a intenção de barrar um motim.

(Citrina): Muito bem, todas em posição! Houve uma falha na contenção dos humanos, eles vão chegar aqui a qualquer...

— HUAAAAAAA!!!

O portão se abriu, mostrando uma luz intensa que banhou todo o local onde Rose estava. Os fugitivos apareceram e trucidaram as defensoras antes que elas entendessem o que estava acontecendo, depois pararam para planejar os próximos passos:

(Thanos): Sebek, logo à frente à uma bifurcação, e no final de cada corredor há um portão de segurança máxima! Leve um grupo pela direita e outro pela esquerda! Não podemos ir todos juntos, senão elas vão tentar cercar nossa retaguarda! Vamos dividir as forças delas e obriga-las a abrir ambos os portões se quiserem mandar a tropa de choque!

(Sebek): Thanos, a tropa de choque não é composta só por quartzos! Lignitas vão estar com elas, e as lignitas são muito mais perigosas! Enfrentá-las de frente num corredor tão estreito é suicídio!

(Thanos): Vitórias gloriosas não são alcançadas sem um sacrifício à altura! Jamais se esqueça, Sebek: Elas são presas...

(Sebek): ... e nós, caçadores!

Os grupos se dividiram, então Rose resolveu seguir o grupo de Thanos. O grupo de Thanos era composto por seus três amigos Atreus, Damastor e Amphitrite, e um egípcio chamado Neferu. Eles pararam em frente a duas jaulas grandes, cada uma com cerca de 50 humanos. Depois eles avançaram pelo corredor até chegar a uma porta que se abria num grande pátio, cheio de minivagões espalhados, com três torres onde peridotes operavam mini-metralhadoras anti-motim. O grosso do grupo tentou atravessar o pátio até os vagões, mas acabou sendo alvejado. Outro grupo apareceu, com humanos vestindo armaduras gems e avançando contra os disparos, ombro a ombro, como uma muralha, escoltando os outros fugitivos que estavam abaixados. Uma vez que eles foram chegando nos vagões, começaram a empurrá-los, permitindo avançar mesmo sob intenso fogo cerrado.

Mas havia um problema: o portão que estava no lado oposto do pátio, que levaria à saída, estava se fechando lentamente. As portas laterais, de onde vinha um intenso fluxo de humanos, começaram a se fechar rapidamente. Se Thanos não se apressasse, todo aquele imenso exército de fugitivos ficaria preso logo na saída.

(Thanos): Temos que pegar um daqueles caminhos para chegar à sala de máquinas e impedir os portões de se fecharem, ou ficaremos presos aqui!

Correndo contra o tempo e na contramão, Thanos e seu grupo foram até um dos portões laterais, que se fechava rapidamente. Atreus tomou um impulso e, antes da porta se fechar, ele se colocou embaixo e usou o corpo para impedir o fechamento. Todos deslizaram por baixo. Thanos, o último a passar, estendeu a mão para puxar Atreus, um segundo antes dele ser esmagado.

(Thanos): ATREUS!!!

Amphitrite, com os olhos arregalados, contemplava a metade de um torso moribundo que, poucos segundos atrás, havia sido um de seus amigos mais próximos.

(Thanos): Não há tempo para luto! Se não chegarmos à sala de máquinas, Atreus terá morrido em vão! Vamos!

O grupo continuou correndo, até que eventualmente chegaram à sala de máquinas. Damastor jogou uma adaga arremessável na testa de uma ágata, antes que ela pudesse ter chance de atacar com seu chicote. Amphitrite roubou o chicote, usou o corpo da Ágata como escudo para se defender do disparo da prótese de uma peridote e contra-atacou com o chicote. No final, com as peridotes poofadas, só sobraram seus realçadores de membros, que os fugitivos resolveram usar como armas. Sem mais demora, eles abortaram o processo de fechamento dos portões.

(Neferu): Thanos, veja isso: parece que este lugar tem um computador que controla a energia de vários lugares aqui! Também têm várias câmeras! Podemos coordenar o ataque todinho desse ponto!

Uma das câmeras mostrava as torretas que ainda atiravam nos fugitivos para impedir que eles saíssem do zoológico.

(Thanos): Neferu, tem alguma coisa aí que sirva para calar essas armas?

(Neferu): Sim, tem uma trava de prevenção contra falhas!

(Thanos): Ative-a

Com a trava de segurança ativada, o resultado foi um caos tremendo: as defensoras ficaram sem ter como responder à altura da enorme turba que clamava por liberdade. Isso acabou forçando as gems a usar seu último recurso: chamar a infantaria reserva para sair no braço com os fugitivos. Tudo devidamente observado pelo grupo do grego.

(Thanos): É, pelo visto as reservistas decidiram se juntar à carnificina!

(Amphitrite): O que fazemos agora?

(Thanos): Damos no pé, de preferência por um outro local que não seja o pátio. Não estamos tão bem armados quando os humanos de lá. Neferu, olhe a planta. Tem algum lugar por onde podemos sair?

(Neferu): Deixe-me ver... sim, há uma garagem onde elas guardam veículos de patrulha. Podemos usá-los para fugir.

(Damastor): Então vamos, não temos tempo a perder!

O grupo foi até o local, sem esbarrar em nenhuma gem, já que todas estavam enfrentando os fugitivos no pátio. Chegando na garagem, o grupo de Thanos viu um veículo voador parado ali e entrou. Ele só tinha espaço para 4 gems, mas como as quartzos eram grandes, todos couberam ali confortavelmente.

(Amphitrite): Muito bem, como essa coisa funciona?

(Thanos): Tem que abrir o portão primeiro!

(Neferu): Como abre o portão?

(Damastor): Eu acho que é esse botão aqui.

Damastor apertou o botão, que disparou um míssil contra o portão, abrindo um baita buraco.

(Thanos): Beleza, portão aberto.

(Damastor): Agora como a gente pilota?

(Thanos): Deve ser que nem montar um cavalo.

Thanos pegou os controles e começou a mexer com eles.

(Thanos): A gente pega as rédeas, puxa...

Ao puxar as “rédeas”, a nave começou a levantar voo.

(Thanos): ... e agora folga um pouco.

Ao direcionar o controle para a frente, a nave foi com tudo pelo buraco do portão. Saindo do zoológico em meio à escuridão da noite. Embora a nave estivesse se balançando, ainda era algo dirigível. O negócio ferrou mesmo quando um pássaro bateu com tudo no para-brisas!

(Amphitrite, gritando): MERDA, MERDA, MERDA!!!

(Damastor): Sem pânico! Foi só um pássaro!

Antes que ele pudesse dizer outras palavras que acalmassem, a nave bateu com tudo no chão e começou a capotar, deixando todo mundo desacordado.

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Rose acordou abruptamente. Ela estava, ironicamente, deitada na cama do antigo “quarto de Amennekht”, na Torre do Mar Lunar. Mas diferentemente de seu sonho, a Torre estava cheia de gems, andando para lá e para cá. A quartzo rosa começou a ficar preocupada porque já havia algum tempo que, sempre que ela ia dormir, ela tinha um daqueles sonhos estranhos com Thanos. Aquilo também a fazia pensar mais nele, ficando preocupada sobre onde e o quê ele poderia estar fazendo naquele momento. Thanos era um sujeito muito estranho, e ela sentia que aqueles sonhos, de certa forma, poderiam estar contando histórias sobre ele.

(Rose): Onde está você, Thanos?

Notas finais
Bem, este foi um capítulo trabalhoso. O mais longo da história até este ponto e, provavelmente, será o mais longo da história toda. A partir daqui, muitas máscaras começam a cair, começando pela de Sebek. Sabe, embora Amennekht e Sebek sejam dois personagens diferentes, eu escrevi Sebek pensando nele como um "bad ending" do Amennekht: ele representa o Amennekht que, ao invés de ter sido resgatado por Rose Quartz, foi capturado pelas gems que invadiram Mênfis. Ele é o Amennekht que passou a infância vivendo no zoológico de humanos, tendo que tramar a fuga por anos para, no final, ainda perder o tio, a única família que ainda lhe restava. Mas é claro que isso não justifica a conduta dele. Como está sendo mostrado, ele não foi o único que passou por todo esse perrengue. Thanos também sofreu, mas nem por isso ele tem esse ódio incontrolável pelas gems, a ponto de tratar Leais e Rebeldes como se fossem a mesma coisa. Fiz esse conceito baseado numa frase de Shakespeare: "Quando você está com raiva, tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel". A cena da execução foi para mostrar tanto o patamar aonde Sebek chegou, bem como o grau de influência que ele tinha. Foi uma cena meio tensa de se escrever, até porque eu pesquisei sobre penas de morte que existiram de verdade. É, bem que eu marquei essa história como +16 anos e coloquei avisos sobre tortura e mutilação. Se você está lendo isso sem ter a idade apropriada, pare aqui mesmo, do contrário considere-se avisado e siga por sua conta e risco. Eu vou voltar às aulas em breve, mas talvez ainda lance mais um capítulo nesse meio tempo, porque este arco será um dos melhores da história. Continuem acompanhando e não deixem de colocar críticas construtivas para esta história. Até o próximo capítulo. Ps.: O nome da música que serve de trilha sonora é "Wermacht", da banda Sabaton, e retrata a realidade da Alemanha nazista, com foco nas Forças Armadas Alemãs. A letra original é bem profunda e eu me esforcei para, nessa adaptação, transcrever um pouco dessa profundidade. O único trecho que não alterei foi o que estava em latim, pois achei que seu significado denotava como Sebek e o exército de Ahkvata já estavam começando a pensar e agir igual às Diamantes e a seu exército: Ad victoriam (à vitória) Ex Machina (da máquina) No sibi sed patriae (Não para si, mas para a pátria)