Sangue Monstro
27 Ela não devia fazer isso...
Notas iniciais
Terça feira, um dia mais comum e tranquilo naquele lugar.
–Olá Roan-ruim-de-matemática, como esta sendo o seu dia?
Olhei o corredor e vi a menina de cabelo azul, óculos, com uma camisa com a frase “Me aprecie com moderação”, shorts jeans e tênis azul claro, com um sorriso no rosto.
–Roan-ruim... – ri, fechei o armário e segui para a sala, na direção dela.
–Eu sou Theresa.- disse ela me acompanhando.
–Sei disso, me lembro do professor falar seu nome ontem.
–É ontem foi um dia agitado pra você. Andam falando que enfrentou deixou um time e os deixou com algumas lembranças doloridas.
Seguimos para nossos lugares falando de algumas coisas vagas, até que o professor chegasse. Diferente de Jennifer, que apenas ficou me olhando de vez em quando, ela falava bastante, o suficiente para me distrair naquela sala monótona. E depois acabei sendo incluindo em seu grupo, que os professores sempre chamavam atenção pela conversa durante a aula. Conheci suas duas melhores amigas que sentavam logo à frente, chamadas Carlie e Amanda, que também me fizeram perguntas assim como perguntei um monte de coisa que elas as vezes riram em vez de responder. E isso tudo antes do intervalo.
Ninguém do clube de esportes veio me perturbar, mas parecia que eles ainda não tinham decidido me deixar de fora e me olhavam e vigiavam entre suas conversas.
Mas então no final daquele dia, quando estava saindo daquela biblioteca, que eu já estava começando a decorar cada prateleira, encontro Vanessa na porta me olhando. Meu coração bate mais a celerado ao me lembrar do sangue dela, tento passar reto, mas ela se aproximou rapidamente, enganchou o braço no meu e conduziu pra o lado do corredor oposto á saída. Eu não entendi o que ela queria, mas não ia impedi-la.
–Eu não te vi na festa esse final de semana. Senti a sua falta sabia?
Ela me olhou de soslaio, eu sorri olhando a frente, tentando saber para onde ela me levava ou se alguém do grupo de Raphael iria aparecer.
–Tive outra coisa para fazer. — respondi.
–Hum, espero que essa coisa tenha sido bem mais importante. -e me olhou fazendo bico e depois sorriu.
–Onde estamos indo?- ela me levava por corredores que tinha suas luzes já apagadas.
–Eu tenho uma coisa para te mostrar. Vai ser legal. -disse ela com charme.
–Talvez não seja tanto. – parei. -Acho melhor eu ir.
–Eu insisto Roan. -ela me encarou fixamente e começou a me puxar novamente.
Vanessa me levou para fora do prédio da escola, além do ginásio coberto e do campo gramado. Tudo já estava escuro e frio, e mesmo assim ela continuava andando e me puxando até que parou em frente à cerca que limitava o terreno da escola. Do outro lado estava algo parecido com uma mata. Eu estava apreensivo, não era um lugar que ela devia me levar, não ela. Vanessa me mostrou uma abertura na cerca e passou por ela me chamando. A encarei por um tempo e depois sorri, era inegável a oportunidade.
Nós caminhamos por uma trilha quase oculta pelas folhas. A lua conseguia iluminar as coisas, mas aquele lugar tinha muitas sombras escuras.
–As pessoas mais legais da escola conhecem o que tem aqui. -disse ela andando na minha frente e segurando minha mão. -Vamos precisar andar um pouco para chegarmos.
Andamos no meio de diversas arvores quase sem folha, arbustos baixos e mato roçando os calcanhares, quando de repente Vanessa parou e me abraçou pondo os braços em volta do meu pescoço e calmamente passava os dedos pelo meu cabelo curto na nuca. Não foi uma boa coisa, pois pude sentir seu sangue passando pela artéria de seu pescoço, muito próximo do meu rosto, a segurei firme e a mantive perto para ouvir aquilo. Tive que acalmar um pouco o meu coração desesperado para senti-la melhor. Era como experimentar o aroma da melhor comida do mundo e aprecia-la bem próximo por esses minutos que ela me segurava. Não dava para resistir muito depois disso.
–Corra... –sussurrei em seu ouvido com um sorriso supostamente perverso.
Ela se afastou sem entender, então a soltei e dei alguns passos para trás ainda sorrindo. Ia ser divertido e não havia ninguém do grupo do Raphael ali ou policiais ou pessoas desconhecidas. Vanessa sorriu para mim e fez o que falei achando que era uma brincadeira.
A garota tinha uma boa resistência enquanto corria e foram poucas vezes que a vi se virar para descobrir se eu estava muito longe. Humanos são meio previsíveis, sabia sempre para onde ela estava indo, e era mais fácil quando a caça não estava levando a situação a sério. Resolvi cortar caminho e de repente apareci na frente dela. Vanessa parou bruscamente arrastando algumas folhas que cobriam o chão, ela pareceu por um momento assustada de me encontrar. O ambiente mais escuro era conveniente para o medo e provavelmente ela sentia que algo não estava certo com pensava, talvez pelo meu sorriso. Ela sorriu para mim e tomando um folego comecei a ir até ela a observando por inteiro. Vanessa continuou com seu ar de brincadeira depois e deu alguns passos para trás até encostar-se a um tronco de uma arvore e me esperou. Aproximei-me e apoiei uma mão no troco do lado do rosto dela, encarando fixamente seus olhos castanhos que vagavam pelos meus tentando esclarecer o que eu queria dela. Levantei lentamente a outra mão e segui sobre o suéter que ela vestia até para sobre seu coração. O tempo todo ela me olhava ainda com a respiração alterada. Então sorri, vendo seu rosto de bochechas coradas e finquei as garras longas sem chegar a atravessa-la, enquanto impedia seu grito com a outra mão que ficou próxima de seu rosto. Não sei como exatamente, mas sempre pude transformar apenas as unhas nas garras e era muito útil para caçadas. Esperei que o coração da garota parasse de uma vez para então me mover. Depois a segurei no colo, sem deixar qualquer rastro de seu sangue e andei para longe daquele lugar.
Eu não prometi nada para nenhum daqueles descendentes de sangue monstros, e Vanessa me deu a oportunidade que nunca esperei ter.
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