Mystic Falls... A cidade onde nada de ruim acontece.

Devo ter dito isso 50 milhões de vezes. Devo ter acreditado nisso por 50 milhões de vezes mais. E agora só me pergunto por quanto tempo isso chegou a ser verdadeiro, ou se pelo menos um dia foi.

Não é só o primeiro dia depois de tudo. É o dia do qual eu me lembrarei para sempre (seja lá quanto tempo dure isso).

Jeremy e eu saímos do hospital ontem. É a primeira vez que vejo o Sol, depois de tantos meses, sem ser através das janelas de um quarto e ele parece tão estranho. Ele se parece mais com uma bola de fogo qualquer. Com um daqueles trabalhos escolares mal feitos que papai refazia às pressas pela madrugada, imaginando estar ajudando Jeremy e eu. E estava, do seu jeito.

A floresta. A estrada. As casas esmagadas pelos jardins desinibidos. Tudo parece ter mudado.

Essa não parece mais ser Mystic Falls. Eu não pareço mais ser Elena Gilbert. Jeremy não parece mais ser o irmão frágil e solitário que eu deixei antes de entrar naquele carro. A residência dos Gilbert não parece mais a mesma com Jenna e Ric na cozinha. Meu diário não parece mais o mesmo com o vazio que existe entre aquela noite e essas últimas palavras. A lacuna impreenchível que meus pais deixaram naquele lago. E eu mal sei dizer o que aconteceu. Como sobrevivi. E se sobrevivi, por que.

Fiquei em coma durante 10 meses.

Sou o que Meredith Fell, a médica da família, chama de Milagre da Medicina. Sou o que os vizinhos chamam, entre as confortáveis e privadas poltronas de suas salas, de O Resto dos Gilbert. Sou o que Bonnie chama de Sobrevivente. Talvez eu seja mesmo. Talvez eu seja apenas isso.

Só me lembro desses últimos meses. Do que não vivi. E do que vi nos sonhos. Não que eu acredite em experiências de quase morte, ou qualquer dessas especulações religiosas que aspiram um artigo no The Mystic Falls News. Eu só não consigo acreditar que era apenas um sonho. Que, esse tempo todo, tudo que eu vi, senti e ouvi, durante 10 meses, era apenas um sonho. Um maldito sonho.

Que mesmo com o acidente, Mystic Falls tenha seguido em frente. Que meus amigos tenham seguido em frente. Que os Salvatore nunca tenham existido. Que Katherine Pierce nunca tenha se olhado no espelho e visto o mesmo que eu. Que as mortes sobre as quais chorei nunca tenham ocorrido.

E que, principal e enlouquecedoramente, gotas de sangue ainda sejam apenas gotas de sangue. Que minhas veias não sejam um alimento pelo qual anseiam centenas de pseudo-moradores dessa cidade. Que tudo ainda é igual. E tão diferente ao mesmo tempo.

Que eternidade ainda signifique apenas um anseio. E que a cura ainda seja uma possibilidade distante demais, até para células cancerígenas.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.