Sangue Monstro
3 Nada á favor.
Notas iniciais
Fiz o que ela mandou e segui o grupo para a sala. Banquei o interessado na decoração para evitar as conversas e andei pelo lugar.
— Porque você tem que ser mandado entrar?- ouvi e depois encontrei a ruiva com uma expressão emburrada jogada no sofá á vontade. Sorri para ela sem querer responder e ela estranhou-me desviando o olhar para o teto com algum pensamento. Os outros pareciam também curiosos ao olhá-los de relance dando uma volta, e Ignorei.
Através dos vidros de uma janela sabia que estava chovendo forte, e que logo chegaria á casa. Sentei-me em uma poltrona recém-desculpada encarando lá fora.
— Pelo jeito, e pelo que vi, isso não acontece com vocês. disse — Eu tenho que ser convidado, pois posto que não iam querer lidar com uma criatura complemente inumana vagando e destruindo a casa. — acomodei-me colocando as pernas sobre o braço da poltrona e encostando a cabeça. — Simples.
Depois de um tempo a menina loira anunciou que amanhã iríamos receber a visita do Raphael, o homem que os mandou atrás de mim, e então ele resolveria o que fazer comigo. Era mais de meia noite e aqueles seis estavam na sala me vigiando e eu passei a brincar com um pedaço de linha tentando ser indiferente, costumava ir dormir beem tarde. Mas estava ficando cheio deles, e entediado.
—Vocês não tem uma casa para voltar não?-disse ocasionalmente sem olha-los ainda amarrando a linha nos meus dedos.
—Estamos te vigiando. -disse o ruivo com uma voz firme.
—Serio?... Acha mesmo que isso adiantaria se eu não quisesse ficar aqui?
Um trovão iluminou e gritou na janela de repente e eu me encolhi instintivamente, voltando à postura rapidamente. A ruiva riu pra mim debochando da minha reação.
—Enfim eu não vou a lugar nenhum. - não hoje completei em pensamento. -Será que teria um lugar para dormir? perguntei á bonitinha de olhos verdes. — Parece que o sofá esta ocupado.
—Sim. Tem quartos com beliches. — ela me acompanhou junto com os outros garotos.
Legal, um quarto de uns quatro metros e dois beliches para quatro caras de dezesseis á dezessete anos. Eles logo escolheram um lugar me deixando na porta, pareciam mais cansados do que eu. Restou uma cama de baixo e me deitei lá sem o mínimo sono. Fechei os olhos e passei a meditar. Não demorou e eu os abri despertos e sabendo que todos ali tinham dormido. Era a minha deixa.
É estranho como tenho uma habilidade incomum para ser silencioso. Não preciso fazer qualquer esforço para impedir ruídos dos meus pés e saio tranquilo pela porta. Em fim liberdade... O corredor está escuro, a luminosidade azulada vem de uma janela pequena no final e do outro lado, onde tem a escada, um escuro assustador. Desço sem medo algum. O por quê? Eu não sei, só não tenho. Sigo para a porta pronto para partir sem remorso algum. E ela esta trancada, mas logo encontro a chave e a destranco. Porém ao abrir um vento gelado e úmido invade o lugar me causando um arrepio sobre o suéter de lã cinza. Estava chovendo. Não a simples e doce chuva como vocês conhecem. Uma chuva grossa e rabugenta que me irrita sempre, sempre. Desapontado pensando que a primeira minha chance aparece e sou impedido por água.
Um trovão me faz bater a porta ao entrar para me proteger dentro da casa.
— Você é louco. — diz a menina de cabelos vermelhos com uma blusa larga, e grande para o corpo dela, no meio das escadas. — É a minha conclusão. -E ela se vai para cozinha bocejando.
Eu já tinha me recomposto e sigo a garota para a cozinha. Não tem como fugir, a chuva não passará nesta noite e provavelmente continuara durante parte da manhã. Acho que já deu para entender que não gosto de trovoes e também não gosto de água, não em excesso como esta caindo lá fora. Mas eu tenho uma explicação para isso.
Ela se serviu de um copo de suco e biscoitos e estava debruçada sobre o pequeno balcão central comendo um pouco sonolenta. Havia perdido o sono então dei uma olhada para a geladeira e fui ver o que tinha de bom.
— Ei garoto você não esta na sua casa pra ficar fuçando assim no que não é seu.
— Eu sei. disse indiferente e vendo o que tinha em alguns potinhos, pegando um pedaço do frango assado e separando algumas coisas para um sanduiche. Coloco as coisas no balcão na frente dela, e ela me olha surpresa por eu nem ligar e eu sorrio em resposta.
Sanduiche pronto, corto ao meio e me sento. Acho que ela não gostou da aparência do sanduiche e me olha enojada.
—Quer um pedaço?- digo após dar a primeira mordida.
— Eu não. Isso parece um bolo atropelado junto com um cachorro.
Eu sou idiota, e o comentário me faz rir e engasgar. Ela se desespera rapidamente e me oferece água. Eu recuso entre minhas tosses e ela força o copo contra mim.
—A... Agua não....- uma crise de tosse infinita, mas ainda rio do desespero e expressão dela. Sem querer a faço derrubar o copo no chão. Ela para de tentar me ajudar irritada e eu me levanto, ainda tossindo, e procuro o refrigerante na geladeira. Bebo e desengasgo. Respiro fundo aliviado e a encaro. -Desculpe.
— Você limpa isso, eu vou dormir. — disse e sumiu para o andar de cima.
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