Notas iniciais
À medida que Amennekht convive com as gems, ele aprende mais sobre elas e elas aprendem mais sobre eles. Após um treino de espadas com Pérola, Amennekht expressa o desejo de possuir sua própria lâmina. Rose então resolve apresentar o garoto à Bismuto.

Amennekht acordou no meio da noite, ouvindo um som estranho se espalhando pela enorme sala de cristal, onde ele estava dormindo. O som parecia ser de alguém pisando nas águas de um riacho. Ele olhou em volta, mas não viu ninguém. Nem mesmo Rose Quartz estava presente na sala.

(Amennekht): Olá, tem alguém aí?

Ao continuar procurando, ele ouviu um som parecido com um grunhido. O rapaz olhou na direção de onde veio o som e viu duas criaturas grotescas: a primeira era totalmente disforme, parecia uma espécie de gosma ambulante, com várias tonalidades de rosa, vermelho, roxo e preto. Onde quer que ela pisasse, deixava um rastro de algo que parecia ser tinta. No meio do corpo dela, havia uma joia rosa em formato de coração, que estava rachada.

A segunda tinha um formato humano, parecia ser uma garotinha, um pouco mais velha que Amennekht, mas totalmente estranha: os olhos dela eram negros, com um certo brilho espelhado. O cabelo dela, embora razoavelmente arrumado, tinha algumas mechas rebeldes arruinando a harmonia do penteado. O braço direito dela estava saindo da têmpora, enquanto que o esquerdo apalpava uma joia laranja rachada na cabeça, como quem apalpa um ferimento. O corpo dela e o vestido ficavam brilhando em diferentes cores, como se fosse um pisca-pisca, e o mais estranho era que ela não tinha pés.

Amennekht estava assustado, mas não tão amedrontado como no início. Outro motivo para isso era o fato de que aquelas criaturas disformes pareciam estar pedindo socorro. O rapaz até fez menção de estender o braço para tocá-las, mas ouviu uma voz familiar.

— Afaste-se do garoto e identifique-se!

Rose Quartz estava logo do lado das duas criaturas, com sua espada estendida pronta para perfura-las ao menor movimento brusco. As duas criaturas se viraram vagarosamente em direção de Rose, até que a iridescente disse antes de desabar.

— Rose...

Rose segurou as duas antes que caíssem de ver no chão. A guerreira quartzo nem se preocupou em pegar a espada que caíra no chão. Mais importante era carregar as duas, que estavam feridas.

(Rose): Acalmem-se, não se esforcem, eu vou curar vocês.

(Criatura laranja): Os quartzos... avançaram contra nossas formações... elas se dispersaram... foram aniquiladas.

(Criatura rosa): Vimos as nossas vanguardas se rendendo... foram pulverizadas com tiros de canhão.

Rose se virou e viu que Amennekht a seguia, com um misto de espanto, curiosidade e compaixão. Mas ela não podia deixar que ele visse tudo aquilo, ele era só uma criança.

(Rose): Amennekht, não me siga! Fique na sua cama!

O menino obedeceu, mas sem entender toda a cena. Quando Rose se retirou, ele viu a espada dela jogada no chão e tentou segurá-la, mas ela era grande demais e pesada demais. Ele então notou que uma das criaturas havia deixado um rastro de uma gosma que lembrava muito tinta. Ele seguiu esse rastro até o sentido contrário que Rose havia ido, e chegou até um transportador. Amennekht subiu nele e ficou pensando numa forma de ativá-lo, até sentir uma mão segurando-lhe o ombro, e essa mão era de Garnet.

(Garnet): Rose Quartz disse para você não sair do seu quarto. O que faz aqui?

(Amennekht): E-Eu vi aquele rastro de tinta e então eu... espere, como você sabia que eu estava aqui?

Garnet apontou para os próprios óculos e disse uma frase um tanto enigmática.

(Garnet): Vamos dizer que nesse aspecto você foi extremamente previsível. Agora siga-me de volta para o seu quarto.

Os dois voltaram ao “quarto” de Amennekht. Garnet se sentou do lado do garoto, que sentiu vontade de perguntar uma coisa.

(Amennekht): Garnet, o que eram aquelas criaturas disformes? Elas tinham umas joias rachadas no corpo.

Garnet pareceu um tanto desconfortável ao responder aquela pergunta.

(Garnet): São Crystal Gems, como eu e você. Elas foram rachadas. Quando isso acontece, nossas formas físicas ficam distorcidas.

(Amennekht): Formas físicas?

Ao ver a dúvida do rapaz, Garnet estendeu o braço e deixou que ele apalpasse.

(Garnet): Este corpo que você vê não é real. É meramente uma projeção ilusória que criamos.

(Amennekht): Tipo mágica?

(Garnet): Sim, mágica, de certa forma. Se ela for ferida, não há problemas, mas se nossas pedras forem quebradas...

(Amennekht): Você morre?

Garnet não respondeu, mas Amennekht sabia que a expressão corporal dela dizia “sim”. O rapaz continuou segurando o braço da gem, até achar uma pedra rosada, com uma faceta quadrada.

(Amennekht): Para que serve esta pedra?

(Garnet): Ela me permite projetar minha arma.

Garnet projetou a manopla que ela usava em combate, depois a recolheu, deixando Amennekht admirado.

(Garnet): Agora vá dormir. Rose disse que os humanos precisam disso.

(Amennekht): Você vai dormir?

(Garnet): Eu não preciso dormir.

(Amennekht): Mas você podia pelo menos tentar. É tão bom, você deita, relaxa, e não pensa em mais nada.

(Garnet): Tudo bem, acho que ficar um pouco com você e tentar isso, mas só uma vez.

Amennekht se deitou suavemente na improvisada cama de pedra, mas novamente encontrou o problema de antes: era dura demais.

(Amennekht): Senhorita Garnet, poderia... bem... cruzar as pernas que nem a senhorita Rose faz?

(Garnet): Para quê?

(Amennekht, constrangido): Para... bem... eu apoiar a cabeça.

Apesar de estar constrangido ao pedir aquilo, Amennekht viu Garnet atender o pedido. Ele deitou, relaxou e se preparou para dormir, mas a gem ainda queria dizer uma última coisa.

(Garnet): Amennekht, sobre o que aconteceu mais cedo... me desculpe. Não foi minha intenção assustá-lo, nem o fazer chorar.

(Amennekht): Tudo bem, eu também não me comportei adequadamente. Não foi legal eu ficar toda hora te chamando de “aberração de três olhos”. Me desculpe.

(Garnet): Está tudo bem.

(Amennekht): A propósito, por que você tem três olhos?

(Garnet): Vamos dizer que eu sou diferente das outras gems.

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Amennekht acordou de novo quando já era de manhã. Novamente, não havia ninguém por perto. Ele abriu sua bolsa e começou a pegar a comida que sua mãe havia colocado lá antes dele fugir. Não havia sobrado muita coisa, apenas uns dois pães pequenos, que ele começou a comer. Quando ele estava acabando, Rose chegou para falar com ele.

(Rose): Eu estava conversando com outras gems sobre a batalha de ontem. Como você está?

(Amennekht): Garnet me contou sobre aqueles dois monstros que apareceram ontem. Que elas eram Crystal Gems. Como elas estão?

(Rose): Estão melhores, eu as curei do mesmo jeito que curei sua insolação e seu galo na cabeça. A propósito, o que você está fazendo?

(Amennekht): Estou comendo.

(Rose, confusa): Comendo?

(Amennekht): É, eu pego um pouco de comida, coloco na boca, mastigo e engulo.

(Rose): Por que você faz isso?

(Amennekht): Bom, para conseguir energias para o dia. Eu preciso comer, dormir e beber água para ter energia para o dia inteiro. Como vocês gems conseguem energia?

(Rose): Toda a energia que precisamos vem da nossa pedra.

(Amennekht): Entendo...

(Rose): Você ainda precisa comer?

(Amennekht): Preciso.

(Rose): Onde você consegue essa tal de... “comida” ?

(Amennekht): Bom, eu como muita coisa: pão, bolo, carne, frutas, legumes... só que eu não sei cozinhar... só a minha mãe sabia...

Amennekht pareceu um tanto entristecido ao dizer a última frase, o que fez Rose sentir pena dele.

(Rose): Se você me disser onde conseguir isso, eu posso levar você.

(Amennekht): Está bem.

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Amennekht, Rose e Pérola estavam numa savana. Enquanto o garoto avançava abaixado, quase rastejando, pelo chão, Rose e Pérola observavam tudo de longe.

(Pérola): Rose, o que o Amennekht está fazendo?

(Rose): Eu também não entendi direito, mas ele disse que precisa fazer isso para comer.

Amennekht carregava consigo duas lanças criadas por Pérola. Ele ficou abaixado, observando tudo ao redor até que viu um gnu pastando um pouco mais afastado, e segurou uma das lanças com firmeza, enquanto carregava a outra nas costas.

(Amennekht, pensando): Ouvi muitas histórias sobre caçadores contadas pelo meu pai. Acho que era assim que os caçadores faziam.

Amennekht se levantou rapidamente e jogou a lança contra o gnu, mas como ele não tinha habilidade com a arma, acabou acertando o animal apenas de raspão, no lombo. O animal começou a correr, perseguido por Amennekht, que gritava com a lança erguida.

(Rose, assustada): O que ele está fazendo?

(Pérola, perplexa): Eu não sei! Parece que ele quer matar o animal!

(Rose): Mas ele disse que só queria comer!

As duas gems foram correndo em direção ao garotinho, que agora parava ofegante depois de correr por apenas uns 3 ou 4 minutos. O gnu havia conseguido escapar dele com facilidade. Rose o agarrou pelo braço e o interpelou exigindo respostas, seu olhar misturando indignação e susto.

(Rose): Por que você fez aquilo, Amennekht? Você disse que só queria comer, não que queria matar um pobre animal!

(Amennekht): Mas é assim que fazemos para comer. Nós vamos atrás de animais, matamos e comemos.

(Pérola): O quê? Isso é terrível! Como vocês podem matar criaturas indefesas por prazer?

(Amennekht): Mas não fazemos isso por prazer! Fazemos para sobreviver! Se não comermos, morremos.

(Rose): Amennekht, tem que haver alguma outra coisa que você possa comer. Não vou trazer você para essas viagens para fora da Torre do Mar Lunar para lhe ver matar animais inocentes.

(Amennekht): Bom, acho que eu sei de outra coisa que posso comer, mas vai dar mais trabalho para conseguir.

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Algum tempo depois Rose, Pérola e Amennekht voltaram para a Torre do Mar Lunar, carregando espigas de milho e trigo, folhas de alface, alguns grãos de feijão, etc. Como Amennekht não sabia cozinhar, ele resolveu comer tudo aquilo cru. O trio estava no “quarto” de Amennekht, sentado em forma de um círculo ao redor da “colheita”. Amennekht estava comendo normalmente, Rose estava vendo aquilo como se estivesse estudando o garoto, enquanto Pérola parecia estar com nojo de alguma coisa.

(Amennekht): Vocês não vão comer? Eu sei que vocês não precisam, mas isso aqui é muito bom, vocês poderiam gostar.

(Rose): Não, obrigada Amennekht. Você precisa mais do que a gente.

(Amennekht): Mas eu peguei bastante, achei que vocês iriam querer um pouco.

(Pérola, nervosa): Errr, Rose, podemos ir ali rapidinho?

As duas gems se afastaram, e Pérola nem fez questão de mascarar seu desagrado.

(Pérola, enojada): Que nojeira é aquela que o Amennekht está fazendo?

(Rose): Pelo que ele me disse, se chama “comer” .

(Pérola): Ele fica enfiando aquele monte de matéria orgânica na boca, e então ele mastiga, e forma uma gosma misturada com aquele líquido que ele tem na boca e depois ele... Argh!

(Rose): Pérola, você sabe que os humanos são diferentes de nós. Eles fazem certas coisas que não compreendemos. Tudo bem você não gostar, mas tente ser um pouquinho sutil, está bem?

(Pérola, fazendo aspas com os dedos): Vou tentar... mas por favor, eu não vou “comer” nada daquilo!

(Rose): Tudo bem.

(Pérola): E você também não!

(Rose, rindo): Não vou comer.

Depois que acabou de comer, Amennekht limpou tudo e se dirigiu até o lugar para onde as duas gems haviam se retirado.

(Amennekht): Senhorita Pérola, você vai me ensinar a lutar com espadas ainda hoje.

(Pérola): Ah sim. Você já terminou aquela noj... de comer?

(Ammenekht): Bom, sim.

(Pérola): Então venha com a gente. Vamos começar agora mesmo seu treino com espadas.

Pérola, Rose e Amennekht subiram em um teletransportador e foram enviados até a Arena Celeste, agora sob comando das Crystal Gems. O trio caminhou até o centro, onde Pérola pegou uma espada e a entregou ao garoto.

(Pérola): Antes de mais nada, cumprimente a mim, que sou sua professora, depois para Rose, sua mestra.

(Amennekht): Sim senhora.

Com a “cerimônia” encerrada, Amennekht sacou a espada e se colocou em postura de batalha.

(Pérola): Agora, eu vou criar esta projeção minha, que será sua oponente

(Holo-pérola): Nível zero, fase inicial. Você deseja iniciar um combate?

(Amennekht): Sim! Aaaahhhh!!!

(Pérola): Amennekth, assim não!

O garoto foi correndo com tudo para cima da holo-pérola, atacando feito um louco. O holograma simplesmente foi bloqueando e depois passou uma rasteira nele.

(Pérola, séria): Amennekht, não pode avançar contra um inimigo desse jeito. Quando estiver num campo de batalha, a maioria dos seus inimigos serão quartzos, assim como a Rose.

(Amennekht): Desculpe, acho que me empolguei.

(Pérola): Vamos tentar de novo. Separe bem os pés e abaixe o corpo.

Pérola ajudou a colocar o garoto na posição certa e continuou, dessa vez sem usar hologramas.

(Pérola): Muito bem, agora lembre-se: jamais tire os olhos do seu oponente, não importa se está avançando ou recuando. Agora, me ataque.

Amennekht fez um ataque rápido, que foi bloqueado por Pérola.

(Pérola): Muito bem, agora defenda!

Amennekht tomou um susto ao ver Pérola atacar, mas com reflexos igualmente ágeis ele bloqueou o ataque.

(Pérola): Muito bem! Combine ataque e defesa, avanço e recuo! Sabendo a hora de atacar, você irá vencer!

Enquanto os dois continuavam treinando, o entusiasmo tomou conta de ambos. Rose ficou assistindo admirada com a determinação de mestra e aprendiz.

(Amennekht, cantando): Vou despertar a coragem dormente no meu coração! Vou lutar com todo o vigor por um novo amanhã!

(Pérola, cantando): Não importa quantas vezes cair, nunca deixe de se levantar! Porque a vitória nunca vai vir se você não lutar!

(Amennekht, cantando): Vou superar limites que surgirem no meu caminho! Batalhar pelo trono reservado para mim!

(Pérola, cantando): Sempre avançar com determinação sem fim! A cada passo uma vitória a mais e assim resistir!

(Os dois cantando juntos): À TIRANIA DOS GIGANTES!!!

EU SOU CRYSTAL GEM!!!

(Amennekht, cantando solo): Dois povos unidos por um ideal!

(Pérola, cantando solo): O nosso futuro não pertence a ninguém!

(Os dois cantando juntos): EU SOU CRYSTAL GEM!!!

(Pérola, cantando solo): O futuro deste planeta está em nossas mãos!

(Amennekht): A esperança vai guiar a nossa geração!

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O tempo passou e com ele as aulas de Pérola. Amennekht já possuía uma habilidade considerável em luta com espadas, em comparação quando ele começou as aulas. Ele também já havia tido diversas aulas de combate físico com Garnet. Cerca de um ano havia se passado, o garoto agora estava com cerca de 8 anos e já tinha um físico um tanto definido para um garoto de sua idade. Um dia, ele estava em seu quarto, desenhando em pedaços de azulejo que ele achava solto por aí. Rose foi chama-lo, mas o viu desenhando, usando um pedaço de madeira como lápis e um pouco de pigmento negro artesanal como tinta.

(Rose): O que você está desenhando?

(Amennekht, mostrando o desenho): É uma khopesh, uma arma de meu povo. Sabe, todo esse tempo que eu andei treinando luta de espadas com a senhorita Pérola me fez lembrar da khopesh. É uma arma de um faraó, uma arma perfeita para um nobre. Seu lado convexo corta o inimigo e seu lado côncavo protege o guerreiro e também é usado para desarmes.

Rose ficou olhando para o desenho, admirando as habilidades de Amennekht, tanto artísticas quanto lógico-matemáticas. Então ela deu um sorriso e olhou para o garoto.

(Rose): Eu conheço uma amiga que pode criar uma dessas para você, vou te apresenta-la hoje mesmo.

Rose e Amennekht foram até um transportador, e depois ambos foram caminhando até chegar a uma espécie de caverna em um vulcão. Sons de alguém batendo ferro numa bigorna ecoavam de dentro para fora.

(Amennekht): Aqui é muito quente! Não me diga que sua amiga está lá dentro!

(Rose, sorrindo): Sim, ela está.

Ambos entraram na caverna, e Amennekht se espantou ao reconhecer a figura batendo ferro contra a bigorna: era a gigante daquele dia.

A invasora que matava outras invasoras.

(Amennekht): V-Você?

(Bismuto): Ei, eu te conheço! Você é aquele garotinho que as rubis iam matar! Eu te salvei! Como é que você está?

(Amennekht): E-Eu... d-digo... Quem é você?

(Bismuto): Meu nome é Bismuto. Eu salvei sua pele naquele dia, lembra? Bom, eu teria salvado mais se você não tivesse fugido como se eu fosse algum monstro. Hahahaha!

Amennekht não riu da piada, nem Rose, isso fez Bismuto ficar meio constrangida.

(Bismuto): Desculpe.

(Rose): Bismuto, este é o Amennekht. Ele queria ver você porque ele desenhou uma arma e precisa de alguém que a forje.

(Bismuto): Ah, então você veio com a gem certa, me deixe ver esse projeto.

Enquanto Bismuto observava o desenho de Amennekht no pedaço de azulejo, o rapaz ficou olhando a forja dela. Havia várias armas, de diferentes tamanhos, penduradas por toda parte. Havia a bigorna, os caldeirões cheios de lava fervente... também havia algo que chamou mais a atenção do garoto: um selo gigante, de aparência metálica, com o desenho de uma rosa, o símbolo da rebelião. Admirado, o garoto continuou vasculhando o lugar com os olhos, até ver outra coisa: era um pano, de cor metálica, dobrado cuidadosamente em uma espécie de mesa, mais afastada. O pano tinha um desenho que não dava para ver totalmente, já que ele estava dobrado. Amennekht desconfiou que fosse uma bandeira e ia se aproximar para ver melhor, mas foi interrompido por Bismuto.

(Bismuto): Impressionante, muito impressionante! Foi mesmo você que desenhou isso, garotinho?

(Amennekht, orgulhoso): Sim.

(Bismuto, admirada): Isso é uma arma incrível! Ela ataca, defende e desarma! Um guerreiro empunhando isso no campo de batalha seria a própria personificação da invencibilidade!

(Amennekht): O nome dessa arma é khopesh! É uma arma nobre, apenas um faraó como eu pode empunhá-la! Os mais hábeis ferreiros as forjam usando bronze e...

Do nada Bismuto interrompeu Amennekht, com uma expressão facial que parecia denotar confusão e um pouco de irritação?

(Bismuto): Como é que é? Está me dizendo que você usa bronzes para esculpir isso?

Embora Amennekht não entendesse a indignação de Bismuto, Rose entendeu e chamou a ferreira para conversar a sós.

(Rose, cochichando): Bismuto, esse “bronze” que o Amennekht falou é um bronze... terráqueo. Não é como o que você conhece. É um metal que eles batizaram assim. Eles usam para fazer armas e ferramentas. É mais ou menos como as pedras preciosas que eles usam como enfeites.

(Bismuto): Ah, entendi...

Bismuto se recompôs e então se voltou para Amennekht.

(Bismuto): Desculpa pela irritação, garoto. É que eu pensei que... quer saber? Esquece, isso não vem ao caso. Rose me disse que vocês usam esse... “bronze”, que é um metal terráqueo, para esculpir as armas. Isso é verdade?

(Amennekht): Bem, sim. É verdade?

(Bismuto): Então você já começou errado. Sua arma é a combinação perfeita entre ataque e defesa, mas mesmo a mais perfeita das armas é inútil se não for forjada com o melhor dos materiais. Não garoto, você não pode usar armas forjadas em metais humanos contra armas forjadas com material gem! Elas quebrariam como gravetos!

(Amennekht): Por isso eu preciso da sua ajuda.

(Bismuto): E você terá minha ajuda, não se preocupe.

(Rose): Obrigado por sua ajuda, Bismuto.

(Bismuto): Ah, não tem de quê, Rose. Você e o garotinho humano podem voltar quando quiser. Acho que mais tarde vocês já podem vir buscar.

(Amennekht): Até mais tarde, senhorita Bismuto.

(Bismuto): Até, garoto.

Depois que Rose e Amennekht saíram, Bismuto voltou a ficar sozinha na forja para começar a trabalhar na arma de Amennekht. Ela coletou os minérios dos baús, os mergulhou em lava, criando uma amálgama e começou a martelar. Quanto mais ela trabalhava, maior ficava seu entusiasmo.

(Bismuto): Já vi muitas armas excelentes para atacar e defender... mas uma arma que combina esses dois elementos, mais o desarme, é algo que nunca pensei ver. Um humano tão pequeno desenhou isso. Não é à toa que Rose vê tanta coisa nesses seres a ponto de lutar por eles.

Bismuto colocou o azulejo de Amennekht, com os desenhos e anotações da arma, numa bancada separada, um pouco afastada da bigorna. Enquanto trabalhava, acabou tendo uma ideia. Ela pegou o projeto, analisou com mais atenção e percebeu algo.

(Bismuto): Esse... ganchinho embutido na parte posterior da lâmina serve para arrancar armas e escudos das mãos dos inimigos... e se isso fosse usado para puxar fora as pedras das gems inimigas? Talvez... se eu aumentar a resistência do dente e a flexibilidade da lâmina... sim, é possível!

À medida que Bismuto foi trabalhando, a massa disforme de metal incandescente foi ganhando sua forma de foice. Embora esculpir a arma fosse fácil, foi consideravelmente difícil achar o equilíbrio entre dureza e flexibilidade que permitiria à Bismuto concretizar seus planos de uma arma capaz de arrancar pedras das gems inimigas. Se a arma fosse flexível demais, não penetraria a pele das guerreiras quartzos inimigas, mas se fosse dura demais, a lâmina se partiria na hora do puxão.

(Bismuto, falando sozinha): Amennekht, sua arma será grandiosa! Depois da espada de Rose Quartz, essa vai ser minha maior criação.

UMA ARMA MAIS JEITOSA E CERTEIRA QUE UM MACHADO. UMA ARMA ELEGANTE, PARA DIAS MAIS CIVILIZADOS.

Notas finais
Como puderam notar, esse capítulo tem música. Depois de assistir vários episódios de Steven Universo que possuem músicas, eu decidi que colocaria algumas músicas originais nessa história. Bem, não totalmente originais, já que a música que Amennekht e Pérola cantam tem o ritmo dessa música aqui: (https://www.youtube.com/watch?v=gjmdCzVGBQI). Mais músicas irão aparecer futuramente, espero que vocês gostem. Esse primeiro arco da história pode parecer meio paradinho, mas é porque retrata Amennekht como criança, treinando para ser Crystal Gem. Futuramente, quando ele for mais velho, o lado mais guerreiro dele vai aflorar. Até lá, vocês poderão acompanhar vários personagens que ele vai conhecer, bem como a relação que ele terá com cada um. Não deixem de acompanhar e deixar seus comentários com elogios e críticas construtivas.