Sangue Puro - A guerra mágica.
1 Capítulo 1 - As filhas da Magia
Território Vespere, Vale dos Carvalhos.
Era umas três da madrugada quando Richard olhou para o alto da Colina Doce. Há poucos segundos ele imaginou ter visto alguém caminhar por lá. Quem seria? Ainda tinha uns cinqüenta minutos até o turno de Margaret e ele duvidava que alguém estivesse passeando na colina numa hora daquelas. Não com a guerra entre os dois clãs prestes a estourar. Então o que era? Um animal, talvez. Respirou fundo e relaxou os músculos. Estava exausto por causa do treinamento com Aisha. Queria ser um elementista do fogo, por esta razão sempre era visto com algumas queimaduras aqui ou ali. A Colina Doce tinha esse nome devido aos vários Flocos da Noite que desabrochavam no fim da primavera e no começo de verão, porém, a colina continha um encantamento que a deixava propícia para as flores desabrocharem o ano todo. Contemplar aquela paisagem era o melhor de seu trabalho, as flores deixavam a colina parecida com um tapete prateado, e o aroma que as flores exalavam era divino. Lembrava um pouco o mel e a baunilha. O céu estava lindo naquela noite. A lua estava minguando e as estrelas podiam brilhar quase absolutas no céu, sem ser ofuscadas pelo satélite branco. Observando o céu, Richard notou uma estrela cadente cortando o manto negro cintilante. Curioso... Estrelas cadentes sumiam em alguns segundos, mas aquela insistia em cortar o céu. De súbito, sentiu seus pelos ficarem arrepiados e uma sensação estranha tomou conta de seu estômago. Não pensou duas vezes quando conjurou uma barreira ao seu redor quando notou que o quê antes tinha pensado ser um astro de luz, na verdade era um orbe de energia disparado em sua direção. Fechou os olhos e invocou a força que guardava em si. A magia cresceu em seu sangue e deu força à barreira, deixando-a visível como uma cápsula de luz divina. O orbe se aproximou e se chocou contra Richard. Concentrou sua força na magia de defesa, mas a muralha de proteção partiu-se como se fosse vidro. Seu poder não foi o suficiente para segurar o ataque e ele foi lançado para trás logo após a explosão mágica. Estavam atacando? Será que a guerra já estava começando?Ele rolou por alguns segundos. O corpo doía, formigava e queimava com a energia ainda circulando em seus membros, dificultando assim sua recuperação. Uma mulher loira surgiu na Colina. Não era um animal, afinal de contas. Ela usava uma túnica branca como a Donzela Hécate, a patrona do clã. O cabelo loiro e cacheado escorria pelos ombros e costas e o único enfeite que usava era uma tiara prateada adornado com pedras. Ela caminhou para perto do rapaz, mas seus passos eram tão graciosos por debaixo da longa túnica que parecia que a desconhecida flutuava entre as flores brancas da colina. O vento chacoalhou as árvores enquanto ela andava, como se sua presença provocasse a mudança repentina nos ventos. Ele tinha que fazer alguma coisa, mas por mais que tentasse, o poder da mulher o mantinha imobilizado. Aquele era o fim para Richard Banson, o jovem aprendiz que desejava ser um grande e reconhecido elementista no clã. Sentiu o corpo gelar quando a loira esticou o braço esquerdo em sua direção, fazendo com que um holograma branco-amarelo de símbolos arcanos surgisse na palma de sua mão. Era agora. O fim. Ele fechou os olhos e esperou o seu trágico fim. — Encanto: Asfixia.Capítulo 1.— Jacinta! — Gritou Heitor para a jovem de cabelos negros que tentava meditar em meio aos arbustos — Jacinta! Cadê você? Argh! — O jovem se aproximou da menina e a cutucou enquanto reclamava mentalmente que precisava de um aumento. E de fato precisava mesmo. Ele era responsável por cuidar das filhas do Supremo e isso não era uma tarefa fácil. Deveria ser, mas as garotas não ajudavam nem um pouco. — O que foi, Heitor? — abriu os olhos, revelando o verde de suas órbitas — Estou tentando meditar aqui!— Que bom que está praticando, minha pequena — era como ele à chamava. — Mas pode deixar isso para depois? Teu pai deseja conversar contigo e com tua irmã. O assunto lhe interessou. Seu pai quase nunca as chamava, à não ser a noite, para o jantar ou oferendas. Ela se levantou com certa graça de donzela e bateu na túnica amarela para tirar a poeira. Ajeitou o cabelo negro trançado e pôs a franja para o lado de sua cabeça. — Onde está minha irmã? — perguntou virando-se para o homem ao seu lado. Ele não respondeu. — Heitor... Onde está a minha irmã? — Está com o teu pai — olhou para a torre do relógio da praça central. Uma estrutura interessante de mármore branco revestido de inscrições negras. — Há pouco tempo. Jacinta o encarou incrédulo e então começou a correr. Com apenas 14 anos de idade, já era inteligente o suficiente para saber que se atrasar em uma reunião com seu pai, não seria uma boa idéia. Encontrou sua irmã, Sarah, lhe esperando antes da porta, brincando com o fogo no braseiro, fazendo com que as chamas ganhassem vida com formas de animais. Um pequeno pardal saiu das chamas e sobrevoou ao redor da pequena garota. Seus olhos azuis melosos acompanhavam o movimento da criatura com concentração. — Sarah! — Chamou Jacinta. — Está esperando há quanto tempo?Ela se virou. O pequeno pássaro perdeu forma aos poucos e então evaporou. A pequena feiticeira era a mais nova dentre as irmãs. Diferente de Jacinta, tinha os fios loiros como ouro, cacheados e volumosos. Os lábios da menina eram de cor rosada e suas curvas já começaram a surgir, apesar da pouca idade. — Trinta minutos — disse fitando a irmã — Por que está toda suada?A morena passou a mão sobre a testa branca. A franja negra estava grudada na pele. Ela respirava devagar, tentando acalmar o coração e parecer tranqüila. — Eu corri para cá. Estava meditando. Um baque pode ser ouvido na grande porta de madeira escura ao seu lado. Adornada com cobre, a porta possuía runas que contornavam a madeira, criando um círculo de proteções. As irmãs ajeitaram as roupas e Jacinta orou para Afrodite à deixar apresentável durante a reunião. O grande salão do Mago Supremo era frio, escuro e arrepiante. Assim que as garotas passaram pela porta, o local escureceu. Colunas de mármore negro sustentavam o teto do grande salão. Tochas pendidas na coluna iluminavam o caminho até a grande cadeira do Senhor do Clã. E lá estava ele. Sentado, imóvel, observando com certa frieza as duas meninas que se aproximavam. Atrás dele, uma estátua de Hécate deixava claro a quem aquele solo era consagrado.
As meninas reverenciaram a deusa e então o pai. — Mandou nos chamar, meu pai? — disse Jacinta, a mais velha. Os olhos verdes da garota ousaram encarar o mais velho. Ele ficou em silêncio por alguns segundos. O silêncio deixava aquele lugar ainda mais arrepiante. — Jacinta e Sarah, filhas minhas. Demonstrem as habilidades aprendidas em seus estudos. — Como desejar, meu pai. — disseram as duas em uníssono. Ambas olharam ao redor, porém não encontraram nada para praticar. Normalmente eram usados bonecos ou criaturas fracas para se treinar. — Desculpe, meu pai, mas onde...— Duelem entre si — sua voz era forte e penetrante, como se a própria sala falasse por ele — Aqui, na minha presença.
Notas finais
Obrigado aos que leram. Deixem críticas ou sugestões. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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