Desço as escadas, ainda meio atordoado com a notícia que acabo de escutar, quando ouço minha irmã conversando com nossa mãe.

– Quando vai terminar a reforma do meu quarto? Não estou aguentado mais o Richard. Já tem muitos dias que ele fica falando dormindo, acorda gritando e tem até algumas vezes que ele começa falar com uma voz rouca, que chega a dar medo.

Mamãe escuta atentamente enquanto termina de comer um cookie.

– Calma filha, só peço que espere até o final de semana que eles terminarão a reforma. -Se virando então na cadeira-de-rodas, ela vai até a pia e coloca a sua xícara e continua — E quanto a seu irmão, vou proibi-lo de ver esses filmes sanguinários que ele tem assistido.

Estou parado na escada, pensando se conto ou não pra elas do noticiário, decido não falar nada depois da conversa que ouvi. De repente a campainha começa a tocar insistentemente e meu coração dispara. Jenna continua sentada na mesa tomando seu chocolate quente sem nem se importar com a campainha tocando. Nossa mãe pede pra ela se levantar para abrir, ela faz uma careta mas, acata a ordem. Quando ela abre, uma bela surpresa, meu pai, Charles. Ele tem cabelos castanhos escuros, Olhos azuis, e um porte físico de se invejar — apesar de seus cinquenta anos de idade -. Muitos dizem que sou uma réplica dele quando tinha Quatorze anos. Pele Branca, cabelo estilo Chace Crawford, corpo esguio porém, bem definido. Já faziam Três semanas ou mais que não o via, Também, ele é general de exército, e sempre tem que ficar algum tempo fora de casa. Nunca tem data pra voltar. Vou até ele para lhe dar um abraço, mas vejo em seus olhos algum tipo de urgência.

– Peguem comida, água, duas ou três peças de roupas e levem para o carro.

– Por que? — Pergunta minha mãe.

– Sem perguntas, apenas façam o que estou mandando!

Fazemos o que ele manda. Enquanto Jenna ajuda nosso pai a posicionar a cadeira de rodas da mamãe no carro — Vejo que ele não está mais com o Ecosport de quando saiu de casa, agora ele está com uma S10 branca, de cabine dupla com transmissão automática e tração 4×4. Fico pensando o porque ele não nos contou por que mudou de carro -. Eu termino de pegar minhas coisas. Tenho um pressentimento que o que está acontecendo agora tem alguma ligação com aquela notícia que acabei de ver.

Estamos todos na S10, um silêncio reina entre nós, mas ele é interrompido por Jenna. Ela nunca foi de ficar quieta, até mesmo no velório de nossa avó paterna, quando estavam todos em silêncio em respeito ao funeral, ela não parava de falar um minuto sobre as coisas que ela e a vó costumavam fazer juntas.

– Ok, já pode nos dizer onde estamos indo pai? Nem deu tempo de eu arrumar meu cabelo direito, não entendo pra que tanta pres... O que é aquilo?

Rapidamente, olho na direção em que Jenna está apontando e vejo vários militares e bombeiros em frente a uma casa que aparentemente está interditada. Ele encosta o carro, para ver o que está acontecendo ali, talvez por pura força do habito.

– Quero que vocês fiquem aqui! Só vou ver o que está acontecendo e já volto. — Diz ele, com um tom de voz um pouco alterado.

Mas estou tomado pela curiosidade e mesmo um pouco hesitante abro a porta do carro para ir atrás do meu pai, mas mamãe segura minha mão.

– Por favor querido, fique aqui. Seu pai com certeza tem um ótimo motivo para nos mandar ficar.

– Não se preocupe mãe, vou tomar cuidado.

Ignoro todos os pedidos que ela me faz para ficar e corro na direção em que meu pai foi. Ao chegar perto da faixa que diz "Interditado" fico paralisado com a cena que vejo. Logo após a cerca da casa, vejo 5 corpos no chão, ensanguentados. Aparentemente três crianças e dois adultos. Reparo que é possível identificar a marca de uma bala na cabeça de cada um dos 5 mortos que estão ali.

Sinto uma mão no meu ombro e dou um pulo para o lado com o susto repentino que levo.

– Richard, eu não disse para você ficar no carro? — Meu pai está com uma expressão confusa no rosto, um misto de raiva por eu o ter desobedecido e medo. Mas medo do que exatamente? — Vamos voltar para o carro agora mesmo, precisamos dar o fora daqui.

– Pai, o que está acontecendo? Quem matou essas pessoas? — Não consigo esconder o desespero em minha voz e ele se torna ainda maior quando ouço um militar responder a minha pergunta.

– Eles não eram mais pessoas normais quando chegamos aqui garoto. Por isso, nossa única alternativa, foi eliminá-los.