Sangue Sobre Tela
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Elena caminhava pelos corredores verdes claros, cheios de quadros do prédio onde era camareira, muito jovem, mas já trabalhava para conseguir dinheiro o bastante para sobreviver, depois que os pais se separam ela teve de ir morar sozinha. De manhã, um novo morador da cobertura, que havia se mudado há poucos dias, a pediu para que fosse limpar seu apartamento que estava sujo de tinta, ele era pintor.
Assim que apertou a campainha Victor abriu a porta. Magro, alto, de cabelos negros e olhos azuis como o céu, o hobby preto realçava a pele alva. Conversaram um pouco sobre a mudança recém-chegada de Victor e a garota de cabelos castanhos escuros começou a limpeza a partir da uma ampla sala de estar, pintada de um tom branco acinzentado e moveis tabaco.
Elena limpava uma grande estante de livros quando o jovem pintor surgiu por uma porta sorrindo:
–Você é tão jovem e bonita, não quer ser minha modelo?- encostou-se no batente da porta e lançou o olhar mais doce possível.
–Ah! Não posso, tenho que trabalhar- sorriu- Ainda sim, obrigada. — virou-se novamente para a estante.
–É uma pena. Eu pensei em te pagar um cachê.- Victor virou-se de costas.
–Quanto?- Elena atravessou a sala na direção do pintor e o alcançou em três passos largos, sentiu a voz mais alta do que esperava, realmente precisava de dinheiro. O rapaz pegou um bloco de anotações e uma caneta, que estavam em cima de uma pequena mesa de centro perto de um sofá preto de aparência macia, escreveu alguns números e entregou a garota. Os olhos castanhos dela brilharam, era quase o salario de camareira por um ano todo- Eu aceito!
–Ótimo! Siga-me – Com um sorriso largo o artista deixou a sala e caminhou tranquilamente por um longo corredor, entrou em um quarto onde havia um grande espelho, um sofá de veludo branco e sobre este um longo vestido verde jade, de alcinhas finas e com aparência muito cara- Vista, vou esperar na sacada.
–Mas... Eu tenho que trabalhar... Não pode ser outro dia?- o rosto moreno se encheu de insegurança.
–Não se preocupe, posso falar com o dono do prédio, ele é meu amigo de infância, vai entender, não vai demorar mais de algumas horas- sorriu de forma confiante.
–Certo então.
Alguns minutos depois a jovem saiu do quarto e correu em direção à sacada, mas ao chegar lá não encontrou ninguém. Encostou-se no parapeito e admirou o cenário.
–Você esta linda.- Victor parecia ter se materializado atrás dela, as mãos do pintor tocaram os ombros descobertos da garota.
–Obrigada, eu...- as mãos fortes do pintor seguraram-na com mas força, e com um único movimento hábil lançou-a por cima do parapeito, para uma queda mortal do ultimo andar da cobertura do prédio em que estavam.
Semanas depois um novo quadro foi apresentado, uma jovem de pele morena e cabelos castanhos escuros, estava caída na calçada de uma rua de aparência vazia, sobre uma mancha de sangue que tinha o dobro de seu tamanho, seu rosto mostrava desespero e dor, seu corpo esguio estava retorcido e os membros visivelmente quebrados, embaixo dela dois ou três cabos de energia elétrica estavam esmagados, o que mostrava que ela cairá de um local muito alto, seus cabelos quase pretos abertos em um grande leque se misturavam ao sangue, os olhos castanhos sem vida estavam abertos, um filete de sangue escorria por seus lábios volumosos entreabertos.
–Impressionante!- O crítico de meia idade e roupas finas analisava o quadro.- Quando chego bem perto desses quadros consigo até sentir o cheiro do sangue!
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